CAPITULO III
Naquele momento, como num piscar de olhos, mais alguém adentrou na roda. A loira não conseguia ver direito quem era; tudo que pôde observar é que ele se vestia todo de preto, era mais alto que os outros dois e possuía fios negros caindo até o meio das costas e presos num baixo rabo de cavalo.
Sem qualquer dificuldade ele se aproximou, colocou as mãos, uma sobre o peito de cada um e os empurrou com força, a fim de afastá-los e assim, fazendo-os cair sentados.
A loira permanecia sentada apenas observando a situação, quando então ele se virou; os profundos olhos ônix que não eram ofuscados nem pelas profundas olheiras, o rosto bonito com algumas partes do cabelo insistindo em cair por cima. Parecia uma versão mais velha do Sasuke, mas então ele lhe estendeu a mão e sorriu amenamente.
- Itachi... – Segurou na mão dele e, com um pouco de dificuldade se pôs de pé. – Que bom que você está aqui. – Abraçou o Uchiha fortemente e ele imediatamente a correspondeu; naquele momento algumas lágrimas escorreram pela face dela.
Enquanto isso, a roda de pessoas se dissipava e os outros dois pareciam ter despertado de um transe. O Hyuuga entrou em choque ao perceber o que havia feito; levou uma das mãos a cabeça e respirou fundo, o que ele havia se tornado? Ajeitou novamente os cabelos que estavam desaninhados e quando voltou seu olhar para o ruivo, esse já estava de pé e indo embora. Antes ele não estava tentando protege-la e agora sequer se importava com o que havia acontecido?
- Está doendo muito? – Separaram o abraço e sorriram um para o outro, ele com simpatia, ela, melancolia.
- Não... Não está. Sabe que já passei por coisa pior. – Desviou seu olhar e encarou o Hyuuga por alguns momentos. Estava com muita raiva e não fazia questão de esconder, mas ele nem conseguia olhá-la nos olhos mais. Tudo que viu naquele olhar antes que ele se virasse foram angústia e remorso. – Eu vou para casa agora... Depois me resolvo com eles.
- Quer companhia?
- Desculpe, mas hoje não. Preciso de um tempo sozinha. – Com um pouco de esforço, colocou-se nas pontas dos pés e beijou a bochecha do Uchiha antes de se virar e sair a passos capengas e lentos.
A cada passo que dava, sentia mais dor, o sangue que escorreu pela perna e braço, já estava quase seco; a mochila nas costas parecia pesar mais e ainda estava apenas chegando à saída de Konoha. Visualizando o grande portão de madeira, viu algumas pessoas saindo apressadas, outras paradas e conversando, outras andando calmamente, mas só um estava parado. De longe reconheceu aqueles fios vermelhos; o ruivo estava na extremidade esquerda do portão e, conforme aumentava a proximidade, tinha a impressão de que ele a estava encarando. Ou será que não era impressão?
Desviou seu rumo e só parou ao estar defronte a ele. Olharam-se por alguns instantes, e percebendo que ele não diria nada, a loira suspirou e resolveu iniciar o diálogo.
- Qual é a porra do seu problema? – A loira chegava a sibilar as palavras lentamente, como se depositasse sua raiva em cada respiração. - Eu sei que não fez isso para me defender, então o que foi? – A loira o encarava sem qualquer resquício de sentimento, enquanto ele parecia tencionar responder, mas imediatamente desistia. – Nem uma resposta irônica? Um discurso de ódio? Nada? Está com remorso, por acaso?
Ele a encarou uma última vez antes de colocar as mãos no bolso e lhe dar as costas, mas logo que tencionou ir embora, ela o chamou.
- Sabe... Eu não te conheço, nem sei nada sobre você, mas por algum motivo pensei que por trás disso tudo você devia ser um cara legal. Logo no segundo dia já vai me provar que estou errada? – Logo que ele se virou, a loira estava se aproximando. – O fato de ter sido o Hyuuga quem me empurrou, não o torna menos culpado. – Parou ao lado dele e tirou a mochila das costas, colocando-a no chão. Ele a observava com certa curiosidade, apenas aguardando sua próxima atitude. – Vai voltar comigo para a casa, caso eu precise de ajuda... Para que eu não tenha que pedir pra ninguém de fora. – Encarou-o mais uma vez, o mesmo olhar frio e sem expressão, mas o dela tinha um brilho decidido e irritado. – Você me deve isso.
Sem dizer nada, ele simplesmente se aproximou e pegou a mochila dela, jogando-a nas costas antes de retomar a caminhada, só que dessa vez, com a loira ao seu lado.
Alguns minutos de caminhada e pouco avançaram, ela parecia mancar cada vez mais e a todo o momento o ruivo precisava parar afim de não ficar muito a frente e aquilo já parecia lhe tirar a paciência; por outro lado, frequentemente ficava a olhando pelo canto dos olhos, afinal ela mancava enquanto tinha sangue lhe escorrendo até os pés, ora ou outra fazia caretas de dor, e ainda era teimosa o bastante para não parar em momento algum. Sendo assim, ele parou e a encarou dos pés a cabeça.
- Desse jeito a gente só vai chegar amanhã.
- Tá bom, então eu vou mais rápido. – Ele suspirou diante da resposta dela, parecendo irritado.
- Tem um jeito de ir bem mais rápido. – Olharam-se por alguns momentos, até a loira entender o que ele quis dizer e dar um passo para trás.
- Não. Eu odeio ser carregada. Nós vamos andando.
- Ah... Você odeia? – Ele comprimiu levemente os lábios, como se fosse sorrir e lançou um olhar maldoso a loira.
- É. Então vamos andando.
- Não, não vamos. Ou você sobe nas minhas costas, ou eu te carrego a força.
Ela o encarou ameaçadoramente, mas ele não se intimidou, e vendo que não tinha escolha apenas revirou os olhos e bufou irritada antes de pegar sua mochila de volta e, com certo esforço subir nas costas dele, porém logo que o ruivo segurou em sua coxa, mesmo que quisesse disfarçar a dor, por instinto apertou-lhe o ombro, fechou os olhos e soltou uma baixa exclamação, pesando mais a sua respiração por um breve momento.
Percebendo que não conseguiria segurar-lhe a coxa, e sem qualquer paciência para espera-la rastejar até a casa, jogou-a um pouco mais para cima, a fim de não deixa-la cair e ao invés de lhe segurar as coxas, segurou as nádegas.
- Ma-mas... O que você pensa que está fazendo? – A indignação da loira foi tão grande que ao tentar se soltar do ruivo, o peso da mochila a puxou para trás, fazendo-a segurar na gola dele na hora do desespero, sufocando-o e derrubando os dois no chão.
- Você é louca?!
- Isso doeu, tá? – Ajeitou a mochila nas costas, antes de tencionar se levantar. – E você me apalpou do nada!
- Você estava me sufocando!– Logo que o ruivo levantou já se virou para a loira, mas ela o olhava com uma expressão confusa. – Só não queria segurar na sua perna porque você está com dor... Não estou te assediando, garota.
- Claro... – Ela se levantou um pouco desconfiada, mas voltou a subir nas costas dele, mesmo que não estivesse segurando exatamente a sua perna.
- Além do mais, por que eu ia querer lhe apalpar se você não tem nada?
- AAH! Cala a boca! – O ruivo não viu, mas assim que ela estapeou suas costas, tentou olhar para baixo a fim de constatar a frase dele e, após isso fez uma expressão chorosa.
Mais alguns minutos de caminhada e o ruivo quase estagnou ao sentir a loira apoiar a cabeça em seu ombro, não gostava daquele tipo de proximidade, pois para ele indicava uma intimidade que não possuía com ninguém, e que nem desejava possuir; mas devida à situação resolveu apenas ignorar a folga dela, afinal já estavam chegando.
Assim que avistou a casa, distinguiu os irmãos da loira e o Uchiha esperando impacientes na porta, e logo que o viram foram em sua direção.
- Você está bem? – Ambos os Uzumakis correram até a loira, enquanto o Uchiha parou defronte ao ruivo, lançando um olhar desconfiado para a posição da mão deste.
- Eu estou bem sim, pode ficar tranquila, Mayura. – O ruivo a colocou no chão e logo todos entraram em casa.
O loiro havia explicado que o Inuzuka correu até ele contando tudo até a parte que o Hyuuga a empurrou, pois naquele momento ele saiu para pedir ajuda. Dessa forma, o irmão não parava de ofender e proferir ameaças ao Hyuuga enquanto a loira se esforçava para ignorá-lo. Conforme subia a escada, ouviu os irmãos agradecerem ao ruivo por tê-la ajudado; trancou-se em seu quarto e respirou fundo, precisava tirar tudo aquilo da cabeça e se limpar, então aproveitou para tomar uma ducha fria. Após sair, a irmã lhe ajudou a limpar os ferimentos mais profundos com cuidado e cobriu-os com curativos. Desceu de volta para a sala e se sentou no sofá, ao lado do Uchiha.
- Você também nem pense nisso. – Olhou para o moreno, como se soubesse o que ele estava pensando; e sabia. Tanto ele quanto seu irmão queriam bater no Hyuuga, mas isso era assunto dela, e não permitiria qualquer intromissão. Já não lhe bastava o ruivo ter se intrometido por ela ter sido covarde demais para encarar seus problemas.
O Uchiha virou o rosto e ambos passaram a se encarar, ora levantavam uma sobrancelha, ora torciam os lábios, como se discutissem silenciosamente; até que, por fim a loira cruzou os braços e bufou irritada.
- Isso é problema meu.
-Hm... – O Uchiha revirou os olhos e respirou fundo, evidentemente aborrecido, desviou o olhar para a escada e só naquele momento percebeu que a outra Uzumaki os observava. – Certo. – Levantou-se e viu o rosto da ruiva atingir o mesmo tom dos cabelos antes de passar reto por ela e se dirigir a cozinha.
- O que foi isso? – A ruiva se aproximou da irmã, sentando-se no local onde o Uchiha estava anteriormente.
- Ele tá estressadinho, daí não gosta de falar com ninguém. Não é nada com você, relaxa.
- Não isso... Vocês dois estavam discutindo em silêncio? Conversando? O que era aquilo?
- Ahhh... Não sei... Fazemos isso há tantos anos. Já é normal pra gente. Começamos isso quando queríamos guardar algum segredo do Naruto.
- Mas achei que vocês três não tinham segredos.
- Bem... – A loira sorriu e por um momento se perdeu entre lembranças numa casa na árvore. – Só um.
A ruiva quis perguntar, mas se o irmão não sabia, por que contaria a ela que nunca esteve ali por perto? Suspirou e sorriu disfarçadamente, então naquele momento a campainha tocou.
A ruiva se levantou e atendeu a porta. Do lado de fora, estava uma jovem de curvas medianas, cabelos e olhos castanhos e um grande sorriso nos lábios ao ver a ruiva; era possivelmente tão alta quanto a Yamanaka e evidentemente mestiça. Tinha feições delicadas e bonitas, apesar de ser atleta.
Estranhou ao reconhecer a amiga da irmã. Afinal, ela mora na Áustria, ou pelo menos deveria morar. Após os cumprimentos, convidou-a a entrar e a levou até a irmã.
- Ahhhh... – A loira sorriu e se levantou rapidamente, abraçando a amiga com força. Por um momento, toda a dor havia sumido. - Mas... O que faz aqui, Tenten? – Separaram-se do abraço e se encararam por alguns momentos.
- Mas o que aconteceu com você? – Olhou para a amiga toda arranhada e repleta de curativos, e se assustou.
- Longa história... Daqui a pouco explico.
Pararam a conversa assim que perceberam o loiro e o Uchiha entrando no ambiente.
- Ah... Essa é a minha amiga Mitsashi Tenten. – Após ter a atenção de ambos, a loira se virou para a amiga novamente. – Esses são meus irmãos Uzumaki Naruto e Uchiha Sasuke.
- Ouvi falar muito de vocês. – A mestiça fez uma breve reverência, sendo acompanhada pelos dois em seguida.
- Sasuke... Vai sair com a Mayura agora ou mais tarde? – Após a loira se pronunciar todos olharam para a ruiva, fazendo-a corar mais a cada segundo.
- Hmm... – Pareceu ponderar por alguns momentos antes de se virar na direção da porta. – Vamos?
- Ah... Agora? É... Claro. – A ruiva respirou fundo a fim de se acalmar, afinal parecia solícita demais. – Quer dizer... Pode ser.
Daquela forma o Uchiha se dirigiu a porta, sendo acompanhado pela ruiva e ambos saíram deixando um loiro confuso para trás.
- Mayura queria ver a cidade, mas não queria os irmãos chatos no pé dela. Sem pirar de ciúme.
- Não estou com ciúmes... Só que eu sou o irmão mais velho e ninguém me fala nada. – O loiro cruzou os braços e fechou o semblante. – Vou sair pra almoçar.
- Ahhh... Ok então.
Daquela forma, o loiro saiu, deixando as duas amigas sozinhas na sala para colocar a conversa em dia.
- Então... Está visitando o Japão ou veio pra ficar?
- Vim morar com meu pai. – Sentaram-se no sofá mesmo, já que a loira demoraria pra subir os degraus até o quarto.
- Sua mãe não ficou brava por você deixa-la sozinha?
- Ah... No começo ela ficou... Mas depois aceitou bem... – Logo após isso, ela assumiu um tom mais sóbrio. – Agora me diz... O que houve com você?
Conforme a loira explicava toda a história, a mestiça parecia cada vez mais confusa com toda a situação; daquela forma, passaram umas boas horas falando sobre todo o assunto e os envolvidos, parando apenas quando o ruivo descia para a cozinha e a amiga não hesitava em medi-lo da cabeça aos pés.
- Dá pra parar com isso? – A loira deu um tapa frouxo no braço da amiga enquanto ria.
- Não mesmo... Você quem é louca... – Olhou para o lado a fim de constatar que o ruivo ainda estava na cozinha antes de prosseguir. – Você convive com tanto cara lindo e fica aí se lamentando por um babaca qualquer. Deixa de ser troxa.
- Dois deles são meus irmãos, tá?
- O moreno lá não é seu irmão, você quem é burra e pôs ele na friendzone... Esperta é a sua irmã.
- Para de falar essas coisas. – Ambas começaram a rir, mas mais uma vez a campainha tocou.
Após algum esforço a loira chegou à porta, mas logo que a abriu e viu quem era, decidiu por batê-la na fronte do mesmo, mas ele foi mais rápido e a impediu.
- O que quer agora, Hyuuga?
O loiro havia acabado de sair do Ichiraku e retomava o caminho para casa, quando, ao passar em frente a um antigo parque da cidade, deparou-se com a Hyuuga sentada em um balanço. Ao se aproximar, percebeu que ela, na verdade, estava chorando.
- O que aconteceu, Hinata?
- Ah... Hã? Na-nada... Na-Naruto-kun... – Ela tentou limpar as lagrimas com a manga da blusa, porém foi impedida, pois o loiro lhe segurou as mãos delicadas.
- Pode confiar em mim.
- E-eu... Bem... – Ela respirou fundo e sorriu de forma melancólica. – Meu pai... Que-quer... Arranjar meu ca-casamento... Para o bem dos... Dos... Negócios da família... Mas e-eu sou... Apaixonada por... – Fitou os olhos do loiro por um momento, mas logo desviou o olhar. – Por... Outra pessoa.
- Ainda existe essa coisa de casamento arranjado?
- É que... Meu pai é... Muito tra-tradicional...
- Se você gosta de outra pessoa, eu acho que vocês deveriam lutar para ficar juntos. – O loiro então sorriu para a Hyuuga, que apenas corou ainda mais.
- É... É que... – Passou a encarar os próprios pés para tentar esquecer a vergonha. – Ele... E-ele não me-me nota.
- Então... Ele deve ser um idiota. – O loiro então, pousou seu olhar sobre um canteiro com varias tulipas cor-de-rosa e se levantou, indo em direção a essas e sendo seguido pelo olhar da Hyuuga, porém, ele voltou com uma tulipa amarela, que aparentemente, estava encoberta sob as outras. Estendeu a flor para ela e lhe abriu um sorriso. – Sabe... Essa flor é como você, Hinata... Ela é única e, mesmo que seja difícil de enxergar às vezes, sempre que a vemos vale a pena... Esse cara aí, ele só precisa vê-la e com certeza não irá resistir.
O Uchiha e a ruiva já haviam passado por quase toda a cidade, nada de pararem em algum lugar ou mesmo de conversarem; passaram todo o trajeto em silêncio. Afinal, ela esperava que o Uchiha fosse puxar assunto e convidá-la pra comer algo? Se a ruiva quisesse, deveria se pronunciar.
Mas quem disse que ela conseguia? Sempre que cogitava, ficava constrangida e engolia as palavras que lhe travavam a garganta. E daquela forma permaneciam naquele silêncio, rotineiro para ele, torturante para ela.
Sem contar que em toda rua que passavam, ele era o centro das atenções, eram garotas o observando de longe e cochichando com as amigas, outras que o cumprimentavam de longe e algumas até arriscavam vir tentar falar com ele, mas o Uchiha era frio demais para lhes dar qualquer atenção ou resposta. Assim apenas as olhava e passava reto, deixando a ruiva com ainda mais medo de falar algo e ser ignorada.
Suspirou derrotada quando viu que já estavam voltando para casa. Tinha que aceitar o fato de que nunca daria certo com ele, sequer conseguiam conversar. Após ponderar durante todo o caminho, decidiu desistir daquele "amor à primeira vista"; ele não devia ser o cara certo pra ela. Naquele momento, reparou que havia uma livraria na próxima esquina; moveu os lábios várias vezes tentando falar, tencionou cutuca-lo, puxar-lhe a camiseta, tocar-lhe o ombro ou qualquer outra coisa para chamar a atenção, mas quando estava prestes a encostar no braço do moreno, ele parou de andar e se virou para ela, fazendo-a corar levemente e parar com o braço no ar.
Ele arqueou uma das sobrancelhas ao vê-la ali com o braço parado e, instantaneamente a ruiva pareceu se recompor, sorrindo para ele com o rosto enrubescido, sentindo-se uma idiota na frente dele.
- Ahhh... Érrr... Desculpa... Eu... Bem... – Estava com tanta vergonha que não conseguia nem formular uma frase. Devia ser muito patética mesmo.
- Queria dizer algo?
- É que... Eu gostaria de... De ir... – Respirou fundo antes de mais uma vez tentar terminar a frase, mas ele não teve paciência para esperar.
- Na livraria?
- Isso! Como... Você érrr... Sabia?
- É que estamos na frente já.
- Ah... Claro! Certo! – Encararam-se por mais alguns segundos. – Podemos?
Ele apenas se virou e foi na direção da livraria, com ela o acompanhando. Por que parecia tão fácil pra irmã dela?
O Hyuuga ainda tentava convencer a loira a falar com ele quando o ruivo passou atrás da porta, rumo a escada que o levava para os quartos. Percebeu que o ex havia fechado o semblante e se virou para constatar ser quem já imaginava, daquela forma suspirando derrotada.
- Sabaku. – Não olhava mais para ele, mas sabia que ele tinha parado para escutar. – Pode fazer companhia pra Tenten aqui na sala por um momento enquanto converso com o Hyuuga?
O Hyuuga se surpreendeu, pois esperava mais uma negativa da loira, mas assim que ela deu passagem, ele tratou de entrar.
A loira se virou e o ruivo ainda estava parado no pé da escada, encarando-a; dessa forma, ela sorriu maldosa.
- Não precisa conversar com ela... – Passou pelo ruivo, subindo alguns degraus antes de voltar a falar. – Eu sei que você não sabe conversar. – Logo tornou a subir, sendo seguida pelo Hyuuga.
Ao chegar em seu quarto, ela o aguardou entrar, trancou a porta e respirou fundo, mas só naquele momento percebeu que ele segurava uma sacola.
- Ah... Eu não queria vir de mãos vazias. – Ele estendeu a sacola para a loira que a pegou com certo receio, mas nem pôde ver o que tinha lá, pois o que veio a seguir a surpreendeu.
O Hyuuga se prostrou diante dela, fazendo-a dar alguns passos para trás diante de tal atitude.
- Naruko, por favor, me perdoe. – Ao se levantar, ele deu alguns passos na direção da loira, porém, ela apenas recuou, fazendo-o parar. – Eu sei que te machuquei demais, mas nunca quis que fosse assim.
- Érrr... – A loira estava boquiaberta e completamente sem reação diante do Hyuuga. Aquela era a ultima coisa que esperava ver o orgulhoso e gênio Hyuuga Neji fazendo. – Nej... Hyuuga... – Logo a loira retomou a postura e o ego ferido falou mais alto. – Eu... Ainda não estou pronta para te perdoar.
- Eu entendo. Aconteceu muita coisa. – O Hyuuga tornou a se afastar.
- Que bom que entende. – A loira caminhou até a porta do quarto, abrindo-a. Realmente queria perdoá-lo, mas a mágoa ainda falava mais alto, ainda mais depois do que ele havia feito hoje. Daquela forma ele saiu do quarto a passos lentos, todavia parou na porta a fim de se despedir. Logo que tencionou falar, a loira o cortou. – Eu... Só preciso de um tempo. Ainda mais depois do que aconteceu hoje.
Ele apenas fez uma reverencia para a loira e se retirou. Ela, por sua vez voltou a se trancar no quarto; olhou para a sacola em sua mão e retirou de lá uma caixa delicada de tons pastel que já conhecia bem. Abriu-a e lá estavam eles: 32 macarons dos 8 sabores favoritos dela.
~ Flashback On ~
Era dia dos namorados. A loira havia matado aula apenas para tentar fazer chocolates para o Hyuuga, porém, já havia passado da hora do almoço e tudo que conseguira fazer fora bagunça. Havia chocolate sobre a pia, o fogão, a mesa e até ela mesma estava completamente coberta. Olhou sobre a mesa uma caixa com bombons que ela havia comprado para entregar ao namorado em ultimo caso e aceitou o fato de que não nascera para cozinhar.
Sabia que a qualquer momento o namorado iria aparecer e que, certamente, estaria com uma sacola cheia de chocolates que as garotas do colégio entregavam todo ano. Pareciam até que elas eram profissionais, faziam chocolate como se fosse a coisa mais simples do mundo. E ainda por cima, ficavam deliciosos. Sabia disso porque o Uchiha recebia tanto chocolate que acabava dividindo entre os amigos, pois não gostava de doces.
Olhou a sua volta e quis jogar tudo na parede. Era uma namorada tão inútil que não sabia nem fazer algo simples como chocolates. Completamente decepcionada consigo mesma, resolveu pegar um pote de sorvete e se sentar numa das cadeiras. Porém, feito isso, o Hyuuga apareceu na porta da cozinha; tinha uma das sobrancelhas levantadas ao ver tamanha bagunça e segurava uma sacola numa das mãos.
- O que houve aqui, Naruko? Algo explodiu?
- Não. – A loira o respondeu de forma seca e voltou a comer seu sorvete, enquanto uma aura negra parecia rodeá-la. Porém, sua atitude logo mudou, pois ela baixou a cabeça e passou a encarar um ponto aleatório da cozinha. – Eu... Estava tentando fazer chocolates pra você.
- Érrrr... – Ele novamente olhou em volta, desacreditando na bagunça que ela fizera. – E conseguiu?
- Está mais do que óbvio que não, né!? – Ela então pegou a caixa que estava sobre a mesa. – Mas eu comprei essa caixa pra você. – Estendeu as mãos, enquanto ele se aproximava.
- Eu não quero... – Pegou a caixa das mãos da loira e colocou novamente sobre a mesa, junto com a sacola. – Eu quero que a minha namorada faça os meus chocolates.
- Você é besta? Não percebeu que eu não sei nem ferver água sem causar estrago? – A loira cada vez se irritava mais. – E, além do mais, você deve ter ganhado muitos chocolates pra ter que se preocupar com os meus.
- Ah... Então é com isso que você estava preocupada? – O Hyuuga então apoiou uma das mãos sobre a mesa e, com a outra, levou o indicador ao queixo da namorada, fazendo-a encará-lo. – Você é besta? Eu sou SEU namorado, por isso não aceitei nenhum presente de outra garota hoje. – Ele então se afastou e pegou da sacola uma grande caixa de tons pastel cheia de macarons. – Eu comprei esses aqui para você.
- Obrigada. – Apesar do constrangimento, a loira estava radiante por dentro. Logo que pegou o presente das mãos do Hyuuga, sorriu tendo a face completamente ruborizada e se levantou, deixando o pote de sorvete e a caixa sobre a mesa. Pegou a ultima barra de chocolate que estava no armário e voltou a encarar o namorado, esse que, aliás, já estava comendo do sorvete dela. – Mas ainda temos o problema de eu não saber cozinhar nada.
- Então... Acho que você não me dá escolha... – O Hyuuga tornou a se aproximar da namorada e, ao estar próximo, pôs mais uma colherada de sorvete na boca, tratando de, logo em seguida, puxar a namorada para si e beijá-la. Ela não soube dizer se foi o "choque térmico" que o sorvete causou em sua língua, ou a atitude do namorado que a arrepiou daquela forma, porém, aquilo não importava no momento e tratou apenas de correspondê-lo a altura. Logo que o beijo esquentou, o Hyuuga separou os lábios e sorriu para a loira. – Vou ter que te ensinar a cozinhar, Uzumaki Naruko.
~ Flashback Off ~
Colocou a caixa sobre a escrivaninha ao lado da porta, respirou fundo e segurou a maçaneta, tencionando sair, mas involuntariamente começaram a rolar lágrimas por seu rosto.
- Droga. – Olhou para cima e mais uma vez respirou fundo, como se isso fosse lhe acalmar, vendo que não resolveria, socou a porta e apoiou a testa na madeira fria. Devia estar com raiva e não triste, afinal ele era o errado. Foi quando as forças pareceram lhe faltar e as primeiras a fraquejar foram as pernas, acabando por cair de joelhos no chão frio. Seus olhos mais uma vez se enchiam de lágrimas. Não conseguia lembrar aonde fora que as coisas haviam começado a desandar, tudo sempre pareceu perfeito entre os dois, e isso era o que mais lhe doía.
Não sabia dizer se o sentimento que não a abandonava era mágoa, rancor, raiva, ou se ainda não o esquecera de verdade e ficava repetindo a mesma mentira para si. As lágrimas insistentes escorriam por sua face; queria ir embora de novo, e viver a mentira de que era feliz morando com sua mãe.
Conforme o Hyuuga desceu as escadas, reparou no Sabaku e a amiga da loira vendo TV, mas depois que o viram, tratou de sair da casa sem dizer qualquer coisa.
Percebendo que o Hyuuga desceu sozinho, assim que ele saiu a mestiça olhou para o ruivo por um momento, mas percebendo que ele não diria ou faria nada tratou de se levantar e subir as escadas correndo, preocupada com a amiga que não desceu.
Passou de porta em porta, procurando o quarto da loira, pois ainda não conhecia a casa para saber qual era o dela e chegando no penúltimo, ao bater na porta ouviu-a destrancar a porta e suspirou aliviada, mas logo que a porta foi aberta, deparou-se com a amiga com olhos inchados e lacrimejantes.
- Ahhhh Naruko. – Entrou no quarto e abraçou a amiga com força, deixando-a chorar em seu ombro e a aguardando ter estrutura pra falar.
Após deixar a Hyuuga em casa, o loiro foi para sua própria a tempo de jantar com a irmã, o ruivo e a Mitsashi e depois de um pouco de conversa se despedir da ultima.
Estava preocupado com a ruiva, mas sabia que ela estando com seu melhor amigo, estaria segura, sendo assim resolveu relaxar e assistir algum filme com a irmã enquanto a esperavam. E surpreendentemente, o ruivo também ficou para assistir o filme, apesar de estar afastado.
Já haviam passado duas horas desde que a ruiva e o Uchiha estavam na livraria, mas não se importavam desde que descobriram o gosto por leitura extremamente parecido. Em especial, o amor por suspense e Stephen King.
Mesmo sem saber nada da vida pessoal dele, ela percebeu que o Uchiha era muito mais do que aquele cara antipático, frio e grosso que parecia ser; descobriu que mesmo durante uma conversa, ele falava pouco; aquilo era da natureza dele, por mais que o assunto o interessasse, e após discutirem Dostoievsky, Nietsche, Maquiavel e outros grandes pensadores ela percebeu que realmente havia se apaixonado.
Foram para a cafeteria que ficava dentro da livraria e, para o alívio dela, após falarem de tanta coisa, a timidez havia sumido quase que completamente. Sendo assim, já conseguia perguntar o que queria e daquela forma começou a descobrir um pouco da vida dele.
- Então você cursa administração apenas para assumir a empresa da família? – Ele apenas acenou positivamente. – Mas... Você não tem um irmão mais velho? Digo... – Desviou o olhar por um momento. – Não quero parecer intrometida.
- Ele nunca quis assumir, então passaram a responsabilidade pra mim.
- Ah... E você nunca quis fazer outra coisa?
- Nunca pensei nisso.
- Ahhh sim. – Sorriu levemente e percebendo que já havia escurecido, pediu a ele para irem embora, mas antes disso cada um comprou seu livro favorito e trocou com o outro a fim de lerem e trocarem opiniões.
Saíram da livraria e mais uma vez fizeram o caminho em silêncio, porém dessa vez o silêncio tinha um ar aconchegante e aprazível, pois não precisavam falar nada; e se precisassem, não havia mais receio em fazê-lo.
Ao chegarem à casa dos Uzumaki, pararam defronte a porta enquanto a ruiva tentava encontrar a chave dentro da bolsa.
- Naruto não vai ficar feliz com o horário que estou chegando.
- É só ignorar.
Riu do comentário do moreno e pediu para ele segurar sua bolsa enquanto procurava a chave, e ele o fez. Logo que a encontrou, levantou o olhar animada para mostrar-lhe, mas estagnou e enrubesceu da cabeça aos pés ao perceber como estavam próximos, porém nenhum dos dois se afastou. Sentiam a respiração um do outro batendo contra a face, mas só se aproximaram mais... E mais... Até que os lábios se tocaram docemente.
Estragando o momento a porta foi aberta, revelando um Uzumaki bem enfurecido com a cena.
E cá está o cap. da semana, espero que gostem e deixem suas sugestões, por favor.
