Vamos viajar para o deserto?
Só lembrando: comentários me deixam muito feliz!
— Nunca fiz sexo só por uma noite, Amira. — Bella encostou a testa no pelo macio da égua e acariciou seu dorso. — Os jornais inventam essas histórias sobre mim porque isso vende jornal e eu os incentivo a acreditar nisso, mas, se soubessem que quase não tenho experiência, ficariam chocados. Não sou como seu dono, que deve ter muita experiência, considerando aquela performance magistral.
O cavalo relinchou suavemente e lhe deu uma focinhada carinhosa.
— Não posso levá-la para sair — Bella disse docemente, confortada pela reação da égua. — Lembra o que aconteceu da última vez? Não vou arriscar sua vida de novo. Não me importo com a minha, mas você é especial. — Beijou a égua e ficou tensa ao ouvir o som de cascos atrás dela. Virou-se discretamente e, quando viu que era o sheik, sentiu um aperto no estômago.
Mesmo montado no cavalo, ele estava espetacular. Lindo e totalmente no controle.
Suas mãos puxavam as rédeas para conter o cavalo, e ele estava parado, olhando para ela. Ao lembrar-se da sensação daquelas mãos poderosas em seu corpo, Bella foi tomada por um calor indesejável.
— Cavalgada agradável, Vossa Alteza? — Ela vestira de novo sua túnica, mas agora se arrependia de tê-la cortado tão curta. Pela primeira vez, desejou estar coberta. Decidida a evitar que ele percebesse seu constrangimento, fez "festinha" na água, sabendo que ele a observava.
— Meu nome é Edward.
— Ah! E posso tratá-lo pelo nome porque fizemos sexo? Privilégios especiais?
Ele desceu do cavalo e foi até ela.
— É muito atrevida.
— Bem, desculpe se não agrado, mas não sei o que dizer numa situação dessas. Cheia de raiva, Bella afastou o cabelo do rosto, e desejou poder ter passado três horas num spa antes de encontrá-lo de novo. Encará-lo sem maquiagem exigia uma autoconfiança que não possuía. — Se isso tivesse acontecido na cidade, não precisaríamos nos ver de novo.
— Isso nunca teria acontecido na cidade. Lá, não esqueço quem eu sou, nem minhas responsabilidades.
— Sua vida parece uma piada. Desculpe se o fiz se esquecer de suas responsabilidades.
Houve um longo silêncio e então ele suspirou.
— Não se desculpe. Você foi incrível.
Por um instante, ela achou que tivesse ouvido mal. Olhou em direção ao peito dele e lentamente levantou a cabeça para olhá-lo, com o coração disparado.
— O que disse?
— Precisa entender que sou um homem muito disciplinado. Não estou acostumado a perder o controle.
— Sério? Quase nunca tenho controle. Sou impulsiva.
Ele deu um sorriso irônico.
—Nisso eu consigo acreditar, habibiti. É extremamente emocional.
—Enquanto você é assustadoramente sem emoção. - Bella corou ao lembrar que ele não a tocara depois do sexo. — Então, não combinamos. Após perceber isso, espero que finalmente tenha decidido me levar até a cidade.
Ele respirou fundo.
—Não foi isso o que decidi.
—Escuta, essa devia ser sua semana de descanso, então não vai querer ficar nessa situação estranha, vai?
—Exato. É minha semana de descanso, então a uso como me agradar.
— O que quer dizer? O que o agrada?
— Você.
Bella arregalou os olhos.
— O que disse?
— Você me agrada muito. É extremamente passional e, quando está na cama, deixa de me combater. — Ele deu um sorriso sarcástico. — É por isso pretendo mantê-la em minha cama pelo resto da semana no deserto.
— Então vou ser seu harém particular enquanto estivermos aqui?
Ele ergueu um dos cantos da boca.
— Uma mulher não constitui um harém, habibiti, embora tenha vivacidade suficiente para distribuir entre pelo menos dez mulheres.
— Espera aí... — Com o rosto em fogo, Bella deu as costas para a égua, que focinhou com força suas costas, empurrando-a para cima de Edward.
Aquelas mãos fortes fecharam-se em volta de seus braços, segurando-a, e Bella gemeu ao sentir a química entre eles.
—Não sou seu tipo. Você não é o meu. Isso vai contra minha lógica.
— Contra a minha também... —A boca dele aproximou-se da sua. — Mas acho que, a essa altura, nossa lógica já era. — Ele a pegou no colo e Bella lhe deu um soco no ombro.
— Aonde está me levando?
— De volta para a cama — ele respondeu, entrando na tenda. Colocou-a gentilmente sobre o colchão e tirou sua túnica sem lhe dar a chance de resistir. — Quando está embaixo de mim, é toda macia, dócil e feminina, então é onde vai ficar enquanto estivermos aqui.
Bella tentou pegar a túnica.
— Aquilo foi uma performance única, causada por muito sol e por você impor sua vontade.
Ele tirou a túnica de seu alcance, com um brilho perigoso no olhar ao tirar sua própria roupa.
— Por que luta contra mim?
Desviando os olhos da tentação, Bella considerava suas chances de fugir da tenda sem que ele a pegasse.
— Uma vez foi um erro, duas seria um desastre.
— Se fugir, trago-a de volta.
Então ela olhou para ele e foi capturada por seu sorriso devastador e pela inegável intenção sexual em seus olhos. Seu corpo se derreteu num desejo tão intenso que não conseguia respirar. Era injusto ele ser tão lindo.
— Não sou sua prisioneira.
— Não. — Ele pegou o punhal em sua túnica. — É uma mulher irritante, corajosa e desafiadora. E acho isso incrivelmente erótico.
Havia uma força primitiva nele que fazia Bella se arrepiar e, de repente, percebeu que nunca lidara com ninguém assim antes. Olhou desconfiada para o punhal.
— Para que isso? Vai me subjugar à força?
— Não se preocupe — ele sussurrou. — Quando eu possuir você de novo, não vai resistir mais do que da primeira vez.
Bella estava com o coração disparado e a boca seca.
— Meu cérebro já está funcionando direito. E esse estilo "homem das cavernas" não me seduz em nada. Gosto de um homem com quem possa conversar.
— E eu gosto de mulheres que sabem quando ficar caladas. — Colocou o punhal no chão. — Venho observando-a desde que chegou. E também observei quando estava debaixo de mim. Foi uma visão muito satisfatória.
Envergonhada por ser lembrada de como cedera facilmente, Bella ergueu o queixo.
— Foi tudo uma atuação para proteger seu ego. — Ela tentou levantar rápido, mas Edward sorriu, segurou-a pela cintura e a desceu de volta até o colchão.
— Está falando porque está nervosa, e isso é bom, pois mostra que está vulnerável. Mas não precisa ter medo. — Ele se sentou pensativo ao lado dela. Bella se distraía com cada curva dos músculos de seu peito bronzeado.
— Não estou com medo... Estou...
A boca dele silenciou o resto da frase e ela sentiu sua cabeça rodar, mas estava determinada a não demonstrar nada. Ele já se achava um deus, não era necessário alimentar seu ego deixando-o saber que beijava extremamente bem. Ignorando o calor que atravessou seu corpo, ela se afastou e tentou parecer entediada.
— Desculpe, era para eu sentir alguma coisa? — Mas sua voz rouca a traiu, e ele sorriu, segurou-a pelos ombros e a deitou.
— Alguma vez é sincera sobre seus sentimentos?
Não, Bella pensou debilmente, lembrando-se do quanto já fora machucada na vida. Nunca.
— Não tenho sentimentos — ela sussurrou, e ele roçou seus lábios nos dela. Olhavam-se fixamente, com uma deliciosa excitação pulsando entre eles.
O calor opressivo da tenda ficou sufocante, e Bella respirou fundo quando ele roçou sua coxa na dela e suas respirações se misturaram.
— Da última vez, foi tudo muito rápido. Dessa vez vai ser diferente. Vamos levar um ao outro à loucura.
Ele desceu os olhos lentamente por sua boca, seu pescoço, até chegar em seus seios. Bella gemeu ao sentir seus mamilos endurecerem.
— Pare de olhar assim para mim. — Mas soou sem convicção, porque não queria que ele parasse. Adorava o modo como a estava olhando.
Não como Bella Swan, mas como se fosse incrivelmente desejável.
— Se não quisesse que eu olhasse, não teria feito de si mesma objeto de interesse.
Um movimento deliberado da mão dele causou um espasmo em seu corpo.
Bella respirou fundo.
— Tire as mãos de mim.
— Certo. Sem mãos. — Com um sorriso irresistível, ele baixou a cabeça e pôs seu mamilo na boca. O ventre de Bella ficou quente de excitação.
— Não pode...
— Posso, sim. — Ele cobriu seu corpo com o dele e sua mão forte segurou-lhe o rosto. — Diga que não e eu paro. É o que quer?
Bella olhou para ele sem forças. Sentia-se capturada, feminina, e deliciosamente consciente da pressão do corpo dela contra o seu. Edward passou a mão em sua coxa.
— Se for não, que seja logo, habibiti, pois sou um cara muito esfomeado.
Bella estava hipnotizada por seu olhar. Devia dizer "não". Realmente devia. Mas, naquele momento, não ligava se ele não era adequado. Se não tinham nada em comum e se aquilo não era real.
Desejava-o tanto que era embaraçoso.
Ao ver o desespero em seus olhos, ele deu um sorriso de satisfação masculina, e o último pensamento coerente de Bella foi que era bom saber que os jornais ingleses nunca saberiam dessa história.
Edward tomou sua boca com a confiança de um conquistador, apoderando-se do que saqueara.
Exatamente como na primeira vez, Bella pegou fogo. O deslizar erótico da língua dele acabou com o resto de seu autocontrole. Segurou os ombros dele, sentindo seus músculos e sua pele macia.
Ele murmurou algo em sua boca, chegou para o lado e tirou seu sutiã com um movimento seguro. Bella quis se cobrir e ele deve ter sentido sua súbita insegurança, pois voltou a ficar em cima dela, mantendo-a presa.
— Tem um corpo fabuloso — ele disse, levando a boca até seu mamilo. — Uma tentação para qualquer homem.
Aproveitando que ele estava distraído, Bella empurrou seu peito e o fez deitar de costas. Então montou em cima dele, com seus cabelos castanhos avermelhados roçando-lhe o peito.
—Agora vamos ver quem está no comando — ela falou convencida, e se sobressaltou ao ver onde estava sentada.
Ele sorriu satisfeito ao perceber o mesmo.
— Não se engane, habibiti, pode estar em cima, mas ainda sou eu quem está no comando.
—Acha mesmo? — Inclinando-se para frente, Bella passou a ponta da língua no ombro dele e viu sua súbita tensão. Rindo consigo mesma, fez sua língua descer pelo corpo dele até que ouviu um gemido profundo.
Entusiasmada com a transferência do poder para ela, Bella o deixou louco com sua boca e sua língua, imobilizando os braços dele. Seu prisioneiro. A ilusão durou apenas alguns minutos, e então ele a fez deitar com uma facilidade embaraçosa e passou para cima dela, afundando o colchão com o peso de seu corpo.
— Tem que ficar por cima, não é? — Bella ofegou quando seus corpos se uniram dos ombros até as coxas. — Alguém já disse que tem complexo de poder?
—Alguém já disse a você que é incrível?
— Não. — Ninguém a achava incrível.
Afastando aquele pensamento, Bella passou os dedos pelos cabelos dele e puxou sua cabeça para perto da sua. Queria esquecer, e, se alguém podia fazê-la esquecer, era aquele homem. E, se tivesse um preço a ser pago por isso amanhã, pagaria.
— Por que deixa um punhal ao lado da cama?
— Não é ao lado da cama, é ao meu lado. Isso é o deserto,habibiti... — Edward virou-se para olhá-la e ela viu seus olhos verdes— Há sempre riscos.
E ele era o maior risco de todos, Bella pensou debilmente, mal reconhecendo a si mesma. Aquela não podia ser ela, podia? Deitada submissa ao lado de um homem dominador. O deserto devia ter afetado seu cérebro.
Mas, dessa vez, não cometeria o erro de tentar abraçá-lo.
Não aguentaria outra rejeição.
Bastava um olhar para ela o desejasse outra vez, e, quando ele a beijou de novo, ficou cheia de expectativa.
— Está esfomeada?
— Oh, sim — Bella sussurrou, e então percebeu que ele falava de comida. —Eu... Sim. Comida.
Ele a olhou por um longo instante e então apoiou-se sobre o cotovelo.
— Geralmente, não é assim que passo meu tempo no deserto. Bella deu um sorriso hesitante.
— E devo pedir desculpas por isso? — De repente, ele pareceu distante e intimidador. — Pode parar de agir como um sheik? Isso me deixa constrangida.
— Como quer que eu aja?
— Como um homem. Está de folga.
— Nunca estou de folga. As responsabilidades não desaparecem só porque está longe delas.
Incomodada com o assunto, Bella deu um sorriso insolente.
— Tem que aprender a relaxar e a se divertir. Falando nisso... — Ela pulou sobre ele, tirando vantagem do elemento surpresa. — Agora, está em meu poder.
Ele lhe deu um olhar debochado.
— Acha mesmo, habibiti?
— Renda-se ou será punido. — Ela mordiscou seu queixo e adorou a textura áspera. Irremediavelmente atraída por sua masculinidade crua. — Quando eu acabar, não vai precisar de um harém. — Qualquer garota poderia se viciar nessa boca.
— Você é uma mulher-harém — ele respondeu, segurando-lhe o rosto e puxando sua boca até a dele com firmeza. — E está me deixando louco.
— Tenho esse efeito sobre as pessoas — Bella murmurou em sua boca, com os cabelos formando uma cortina em volta deles, fechando-os num mundinho particular. — Continue deitado enquanto eu o deixo mais louco.
Edward colocou leite em uma caneca e olhou o sol nascendo.
O que estava fazendo?
Passaram-se um dia inteiro e uma noite, e ele só saíra da tenda para se refrescar na água do oásis. Como perdera a noção do tempo assim? Desde quando não conseguia resistir a uma mulher bonita?
Esquecera o dever, a responsabilidade, tudo, exceto a garota incrivelmente sexy em sua cama.
— Não me diga que está em pé aí pensando que não devíamos fazer isso. —A voz dela veio detrás dele.
Edward se virou e quase derramou o leite. Apesar de não terem nem banheiro, os cabelos dela caíam sedosos sobre os ombros, como mel vertendo de um jarro. Seus olhos brilhavam de alegria. Nunca conhecera uma mulher tão cheia de vida.
— Para alguém que não vê a hora de sair do deserto, parece bem contente.
— Estou contente. — Ignorando a caneca de leite em sua mão, ela passou os braços em volta dele, toda desinibida. — O deserto subiu no meu conceito. Gosto de alguns de seus habitantes.
Dominado pelo cheiro de seu cabelo e o calor de seu corpo, Edward ficou imóvel, atordoado com os sentimentos que o incomodavam. Acostumado a ser tratado com deferência e distanciamento, ele achava sua natureza afetuosa perturbadora. Ela não fazia a menor ideia de como devia se comportar com ele.
E ele não fazia ideia de como se comportar com ela.
Lutando contra sua tendência de manter as pessoas a distância, finalmente levantou a mão para acariciar suas costas, mas ela já havia se afastado, com o rosto vermelho e a expressão defensiva, como se a falta de reação dele a tivesse magoado.
— Então... — Seu tom de voz estava mais frio. — O que vamos fazer hoje?
O que ele queria era puxá-la de volta para si, mas tantos anos de autodisciplina agiam como correntes, impedindo-o de expressar suas emoções. Recorreu à praticidade.
— Precisa comer...
— É o café da manhã? Perdi a noção do tempo.— Olhou para a caneca e sorriu. — O que está tomando? Milk-sheik? — E encolheu os ombros. — Desculpe, é minha última piadinha, prometo. E vou me comportar. Sei que precisa de solidão, então vou ficar aqui o resto do dia e vai poder fazer tudo o que faz quando está sozinho.
Edward observou a posição do sol e avaliou se ainda teria tempo de cavalgar antes que o sol ficasse muito forte para os cavalos.
— Vamos comer e depois cavalgamos juntos.
Ele não sabia o que o fizera sugerir aquilo, mas de repente a solidão parecia menos atraente do que cavalgar ao lado daquela mulher espirituosa.
— Sempre dá ordens? — Pegou o leite dele, se ajoelhou graciosamente no tapete e pegou uma tâmara do pote que ele trouxera.—Humm, adoro isso, são completamente diferentes das que como em casa.
— Sabe cavalgar bem?
Ela mordeu a polpa escura e suculenta da tâmara e lambeu os dedos.
— É uma pergunta séria?
O corpo de Edward enrijeceu pela súbita imagem dela cavalgando nele, transtornado pela força de sua reação a ela.
— Não vou cair do cavalo, se é isso o que o preocupa. — Ela parecia um pouco confusa, como se tentasse adivinhar o que ele pensava. — Monto desde criança.
— Sua última experiência com um cavalo não foi muito bem-sucedida.
— Cavalguei bem, meu senso de direção é que falhou. — Pegou outra tâmara. — Bem, o senso de direção da égua também não era muito bom, mas acho que a culpa não foi dela. O deserto parece igual em todas as direções.
— Pelo contrário, é uma paisagem variada, se mantiver os olhos abertos.
— Foi onde errei... — Bella terminou seu leite e comeu um pedaço de pão. — Desmaiei, e ainda não aprendi como fazer isso de olhos abertos. Essa comida está deliciosa, obrigada.
Edward achava impossível tirar os olhos dela. Ajoelhada no tapete, ela parecia uma deusa pagã. Esbelta, flexível e forte, suas pernas longas estavam douradas sob o sol do deserto. Mesmo sem acesso a um espelho e cosméticos, ela era estonteante. E era uma mulher que sabia como usar sua aparência.
O fato de estar muito ocupada, se empanturrando de tâmaras e lambendo os dedos, para se preocupar com sedução, só a deixava ainda mais sedutora.
Edward sentiu um forte desejo atravessar seu corpo. E ainda pediu que ela passasse o dia com ele. Estava maluco?
— Sua calça já está seca. Vista-a. Vai ficar mais confortável e proteger suas pernas. — E a sanidade dele. — E me siga.
— O que acontece se eu não seguir?
— Amira cai na areia movediça e quebra uma perna — Edward disse com rudeza e a viu ficar horrorizada.
— Certo, sigo, então.
— Então vai se comportar bem pelo cavalo, não por mim? —Mais uma vez, foi forçado a repensar seu julgamento inicial sobre ela ser egoísta e vazia. Quer ela percebesse ou não, revelava constantemente indícios da mulher doce e carinhosa sob a aparência desafiadora.
— Sempre fui melhor com animais do que com pessoas. São mais simples.
Edward pôs a mão na cabeça de seu cavalo, se perguntando o que ela queria dizer com aquele comentário. Olhou para ela, que fazia carinhos na água, mas sua expressão não revelava nada. Parecia jovem e vulnerável.
Lembrando a si mesmo de que não havia lugar em sua vida para uma mulher como ela, Edward virou-se para seu cavalo.
— Precisa trocar de roupa.
Ele ouviu seus passos suaves ao se afastar, mas logo estava de volta, vestida com a calça de algodão que usava quando a encontrara. Seus cabelos longos estavam presos numa trança grossa, presa por uma fibra de folha de tamareira. De falta de criatividade não podia acusá-la.
— Cubra a boca e o nariz com um lenço. — Entregou a ela um pano macio, e lhe mostrou como enrolá-lo no rosto para proteger-se da areia.
Justo quando ele achava que controlara suas reações, ela baixou os cílios sedutoramente.
— Pareço misteriosa? É agora que faço a dança dos sete véus?
Ele foi tomado por um desejo cortante. Trincando os dentes, Edward apertou o tecido e recuou.
— Está obcecada por haréns e danças.
Mas o lenço acentuou a beleza de seus olhos, e ele a pegou pela cintura e a jogou em cima do cavalo antes de se afastar abruptamente.
Nunca lutara tanto para manter o controle.
Considerava-o uma indicação de sua força, mas agora percebia que seu autocontrole nunca fora testado de verdade. Até agora.
Montando em seu cavalo, Edward pegou as rédeas e virou-se para olhá-la. Estava sentada à vontade sobre o cavalo, tão atlética como quando estava no lago. E o olhava com aqueles olhos perigosamente lindos.
— Então, o que vamos fazer?
— Vou mostrar a você que existe um mundo além do seu laptop e seu iPod. — Olharam-se nos olhos, e por um momento perturbador ele vislumbrou o futuro e lembrou que aquela não era a vida dele. Nem a dela. Era apenas um interlúdio. O futuro não fazia parte do que viviam. Só havia o aqui e agora. — Vou mostrar a você o deserto.
