Take me to the place where you go
A rotina pós-trabalho de Anna também era consideravelmente cansativa. Ela caminhava até o coração da Times Square – que estava 24hrs lotada – e pegava o metrô. Em 40 minutos, descia na estação Clinton-Washington, no Brooklyn. Caminhava mais dez minutos, dava boa noite para George, o porteiro, subia os três andares do seu prédio velho e desabava na cama. Choramingando, lembrava que teria que levantar, pôr a cafeteira pra fazer café e tomar um banho. Terminar algum trabalho da universidade e então dormir, para acordar dali algumas horas, ir para faculdade e sofrer mais um pouco.
Mas lá estava ela.
Era quase meia-noite e a ruiva estava sentada ao lado da mulher loira, cujo sequer sabia o nome. Elas bebiam Dominicana; um drink a base de suco de laranja e rum escuro. Anna era estupidamente fraca para com bebidas de alto teor alcoólico e a moça loira parecia estar tranquilamente sã, enquanto ria e a olhava pelo rabo do olho.
- Eu... – a ruiva soltou uma espécie de mistura entre suspiro, desespero e riso. Estava tentando se controlar para não parecer louca – eu tenho que ir pra casa. Tenho aula amanhã cedo.
A mulher levantou as sobrancelhas em tom de surpresa.
- Quantos anos você tem, Anna?
- Tenho vinte três – respondeu arrastado – vinte três anos e eu sequer sei o que quero da vida... – ela choramingou, encostando-se ao ombro da outra.
- Acho que nenhum de nós está em condição de dirigir, não né? – a loira brincou, dobrando as mangas do jeans emprestado.
- Dirigir? – a ruiva caiu em gargalhadas, rapidamente ficando tão vermelha quanto seus fios cor de cobre – eu não dirijo nem carrinho de supermercado. Minha vida é conduzida por ônibus e meu magnífico, esplendido, metrô.
- Consegue chegar em casa? – a mulher questionou. Levantou o pulso e passou de leve os dedos na nuca. Parecia mais relaxada que quando chegara ao bar.
- Hm... – a ruiva pareceu pensativa por segundos, com a mão no queixo – claro.
- Então vamos. Pegue suas coisas.
- Mas está chovendo! – protestou, um pouco sem equilíbrio – nós vamos chegar lá feito patinho na lagoa.
- Estará tudo bem se chegarmos vivas.
- Ok então... – cedeu. Caminhou até o fundo do restaurante mais uma vez e alguma dúvida quis rodar sua mente. A mulher misteriosa iria para seu apartamento?
"Ah, tudo bem".
Como dito, a Times Square não dormia. E as ruas estavam movimentadas e barulhentas, luzes piscando e buzinas gritando. A chuva havia virado uma espécie de garoa incomoda e um frio lhes arrepiava a nuca. O álcool, porém, as mantinha quente o suficiente. Na estação, Anna passou seu MetroCard, enquanto a loira teve que comprar um acesso. Pegaram o primeiro trem linha 02 que apareceu e se reencostaram em um banco com a pintura descascada. A mulher mantinha Anna - que tremia um pouco -, envolta em seus braços. Sentia o cabelo úmido da garota e sorria de vez em quando.
A ruiva sussurrou algo que a outra não ouviu e tirou um discman da mochila velha e desbotada. Deu um dos fones pra mulher e colocou outro em seu ouvido direito. Não mudou o CD que estava lá. Só deu play.
- "Take me to the place where you go"
Me leve ao lugar que você vai.
- "Where nobody knows if it's night or day"
Onde ninguém sabe se é noite ou dia.
- "But please don't put your life in the hands"
Mas, por favor, não ponha a sua vida nas mãos.
- Sabe, Oasis é muito bom – Anna sussurrou, fechando os olhos e acompanhando o momento trágico de suas vidas.
"Trágico e bonito, talvez. Me sinto em um filme hollywoodiano", concluiu.
- Eu não costumo ouvir muito... – confessou a mulher estranha – mas sim. É bom.
Anna arrastou seus dedos gelados até a nuca da outra, acariciando os fios soltos e sentido sua textura fina. Aproveitou a oportunidade e segurou levemente a nuca da mulher. Uma rápida olhada ao redor, o vagão estava quase vazio. Aproximou-se devagar, rindo baixinho e uniu seus lábios gelados ao da loira, que sorriu enquanto correspondia.
Exploraram o máximo – socialmente permitido num vagão – que conseguiram uma da boca da outra. Uma voz eletrônica anunciou a estação de Anna, que guardou o discman de volta na mochila e segurou nas mãos da moça, a puxando pra fora do trem. A chuva havia cedido e o tempo estava parado. Ninguém nas ruas, nenhum carro; só a imensidão escura, que despencara do céu sem estrelas ou luar. Caminharam num tom apressado e chegaram ao prédio com pintura desbotada. Anna se esforçou pra falar boa noite a George e entrou. Enquanto subia às escadas, parou de repente e balançou a cabeça.
- Algo errado? – perguntou à loira, tombando a cabeça prum lado.
- Eu não sei o seu nome – Anna olhou pra loira. Estava um degrau acima e assim conseguia olhar diretamente para a mulher. Ajeitou a gola do jeans da outra, esperando uma resposta. Reparou no colar dourado escondido.
- Me chamo Elsa – a mulher sorriu – Elsa Arendell. É um prazer, Anna.
Anna sorriu, beijando-a mais uma vez e suspirando quando se separaram.
"Ainda estou morrendo de frio", pensou "quero um banho quente".
Com isso, voltaram a subir as escadas. No terceiro andar, a ruiva abriu a porta de número 25. Jogou a mochila surrada em um canto e tirou o moletom pesado e gelado do corpo, dando uma pequena tremulada. Sentia-se mais sóbria, porém ainda via as coisas rodarem um pouco.
Um pouco.
Ligou a televisão em um canal qualquer, que passava um filme qualquer.
- Elsa – chamou. A mulher lhe sorriu e tirou a jaqueta do corpo.
Ainda era possível ver seu sutiã.
Anna se aproximou mais, sorrateiramente. Não era acostumada com aquele tipo de jogo de sedução, mas estava adorando a situação e agradecendo por ter bebido. Caso contrário, estariam ambas sentadas no sofá, com Anna envergonhada, se perguntando se ofereceria um chá com leite ou limão.
Encostou a loira contra a parede mais próxima, abrindo devagar botão por botão da blusa já transparente. Beijava a curva do pescoço de Elsa devagar e a loira lhe arranha a cintura numa dança em câmera lenta. Ao terminar com as casas e seus botões, deslizou o tecido da pele de Elsa. A loira lhe deu um pequeno selinho e apoiou em seu ombro para tirar seu salto alto. Elsa não era mais 10cm mais alta que Anna, mas talvez ainda fosse uns 06cm.
Esperaram a banheira encher de água quente e Anna jogou qualquer coisa com aroma lá dentro. Colocou primeiro o pé direito na banheira e seu corpo tremer de alívio. Entrou por completo e antes de se juntar à Anna, Elsa apagou a luz do banheiro.
A escuridão trazia um ar perigoso à situação. Com o sentido da visão lhes roubado, os outros se intensificavam temporariamente. Ambas sentiriam a água quente com mais ternura, os toques, beijos, cheiro.
Tudo mais intenso.
A água quente cheirava a algo do tipo hortelã pimenta e alguma flor clichê. Elsa havia sentada atrás, com Anna entre suas pernas. Massageava levemente seus ombros e baforava sua nuca, beijando e mordendo. Anna gemia vez ou outra, enquanto arrastava as mãos nas coxas de Elsa, apertando levemente.
Elsa desceu sua mão abaixo da água, alcançando o seio da garota. Apertou o mamilo dentro os dedos, enquanto a outra mão brincava com os lábios da garota, que havia entrado no jogo e mordia seus dedos.
Anna gemeu um tanto mais alto quando Elsa mordeu sua orelha e segurou seu seio com mais força, puxando a ruiva pra si. Arranhou seu tórax, deixando linhas vermelhas e doloridas. Em um determinado momento, parou e desfez as tranças da ruiva, sentindo a textura dos fios grossos. Anna virou-se, ficando frente a frente com a loira e a beijando, lentamente. Seus seios se encostaram, proporcionando prazer a ambas, que se remexeram em satisfação. A ruiva aproveitou o momento e passou as mãos nos ombros nus da loira, passeando por todo seu busto. Conhecendo sua cintura e uma pequena cicatriz que a loira tinha na lateral do corpo.
As carícias continuaram até que Elsa agarrou a nuca de Anna, aprofundando o beijo de ambas. Sua mão agarrou com força sua cintura, grudando ambos corpos. Elsa deslizou sua mão até o núcleo quente e excitado da ruiva, que gemeu em êxtase.
Elsa teve o cuidado de masturbar Anna com todo o contorno do dedo, já que sua unha poderia machucá-la e trazer mais desconforto que prazer. A ruiva, ainda de frente pra Elsa, rebolava, mantendo os joelhos firmes na banheira. Segurava-se nos ombros da loira, que beijava seu pescoço e mordia sua boca sem pudor.
Justo no momento que Elsa agarrou a cintura de Anna, a garota alcançou o clímax, sentindo toda uma emoção percorrer seu corpo. Seu próprio corpo suspirava, parecendo jogar fora toda a tensão acumulada dos últimos meses. Elsa sorria e Anna só conseguia ver o brilho de seus olhos devido a fresta da porta entreaberta. Anna a beijou em tom de desespero.
Um tom de urgência e bem-aventurança.
16 de janeiro de 2017.
