CAPITULO IV
- MAS QUE PORRA É ESSA? – A raiva era tão nítida na expressão do loiro que a irmã chegou a dar um passo para trás, assustada com o olhar intimidador dele. – TANTA MINA POR AÍ E VOCÊ ACHA QUE PODE PEGAR MINHA IRMÃ, SASUKE?
Naquele momento, a loira veio correndo da sala, assustada com os gritos e achando que havia acontecido algo grave.
- Mas... O que tá acontecendo aqui?
- ESSE TRAIDOR TAVA AGARRANDO A MAYURA! – O loiro tencionou ir pra cima do Uchiha, mas as gêmeas entraram na frente.
- Boa noite, Sasuke. – Sem sair da frente do irmão, a loira se virou para o amigo; ela parecia mais preocupada que o habitual com a crise do irmão. – Até amanhã.
- Até. – Sem dizer mais nada, ele colocou as mãos no bolso e foi embora; sabia que logo o loiro iria se acalmar.
Naquele momento o loiro bufou irritado e encarou a loira com raiva; essa, por sua vez não se intimidou, mas só quando ouviu um soluço tímido foi que percebeu o que havia feito. Olhando para o lado viu a ruiva cobrindo o rosto com as mãos e soluçando, mas mesmo com o rosto encoberto, via as lágrimas escorrendo por seu queixo e pulsos.
- Mayura, eu... – Tentava pensar em algo para dizer, mas simplesmente não conseguia. Naquele momento ela tirou as mãos do rosto, encarando- o por sequer um segundo antes de empurrá-lo e sair correndo até seu quarto.
- Feliz, agora? – A loira encarava o irmão com os braços cruzados.
- O que você esperava que eu fizesse?
- Que agisse como uma pessoa centrada, pelo menos uma vez na sua vida! – Ambos entraram novamente em casa e trancaram a porta. – Você acha que eu quero que ela se apaixone e arranje um namorado? – Caminharam até a sala, onde a loira andava de um lado pro outro enquanto gesticulava e tentava falar calmamente. – Claro que não! Mas isso não é algo que a gente simplesmente pode proibir... Então devemos ter cuidado pra ela escolher alguém decente e que não vá magoar ela.
- E você acha que o Sasuke é esse cara? – O loiro segurou a irmã pelos ombros, fazendo-a parar por um momento e encará-lo. – Acho que um ano fora te fez esquecer como ele é. Quer que eu te lembre?
- Eu sei muito bem que o Sasuke não presta, Naruto. Mas ele é o seu, não... O NOSSO melhor amigo... Então olhe nos meus olhos e responda: Acha que ele beijaria NOSSA irmã se não gostasse dela? Acha MESMO que ele correria o risco de perder nossa amizade por uma garota?
Naquele momento, o loiro emudeceu e se sentou no sofá. Será que ela estava certa? Ele ainda não sabia o que achar da situação, mas resolveu parar pra pensar nisso; e percebendo que ele precisava de um tempo, a loira resolveu deixa-lo sozinho.
Com muita dificuldade, subiu a escada rumo aos quartos; olhou para a esquerda, mas desse lado do corredor só havia o quarto vazio de sua mãe com um banheiro de frente, já olhando para a direita, havia os outros quatro quartos com portas uma defronte a outra e outro banheiro em sua extremidade.
Passou reto por seu quarto e o de seu irmão; olhou para a porta do quarto do ruivo e imaginou se ele havia escutado todo aquele barraco do irmão, afinal ele foi para seu quarto pouco antes de tudo acontecer, então ainda não devia ter dormido. Respirou fundo e tentou ignorar seus pensamentos, batendo na porta defronte ao ruivo.
- Mayura? – Não obtendo resposta, resolveu abrir a porta. – Como você está? – A irmã estava sentada em sua cama, ainda chorando, retraída e abraçando um unicórnio de pelúcia.
Para a loira, o quarto da irmã era desnecessário e exageradamente... Fofo. Caminhou reto da porta até a cama de casal e a abraçou. Apoiou-se na cabeceira acolchoada, mas se afastou rapidamente ao sentir os pisca-piscas que, desnecessariamente, ali ficavam.
- Por que vocês sempre tem que me tratar como criança? – A ruiva se afastou um pouco da irmã enquanto tentava se acalmar, respirando fundo e abraçando sua pelúcia.
- Bom... – Olhou para as paredes antes de responder; todas brancas, exceto a detrás da cama que era azul e cheia de nuvens; sem falar do unicórnio de pelúcia. UM-UNICÓRNIO! Era tão... Infantil. – A gente não te trata como criança... É que nos preocupamos muito com você e temos medo de alguém te magoar.
- Então vocês preferem me magoar vocês mesmos? – A ruiva desceu da cama, jogando a pelúcia sobre a mesma e foi até o lado oposto do quarto, tirando a roupa enquanto caminhava e em seguida jogando-a no cesto no canto direito do quarto. Não possuía guarda-roupa, apenas a cômoda ao lado direito da cama e algumas araras de roupa rente a parede a direita da porta e foi dali que tirou seu pijama, mas conforme se vestia foi atingida por seu próprio unicórnio de pelúcia.
- Por que tá falando no plural se eu tô te ajudando? – Pegou o gato de pelúcia da cama e também jogou contra a irmã, mas errou. – Sua ingrata!
- É por que eu tô brava. – Pegou o gato e o unicórnio do chão e jogou contra a irmã, mas ela desviou, acabando por acertar a estante de livros ao lado da cama que tomava grande parte da parede esquerda. – E vocês sempre me trataram como criança. – Alguns passos do guarda-roupa e estava sentada defronte a sua penteadeira turquesa. Olhou a irmã pelo espelho e suspirou antes de prosseguir. – Eu gostar de coisas fofas não me torna uma criança. Às vezes eu acho até que sou mais madura que você e o Naruto, mesmo vocês achando que precisam me proteger. – Conforme falava, soltava o cabelo das marias-chiquinhas e começava a escová-lo.
Devido a proximidade com a estante de livros, a loira já sentia o nariz coçar, indicando que a alergia lhe daria muito trabalho para dormir aquela noite, sendo assim, levantou-se e foi até o canto direito do quarto, acima da penteadeira; lá haviam alguns pufes espalhados, então se jogou por lá mesmo.
- Eu entendo o que quer dizer, Mayura... É só que... Não consigo evitar... Desculpe... Vou tentar diminuir um pouco. – Sorriu constrangida para a irmã e retraiu os ombros, mas logo relaxou e sorriu mais abertamente. – Mas pra que tanto mau humor? Foi tão ruim assim com o Sasuke?
- Ah... Não foi ruim... Na verdade, foi legal. – Só a menção do Uchiha já a fazia esquecer a raiva e corar com um sorriso delicado lhe desenhando os lábios. – No começo fiquei com tanta vergonha que não conseguia nem falar, mas quando entramos na livraria, tudo melhorou... E amanhã vamos a uma casa de chá... – Naquele momento, o sorriso dela desapareceu, dando lugar a certa aflição. – Ou, pelo menos, íamos.
- Sério mesmo que o Sasuke ia te arrastar pra essas casas de chá tradicionais? – Puxou o outro pufe, deitando-se e começou a rir. – É tãão chato... Bem coisa daquele Uchiha mesmo. Prepare-se pra uma tarde beeeem mórbida.
- Nã- não é chato, na verdade-
- Na verdade, contanto que eu esteja com ele, estarei feliz. – A loira afinava a voz, enquanto "imitava" a irmã. – Que lindo isso. – Começou a rir descontroladamente, até a escova da irmã lhe acertar a cabeça. – Ei! Isso dói.
- Ai! Eu não achei que fosse acertar, desculpa. – Correu até a loira, mas essa jogou a escova de volta, errando.
- Você realmente tem uma péssima pontaria. – Logo ambas estavam sentadas num pufe e rindo de praticamente tudo.
A conversa se estendeu por quase uma hora antes da loira ir para seu quarto; logo que a ruiva se viu sozinha novamente, caminhou até a escrivaninha ao lado da estante de livros e pegou o livro que o Uchiha havia lhe comprado, começando a lê-lo em seguida.
As irmãs Uzumaki estavam com uns cinco anos, e o irmão com uns sete, e todos pulavam animadamente num loiro alto com olhos azuis tão profundos quanto os deles. Era sempre assim quando o pai chegava em casa. Ele ficava fora por dias, ou até semanas, sem ligar ou dar qualquer sinal de vida. Nunca sabiam quando ele ia, muito menos quando voltaria. Por vezes, os três ainda ouviam a mãe chorando no meio da noite quando ele não estava, mas não sabiam o exato por que disso.
Ele sorria e abraçava fortemente os filhos, afirmando que sentira muita saudade e que nunca mais ficaria tanto tempo fora novamente. Pouco tempo depois, assim que os três já haviam se cansado de tanta euforia, os pais se trancavam no quarto e discutiam por um longo tempo, mas apesar de tudo, mesmo tendo os olhos vermelhos depois da discussão, a ruiva saía do quarto com um sorriso radiante. Nos dias seguintes, os três sempre levantavam mais cedo apenas para se certificarem de que o pai ainda estava em casa. Era sempre esse ritual quando Minato retornava.
E continuava aquela animação por mais uns dois dias. Quando ele não estava, o clima mudava, a ruiva tentava fazer de tudo para distrair os filhos, mas mesmo assim, no meio da noite eles acordavam e olhavam para a janela ou espiavam o quarto da mãe, como se ele fosse voltar a qualquer minuto.
Certa noite, a loira se levantou para ir ao banheiro, quando reparou que a luz da sala estava acesa e desceu. O pai estava colocando o casaco, e segurava uma mala numa das mãos.
- Otou-san! Aonde vai? – Ela correu até o pai e segurou a calça dele.
- Naruko? – O loiro se assustou ao reconhecer a filha e agachou até ficar defronte a mesma. – Eu tenho que viajar de novo... Mas volto bem rápido dessa vez.
- NÃO! – A loira o abraçou fortemente. – Eu não quero que você vá!
- Mas eu vou ganhar muito dinheiro lá, filha.
- Não ligo! Eu não quero mais dinheiro... Eu só quero que você fique otou-san! – As lágrimas dela já molhavam a blusa do pai. – Por favor... Por favor... Fica mais tempo aqui com a gente.
- Eu não posso... – Ele então se levantou, pegando a filha no colo e caminhou até chegar ao sofá e se sentar com ela no colo. – Quando eu voltar, eu te trago um urso de pelúcia bem grandão, o que acha?
- Eu não... Não quero presente... Eu quero... O meu pai! – Já soluçava de tanto chorar, mas não soltava o pai.
- Vamos fazer um acordo, então... – A filha até parou de chorar para escutá-lo. – Eu vou hoje, volto bem rápido e então prometo não viajar até o dia do seu aniversário... Que tal?
- Promete? – Apesar de já não chorar mais, tinha a respiração pausada. – Promete nunca mais perder nenhum aniversário meu?
- Prometo! – Ele então sorriu para a loira que levou ambas as mãos para o rosto do pai e lhe beijou a testa antes de abrir um largo sorriso. – Esse será o nosso segredinho, ok? E enquanto não voltar, vou deixar sua irmã sob seus cuidados.
- Certo! – Logo ele a pôs de volta na cama, certificou-se de que todos estavam dormindo e foi embora.
Dez dias após o ocorrido, a mãe chega em casa aos prantos e após abraçar todos os filhos, contou-lhes que o pai havia falecido. O loiro e a ruiva começaram a chorar inconsolavelmente, mas a loira apenas ficou ali parada, em estado de choque. Tudo que ela pensava é que podia ter impedido, de alguma forma, o pai de ter saído naquela noite e poupado todo aquele sofrimento. A culpa era dela. Não merecia derramar uma lágrima sequer.
O mundo a sua volta começava a rachar e aos poucos os pedaços iam caindo. Logo a imagem de sua mãe e de seus irmãos também começava a se despedaçar diante de seus olhos, restando somente ela, completamente imersa nas trevas e sem poder ver sequer um palmo à sua frente. Até que, após algum tempo andando, via um vulto distante sob uma luz, e com certo esforço conseguia reconhecer seu pai.
- OTOU-SAN! – Ele estava ali ajoelhado com os braços abertos, sorrindo-lhe, enquanto ela corria desesperada em sua direção. – OTOU-SAN! – Ele não a escutava o chamando? Parecia que estava correndo há horas, mas permanecia no mesmo lugar. – OTOU-SAN! – Então ele parece cansar de esperar por alguém que nunca chega, e simplesmente se levanta, dá-lhe as costas e sai andando, mas mesmo assim continua correndo, na vã esperança de alcançá-lo até que... Ela finalmente está ali sob a tal luz, mas ele não está mais lá ou em qualquer outro lugar. - Otou-san? – Continuava a procurar em todas as direções, mas quando se dava por si, percebia que já não era mais uma criança. Havia procurado por ele durante anos?
Naquele instante caía de joelhos e começava a chorar inconsolavelmente, como se finalmente percebesse a dura realidade: Ele não ia voltar. Com aquele pensamento sua imagem também começava a se quebrar e a luz se apagava.
Sentou-se assustada e ofegante na cama com o corpo ensopado de suor. Ao olhar o relógio, a loira suspirou: 4:03AM. Levantou-se e foi tomar uma ducha fria a fim de limpar a mente. Desde aquele dia tinha o mesmo pesadelo, e não importava o quanto tentasse nada parecia amenizar essa dor. Mesmo doze anos após o ocorrido, era raro um dia em que essas lembranças não lhe atormentavam de alguma forma.
Após a ducha saiu do quarto a fim de comer algo; começando a descer os degraus rumo à cozinha ouviu um barulho vindo da sala e constatou ser a TV; descendo mais um pouco pôde ver ligeiramente curtos cabelos ruivos por cima e recuou. Não queria vê-lo naquele momento, então resolveu se deitar, mas não dormiu. E foi assim a semana inteira.
Era domingo, o sol sequer havia nascido e a movimentação na casa dos Uzumaki já era grande.
A Hyuuga conversava discretamente com o primo, enquanto ele segurava a cesta dela; logo ao lado, a ruiva conversava com o Uchiha, ignorando completamente um certo loiro de braços cruzados entre eles. A rósea tentava entrar na conversa com o Uchiha, e ao mesmo tempo afastar Lee de si, afinal ele insistia em ficar no seu pé fazendo juras de amor desde o primeiro momento em que se viram, e o pior é que tinha que aturá-lo sob seu teto.
A Yamanaka batia insistentemente na porta do quarto do ruivo, dizendo que ele também devia ir, enquanto a loira conversava com o Uchiha mais velho logo atrás. Após algum tempo, o ruivo se deu por vencido, abriu a porta já bufando irritado e passou pelos três sem dizer qualquer palavra, sendo acompanhado pelo olhar das loiras.
Naquele momento, estando todos prontos, a loira pegou a outra cesta e saíram rumo ao metrô, pois o parque era distante e o lugar muito concorrido nessa época.
Durante todo o percurso a rósea "alfinetava" ou tentava irritar a loira sempre que possível, mas essa apenas fingia não escutá-la enquanto tentava falar com todos. O ruivo ignorava as investidas da Yamanaka, tentando manter a calma e se questionando do motivo de ter saído; a Hyuuga tentava conversar com o loiro, mas acabava gaguejando tanto e falando tão baixo que não se fazia ouvir. Chegando ao destino, a ruiva tentava se aproximar do Uchiha, mas o loiro insistia em ficar entre os dois, mesmo dizendo que não estava mais com raiva.
- Hinata... – A loira, acompanhada do Uchiha mais velho se aproximou da amiga. – Quase me esqueço de perguntar... Por que o Aburame e o Inuzuka não vieram?
- Ah... É-é que e-eles estão muito... - Ela respirou fundo e corou violentamente enquanto tentava formular a frase. -... Ocupados co-com a faculdade.
- Hm... – Trocou um olhar cumplice com o amigo ao seu lado, mas rapidamente retomou a fala. – Tudo bem, teremos outras oportunidades.
- JÁ CHEGA! EU NÃO TE SUPORTO MAIS! – Todos pararam para ouvir a rósea gritando com Lee.
- Mas Sakura-chan...
- SEM MAS!
- Haruno... Pega mais leve com ele. – A loira se aproximou tentando acalmar a situação.
- E você tá se metendo por quê? Isso não é da sua conta.
- Eu só quero que esqueçamos isso para aproveitarmos o dia. – Antes de qualquer resposta ácida, a loira já se virou para o Uchiha. – Não é mesmo, Sasuke?
O Uchiha que, por sua vez, sequer prestava atenção no que a loira dizia, apenas se virou para a mesma e concordou com um movimento de cabeça. Daquela forma, todo o problema foi ignorado e seguiram para procurar um local.
Após uma longa procura, encontraram um local vago sob uma árvore e por lá estenderam sua toalha. Logo que começaram a comer, o clima da conversa foi melhorando gradualmente, até que o loiro e o Uchiha se levantam e começam a se alongar.
- Vocês não vão... – A loira foi cortada pelo irmão no mesmo instante.
- Sim! Vamos treinar! – O loiro e o Uchiha já possuíam um olhar determinado e competitivo.
- Mas. – Parou de falar assim que o Uchiha mais velho lhe colocou a mão no ombro e ao se virar para ele, este apenas lhe sorriu e balançou a cabeça negativamente.
- Não questione... Deixe-os aprender.
Ambos se posicionaram frente ao outro e, logo começaram. O Uchiha se aproximou e deu o primeiro chute, mas o loiro defendeu.
- Quem vocês acham que cai primeiro? – A loira sorriu maldosa e se recostou a árvore.
- Mas... Mas... Você acha isso normal? – A ruiva estava apavorada em ver os dois lutando e todos estarem ali tão calmos.
O loiro se aproximou pronto para socar o outro, mas com o salto para trás do Uchiha, acertou-lhe apenas o braço.
- Mas isso é normal, Mayu. Sempre foi assim. – A loira sorriu para a irmã e se virou para o Uchiha mais velho novamente. – Faça sua aposta.
- Sasuke cai primeiro.
- Ahhh... Isso é implicância de irmão. Naruto tá com a guarda muito aberta.
- Mas Sasuke está com a base muito fechada, vai perder o equilíbrio.
- Exatamente! – Naquele momento Lee se aproximou mais e entrou na conversa. – O Naruto tem mais fogo da juventude e determinação, além de que o Uchiha comeu bem mais.
- Seria válido se o Naruto não tivesse comido pratos mais pesados. – Para o desconforto da loira, o Hyuuga também entrou na conversa.
Naquele instante, o moreno acertou um soco contra a face do loiro que, aproveitando a deixa, acertou-lhe outro contra o estômago, fazendo o Uchiha recuar alguns passos e por a mão na boca, contendo o vômito.
- Uh... – Lee contraiu um pouco o rosto. – Achei que o Uchiha fosse vomitar.
Enquanto isso, a Hyuuga e a ruiva assistiam visivelmente preocupadas, o ruivo assistia atentamente, enquanto um sorriso nefasto lhe desenhava os lábios. Já a rósea e a Yamanaka assistiam como se não entendessem nada do que estava acontecendo.
- Certo! Não é justo apenas assistirmos. – Lee se levantou, olhou para todos a sua volta e apontou para o Hyuuga. – Neji. Você será meu oponente.
- Hm. – O Hyuuga apenas arqueou uma das sobrancelhas e respirou fundo. – Não.
- Mas... – Olhou para o Uchiha mais velho que apenas acenou a cabeça negativamente.
- Eu! Eu! Me escolhe! – A loira sorriu animada e levantou uma das mãos.
- Não. Eu não vou lutar com uma mulher... Não quero ter que pegar leve. – Lee apertou um pouco os lábios e suspirou derrotado.
- Pera. O que você disse? – A loira franziu o cenho e cruzou os braços.
- ELE DISSE QUE VOCÊ É FRACA! – O Uchiha vinha pra cima do loiro quando o viu parar, apontar para a loira e rir. Parou de súbito, quase caindo e socou a cabeça do amigo com força. – Seu idiota, eu dei uma pausa.
- Avisa então... Dobe!
- DO QUE VOCÊ ME CHAMOU, TEME? - Naquele momento retomaram a luta que pareceu ficar mais séria.
- ACABA COM ESSE IDIOTA, SASUKE! – Devido a ofensa do irmão, a loira começou a torcer pelo amigo.
Para o desgosto da Yamanaka o ruivo se levantou e caminhou até ficar defronte a Lee. Encaravam-se sem dizer nada; os olhares frios davam a impressão de já estarem brigando antes mesmo de se moverem.
Todos aguardavam em silêncio até o momento em que fossem se atracar como gatos raivosos que apenas examinavam um ao outro, preparando-se cuidadosamente para dar o primeiro golpe.
Mas toda aquela expectativa foi quebrada com um grito do loiro e, ao desviarem sua atenção tudo que viram foi um loiro deitado no chão com as mãos sobre a barriga e um Uchiha relativamente distante, o que dava na cara que ele não havia caído por um golpe.
- Mas... O que aconteceu? – Já que ninguém mais se atrevia a dizer nada, a Yamanaka foi quem quebrou o silêncio.
- EU TINHA APOSTADO EM VOCÊ! – Lee foi quem pareceu ficar mais desolado ao ver o loiro caído.
- Minha barriga dói. – O loiro "rolava" pelo chão, abraçando a própria barriga, enquanto suas palavras saíam chorosas.
- Eu disse que ele havia comido mais. – O Hyuuga, sério como de costume, encarou Lee após terminar sua frase, como numa provocação dissimulada.
O Uchiha apenas se afastou do loiro e caminhou até a ruiva, sentando-se ao lado dela e lançando um sorriso vitorioso para o amigo caído ao chão.
- ISSO... AINDA... NÃO-ACABOU, TEME! – O loiro rastejava em direção ao Uchiha.
- Naruto... Você vai ficar todo sujo de terra. – A loira suspirou já cansada daquela cena toda.
Após isso, um som alto lhes invadiu os ouvidos, seguidos por um cheiro extremamente desagradável. Cobriram os rostos com a mão, ou a camiseta e todos, sem exceção se afastaram do loiro.
- AAAHHHH NARUTOOO! – A loira, a rósea e a Yamanaka gritaram em uníssono. Mas pelo menos descobriram que toda aquela dor eram apenas gases.
Algum tempo após o ocorrido, Lee já havia ignorado completamente que ia lutar com o ruivo e foi entrar na conversa sobre lutas com o Uchiha mais velho e o Hyuuga, enquanto até o Sabaku estava ali ao lado escutando.
A Hyuuga, que parecia prender a respiração só pra conter a vermelhidão do rosto, havia tirado uma pomada cicatrizante da bolsa e passava sobre o rosto do loiro que não parava de falar por sequer um segundo, fazendo com que muitas vezes a pomada fosse parar em algum lugar que não era necessário.
Enquanto isso, a Yamanaka, a loira, a rósea e a ruiva conversavam animadamente com um calado Uchiha ao lado.
-... Daí eu e a Tenten descemos do táxi, ajudamos o cara a entrar no carro conosco e o levamos ao hospital. – A loira gesticulava enquanto contava o ocorrido toda animada, mas conforme ia prosseguir a rósea lhe cortou.
- Porra! Eu não aguento mais ouvir você pagando de boa moça.
- Mas qual é o seu problema, hein Haruno?
- Você é o meu problema. Fica aí fingindo que faz boas ações, mas só olha para o que lhe convém.
- Eu já te fiz alguma coisa, por acaso? – A loira tentou se aproximar da rósea, mas essa a repeliu e se levantou. – Porque nós podemos tentar resolver isso. Não precisamos ter essa discussão toda.
- E lá vai você de novo. – Naquele momento a rósea estava em pé com os braços cruzados e olhando para a loira sentada, fazendo com que todos parassem pra prestar atenção. – Fica aí pagando de perfeita... Contando sobre suas boas atitudes seletivas e seu bom relacionamento com seus irmãos, mas por que não somos sinceras, não é mesmo? Porque não falamos que sua mãe largou você e seu irmão? Porque não falamos sobre o Hyuuga que não te aguentou e te traiu na sua frente?
Naquele momento a Hyuuga olhou varias vezes do primo a loira e levou uma das mãos aos lábios, completamente surpresa com a revelação. O loiro e o Hyuuga se levantaram, irritados com a rósea, mas conforme se aproximavam da mesma, a própria loira se levantou e impediu os dois de avançarem.
- O Hyuuga e a Naruko namoravam, é? – Lee cutucava o Uchiha mais velho que apenas deu de ombros com a pergunta.
- Haruno... – A loira foi se aproximando da rósea aos poucos. – Você está certa, a minha vida não é perfeita, mas nem por isso vou ficar lamentando. E... Eu realmente não quero brigar com você, então... Por favor, vamos esquecer tudo isso? Eu não quero brigar com você, e acho que você também não vai querer brigar comigo.
- Pois você está enganada. – Conforme a rósea se aproximou, já ia desferir um tapa contra o rosto da loira, mas ela apenas lhe segurou o pulso e a empurrou sem fazer muita força, somente o bastante para que recuasse alguns passos.
- Eu não vou ficar aqui pra isso. Terá que arrumar outra pessoa para brigar. – Suspirou resignada e se virou, já caminhando para outra direção, longe da rósea e do resto do piquenique; porém, apenas poucos passos depois, ouviu alguém correndo em sua direção e se virou o mais rápido que pôde para constatar ser quem receava. Tentou ajeitar a base ou planejar alguma defesa, mas a rósea já estava muito próxima, acabando por derrubá-la no chão.
Após bater a cabeça, tonteou por alguns instantes e sentiu as unhas da rósea contra sua bochecha direita; conforme a visão se restabelecia, ela ainda tratou de lhe rasgar a manga esquerda da blusa. Viu de longe todos se aproximando e finalmente resolveu tomar uma atitude.
- Tá certo, então. – Sem qualquer dificuldade empurrou a rósea de cima de si e se levantou, recuando alguns passos e olhando para os amigos. – Ninguém se atreva a se intrometer. – Retomou o olhar para sua oponente, com a mão limpou o sangue que escorria de sua bochecha e estabeleceu sua base. - Pode vir, prometo eu vou pegar leve, Haruno.
- A base dela tá melhor que a de vocês. – Lee arqueou as enormes sobrancelhas, surpreso.
- Isso é porque ela se preocupa muito em ser certinha. – O loiro cruzou os braços, ofendido e deu de ombros.
- Vocês realmente tão ignorando essa briga? Agora não é brincadeira. – A Yamanaka pareceu se pronunciar em nome de todas as garotas ali, mas foi apenas ignorada.
Mais uma vez a rósea corria em sua direção, mas dessa vez estava preparada. Abaixou-se levemente, desviando de qualquer tapa ou derivado que ela pudesse tentar lhe dar e lhe socou o estômago. Imediatamente a Haruno levou uma das mãos a barriga e a outra aos lábios tentando conter o refluxo, mas a loira lhe puxou pelo pulso e a encarou diretamente nos olhos.
- Você acha que eu não sei o seu segredinho, Haruno? – Apertava o pulso dela com tanta força que já começava a ficar vermelho. – É melhor começar a repensar suas atitudes. - Afastou bruscamente a Haruno de si, fazendo-a cair no chão.
Ao cair no chão, a rósea imediatamente vomitou, mas a loira ainda permanecia ali de braços cruzados, esperando.
- Você... – Após tossir um pouco, a rósea tornou a se levantar e foi mais uma vez na direção da loira.
- Sakura... Você está bem? – A ruiva corria na direção da amiga, mas o loiro lhe segurou o braço, impedindo-a.
- Nunca se meta numa briga.
- Mas... Mas... Desde quando a Naru luta? – Empurrou o irmão com força, mas ele quase não se moveu. – Vocês não me contam nada?
Quando a Haruno já estava próxima o bastante para lhe acertar, apenas deu um passo rápido para o lado e lhe chutou o traseiro, fazendo-a cair mais uma vez.
- Já chega. Isso está humilhante. – A rósea ainda a encarava com fúria, fazendo-a apenas suspirar cansada. – Não entende? Você é apenas digna de pena. - Afastou-se da rósea e caminhou até os amigos, colocando a mão no ombro do Lee. – Ajude-a, por favor.
Naquele momento, Lee correu até a rósea que rejeitou ajuda. A loira tentava se recompor, mas nada ajudava; a manga da camiseta rasgada já mostrava até parte de suas costas, o rosto e a mão cheios do próprio sangue e o elástico, que prendia metade do cabelo, havia estourado. Aquele havia sido um dia complicado.
- Naruko! – A ruiva se aproximou da loira, só mostrando que ainda ia piorar. – Como você nunca me contou que lutava também?
- Ah... É que eu não quero te envolver nessas coisas, Mayu. – Sorriu constrangida, tentando contornar a situação.
- Mas não é pra me envolver, só contar. Você... – Naquele momento a ruiva percebeu algo sob a manga rasgada da irmã. Aproximou-se mais e a puxou, revelando parcialmente uma cicatriz grossa que começava por trás do braço e subia até se esconder novamente sob a blusa. – O que é isso?
Olá pessoas! :3
Beem... O cap. devia ter sido postado semana passada, mas o site simplesmente deu erro no sábado e no domingo, durante a semana eu não tive tempo e nesse sábado foi aniversário de uma amiga, fomos jogar paintball (foi minha primeira vez), daí como resultado: hematomas e dor no corpo. Mas ainda sim foi muito divertido, recomendo.
Mas enfim, espero que gostem do capítulo e que opinem sobre o mesmo.
Até semana que vem.
