Capítulo Um: Garotas certinhas, tipo a Bella
"Eu sou o tipo de garota que não diz uma palavra, que senta no canto e espera pelo mundo, mas eu estou prestes a explodir, estou prestes a explodir..." - Ready or Not, da cantora Bridgit Mendler.
– Eu com certeza vou estar lá! Não acredito que você finalmente tomou coragem! – exclamou Alice, minha melhor amiga, me abraçando.
– Eu sei, nem eu!
– Por que é que vocês estão tão felizes? – perguntou Rosalie, minha outra melhor amiga, sentando na nossa mesa de almoço.
– A Bella finalmente tomou coragem para o teatro. Ela vai fazer a audição amanhã. – Alice contou.
– SÉRIO? AI MEU DEUS!
– EU SEI!
Depois de alguns minutos discutindo o que eu iria usar, quem iria ensaiar comigo, como elas fariam para se infiltrar no teatro e assistir a minha performance, fomos interrompidas por Emmett, o namorado perfeito de Rosalie. Claro, o perfeito capitão do time de futebol para a perfeita capitã das líderes de torcida. Com todo o clichê de ela ser loira e incrível, e ele ser forte e sorridente. De verdade... Eu desconhecia um clichê real tão perfeito quanto os dois.
– Bellinha vai virar atriz? – interrompeu Emmett.
– Ela vai tentar. – Rosalie contou, antes de beijá-lo nos lábios.
E então a sessão amasso começou. Olhei para Alice, um pouco envergonhada, e ela riu, rolando os olhos. Tirou um espelho da bolsa e começou a retocar seu batom escuro. Mas escuro mesmo. Escuro quase preto. Alice estava em uma fase estranha, meio gótica. Ninguém podia culpá-la... Ela sempre tinha sido uma perfeita garota americana: longos cabelos ondulados, maquiagem natural, roupas delicadas, e gentil com todo mundo... Mas quando a mãe dela morreu, no ano passado, ela simplesmente mudou. Depois de surtar, e ignorar todo mundo por muito tempo – inclusive Rosalie e eu – e de andar pelos corredores da escola como um fantasma, ela finalmente "voltou à vida" como essa gótica de agora. Cortou o cabelo o mais curto possível, só veste roupas e sapatos pretos, e usa maquiagem muito carregada. Sem falar nas músicas que ela escuta... Foi um choque no começo, mas Rosalie e eu a aceitamos, e fazemos de tudo o que podemos para que ela se sinta confortável, e encontre o caminho de volta para quem ela é de verdade.
- Então... Quem está a fim de ir comigo ao salão hoje?
- Ai, adoro o salão! - Alice soltou, de surpresa, tampando a boca logo depois. - Quer dizer... É, talvez dê para ir, sabe como é, depois de fazer umas coisas, tipo roubar um carro.
Um relance da antiga Alice. Rosalie olhou para mim mais rápido do que eu olhei para ela, e sorriu.
- Então depois da aula, as duas direto no meu carro. - anunciou.
- Mas o que nós vamos fazer exatamente? - perguntei.
- As unhas, a sobrancelha, escova, drenagem, massagem... - ela começou.
- Legal, tô vazando. - Emmett anunciou, levantando da mesa.
- Onde é que você vai? - perguntou Rosalie.
- Buscar um pouco de testosterona, para me livrar desse progesterona que vocês acabaram de soltar encima de mim. Credo. - ele brincou.
- Manda um "oi" pro Jasper. - Alice pediu.
- Alice, querida Alice... Desista. O Jasper gosta de garotas certinhas, tipo a Bella, e não rebeldes. - Emmett disse.
Eu corei um pouco, mas não porque eu gostava de Jasper, apenas porque... Eu nao gostava de ser usada como exemplo.
- Eu não perguntei que tipo de garota ele gosta, Emmett, eu pedi para você dizer "oi". Fim. - Alice respondeu, irritada, levantando da mesa com a bandeija em mãos, e indo embora.
- Emmett, seu idiota! - Rosalie repreendeu. - Ela está passando por uma fase!
- Eu sei, mas quem sabe isso não ajuda ela a voltar a ser quem ela era? - ele disse.
- Não funciona assim. - eu expliquei. - Ela precisa se encontrar de novo. E mudar por um garoto, ou porque alguém disse que ela devia não é a maneira correta. Ela tem que descobrir de novo quem ela é, e do que gosta, porque essa não é ela mesma.
Emmett deu de ombros, suspirando. A forma dele de pedir desculpas. O sino tocou anunciando o fim do almoço, e todos nós levantamos para voltar às salas de aula.
No caminho, vi um cartaz, anunciando as audições para a peça. Meu estômago se agitou de ansiedade. Era amanhã. Tudo ou nada. Ser ou não ser. Conseguir ou falhar. Vencer ou perder. Protagonista ou coadjuvante.
Ok, chega, é o bastante.
Mas o meu coração não iria se acalmar. Era muita emoção correndo por minhas veias. Eu sabia cada fala da cena - já vinha ensaiando há algum tempo.
