Capítulo 10

O que eu deveria fazer? Falar: "Oi, tudo bem? Como foi sua estadia no lado negro da força?" ou "Desculpe o meu estado, eu estava na praia enquanto você estava com o Avatar fazendo as pazes".

Não. Nada a ver.

Percebi que não tinha me movido um centímetro desde que me dei conta que era ele. Congelei, sem reação alguma.

Zuko deu um passo em minha direção e na mesma hora senti um vento, vi um vulto e ouvi um grito vindo do meu lado esquerdo:

– Você! – Finn voou em cima de Zuko, partindo para agressão. – Seu infeliz! – Finn ergueu o braço direito para lhe dar um soco, mas Zuko conseguiu segurar seu punho. – O que faz aqui?!

– Viemos em paz! – Sokka saiu da casa indo em direção à briga. – Eu juro! – Sokka agarrou Finn por traz, afastando-o de Zuko, enquanto esse esperneava. – Ele é do bem agora.

– Foi o que pensamos em Ba Sing Se! – Finn respondeu se livrando dos braços de Sokka, mas sem atacar novamente. – Está mentindo de novo?

Zuko olhou-o sério por um instante, então disse:

– Qualquer coisa que eu tenha dizer não deve ser dita a você.

Finn franziu a testa, apertou os lábios e se preparou para pular em cima de Zuko, mas Sokka foi rápido o bastante para segurá-lo antes.

– O que?! Você tem ideia de como a Kiara ficou depois de toda a palhaçada que você fez?!

Zuko olhou de relance para mim. Em seguida voltou-se para Finn.

– Exatamente, por isso este assunto é entre mim e ela e não você.

Finn começou a protestar esperneando-se. Suki e Aang foram ajudar Sokka a segurá-lo.

– Ele quer conversar com você, Kiara. – levei um susto. Katara estava ao meu lado assistindo à cena.

– Não sei se consigo. – confessei, passando a mão direita pelos meus cabelos. Percebi que eles estavam quase secos, mas embaraçadíssimos e presos de qualquer jeito. Que vergonha. Olhei para baixo e vi minha roupa: um shorts mais curto do que eu gostaria e a blusa sem mangas mostrava um pouco minha barriga. Tampei-a com os braços. – Eu estou totalmente despreparada.

– Tenho certeza que a sua aparência não importa. – ela me disse com um sorriso gentil. Desceu os degraus na porta de entrada e foi até a muvuca. Falou com todos eles e Sokka e Aang arrastaram Finn para trás da casa. Suki e Katara os seguiram, esta me fazendo um sinal discreto para ir conversar com Zuko.

Mas eu não precisei ir até ele, pois assim que todos desapareceram, o príncipe da Nação do Fogo veio até mim. Foi bom, tinha a impressão que se tirasse meu pé do chão não conseguiria me equilibrar direito.

– Kiara... – ele começou. Não sabia que tinha sentido tanta falta de ouvi-lo falando meu nome que de congelada, me senti derreter. Como sou tonta... Concentre-se. Limpei a garganta.

– Zuko. – eu disse com a voz um pouco trêmula, mas acho que ele não percebeu. Eu acho...

– Tem algumas coisas que eu preciso te explicar. Eu posso ou você vai gritar que nem seu amigo sem noção?

"Que explicar, que nada! Vem logo e me beija" me peguei pensando. Arregalei os olhos e sacudi a cabeça. "Concentre-se!". O que ele disse depois? Algo sobre gritar? Putz...

– Desculpa, o que você disse? – perguntei sem jeito. Ele ergueu uma sobrancelha.

– Se eu posso me explicar ou se você vai gritar igual ao seu amigo chato. – Ah, eu sabia que tinha gritar no meio. Agora entendi.

- Sim, pode falar. – respondi em tom de autoridade. É claro que ele podia falar, sonho com este momento desde que saí de Ba Sing Se. Porém, não podia demonstrar isso, tinha que manter pose de durona.

- Você está bem?

– Eu não sei. A última vez que nos encontramos você me fez ter outra imagem de si mesmo, uma que achei que não existia.

Zuko suspirou.

– Eu sei e é por isso que eu quero conversar com você. Foi tudo um mal entendido. Eu me deixei levar pelo que minha irmã disse...

– Sua irmã é louca. – eu o interrompi. – Você viveu com ela a vida toda, como não percebeu?

– Eu percebi!

– E mesmo assim acreditou no que ela disse?

Zuko olhou para baixo.

– Eu fui fraco. – ele se explicou.

– Aham. E o que ela te disse para te convencer a largar tudo o que você já tinha conquistado em Ba Sing Se? – eu perguntei me referindo a mim mesma e à vida dele com o tio.

– Ela me ofereceu uma proposta de ajuda-la e em troca eu teria o que eu busquei durante os anos que fiquei fora da Nação do Fogo: minha honra e o amor do meu pai. – Zuko falava com testa franzida. – Se eu conseguisse derrotar o Avatar, eu poderia voltar para a minha casa como um herói e não como um fracassado. – ele suspirou. – Tente entender, era tudo o que eu queria! E apesar de minha vida estar boa em Ba Sing Se, foi impossível resistir.

"Meu tio disse para eu não aceitar, mas eu não o ouvi. A única pessoa que me dava os conselhos certos, que sempre esteve comigo me ajudando eu ignorei. Me sinto um idiota", ele abaixou a cabeça e colocou a mão na testa.

A minha vontade era de correr até ele e abraça-lo bem forte, tamanho rombo que ele tinha deixado no meu coração. Mas ainda não era hora para isso.

– O que aconteceu com o seu tio? – eu perguntei.

– Azula o levou para a Nação do Fogo e o prendeu. – ele respondeu levantando o rosto. – Mas ele conseguiu escapar de alguma maneira e agora não sei como encontra-lo.

Eu torci a boca e olhei para o lado, pensativa. Seria uma busca difícil.

– Tantos arrependimentos estão me matando. – ele confessou e eu olhei para ele novamente. Ele estava devolvendo meu olhar e dando um passo de cada vez lentamente. – E eu estou consertando os erros aos poucos. Quero resolver as coisas entre nós. Você me daria esta chance?

Ai, Senhor, o que eu faço? Minha vontade continua sendo a de correr até ele e abraça-lo. Mas apesar disso não me parecia a atitude certa.

- Bom, vejo que com o Time Avatar você conseguiu se virar muito bem. Como os convenceu de que você está do lado do bem?

- Não foi fácil. Tive que convencer um de cada vez, com determinação. Eu não ia desistir de provar que eu queria, e quero, ajuda-los. A Katara foi a mais difícil, em minha opinião, estava determinada a me odiar.

- Acho que ninguém pode odiá-lo mais do que Finn. – eu fiz uma observação.

Zuko deu um meio sorriso.

- Acho que não. Mas eu não me importo com o que ele pensa, me importo com o que você pensa. – ele falou olhando para mim. – Você vai me dar a oportunidade de te provar também?

Meu primeiro pensamento foi: "Não precisa provar nada, vamos ser felizes para sempre logo!", mas meu lado mulher me dizia que eu não deveria fazer isso, que eu deveria cozinha-lo um pouquinho. A questão era: eu conseguiria fazer isso?

Comecei a pensar no que Finn diria nessa situação: "Mas é claro que você não vai deixa-lo provar nada! Expulse ele da própria casa e ameace deixa-lo incapaz de ter filhos se ele voltar!". Eu jamais poderia fazer isso, pretendo ter filhos no futuro. Mas eu acho válido conversar com a Katara e o Sokka e ver o que eles acham. Se eu agir pela minha empolgação e emoção é capaz de eu sofrer de novo mais tarde.

Assumindo pose de durona, cruzei os braços.

- Eu quero pensar sobre isso. Vou conversar com a Katara e o Sokka e ver o que eles acham, pois confio neles. E dependendo de como for, a gente conversa.

Zuko comprimiu os lábios, olhou para seus próprios pés e abaixou levemente a cabeça antes de voltar a me encarar.

- Estarei esperando. – ele deu um passo em minha direção, mas eu dei um passo para trás, mantendo a distância. Dei uma última encarada, me virei e entrei na casa. Me encostei na parede ao lado da porta e respirei fundo, tentando acalmar meu coração.

Que situação horrível. Porque fui me apaixonar pelo rapaz com história de vida mais complicada deste mundo? Tudo teria sido tão mais simples se ele fosse realmente um simples ajudante de uma casa de chá.

Percebi minha visão ficar ondulada e senti uma lágrima escorrer pela minha bochecha direita. "Maldição, chorando de novo?! Só ele mesmo para me fazer chorar".

Sequei-as com as mãos e antes que meus olhos ficassem vermelhos, eu fui procurar pelo resto do pessoal. Andei em direção à cozinha, lá havia uma porta dupla de vidro que dava para a parte de trás da casa. Quando cheguei lá, a porta estava aberta e o Time Avatar e Finn estavam no jardim. Finn estava de cara emburrada escutando Sokka, Katara e Aang falarem.

- Kiara! – Finn exclamou quando coloquei meu pé para fora. – O que você conversou com aquele pilantra? – ele veio em minha direção apontado o dedo para mim.

- Conversamos nada. Ainda. – eu respondi sem animação.

- Mentira! Ele já conseguiu fazer sua cabeça, não é?!

- Kiara, nós estávamos tentando explicar a situação a ele, mas ele não entende! – Sokka disse visivelmente irritado com Finn.

- Não há nada para entender. – este respondeu virando-se para Sokka. – Vocês são muito trouxas de terem acreditado.

- Finn – eu comecei e coloquei minha mão em seu ombro – acalme-se. Eles devem ter um bom motivo. Como você não está disposto a ouvir, eu vou conversar com eles e depois falo com você, tudo bem? Faço até desenhos e mímica se for necessário.

Finn aceitou, mas balançou negativamente a cabeça.

- Você também vai acreditar. – ele afastou a minha mão de seu ombro e entrou na casa. Eu suspirei.

- Kiara, vamos conversar. – Katara disse ao meu lado e me puxou pela mão. Nós nos sentamos na fonte que havia no centro do quintal.

Foi Katara que contou a maior parte da história: desde que eles foram ao templo do ar do leste até o dia de hoje. Sokka e Aang contaram sobre as experiências deles com Zuko.

Zuko agora era o mestre de dobra de fogo de Aang. Isso era... Maravilhoso. Da mesma forma como foi fácil de acreditar no tio de Zuko em Ba Sing Se, foi fácil acreditar neles agora. Mas... Eu ainda tinha medo de ele virar a casaca de novo e eu sofrer tudo em dobro.

- Acredita na gente? – Katara perguntou. – Levou um bom tempo para ele me convencer, mas é verdade agora, ele mudou mesmo.

- Eu acredito. – respondi e todos pareceram aliviados. – E acho que ele foi fraco mesmo. Mas... Não acho que consigo perdoá-lo facilmente.

Silêncio.

Fiquei sem graça. Por que todos tinham de estar ali?

- Sokka – Katara começou – por que você e a Suki não vão dar uma volta para conhecer a região? Toph, você e o Aang poderiam treinar dobra de Terra. Agora é um ótimo momento!

Felizmente, todos entenderam o recado e saíram.

- Ai, Katara – eu coloquei as mãos no rosto e apoiei os braços nas pernas – que vergonha. Que situação chata que eu fiquei.

- Calma. – Katara me abraçou. – Vai ficar tudo bem, vamos conversar.

- Me desculpe – eu olhei para ela – eu não deveria me importar com isso agora. Problemas amorosos no meio de problemas mil vezes maiores? É muito egoísmo...

Katara ficou um tanto desconfortável antes de começar a falar:

- Sabe que eu penso isso também. – não era isso que eu esperava ouvir. Então eu realmente era uma pessoa egoísta e ruim? Queria tanto ouvir que não... – Eu estou num conflito amoroso também.

Arregalei os olhos. De repente o assunto ficou interessante.

- Sério?! Quem é o felizardo?

- Ainda não sei se ele é felizardo. É o Aang.

- Ah, que bonitinho! – eu exclamei. – Conte-me mais.

Katara suspirou.

- Não, desculpa, eu mudei completamente de assunto. O foco é você agora.

- Não, tudo bem, estamos tricotando. Assim me sinto mais confortável para falar também. - eu incentivei. Era bom saber que eu não era a única enfrentando uma situação particular no meio de um caos maior.

- Ok. Mas não tenho muito o que contar. Nós sempre estivemos juntos, mas eu nunca parei para pensar no Aang dessa forma com clareza. Só depois de ele ter... Me beijado.

Soltei uma exclamação.

- Que safada! E nem ia me contar? – ao dizer isso, Katara ficou vermelha.

- Safada nada! Foi no dia do eclipse, antes do Aang ir ao palácio da Nação do Fogo. – ela explicou.

- E como foi? Você gostou? – eu perguntei interessada.

Katara estava visivelmente desconfortável, não sabia o que me responder.

- Eu... Acho que sim. Não sei. – ela entrelaçou as mãos e ficava mexendo os dedos apoiados às pernas. – Eu ainda estou tentando entender.

- Você disse que acha isso egoísta, né? Não será por isso?

- Eu acredito que sim. Afinal, ele é o Avatar! Não está na hora de pensar nessas bobagens, ele tem que pensar em treinar e enfrentar o Senhor do Fogo.

- Isso não é bobagem. – eu contrapus. – Por causa disso, metade da equipe está aérea.

- É verdade, por isso que eu acho que o seu caso não é egoísmo. O meu eu ainda consigo lidar porque me dou bem com o Aang e tudo, mas o seu deve ser resolvido logo. Todos nós tivemos um tempo com o Zuko para nos acertarmos com ele. Você também precisa. Você merece. – Katara falou tudo isso com muita calma e compreensão, o que me fez me sentir melhor. - Não vai ficar tudo melhor se for resolvido logo?

- É claro que vai. – eu respondi e abaixei a cabeça. Ficaria tudo tão lindo se fosse resolvido. Eu só precisava acreditar que Zuko não mudaria novamente.

- Como nós ficaremos aqui uns dias, você aproveita e se acerta com o Zuko.

- Mas quem disse que vou me acertar com ele? Tem noção do medo que estou sentindo de sofrer tudo de novo? Ele não é confiável.

- Eu sei que é difícil, mas todos nós acreditamos que ele mudou...

- O problema não é esse. – eu interrompi. – Acredito que ele tenha mudado, ele já fez isso uma vez e eu vi, mas eu não estou convencida que ele se manterá assim. Daqui a pouco chega a irmã dele ou o pai dele, coloca "amor" e "honra" na mesma frase e pronto! Lá se vai ele de novo.

Katara nada disse.

- Eu tenho uma proposta, então. Nesses dias que ficaremos aqui, observe ele. Veja como ele se dá com os outros e tire suas próprias conclusões.

A proposta de Katara não era ruim. Pelo jeito, não importa o que qualquer um diga, eu sou a única que pode me convencer de que Zuko não fraquejará novamente.

- Eu só não entendo uma coisa. – Katara começou e eu a encarei. – Em Ba Sing Se você acreditou e aceitou tão facilmente. Por que agora está difícil?

- Na primeira vez, ele não tinha feito nada de ruim para mim. Eu conheci ele como Lee, não como Zuko e eu vi o quanto ele estava bem lá. Já tinha conversado com o tio dele sobre isso e tudo fez sentido quando descobri. Mas agora ele traiu a minha confiança. Não vai ser fácil para ele recuperá-la, mesmo se eu quisesse.

- Mas você não gosta dele?

Mas que perguntinha sem vergonha. O que eu deveria responder? Que não? Seria mentira. Que sim? Seria verdade, mas... Eu não queria responder isso. Coloquei as mãos no rosto novamente.

- Eu estou dividida. Metade de mim quer simplesmente esquecer tudo isso, me dar bem com ele de novo e ir lá abraça-lo como antes. Mas a outra metade me impede, me deixa com medo de sofrer de novo. Eu estou ferrada.

Katara tirou minhas mãos do rosto, as segurou e olhou para mim.

- Então não tome nenhuma decisão agora. Dê tempo ao tempo. Uma hora você se decidirá. – e sorriu.

Eu sorri de volta. Talvez fosse a melhor forma naquele momento.

Depois de minha conversa com Katara, eu entrei na casa e fui procurar Finn. Além de ter o problema Zuko, agora eu tinha o problema Finn e este era uma casca de ferida. Como eu ia explicar para o cabelo espetado? Ele nem me ouviu direito quando disse que conversaria com ele depois de entender a situação. Tentaria falar com a maior delicadeza do mundo, mas a minha paciência já estava curta com ele.

Parei de frente com a porta do quarto de Finn e bati.

Nenhuma resposta.

Bati novamente.

Nada.

Achei que ele não estava no quarto. Girei a maçaneta e entrei devagarzinho.

- Finn? Podemos conversar? – eu perguntei e entrei no quarto. Não tinha ninguém. A janela estava escancarada e a cortina se movia levemente com a brisa. Eu já sabia onde estava Finn.

Subi no telhado e lá estava ele, sentado de frente para o mar exatamente no lugar onde costumamos ficar. Andei até ele e sentei ao seu lado. Ele não se moveu.

- Não adianta, você não vai me convencer. - ele me disse sem tirar os olhos do horizonte.

Fiquei receosa, ele parecia determinado demais a manter sua postura.

- Eu não vim te convencer. Até por que eu não me convenci.

Ele olhou para mim surpreso.

- Como assim? Eu achei que você estaria agarrada a ele agora.

- Sinceramente, é o que eu gostaria. – eu respondi e ele entortou a boca, enojado. – Mas eu não consegui. O pessoal me explicou o que houve e eu conversei com a Katara depois. Eu acredito que ele tenha mudado...

- Eu sabia. – Finn me interrompeu e fechou a cara.

- Mas eu ainda não consigo perdoá-lo, justamente por achar que ele pode mudar mais uma vez para o lado do mal.

Finn me mediu de cima abaixo.

- Menos mal. Mesmo assim ele já tem meio caminho andado com você, comigo ainda não tem o primeiro passo. Eu simplesmente não consigo acreditar. – ele disse com determinação.

- Mas Finn, você mesmo disse, quando entregou o porta-retratos com a pintura da família dele, que poderia me ajudar a refletir sobre as atitudes dele. Não estou te entendendo!

- Isso foi aquele dia! – Finn alterou a voz – Eu queria que você melhorasse, então falei aquilo. Jamais achei que ele apareceria aqui com o Avatar e companhia pedindo a benção.

- Ele não te pediu benção. – eu lembrei.

- Mas deveria! Fui eu que enxuguei suas lágrimas quando ele te sacaneou.

Isso era verdade. Mas Finn não era meu pai. Olha a ideia, pedir benção.

- A Katara me propôs uma coisa e eu achei boa...

- Você não vai dormir no mesmo quarto que ele, está louca?!

Agora Finn me irritou. Não estava com cabeça para as piadinhas dele e essa foi a gota d'agua. Meti-lhe um tapa no rosto em um de meus maiores reflexos. Ele me olhou chocado.

- Para de agir igual ao um imbecil e presta atenção! Eu não estou convencida ainda, caramba! Por que você não acredita?

Um minuto de silêncio.

- Está bem, eu acredito. Não precisa me bater de novo. – Finn respondeu. Menino difícil de lidar. – O que a Katara propôs?

Eu respirei fundo para me recompor. Eu realmente estava sem paciência para aguentar esse tipo de atitude dele.

- Ela sugeriu que não tomássemos nenhuma decisão ainda. Que esperássemos simplesmente. Vamos todos conviver juntos nos próximos dias e ela disse que para observarmos Zuko e ver o que achamos.

Finn continuava sério.

- Pode ser. Por mim eu o chutava ladeira abaixo, mas não posso fazer isso. Ele é o mestre de dobra de fogo do Aang e ele precisa dominar o fogo pelo bem da humanidade.

Ok e o fato de que eu ficaria em prantos? Ele nem considerou?! Xinguei Finn mentalmente.

- Sim, só por isso mesmo. – eu ironizei, mas não sei se ele percebeu. – Podemos ficar em paz, Finn? Não quero te ver emburrado. – eu pedi e cutuquei o braço dele.

- Depois desse tabefe que eu levei não tem como não ficar emburrado.

- Entendi, você ficou triste? Doeu muito? Tadinho, quer um curativo? – eu passei a mão pela bochecha em que bati.

- Ei, parou! Sou macho, não preciso de curativo!

- Então vamos entrar, temos que terminar de nos vestir, continuamos o bagaço da praia. – eu olhei para mim mesma com meu shorts curto e minha blusinha e lembrei do meu cabelo zoado.

- Tem razão. Mas eu não ficarei no mesmo ambiente que o Zuko. – ele avisou se levantando.

- E como você vai observá-lo sem estar no mesmo ambiente, esperteza?

Finn pensou por um instante.

- Tem razão. Terei de usar minhas habilidade de ninja e agir nas sombras. – e fez uma pose qualquer que deveria ser de um ninja.

Coloquei a mão na testa. Tudo bem, deixei o garoto ser feliz. Era melhor assim do que emburrado.

Mas... os próximos dias prometiam.