Olá, voltei com mais um capítulo para vocês!

Gostei dessa barganha Isabella Belikov Cullen! E a estória escolhida é ...Prazer Liberado! Kkkkkk

Seja muito bem vinda JOKB!


Edward tamborilava os dedos na mesa, sem prestar muita atenção à interminável discussão sobre preço do petróleo e estratégias de investimentos. Suas responsabilidades nunca lhe pareceram tão árduas, nem o palácio tão sufocante.

Pela janela dava para ver a pista de corrida que mandara construir alguns anos antes. Próxima dos estábulos, oferecia instalações para treinos e era palco para corridas internacionais.

Um cavaleiro galopava sozinho pela pista, e Edward imediatamente reconheceu seu cavalo, Batal.

Batal, que fizera Sam ir para o hospital há duas semanas.

Edward visitava o jóquei diariamente, e dera ordens a Quil de que ninguém além dele montasse o cavalo.

Estava conformado com o fato de perder a corrida. E, se a corrida estava perdida, sua adorada Amira também estava.

Mas alguém, não conseguia ver quem, estava treinando Batal.

Seja lá quem fosse, cavalgava bem, conseguindo um ótimo desempenho daquele garanhão irritável, mantendo-o sob controle com uma mão leve.

— É Seth. — Seu irmão, Emmet, seguiu seu olhar. — Ele tem exercitado Batal desde o tombo de Sam.

— Mandei que ninguém o montasse além de mim.

— Você tem estado muito ocupado. E tem uma boa razão para não ir ao estábulo.

Edward sentiu os ombros tensos ao lembrar que essa razão tinha cabelos castanhos avermelhados e longas pernas. A tentação fora sua companheira constante desde sua volta do deserto. Ela o consumia pouco a pouco, desafiando seu autocontrole.

— Seth está de parabéns — disse num tom neutro. — Não sabia que ele cavalgava tão bem. Talvez a corrida não esteja perdida.

— Ele surpreendeu a todos nós. Eu nunca imaginaria isso. Já o vi montar várias vezes, e ele é competente, mas não extraordinário.

Edward levantou-se, intrigado pela súbita mudança de Emmet. Nas últimas semanas, seu irmão parecia ter ganhado autoconfiança, contribuindo para os negócios de estado como nunca contribuíra.

Edward se perguntou o que teria causado essa mudança.

Ter sido deixado no comando por um curto período lhe dera a autoconfiança necessária?

— Batal tem se comportado mal a semana inteira... — Emmet foi até a janela e observou o cavalo na pista. — Está com excesso de testosterona.

Bastante familiarizado com os efeitos adversos do excesso de testosterona, Edward deu um sorriso desanimado e se perguntou se cavalgar poderia aliviar sua tensão.

Decidindo que qualquer coisa seria melhor do que continuar no palácio, ele concluiu a reunião.

Sentia-se preso. Sufocado. O palácio lhe parecia uma prisão. Suas responsabilidades pareciam correntes prendendo seu corpo.

— Está tudo bem, Edward? — Emmet perguntou quando os outros saíram. — Parecia estar distraído. Está preocupado com a corrida?

— Está tudo bem. — Essa era sua vida. Seu dever. E percebeu que estivera jogando suas responsabilidades sobre seus irmãos e irmãs. — Não tenho visto muito Alice desde que voltei do deserto. Ela come o mais rápido possível durante o jantar, e não tenho recebido reclamações sobre seu comportamento há semanas. Devo me preocupar?

— Ela tem se esforçado para não aborrecê-lo. Essa informação ligou o radar interno de Edward.

— Por quê? O que ela quer?

Emmet riu.

— Conhece bem as mulheres.

— Infelizmente, sim. — Acostumado com os truques de sua meio-irmã, Edward preparou-se para uma lista de compras. — O que é dessa vez? Diamantes? Vestidos? Diga com delicadeza. — Virou-se para a mesa e começou a assinar os documentos que Jasper lhe deixara. — Ela está treinando direito para levar algum pobre homem à falência?

— Nem toda mulher é como minha mãe — Emmet disse calmamente, e Edward se arrependeu de ter demonstrado seus sentimentos.

Ele abaixou a caneta.

— Desculpe, Emmet.

— Não precisa se desculpar, fui eu que fiz o comentário. E não precisa mais me proteger; já sou um homem, e encarar a verdade faz parte de ser homem. Você me ensinou isso. — Emmet encolheu os ombros. — Eu amava minha mãe, mas isso não me deixou cego a seus defeitos. Agora vejo quanto problema ela causou com sua natureza extravagante. Se o povo ainda apóia nossa família é por amor a você.

Surpreso, Edward tentava encontrar a coisa certa a dizer.

— Emmet...

— Sei que ainda não se casou por causa de minha mãe. Sei que acha que nosso pai se deixou dominar por ela. Mas Alice não vai ser como minha mãe. Ela quer algo, mas não joias ou vestidos. Se conversar com ela, vai descobrir que mudou.

Mudou?

Parecia que todos em volta dele estavam mudando e ele não percebera.

Cauteloso agora, Edward parou de assinar os documentos.

— Se ela quer algo, por que não me pede ela mesma?

— Porque acha que vai dizer "não". Era tão ogro assim?

— O que ela quer?

— Seu próprio cavalo.

— Um cavalo! — Edward estava tão surpreso quanto se ela quisesse permissão para cavalgar nua pela cidade. — Alice tem pavor de cavalos. Tentei várias vezes encorajá-la a montar. Nenhum instrutor que contratei conseguiu fazê-la ficar mais de dois minutos sobre um cavalo. Ela odeia.

— Ela tem cavalgado todos os dias nas últimas semanas. Já controlou seu medo.

Estarrecido, Edward abriu as mãos em interrogação.

— Quem é o responsável por essa transformação? Quil deve ter arranjado algum jóquei bonitão.

— Bella — Emmet disse. — Ela passou bastante tempo com Alice, ensinando-a. E ela é tão corajosa e bonita... Tem sido uma inspiração para minha irmã. Alice quer cavalgar como ela, e...

— Bella? Bella Swan? — Irritado que o mero som daquele nome pudesse iniciar um incêndio dentro dele, Edward deu um grunhido de impaciência. — Então ela evita o trabalho passando seu tempo com a princesa. Eu devia ter adivinhado que ela faria qualquer coisa para evitar trabalho duro.

— Está enganado. Bella trabalha mais duro do que todos. Ela ajuda Alice quando termina o trabalho. Elas criaram uma ligação.

Edward nunca vira tanta força em seu irmão.

— O que Bella poderia ensinar de bom a Alice? — Sua irritação fez sua voz soar mais fria do que pretendia. — Como usar sua aparência para manipular os homens? Como ignorar dever e responsabilidade?

Como ser exatamente como sua madrasta?

— Ela demonstrou ter muita responsabilidade. É só ela quem cuida de Amira e Batal. Sabia que ela dorme no estábulo de Amira por medo de que a roubem? Quil tentou convencê-la a voltar para o quarto, mas ela se recusa.

Edward espantou da cabeça a imagem de Bella dormindo sobre um monte de feno.

— Quil devia ter me contado que está tendo problemas com ela.

— Quil adora ela. Bella virou a favorita de todos, especialmente dos rapazes do estábulo. Todos gostam dela.

Edward trincou os dentes ao imaginar que qualidades levaram a esse fenômeno de aprovação pela equipe do palácio. Ele sabia melhor do que ninguém o quão longe ela podia ir para conseguir o que queria.

— Claramente, Bella Swan é mais talentosa do que eu pensava.

— Oh, sim — Emmet confirmou, sem perceber sua ironia. — Ela deu umas sugestões de treinamento que fizeram muita diferença. E é a única em que Batal não dá coices.

Edward resolveu fazer uma visita ao estábulo para vê-la colocar seu charme em ação.

— E onde Alice entra nisso? — Ele pegou um dos papéis e o amassou em uma bola apertada. — Por que nunca mencionaram sua amizade com Alice?

— Por causa do modo como está reagindo! Mencionar o nome de Bella é garantia de deixá-lo de mau humor. É como se não fosse você. Nunca o vi perder a calma antes... — Emmet corou. — Suponho que seja por ter passado um tempo no deserto com ela. Deve ter sido uma situação difícil para você.

Edward, que se considerava impenetrável, estava estupefato por descobrir que revelara tanto.

— O que quer dizer com "difícil"?

— Está claro que você e ela não se entendem, mas você é muito responsável para deixar que voltasse sozinha pelo deserto, então estava preso ali com ela. E sei que ela não faz o teu tipo. Ela não é muito convencional, é?

— Convencional? Com certeza, não.

— E, salvando Bella, perdeu seus poucos dias de solidão. Todos sabemos que preferia ficar sozinho...

Ouvindo a interpretação de seu irmão sobre os acontecimentos num silêncio incrédulo, Edward decidiu que era melhor não se aprofundarem nesse tópico em particular.

Emmet ainda estava falando.

— Honestamente, Edward, ela ajudou muito no treinamento de Batal. Antes de ele derrubar Sam, ela lhe ensinara algo chamado volteio, que melhora o equilíbrio do cavalo. Bella acha que acalmá-lo poderá ajudá-lo a vencer a Copa.

— Se acharmos um cavaleiro que consiga ficar na sela, Batal vai vencer a Copa.

Edward encaminhou-se para a porta, sentindo os ombros tensos.

— Bella diz que isso desenvolve seu envolvimento e poder.

— Bella diz, Bella diz... — Edward virou-se irritado para seu irmão. — O que qualifica Bella Swan a mudar o treinamento de meus cavalos?

— Ela sabe muito sobre cavalos! Sabia que foi selecionada para a Equipe Britânica de Eventos aos 16 anos?

Não, ela nunca mencionara isso.

— Ela ganhou alguma medalha?

— Não, porque houve um escândalo e ela acabou sendo desligada da equipe.

Isso, sim, se parece com a Bella.

— É tão duro com ela! — Emmet a defendeu. — Ela teve uma vida difícil... — Ele se calou, como se tivesse falado demais.

— O que sabe sobre a vida dela?

— Bastante coisa. Ela conversa muito nos estábulos. Tem os pés no chão e é uma pessoa normal. — E inteligente, Edward pensou, contrariado.

— Está encantado por seus cabelos e olhos, Emmet. Não deixe que isso o cegue para o que ela realmente é.

— Talvez você esteja cego para quem ela é — Emmet disse calmamente. — É uma garota doce e gentil.

Edward o estudou com atenção, se perguntando o porquê de Emmet subitamente estar mais maduro. Passara de garoto a homem num espaço de poucas semanas. Um calafrio percorreu o corpo de Edward ao refletir sobre uma possível explicação para isso.

Não.

— Até onde vai sua relação com ela?

Emmet encolheu os ombros.

— Isso não é da sua conta.

— Responda a minha pergunta.

— Ela não está interessada em mim, mas, se estivesse... — Emmet parou de falar, e Edward fez um muxoxo de impaciência, tomado por emoções que não se deu ao trabalho de examinar de perto.

— Não poderia encontrar mulher menos apropriada. Ela é audaciosa, franca, destemida... — Ao ver a expressão espantada de Emmet, Edward percebeu que só listara suas qualidades. — E emotiva. Lidar com Bella é como lidar com uma criança: Ela não conhece limites. Não sabe se comportar.

— É isso que acho reconfortante. — Emmet foi sincero. — Um dos inconvenientes de nossa posição é que as pessoas têm medo de serem elas mesmas conosco, não acha, Edward? Bella é sempre ela mesma. Ela diz o que pensa. Não tem medo de desafiar a autoridade se discorda de algo.

Ao lembrar-se de todos os modos em que ela desafiara sua autoridade, Edward resmungou baixo.

— Chega de falar sobre Bella Swan!

Era hora de fazer uma visita aos estábulos.

Com os braços e as pernas doídos de mais um longo dia, Bella desabou sobre a esteira enfileirada com o box de Amira. A égua baixou a cabeça e arfou suavemente, e Bella deu um gemido e fechou os olhos.

— Estou morta de cansaço. É cavalgar o bruto do Batal que me deixa assim. Ele é puro músculo. E fico tão preocupada que me reconheçam que não relaxo. Toda vez em que o monto, Seth tem que se esconder. É ridículo não poder montar como eu mesma. Vou ficar feliz quando essa corrida estúpida terminar. Só estou fazendo isso por você. Sabe disso, não sabe?

Claramente alheia ao sacrifício enorme dedicado a ela, Amira começou a comer feno, e Bella deu um sorriso sonolento.

— Mal agradecida.

Estava adormecendo quando ouviu passos no pátio lá fora.

Bella ficou em alerta, com o coração disparado e as palmas da mão suadas. Procurou um bastão pesado que escondera no meio do feno por precaução, e o pegou.

Tinham vindo pegar Amira.

Onde estavam os guardas que Edward colocara no pátio?

Então lembrou que os guardas dos estábulos próximos ao retiro tinham sido pagos para sumir no momento crucial.

Amira continuou a comer, e Bella levantou-se devagar, prendendo a respiração, preocupada em não fazer barulho. Olhou para aquela égua linda, que significava tanto para o povo de Al-Rafid, e sentiu o peso da responsabilidade.

Mais uma vez, ela era o único obstáculo entre Amira e eles.

Da última vez, não sabia do risco que corria. Agora sabia, e estava consciente de que não conseguiria enfrentar um grupo de criminosos.

Lembrando-se de que tinha o elemento surpresa a seu favor, decidiu que tinha que agir rápido, sem hesitar.

Se alguém fosse fazer mal ao cavalo de Edward, teria que se ver com ela.

Observou aterrorizada um homem forte abrir a porta do estábulo.

Com o coração disparado, Bella levantou o bastão com as duas mãos, inclinando-o de modo a atingir o homem, e não o cavalo.

Na penumbra, conseguiu ver que ele era alto e forte, e ficou mais tensa, pois suas chances de defender Amira enfrentando alguém tão musculoso eram remotas. Mudou rapidamente seu plano. Quando ele esticou a mão até o cavalo, Bella deu um berro.

— Afaste-se dela... devagar. Sei exatamente que que quer, e tenho uma arma apontada para você. Afaste-se devagar ou eu atiro.

— Se sabe quem eu sou e o que quero, por que precisaria de uma arma? E é difícil atirar em alguém com um bastão.

Ao reconhecer o tom irônico de Edward, Bella ficou com as pernas bambas de alívio. Ela largou o bastão e desabou contra a parede.

— Oh, é você! — Botou a mão no peito, sentindo o coração aos pulos. — Quase me matou de susto!

— É por isso que segurava um bastão? — Ele virou a lanterna para ela, que virou a cabeça, ofuscada pela luz.

— Pensei que queriam roubar Amira. — Escorregou até a esteira, vacilante como um potro recém-nascido. — O que faz aqui? Queria me fazer enfartar e acabar comigo de uma vez por todas? — Depois que seus olhos se habituaram à luz, ela se perguntou como não o reconhecera imediatamente, quando cada contorno de seu corpo estava gravado em seu cérebro.

— Ouvi dizer que estava dormindo no estábulo.

— Por que isso o incomodaria?

A socialite Bella Swan dormindo em meio ao feno, sem banho quente?

— Fiquei quatro dias numa tenda com você — ela rebateu, com o corpo ainda trêmulo. — Não foi exatamente uma experiência "cinco estrelas". Onde estão os guardas?

— Obviamente sabem que não devem prender o sheik.

— Pensei que tivessem sido subornados, como da última vez.

— Os guardas de Al-Rafid são totalmente leais a mim. Não podem ser subornados. Do que se trata tudo isso, Bella? — Seu tom era duro e frio. — Acordando cedo todo dia e trabalhando até as mãos sangrarem? Dormindo com minha égua? Parece que seduziu a todos, inclusive meu irmão. Que brincadeira é essa?

Desconcertada com seu tom agressivo e com a injustiça do que dizia, Bella o encarou.

— Estou trabalhando, não brincando. Trabalho 14 horas por dia e depois durmo aqui. Acha que estou fazendo sexo com todo mundo dos estábulos, é isso? —Ainda transtornada por pensar que alguém ia roubar Amira, sua voz estava esganiçada. — Acha que o único modo de alguém dizer algo de bom sobre mim é tendo dormido comigo?

Antes que ela conseguisse se mexer, ele passou para o outro lado do estábulo, segurou-a e pressionou seu corpo contra a parede.

— Quero saber até onde foi com meu irmão. Emmet é muito jovem e não tem experiência com mulheres como você.

Exausta, abalada por vê-lo de novo e machucada por sua opinião sobre ela, Bella explodiu.

— Será que nunca posso ganhar? Tenho dado duro para que ninguém possa reclamar de mim! Não me resta uma unha decente, não lavo os cabelos há uma semana e estou cheia de hematomas de... — Estava prestes a dizer seu garanhão, mas parou a tempo. — Sinceramente, eu não teria energia para fazer sexo mesmo que tivesse oportunidade, então pode levar seu ciúme para outro lugar!

Não estou com ciúme. — Ele apertou-lhe os ombros. — E sua conduta é problema seu.

— Então, por que está com tanta raiva? Se não liga, por que está gritando comigo?

— Porque Emmet não é capaz de enfrentar uma mulher como você.

— Emmet consegue enfrentar mais coisas do que pensa. — Ela se lembrou de todas as conversas que tivera com o príncipe. — Ele quer mais responsabilidade, Edward, mas o problema é que você é tão brilhante em tudo que ele se sente intimidado! Precisa elogiá-lo, fazê-lo se sentir bem! Nem todo mundo é seguro como você. Receber responsabilidades ajuda a dar autoconfiança.

— O que sabe sobre responsabilidade?

Foi uma pergunta sensata, mas Bella estava muito tensa para ser razoável.

— Eu sei como é nunca ter recebido nenhuma! Seus irmãos não são mais crianças. Aceite uma dica... Se acha que alguém vai falhar, então provavelmente vai mesmo. Por que não experimenta confiar nas pessoas e ver o que acontece? Pode começar por mim! Tenho me esforçado para não errar, e você nunca se incomodou em vir dizer que estou indo bem. Disse que eu ficaria um dia, e estou aqui há um mês, então enfie isso no seu... no seu... chá beduíno e beba.

Ele a soltou tão de repente que ela cambaleou, e Bella esfregou os braços, não porque ele a machucara, e, sim, porque era incrivelmente bom senti-lo segurando-a depois de tantas semanas. Estivera em um tipo diferente de deserto, ela pensou. Um deserto árido sem Edward.

— Parece saber muito sobre minha família. Precisa me contar quem andou fofocando sobre Emmet.

— Ninguém andou fofocando! Falei com ele em pessoa. Acredite ou não, temos muito em comum! Sei o que é ter uma mãe esbanjadora. E conheço a sensação de, ouvir todos criticarem a pessoa que me ensinaram a amar.

Amira se remexeu inquieta e Edward pôs a mão nela para acalmá-la.

— Nossa situação familiar é extremamente complicada...

—Não me fale de complicação!— De repente, todas as emoções que ela controlava vieram à tona, recusando-se a serem contidas. — Há seis semanas atrás, descobri que minha irmã mais nova, a irmã com quem vivi toda minha vida e com quem brincava, não é filha de meu pai, e que minha mãe não era a santa que eu pensava. Meu pai me odeia, o mundo inteiro me odeia, minhas irmãs mais novas me odeiam e até minha irmã gêmea me virou as costas, então não me fale de complicação!

Droga, droga, droga. .

Por que não conseguia ficar calma? Por que não conseguia se controlar quando era preciso?

Sua explosão foi recebida com um longo silêncio, e então ele passou os dedos pelos cabelos. O autocontrole dele estava visivelmente sendo desafiado.

— É tão emotiva. Duvido que seu pai a odeie. E talvez sua irmã não tenha lhe virado as costas, mas só não tenha conseguido entrar em contato. Você estava isolada no deserto. E a opinião do resto do mundo não importa.

— Experimente ver seu rosto em todos os jornais antes de dizer isso. — Bella fungou indignada e enxugou os olhos na camisa, furiosa consigo mesma por estar chorando. — Talvez meu pai não me odeie, mas com certeza não aguenta me olhar porque o faço lembrar minha mãe, e isso dói, posso garantir.

— Sua mãe morreu quando você era bebê.

— Sim... — Sua voz saiu rouca e Bella pigarreou. — Tudo o que tinha era uma lembrança, que agora não é muito boa.

— Sua mãe deve ter sido extremamente bonita, e isso sempre traz complicações — Edward disse, e Bella desejou não estar tão sensível em relação a tudo que ele dizia ou fazia.

— Bem, sua beleza não lhe trouxe felicidade. E isso porque foi burra o bastante para se casar com um homem que não amava.

— Como a maioria das mulheres, você insiste em associar casamento a romance.

— E com razão! — Bella foi até Amira e enfiou o rosto em seu pescoço para se reconfortar. Estava com raiva de seu pai, de sua mãe e de si própria.

— Meu pai achou que ela o amava, mas ela só queria o sobrenome Swan e o dinheiro. Quando não se gosta de uma pessoa, não se deve casar com ela. —Ainda com a mão em Amira, Bella virou-se para ele. — É inevitável, não é? Casar-se com alguém que não ama. Em algum momento, vai encontrar alguém que você ame. Que o faça sentir algo que não sabia que era possível sentir. E vai perceber que sentimento é mais importante do que dinheiro ou status. E não vai importar a relação não ser possível ou você estar comprometido, pois, quando se descobre que está amando, existem basicamente duas opções. Ou vai em frente e destrói várias vidas pelo caminho, ou decide ficar e fazer "a coisa certa", deixando sua vida infeliz, e a de todos em volta, por saber que perdeu sua única chance de ser feliz. Então, de qualquer jeito, um casamento sem amor significa que vai ser infeliz.

Edward não disse nada, e Bella voltou-se para a égua. — O engraçado é que não havia dinheiro algum. —A voz dela foi abafada no pelo macio do animal. — Tinha acabado. E consegui-lo de volta tornou-se uma obsessão para meu pai. E minha mãe odiava essa obsessão. Odiava tudo que fosse Swan. Então, teve um caso. E morreu dando à luz uma criança, minha irmã Rennesme. Por causa dela arranjei confusão antes de vir para cá. — Chorando, Bella acariciava Amira, pouco ligando se fazia papel de boba. —Acredita em justiça, Edward? Foi por isso que ela morreu?

— Está chorando por sua mãe ou sua irmã? — Mãos fortes a afastaram da égua. — Está se torturando... — Sem deixar que ela resistisse, a envolveu em seus braços e lhe deu um abraço apertado. Era tão bom ser pega daquele jeito que ela se deixou ficar, sentindo seu cheiro masculino, deleitando-se na sensação de ficar próxima dele de novo.

Mas não era real, era?

Até ela começar a chorar ele não a tocara. Não era íntimo.

Era hora de aprender a ficar de pé sozinha.

— Solte-me, Edward — ela murmurou. — Sei que odeia mulheres chorando. Alice me disse.

— Isso é porque Alice tenta conseguir o que quer com lágrimas. — Edward afastou seu rosto do dela, forçando-a a olhá-lo. — É por isso que estava no retiro? Fugindo do escândalo?

Ficou horrorizada por ele obviamente ter lido o que escreveram sobre ela.

— Que manchete preferiu? Sangue azul fica ruim? Filha ilegítima descoberta em Swan? Os títulos estavam gravados em seu cérebro, e ela ficou envergonhada ao se lembrar das coisas grosseiras que disseram. — Família Swan em ruínas foi bem doce.

— Pare de fingir que não liga.

— Eu não deveria ligar. Passei por isso a vida inteira. Tenho sido a "gêmea malvada" desde que fui para internato. Cheguei a viver de acordo com o apelido que a imprensa me deu.

Ele deu um sorriso debochado.

— Funcionou?

— O quê?

— O esforço para chamar atenção.

— Não. Para conseguir atenção, tem que haver alguém por perto para dar atenção. — Bella fungou. — Minha mãe morreu, minha primeira madrasta me mandou para o internato e deixou que eu me virasse sozinha. E, há dois meses atrás... minha segunda madrasta, Sue, morreu. Não passei muito tempo com ela, mas era uma boa pessoa. E não merecia meu pai. É bem difícil ser virtuoso em nossa família, com ele como exemplo. E também é difícil ouvir alguém como ele dizendo para que eu me corrija.

Ela tentou se afastar, mas Edward a segurava firme, olhando-a nos olhos enquanto lhe arrancava a verdade.

— Quer dizer que ele a mandou sozinha para o retiro logo após ter descoberto que sua irmã era filha de outro homem e que sua mãe teve um caso?

— Era para que eu pensasse em meu comportamento e me lembrasse da regra Swan. Dignidade... — ela imitou a voz do pai. — Um Swan nunca deve desonrar seu sobrenome através de uma conduta indecorosa, atividade criminal ou atitude desrespeitosa com os outros.

— Era para você seguir essa regra?

— Até roubar Amira, nunca havia cometido nenhum crime, mas acho que fiz todo o resto. Rendi uma fortuna aos jornais.

— Seu pai errou em mandá-la embora sem nenhum apoio.

Os olhos de Bella arderam, mas ela sentiu uma pontada de culpa.

— A culpa foi minha. Eu me comportei horrivelmente. Edward pôs as mãos sobre seus ombros e ela sentiu um arrepio. Era muito bom ser tocada por ele. Tão bom...

— Foi à tarde, antes de o baile começar... — Preparando-se para a rejeição dele, Bella se afastou, limpando as lágrimas do rosto. — Meu pai promove esse baile de caridade todo ano. Sabe como é... brilho e glamour. Angela e eu estávamos remexendo nas coisas da mamãe. Caixas de livros, joias, vestidos de baile... E encontrei um diário. — Ela tirou um pano do bolso e assoou o nariz. Quem diria que ele é capaz de ser tão bom ouvinte?— Fomos estúpidas por ler o diário.

— Foi assim que descobriu que sua mãe tinha um caso?

— Sim. E tudo passou a fazer sentido. Sempre tive orgulho de parecer com minha mãe. Era como se fosse uma ligação especial entre nós, como se, quando eu me olhasse no espelho, visse um pouco dela. — Bella brincava com um cacho de cabelo. — Mas, de repente, descobri por que meu pai mal me olhava. Toda vez que me olhava, se lembrava da traição dela.

Edward respirou fundo.

— Bella...

— Claro que não foi agradável descobrir aquilo tudo. Eu queria manter segredo, não contar para ninguém, especialmente para Rennesme. Achei que seria horrível ela descobrir isso sobre si mesma. — Ela colocou o pano no bolso. — Por que mexer em coisas que ninguém quer ouvir?

— Mas sua irmã não concordou?

— Angela tem que fazer tudo "certinho", mesmo que a coisa certa vá causar um massacre. Você se daria bem com ela. É boa em dever e responsabilidade. Desnecessário dizer que não somos idênticas. De qualquer modo, tivemos uma discussão horrível. Angela queria que contássemos a verdade para Rennesme. Eu argumentei que, se contássemos à Rennesme, todos saberiam. Nossa mãe havia mantido tudo em segredo, eu não sabia se tínhamos o direito de contar tudo. Não tem ideia da confusão que foi. Angela disse que eu era como nossa mãe... — Sua voz ficou presa ao se lembrar do quanto essa acusação a magoou. — E eu dei um tapa nela.

— Bateu em sua irmã?

— Horrível, não é? Sinto vergonha por isso. Queria ligar para ela, mas não sei se falaria comigo.

— Você estava com raiva, Bella...

— Isso não é desculpa. Arruinei tudo. E o pior é que uns paparazzi conseguiram entrar na festa e estavam do lado de fora da porta, então, no dia seguinte, estava em todos os jornais. E foi assim que Rennesme descobriu.

A culpa a dilacerava, e suas mãos tremiam ao abordar um assunto que evitava há semanas.

— Eu não queria que ela soubesse, e no final das contas ela descobriu da pior maneira possível. Por minha causa. Nunca vou me perdoar por isso.

— Não foi culpa sua a imprensa ter entrado na festa...

Foi culpa minha. Sei melhor do que ninguém como a imprensa é. Eles me perseguem desde criança. Devia ter sido mais cautelosa, mas, não. Para mim, é impossível não dizer o que sinto, e lhes dei o que queriam. As fotos e a história. E foi a história da década. Meu pai achou que fiz de propósito para chamar atenção. Foi por isso que me expulsou.

— Já ocorreu a você que seu pai pode tê-la mandado para o retiro para protegê-la?

Bella deu uma risada amarga.

— Não. Ele me mandou para lá para me punir. Sabia que ficar sozinha com minha culpa seria o pior castigo. Se tivesse ficado em casa, teria ido a festas, bebido, tentado esquecer. Ele me colocou numa posição em que não teria escolha a não ser pensar no que fiz. E mereci isso.

— É extremamente dura consigo mesma. Estava em uma situação que não era fácil para ninguém.

— Para Angela era preto no branco.

— A vida nunca é preto no branco.

— Pelo menos não no deserto, onde tudo é vermelho e dourado. — Tentando amenizar a tensão, Bella enxugou o rosto com a mão. — O mais engraçado é que aprendi a gostar daqui. Não tem imprensa e ninguém fica me incomodando para comparecer a festas para que consigam aparecer nos jornais. — Ela corou. — Parece convencimento, mas é o que as pessoas fazem, me convidam aos lugares porque sabem que a imprensa vai atrás de mim.

— E nunca sabe quem são seus amigos de verdade.

—Acho que conhece a sensação. — Olhou para sua calça de montaria suja de lama. Não precisava de espelho para saber que devia estar horrível. — Entende como é bom poder limpar um cavalo e aparecer toda suada sem ter que me preocupar se vou estar nas primeiras páginas no dia seguinte?

— Não gosta de estar nas primeiras páginas?

— Por um tempo, gostei — Bella admitiu, sentindo seu rosto ficar vermelho. — No começo, eu gostava da atenção. Achava que todos gostavam de mim. E depois percebi que não gostavam. — Ela deu um sorriso torto, pois era difícil ser honesta consigo mesma, pior ainda com ele. — Eles gostavam de me ver errar. Bella Malvada. Mas aqui não sou Bella Malvada. Não estou corrompendo seu irmão, sua irmã, nem ninguém de sua equipe, embora não culpe você por pensar isso...

— Emmet está meio apaixonado por você.

— Só meio? — Bella sorriu, entre lágrimas. — Devo estar perdendo o jeito. Talvez precise lavar mais meus cabelos.

De repente, ela não se conteve mais. Ele era tão atraente, poderoso e confiante, que inclinou-se em direção a ele.

Sou como uma plantinha frágil tentando me enroscar em uma estaca forte.

Dominada pelo desejo, ela estendeu a mão, atraída para ele por uma força invisível e por sentimentos tão intensos que se sentia vencida. Nada importava, a não ser ficar próxima dele.

— Senti muita falta de você.

Ele se enrijeceu, e sua falta de reação foi a coisa mais humilhante que já lhe acontecera.

Ciente de que nunca fizera tanto papel de boba, Bella virou o rosto. Seu rosto queimava de humilhação, e quis se esconder no meio do feno.

Ela afastou a mão.

— Como eu ia dizendo... — ela balbuciou. — Senti muito sua falta porque queria contar como estou me saindo bem. Vai ficar orgulhoso de mim, tenho ajudado no treino de Batal para a corrida, e... — Mais uma vez, quase falou que estava treinando Batal, mas achou que ele poderia ter um colapso se ela contasse, então pulou essa parte.

— Ele vai se sair bem, sei que vai.

Teve esperança de que ele achasse que entendera mal seu primeiro comentário, e pareceu ser esse o caso, pois ele relaxou um pouco.

— Fiquei surpreso de Seth conseguir controlá-lo.

— Oh, Seth é um ótimo cavaleiro. Tudo vai ficar bem. — Ela ainda não tinha pensando em quem montaria Batal na corrida. — É daqui a uma semana. Vai ser estranho quando terminar, todos só falam disso.

Ele não a desejava, ela pensou mortificada. O único homem que ela realmente queria a rejeitara.

— É um evento importante de nosso calendário. — Edward afagou Amira. — Já falou com seu pai depois que veio para cá?

— Não. Estive muito ocupada. — Não confessou que tinha medo de telefonar para qualquer um de sua família e ser rejeitada.

Caíra em desgraça, não é?

— O que aconteceu com o seu anseio por seu laptop, seu telefone e seu iPodl

Bella bateu no bolso.

— O iPod está aqui. Ouço música enquanto trato dos cavalos. Amira gosta de Linkin Park e de Muse. Música barulhenta enlouquece Batal, então prefiro escutar Mozart quando estou com ele. Às vezes, Schubert.

Ele lhe deu um olhar curioso.

— Então, Bella Swan está começando uma vida nova.

— É o que tudo indica.

Precisava vencer a corrida, disse a si mesma. Não havia mais ninguém para montar Batal. Precisava encontrar um jeito. Pela primeira vez na vida, não iria decepcionar ninguém.