RECADINHO LÁ EMBAIXO!

Capítulo Trinta e Cinco: Era seu passado, não seu presente

"Não há razão, não há vergonha, não há família a quem eu possa culpar. Não me deixe desapareces, eu vou lhe contar tudo. Então me diga o que você quer ouvir (...), estou cansado de toda essa insinceridade, eu vou abrir mão de todos os meus segredos." – Secrets, da banda One Republic.

BPOV

- Preparado? – perguntei a Edward, enquanto arrumava os meus joelhos para que se encostassem nos dele.

Estávamos sentados no chão, de frente um para o outro, ao lado da lareira acesa. Era a única iluminação na sala. Fomos almoçar em um pequeno bistrô, perto da cachoeira onde estávamos, e então caminhamos um pouco de mãos dadas. O lugar todo era maravilhoso, não havia nada que destoasse de toda aquela beleza – inclusive Edward e eu. Estávamos tão sorridentes e apaixonados que simplesmente combinávamos com tudo aquilo. Voltamos para a casa quase de noite e, depois de assistir a "Zootopia", estávamos prontos para conversar.

Edward olhou no fundo dos meus olhos e abriu um sorriso hesitante, a luz do fogo na lareira fazendo-o parecer muito triste. Pegou minha mão e entrelaçou nossos dedos bem onde nossos joelhos se encostavam.

- Não, mas, pra ser sincero, talvez eu nunca esteja.

Apertei sua mão, sabendo o quanto aquilo era difícil para ele.

- Você está preparada? – ele perguntou.

- Estou. – respondi.

Ele assentiu.

- Antes de começarmos, eu quero que você saiba que eu te amo. Intensamente, ardentemente, infinitamente, e com qualquer outra palavra parecida. Te amo tanto, ao ponto em que eu não sei o que eu estaria fazendo agora, se você não existisse. Não consigo mais imaginar minha vida sem você nela.

- Amo você também, da mesma forma.

- Também quero que saiba que você não está, de forma alguma, presa aqui, comigo. Assim que você quiser ir embora, eu te levo. Ou, se preferir, pago um táxi pra te levar.

Assenti, sorrindo. Não queria que ele pensasse que existia a possibilidade de que eu fosse embora sem ele, e me assustava que ele a estivesse pontuando. Não sabia o quão intensas seriam suas revelações, mas eu estava preparada. Era seu passado, não seu presente. Não era mais quem ele era. Apertei novamente sua mão.

- Eu não vou deixar que você faça perguntas, porque eu sei que elas não serão específicas. Fiz isso quando conversamos sobre os boatos, e eu sabia que podia dar respostas vazias, evasivas, sem sentido, porque você não saberia exatamente como perguntar. E eu quero te contar tudo. Quero que você saiba de cada coisa.

- Ótimo, porque eu estava quebrando a cabeça, pensando no que perguntaria primeiro, e como formular a pergunta de uma boa forma. – eu disse, rindo, tentando quebrar um pouco o clima pesado. Edward não riu de volta.

- Bom, vamos lá. – ele começou. – Acho que tudo começa, de verdade, quando eu tinha uns treze anos. Foi quando eu comecei a brigar com a minha madrasta, por causa da forma que ela me tratava... O meu pai, claro, ficou do lado dela, a minha mãe não entendia o que me incomodava tanto, mas eu tinha passado a minha vida toda vendo os novos filhos do meu pai tendo tudo, inclusive um pai para exibi-los como troféus por todos os cantos, para todo mundo, uma família perfeita em todas aquelas campanhas idiotas dele. A minha ficha só caiu de verdade aos treze. Poderia ter sido antes, mas eu sempre tinha uma desculpa para tudo o que acontecia. E eu fiquei revoltado, porque era tudo muito injusto. Briguei com todo mundo, não parava mais em casa, ia para qualquer lugar, com qualquer pessoa, só para ficar distante de tudo... Não demorou muito para que eu começasse a me envolver com as pessoas erradas. Antes dos catorze anos, eu já roubava, e frequentava lugares que não eram ideais para um garoto de treze anos.

Ele respirou fundo, olhando nos meus olhos, me estudando. Estava preocupado com a minha reação. Permaneci calma, segurando sua mão, tentando manter uma expressão neutra, encorajadora.

- Os efeitos foram imediatos. A minha mãe ficava muito brava comigo, me proibia de sair de casa, e eu sempre acabava fugindo. Meu pai tentou conversar comigo, mas ele não sabia direito o que fazer. Tentou ficar um tempo comigo, mas eu me recusava a falar com ele, passei quase uma semana fora de casa. Não lembro por onde fiquei, mas só voltei por causa da minha mãe.

Respirou fundo mais uma vez, sempre me estudando, enquanto falava.

- Eu estava sempre na detenção, levando advertências, até que eu fui expulso por levar bebidas alcóolicas para a escola e quase todo mundo bebeu. E entrei numa briga. Não lembro qual foi o motivo, eu explodia por qualquer coisa... A primeira vez que eu usei cocaína foi numa festa de faculdade que eu tinha invadido junto com alguns "amigos". Para ser justo, a gente conhecia muita gente de lá. Eu devia ter uns quinze anos, ou menos. Foi uma loucura. Eu sempre evitava usar essas coisas, porque eu lembrava de todas aquelas campanhas contra drogas, da minha mãe chorando e contando casos de pessoas que ela conhecia, mas lá aconteceu. Várias carreiras dispostas em uma mesa enorme, e todo mundo estava usando, e aí começaram a gritar o meu nome, e eu pensei que uma vez não faria mal. E depois uma segunda. E uma terceira. E então algumas coisas mais fortes.

Ele desviou os olhos quando eu arregalei os meus. Eu não deveria ficar surpresa porque ele já usou esse tipo de coisa, mas eu estava. Ele apertou a minha mão, decidido a continuar.

- É claro que eu fiquei viciado. Foi de repente. Eu ficava indo cada vez mais nessas festas, ansioso por mais de qualquer coisa que me fizesse viajar, me sentir incrível, pelo máximo de tempo possível. Quando eu percebi, estava dentro daquele clichê de roubar coisas de casa, para vender e comprar as minhas próprias drogas. Ecstasy sempre foi o meu preferido, mesmo com o efeito rápido. Era muito fácil conseguir. Eu quase não ficava mais em casa, lembro da minha mãe sempre chorando.

Ele parou, olhando para a lareira. Respeitei o seu momento de silêncio, tentando colocar dentro de mim tudo o que ele estava falando. Foi quando eu percebi que Edward estava chorando. Ali, iluminado apenas pelas chamas da lareira, segurando a minha mão. Toquei seu rosto.

- Está tudo bem. Já passou. – eu disse.

Ele olhou para mim, angustiado como eu nunca o vira antes. Fiquei um pouco desesperada para acalmá-lo, então passei os braços ao seu redor. Ele me abraçou de volta, e eu sentei encima de suas coxas, uma perna de cada lado do seu quadril. Olhei fundo nos seus olhos, afagando seus cabelos.

- Está tudo bem, não precisa falar mais nada.

- Eu preciso terminar... Quero que você saiba. – ele respondeu.

Respirou fundo mais uma vez, tentando controlar a voz. Ele não me soltou por um bom tempo, e eu apenas acariciei seus cabelos. Quando, enfim, me soltou, parecia mais calmo.

- Eu comecei a vender. Era um dos responsáveis pelas drogas que estavam em lugares como as festas de faculdade que eu invadia. E em tantos outros lugares. Estava tirando um bom dinheiro, tinha tudo o que eu desejava. Achei que tivesse amigos. Eu tentava convencer a minha mãe de que estava tudo bem, que eu não estava envolvido com nada errado. Voltei a falar com o meu pai, sempre o tratando com desprezo, deixando claro o quanto ele era o culpado por todos os meus problemas. Eu era um idiota.

Ele abriu um pequeno sorriso, mas não significava que ele estava feliz, ou que aquilo fosse engraçado.

- Um dia eu usei uma dose um pouco demais, fiquei meio paralisado, meio em coma, não sei o que aconteceu. Por algum motivo, que eu também não consigo me lembrar bem, a galera do Chad estava em briga com a galera que eu estava envolvido. Eles invadiram o galpão que a gente estava, teve uns tiros, uns socos... Eu lembro de gritos, gritos femininos, barulho de briga, e eu estava lá, paralisado no chão. O Chad me encontrou. Ele disse que soube que eu era alguém que valia à pena. Me levou para a casa dele, me amarrou numa cama... – a voz dele falhou.

Toquei seu rosto novamente, e ele beijou a palma da minha mão, chorando. Meu coração estava partido, doendo. Eu queria que houvesse um jeito de confortá-lo.

- Ele me amarrou para me impedir quando eu começasse a entrar em abstinência... Foi como uma reabilitação. Ele me deixou limpo. Disse que usar drogas era a maior idiotice que alguém podia fazer. Ele vendia, porque dava dinheiro, mas nunca usou, e sabia como aquilo fazia mal. E fazia. Lembro de quantas vezes eu desejei morrer, e achei que fosse morrer, amarrado naquele quarto... Eu só conseguia pensar na minha mãe, se ela estava bem... Ela achou que eu estivesse morto.

- Tudo bem, já passou...

- Morto, eu fui dado como morto. Ninguém sabia onde eu estava. O jeito que ela me olhou quando eu voltei, o jeito que ela chorou...

Ele finalmente estava chorando alto agora. Escondeu a cabeça em meu pescoço, segurando com força o tecido da minha camiseta. Eu o abracei com força, mantendo-o colado a mim, tentando segurar as minhas próprias lágrimas. Não conseguia imaginar o terror pelo qual a mãe de Edward tinha passado, pelo qual o próprio Edward tinha passado, não conseguia acalmá-lo, e vê-lo chorando acabava com o meu coração.

- Acabou agora. Está tudo bem. – repeti.

- Deixe eu terminar isso antes que não consiga dizer mais nada: passei tempo com Chad, me fazia bem, minha mãe estava feliz. Chad e eu nos tornamos grandes amigos. Com o tempo, ele foi ganhando confiança em mim... Muitas coisas aconteceram. Ele quase morreu uma vez, e eu o salvei. Ele é como um irmão para mim. Então ele me colocou como responsável por uma região com grande saída de drogas, toneladas. – silêncio.

Esperei que Edward continuasse, e ele precisou de um momento para isso.

- Quando eu estava nessa área importante, houve um problema numa das fronteiras. Era um grande negócio, Chad estava animado... A polícia descobriu, apreendeu o pessoal, os veículos... Não foi culpa minha, entende? Mas os compradores ficaram muito bravos, porque eu estava responsável por aquele carregamento. Chad falou com eles há algum tempo, vamos precisar fazer outra tentativa. Esses caras são barra pesada, era um carregamento grande... Não dá para esperar que eles fossem ficar satisfeitos com isso, entende?

- Como assim?

- Mataram uma área inteira do Chad. Sabem que eu era o responsável por aquele carregamento, estão esperando que eu apareça com a mercadoria. Preciso colocar um ponto final nisso, e acalmar os ânimos de todo mundo.

- Edward, não acho que...

- Eu não tenho escolha. – ele encostou a testa na minha. – Eu quis sair disso. Sabia que a coisa ia ficar feia quando a polícia se envolveu. Senti medo, como um covarde, eu fugi. Achei que pudesse me esconder. Quando vi você, achei que estava livre...

Beijei seus lábios, querendo ser capaz de libertá-lo.

- A primeira vez que eu a vi, você parecia um anjo. Eu fui parar naquela escola por causa do meu pai, e estava disposto a fazer o que fosse preciso para que as coisas não ficassem boas para ele, causar problemas... Mas então eu te vi, e fiquei sabendo que não poderia ir embora. Então eu fiquei quieto. Pedi pra sair de toda essa coisa com as drogas, o Chad disse que eu podia fazer o que quisesse, resolvi cuidar da paz. Cuidar da paz não traz problemas, apenas eu e os meus garotos...

- Tyler não é dos seus garotos.

- Tyler é um babaca invejoso. Ele sempre quis ser o braço direito de Chad, mas ele é traiçoeiro. Ninguém confia nele. Ele acha que deviam ter me matado por causa do carregamento.

Prendi a respiração. Matar. Meu Edward.

- Bella. Tem mais. Quando eu... Me apaixonei por você... Se lembra quando me perguntou se eu achava que você era feia? Quando me contou na sorveteria que aquele era seu primeiro encontro... – ele respirou fundo. – Eu ameacei cada garoto que era corajoso o suficiente para tentar te chamar para sair. Cada um.

Olhei para ele, absorvendo suas palavras. Comecei a rir, nervosa.

- Até Mike Newton? Aquele dia na sorveteria...

Edward assentiu. Minha risada ficou mais alta, enquanto eu me levantava do chão.

- Eu não queria que eles...

- Você é muito engraçado! Mas não faz sentido, porque antes de você chegar na escola, ninguém ameaçava ninguém, e mesmo assim...

- Você é fechada, linda... Foi difícil para chegar até você. Eu ameacei todos eles, e ainda assim não conseguia chegar perto de você. Tinha certeza da sua rejeição, era assustador... Eu não queria que eles...

Ri mais alto, me afastando dele e subindo as escadas. Edward tentou me seguir, mas eu olhei para ele, séria, e sinalizei para que ficasse longe. Ele me olhou magoado, e eu tranquei a porta do quarto atrás de mim.

OI, AMIGAAAAASSSSS

Reescrevi esse capítulo, no mínimo, cinco vezes! Nunca acho que fica bom. Calma com a situação do final, já já vai se resolver. O que vocês acharam dos segredos do Ed? Tentei fazer o possível pra expor sem ficar ridículo, mas esse é o Ed, hahaha. OLÁÁÁÁÁÁÁÁ

Três recadinhos:

- Primeiro: sobre a primeira vez deles, vocês querem detalhes, ou pode só ser aquela coisa tipo "aconteceu, próximo capítulo"? Eu nunca escrevi essas coisas NA VIDA, e se vocês quiserem, eu posso tentar, rs, mas tudo por vocês! (Já sei como vai ser, só quero saber se preciso escrever os detalhes. Perguntei pra uma leitora só, e ela quer, mas quero saber no geral, rs).

- Segundo: Se vocês quiserem detalhes, em qual ponto de vista vocês querem: Edward, Bella ou os dois? Uma leitora sugeriu que eu fizesse dois capítulos, um na versão no Ed e outro na versão da Bella, mas e qual é a opinião geral?

- Terceiro: POSTEI MINHA PRIMEIRA HISTÓRIA ORIGINAL NO WATTPAD! Se chama leiloada! Por favor, vamos ler! Hihihihihi. Estou super empolgada com a história, e vou deixar a sinopse aqui, porque espero que vocês gostem:

A vida de Melissa era maravilhosa e calma, até que seu pai a perde numa mesa de jogo. Num piscar de olhos, tudo está de cabeça para baixo, e Melissa se encontra sem esperanças, exibida como um objeto na frente de diversos estranhos. Uma mercadoria.

A próxima coisa que sabe é que foi comprada por um rei de um país distante, onde é obrigada a se casar com o príncipe, um jovem rebelde, de pele morena, olhos dourados e coração de ouro. Do dia para a noite se torna uma princesa, mas não possui qualquer liberdade. Melissa fará de tudo para fugir.

Enfim, a história é super fofa, garanto! E tenho trabalhado muuuito nela, em ideias, pesquisas, tudo. T ômega empolgada, fiz até uma capa bonitinha! Por favor, quem puder ler, AGRADEÇO!

Só isso! Obrigada por ter lido! Agora me contem o que vocês acharam do capítulo, que eu t ômega insegura, se pá deleto ele e reescrevo, socorro! Hahahaha

INDICAÇÕES!

- Filme: About Time/Questão de Tempo (tem na Netflix e é um dos filmes mais maravilhosos do mundo, tá no meu TOP 10 de melhores filmes do mundo! Hahahaha)

- Música: Secrets, da One Republic (a música do capítulo, porque é super gostosa!)

- Livro: O Lado Feio do Amor, da Colleen Hoover (estou lendo ele e é muito fofo! Tô amando! Sinto que no final vou acabar detestando pelo final bem clichê e tosquino (já li a última página, perdão), mas do começo pro meio, ótimo, estou in love)

- História no Wattpad: Destinos Cruzados, da PriscilaCorrea905 (comecei a ler a história e, gente, é muito boa! Bem trabalhada, sabe? Personagens bem construídos... Tô amando! E tem a Amy Lee, adoro!)

Bom, é isso, beijinhos! 3