Tempos de Mudança - Capítulo 26
- Olá a todos. Demorou um pouco mais do que eu esperava, mas aqui está o Capítulo 26
- ShunreiSuiyama, muito obrigado pelo review. Espero que os próximos capítulos lhe agradem também.
Espero que gostem. Boa leitura.
Kamus estava de tocaia já a algum tempo, impaciente. Queria seguir aquele homem, mas ele não saía do lugar. Várias pessoas vinham e saíam. Presenciou a venda e o consumo de drogas no local. Sentia raiva daqueles homens, que ganhavam dinheiro em cima do sofrimento das pessoas. Já era meio da noite quando foram embora, um em cada direção. Imediatamente o cavaleiro começou a segui-lo pelas sombras. Percebeu que estavam saindo daquele bairro, e indo para um vizinho, de um padrão mais elevado. Ele parou em uma casa totalmente murada, e tocou a campainha. Logo a porta se abriu para ele entrar. Kamus tinha certeza de que Lydia estava lá dentro. No local, ele seguiu para a sala, onde outro, este já na casa dos 40 anos, preparava uma carreira de droga.
- Chefe, temos um problema.
- Diga.
- Lembra-se daquele novo professor que eu te falei? Com cara de riquinho...
- Sim.
- Ele apareceu no ponto atrás da Lydia
O homem ergueu a cabeça surpreso. O subordinado continuou.
- Está ficando perigoso, Chefe. Ele é o tipo de cara que a Polícia escuta. Melhor o senhor livrar-se dela logo.
O líder voltou ao que fazia.
- Amanhã fazemos isso. Eu ainda quero aproveitar essa noite. Já que ela não tinha dinheiro, é o jeito dela pagar o que me deve.
Não concordava com a decisão do chefe, mas não ia entrar em atrito com aquele homem perigoso. Resolveu sair dali, fazer uma vistoria na segurança.
Kamus iniciava sua infiltração. Primeiro criou uma bola de gelo que atirou para destruir a câmera de vigilância. Aproximou-se do muro, e ao ter certeza que ninguém estava vendo, o saltou, entrando no local. Resolveu dar a volta por trás, esgueirando-se.
- Dois seguranças...
Falou consigo mesmo. De repente aquele que o trouxe até aquela casa apareceu, conversando com os homens enquanto acendia um cigarro. Conversaram rapidamente. Ele voltou para dentro e cada um dos seguranças foi em uma direção para uma ronda. Kamus esperou, e assim que um deles passou por si, o nocauteou. Seguiu para o outro lado e fez o mesmo com o segundo. Agora era hora de invadir o local.
O Chefe havia acabado de consumir a droga que havia preparado. Enquanto a euforia o tomava, ele levantou-se, indo para o andar superior da casa. Girou uma chave que estava para o lado e fora, e abriu um dos quartos. Lá dentro, com um dos braços algemados a uma cama, uma jovem estava deitada, seminua. Estava sedada para não chamar muita atenção.
- Acorde, Lydia.
A voz fez com que ela reagisse. Balançou a cabeça, e abriu parcialmente os olhos, incomodada com a luz. O homem aproximou-se mais, fazendo a ponta dos dedos tocarem o tronco na altura do estômago. Os dedos deslizaram pelo corpo, passando entre os seios até chegar ao pescoço. Podia sentir o corpo dela tensionar-se.
- Você precisa terminar de pagar...
- Não... Não
A voz saía sem força. Não aguentava mais aquilo. Implorava para que alguém a salvasse.
- Socorro... Socorro...
Usou todas as suas forças para pedir ajuda.
O homem estava na cozinha com um copo de água na mão, e não percebeu alguém se aproximando por atrás. Uma mão retirou a arma da sua cintura e a jogou longe. Quando deu por si, estava contra a parede com duas mãos o segurando pelo colarinho. Não escondeu o espanto ao ver quem era.
- Você?
- Onde está a Lydia? Responda.
Kamus não iria mais aturar provocações e desconversas.
- Como você entrou aqui?
- Isso não importa. A Lydia. Onde ela está?
O homem permaneceu mudo, então Kamus ouviu ao longe a voz fraca pedindo por socorro. Reconheceu imediatamente, o que fez seu sangue ferver.
- Não sabe onde ela está, não é? Seu desgraçado.
O socou com força, fazendo-o cair desacordado no chão. Com pressa, seguiu na direção da voz. Subiu as escadas e entrou no quarto. Antes que o homem pudesse reagir, o puxou para fora da cama e o jogou contra a parede. Ele caiu sentado, imóvel. Voltou sua atenção para Lydia, que já estava nua naquele momento.
- Lydia... Lydia. Está me ouvindo?
A voz conhecida a fez abrir os olhos e virar a cabeça.
- Professor?... Não... Não olha pra mim...
Ela cobriu o corpo como podia. Sentia-se horrível por ele ter que vê-la naquele estado. Começou a chorar. O Francês tentou acalmá-la.
- Lydia, se acalme, por favor. Espera...
Retirou a própria camiseta para cobri-la.
- Pronto. Agora, as chaves...
Foi até o corpo do homem, e achou um molho de chaves. Testou algumas até conseguir abrir as algemas, libertando a jovem. Ajudou-a a sentar.
- Consegue vestir-se?
- Sim...
Enquanto ela devagar colocava a camiseta do Cavaleiro, Kamus pegou seu celular, discando um número rapidamente.
- Alô, Polícia? Eu quero fazer uma denúncia de sequestro...
Ele passou o endereço e desligou o aparelho, voltando-se para a Lydia.
- Consegue caminhar?
- Acho que sim.
Ela tentou levantar-se, mas as pernas bambearam. Ela balançou a cabeça negativamente. O Francês aproximou-se.
- Venha, eu vou lhe ajudar.
Amparada por ele, levantou-se e começou a caminhar para fora do quarto.
- Desgraçado!
Os dois viraram-se ao ouvir a voz. O homem havia acordado, e apontava uma arma para Kamus. O que se ouviu em seguida foi apenas um disparo, e um grito desesperado da jovem.
- Não!
O tempo pareceu ter parado para Lydia. Ela olhava para Kamus, implorando por alguma reação dele, mas ao mesmo esperando o pior. Foi quando viu a mão dele esticada na frente do corpo, e algo que parecia ser gelo cobrindo-a. Não entendia o que estava acontecendo. Ele havia sido atingido ou não? Ele tinha... Parado o tiro com gelo? Para deixar aquilo ainda mais surreal, teve a impressão de ver o punho dele envolto em uma aura dourada. O traficante tinha a mesma expressão perplexa. O Francês tratou de rapidamente nocautear o homem novamente para que ele não atirasse de novo. Olhou para sua mão, vendo a esfera de gelo com o projétil encravado. Fechou o punho e a estilhaçou, guardando o pedaço de metal. Punia-se mentalmente por se colocar naquela situação. Teve que usar seu cosmo para evitar uma ameaça. Algo que foi testemunhado por civis. Perguntava-se o que Lydia acharia dele agora. Olhou para ela. A expressão no rosto dela era indecifrável. Ele quebrou o silêncio.
- Vamos sair daqui.
Esticou o braço, querendo voltar a apoiá-la, mas ela afastou-se assustada.
- Como?... Como?...
- Depois eu explico. Vamos sair daqui agora.
Lydia não sabia o que pensar. Tinha certeza que ele deveria estar pelo menos ferido, mas ele estava ali, vivo, ileso. Apesar de assustada, estava feliz. Feliz por ele estar ali. Por ele ser seu salvador. Acenou com a cabeça, e com auxílio dele saíram daquela casa. Já na calçada, as pernas dela bambearam novamente.
- Não consigo mais...
Sem a adrenalina, ela havia perdido parte da força. Antes de ela cair, Kamus encostou seu corpo na parede, escorregando e sentando-se devagar, trazendo-a consigo e a aninhando junto a si.
- Pronto. Logo a Polícia deve estar aqui. Acabou.
- Obrigada... Eles fizeram coisas horríveis comigo... Eu pensei que nunca mais veria meu pai... Nunca mais veria você...
Ela começou a chorar, e o abraçou com força.
- Não me deixe sozinha. Por favor...
O Francês devolveu o abraço.
- Eu prometo. Nunca mais vou te deixar sozinha.
A jovem abriu um leve sorriso. O barulho de sirenes tomou o ar. Viaturas e uma ambulância de resgate chegaram ao local. Enquanto Lydia era atendida, Kamus dava seu depoimento para o Policial.
- Deixe-me ver se eu entendi. Você seguiu um traficante até aqui porque achava que ele tinha informações sobre essa garota sequestrada...
- Exato.
- E como você entrou na casa?
- Sorte. O último a entrar não fechou o portão direito.
Mentiu. Era necessário.
- Certo... E você não pensou em chamar a Polícia antes? Se estivesse errado seria preso por invasão de propriedade. Fora o risco que você passou nessa tentativa de querer ser herói.
- Eu sei que estava errado, mas eu sabia que ela poderia estar em sério perigo, e eu estava certo nesse ponto. Também sabia que era perigoso, mas eu tenho treinamento militar, então tinha plena noção do que estava fazendo.
O homem anotava tudo em seu caderno. Depois de terminar, levou o olhar rapidamente em direção à Lydia antes de falar.
- Ela deve ser importante para você, não é mesmo?
Kamus ficou surpreso com a pergunta. Era algo que estava escondendo, talvez negando de si próprio, mas não queria mais mentir.
- Sim, muito.
- Está bem. Vamos levá-la ao Hospital para medicação e exames. Pegaremos o depoimento dela lá.
- Monstro!
Uma voz assustou a todos. Era o chefe, que mesmo algemado era levado com dificuldade por três policiais.
- Esse cara não é humano, é um mutante! Eu atirei e ele parou o tiro com a mão! Seu monstro!
Gritava em direção ao cavaleiro, e não parava mesmo dentro da viatura. Outro policial, este vindo da casa, veio em direção aos dois.
- Ignore-o, Capitão. Achamos vestígios de consumo de droga no local, além de um grande estoque. Tráfico, sequestro, e mais o que a jovem o acusar... Ele vai passar muito tempo preso.
- Está bem. Obrigado por avisar.
Kamus respirou aliviado. Uma das testemunhas estava desacreditada. Voltou-se para Lydia, que também assistiu a cena. Quando os olhares se cruzaram, ela fez um leve aceno. Aparentemente o segredo dele seria bem guardado, mas ainda teria que explicar tudo para ela. Foram na ambulância para o Hospital. Assim que ela foi internada e levada para exames, Kamus pegou seu celular e ligou para Saga.
- Alô? Kamus?
- Sim, sou eu.
- Graças a Zeus você ligou. Já estávamos pensando em mandar uma equipe de busca. Onde você está?
- No Hospital Geral de Atenas?
- Hospital? Está tudo bem com você?
- Sim, está. Não é nada comigo. Poderia fazer um favor para mim? Poderia passar na minha casa e me trazer uma muda de roupa? Eu explico quando você estiver aqui.
- Claro. Eu estou indo. Até mais.
Depois de encerrar a ligação, fez uma segunda, agora para o pai de Lydia, avisando que ela estava bem. Ao fim, respirou pesadamente e sentou-se na cadeira da sala de espera, permitindo-se relaxar. Estava feliz por tê-la encontrado. Uma hora se passou. Nesse meio tempo, viu o mesmo Capitão indo em direção à Enfermaria. Imaginou que ele iria pegar o depoimento de Lydia. Ficou aliviado ao ver Saga chegar, mas não esperava a pequena comitiva que veio junto com ele. Mu, Miro e Shion, que pareciam preocupados. Levantou-se da cadeira para recebê-los, e foi trocar-se. Assim que voltou, Shion foi o primeiro a falar.
- Quero explicações agora, Kamus.
O aquariano começou a descrever todos os fatos ocorridos desde quando saiu do Santuário à tarde até aquele momento. Percebeu que Shion ficou incomodado com o fato de ter havido testemunhas de sua utilização de cosmo.
- E é isso, Lydia está fazendo exames agora, e todos estão presos. O homem estava sob efeito de drogas, nunca acreditarão nele.
- Então resta apenas essa tal Lydia.
Mu comentou. Shion começou o sermão.
- Tem noção de que errou, não é Kamus? Primeiro por não ter avisado a ninguém o que estava fazendo. Segundo, ao não ter sido mais cuidadoso.
- Sim, eu sei. Sinto muito. Mas não acho que ela irá falar alguma coisa.
- Por que tem tanta certeza? Aliás, por que se arriscou dessa forma por uma de suas alunas?
Kamus pensou algum tempo antes de responder.
- Eu... No começo percebi que ela precisava de ajuda. Com o tempo acabamos nos aproximando. Ela é usuária, foi sequestrada por estar devendo dinheiro. Quando eu soube do sequestro eu não raciocinei. Tudo que eu queria era encontrá-la, e rápido.
Os quatro não esconderam a surpresa. Era quase como uma declaração de amor vinda do Francês. Miro abriu um leve sorriso antes de falar.
- Ora... Quer dizer que essa garota derreteu seu coração?
- Miro, por favor...
Kamus respondeu sem jeito.
- Admita, está apaixonado por ela. Não é algo que se deva ter vergonha.
Olhou para seus colegas de armas, e abriu um sorriso.
- Sim. Eu não posso mais pensar na minha vida sem ela.
Miro imediatamente deu um abraço nele.
- Fico feliz por você. Eu e a Shina brigamos bastante, mas eu também não consigo mais pensar na minha vida sem ela. Amar é uma sensação ótima, mas você é amado, Kamus?
Perguntou um pouco preocupado.
- Sim. Eu acredito que sim.
- Isso é ótimo.
Pouco depois o Capitão e um médico apareceram. Kamus seguiu na direção deles, junto dos outros.
- Como ela está?
- Fisicamente ela está bem, e foi corajosa para contar tudo o que houve. Aquele homem vai ter o que merece, eu garanto.
- Obrigado. Eu posso vê-la agora?
Perguntou ao médico.
- Sim, pode. Ela está liberada para visita, e deve ter alta amanhã.
Agradeceu novamente. O grupo foi em direção ao quarto dela. Kamus bateu na porta e entrou. Lydia, que estava sentada na cama, abriu um sorriso ao vê-lo.
- Professor Kamus.
O Francês foi até ela e lhe deu um abraço, que foi correspondido. Ele quis afastar-se, mas ela segurou na manga da camisa que ele vestia.
- Fica comigo...
- Está bem.
Ele sentou na beirada da cama, ao lado dela. Os outros quatro nunca imaginaram que veriam um Kamus tão carinhoso. Foi ele quem começou a falar.
- Lydia, esses são meus amigos. Miro, Mu, Saga e Shion.
- Olá. Prazer em conhecê-los.
Miro foi o primeiro a falar.
- O prazer é nosso. Estávamos curiosos para saber quem era a garota que fez a cabeça desse cubo de gelo.
- Miro...
Tanto ele quanto Lydia ficaram um pouco constrangidos com aquelas palavras. Shion falou em seguida.
- Na verdade, Senhorita Lydia, nós estamos aqui por um motivo. Kamus nos contou que você testemunhou algo que não deveria.
A jovem ficou surpresa, olhando para Kamus em seguida.
- Então eu não fiquei louca, ou foi efeito do remédio. Eu vi mesmo aquilo...
Ela passou o olhar por todos antes de voltar ao Francês.
- O que vocês são? Mutantes? Anjos? Demônios?
- Muitos já nos chamaram de Santos, mas eu prefiro outro termo: Cavaleiro. Somos um grupo de pessoas que protege a paz no mundo sob as ordens de Atena.
- Atena, a Deusa?
- Sim.
Ele espalmou sua mão para cima, fazendo cristais se formarem e girarem até formarem uma esfera de gelo. Lydia não pode esconder o encanto com aquela cena.
- Somos pessoas comuns, que treinaram para aprender a usar uma energia presente em todos os seres. Por causa disso somos capazes de proezas impensáveis para pessoas comuns.
- Isso é tão... Fantástico.
Lydia pegou a esfera com a mão, admirando aquilo que havia acabado de ser formado na sua frente. Ela olhou para os outros.
- Vocês também são Cavaleiros?
Saga respondeu.
- Sim. Mestre Shion na verdade já foi um, mas agora ele é o nosso líder.
O Mestre tomou a palavra.
- Mas você tem que entender que isso é algo que a maioria das pessoas ainda não está pronta para compreender. Por isso que sempre agimos com discrição.
- O que vai acontecer comigo agora?
Ela perguntou preocupada.
- Bom, geralmente nesses casos a pessoa é submetida a um tratamento de hipnose para que não se lembre do que viu...
Lydia não escondeu a expressão de angústia. Levou sua mão até a de Kamus, segurando com força. Tinha medo de que se esquecesse dele. Não queria aquilo. Aquele ato não passou despercebido por Shion.
-... Mas no seu caso podemos pensar em algo diferente. Existe uma vila chamada Rodorio, que serve de elo entre a cidade de Atenas e o Santuário de Atena. Lá todos conhecem a nossa presença. Se você prometer que vai guardar esse segredo, podemos arranjar para que você e seu pai saiam daquele lugar perigoso e se mudem para lá. Poderá continuar seus estudos no Colégio de lá também. O que acha?
Lydia não precisou pensar.
- Sim. Não conseguiria voltar para aquele lugar. Meu pai já estava querendo sair de lá também. Isso significa que vai contar para ele?
- Sim. Ele deve estar vindo pra cá.
Kamus respondeu
- Está bem.
Sorriu e aproximou seu corpo do corpo do aquariano. Shion voltou a falar.
- Nós vamos embora agora. Amanhã eu vou tomar as providências para a mudança de vocês. Kamus, você vem?
- Eu vou esperar o pai dela chegar, pelo menos. Se eu puder, acho que vou passar a noite aqui.
- OK. Boa noite para vocês.
Os quatro se retiraram. Já do lado de fora do Hospital, Miro falou.
- Não sei quanto a vocês, mas eu estou muito feliz pelo Kamus. Vocês perceberam? Aquela garota é louca por ele.
- Eu percebi. Isso é ótimo. Kamus estava muito solitário, vai ser muito bom para ele.
Mu respondeu. Saga comentou depois.
- Ainda bem que Mestre Shion encontrou essa opção. Seria cruel separá-los...
Shion ficou em silêncio por algum tempo, mas concordava com Saga. Talvez os acontecimentos recentes estivessem amolecendo demais seu coração.
- Talvez... Seria assim que Atena resolveria essa questão.
Não ousaram discordar do velho Mestre. No quarto do Hospital, Lydia e Kamus conversavam enquanto o pai dela não chegava.
- Eu prometo para você que nunca mais vou usar nenhum tipo de droga. Já conversei com uma psicóloga do Hospital. Eu vou fazer tratamento e ter acompanhamento.
- Fico muito feliz em ouvir isso
- Obrigada... Por não desistir de mim, mesmo eu sendo tão grosseira da primeira vez que conversamos.
- Eu vi que você precisava de ajuda, e é dever de um Cavaleiro ajudar aqueles que necessitam. Você é uma pessoa maravilhosa, Lydia. Você não deve definir-se pelo que aconteceu de ruim. Deve levantar-se, seguir em frente.
Kamus fez um silêncio rápido antes de continuar.
- Seu pai me contou o que houve com seu rosto...
Lydia respirou pesadamente, desviando o olhar do Francês. Ele delicadamente esticou o braço, usando os dedos para mover os fios negros. Ela quis mover a cabeça querendo afastar-se, mas ele falou.
- Deixe-me ver.
Ela permitiu que ele removesse o cabelo de frente do rosto. Ele pode ver a cicatriz vermelha que ia da testa até o meio da bochecha, tomando todo o contorno do olho, até a orelha. O olho estava totalmente branco. Claramente incomodada, ela afastou de vez a cabeça para usar a mão e puxar o cabelo para o lugar novamente. Temia que aquilo o afastasse. Kamus continuou.
- Você não é essa cicatriz, Lydia...
Ele subiu mais na cama, recostando-se e passando o braço por trás dela, aninhando-a em seu peito como fizera mais cedo.
-... Você teve que lidar com coisas muito difíceis muito jovem. Acabou se retraindo, com medo do que pudessem pensar de você. Mas quem tivesse a coragem, veria que se trata de uma pessoa carinhosa, que pedia socorro em casa gesto impensado. Alguém que queria que a vissem além dessa marca, como uma mulher bela por dentro e por fora... E foi por essa Lydia que eu me apaixonei.
Lydia foi pega de surpresa com aquela declaração. Sentiu seu coração palpitar. Olhou para cima e viu o rosto de Kamus com um sorriso no rosto.
- Professor...
- Me chame de Kamus.
- Kamus...
A jovem não sabia o que fazer. Pensou consigo que se aquilo fosse um sonho, não queria mais acordar. O homem que no começo rejeitara, mas que aos poucos foi vendo que pessoa maravilhosa era, estava ali declarando seu amor por ela. Aproximou seu rosto do dele, e acabaram trocando um rápido primeiro beijo. Devolveu o sorriso antes de falar.
- Com você ao meu lado, eu vou me levantar, e seguir em frente quantas vezes forem necessárias.
Em resposta, o Francês apertou o abraço em torno dela. Minutos depois o pai chegou. O reencontro dos dois foi emocionante. O homem agradeceu muito a Kamus por ter lhe trazido a filha de volta. Após todos acalmarem-se, o Cavaleiro começou a contar as notícias. O pai ficou sabendo do segredo que Kamus teve que revelar à filha, e também prometeu não contar a ninguém como gratidão. Ele ficou muito feliz ao saber que poderiam se mudar daquele lugar, e ainda mais quando os dois anunciaram que haviam começado um relacionamento. Infelizmente Kamus não pode passar a noite no Hospital. Apenas familiares podiam. Ele foi embora com a promessa de estar lá quando ela tivesse alta. Ao chegar no Santuário foi rodeado por seus colegas de armas, que já sabiam da grande notícia e foram parabenizá-lo, e também saciar a curiosidade de saber como era a jovem.
O dia seguinte passou de maneira demorada para Kamus. Apenas depois de resolver todos os seus compromissos nas Empresas Kido que pode ir ver sua namorada. Estranhava um pouco ainda pensar em Lydia dessa forma, mas sentia-se feliz. Nos dias seguintes ocorreu a mudança e a adaptação dos novos moradores do local. Ao poucos Kamus foi explicando exatamente quem eram os Cavaleiros, e o que era o Santuário. Atena voltou no fim de semana, já sabendo o que havia acontecido e curiosa para conhecer Lydia. No princípio, Lydia não podia acreditar que uma garota tão jovem e divertida podia ser uma Deusa, mas ao sentir o cosmo que emanava dela, se convenceu. Kamus não foi punido pelo que ocorreu, mas ainda teria que terminar sua punição anterior.
Mais alguns dias se passaram. O verão terminaria em breve. Kamus e Lydia observavam o pôr do solsentados nas escadarias da Casa de Aquário. Lydia quebrou o silêncio.
- É tão bonita a vista daqui... E a sensação de paz é maravilhosa...
- Tem razão.
- Amanhã retomo as aulas, e tenho mais uma consulta com o psicólogo do Hospital.
- Está fazendo tudo direitinho?
- Sim. Minha vontade praticamente não existe mais.
Kamus sorriu, e fez uma carícia nos cabelos negros, mas percebeu que ela ainda demonstrava receio. Ele a trouxe para mais perto de si antes de falar.
- Depois que tudo estiver normalizado nós vamos a um Cirurgião Plástico.
Surpresa, a jovem virou seu rosto na direção dele.
- Estou pensando apenas em você. Na sua autoestima. Você ainda tem medo de alguns contatos, e eu não quero mais que tenha que se preocupar por isso.
Não tinha porque Lydia duvidar daquelas palavras. Abriu um largo sorriso e o abraçou.
- Obrigada.
Depois de beijar o Cavaleiro de forma demorada, ela voltou a falar.
- Só estou curiosa sobre uma coisa...
- O que?
- A armadura de ouro. Ainda não vi você a usando.
- Verdade. Venha aqui...
Os dois levantaram, e foram até a entrada da casa. Kamus ergueu seu cosmo levemente, invocando a armadura para protegê-lo. A armadura de Aquário reluzia ainda mais com o sol baixo refletindo nela. Lydia não conseguia parar de admirá-lo. Era como um conto de fadas que se tornava realidade na sua frente. O Cavaleiro que veio para salvar a princesa em apuros.
- Ela é linda...
Aproximou-se, tocando a armadura levemente antes de abraçá-lo.
- Obrigada por ser meu Cavaleiro.
Kamus sorriu, envolvendo o corpo dela com seus braços. Não poderia estar mais feliz naquele momento.
Continua...
- Final feliz para Kamus e Lydia rs.
- Semana que vem eu vou postar o próximo capítulo. Até mais.
