Capítulo Trinta e Quatro: Golpe baixo é me trazer pra uma cachoeira só pra ficar de olho no meu corpinho

"Droga, baby, você me frustra. Sei que é minha, toda minha, toda minha... Mas você é tão linda que doi às vezes" – Your Body Is A Wonderland, do cantor John Mayer

BPOV

Piquenique. Numa cachoeira. Essa era a grande surpresa.

- Você realmente planejou o fim de semana! – exclamei surpresa.

- Achou que eu estava mentindo?

- Só achei que você não iria ter planejado algo assim. É quase... Irreal. Tipo uma cena de High School Musical.

Edward sorriu e tocou os lábios aos meus. Estávamos sentados numa grande pedra, um pouco afastados da cachoeira, na sombra, pés dentro d'água. Ele havia preparado uma cesta com sanduíches de peito de peru, queijo e alface, suco de manga, de laranja e refrigerante, algumas frutas e, a melhor parte, muito morango com chocolate. Ele sabia que era a minha fruta preferida, e completamente irresistível com chocolate. Tão fofo!

- Você é quase irreal. Às vezes acho que estou sonhando.

- Ah, meu Deus! – exclamei, enfiando meu nariz em seu pescoço. – Eu não vou aguentar esse nível de fofura aqui, eu acabei de comer um monte de chocolate. É golpe baixo!

Edward começou a rir, me abraçando.

- Não posso falar a verdade, então? – perguntou.

Chacoalhei a cabeça, rindo.

- Não posso dizer que você é incrivelmente maravilhosa, e que eu te amo mais do que achei que era capaz de amar alguém?

Chacoalhei a cabeça de novo, rindo mais alto.

- Nem que você é muito mais do que eu jamais sonhei, e que eu sou o cara mais sortudo de todo o universo porque você me dá bola?

- Não, nenhuma dessas coisas. – reclamei, rindo, levantando os olhos para ele.

Ele beijou meus lábios rapidamente, sorrindo, e então sussurrou:

- Mas elas são verdade. Como também é verdade que você é a garota mais linda que eu já vi na vida, tem os olhos mais brilhantes, o sorriso mais iluminado, a pele mais macia...

- Eu vou desmaiar aqui, e a culpa vai ser sua. – eu disse, suspirando, enfiando as mãos em seus cabelos.

Ele abriu um sorriso, olhando fundo nos meus olhos. Seus braços se apertaram mais ao meu redor, e a voz dele estava baixa quando ele disse:

- Você quer entrar na água?

Assenti, sentindo frio quando ele separou nossos corpos. Como um pequeno choque térmico. Edward arrancou a camisa e pulou na água. Tirei minha saia e minha camiseta, dobrando-as cuidadosamente encima da pedra. Era a primeira vez que Edward me via de biquíni – se não contar a minha exibição como pedaço de carne. Entrei na água, que ainda estava fria. Edward se aproximou completamente encharcado.

- Ajuda se você mergulhar! – ele disse, rindo quando eu tremi.

Os olhos dele se concentraram em meu rosto, como se ele estivesse fazendo um esforço enorme para não me olhar do pescoço para baixo. Eu não fiz o mesmo esforço, meus olhos estavam fixos nas partículas de água brilhando em seu peito. Ele finalmente estava ali, exposto. Todos os seus músculos bem desenhados, definidos apenas o suficiente para que cada um se destacasse e pudesse ser identificado como único. Traços de desenhos de algumas poucas tatuagens – a maioria ficava mesmo em seus braços. Levantei os olhos para seu rosto, e ele não olhava mais para o meu. Respirei fundo e mergulhei.

- Melhor? – Edward perguntou, perto demais quando eu saí da água.

Assenti, mordendo meu lábio inferior. Era engraçado, eu não me sentia insegura, como achei que me sentiria. Eu me sentia bonita, desejada e, para ser sincera, queria os olhos dele em meu corpo. Assim como queria os meus olhos em seu corpo.

Ele me envolveu pela cintura, me guiando até a cachoeira, sorrindo.

- Dizem que essa cachoeira tem poderes terapêuticos. – disse.

- Bom, vamos descobrir.

Contamos um, dois, três, e estávamos embaixo da enorme queda de água. Era forte. Permanecemos juntos, os braços dele ao redor da minha cintura. A água estava gelada, mas não era ruim, era revigorante. Caía em minha cabeça, e me lavava. Podia ser besteira, mas ali, com Edward me abraçando, parecia mesmo terapêutico. Eu podia sentir minhas preocupações mais distantes. Mas, talvez, tenha sido apenas pela alegria de tê-lo por perto.

Pouco tempo depois, lentamente, nós saímos da cachoeira, mas permanecemos perto o suficiente para sentir o impulso da queda na água ao nosso redor. Edward abriu um sorriso, olhando para o céu. Como uma criança feliz. Cabelos molhados, pele quente, um sorriso angelical. Espalmei minhas mãos em seu peito, sentindo o calor sob minhas palmas, um completo contraste à água gelada que nos cercava. Ele abaixou os olhos para mim, e eu beijei seus lábios, o pegando de surpresa. Eu não precisava de um motivo para beijá-lo, mas, se eu precisasse de um, não saberia explicar o que foi.

Senti a rocha em minhas costas, e só então percebi que tínhamos caminhado. As mãos de Edward passeavam em minhas costas, minha cintura, e eu fechei os dedos em seus cabelos. Ele soltou um gemido baixo, e desceu os beijos para meu pescoço. Fechei os olhos e aproveitei o calor de seu corpo próximo ao meu, a textura da rocha em minhas costas, a pressão da água abaixo da minha cintura. Os lábios dele voltaram aos meus, num choque violento, ansioso. Nossas respirações pesando. Ele levantou minha perna esquerda, encaixando-a em seu quadril, e eu fiz o mesmo com a direita, entrando em contato com uma parte de sua anatomia que dava sinais de vida, mas que era, até então, para mim desconhecida.

- Edward... – chamei, suspirando, quebrando o beijo.

Ele tomou meus lábios novamente, mais calmamente, passando a mão por minhas coxas. Escorreguei minhas mãos até seu peito, empurrando-o levemente. Ele quebrou o beijo, respirando com dificuldade. Xingou baixinho um palavrão perto do meu ouvido. Soltei minhas pernas de seu quadril, o abraçando pela cintura, mantendo-o perto.

- Só não gosto da exposição, qualquer um pode aparecer. – expliquei.

- Sim, claro, desculpe, eu... Merda! – ele xingou novamente.

Sem pensar, acabei rindo. Edward também riu.

- Não é engraçado. – ele disse.

- É, sim.

- Não é. Você é sexy demais, especialmente com esse biquíni. Golpe baixo, senhorita Swan. Golpe baixíssimo.

Ri mais ainda com a ideia de que eu era sexy. Eu não era feia, e tinha um corpo legal, mas era tímida e nunca me vi como uma daquelas garotas de comercial de lingerie. Da Victoria's Secret, por exemplo. Não com atitudes, caras e bocas. E Edward era exatamente o tipo de cara que você esperaria que fizesse comercial de cuecas e jeans para a Calvin Klein. Mas ele não era, exatamente, o único tipo de cara sexy que existe. Jacob era diferente, e também era sexy. Jasper era sexy para Alice, e Emmett para Rosalie. E Angela, que namorava Ben, e provavelmente o achava sexy também – e Ben era exatamente o oposto de Edward. Vários tipos. Sexy é relativo, depende das pessoas envolvidas. Então tudo bem, se o meu namorado me acha sexy, então eu sou sexy.

- Golpe baixo é me trazer pra uma cachoeira só pra ficar de olho no meu corpinho.

Ele abriu um sorriso, beijando meus lábios outra vez.

- Fui descoberto.

- Estou de olho em você, Cullen.

Ele riu, tirando os braços da minha cintura e se esticando para pegar a camiseta.

- Vamos almoçar.

- A gente tinha que ir pra praia, ficar de bobeira, pegar uma cor...

- Tem uma a menos de meia hora daqui, podemos dar uma passada lá amanhã.

- Podemos. Se você não tiver planejado nada mais.

- Surpresa. – ele sussurrou, e eu ri.