Preparem o coração!
Edward impelia seu cavalo através da areia. Geralmente, em sua primeira noite no deserto, caía num sono profundo. Na noite anterior, o sono não veio, e ele ficou olhando as estrelas por mais tempo do que conseguia lembrar. E a razão de sua insônia estava dormindo na tenda.
Sua tenda.
Preocupado com seu tremor, ele checou sua temperatura várias vezes durante a noite, e vê-la dormir foi tão perturbador quanto ficar ao lado dela acordada. Dormindo, ela perdia seu lado voluntarioso. Parecia vulnerável, com seus incríveis cabelos castanhos avermelhados espalhados sobre o lençol e o corpo em posição fetal, como se quisesse se proteger.
Edward apagou essa imagem de sua cabeça, e fez Batal ir mais depressa. Cavalgar costumava refrescar sua cabeça, mas parecia que aquela deusa morena tinha a capacidade de arruinar até esse simples prazer.
Nem mesmo nadar no oásis fez seu sangue esfriar, pois a lembrança dela andando seminua pela água estava gravada em sua cabeça.
A tentação tem forma de mulher, pensou irritado.
Havia sido isso que seu pai passara com sua madrasta? Toda vez em que cedia a suas exigências, era isso que enfrentava?
Pela primeira vez, Edward sentiu simpatia por seu pai, mas a reprimiu.
Um homem sempre tinha escolha, não importava o quão cativante fosse a mulher. E o verdadeiro teste para um homem eram suas escolhas. Não quando eram fáceis, mas quando envolviam tentação.
E ele não faria as mesmas escolhas de seu pai.
Nunca permitiria que seu julgamento fosse obscurecido por seus sentimentos por uma mulher.
Ela nem era seu tipo de mulher. Não demonstrava respeito nem modéstia. Acostumado a mulheres que se intimidavam ao encontrá-lo em pessoa, Edward achou sua falta de deferência desconcertante, para dizer o mínimo.
Hoje, iria fazê-la ficar dentro da tenda, longe do sol do deserto. E se certificaria de que ela não tirasse mais a roupa. Se tinha que ficar, então ela precisava aprender a se comportar, ele pensou, protegendo os olhos do sol ao olhar para o horizonte.
Após formular o que acreditava ser uma solução para o problema, Edward cavalgou de volta ao acampamento, confiante de ter suas emoções sob controle.
De repente, Batal deu um relincho de raiva e ficou de pé sobre as palas traseiras. Grudado ao dorso do animal, Edward falou com ele calmamente, usando toda sua força para mantê-lo sob controle.
Só quando conseguiu acalmá-lo, viu o que o sobressaltara.
Ela estava de pé sob a sombra da tenda com os cabelos molhados de outro mergulho no oásis.
Desculpe, não sabia que tinha saído com o cavalo. Você me assustou. —A vermelhidão de sua pele melhorara e seu rosto estava com um brilho saudável.
Mas o que realmente lhe chamou atenção foi o modo como estava vestida.
Pela primeira vez na vida, Edward mal conseguia falar.
— O que fez com a túnica?
— Umas pequenas alterações. — Olhou para si mesma e seu cabelo deslizou tentadoramente para frente. — Era comprida demais.
— Era no comprimento perfeito — Edward falou, e ela o olhou com um sorriso atordoante e olhos desafiadores.
— Se isso o ofende, pode me levar para a cidade.
Então, esse era seu plano.
Estava tentando levá-lo à loucura.
E estava conseguindo.
Rígido na sela, Edward estudava sua roupa, incrédulo.
De algum modo, ela transformara uma túnica reta em alta costura.
Ela rasgara o tecido com as mãos, tirando um metro embaixo, de modo que agora terminava numa diagonal em suas coxas, expondo suas pernas incríveis. E, como se não bastasse, pegara umas folhas de tamareira e as tecera em um cinto, acentuando sua cintura fina.
Excitado, Edward respirou fundo e percebeu que seu plano de mantê-la coberta falhara espetacularmente.
Ela parecia uma sedutora saída da mitologia grega.
Frustrado com sua reação, pensava em uma solução alternativa para escondê-la.
— Você fica na tenda hoje — ele ordenou. E ela ergueu as sobrancelhas, com uma pitada de humor em seus olhos castanhos.
— Devo responder: "sim, Majestade"?
— "Sim, Vossa alteza", seria suficiente.
— O problema é que nunca fui boa em fazer o que me dizem. Fui educada para desafiar e questionar. Tenho a tendência a fazer o oposto do que me pedem.
A expressão de Edward não se alterou.
— Nesse caso, ordeno que fique fora da tenda e ande seminua por aí até irmos embora daqui.
Ela caiu na gargalhada. Seu riso era tão contagiante que ele sentiu os cantos de sua boca se levantarem.
— Viu? — Ela ainda ria. — Você tem humor. Está rindo.
Estava? Edward desceu do cavalo, tirou as rédeas e o fez ir em direção ao oásis para beber, lembrando a si mesmo de que não havia nada de divertido naquela situação. Mas tinha que admitir que era reconfortante estar com alguém que não dizia só o que ele queria ouvir.
— Como está sua dor de cabeça?
— Passou, obrigada. Conseguiu dormir no chão? Deve ter sido bem desconfortável.
— Dormi — ele mentiu, incapaz de admitir para si mesmo que aquela mulher lhe tirara o sono. — Pronta para o café da manhã?
—Totalmente. Estou faminta. E, depois, acho que vou nadar. Nua, claro. E, depois, uma longa cavalgada no deserto...
— Está me provocando de propósito.
— Não, estou sendo eu mesma. E, se não gosta de mim, então por que não me leva para a cidade? Vai poder passar sua temporada aqui tranquilamente. Não passo de um problema.
— A habilidade de lidar com problemas é o verdadeiro teste para o caráter de um homem. — Edward ficou satisfeito ao ver o ar de surpresa em seu belo rosto. — E eu adoro ser testado.
Não tinha a menor intenção de revelar que nunca fora testado assim.
Nunca sentira antes aquele forte ímpeto de esquecer quem era e perder a cabeça com uma mulher bonita.
Irritado com seus pensamentos, Edward estudou sua silhueta esbelta.
— Não parece tomar café da manhã.
— Queimo muitas calorias. — Ela soou defensiva, como se ele não fosse a primeira pessoa a lhe dizer isso. — Não há nada de errado comigo, tá? Não tenho nenhuma desordem alimentar, nem faço dieta.
— É isso que falam de você?
— Não — ela negou rapidamente. — De qualquer modo, não ligo para o que as pessoas dizem. Sou magra porque sou muito ativa.
Edward fechou os olhos por um instante, tentando afastar a imagem que as palavras dela criaram em sua cabeça. Tudo nela era ativo e atlético, desde suas longas pernas exibidas pela túnica remodelada até seus braços fortes e delgados. Ela era vibrante, cheia de energia e viva.
— Estou com calor da cavalgada. Vou tomar banho. — Edward foi em direção à tenda, e então parou e lhe deu um olhar de advertência. — E não quero plateia.
— Certo, Vossa Alteza. Prometo não espiar.
Bufando, Edward se refugiou na tenda. Ela o estava levando lentamente à loucura.
Sentada A sombra de uma tamareira, Bella revia com alegria o sucesso de seu plano, abanando-se com uma folha enorme. Se continuasse assim, estaria na cidade na hora do almoço.
Deitada ali, com aquele calor opressivo, percebeu que o nó de tensão em seu estômago se aliviara, e que se sentia relaxada pela primeira vez em duas semanas. Dormira bem na noite anterior. Sem pesadelos.
Espantando um inseto de seu braço, Bella se perguntou o porquê. Ainda estava no deserto. Todos os problemas que tinha quando chegara ainda existiam. O que mudara?
Ao ouvir um mergulho, parou de se abanar e observou enquanto o sheik atravessava a água com poderosas braçadas. Os músculos de suas costas sobressaíam enquanto nadava.
Ele estava em forma, ela pensou, sonhadora.
E ficaria furioso quando visse que ela estava sentada ali.
Faltava saber se ficaria furioso o suficiente para expulsá-la para algum lugar civilizado.
Quanto tempo levaria para convencê-lo?
Com sorte, depois da manhã inteira em sua companhia, ele a levaria embora.
Nesse meio tempo, ela aproveitaria.
Quando é que podia admirar um físico assim?
Ele era, sem dúvida nenhuma, o homem mais sexy que já encontrara.
Bella apoiou o queixo nas mãos, e seus olhos seguiam cada movimento daquele corpo forte e bronzeado que se impunha um extenuante exercício físico. Ele era o oposto dos artistas pálidos com quem ela se envolvia. Não só fisicamente, mas em personalidade e comportamento.
E também era muito sério.
Bella franziu a testa.
Não era seu tipo.
Então, por que estava ali olhando-o?
O que deveria era estar melhorando sua aparência, mas, sem um espelho, era difícil.
Olhou para a túnica dele e teve uma ideia.
Deu uma olhada para a água, para ver se ele ainda estava de costas, e pegou o punhal na túnica dele.
A lâmina brilhou sob o sol forte, e Bella sorriu ao virá-la e encontrar o ângulo certo.
— O que está fazendo aqui?
Pega desprevenida, Bella olhou para ele com ar de culpada, e viu a raiva em seu rosto. Ignorando sua pulsação acelerada, ela sorriu com doçura.
— É... Brincando com seu punhal e olhando você?
Em vez de responder, ele nadou de volta. Cada braçada emanava poder masculino.
Ao lembrar-se de seu beijo, Bella sentiu seu coração bater forte e uma vontade enorme de correr até ele. Mas não conseguiria mexer as pernas, então ficou sentada onde estava, com os olhos fixos nele e o punhal na mão.
Ele saiu da água como uma visão gloriosa de perfeição atlética, com água escorrendo em seus músculos, sua barriga lisa e forte, seu peito e pernas escurecidos por seus pelos.
Bella tentou dizer uma frivolidade qualquer, mas descobriu que não conseguia dizer nada diante de tanta masculinidade,
Ele afastou o cabelo molhado do rosto e a olhou com raiva.
— Não devia estar me olhando.
— Não há outra coisa para fazer. Não tenho laptop, nem celular ou um iPod.
— E não consegue se ocupar sem eles? Depende de tecnologia para se entreter?
— Preciso. É como mantenho contato com meus amigos. Como não posso, fiquei observando você.
— Não sou seu amigo.
— Mas é uma criatura viva, o que já é alguma coisa. E muito bonito de se olhar. — Sabia que fazia um jogo perigoso, mas estava desesperada para que ele a levasse até a cidade, e tinha certeza de que seria vencido em algum momento.
— Está sendo provocativa de propósito. — Sem esperar por sua reação, ele arrancou o punhal de suas mãos e a fez levantar-se, com seus olhos furiosos a apenas alguns centímetros dos dela ao segurá-la contra si.
— O que planejava fazer com o punhal?
— Calma, tá bom? Eu ia usá-lo como espelho.
— Espelho?
— Sim, a lâmina é brilhante. Estou sem espelho há duas semanas! Só queria saber se os danos podem ser sanados.
Ele olhou estupefato para a lâmina mortal, como se sua função alternativa nunca lhe tivesse ocorrido.
— Um espelho...
— Olha, o deserto pode ser um paraíso para você, mas para mim o oposto, certo? Não posso fazer nenhuma das coisas que faço normalmente!
— Passa o dia se olhando no espelho?
Sentindo-se fútil, Bella hesitou um pouco.
— Tente se colocar em meu lugar antes de julgar. Se saio de casa sem maquiagem, todo mundo começa a perguntar se estou doente, ou usando drogas, ou prestes a ser internada em uma clínica. Tudo o que visto é avaliado, as pessoas são más.
— Quem é mau?
Bella voltou atrás ao ver que confessara o quanto a imprensa magoava seus sentimentos.
— Os amigos, a família... — ela respondeu vagamente.
— Seus amigos e sua família avaliam tudo o que veste? Eles são maus?
— Oh, seja lá o que for... — Percebendo que estava enfiando os pés pelas mãos, Bella deu de ombros. — Não importa. Só estou explicando que é natural para mim me olhar no espelho e conferir se não acordei com uma espinha no nariz.
— E se tiver?
— Fico dentro de casa.
— Que vida estranha.
Bella franziu a testa. Estava tão habituada com sua vida que nem a questionava. Era estranha?
— Precisa parar de pensar em sua aparência e aprender sobre humildade. E obediência. Disse para não vir me olhar. Não me desafie, habibiti, pois não vai vencer.
— Oh, querido, estou contrariando você? — ela falou com sarcasmo, e viu a raiva no fundo dos olhos dele.
— Sim — ele respondeu entre os dentes, apertando seu pulso. — Mas minha reação não vai ser mandá-la para longe, e sim mantê-la por perto. Lembre-se disso antes de me provocar, Kate.
Kate? Quem era Kate? Bella ia dizer que ele devia pelo menos tratá-la pelo nome certo, mas lembrou que se apresentara como Kate.
Ali, nas areias escaldantes do deserto, Bella Swan não existia.
Que confusão criara, embora fosse libertador ser anônima. Seria melhor ainda se pudesse ser anônima em algum lugar com instalações mais decentes.
— Por que me manteria por perto se incomodo?
— Porque pretendo ensiná-la a se comportar. Precisa aprender a respeitar.
— O que vai fazer, me dar umas palmadas? — O tom de Bella era petulante, mas seu coração batia forte. — Estamos no século XXI.
— Está no deserto. Aqui o tempo parou. E, já que está tão determinada a me olhar na água, pode vir junto.
Sem avisar, ele a jogou na água.
Pega de surpresa, Bella afundou. Por um momento, tudo ficou confuso e ela se debatia freneticamente. Engoliu muita água antes de vir à tona tossindo, só para descobri-lo ao seu lado. Tirando o cabelo do rosto, ela respirou aflita.
— Está tentando me afogar? — Ela tossiu de novo e bateu no próprio peito, tentando tirar a água dos pulmões. — Por que fez isso?
— Achei que precisava se refrescar. — Com um sorriso sarcástico no rosto, nadou para longe dela, deixando-a olhando para ele.
Enchendo os pulmões de ar, mergulhou e o seguiu, tomando o cuidado de manter-se no fundo para não criar ondulações na superfície.
Onde ele estava?
Ela olhou através da água verde-acinzentada turva, desejando estar com óculos de natação, e então viu um par de pernas fortes bem diante dela.
Sorrindo, Bella desceu até o fundo na intenção de puxar seu pé e desequilibrá-lo, mas ele a segurou pelo ombro e a puxou até a superfície.
— Sabe nadar.
— Esperava que eu me afogasse? — Irritada por ele tê-la visto, Bella lutava para controlar sua respiração. — Como soube que eu estava aqui?
— Porque seu comportamento é extremamente previsível. Só quer irritar.
— Acha que sou previsível?
— Kate, faz tudo para irritar o máximo possível. Tem medo de animais? Porque o lago está cheio deles.
— É isso que as mulheres fazem quando estão perto de você? Gritam e pedem proteção a você? Odeio tirar sua oportunidade de bancar o macho, mas consigo me livrar sozinha de aranhas. — Bella torceu o cabelo, saindo da água. — Se quer uma donzela que dá gritinhos, está olhando para a mulher errada. Quer saber? Aposto uma corrida no lago. Se eu vencer, me leva de volta para a cidade.
— Não vou apostar corrida com uma mulher.
— Por quê? Medo de perder? Não se preocupe, Vossa Alteza. Prometo não contar para ninguém se eu vencer.
Ele a olhou incrédulo e então balançou a cabeça e começou a rir. Fascinada com a mudança dele, o sorriso de Bella desapareceu. Ele era incrivelmente bonito, mas, quando sorria... Oh, não...
Sentiu suas pernas fracas e de repente estava pensando naquele beijo.
Naquele boca cruelmente talentosa...
Isso não é bom, Bella pensou incomodada, tentando ignorar o calor que se espalhava por seu corpo. Era embaraçoso demais achar um machão daqueles tão atraente. Algo que nunca admitiria para ninguém. Pelo menos ninguém que ela conhecia estava ali para ver seu lapso de gosto e julgamento.
Ele ergueu uma sobrancelha.
— E então? Nenhum comentário esperto? - Arrogância não era atraente, Bella disse a si mesma.
— Só estou me preparando psicologicamente para vencer. Espero que seja um bom perdedor.
— Não saberia dizer. — Sua boca bonita deu um sorriso irônico. — Nunca perdi.
Bella trincou os dentes.
— Todos o deixam ganhar por ser o sheik, é óbvio.
— É o que acha?
— Se não tem medo de ser derrotado, então me deixe competir com você.
— Para quê? Você não conseguiria ganhar, habibiti.
Bella pôs as mãos na cintura, cada vez mais irritada.
— Olhe para mim! Veja eu me distanciar, Vossa Alteza. Não deve conseguir nadar tão rápido assim por causa do peso de seu ego...
Ele ainda estava rindo, como se o mero pensamento de ser vencido realmente o divertisse.
— É a mulher mais insuportável que já conheci. E precisa mesmo aprender a respeitar.
— Respeito tem que ser conquistado.
— Concordo. Então, quando eu vencer, isso acaba. — Ele parou de rir e seu tom ficou duro. — Vai parar de me irritar de propósito na esperança de que eu a leve para a cidade. Vou deixar você sair na frente.
Furiosa com seu tom condescendente e com sua arrogância, Bella o encarou.
— Não preciso de favores.
Sustentando seu olhar, ela tirou o cinto. Relutante de ter que passar mais uma hora tecendo folhas de palmeira, ela o jogou para fora da água e ouviu seu barulho ao cair na areia. E então tirou a túnica.
Presta atenção nisso, bonitão, ela pensou convencida, e ouviu com satisfação a respiração dele se alterar.
Sem olhar para ele, fez uma bola com a túnica e a jogou na mesma direção do cinto. Em pé, só de calcinha e sutiã, ela virou-se e lhe deu um sorriso radiante.
— Eu estava usando mais roupas do que você. Isso daria a você uma vantagem injusta — disse despreocupada. Mas o coração dela disparou ao ver seu olhar desaprovador, e se perguntou o que ele faria se ela tivesse passado dos limites. — Vamos dar a largada. Um, dois, três e já!
Sem esperar por sua reação, Bella mergulhou, flexível como uma lontra, e nadou num elegante estilo crawl conseguido nas inúmeras apostas com suas irmãs no lago da mansão Swan.
Na escola, ela era imbatível nas competições na piscina e estava segura de que, numa distância curta, seria a campeã. Era rápida, leve e forte, e possuía a vantagem adicional de ele claramente subestimar as mulheres. Estava tão confiante que, quando virou a cabeça para respirar e o viu passar por ela, tomou um susto. Sua surpresa foi rapidamente eclipsada por uma forte determinação de vencer, e Bella deu tudo de si nas braçadas finais, com o coração disparado e os pulmões ardendo pelo esforço.
Ele chegou na frente, com o corpo inteiro de distância, e sua respiração nem se alterara.
Ofegante, Bella viu sorriso divertido e tramou em silêncio todo tipo de vingança.
— Ofereci a você uma vantagem — ele disse suavemente, tirando uma planta grudada no cabelo dela. — Devia ter aceitado.
Bella viu tudo ficar escuro e ouviu, à distância, ele dizer algo numa língua que não entendia. E então ele a estava pegando no colo e colocando-a na beira do lago.
— Por que se esforçou tanto? — Num tom rude, ele saiu do lago, com água escorrendo do corpo e o cabelo grudado à cabeça. — Está se recuperando de uma insolação. Devia estar descansando na sombra. É a mulher mais irritante que já conheci.
— Também amo você. — Mas Bella ficou com a cabeça baixa por um instante, humilhada por demonstrar fraqueza de novo. O macho man vai adorar isso. — Se vai se vangloriar, faça isso longe de mim. Preciso de um minuto.
— O que precisa é de uma lição de humildade. — Parou de falar e estudou seu rosto com ar pensativo. — Surpreendentemente, nada muito bem.
A tontura melhorou um pouco.
— Nado muito bem para uma mulher, é isso? Saboreie sua vitória enquanto pode, vou vencê-lo da próxima vez.
— Não vai haver próxima vez. — Seus ombros fortes brilhavam sob o sol. —Vista-se, Kate. E pare de me provocar. Ganhei a corrida. Você fica.
Bella espremeu a água dos cabelos. Seu corpo inteiro pulsava de desejo, e era impossível não olhar para aquelas pernas fortes e aquela barriga lisa.
Ele olhou para seu sutiã, que agora não passava de uma película transparente.
Bella quis se cobrir, o que era ridículo, pois nunca tivera pudor com seu corpo. Estava acostumada a ser fotografada de todos os ângulos, a ser analisada pelos homens.
Mas aquele homem era diferente.
Ignorando o ardor de desejo em seu baixo-ventre, levantou-se com graciosidade, explorando instintivamente a vantagem que tinha sobre ele.
— Leve-me para a cidade, Vossa Alteza.
Ela viu o brilho de raiva em seus olhos, e então ele a segurou pelo pulso e a puxou contra si.
— Faz um jogo perigoso.
Pressionada contra seu corpo molhado, Bella sentiu um desejo imediato. Irritada com sua reação, tentou libertar seu pulso.
— Solte-me. Não sou seu tipo e você certamente não é o meu.
A resposta dele foi erguê-la em seus braços, e ela levou um susto.
— Aonde pensa que está me levando? Não pode simplesmente me carregar em seu ombro como um homem das cavernas — ela reclamou, sentindo as mãos dele em suas coxas nuas e tentando ignorar a voz em sua cabeça que dizia que não conhecia nenhum homem que conseguisse levantá-la com tanta facilidade.
— Estamos sozinhos no deserto, habibiti. Posso fazer o que quiser. E é o que pretendo.
— O que isso quer dizer? Está provando que é o sheik? Pois fique sabendo, Vossa Alteza, que eu não obedeço.
— Então é hora de aprender. — Firme e obstinado, ele entrou na tenda e a colocou no chão como se tocá-la o tivesse queimado.
— Não pode...
Com um grunhido de advertência, ele segurou seu rosto e levou sua boca até a dela com uma voracidade crua e selvagem. Quando seus lábios se encontraram, deu-se uma erupção de paixão tão primitiva que era como ser pego pela correnteza de uma cachoeira. Bella foi arrastada, seus sentidos rodopiavam e se despedaçavam, incapazes de escapar do fluxo de excitação que percorria todo o seu corpo.
Sentia a investida erótica da língua dele e a pressão de sua mão em suas costas ao puxá-la contra si. Quando seus corpos se tocaram, ela se derreteu. Sua cabeça girava, seus joelhos fraquejaram e sentiu calor em toda parte; fora, dentro dela, fritando suas terminações nervosas. Com um gemido de desespero, ela passou os braços em volta de seu pescoço e o beijou de volta, fascinada pela força de seus ombros e por seu poder masculino. Mas o melhor era saber que ele a desejava. Ela, não Bella Swan. Era a mulher que o interessava, não o sobrenome.
Ele a fazia se sentir bonita, desejável, irresistível. Perdeu o ar ao sentir as mãos dele em seus seios, seu toque perfeito ao tirar seu sutiã epassar os polegares sobre seus mamilos endurecidos.
Os dois ficaram mudos, mas seus gestos diziam tudo ao se deleitarem um na boca do outro e saborearem cada momento de mútua exploração. Quando a mão dele desceu, Bella fechou os olhos, e, quando ele finalmente a tocou lá, ela se arrepiou e enterrou o rosto no pescoço dele, sentindo seu cheiro masculino e a rigidez de seu maxilar com a língua.
Estava tão perdida no fogo que ele acendera que não protestou quando ele a abaixou gentilmente até o colchão. Os músculos dele ficaram salientes ao sustentarem seu peso, e depois ele recuou um pouco, observando seu corpo seminu com olhos que brilhavam de desejo.
— Você é linda — ele disse, e então tirou sua última frágil proteção com um único movimento firme de sua mão.
Nua, ela ficou insegura, mas ele cobriu o corpo de Bella com o seu, num gesto estranhamente protetor. Bella olhava fascinada a beleza de seus olhos, quando então seu corpo se tencionou ao sentir que seus dedos a tocavam intimamente. Era enlouquecedor de bom, e ela gemeu e tentou dizer algo, mas ele a impediu com sua boca, silenciando suas lamúrias incoerentes.
A habilidade dele ia além de tudo o que ela conhecera antes. Ele lhe causou um prazer tão intenso que a deixou desesperada. Nunca havia desejado ninguém como desejava aquele homem. Sua intimidade estava em fogo e ela se remexia freneticamente tentando aliviar aquela pressão quase angustiante, mas ele se recusou a liberá-la daquela agonia sensual.
— Por favor — ela sussurrou, descendo sua mão pelas costas dele para fazê-lo ficar ainda mais próximo.
— Por favor... oh, pode...
A resposta dele foi colocar a boca em seu mamilo, e Bella gemeu quando se desencadeou outra explosão de calor dentro dela.
— Por favor... Preciso muito...
Ele murmurou algo com uma voz arrastada, deu-lhe um olhar cheio de paixão e deslizou sua mão forte para debaixo de suas nádegas e a puxou para debaixo dele, colocando-a em contato com sua poderosa ereção. Ele era dominador, o tipo do macho controlador, mas Bella nem ligou, só o que lhe importava era que ele fizesse algo em relação ao desejo desesperador que ameaçava devorá-la.
— Agora — ela implorou, e ele a colocou na posição que queria e penetrou seu corpo trêmulo e pulsante com uma única investida que os uniu completamente.
Ele deu um gemido e apoiou à cabeça no ombro dela, com a respiração áspera e irregular, lutando para se controlar.
A sensação dele dentro dela era tão espantosamente boa que Bella não conseguia respirar nem se mexer. Ao penetrá-la de novo, ela enfiou as unhas em sua pele e arqueou o corpo para trás, movendo os quadris no ritmo rápido que ele impôs, e, quase imediatamente, ela atingiu um clímax tão intenso que a fez perder o ar. Ele a levou ao mesmo ponto várias vezes e, quando seus pensamentos ficaram indistintos e ela achou que iria desmaiar, ele murmurou algo de encontro a sua boca e deu uma investida final que os lançou contra um muro sólido de sensações.
Dessa vez, Bella ficou totalmente fora de controle, com seu corpo subjugado por níveis tão insanos de excitação, que ela se agarrava a ele e soluçava contra sua pele macia. Mesmo quando seus espasmos diminuíram, ela não o soltou. Não o deixaria ir. Queria prendê-lo para sempre. No fundo de seu cérebro derretido pela paixão, sentia que tudo mudara, mas não conseguia saber como nem por quê. Tudo o que sabia era que viveram algo incrível. Sentia-se sexy, acalentada e especial.
Uma luz intensa entrou pela abertura da tenda e os envolveu, como se fosse o sol sorrindo aprovadoramente. Bella tocou o cabelo dele, notando que era de um tom acobreado raro. Ele deve ter sentido seu toque, pois levantou a cabeça e a olhou. Ela notou que seus pelos do rosto eram do mesmo tom acobreado de seu cabelo, que tinha cílios longos e grossos, e bonitas maçãs do rosto. E que seus olhos verdes estavam inexpressivos.
Estava tão transtornado quanto ela, Bella pensou. O cabelo dela estava colado ao pescoço; sentia-se seca pelo calor e por toda aquela experiência. Entre todas as coisas que deram errado ultimamente, aquela parecia estar completamente certa. Era o momento mais excitante de sua vida. E de repente quis que ele a abraçasse. Era tudo o que queria. Um abraço.
Colocou as mãos sobre o peito dele e as pontas de seus dedos formigaram ao sentir seus músculos rígidos. O corpo dele era incrível, com aqueles músculos definidos e a pele bronzeada. Olhando para ele, Bella percebeu que estava tímida pela primeira vez na vida.
Seus olhos se encontraram e ele fez um aceno de cabeça demonstrando satisfação.
— Então, é capaz de ser submissa — ele disse num tom vazio, e Bella mal acreditou, pois esperava que dissesse qualquer coisa menos isso.
Sua bolha de prazer estourou.
Encheu-se de vergonha. O que a fizera pensar, sequer por um instante, que viveram algo especial? Estava tão desesperada por afeto que via magia onde não havia?
Lentamente, ela tirou a mão de seu peito, tentando controlar a respiração, parecer casual, e não deixar transparecer o quanto seu comentário a machucara.
Então era disso que tudo aquilo se tratava? Um exercício de dominação masculina?
Pensou que tivessem compartilhado um momento especial, e o tempo todo ele só tentara colocá-la em seu lugar. E ela caíra nessa, não caíra? Entrara naquilo sem pensar duas vezes.
Estava tão desesperada que lhe implorara.
Ficou furiosa. De repente se sentiu mais vazia do que nunca.
— Não sou submissa. — Era uma luta manter sua voz relaxada, mas estava determinada a conseguir. A não deixar transparecer. — Apenas preguiçosa. Só me deitei, e você teve que fazer o trabalho todo.
Ele a olhou longamente e depois rolou para o lado e se levantou. Tudo nele demonstrava autoconfiança. Segurança. Bella o olhou com atenção. Os ombros largos, a pele dourada, longas pernas fortes. Observou-o com desejo enquanto ele se afastava para o outro lado da tenda.
Afastava-se dela.
Todos sempre se afastavam dela.
Ele se vestiu sem olhar para ela nenhuma vez. O que era bom, pois ela podia limpar uma lágrima desgarrada sem ele ver.
O nó em sua garganta era mais difícil de eliminar.
Sentiu uma necessidade imensa de falar com sua irmã gêmea. Mas isso não era uma opção. Não só Angela tinha sido mandada para a Austrália, como não iria querer falar com ela. Não se falavam desde aquela discussão. Desde aquela noite horrível.
Bella o observava em silêncio. O que esperava? Que ele preenchesse seu vazio com um momento de paixão? Pensou que haveria algo mais? Ela era uma nulidade em relacionamentos. De qualquer tipo.
Quis ficar sozinha, mas, quando viu que ele terminava de se vestir, percebeu que não queria realmente.
— Aonde vai? — Ela deixou a pergunta escapar, e ele olhou para ela. Olharam-se por um instante e depois ele prendeu o punhal em seu cinto.
Algo naquele perfil duro a perturbava, e de repente sentiu-se completamente insegura.
— Fiz algo errado? —No momento em que essas palavras saíram de sua boca, ela se arrependeu, mas já era tarde demais.
Papo de carente.
Ele foi até a entrada da tenda sem responder, e Bella sentiu lágrimas arderem em seus olhos.
— Não ouse ir embora assim — ela disse, e ele virou-se, aquele homem com quem partilhara uma intimidade profunda, e lhe deu um olhar que gelou seu sangue.
— Isso foi um erro.
— Finalmente concordamos em alguma coisa. — Tentando manter sua dignidade, Bella pegou o lençol e se cobriu. — Foi culpa sua.
Algo brilhou nos olhos dele.
— Podia ter recusado.
— Como? Você não parecia estar aceitando "não" como resposta.
Ele jogou a cabeça para trás como se ela tivesse lhe dado um tapa.
— Se tivesse dito que não eu teria parado.
O rosto de Bella ficou vermelho. Devia confessar que não conseguia nem pensar, que dirá falar? Que não queria dizer "não"?
— Você é o sheik — disse, de modo frívolo. — Não achei que pudesse dizer "não".
— Desde quando isso é impedimento para você? Isso não vai acontecer de novo.
O ego de Bella foi massacrado. E ela havia se sentido sexy e desejada. Pensara que viveram algo especial.
— Por mim, tudo bem — ela rebateu, mas falara para o ar denso e opressivo da tenda, porque ele já tinha saído, deixando-a sozinha.
