Mais um capítulo saindo!

Às novas leitoras: Patylayne,Elyon, twilight28 e Mila...Sejam muito bem vindas !

E às leitoras que acompanharam a estória desde o início: Mandy Hevely, Isabella Belikov Cullen,gimoura...Um muito obrigada !

Se eu esqueci alguém pode puxar a minha orelha ok ?!


— Bella, não pode montar Batal na corrida! É muito perigoso!

Os jóqueis a rodeavam num canto do celeiro, contrariados com seu plano.

— Têm uma sugestão melhor? — Bella estava calçando as botas e tentava não pensar em Edward. Ouvira dizer que ele tinha ido passar dois dias na Europa para encontrar uma princesa "adequada", e Bella nunca sofrera tanto. — Tenho o mesmo peso de Seth. Todos pensam que Seth tem treinado Batal, não têm motivo para desconfiar que sou eu.

— Vão notar assim que for receber o prêmio.

— Pensei nisso. — Bella enfiou a camisa para dentro da calça. — Batal não vai querer parar quando a corrida terminar. Vou mantê-lo galopando. Ele sempre tenta fazer isso, ninguém vai imaginar que seja intencional, vão pensar que está sendo temperamental como sempre é. Vou deixar que vá até os estábulos. Seth, você vai ficar esperando lá; assim, quando todos chegarem, você vai estar segurando-o, contrariado por não ter conseguido levá-lo de volta e irritado por ter perdido os aplausos e a atenção.

Tayler, um jóquei que viera da Irlanda para trabalhar nos estábulos mundialmente conhecidos do sheik, revirou os olhos.

— Não gosto disso. Nenhum de nós acha que a queda de Sam foi um acidente. Algo assustou Batal. E se tentarem fazer o mesmo com você?

— Não podem fazer muito diante do público, podem? Não com o sheik olhando. Será que ele estaria com sua princesa? Ignorando a súbita pontada de dor em seu peito, Bella enfiou o chapéu na cabeça. — Vocês vão na frente. Vou aparecer no último instante, assim ninguém vai poder me olhar direito. Digam a todos que Batal estava agitado e que não confiamos em deixá-lo muito tempo perto dos outros cavalos. Vou aparecer uns 30 segundos antes da corrida começar, pronta para vencer.

— Vamos torcer para que não caia antes de alcançar a linha de chegada — Seth disse secamente, mas seus olhos demonstravam respeito. — Espero que não se machuque, Bella.

Já estava tão machucada que parecia ter sido arrastada por um cavalo pelo deserto. Pensar em Edward sorrindo para outra a enchia de dor...

— Oh, pelo amor de Deus! — Irritada consigo mesma, Bella olhou para seu relógio. —Estão me deixando nervosa. Quanto tempo tenho?

— Todos já foram para a linha de largada. Tem certeza de que sabe o percurso?

— Galopo direto até o marcador, então viro e volto.

— E...

— E tenho que chegar em primeiro, ou o sheik Edward perde sua égua favorita. Sei disso. — E tanta pressão estava acabando com ela. Tudo dependia dela, e tal responsabilidade a fazia tremer por dentro.

E se decepcionasse a todos? Era o que sempre fazia, não era? Quando era realmente importante, arruinava tudo. E se Batal perdesse por causa dela? E se caísse antes da linha de chegada?

Tayler deu um apertozinho em seu ombro.

— Apenas monte. Sem olhar para os lados.

E sem pensar em Edward, Bella disse a si mesma. Sua coragem diminuiu ao vê-los saírem.

Agora eram só ela e o cavalo, e Seth andando para lá e para cá, pronto para ajudá-la a montar no poderoso animal. O fato de Batal estar num humor ruim não ajudava muito. Ele batia as patas no chão, mostrava o branco dos olhos e tentava morder quem se aproximasse.

— Oh, controle-se — Bella lhe disse com cansaço. — Não tem motivo para ficar tenso. Pode ganhar essa corrida com as patas amarradas. Só não deixe ninguém assustá-lo. Você é o maioral, certo?

Seth lhe ajudou a subir na sela e depois recuou para uma distância segura.

— Está pronta?

— Como nunca. — Bella sentiu os músculos do garanhão retesarem-se sob ela, como se fosse uma mola encolhida pronta para saltar. Ela sentia um frio na barriga. — Queria um cinto de segurança. Se me derrubar, vamos perder Amira — ela lembrou ao cavalo e depois fez cara feia para Seth. — Vá se esconder atrás de um monte de feno. É você quem está montando, lembra?

— Al-Rafid inteira está em suas mãos, Bella — Seth disse com a voz rouca, e Bella revirou os olhos.

— Não me pressione, então. — Ela se esticou quando o cavalo empinou dando patadas no ar. —Aqui vamos nós. Hora do show.

Mas, quando o garanhão pisou no chão, ela o fez seguir em frente, e ele soube que precisava continuar a fazer aquilo. Era como se ele soubesse o que estava para acontecer e só quisesse prosseguir.

Conduziu-o pelo caminho que levava diretamente dos estábulos até o deserto. Antes de alcançar a linha de largada já ouvia o alarido da multidão.

— Isso vai deixá-lo agitado?

Mas Batal estava se comportando bem, com as orelhas se mexendo para frente e para trás como um radar, ouvindo as aclamações.

— Seu exibicionista. — Bella amarrou o lenço no rosto, torcendo para que ele não caísse, ou seria seu fim.

Tayler segurou as rédeas para conduzi-la à linha de partida.

— O sheik já estava achando que você não viria. Eu disse que não queríamos que Batal ficasse em público mais tempo do que o necessário. Oh, não... — Ele empalideceu. — Bella, ele está vindo lhe desejar boa sorte! Se chegar muito perto, vai ver que não é Seth.

— Faça ele parar — Bella disse, virando Batal em direção à linha de largada. — Diga que estou com as mãos ocupadas, ou que não quero provocar a sorte. Diga qualquer coisa, mas não o deixa se aproximar. Quanto tempo falta para começar?

—Um minuto.

Foi o minuto mais longo de sua vida.

Enquanto Tayler correu para deter Edward, Bella impeliu o garanhão na direção da corda, com as mãos trêmulas. Batal jogou a cabeça para cima e relinchou, como se dissesse: "Quem colocou essa idiota em cima de mim? ". E Bella riu debilmente, pois começava a concordar. Então, viu o olhar maldoso de um dos jóqueis e sua boca ficou seca. Encrenca, ela pensou, mas não ousou falar ou fazer qualquer coisa que a revelasse como mulher. Sua única opção era manter a boca fechada.

Batal tremia de expectativa, e Bella olhava direto para frente, determinada a fazer aquilo direito. O cavalo podia vencer, não tinha nenhuma dúvida quanto a isso. Se ainda iria estar em cima dele ao cruzar a linha de chegada era outra história.

O alarido da multidão aumentou, e então a bandeira foi abaixada e os cavalos dispararam.

Batal voou para a dianteira e Bella permitiu que ele ficasse na frente, sabendo que não podia correr o risco de ficar emparelhada com os outros, caso quisessem derrubá-la.

Enquanto a areia batia em seu rosto, só tinha consciência do barulho das patas e do batimento de seu próprio coração. Podia ouvir os cavalos atrás dela, mas as passadas longas de Batal logo os distanciaram dos outros.

Ela sorriu, sentindo sua autoconfiança aumentar. — Você é fantástico — ela gritou, com a areia e o vento passando por seu rosto, ao ver o marcador surgir à distância. — Se vencer, nunca mais digo nada de ruim para você. Vou até deixar que me escoiceie e me morda. Vai, Batal, vai!

Quando fez Batal contornar a bandeira e o direcionou para a linha de chegada, ela sentiu algo puxar sua perna esquerda.

Pega de surpresa, Bella agarrou-se à crina do garanhão, mas a todo galope não conseguiu se reequilibrar, e, no instante seguinte, estava no chão. Bateu com o ombro, e seu pé ficou preso no estribo enquanto seu corpo era arrastado pelo cavalo.

Aquilo era um suplício, e Bella fechou os olhos e se preparou para morrer.

Então, de repente, ela parou.

Batal deu um relincho de impaciência e a olhou como se dissesse: "Tudo o que precisava fazer era ficar sentada aqui, e estragou tudo."

Ainda estava viva, mas seu alívio foi passageiro, pois o resto dos cavalos vinha voando para cima dela.

Batal recuou e jogou a cabeça para o alto, e Bella fechou os olhos e se preparou mais uma vez para morrer. Era óbvio que o garanhão iria passar por cima dela.

Quando nada aconteceu, Bella abriu os olhos e se descobriu olhando para a barriga do cavalo.

Ele estava em cima dela. Suas pernas fortes formaram uma jaula protetora enquanto os outros corredores passavam.

Emocionada e chorando de dor e gratidão, Bella lutou para se sentar, mas seu ombro doeu tanto que ela ficou sem ar. Enquanto os outros cavalos passavam, se deu conta de que a alguém a empurrara porque não queria que Batal vencesse. A mesma pessoa que mandara Sam para o hospital? Que tentara sequestrar Amira?

A raiva agiu como um anestésico e Bella tentou se sentar de novo, dessa vez usando as pernas de Batal como apoio.

O último cavalo passou por ela, e soube que não havia esperança de ganhar a corrida.

Furiosa com quem a fizera cair, Bella tentou montar em Batal, mas ele era muito grande para ela, e não podia usar a mão para tomar impulso porque seu ombro doía demais. — Desculpe. Sinto muito, Batal.

As lágrimas turvaram sua visão, e, quando já havia desistido, Batal arfou e abaixou-se ao lado dela.

Por um segundo, ela só conseguiu olhá-lo incrédula, e depois subiu com cuidado em suas costas, e Batal imediatamente levantou-se e disparou, sem lhe dar tempo de recuperar os estribos.

Seu ombro estava matando-a, suas mãos tremiam e sangravam da queda, mas ela agarrou-se a sua crina e o instigou a correr, mesmo sabendo que não conseguiriam mais vencer. Mas Batal não pensava assim.

Indignado por ter sido ultrapassado pelos outros cavalos, ele disparou numa velocidade inacreditável, como se ela tivesse apertado o botão de turbo.

Ele ultrapassou um cavalo após outro e, de repente, Bella sentiu uma ponta de esperança.

— Agora sei por que a potência dos motores é medida em cavalos. Vamos lá, Batal — ela incentivou, encolhendo-se ao sentir uma pontada no ombro. — Mais rápido, você consegue...

Determinado a ganhar a dianteira, Batal buscou dentro de si a velocidade extra de que precisava. Com as narinas infladas, ele cruzou a linha de chegada meia cabeça à frente do cavalo do jóquei que tentara tirá-los da corrida.

Ao lembrar que precisava ir direto para o estábulo, Bella tentou virá-lo, mas Batal tinha seus próprios planos.

Ignorando as frágeis tentativas de Bella de controlá-lo com uma das mãos, ele encaminhou-se devagar para onde o sheik e os VIPs estavam.

— Não... por favor, não... — Tonta pela queda e sentindo-se estranha, Bella puxou as rédeas tentando fazê-lo virar, mas o cavalo deu um relincho irritado e parou diante de Edward, com o pescoço esticado e a cauda erguida, como se dissesse "Consegui".

Com um largo sorriso em seu lindo rosto, Edward desceu da tribuna e vinha em direção a eles, quando Bella começou a ver tudo escuro.

Ouviu vozes ao longe, vozes sobressaltadas, seguidas por um silêncio estranho. Percebendo que iria desmaiar, Bella agarrou-se à crina de Batal, mas era tarde demais.

— Eu amo você — ela murmurou ao escorregar do cavalo e mergulhar na escuridão.

Edward andava pelo quarto do hospital sem tirar os olhos da garota na cama.

— Arranje outro médico — ele ordenou. — Quero outra opinião.

Jasper hesitou.

— Já ouviu cinco opiniões, Vossa Alteza. Todos os médicos estão de acordo. A srta. Swan bateu com a cabeça na queda, mas a ressonância não encontrou nenhum traumatismo. Ela teve uma concussão leve e agora está dormindo. Deslocou o ombro e está com muitos ferimentos, mas...

— Ela caiu de Batal a galope... — Ele nunca esqueceria aquele momento. Ficou com o coração na boca ao pensar que fora Seth que caíra. Quando descobriu que havia sido Bella, então...

— Foi realmente um milagre ela sobreviver — Jasper concordou. — Se Batal não tivesse parado e a protegido com seu corpo... Foi um espetáculo espantoso. As pessoas não falam de outra coisa. Não só um animal com a reputação dele parou, como abaixou-se para que ela o montasse. Impressionante.

— Não acredito que ela tenha montado Batal. — Edward passou a mão pela nuca. Estava tão tenso que parecia que iria explodir. — E que eu não tenha percebido que era ela.

— Ela enganou a todos nós, Vossa Alteza. Mas talvez tenha sido melhor. Se soubesse que era ela, teria impedido, e Batal não teria vencido a corrida. Com Sam machucado, não havia mais ninguém para montá-lo. Ela é uma jovem muito corajosa.

Olhando para ela ali imóvel, Edward sentiu um arrepio ao pensar no que poderia ter acontecido.

— Ela é imprudente. Sempre foi.

Um barulho o fez virar-se, e viu vários rostos ansiosos na porta. Seu irmão Emmet estava na frente, e atrás dele estavam Alice, Quil e mais umas 15 pessoas da equipe do palácio.

— Alguma novidade? — Emmet falou por eles.

Edward ficou irritado ao ver o número de pessoas no corredor.

— Ela está descansando!

— Estamos preocupados. Até Batal está inquieto —Quil reclamou. — Ele quer vê-la.

— Eu queria vê-lo. — Uma voz baixa veio da cama, e todos olharam e viram Bella com o rosto pálido, esforçando-se para sentar.

— Não faça esforço — Edward ordenou. Mas ela o ignorou e tirou o cabelo do rosto com a mão esfolada pelo tombo.

— Preciso sentar. — Ela lhe deu um olhar cansado, como se pressentisse encrenca, e depois olhou para onde os outros estavam.

Ao ver seu rosto iluminar-se, Edward ficou tocado. Ela fizera amigos.

— Esteve magnífica — Emmet disse com a voz rouca, cruzando o quarto e lhe dando um abraço sem esperar pela permissão de Edward. — Que mulher!

Surpreso por quanto queria arrastar seu irmão dali, Edward observou num silêncio tenso todos entrarem no quarto, ignorando-o, aparentemente muito dominados pela necessidade de ver Bella para se preocuparem com protocolo.

Sufocada pela comoção e pelos elogios, Bella parecia constrangida, e a única coisa que disse foi dirigida a Quil:

— Batal está bem?

— Está cheio de si. Acho que ele sabe que fez algo extraordinário. Vai ficar insuportável agora.

Bella sorriu debilmente e desabou de volta nos travesseiros. Havia um ferimento no lado do rosto que batera no chão, e Edward sabia que ela devia estar dolorida da cabeça aos pés. Mas ela não deu um "ai", apenas escutava enquanto a bombardeavam com histórias sobre a reação do público.

— Todos pensaram que estava morta...

... Ele recuou e pensaram que ia matar você...

—... Como uma jaula...

—... E quando ele abaixou...

—... A corrida mais empolgante que...

—... Uma ligação assim entre cavaleiro e cavalo...

— Pelo menos, continuamos com Amira — Bella murmurou alegremente, mas franziu a testa quando suas palavras foram recebidas com silêncio. — O que foi? Ganhamos, não ganhamos?

— Você venceu, o resto não importa — Quil respondeu rapidamente.

Mas Bella olhava para ele e para Edward.

— O que foi?

— Você é mulher — Quil murmurou. — A direção da corrida diz que Batal deve ser desqualificado porque foi montado por uma mulher.

— O quê? — Aflita, Bella sentou-se de novo, encolhendo-se de dor. Virou-se para Edward com uma expressão de desespero. — Você é o sheik! Diga que não podem fazer isso! Batal venceu. Se tivesse sido montado por um rato, venceria mesmo assim. Oh, foi tudo culpa minha por desmaiar no final. Devia tê-lo levado ao estábulo e trocado de lugar com Seth.

Ela cobriu o rosto com as mãos e Emmet lhe deu um abraço. Vê-la buscar conforto em seu irmão foi a gota d'água.

— Fora, todos vocês — Edward ordenou num tom perigoso. — Bella não precisa se estressar assim.

Mas Bella já estava saindo da cama. Suas pernas fraquejaram ao pisar no chão.

— Não pode deixar que levem Amira, Edward. Prometa!

Ele a segurou antes que caísse no chão e a colocou de volta na cama. Foi difícil soltá-la, e Edward manteve os braços em volta dela por um instante. Seu corpo enrijeceu ao sentir a maciez de sua pele e seu familiar corpo esguio.

Intensamente disciplinado, Edward ficou irritado por querer apenas jogá-la na cama e curar pessoalmente suas feridas. A não ser pelo breve beijo no estábulo, não a tocava desde o deserto.

— Edward, precisa fazer algo! —Apertou o braço dele. Seus olhos estavam de um azul profundo ao implorá-lo. — Batal venceu aquela corrida!

Ao perceber que ainda tinha uma plateia, Edward deu um olhar fulminante em direção à porta e notou o olhar estarrecido de seu irmão. Não fazia ideia se ele estava chocado pela falta de formalidade de Bella ou por Edward ainda estar segurando-a, mas aquele olhar foi suficiente para assegurar a privacidade deles. Emmet ficou ruborizado e conduziu todos para fora, deixando-os sozinhos.

Com um esforço enorme, Edward forçou-se a soltar Bella. Sentou-se na beirada da cama, colocando uma distância segura entre eles, mas o esforço para se controlar e a aflição de vê-la cair mexeram com seus nervos.

— Mais uma vez, foi imprudente, voluntariosa... — Não se contendo mais, ele a beijou. Sua boca macia criou uma explosão de sensações em seu corpo. Após semanas de autodomínio, ele estava a ponto de perder o controle, e só recuou quando ela teve um sobressalto.

— Estou machucando você — disse, cheio de culpa. — Está cheia de ferimentos.

— Não estou ligando para isso. — Seus olhos estavam cheios de lágrimas. — Não estava sendo voluntariosa. Pela primeira vez na vida, tentava fazer a coisa certa. Não havia mais ninguém para montá-lo e todos queríamos salvar Amira... Mas estraguei tudo.

— Não estragou nada. — Dizendo a si mesmo que era perfeitamente razoável tentar confortá-la, Edward deitou-se ao seu lado e a alojou cuidadosamente em seus braços.

— Foi absurdamente corajosa. Tem ideia de como me senti quando vi que era você? E quando caiu do cavalo pela segunda vez...

—Você me pegou. Está virando um hábito. — Seu rosto repousava sobre o ombro dele.

—É um hábito que eu ficaria satisfeito em romper. — Edward virou de lado para vê-la melhor.

— É a mulher mais corajosa que já conheci.

— E a mais irritante.

Edward sorriu.

— Também.

— O que pode fazer em relação à Amira?

— Acha mesmo que eu deixaria levarem Amira?

— Mas, se as regras dizem que uma mulher não pode montar...

—As regras não dizem isso. Na verdade, não há nenhuma menção a mulheres nas regras. É hora de reescrevê-las. — Certo de que essa observação a satisfaria, Edward ficou surpreso ao vê-la afastar-se.

— Mas isso não vai proteger Amira! Já tentaram roubá-la antes, e a queda de Sam não foi um acidente. E, depois, teve hoje...

Uma névoa de raiva turvou o cérebro de Edward ao ver a mancha roxa em seu rosto.

— Hoje, você podia ter morrido. E o culpado já está sob custódia. Vai haver uma investigação, mas pode confiar quando digo que não vai mais haver tentativas infiltração em meus estábulos.

— A vida é dura, não é? Achamos que as pessoas são boas, e então isso acontece e percebemos que algumas pessoas são ruins.

— O que aconteceu com você foi uma demonstração de ganância e inveja. O cavalo que chegou em segundo pertence ao governante do país vizinho, mas foi o jóquei dele que a derrubou. Você podia ter morrido. Se Batal não parasse...

— Não sabia que estava vendo. Pensei que estávamos muito longe para que alguém conseguisse ver o que aconteceu.

— Eu estava usando binóculos. E havia juízes posicionados em cada trecho da corrida. Eles viram o que ele fez. Eles a teriam ajudado, mas você voltou a montar antes que pudessem alcançá-la. — Edward suspirou. — Não pensou que voltar a montar depois daquela queda era perigoso?

— Eu não estava raciocinando. Só pensava em não perder Amira e não decepcionar todos vocês. Quando senti a mão dele em minha perna, achei que seria meu fim. Com Batal galopando e meu pé preso... Mas, de repente, ele parou, como se soubesse.

— Foi a coisa mais surpreendente e emocionante que todos já viram. Mais ainda quando se sabe o quanto Batal pode ser agressivo. Ele ter demonstrado tanta gentileza com você...

— É por causa dele que estou viva. Da próxima vez que ele me morder no estábulo, vou ter que tolerar.

— Não vai voltar para o estábulo, habibiti — Edward deu a notícia que sabia que a faria sorrir.

Ela arregalou os olhos, apavorada.

— Está me despedindo?

— Não. Pode passar quanto tempo quiser no estábulo, mas o resto do tempo vai ficar no palácio — Edward anunciou, satisfeito com sua solução para o problema.

Ela iria morar com ele. Por que não?

— No... no palácio?

—Sim. Eu... — Edward hesitou, e ela arregalou os olhos.

— O quê?

— Senti sua falta. — Ficou meio constrangido em admitir o quanto queria aquela mulher. — Senti falta de ter alguém que... Me desafie.

— Edward...

— Não vamos falar sobre isso agora. — Edward se levantou e apertou a campainha ao lado da cama. — Precisa descansar no hospital até que, no mínimo, seis médicos concordem que está bem o suficiente para voltar para o palácio. E então vai ser a convidada de honra do banquete do campeão.

Ela o olhou um pouco confusa.

Seis médicos?

— Só para ter certeza de que eles sabem o que estão dizendo. Não quero que saia e desmaie de novo. Geralmente, o banquete acontece na noite da corrida, mas, em vista do que aconteceu, mandei adiar até você estar em condições de comparecer. É o acontecimento social do calendário de Al-Rafid. Chega de areia no cabelo, túnicas improvisadas e cintos de folha de tamareira. Tem uma desculpa para se arrumar para uma festa, o que, tenho certeza, é algo de que sente falta desde o deserto.

— Não gosta de mim com areia no cabelo?

Ficou tão aliviado em vê-la reagir de sua maneira habitual que sorriu.

— Já é hora de voltar a ser Bella Swan. E, dessa vez, vai estar no meu lado, habibiti.

O QUE EXATAMENTE aquilo tudo significava?

Vai estar ao meu lado...

Ao lado dele para um banquete oficial?

Ao lado dele por uma noite inteira? Várias noites?

Ela esperava que ele mencionasse o fato de ela ter dito "Eu amo você " quando desmaiara, mas ele evitou o assunto.

Bella olhava para as delicadas pétalas de rosa que flutuavam na superfície da banheira enorme, incapaz de conter sua excitação, mesmo sabendo que a relação deles não tinha futuro.

Ele fora ver sua princesa, não fora? Já estava considerando a ideia de se casar.

— Está muito quieta, madame — uma das mulheres disse. Ela deu um breve sorriso, espantando aquele pensamento. Estava ali agora. Era isso que contava.

— Só estou pensando. Não imagina há quanto tempo não entro numa banheira.

Semanas. Primeiro estivera no deserto com o sheik e depois ficara nos estábulos, onde estava sempre muito cansada para pensar em algo além de uma chuveirada rápida.

Estava ansiosa para entrar no salão e ver a reação de Edward quando a visse de vestido.

Passando a mão pela água perfumada, Bella lembrou-se de quando nadavam juntos no oásis.

Franziu a testa ao sentir uma pontada. Aquilo ali era muito melhor, disse a si mesma firmemente. Não havia nem comparação.

Ficou sentada imóvel enquanto as mulheres lavavam seus cabelos e passavam condicionador em cada mecha.

— O país inteiro está falando sobre como montou aquele cavalo endiabrado. Não admira que Vossa Alteza esteja tão caidinho por você. — Uma delas esfregava óleo em suas costas. — É tão corajosa quanto bonita.

— Sinto-me sendo preparada para o harém — Bella murmurou, e, quando as viu trocarem olhares chocados, desejou ter ficado de boca calada. — Desculpe, ignorem minha boca grande.

— É muito incomum o sheik ter um relacionamento público com uma mulher — outra mulher comentou. — Desde a morte de seu pai, ele tem sido um homem voltado apenas para o dever.

— Eu sei. — Bella encostou a cabeça na banheira e fechou os olhos. — Para ele, emoções e amor são sinal de fraqueza... blá, blá, blá. Já ouvi isso antes.

Era impossível não ouvir um pouco das fofocas nos estábulos, e, quanto mais ouvia, mais surpresa ficava por ele ter entrado num relacionamento com ela. Embora tivessem tido um flerte secreto no deserto, era óbvio que seu código de conduta teria impedido que ele sucumbisse à química que os unira.

— Ele tem medo de ser como seu pai. O pai do sheik Edward era um homem bom, mas não tinha autocontrole quando se tratava de mulheres. A mulher com que casou. Ela foi...

— Um erro — outra mulher falou, enxaguando o óleo dos cabelos de Bella. — Pensava só em si mesma. Tudo o que ela pedia, ele comprava. Era extravagante e não tinha nenhum senso de dever.

Bella corou, sabendo que essa descrição lhe serviria há até pouco tempo atrás.

— Aposto que não querem vê-lo como ela, então.

— Não se parece em nada com ela, madame. — Elas a ajudaram a sair do banho, enrolando-a em toalhas quentes e macias e começaram a secar seus cabelos. — Todos em Al-Rafid estão felizes em ver o sheik sorrindo. Os últimos anos foram difíceis para ele. Não só se tornou governante ainda jovem, como ficou responsável por seus irmãos. Ficou com pouco tempo para si mesmo, e isso não é bom para um homem tão viril.

E o pouco tempo que ele tivera ela havia estragado, Bella pensou, cheia de culpa. Falar sobre a virilidade de Edward lhe causou um arrepio. Mal teve consciência quando passaram o vestido por sua cabeça e ajustaram as alças.

Ele não se permitia amar.

Tinha medo de que o amor o tornasse fraco.

Era por isso que estava planejando um casamento arranjado com alguma princesa que não conhecia.

Então, o que esperar dessa noite?

Quando percebeu que todas a olhavam cheias de expectativa, Bella olhou-se no espelho e ficou boquiaberta.

— Oh! Isso é... vocês... Como?

— Gostou? Tem cabelos tão lindos — uma delas disse entusiasmada — mas estavam maltratados pelo sol e pela areia.

— E sufocado num chapéu de equitação. — Bella olhou incrédula para seu reflexo. — Eu passava horas me arrumando para festas, mas nunca consegui deixar minha aparência assim. O que fizeram? — Seus cabelos e sua pele tinham um brilho saudável. A maquiagem sutil acentuou seus melhores traços, e sua boca era de um rosa tentador que poderia passar por natural. — Demais. Parece que nem estou maquiada.

— Mal precisa de maquiagem, agora que os hematomas sumiram. Só acentuamos o que a natureza lhe deu, madame. Está deslumbrante. Sheik Edward vai ficar satisfeito.

Satisfeito.

Como se ela fosse um presente, pronto para ele desembrulhar.

Bella franziu a testa com esse pensamento e depois o afastou. Ela não iria minimizar as coisas. Ser sua convidada de honra para o jantar formal era muito importante. Mostrava que ele se importava com ela.

Ela sabia que ele se importava. Senão, por que teria providenciado para que seis médicos a vissem antes de permitir que deixasse o hospital? Por que a teria instalado na ala mais ornamentada do palácio e lhe comprado todas aquelas roupas lindas?

Depois de um mês sem vê-lo, durante o qual ocupara cada minuto seu com trabalho para se desligar da dor de não vê-lo, Bella mal conseguia respirar de excitação.

Só precisavam passar pelo jantar, e depois ficariam a sós e ela teria aquele corpo maravilhoso só para si.

Calçou os sapatos elegantes e saiu da suíte, acompanhando um respeitoso membro da equipe de Edward ao longo de um enorme corredor, até um salão opulento onde centenas de olhos voltaram-se para ela.

Todos levantaram-se instantaneamente em sinal de respeito e Bella ruborizou-se.

— Caramba... Isso é embaraçoso.

— Estão todos lhe agradecendo. — Edward estava de braços dados com ela, conduzindo até a cabeceira da mesa.

Bella empalideceu quando todos aplaudiram.

— Estão aplaudindo porque caí do cavalo?

— Por ter posto sua vida em risco por Al-Rafid. Amira é um tipo de tesouro nacional. É por sua causa que ela continua conosco. Já estão comemorando pelos futuros campeões de Derby.

— Batal estava fazendo olhares sedutores para ela esta tarde. — Bella sorria sem jeito para todos. —Acho que ele pensa que pode ter sorte esta noite.

— Não é o único. Você está linda.

— Fico feliz que ache isso, depois de todo o esforço daquelas mulheres para me deixar apresentável.

No passado, estar bem-arrumada lhe dava confiança, mas agora Bella sentia-se muito mais constrangida do que se sentira no deserto.

Por quê? Estava habituada a grandes festas, e, mesmo assim, estava tão tímida quanto em seu primeiro baile na mansão Swan.

Sentada ao lado dele, era impossível não perceber que ela era o foco das atenções.

— Estão se perguntando o que um homem como você está fazendo com uma garota como eu.

— Acho que está óbvio para qualquer homem no salão o que estou fazendo com você — Edward disse, aparentemente indiferente às fofocas. — Se não fosse pelo protocolo, podíamos ter pulado essa parte da noite e ido direto para o meu quarto.

— Uau! Preciso cair mais vezes do seu cavalo. — Bella manteve seu tom de voz suave, mas seu coração batia disparado como as patas de Batal na corrida. Então não seria só o jantar.

Incapaz de comer qualquer coisa, ela revirava a comida no prato. Cada vez que o braço de Edward roçava no seu, ela dava um pulo, e, quando ele falava com ela, ficava toda desajeitada.

Quando ele finalmente se levantou e a levou para fora do salão, ela estava uma pilha de nervos. Só o que sabia era que estava enlouquecida de amor por ele.

Não fazia a menor ideia do que ele sentia por ela.

Gratidão, claro, por ela ter salvado Amira. Mas algo além disso?

Depois que passaram pelos guardas e entraram no quarto dele, Bella segurou-lhe o braço.

— Espere um minuto. Preciso perguntar uma coisa.

— O que quiser. — Num tom brando, ele tirou a gravata, foi até ela e segurou seu rosto entre as mãos.

— Mas pergunte logo. Esperei muito por esse momento e não quero perder nosso tempo juntos falando.

— Teria sido sua convidada se tivesse perdido a corrida?

— Que tipo de pergunta é essa?

— Só quero entender por que estou aqui. Diga algo gentil.

Ele deu um sorriso apreciativo.

— Estou aqui porque já me privei por muito tempo.

— O que aconteceu com o dever e a responsabilidade?

— Nossa relação não atrapalha em nada minha capacidade de cumprir minhas tarefas. — Ele passou os dedos pelos cabelos de Bella e percorreu seu maxilar com os lábios. Bella gemeu ao sentir a reação imediata de seu corpo.

De repente, ela estava em fogo. Também passara por semanas de privação, e durante esse tempo pensara bastante sobre quem era e o que queria ser.

— Espere. — Ele recuou um pouco, lembrando-se da promessa que fizera a si mesma nas madrugadas em que passara acordada sentindo-se sozinha e revivendo aqueles momentos no deserto.

Ela iria mudar.

Prometera que, se o destino o colocasse diante dela de novo, ela não seguiria apenas seus instintos, iria usar a cabeça.

Se ele a quisesse para algo além de sexo, tudo teria sido diferente, mas, agora que estava ali, não tinha ilusões sobre o que estava em jogo.

— Não posso esperar. — Ele colocou a mão em sua nuca e lhe deu um beijo arrebatadoramente sexy, e ela sentiu uma onda de calor que ia de sua boca até os pés. Só a lembrança do sofrimento emocional pelo qual passara nas últimas semanas lhe deu forças para cumprir sua promessa.

— Não! Não posso! — Ela o empurrou pelo peito. — Não quero ser a pessoa com quem se diverte enquanto faz planos de escolher sua noiva e cumprir seu dever.

— Está dizendo que não quer isso?

— Claro que quero. Só não quero o que vem depois. Não quero me arrastar para fora da cama todas manhãs com a sensação de que o mundo acabou. Não quero aquela dor horrível em meu peito. Fiquei machucada como se você tivesse arrancado uma parte de mim com um instrumento grosseiro. Foi pior do que cair de Batal. Não quero sentir isso de novo.

— Está dizendo "não"?

Em outras circunstâncias, seu tom de incredulidade a teria feito rir.

— Sei que é uma palavra que não ouve muito, mas, se olhar no dicionário, vai ver que é o contrário de "sim". E não estou dizendo isso para desafiar sua autoridade, nem para irritar. Só estou tentando manter nossa sanidade.

— Dizer "não" preserva sua sanidade?

— Sim... não. — Bella passou os dedos pela cabeça, trincando os dentes de frustração. — Não posso ter uma relação liga-desliga. É como se coçar nos dentes de uma serra! Dói demais.

— Ficar longe de você estava me deixando louco.

— Então, por que ficou longe, Edward? — Estava se arriscando muito, mas precisava perguntar. — Está tentando não ser como seu pai? É por isso que nega o que há entre nós?

— O que sabe sobre meu pai?

— Sei que tem medo de ser igual a ele. Que vai escolher alguém para se casar usando sua cabeça, não o coração. E... — Fez um esforço gigantesco para falar. —Não quero o que está oferecendo. Não quero ser a amante do sheik!

Lutando por seu autocontrole, afastou-se dele. Ele levantou as mãos e ela pensou que iria puxá-la de novo contra si, mas então ele também recuou, olhando-a desconfiado.

— Está dizendo que não quer o mesmo que tivemos no deserto?

— Aquilo foi diferente. Estávamos a quilômetros de distância de nossas vidas reais. Durante um tempo, fugimos de quem somos. Éramos só nós dois.

— E ainda somos só nós dois.

— Não. Você ainda é o governante de Al-Rafid, Edward. Acha que não sei o quanto luta para não continuar nossa relação? Na noite em que foi ao estábulo me acusar de dormir com Emmet...

— Aquilo não foi muito legal de minha parte.

— Não se desculpe. Já superamos isso. Nem o culpo por ter imaginado isso, com tudo o que os jornais falam sobre mim. Mas naquela noite entendi que me vê como uma tentação a qual deve resistir a todo custo.

— Se fosse verdade, eu não estaria aqui agora.

— Mesmo? — Ela deu um sorriso de esguelha. — Sabe o que acho? Que não é tão forte como pensa que é. Acho que nossa química é muito forte e seria mais fácil deixar que ela nos domine. — Que diabo... Vamos aproveitar enquanto podemos. — Mas há um preço a ser pago por viver o momento.

— Fala por experiência...

— Sim. E, desta vez, aprendi. Conheço você, Edward. Pode deixar a responsabilidade de lado por uma noite, mas não por muito mais tempo. Você é assim. É um ótimo governante e seu povo o ama. Eles precisam de você. E, quando a hora chegar, vai escolher uma mulher adequada para estar ao seu lado, ter filhos e tudo mais que o dever exigir. — Bella engoliu seco. — E essa não, serei eu, não é?

Houve um longo silêncio.

Ele levou tanto tempo para responder que uma esperança se acendeu no coração dela.

Esperando desesperadamente estar errada sobre ele, estendeu a mão em sua direção, mas ele só a olhou, com um músculo saltando na mandíbula. E então a olhou nos olhos.

— Não quero cometer os mesmos erros de meu pai no casamento. - Foi como levar uma punhalada no coração. Ela puxou a mão de volta e a esfregou no peito, tentando aliviar a dor.

— É um adeus, então, Edward.

— Espere! Não acabei.

— Mas eu sim. — Bella ignorou seu comando, já com a mão na maçaneta da porta. — Isso é tão difícil, Edward, não faz ideia do quanto, especialmente para alguém como eu. Eu não ajo pelo bem das coisas, sem pensar em minha vontade, então vou precisar de sua ajuda para isso! É como recusar bebida quando se é alcoólatra, ou recusar chocolate quando mais se deseja.

— Sou uma substância viciante?

Ficou embaraçada de expor tanto seus sentimentos em relação a ele.

— Não somos um para o outro. Por que me convidou hoje à noite? Eu estava bem nos estábulos.

Nem tanto.

— Está dizendo que preferia continuar trabalhando nos estábulos?

— De certo modo, sim — disse entristecida. — Fiz isso para provar a todos que não era a Bella Malvada, que podia ser responsável. Mas não me lembrava de como amo cavalos. E descobri que adoro responsabilidade. E adoro saber que consegui ganhar a corrida. Bem, Batal ganhou, eu sei, mas eu estava montando, e fico orgulhosa por isso. Dá a sensação de que conquistei algo.

— Realizou um grande feito, e... Eu a quero mais do que quis qualquer outra mulher.

Bella percebeu o esforço que ele fazia e sentiu um nó na garganta. Abrace-me, ela pensou. Aperte-me em seus braços e diga que não pode viver sem mim.

Mas ele estava rígido, como se seu controle estivesse por um fio.

— Nunca ofereci nada assim a outra mulher. Estou convidando você para viver no palácio comigo.

— Como sua amante. Não quero isso, Edward. Você me convidou para o jantar porque venci a corrida, mas agora acabou. E vou voltar aos estábulos.

Seus joelhos tremiam e cada músculo de seu corpo ansiava por tocá-lo. Nunca em sua vida desejara algo ou alguém tanto assim, e se negar a isso era a coisa mais difícil que já fizera.

Ao ver sua expressão de incredulidade, ela quase caiu na tentação de se jogar em cima dele, mas se lembrou de que mais cedo ou mais tarde ele a descartaria. E, se a vida lhe ensinara algo, era que não queria estar com alguém que não a amasse.

— Obrigada pela noite, Edward. — Ela abriu a porta antes que mudasse de ideia, sabendo que ele não diria nada com os guardas ouvindo. — E obrigada pelo banho. Nem imagina como me senti bem em finalmente usar condicionador.