Oi, gente! Nos vemos lá embaixo?
Capítulo Trinta e Sete: Não existia nenhuma outra verdade no mundo
BPOV
Edward adormeceu rápido, com os braços ao meu redor e o nariz enfiado em meu pescoço. Permaneci acordada por algum tempo, experimentando tê-lo tão perto de mim. Tudo o que ele me contou mais cedo rodando sem parar na minha cabeça. Suas experiências, dramas, histórias... Tudo o que ele tinha passado, e o caminho que o tinha trazido até aqui. Queria ser capaz de abraçá-lo, e nunca mais soltar. Transformar o mundo inteiro em um lugar seguro, para que ele pudesse viver em paz. Comigo aqui. Eu era incapaz de deixá-lo agora. Tanto este garoto de 17 anos, que me tocou de todas as formas que conheço, quanto o garoto de 13 que eu nunca conheci, mas que desejo poder deixar dormir em meus braços para sempre. Quero ser seu porto seguro. Quero que ele saiba que está seguro comigo, que eu nunca irei embora, que quero ficar com ele. O aperto mais forte contra mim e respiro fundo.
Posso sentir seu cheiro misturado com o meu em todo o quarto, posso senti-lo marcado em minha pele, em mim. Há tanto de mim nele; há tanto dele em mim. Somos um do outro, e quero que seja assim para sempre. Me afasto um pouco para conseguir ver seu rosto, e fico olhando-o. Ele respira fundo e, adormecido, me puxa para si. Sorrio, memorizando cada linha de seu rosto. Nossos momentos juntos não são muitos, e nunca sinto que tenho tempo o suficiente para olhar para ele. Tão lindo. Sinto meu coração aquecido, porque sei que o amo. E tê-lo logo aqui, perto, comigo, é um pedaço real de felicidade. Como estar dentro de uma bolha onde tudo refletia nosso amor. Ele está tão calmo, tranquilo... Tenho medo de pensar em qualquer coisa que possa vir estourá-la: qualquer parte de seu mundo, sua história, minha mãe, suas inseguranças, e até mesmo as minhas. Então afasto os pensamentos ruins e volto a memorizar seu rosto.
Sei que não demoro a adormecer, sentindo todo o meu corpo cansado, mas não me sinto dormindo. Me sinto tão lúcida e acordada, mesmo sabendo que estou sonhando. Com Edward. Ele estava noivo de uma mulher rica e perversa, há muitos e muitos anos. Nós dois nos encontramos por acaso num caótico aeroporto e, então, foi amor. Os olhos dele brilhavam de um jeito que eu nunca havia visto antes, e eu soube que era ele – da mesma forma que ele soube que era eu. Seu sorriso brilhava, e meu coração transbordava. Decidimos nos casar ali mesmo, e então estávamos fugindo de sua ex-noiva.
Precisávamos dormir separados, por segurança, porque juntos ela nos encontraria mais fácil. Nosso amor se transformaria em energia e refletiria para todo o mundo. Me sentia tão sozinha, triste e com frio, deitada em um colchão, numa garagem qualquer. E então assisti o mundo inteiro ganhar cor quando Edward resolveu ignorar tudo e ficar comigo. Eu nunca poderei colocar em palavras a sensação de estar em seus braços. Meu coração estava tão cheio, feliz, calmo; meu corpo descansado, e eu me sentia segura; estava exatamente onde deveria estar. Ele era inteiramente meu, e eu pertencia a ele. Não existia nenhuma outra verdade no mundo.
Mas então ela nos encontrou.
Edward não me reconhecia mais, não me queria por perto, todos os seus abraços e beijos eram apenas para ela. Implorei para que ele ficasse, e ele me lançou um olhar tão frio que fez nevar instantaneamente. De repente eu estava me afogando, dentro de um enorme aquário cheio de minhas próprias lágrimas; ele escolheu não me salvar.
Enquanto eu sentia meus pulmões gritando por ar, conseguia vê-la rindo, se divertindo com o meu sofrimento. Edward agora segurava um bebê nos braços, um olhar magoado, e sua voz ecoou em meus pensamentos, dizendo: "Você arruinou a minha vida inteira! Eu te odeio, Isabella Swan!". Tentei gritar que o amava, mas a minha voz não saía. Eu estava agora presa a uma cadeira, com cordas juntando meus pulsos, assistindo enquanto os dois iam embora, de mãos dadas. Braços surgiram ao meu redor, e por um segundo eu pensei estar salva, pensei ser Edward, até que minha blusa foi arrancada e ouvi a voz de Marcus dizer:
- Finalmente nos encontramos de novo, boneca.
Eu gritei, alto, mas nenhum som saía da minha boca. Chamei por Edward, pedi ajuda, e tentei lutar, mas com minhas mãos atadas não havia muita coisa que eu pudesse fazer. Senti as mãos de Marcus em todo o meu corpo, e o gosto salgado das minhas próprias lágrimas. Meu coração batia tão rápido, e eu desejei que ele explodisse. Queria morrer, bem ali. Não havia mais porque viver.
Acordei gritando, e senti meu corpo inteiro molhado de suor. Eu estava chorando. Me sentia angustiada. Sabia que tinha sido apenas um sonho, e que eu estava acordada e em segurança agora, mas a cama do meu lado estava vazia e fria, e um choro alto rompeu por minha garganta enquanto eu chacoalhava a cabeça. Era tudo real demais.
- Bella! – Edward entrou no quarto, exclamando.
Senti um choque em todo o meu corpo ao vê-lo ali. Ele não tinha ido embora, não tinha me deixado. Joguei meus braços ao redor dele, sem me importar com nada mais, e o apertei junto a mim.
- Shhhh... Está tudo bem, você está bem. – ele disse, alisando o meu cabelo.
- Você me deixou. – chorei.
- Eu estou aqui. Foi apenas um pesadelo.
Assenti, tentando me acalmar, contando as batidas do coração de Edward, me concentrando em sua respiração. Seu peito enchia e eu inspirava; ele soltava o ar, e então eu expirava. Quando finalmente parei de chorar, e as batidas do meu coração se normalizaram, ele perguntou:
- Quer me contar?
- Foi um pesadelo, nós... Tínhamos nos casado...
- Uau! Isso que é pesadelo. – ele brincou.
Chacoalhei a cabeça.
- Não, não é isso. Essa parte foi boa. Mas você estava noivo antes, de uma mulher má, e então foi embora com ela, e Marcus estava lá, ele tentou... Bem, acho que, no sonho, ele conseguiu, porque você não estava lá para me salvar como da primeira vez, e eu consigo sentir as mãos dele no meu corpo, Edward...
- Passou. – ele me cortou, beijando meus lábios. – Eu estou aqui, e nada de ruim vai acontecer com você.
- Você não pode prometer isso.
- Posso. Vou sempre estar por perto para te salvar. De qualquer coisa.
- Mesmo noivo de uma mulher perversa?
- Mesmo noivo de uma mulher perversa. Que no caso seria você, porque não quero noivar com mais ninguém.
- Mas eu não sou perversa.
- Então não preciso ficar noivo de uma mulher perversa para te salvar.
- E a quilômetros de distância, numa viagem perigosa?
Ele ficou em silêncio por um tempo, até dizer:
- Foi isso que causou seu pesadelo?
- Não sei. Eu estou preocupada.
- Não fique.
- É só que... Você já... Passou por tanto. Não quero que você vá.
Ele respirou fundo.
- Eu preciso.
- Não quero que fique sozinho. – digo, beijando seus lábios.
- Não vou estar. Algumas pessoas vão comigo.
- Vou poder ir?
- Claro que não! Bella, você está louca?
Escondo minha cabeça na curva de seu pescoço, sentindo meus olhos esquentarem mais uma vez.
- Não quero que fique sozinho.
- Eu não vou estar sozinho, mia Bella.
- Mas eu vou.
Ele tocou meu rosto, querendo que eu o olhasse.
- Não quero discutir isso agora. Esse fim de semana era pra ser sobre nós dois, apenas.
- Isso envolve nós dois.
- Por que você não coloca uma roupa, e desce para tomarmos café da manhã? – ele perguntou, desviando do assunto.
- Gosto mais de ficar sem roupa. – digo, sorrindo fracamente.
- Pra ser sincero, eu também.
- Então fica aqui comigo.
- A comida vai esfriar... Eu estava fazendo um café da manhã digno de uma rainha para você. E temos um dia inteiro, cheio de coisas pra fazer, que envolvem sair do quarto.
- Então você está dizendo que prefere sair a ficar aqui comigo?
Ele beija meus lábios, e suas mãos escorregam por minhas costas nuas.
- Estou dizendo que podemos fazer mais coisas do que apenas ficar por aqui.
Me concentro em beijá-lo, e senti-lo perto de mim enquanto ele me abraça.
- Promete que conversamos sobre isso depois? – peço.
Ele assente, e beija minha testa. Me diz para levantar, mas mantém os braços ao meu redor e os lábios em meu pescoço. Demoramos um pouco mais do que o combinado para levantar, mas finalmente levantamos. Coloco um roupão ao redor do meu corpo e desço para tomar café com Edward. E tem de tudo. Pães, ovos, manteiga, geleia, queijo, leite, café, chocolate em pó, suco, torradas...
- Uau!
- Eu disse que era digno de uma rainha. – Edward diz, como se explicasse.
- Você está louco! – eu digo, rindo. – Não tem jeito de a gente comer tudo isso!
- Fale por você, eu estou faminto!
Acabo rindo e ele beija meus lábios. Nos sentamos e comemos, e aquele nosso pedaço real de felicidade é tão bonito que quero chorar. Somos um casal, temos nossa própria casa. Quero me casar com Edward. Não quero deixar nada atrapalhar o que temos.
E aí? Gostaram do capítulo? Rs.
Quero pedir desculpas pela demora! Sei que a cada vez elas ficam mais e mais longas... Estou passando por um período de bloqueio que nem eu entendo, juro. Mas encontrei um fio de inspiração e estou contando com ele. Só quero deixar claro que EU NUNCA VOU ABANDONAR A HISTÓRIA. Não importa o tempo que leve, eu irei termina-la, ok?
Não faz sentido eu aborrecê-las com meus problemas pessoais e os motivos pelos quais eu não tenho escrito, mas prometo dar o meu melhor para as demoras serem menores, ok? Postei esse capítulo correndo assim que terminei porque não quero deixar vocês sem notícias e já estou escrevendo o próximo. Estou tentando escrever todos os dias.
Beijos, gente! Não esqueçam que temos o grupo no facebook e no whatsapp, apesar de parado, ia ser legal se mais gente entrasse, rs. Podíamos fazer uma comunidade legal, nos aproximar mais ;) Indicar leituras... Enfim. Tchau!
