CAPITULO II

A ruiva correu até o irmão e lhe puxou pela mão, não dava certo deixar os dois loiros próximos quando estavam com raiva, sempre estouravam fácil demais.

- Naruko... – O Uchiha se aproximou dela, olhou as roupas no chão e passou a encará-la. – Não acha que está exagerando?

- Mas por que está brigando comigo?! Ele é o cara ruim!

Quando o Uchiha foi responder, o loiro não deixou, pois entregou o celular a irmã.

- Hnnn, alô?

- Naruko! Você não pode expulsar seu irmão porque arranjou briguinha! Não se esqueça de que a casa é minha, você não tem autoridade nenhuma.

- Mas mãe...

- Sem mas... Minha ordem já foi dada!... Tente não me causar mais dores de cabeça, Naruko... Pra variar um pouco...

- . . . Certo... Eu sinto muito... – Logo que a loira desligou o celular, mostrou-se constrangida. – É, será um longo ano.

- Viu só o que da quando tenta contrariar seu irmão mais velho? – O loiro sorria vitorioso diante da situação.

- Você está certo, irmão... Sou uma tola por achar que isso daria certo diante de sua tamanha superioridade... Devo entrar e refletir sobre os meus erros no meu quarto, enquanto o senhor guarda suas roupas. – A loira logo sorriu vitoriosa e entrou na casa, deixando um frustrado loiro pra trás.


A casa possuía dois andares e não era nada tradicional para os japoneses, aliás, era uma típica casa ocidental, assim como todas as outras casas desse bairro. Logo que entrava já tinha três caminhos para se escolher, o lance de escadas a sua frente e ligeiramente à esquerda, a sala suavemente à direita, e um corredor que levava a cozinha a esquerda; havia ainda uma pequena lavanderia frente a cozinha e um banheiro a direita da sala.

No segundo andar, ficavam cinco quartos dispostos num longo corredor, com um banheiro em cada extremidade. Apenas o quarto dos loiros eram suítes.

Logo que os Uzumakis terminaram de guardar as roupas do loiro, ambos foram tratar do jantar enquanto o novo hóspede terminava de desfazer as malas e aproveitava para tomar um banho.

Terminado o banho ele vestiu uma calça de moletom, colocou a toalha no ombro e saiu do banheiro indo em direção ao seu atual quarto, que era ao lado, porém, deparou-se com a loira batendo em sua porta.

- Sim?

Ela acabou por deixar um grito escapar, devido ao susto.

- Droga. – Levou uma das mãos ao peito, como se isso fosse acalmar seus batimentos e tratou de respirar fundo; só então voltou seu olhar para o ruivo, que estava sem camisa. Não que não estivesse acostumada a ver homens por aí sem camisa. Tá, na verdade não era nem um pouco acostumada a isso, exceto por Naruto e Sasuke, mas apesar de sentir uma leve queimação nas bochechas, esforçou-se ao máximo para não se mostrar constrangida com a situação. – Eu queria falar com você, mas se quiser, posso voltar depois.

- Pode falar. – O ruivo apenas a encarava sem qualquer demonstração de interesse.

- Bem, eu vim atrás de um acordo de paz... Afinal, vamos passar o ano inteiro, juntos, e acho até que podemos ser amigos se tentarmos começar do zero. – Sorriu amigavelmente ao olhar nos olhos dele.

- Pois achou errado.

Dessa forma, o ruivo passou por ela e entrou no quarto, mas quando estava fechando a porta, a loira tratou de espalmar a mão nessa, impedindo-o.

- Achei... Errado? – Entrou no quarto, evidentemente revoltada. – Não adianta tentar ser legal com você? Qual é o seu problema, afinal? Se continuar assim, vai morrer sem sequer um amigo ao seu lado.

- E eu pareço me importar?

- ESCUTA AQUI!... – Ela parou defronte ao ruivo, ambos com os braços cruzados, encarando-se ameaçadoramente, até a loira respirar fundo e fechar os olhos por um momento antes de se sentar na cama. – Eu desisto.

- O que?

- Não vou ficar discutindo com você, afinal... Sei-lá-o-que Gaara pode não querer ser gentil com ninguém, mas terá que me aturar o ano inteiro, gostando ou não.

- Mal posso conter tanta felicidade!

- É, eu imagino. – Olhou para o ruivo e sorriu, porém, logo o sorriso desapareceu e se levantou, parecendo ter visto algo. – O que é isso?


A ruiva estava sentada na mesa da cozinha, observando o irmão na vã tentativa de cozinhar algo, enquanto isso o Hyuuga estava ao seu lado e o Uchiha falava algo sobre ele desistir logo disso e comprar pizza.

- Você sabe que a Naruko onee-chan cozinha muito bem, aniki. – A ruiva olhava para o irmão assustada por vê-lo queimando mais uma panela com arroz.

- Nem ligo! Prefiro morrer de fome! – Ele desligava o fogo e enchia a terceira panela com água, mas ninguém se pronunciava ou se oferecia para cozinhar.

- Como você é teimoso... Sabe que ela é temperamental. – Ela sempre quis saber como os dois loiros haviam conseguido morar juntos por tantos anos sem tentarem matar um ao outro.

- Não tenho nada a ver com isso.

- O que comeu nesse ano que morou sozinho? – Já imaginava a resposta, mas queria ter certeza.

- Ramen!

- Que vergonha de você. – A ruiva se pôs de pé e sorriu para o irmão. - Eu vou pedir as pizzas, vá falar com a Naru. – Logo tratou de tirá-lo de perto do fogão e empurrá-lo rumo a porta. – E vai logo.

O loiro apenas bufou irritado e saiu da cozinha, sendo seguido pelo Hyuuga.


A loira tirou seu calçado e ficou de pé sobre a cama para que pudesse alcançar seu objetivo.

- Isso o que, garota? – Ele tencionou se afastar, mas no fundo estava curioso para saber o que ela havia visto.

- Na sua testa... O seu cabelo esconde... É uma tatuagem? – Com um pouco de dificuldade, foi até a borda da cama, chegando a ficar indevidamente próxima do ruivo, e levantou a mão, visando tirar a franja que lhe cobria a testa, porém, esse logo lhe segurou o pulso.

- Pode parar de ser tão intrometida?

- Podem explicar o que está acontecendo aqui? – Logo que escutou a voz do irmão, a loira já percebeu que estava ferrada e no que olharam para a porta, lá estavam o Uzumaki e o Hyuuga, encarando-os.

- Bem... É... Um mal entendido... – A loira se soltou rapidamente da mão do ruivo e correu até o irmão, fazendo uma sutil reverencia. – Desculpe.

- O que houve aqui? – O Hyuuga perguntou mantendo o semblante sério de sempre, mas era possível sentir um desprezo mal encoberto quando ele olhava para o ruivo.

- Isso não é problema seu, Neji. – A loira rapidamente saiu do quarto e tratou de fechar a porta para tirar o ruivo da discussão, assim voltou a se dirigir ao irmão. – Eu vim tentar um acordo de paz.

- E por isso na primeira oportunidade que tem já ficam sozinhos num quarto com ele sem camisa?

- Eu acabei me distraindo e nem percebi a situação constrangedora que isso virou.

- E não dava para conversar depois?

- Dava, mas...

- Sem mas, Naruko!

- Está certo... Desculpe. Não vai mais se repetir. – Após se desculpar novamente com o irmão, a loira começou a caminhar até seu quarto, porém, o moreno a impediu.

- Naruko, por favor... Eu preciso conversar com você.

- Sinceramente? Eu não estou nem um pouco a fim de falar com você, Neji. – Olhou-o friamente nos olhos. Com licença. – Após uma breve reverencia, caminhou até seu quarto e logo que entrou tratou de trancar a porta.

Encostou-se na porta e olhou para seu quarto, exatamente igual a um ano atrás, a mesma cama encostada na parede a esquerda, o mesmo guarda-roupa a direita, a mesma escrivaninha ao lado da porta. Caminhou até a cama e se sentou sobre ela, encarou a mesma cômoda ao lado e pegou um porta-retratos que, infelizmente ainda tinha a mesma foto.

Na imagem, estava ela, na ponta dos pés, com um grande sorriso nos lábios, abraçando o Hyuuga; ele tinha as mãos sobre sua cintura e um meio sorriso nos lábios. Nenhum dos dois olhava pra câmera.

~ Flashback On ~

As aulas haviam terminado e logo após o almoço a loira estava voltando para casa, acompanhada do Hyuuga. Há semanas que ele já a acompanhava; pegavam o caminho mais longo e às vezes até paravam no parque. Apesar de não gostar de admitir, era evidente que ela estava completamente apaixonada por ele; mas, naquele dia havia se decidido, ia se declarar pra ele!

- Você está calada hoje, Naruko... Aconteceu algo?

- Bem Neji, é que... Eu... Eu quero falar com você! – Naquele momento, pararam na porta da casa da loira.

- Naruko, é que...

- Não me interrompa! – Ela parou defronte ao Hyuuga, evidentemente nervosa e corada. – Neji... Eu... Eu gos... - Antes que pudesse completar a frase, o Hyuuga levou o dedo indicador aos lábios da loira.

- Eu sei. – Dito isso ele levou uma das mãos a nuca da loira e se aproximou, tomando, brevemente, aqueles lábios para si. – Eu também.

Ela apenas sorriu e abraçou o Hyuuga, beijando-o novamente.

~ Flashback Off ~

Despertou de seus pensamentos ao ouvir batidas na porta. Levantou-se da cama e caminhou até a porta, destrancando-a ainda com o porta-retratos em mãos.

- Naru-onee-chan... – A ruiva entrou no quarto e fechou a porta atrás de si. – O Naruto me contou o que aconteceu.

- Já disse que foi só um mal entendido! – Voltou para sua cama, jogando-se lá sem qualquer cerimônia.

- Sim, eu sei, só vim para ver como você estava. – Logo viu o porta-retratos na mão da irmã e se aproximou da cama. – O que é isso?

- Ah! Isso aqui? – Entregou o porta-retratos para a ruiva. – Vê aí.

- Você acha que vai conseguir ficar aqui com ele sempre por perto?

- Eu não devia ter nem saído... Namoramos só por seis meses... Não é tanto tempo assim pra eu ficar tão mal.

- Mas você gostava muito dele... E ele te traiu... É normal se sentir mal. – Sentou-se na cama ao lado da loira que nem soube o que lhe responder, dessa forma, permaneceram em silêncio por alguns minutos antes da ruiva mais uma vez tomar a palavra. – Você já esqueceu os seus sentimentos por ele?

- Hm... Eu não sei direito, ainda não consigo ficar perto dele, ou falar com ele, até mesmo olhar pra ele já me deixa com raiva... E triste. – Olhou para o teto por mais alguns segundos antes de sentar subitamente. – Vamos falar de outra coisa. – Olhou para a irmã com um sorriso malicioso. – Já foi conversar com o Sasuke?

- Ah... Só conversamos um pouco, com a Ino ou o Naruto por perto.

- Ahhh... Deixa de ser medrosa, você tem que tomar atitude, porque se não o fizer, tem outras várias garotas que o farão. Confie em mim, eu sei disso... Cresci com ele. – Riu brevemente. - O que ele recebe de cartas, chocolates e outros doces é surreal... Só que... Ele não gosta de doce, então me dava tudo.

- Ahh... E se... Ele não gostar de mim?

- Você nunca vai saber se não tentar.

- Mas...

Naquele momento foram ouvidas batidas na porta, mas sequer deu tempo delas levantarem para atender, pois o Uchiha não fez qualquer cerimonia e já entrou.

- Não pode respeitar minha privacidade, Uchiha?

- Hm... Não sabia que estava aqui Mayura, desculpe por ter entrado dessa forma.

- Você tá pedindo desculpas pra minha irmã? O quarto é meu, seu idiota. – Jogou o travesseiro na direção dele, mas errou por alguns centímetros.

- Sua pontaria é péssima, Uzumaki. – Olhou para o travesseiro e logo voltou a encarar a loira, essa que estava com uma expressão desolada por ter errado um alvo tão fácil. Daquela forma, ele sequer notava que a ruiva estava completamente corada ao lado. – E eu vim avisar que as pizzas chegaram.

- Legal. Nem sabia que haviam pedido pizza... Daqui a pouco vou descer. – A loira sorriu e olhou da irmã para o Uchiha antes de prosseguir. – Faz um favor? – Ele não disse nada, apenas aguardou a loira prosseguir com o pedido. – A Mayura tá se sentindo um pouco deslocada porque ficou muito tempo fora e ela não quer sair com os irmãos porque fica com vergonha... Você pode leva-la pra dar uma volta amanhã? Só pra ela relembrar da cidade, afinal... Depois de mim e do Naruto, você é a pessoa que ela conhece há mais tempo.

- Hm... – O Uchiha pareceu ponderar por alguns momentos, mas não se demorou a responder. – Certo.

- Ótimo! Agora vão descendo. - Empurrou a irmã de sua cama, pois ela parecia ter petrificado tamanha a vergonha que estava. – Bebe um pouco d'água que você deve estar ficando com febre, Mayu. – Sorriu maldosa e focou tanto na irmã que sequer percebeu quando o travesseiro voou em sua direção e a acertou com força, quase a fazendo cair.

Quando foi retrucar, eles já haviam saído do quarto. Olhou para o porta-retratos uma ultima vez, tirou a foto de lá e a rasgou em pequenos pedaços. Só após isso desceu para comer.

Conforme chegou a cozinha, descobriu que o ruivo havia saído para resolver assuntos pessoais e não voltaria tão cedo, e naquele momento agradeceu internamente por não ter que discutir até no jantar, mas assim que viu que o Hyuuga ainda estava lá, desejou aquela discussão por um momento.

Pegou dois pedaços de pizza e subiu para comer em seu quarto, enquanto todos os outros comeram na sala, pouco tempo depois o Hyuuga e o Uchiha foram para suas respectivas casas. Só então desceu e aproveitou um momento com seus irmãos, relembrando da infância e começo da adolescência, contando coisas que o outro não sabia, ou mesmo assistindo um filme.


Quase 23h, o Sabaku entra na casa, fazendo o mínimo de barulho possível para não acordar ninguém. Quando ia subir para o quarto, vê que a televisão ainda estava ligada. Indo até lá, reparou que a loira dormia com uma camiseta velha bem maior que ela, um shorts curto e os cabelos soltos lhe caindo pela face. Respirou fundo e cogitou acorda-la, para que ela não dormisse ali, porém, não o fez; conforme ia desligar a TV, ela acorda assustada, sentando-se de imediato, tendo a respiração levemente alterada. Ao perceber que fora um pesadelo, levou ambas as mãos a cabeça e respirou fundo a fim de se acalmar.

- Pesadelo?

A loira encolheu-se no sofá devido ao susto, porém, logo reconheceu a figura do ruivo a sua frente, nem havia notado que ele estava ali.

- Gaara... Há quanto tempo está aqui?

- Acabei de chegar e vim apenas desligar a TV.

- Ah sim, claro...

- Então... Boa noite...

- Gaara... – A voz da loira saiu quase num sussurro, incerta se devia mesmo tê-lo chamado ou não. – Pode... Sentar aqui... Um pouco?

- Hm... – O ruivo se reaproximou do sofá, relutante se sentava ao lado dela. – Você ta bem mesmo?

- Eu só... Não quero ficar sozinha agora... – Ela olhou em seus olhos, porém havia um brilho a mais em seu olhar, devido às lagrimas que se formavam.

O ruivo, confuso com a situação, sentou-se na outra ponta do sofá.

- Desculpa... É que... Às vezes eu tenho pesadelos e não gosto de ficar sozinha. – A loira então se aproximou do ruivo, sentando-se sobre os joelhos.

- E como são esses pesadelos? – O ruivo apenas arqueou uma das sobrancelhas diante da fragilidade da loira. Não imaginou que ela tinha um lado sensível.

- Beem... – Ela relutou, e novamente desviou o olhar.

- Eu não estou te obrigando a falar... – Ao que o ruivo se levantou, foi impedido de sair dali, pois sentiu sua camiseta sendo puxada.

A loira se ergueu sobre os joelhos, quase alcançando a altura do ruivo e segurou sua camiseta, acabando por puxá-lo um pouco para si. Conforme ele se virou, ambos estavam próximos o bastante para sentirem a respiração um do outro.

- Fica... Só mais um pouco.

- Naruko... – Conforme o ruivo tencionou acabar de vez com aquela distancia entre eles, a loira se afastou e baixou a cabeça.

- Érr... Desculpe. – Ela então o soltou e se levantou. – Obrigada por ficar um tempo comigo, já estou bem melhor... E... Desculpe... Por tudo... Boa noite, Sabaku. – Sem dizer mais nada, ela apenas se dirigiu ao seu quarto, deixando-o para trás.


No dia seguinte, a loira e a Hyuuga chegaram mais cedo ao Ginásio a fim de conversarem e irem se conhecendo melhor e daquela forma, já começaram a se tratar pelo primeiro nome e sabiam alguns interesses da outra. Consequentemente, no meio da conversa, a loira acabou percebendo um interesse muito evidente da Hyuuga em seu irmão, porém não quis dizer nada até ter completa certeza.

- Tenho que falar com o Naruto, pode me acompanhar, Hinata?

Após a loira insistir muito, a Hyuuga resolveu acompanha-la. Pararam frente ao campus da Universidade, aguardando o loiro chegar. Pouco tempo de espera e se via um ponto laranja distante, fazendo com que, imediatamente, a Hyuuga baixasse a cabeça e enrubescesse totalmente. Porém, para o desprazer da loira, o loiro não estava só, tinha o Hyuuga e o Uchiha a tiracolo. Mas, felizmente, o ruivo não estava lá.

- NARUKO! O QUE FAZ AQUI? – O loiro acenava para a irmã e tinha um grande sorriso nos lábios.

- Naruto... Por que está gritando se eu estou praticamente do seu lado? – A loira arqueou uma das sobrancelhas, mas logo deixou um breve riso escapar. – Enfim, eu vim fazer uma pergunta a você.

- E o que seria?

- O Hanami Matsuri (Festival das Flores de Cerejeira) já começou, e eu gostaria de fazer um piquenique nesse fim de semana.

- Claro... Mas por que teve que vir aqui avisar?

- Porque... Bem... Eu queria muito que você buscasse a Hinata na casa dela, porque eu não queria que ela fosse sozinha.

- N-nã-não pre-precisa i-ir me bu-buscar. – A Hyuuga estava tão nervosa que mal se entedia o que ela dizia e parecia que a qualquer momento ela ia desmaiar.

- Mas é claro que eu posso ir! – O loiro então se aproximou da Hyuuga e abriu um largo sorriso. – E não quero te ouvir contestando, Hinata... Que tipo de cara eu seria se a deixasse ir sozinha?

Naquele momento a loira desviou seu olhar e percebeu que o Hyuuga a encarava, houve uma troca de olhares estranha e então ele resolveu se aproximar.

- Ah-ah... – A Hyuuga estava prestes a desmaiar, então a loira lhe segurou a mão, afastando-a do irmão e aproveitando para se afastar do ex também.

- Obrigada Naruto... Vai avisando todo mundo, por favor. – Conforme se afastava deles, acenou por um breve momento e, tendo tomado distância o bastante, parou para a Hyuuga tomar um ar.

Logo percebeu que ainda faltava um tempo até a primeira aula, então pediu para a amiga ir na sua frente, pois tinha um assunto para resolver.

Aproveitando que o refeitório da Universidade estava próximo e que ainda faltavam vinte minutos até o início das aulas, a loira foi até as maquinas de venda automática. Naquele horário, o refeitório era quase deserto, então rapidamente pegou um cappuccino e o tomou, precisava de cafeína, não imaginou que logo que voltasse ao Japão, o pesadelo pioraria, estava cada vez mais difícil ter uma noite de sono decente. Naquele momento, bocejou, precisava de mais cafeína. Foi até a máquina de chás e escolheu um chá verde, mas logo que colocou o dinheiro percebeu o ruivo se aproximando, porém ele simplesmente a ignorou e passou direto, indo até a máquina de café, onde ela estava anteriormente.

- Sabaku... – Fechou os olhos e respirou fundo, sabia que se arrependeria disso, mas precisava se desculpar. Naquele momento pegou seu chá e se aproximou; ele, por sua vez, já a encarava, aguardando-a falar. – Sobre ontem a noite... Eu queria me desculpar.

- Eu não preciso das suas desculpas. – Pegou seu café e a encarou uma ultima vez antes de prosseguir. – A única coisa que quero de você, é distância.

- Ótimo então. – Não ia discutir com ele, seria perda de tempo. Virou-se e começou a caminhar rumo a saída; apesar de não admitir, as vezes o ruivo a assustava, sempre parecia ter uma gigantesca aura negra ao redor dele, mas aquilo era apenas devido a extrema animosidade dele. E falando em animosidade, um irritado Neji vinha em sua direção. E agora? Seria muito vergonhoso sair correndo?

O Hyuuga se aproximava a passos pesados, estava completamente perdido meio a pensamentos e preocupações, como se já não bastasse todos os problemas que tinha em casa, todas as pressões com faculdade, empresa, sucessão, casamento, ainda tinha que ficar correndo atrás de alguém que o odiava, evitava, ignorava, enquanto ficava com uma péssima fama pelos corredores da Universidade. Tinha que acabar com isso o quanto antes. Naquele momento estavam cara a cara, cada um perdido em seus próprios pensamentos, mas o Hyuuga quebrou o silencio.

- Será que você pode parar de me evitar por cinco minutos e ouvir o que eu tenho a dizer?

- Hm... – Será que deveria mesmo provoca-lo naquele momento? Conhecia-o bem o bastante para saber quando não estava apto a receber afrontas. Mas espera. Quem disse que ela se importava? - Não. – Sorriu irônica. – Agora, com sua licença... Hyuuga... As aulas começam em pouco tempo.

- Já chega. – Segurou-a pelo pulso e a puxou um pouco para si. – Agora você vai me ouvir.

- Me solta, Hyuuga. – A loira tentou se soltar, mas além de não permitir, começava a apertá-la mais. – Você está me machucando.

Logo que terminou seu café, o ruivo se dirigia a saída e ia ignorar completamente a discussão dos dois, até ouvir a ultima frase da loira. "Você está me machucando"; levou uma das mãos a cabeça. Por que ela tinha que dizer isso? Malditas lembranças. Só lhe traziam dor de cabeça e raiva. E cada vez mais raiva. Respirou fundo e olhou para eles, tentando focar na situação e simplesmente ignorar, mas sua visão parecia nublar e era como se não visse mais quem realmente estava ali, mas sim vultos de seu passado. Era isso que chamavam de dejavu? A dor de cabeça piorava e sua visão já parecia trêmula, não podia se deixar levar por algo tão estupido, precisava sair dali logo, os pensamentos já ficavam desordenados. Droga, não acreditava que iria fazer isso.

- Solta ela. – Logo que ouviram uma terceira voz, a discussão parou. Nenhum dos dois acreditou que ele realmente estava ali se intrometendo. E, aproveitando aquela rápida distração deles, o ruivo segurou no braço da loira e a puxou, fazendo com que o Hyuuga a soltasse. - Vai pra sua sala, garota.

A ultima coisa que esperava, era a intromissão do ruivo, como assim ele a estava defendendo? Os dois se encaravam, desfiando um ao outro. Será que iam brigar ali? Naquele momento?

- Ei... Vocês dois. Não precisa de tudo isso. – Colocou a mão no ombro do ruivo, mas quem se virou não parecia ele. As sobrancelhas estavam franzidas, os lábios apertados pareciam formar apenas uma linha fina e podia jurar que os olhos dele estavam mais escuros, pois tudo o que via era ódio. Naquele momento sentiu como se ele pudesse matar qualquer um que cruzasse o seu caminho. – Gaara?

- Eu mandei você ir para sua sala.

Sentiu seu corpo estremecer desde os dedos dos pés até seu ultimo fio de cabelo. Deu um passo para trás, mas não podia se intimidar. Encarou o Hyuuga com cara de poucos amigos e entrou no meio dos dois.

Naquele momento, o ruivo resolveu ignorar a loira e voltou a encarar o Hyuuga, sendo assim, só percebeu que haviam lhe estapeado a face quando sentiu a ardência tomar conta da parte esquerda de sua face. Olhou para baixo e se deparou com brilhantes olhos azuis. Ela ia chorar? Ou aquilo tudo era raiva? Não teve tempo de assimilar, pois ela lhe segurou o pulso e o puxou para fora do refeitório.

- Posso saber o que foi aquilo? Não entendi o que deu em você. – A loira tentava se acalmar, mas as mãos chegavam a tremer tamanha a raiva que estava sentindo.

- Isso é problema meu. – Apenas cruzou os braços, observando-a andar de um lado pro outro, completamente desnorteada. Por pouco ele não havia perdido o controle.

- Problema SEU? É sério isso? Eu achei que você ia matar alguém. – Parou defronte ao ruivo e o encarou nos olhos por alguns momentos. Parecia ter voltado ao normal. – Você é bipolar ou algo do tipo?

- Não é nada disso, garota. – Por que havia ido até lá mesmo? E por quanto tempo ela ainda iria reclamar?

- Escuta aqui, Sabaku... – Logo se ouviu o sinal, anunciando o inicio das aulas. – Ahhhh! Eu estou atrasada! – Ela o ignorou completamente e, para a alegria dele, saiu correndo desesperada.

Chegou ainda ofegante a sala, mas a porta estava fechada. Bateu suavemente sobre a madeira e respirou fundo, até o professor abrir e o ar parecer lhe faltar, chegando até a dar um passo para trás diante daquela intimidadora aparência. Ele era real mesmo? Era tão magro que parecia doente, tinha os cabelos longos num preto escorrido, a pele tão branca que parecia lívida, os olhos amarelos lembravam os olhos de uma cobra. E só o olhar dele já dava aquele arrepio assustador. A coragem para falar havia desaparecido.

- Diga o que quer. Não tenho o dia todo.

– Érrr... Eu... Acabei me atrasando porque ainda não me adaptei ao fuso-horário, sinto muito... – Fez uma longa reverência. – Será que eu poderia entrar e assistir sua aula? – Levantou seu olhar novamente e ele riu sarcástico. Simplesmente riu.

- Obviamente outra Uzumaki. Pois bem, eu não permito atrasos... Então espero que da próxima vez chegue cedo e que me chame de Orochimaru-sensei – E então a porta foi batida a sua frente.

Como permitiam que alguém, ou aquilo desse aula de química ou de qualquer outra matéria? Mas... Não adiantava questionar, sendo assim, já que não podia entrar, resolveu dar umas voltas pela escola, foi até o refeitório central e comeu um pouco, assistiu à aula de Ginástica de outra sala, e assim que o sinal soou, pôde assistir a todas as outras aulas normalmente.

Terminadas as aulas, dirigia-se ao refeitório com a Hyuuga e o Inuzuka quando estagnaram ao ver uma grande roda de pessoas; seu coração disparou e naquele momento já soube o que estava acontecendo. Com muito esforço, passou por entre as pessoas, constatando então, o que temia: O Hyuuga e o Sabaku estavam no meio da roda brigando.

Trocavam socos e chutes como dois desesperados, pareciam querer se matar. Logo a loira entrou na roda e observou os dois mais de perto. Não tinham sido atingidos no rosto, apenas pelo fato de se defenderem muito bem, mas em compensação os uniformes já possuíam rasgos, os braços tinham hematomas, arranhões e cortes novos a cada vez que um caía, mas nenhum se importava e nem parecia enxergar a loira ali perto. Pelo menos não a viram até ela entrar no meio. O ruivo a encarou friamente, mas o Hyuuga acertou um forte soco na boca do outro, fazendo-o dar um passo para trás e começar a sangrar.

A partir daí, a situação se agravou, o ruivo voltou a investir contra o outro e mesmo tentando ficar ali no meio para separá-los, aquilo era uma tarefa impossível; não queria bater em nenhum deles, pois achava que isso só faria tudo ficar ainda pior, mas eles já não pareciam pensar da mesma forma, ou mesmo pensar em qualquer coisa, pois o Hyuuga sequer pestanejou ao empurrá-la bruscamente, de forma que ela caiu de lado, e foi arrastada por alguns poucos metros, arranhando a lateral de sua coxa, antebraço, mão e imediatamente começando a sangrar.


Olá serumaninhos! 3
Cá está o segundo cap. Espero que gostem e, se não gostarem de algo, aceito sugestões. :3
Toda semana tentarei postar um capítulo novo.