Bella fez Amira ir mais rápido, e semicerrou os olhos quando as patas do cavalo levantaram um véu dourado de areia. Na frente dela, o poderoso garanhão do sheik disparava através do deserto, e ela deu um grito de excitação, pois isso lhe dava uma "onda" incrível.
Era fantástico estar montada num cavalo, e cavalgar no deserto era a experiência mais estimulante que havia.
Nos últimos três dias, cavalgara todas as manhãs e noites com Edward, e não conseguia se lembrar de já ter se sentido tão feliz assim. Quando não estavam cavalgando, estavam fazendo amor ou se refrescando na linda lagoa, ou comendo tâmaras e conversando.
Nunca se sentira tão livre.
Inclinando-se para frente, em direção ao pescoço da égua, Bella a impeliu adiante, reduzindo a distância entre eles. Nos últimos dias, aprendera a observar. Não havia areia movediça ali, pensou, ansiosa para não prejudicar o animal, lembrando-se do que Edward a ensinara. A égua ia tão rápido que o lenço que protegia seu rosto se soltou ao alcançar o cavalo do sheik. Entusiasmada por tê-lo alcançado pela primeira vez, Bella o desafiou com um sorriso e viu sua expressão irritada.
Vai pagar por isso, Bella, ele pensou. E então os olhos dele brilharam e ele se distanciou, espremendo cada última gota de energia do cavalo. O garanhão preto parecia flutuar na areia, com a cauda alta, o pescoço arqueado, com força e poder visíveis em cada músculo de seu corpo. Bella pensou que o cavalo e seu dono combinavam.
Finalmente, Edward fez seu cavalo contornar a base de uma duna, e Bella o seguiu, tossindo por causa da areia que entrara em sua boca.
Ainda estava sufocando quando ele lhe entregou uma garrafa de água.
— Beba.
Bella bebeu, sentindo a água aliviar sua garganta.
— Meu lenço se soltou. Engoli areia nos últimos cinco minutos.
Apesar de estar tarde, o sol ainda era uma bola de fogo no céu límpido. O calor intenso resplandecia na superfície da areia. Mas agora estava protegida usando chapéu e creme protetor, e sabia que a água do oásis os esperava.
Olhou para ele e viu que tinha os olhos fixos no horizonte.
—Ama esse lugar, não é?
Ele demorou um pouco para responder.
— É o único lugar onde posso ser eu mesmo sem ter que responder por ninguém.
— Pensei que fosse você quem desse ordens. Não pode dizer para o deixarem sozinho? — Ela sentiu-se embaraçada pela frivolidade do que disse e deu de ombros, desculpando-se. — Quero dizer, você é o sheik, é quem faz as regras.
— Minha responsabilidade é com meu povo e minha família.
Família. Responsabilidade.
Bella sentia-se incomodada por sensações que não tinham nada a ver com o calor.
— Mas também tem que pensar em você mesmo.
— É por isso que passo uns dias no deserto.
— Cinco dias. — Bella tomou outro gole de água, ignorando o aperto em seu peito. Só mais um dia. — Uau! É uma autorização de férias bem pão-dura. Tem que falar com o setor de recursos humanos e renegociar suas condições de trabalho. E por que é responsável por sua família? Não conseguem cuidar de si próprios?
— Nossos pais morreram quando eram pequenos. Meus irmãos e irmãs dependem de mim.
— Todos parecem depender de você. Se gosta tanto de família, por que não se casou? — Bella lhe devolveu a água, olhando distraída sua barba por fazer. — Não quer filhos?
— Meus desejos vêm depois das necessidades do meu povo. Por escolha própria, nunca me casaria. — Edward estava sentado relaxadamente sobre o cavalo, estudando o vento do deserto. — Mas, em algum momento, vou arranjar uma esposa e ter filhos. É necessário.
— Uau. Com tanto entusiasmo assim, como pode dar errado? Então, quando a pressão ficar muito forte, vai arranjar uma esposa. Alguém com a educação adequada.
Alguém completamente diferente dela, que não tenha o sangue Swan e um temperamento incerto.
— Claro.
— E se não amá-la? Ele franziu a testa.
— O amor não é essencial. Se for alguém que eu respeite e admire, é o suficiente.
— E ela vai casar com você pelo status. Não porque o ama, mas por quem você é. — Lembrando-se da noite do baile Swan, Bella não conseguiu conter a amargura em sua voz. — E como acha que seus filhos vão se sentir quando crescerem? Acha que é bom para uma criança saber que seu pai não ama sua mãe? E não teme que sua esposa se apaixone por outro e tenha um caso?
— Minha esposa nunca vai ter motivo para me trair — ele respondeu com convicção. — Por que esse assunto a abala tanto?
— Isso não me abala — Bella rebateu, e Amira deu um relincho nervoso e um passo para o lado do garanhão. Numa demonstração de soberba habilidade como cavaleiro, Edward acalmou os dois animais. E Bella acariciou, com a mão trêmula, a crina da égua, transtornada com sua perda de autocontrole.
— Desculpe — ela murmurou. — Não é da minha conta. Vamos cavalgar?
— Parece ter fortes pontos de vista em relação a casamento. — O tom dele estava um pouco mais frio. — Já foi casada?
— Não! Esse é um erro que não cometi.
Provavelmente o único, Bella pensou, fazendo a égua virar na direção do acampamento. Oh, por que não ficara de boca calada? A última coisa que queria era pensar na confusão que deixara para trás em sua casa.
Era irônico que há quatro dias atrás quisesse voltar à civilização e agora estivesse com pavor disso.
Edward estava ao seu lado, impedindo com firmeza que o garanhão se adiantasse.
— Nunca foi casada, mas já teve homens.
— Não, era virgem até conhecer você — disse desafiadora, se perguntado por que se importava com o ar desaprovador no rosto dele.
Desde quando precisava da aprovação de alguém?
Crescera desapontando a todos.
Já devia estar acostumada.
Horrorizada pela súbita fraqueza que a fez querer contar sua história de vida confusa, Bella fez a égua ir mais rápido.
Qual era seu problema? Por que se abriria com aquele homem que não entenderia nada sobre sua vida? E, de qualquer modo, não queria lembrar que era Bella Swan. Não queria o nome Swan intrometido em seus poucos dias de felicidade no deserto.
Bella ficou tão chocada com esse pensamento que fez a égua parar.
Felicidade? Olhou ao redor como se visse o deserto pela primeira vez. Estudou os estranhos padrões ondulantes da areia, o aclive íngreme das dunas e a imensidão do cenário. Pensou no pôr do sol dali, uma bola de fogo mergulhando no horizonte. E nas estrelas incríveis, como diamantes sobre o veludo preto numa vitrine de joalheria.
— Algo errado? — Edward estava ao seu lado, preocupado. — Está machucada? A areia está incomodando você?
Sim, a areia a incomodava, mas não da maneira que ela esperava.
— É... lindo. Como se fossemos as únicas pessoas no mundo.
— Há alguns dias, isso teria deixado você horrorizada, junto com a falta de condicionador e de espelho.
— Eu sei. Preocupante, não é? — Bella deu um riso sem humor. — Agora sei que preciso de um terapeuta.
— Um tempo de reflexão no deserto é tão bom quanto terapia. Vai me contar o que a está perturbando?
Ela não ousou admitir que era a ideia de voltar à civilização.
— Já desejou que a vida fosse sempre simples assim?
— Não me permito pensar nisso porque sei que não é uma opção.
— Nunca pensa em si mesmo?
— Sim. Essa semana, não agradei a ninguém a não ser eu mesmo.
— Agradou a mim — ela sussurrou.
Edward hesitou, mas depois pegou sua mão.
— Diga o que há de errado.
Era a primeira vez em que a tocava de um modo que não era sexual, e ela sabia que ele só a estava confortando por não saber quem era. Assim que descobrisse que era Bella Swan, assim que soubesse do escândalo, se afastaria dela sem olhar para trás.
Ela tirou sua mão da dele.
— O que poderia estar me perturbando?
— Não me contou quase nada sobre sua vida real.
Porque era uma vida vazia e inútil, que não interessava a ninguém...
— Estou aqui para fugir da minha vida real, como você.
Bella afagou a égua, que resfolegou e pisou forte na areia, sentindo a tensão de quem a montava.
— Disse que seu pai a mandou para cá...
— Não foi gentileza dele? — Ela deu o sorriso estonteante que sempre usava quando queria que os homens perdessem o fio da conversa, mas ele lhe deu um olhar ameaçador.
— A menos que queira terminar deitada na areia, não use seus truques comigo.
— Não estou usando truques — Bella mentiu, irritada por ainda ser incapaz de abalar aquele férreo autocontrole dele. Embora ele fosse lisonjeiramente atencioso quando estavam na cama, não se iludia sobre poder manipulá-lo. — Meu pai me mandou para cá por achar que eu precisava de um tempo. Por que os cavalos parecem não se incomodar com o calor e a areia?
A não ser por um olhar demorado, ele aceitou a mudança de assunto sem reclamar.
— O cavalo árabe foi criado para lidar com a realidade de seu ambiente. Os beduínos foram os primeiros protetores dos cavalos árabes.
— Então Batal tem uma boa linhagem sanguínea.
— Assim como sua égua. Para um beduíno, ela seria o animal mais valioso. Eles preferem as éguas. Eles atacavam as tribos vizinhas a cavalo e roubavam seu gado. Um garanhão podia fazer mais barulho e alertar o inimigo.
— Garota poderosa - Bella falou encantada, acariciando o pescoço da égua. — Não imaginava que Amira fosse tão valiosa. Não é de se estranhar que tenha ficado com tanta raiva quando me viu com ela no deserto. Desculpe.
— Não se desculpe. Talvez eu deva agradecer por sua atitude impulsiva naquele dia. Os seguranças dos estábulos foram descuidados. — Os olhos dele escureceram como uma ameaçadora nuvem de tempestade. — E suspeito da causa disso...
Bella o olhou, cheia de expectativa.
— E...? Não pode dizer algo assim e não terminar a frase! Por que a segurança foi displicente? Para ser sincera, achei estranho... Num minuto havia guardas, e de repente não havia mais ninguém. O lugar ficou vazio.
— Amira é o animal mais valioso que possuo.
— Se é tão valiosa, por que fica presa em um estábulo no meio do nada?
— Exatamente por ser tão valiosa. — Ele hesitou, como se decidisse se podia confiar nela ou não. — Corrida e criação de cavalos árabes são minhas paixões. Paixões lucrativas. Infelizmente, há quem inveje meu sucesso. A Copa Al-Rafid se aproxima e as tensões estão aumentando.
— Concluo que a Copa Al-Rafid seja uma corrida de cavalos.
— É uma corrida no deserto, mundialmente famosa, que vai acontecer daqui a um mês. O vencedor conquista prestígio internacional.
Bella estava intrigada.
— E Amira vai correr?
— Não, Batal vai correr. E vai vencer.
— Então, o que isso tem a ver com Amira?
— Por tradição, o vencedor leva a melhor égua do estábulo do perdedor. Se eu perder, eles vão escolher Amira.
Bella odiou a ideia de aquela linda égua ir parar nas mãos de um estranho.
— E o que vai fazer em relação a isso?
— Não pretendo perder. Mas suspeito que alguém esteja procurando métodos mais criativos para conseguir Amira. Ela é uma das éguas mais cobiçadas do mundo, mãe de três vencedores de Derby.
— Então devia contratar seguranças!
—Havia seguranças, mas claramente algo deu errado. Se você não tivesse aparecido...
— Acha que iam roubá-la? — Assustada, Bella segurou as rédeas com força. — Pobre Amira. Isso é tão horrível. Queria tê-los encontrado!
Edward respirou fundo e olhou para ela horrorizado.
— Não teria sido bom para você.
— Não teria sido bom para eles se eu soubesse que estavam roubando um cavalo!
— Você estava roubando um cavalo — Edward observou, e Bella encolheu os ombros defensivamente.
— Estava pegando emprestado. É diferente.
— Seu código de ética parece meio confuso.
— Culpa das duas semanas de retiro, que me levaram a uma vida de crime. — Bella passou a mão no pescoço de Amira. — Então a escondeu aqui no deserto para protegê-la. Mas alguém descobriu e ia roubá-la. Mas o mais simples seria garantir que Batal não vencesse a Copa Al-Rafid, não seria? Porque os dois cavalos correm risco.
— Aparentemente, sim. — O tom de Edward estava frio.
Bella apertou as rédeas e olhou por cima dos ombros, mesmo sabendo que eram as únicas pessoas ali.
— Se sabe quem são, não pode impedi-los? Mandar prendê-los ou algo assim?
— Sem provas, não, mas tenho gente trabalhando nisso.
— Podia tirá-lo da corrida.
— Não. Batal merece ganhar. Ele vai vencer. — O garanhão balançou o rabo como se concordasse.
Mas Bella ainda estava preocupada.
— Se Amira é tão valiosa, eu não deveria montá-la — ela disse com humildade, e Edward riu.
— Acha que eu deixaria que a montasse se não confiasse em suas habilidades? E tem uma ligação surpreendente com ela. Vi isso quando resgatei você no deserto. Ela não abandonou você. E você monta bem. Tem jeito para lidar com cavalos.
Toda satisfeita com o elogio, Bella deu um meio-sorriso.
— Acha mesmo?
— Acho. E é menos autocentrada quando está com animais. Para de olhar para seu reflexo em meu punhal e de se preocupar com sua aparência.
Verdade?
Surpresa com esse comentário, Bella percebeu que provavelmente era verdadeiro.
E sabia o porquê. Ele a fazia sentir-se bonita. Pela primeira vez, não precisava de espelho, pois não se sentia julgada.
— Antes de ser mandada para o internato, nunca me preocupei com minha aparência. — Era algo em que nunca pensara antes. — Passei a vida em estábulos. Com cavalos. — E ser forçada a ficar sem eles foi uma tortura.
— Tinha um cavalo quando era criança?
Bella corou ao lembrar-se do estábulo cheio de cavalos da mansão Swan.
— Bem, eu... sempre montava. Mas, ultimamente, não. — Ultimamente andava muito ocupada estragando a própria vida. — Era meu hobby quando criança. — Ela hesitou, sentindo-se um pouco mal ao se lembrar daquela época. — Eventos equestres de três dias, não sei se vocês têm aqui. Com adestramento, cross country e exibição de salto.
Devia ter contado tanto sobre si mesma? Bella olhava para Amira, desejando ter ficado de boca fechada, mas reassegurou a si mesma que Edward não sabia nada sobre seu passado. Não iria saber que ela fora selecionada para uma equipe júnior aos 16 anos. Não deveria ter visto a manchete de jornal sobre ela estragando sua grande chance.
— Esses eventos de três dias exigem uma habilidade considerável. — Ele a olhou com respeito. — Aqui, nossa paixão é a corrida de velocidade. É uma tradição de séculos.
— Numa pista?
— Temos uma pista de corrida famosa em Al-Rafid, mas a Copa Al-Rafid é no deserto.
— Não é muito duro para os cavalos?
— É uma corrida curta, e acontece de manhã cedo, quando está mais fresco.
— Mas, se alguém quer mesmo roubar Amira, como vai mantê-la segura?
— Está a salvo aqui conosco.
Conosco.
Bella se perguntou se ele se dava conta do que havia dito. De algum modo, eles se tornaram uma dupla nos últimos dias. Indivisíveis.
Voltou a se concentrar na crina da égua, aterrorizada com o que sentia. Aquele homem não era para ela e aquela vida não era real, então por que estava desejando ficar no deserto para sempre?
Transtornada com esse pensamento, olhou para o garanhão, que parecia desesperado para poder correr de novo.
— Ele é tão lindo que fico surpresa de não quererem roubá-lo também.
— Batal é conhecido por seu temperamento instável. Ninguém com um pouco de amor à própria pele roubaria esse cavalo.
— Eu o acho gentil.
— Com você ele se comporta surpreendentemente bem. — Edward deu um leve sorriso. — É um elogio. Batal não é bom com pessoas. Se fosse gente, já teria sido mandado para uma terapia para controlar sua raiva.
— Acho que está amuado por Amira quase tê-lo vencido na corrida. — Bella viu o garanhão mexer as orelhas. — Está com medo de perder para uma mulher, Batal? Igual ao seu dono. E por isso que o deixei vencer no lago. Para proteger seu ego masculino.
— Meu ego não precisa de proteção — Edward falou. Bella estreitou os olhos e se ajeitou na sela.
— Vamos competir de novo. Nada de favores. Dessa vez, é sério.
— É incapaz de competir honestamente. Posso garantir que, quando eu for começar, vai tirar a roupa ou sorrir para mim.
Bella gargalhou.
— Sou tão má assim?
— É a mulher mais irritante e sedutora que já conheci.
Ela ficou tocada. Não eram palavras de afeto, mas ouvir que era sedutora era melhor do que nada.
Desconcertada, ela mudou de assunto.
— Não devíamos avisar ao pessoal do estábulo que Amira está a salvo com você? Vão pensar que ela foi roubada.
— Sabem que ela está comigo.
— Como podem saber? Ela tem GPS?
— Usei o telefone.
Bella franziu a testa com ar confuso.
— Mas me disse que não estava com telefone!
— Não. Eu disse que não chamaria ninguém para levá-la até a cidade — ele argumentou, de maneira tipicamente masculina. — Infelizmente, minha posição não permite que eu fique completamente isolado. O telefone é para emergências.
— Sua égua era uma emergência?
— É um animal valioso. Se eu não os contatasse, formariam um grupo de busca, e muitas pessoas seriam incomodadas... — Ele hesitou. — E também procurar por você. E isso os traria até mim.
— Então ninguém sabe onde está exatamente.
— Não, mas podem me contatar em uma emergência.
— Não conseguem resolver isso sem você?
— Espero que sim. — Calmo e despreocupado, ele conduziu o cavalo para a direita, desviando de um possível perigo do solo. — Meu irmão está no comando...
— Já sei... Ele sempre o invejou por ser o mais velho... — Bella inventou. — E, enquanto está longe, ele está tentando derrubá-lo. Talvez seja ele quem queira que Batal perca a corrida.
Edward fez uma expressão divertida.
— Meu irmão fica aliviado por toda a responsabilidade recair sobre mim. Ele é um jovem sensível e pacato, sem muita autoconfiança. E é responsável pelos estábulos.
— Sensível e sem autoconfiança? E é seu parente? — Bella esfregou o pescoço de Amira e sorriu. — Vocês dois estão claramente em extremidades opostas do conjunto genético.
— Ele é filho da segunda esposa de meu pai.
— Oh... — O sorriso dela desapareceu. — Esqueci que também teve uma madrasta má.
— Você teve uma madrasta má? Bella corou ao pensar em Suplicia e Sue.
— Não — ela respondeu. — Má, não. — Mas nenhuma das duas gostava dela. Mesmo seu pai se esforçava para olhar para ela. E agora ela entendia o porquê. Tudo ficou explicado na noite do baile Swan. — Então, ele é seu meio-irmão?
Edward fez uma careta, como se o termo o ofendesse.
— Considero Emmet como meu irmão em todos os sentidos. Bella ficou com o coração apertado ao se lembrar do que acontecera na noite do baile.
— Então não pensa na questão de serem filhos de mães diferentes?
— Crescemos juntos. Fomos criados como irmãos.
Era uma situação diferente, Bella disse a si mesma. Não havia mentiras envolvidas na família dele.
— Gosta de sua madrasta, então?
— Não queria que evitássemos esse assunto?
Ela se assustou com sua súbita mudança. Estava distante e intimidador, o próprio sheik no poder. Estava claro que as coisas na família dele não eram tão tranquilas quanto ela pensara.
— Desculpe, pensei que...
— Chega de conversar. Concordo com a sua sugestão... Vamos cavalgar. — Sem esperar por sua resposta, ele apressou seu cavalo, e a égua de Bella empinou a cabeça, excitada.
— Eu diria que ele não gostava tanto assim de sua madrasta — Bella murmurou. — O que só mostra que as famílias detêm o poder sobre muita coisa.
Ela alcançou o acampamento alguns segundos depois dele, sufocada pelo calor e com a boca seca por causa da poeira. Desmontou e levou seu cavalo até a água.
Quase imediatamente, sentiu Edward atrás dela. Suas mãos fortes fecharam-se em seus quadris, e ele tirou sua túnica e sua calça, beijando seu pescoço enquanto a despia.
— Esperei por isso a noite inteira. Vê-la no cavalo me deixou louco. Bella ofegou, um calor líquido escorria por todo seu corpo até sua pélvis. Seus joelhos fraquejaram, e ela se sentiu embaraçada por saber que não deveria desejá-lo tanto. Virou-se e o beijou com avidez, deslizando as mãos por seu tórax nu, com a boca colada à dele. Caíram sobre o tapete, ainda coberto por restos da refeição anterior, sem se dar ao trabalho de irem até a tenda.
Bella ouviu os cavalos bebendo água e o ruído de algo que caiu, perturbando a quietude do lago. De algum modo, os sons ao ar livre eram mais marcantes do que qualquer música romântica.
Nunca vou esquecer o deserto, foi seu último pensamento coerente antes de ele se unir completamente a ela.
Ela gemeu seu nome e ele segurou-lhe o rosto.
— Olhe para mim — ele pediu com a voz rouca. Bella olhou-o nos olhos e soube que nunca conhecera intimidade verdadeira até aquele momento. Nunca olhara nos olhos de um homem enquanto faziam amor, nunca sentira o que sentia agora. Era tão real.
E, ao mesmo tempo, como podia ser real, se tinham que voltar a suas vidas reais?
Como podia ser real quando ele nem sabia quem ela era?
Edward segurava o telefone via satélite, ouvindo o pânico na voz de seu irmão mais novo. Depois de tentar acalmá-lo, ele tratou de um problema de cada vez, dando instruções numa autoridade tranquila. Só hesitou quando seu irmão lhe pediu que voltasse um dia antes para casa.
A mão de Edward apertou o telefone. O fato de não querer encurtar sua viagem revelava muito sobre seu estado de espírito.
Fraqueza, pensou aborrecido, desligando e olhando para a lona da tenda. Não ter resistido a ela era sinal de fraqueza.
— Com quem falava?
Ao ouvir a voz dela, Edward virou-se com uma pontada de culpa. Ele estava de pé na abertura da tenda e sorria para ele. O fato de o sorriso dela lhe dar vontade de despi-la e levá-la para a cama só reforçou sua decisão.
— Meu irmão tinha urgência em falar comigo.
Sabia que iria magoá-la e estava surpreso em como odiaria fazê-lo.
— Algo errado? — Ela foi até ele. Estava descalça, e seus cabelos molhados revelavam que estivera no lago enquanto ele falava ao telefone. Ela o abraçou pela cintura e Edward sentiu seu corpo reagir com uma intensidade previsível. Foi tomado por um forte desejo, e segurou-lhe os braços e abaixou a cabeça para olhá-la.
Ao ver aqueles magníficos olhos castanhos, teve uma sensação de desconforto.
Teria sido assim que acontecera com seu pai?
Ele praguejou e a afastou dele, como um viciado recusando droga.
— Edward? O que foi? Por que está me olhando assim?
— Conseguiu o que queria. — Transtornado pelo desejo que o corroía, Edward pegou sua túnica e a vestiu, forçando-se a ignorar o impulso de levá-la de volta para a cama. — Vou levá-la de volta à civilização, habibiti.
Sua afirmação foi recebida em silêncio, e, quando ela falou, havia uma ponta de desespero em sua voz.
— O quê? Quando?
— Agora. — Antes que ele se entregasse ao desejo que estava ameaçando destruir seu autocontrole.
— Mas pensei que tivéssemos mais um dia. — Sua voz era de pânico, e sua mão tremia ao tirar o cabelo da frente do rosto. — É que... Você disse que seriam cinco dias.
Ela estava contando.
Edward pegou seu punhal e apertou com força seu cabo.
— Precisam de mim no palácio.
— Mas...
— Precisam de mim! — Não olhou para ela e teve vergonha de admitir até para si mesmo que sua influência sobre ele era tão grande que não ousava olhá-la para não cair em tentação.
A vida era cheia de escolhas difíceis, lembrou tristemente a si mesmo, e o importante era escolher o certo.
— Vamos voltar para a cidade antes de escurecer.
— Tão cedo? Podíamos ficar mais uma noite e partir pela manhã... — Sua voz lhe faltou, e Edward deu um passo para trás, lutando contra uma vontade enorme de tomá-la em seus braços.
— Vou preparar os cavalos. — Determinado a não fracassar nesse teste, ele se forçou a ignorar seus ombros caídos e saiu da tenda.
