Avisos no final do capítulo!
Beta: LadyCygnus, nosso carinho, amizade ever and ever! Dear, obrigado por mais uma vez nos ajudar!
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O dia havia amanhecido como todos os outros. As folhas amareladas das árvores bem à frente da humilde habitação, a leve brisa deixando o clima mais ameno, recebendo o moreno de braços abertos.
Naquela manhã em especial, havia acordado mais cedo que o companheiro, deixara o café passando enquanto corria tomar um banho para se desfazer dos resquícios do sono. Quando voltou à cozinha, sentiu uma leve tontura, mas acreditou ser por ter se virado rapidamente. Já se preparava para levar um belo tombo e apenas não fora ao chão pois braços fortes o sustentaram com firmeza.
- Obrigado, Seung! - o tailandês agradeceu, as bochechas rubras, já que não esperava que o amante tivesse levantado - ainda era muito cedo para o advogado sair de casa.
Lee nada respondeu; o semblante sério sendo substituído por um sorriso matreiro, o olhar travesso. Phichit Chulanont poderia se dizer afortunado. O homem sisudo o qual se apaixonara e sofrera um imprint sempre fora tido como o "senhor nervos de aço": controlado, sério, um advogado frio e meticuloso, mas que longe de olhares curiosos, seus sorrisos eram mais frequentes e que o ômega sabia que eram só para si.
Acariciando as costas do mais baixo, Seung-gil Lee afundou o nariz próximo à glândula de cheiro de Phichit, aspirando o olor adocicado da flor de Lótus rosa que parecia estar mais em evidência para o advogado. Ele amava aquele perfume delicado que lembrava muito ao que o tailandês lhe contara logo quando passaram sua primeira noite juntos e de quando viajaram para o país do amante. Lee esperava um dia poder rever o maravilhoso espetáculo que ocorre quando a floração de milhares de flores de Lótus de cor rosa desabrocham no lago Nong Han Kumphawapi, localizado a nordeste da Tailândia, levando os locais a chamarem essa floração de Talay Bua Daeng - "Mar de Lótus vermelha". A fragrância adocicada, fresca, aquele mar de flores abertas lembrando um manto rosado, avermelhado, algo que não tinha definição! E, naquele momento, essa mesma fragrância os envolvia, parecendo despertar os instintos mais aguçados do alfa.
- Lee... – Phichit ronronou ao tentar desvencilhar-se dos braços que cingiam sua cintura e o puxava para que seus corpos se aproximassem um pouco mais. – Eu vou me atrasar e não seria de bom tom fazer o senhor Nikiforov me aguardar logo em meu primeiro dia como seu motorista! – o ômega havia sido escolhido dentre muitos outros por suas qualificações e também por ser o mais calmo entre todos os funcionários de mesma posição - o que de fato fora uma imposição do russo, que seu motorista fosse uma pessoa idônea e de caráter impecável.
- Sei disso, Phic! - ronronou o sul coreano ao dedilhar lentamente a marca deixada ao redor do mesmo local que, até então, estivera cheirando. O tailandês e ele, mesmo não sendo casados, compartilhavam muito mais do que muitos imaginavam. E apesar do que pensavam muitos, eles não viam necessidade de estarem ostentando um anel dourado no dedo ou mesmo um título pois já se completam plenamente. E não que o sisudo Lee não quisesse que ambos estivessem usando uma aliança dourada no dedo anelar da mão direita, pois houve uma época que quisera mas, aos poucos, fora deixando de lado - não viviam de aparências! Phichit nunca se curvaria a estereótipos que a sociedade impunha hoje em dia e gostava muito disso em seu companheiro.
Com um sorriso de canto, o motorista mirou seu homem sustentando-lhe o olhar, e oferecendo os lábios para este, cerrou os olhos à medida que sua boca foi tomada por um beijo calmo, que foi se tornando mais exigente conforme os corpos se enroscavam mais. Empurrando com calma o alfa para longe de si, Phichit buscou por ar. Os lábios entreabertos, as bochechas escarlates.
- Preciso terminar de me arrumar… - começou antes de ser atalhado por novo beijo e mais uma vez se desvencilhar dos lábios e do corpo que se encaixava perfeitamente de encontro ao seu. - Seung-gil! Por favor! - pediu ao encarar com os olhos brilhantes, nos lábios um leve beicinho. O jeito travesso.
- Ah! Está bem - o advogado soltou-o resignado -, mas à noite, senhor Chulanont, o senhor não me escapa! - Seung respondeu com a voz baixa e um leve falsete de seriedade, o que o outro moreno entendeu como sendo a mais pura tentativa de esconder as verdadeiras intenções do sul coreano. Dando um tapinha nas nádegas levemente arredondadas, sorriu matreiro ao reparar no jeito desconcertado do ômega. - Te espero para tomarmos café juntos!
Com apenas um aceno de cabeça, Phichit se afastou. Precisava se arrumar e tinha pouco menos de quarenta minutos, graças ao amante, para se trocar, comer alguma coisa e sair para buscar o presidente da empresa do ramo de artigos esportivos.
Enquanto se arrumava, o tailandês imaginou o que poderia encontrar. Antes de ser indicado para o cargo, havia sido motorista de Christopher Giacometti por várias vezes, mas não ficara com o mesmo por muito tempo: fora solicitado que ele fosse além de motorista, o guia para o outro advogado, este sisudo e ensimesmado. Quando se viram pela primeira vez, fora como se um raio lhe acertasse em cheio. E entre as idas e vindas de Lee, entre Rússia e Japão; Japão e Rússia, até que os trâmites legais para que a empresa se instalasse em terras nipônicas, eles finalmente deixaram as coisas acontecerem visto que nada adiantava adiarem o imprint sofrido. E daí para morarem juntos fora uma pequena resolução em comum.
Dedilhando a marca em sua nuca, sorriu de lado, terminando de colocar o blazer escuro para em seguida mirar-se no espelho. Estava como sempre: impecável! Precisava sair, mas não poderia deixar de lembrar que dali alguns dias fariam quase dois anos juntos e queria dar um belo presente para o sul coreano, mas Phichit não fazia ideia do que comprar. Deixando as coisas como estavam - não era o melhor momento para se preocupar -, saiu apressado do quarto, encontrando o alfa o esperando. Sentiu um leve desconforto ao sentir o cheiro do café que havia preparado minutos antes. Torcendo o nariz, mordiscou o lábio inferior e apenas serviu-se de um pouco de suco de laranja e uma torrada pura - algo que não passou despercebido para o amante.
- Estou te sentindo um tanto desconfortável, Phic! Está sentindo alguma coisa? - Seung sentia-o um tanto agitado, parecendo levemente instável.
- Não é nada, Seung! - respondeu ao ficar de pé, parar ao lado dele, o abraçando pelo pescoço e enterrando o nariz próximo à glândula do alfa. Inalou o frescor de hortelã e com um sorriso sentiu seu corpo relaxar um pouco, seus pensamentos revigorarem. - Me deseje sorte? - pediu ao lhe dar um beijo estalado nos lábios.
- Boa sorte! - murmurou próximo ao ouvido do ômega, aproveitando para mordiscá-lo. - Lembre-se, meu senhor, à noite você não me escapa! - prometeu e riu ao ver a língua ser deitada em sua direção. Sabia que o simples fato de se abrir para o companheiro e dar-lhe seus sorrisos raros, passaria mais segurança. E para ele, sorrir para Phichit parecia ser tão fácil.
Não demorou muito para o tailandês chegar à empresa, pegar o carro que fora designado para o presidente e seguir até o casarão afastado do centro caótico e movimentado da metrópole. Checando as horas em seu relógio de pulso, percebeu que ainda tinha alguns minutos. Como era bom no que fazia, antes mesmo do presidente sair da casa, vasculhou todo o carro para ver se nada estava fora do lugar. Sabia, por Seung-gil, que Viktor Nikiforov era um homem meticuloso e senhor de si. Já havia trabalhado anteriormente, alguns anos atrás, para outro alfa com o mesmo estilo de descrição e a experiência não fora muito boa. Esperava que com o russo a coisa fosse diferente.
Atento, observando a porta lateral da construção, viu quando um homem alto e bem apessoado saiu a passos rápidos. Checando novamente as horas no relógio, notou que este poderia ser um dos muitos que gostava de pontualidade. Uma coisa que poderia ser muito boa, mas por outro lado, também não. Dando a volta pela traseira do carro, abriu a porta como manda a etiqueta e sustentou o olhar do alfa que se aproximava.
- Bom dia, senhor Nikiforov! - saudou-o ao estender a mão e receber um forte aperto do recém chegado, um aperto de mão digno de alguém que gosta de mostrar quem é que manda, sem nada dizer, apenas um aceno de cabeça. - Serei seu motorista a partir de agora, Phichit Chulanont. - apresentou-se, recebendo como resposta o arquear de uma das sobrancelhas do mais alto. Resignado, Chulanont esperou que o platinado entrasse e se acomodasse no banco traseiro para, por fim, fechar a porta e tomar seu lugar atrás do volante.
O ômega não estranhou o modo calado do homem acomodado no banco traseiro do carro, pois já estava acostumado com diversos tipos de pessoas. Um tanto curioso, mirou o platinado pelo espelho retrovisor. Este parecia estar imerso em seus pensamentos. Voltando sua atenção para a frente, Phichit guiou o carro até os portões da casa, que se abriram tão logo ele acionou o controle remoto.
O silêncio era sepulcral e se fosse em outros tempos, talvez o ômega até ficasse incomodado, mas não agora, não mais! Era um motorista experiente, sem nenhuma mácula em sua ficha. Com um pequeno sorriso, parou o veículo a entrada da vicinal que os conduziria à via principal, voltou novamente seu olhar pelo retrovisor. Pigarreando, chamou a atenção do alfa que o mirou também pelo espelho.
- Senhor Nikiforov, direto para a empresa? - perguntou Chulanont. A voz melodiosa, baixa e transmitindo uma calmaria que o outro parecia não aparentar estar tendo, já que se agitara um tanto ao ser interpelado.
Levantando o queixo um pouco, Viktor cheirou o ar, farejando literalmente o cheiro que começava a lhe chegar às narinas. Ele sabia por Christophe que o motorista escolhido era muito bom, tinha ótimos precedentes, mas ele nunca poderia imaginar que logo um ômega estaria ali. Não por ser um ômega, mas pelo simples fato de exalar um odor adocicado demais para seu olfato apurado de Lúpus! Antes de responder, abriu um pouco a janela de seu lado e respirou fortemente algumas vezes para logo após voltar a encarar o motorista.
- Por favor, gostaria de um bom chá antes de irmos para a empresa! - comentou pensativo dando ênfase a palavra bom. - Tem alguma casa de chá que seja boa pelo caminho, senhor Chulanont? - e ao ver o moreno arregalar os olhos, assumindo ares de pensativo em seguida, suspirou inconformado. Não poderia demorar muito, mas pelo visto, até mesmo para pensar o motorista escolhido para si era… Parou o pensamento abruptamente. Viktor não gostava da forma de pensar de seus pais e lá estava ele agindo praticamente como eles. Havia jurado a Chris que não iria perder a calma tão facilmente. Sendo assim, mentalmente começou a controlar seu humor e seu gênio forte.
- Tem uma casa de chá em nosso caminho. - Phichit respondeu ainda com a expressão pensativa. - É simples, mas têm uma variedade de sabores entre outras coisas, além de ser um local bem calmo. - e o mirou pelo retrovisor mais uma vez. - Posso seguir para lá? - perguntou incerto.
Com apenas um gesto de mão, o empresário fez sinal para que o motorista prosseguisse com o que lhe fora ofertado. Na realidade, Viktor queria um bom chá verde - ou quem sabe um Earl Grey, bem ao estilo britânico, como ele havia adquirido o costume de apreciar.
Voltando a cabeça na direção da janela levemente aberta, o lúpus suspirou resignado ao pinçar a base de seu nariz com os dedos polegar e indicador, reclinando-se um pouco para o lado; queria mais ar fresco. Os lábios estavam levemente retorcidos.
- O senhor não está se sentindo bem? - perguntou Phichit, antes mesmo de conseguir se conter. Ao mirar os olhos faiscantes pelo retrovisor, percebera tardiamente que seria melhor ter ficado quieto.
- Você não costuma tomar supressores? - Viktor respondeu com outra pergunta quase rosnada.
- Sim, claro que eu… - Chulanont parou de falar ao lembrar-se que naqueles dias, devido à correria imposta pela chegada do russo platinado, havia se esquecido dos remédios e ele sabia que somente o sabonete especial que usava não surtiria o efeito desejado quando seu heat estava tão próximo.
- Pois não parece! - atalhou Viktor antes que o moreno começasse a lhe despejar desculpas insignificantes. - Apenas deixe todas as janelas abertas! - ordenou sem titubear. - E se puder ir um tanto mais depressa… - voltando a atenção para seu celular, tentou concentrar-se na leitura das manchetes do jornal local e controlar seu ser, ouvindo apenas um "sim senhor" gaguejado como resposta.
Aquele cheiro adocicado e forte era enjoativo demais. O platinado não conseguia entender como alguns alfas poderiam suportar e gostar daquele odor! E até mesmo sem perceber, seu feromônio começou a ser liberado, talvez tentando aplacar o cheiro do motorista. Revirou os olhos ao escutar um barulho estranho e perceber que o moreno procurava estacionar próximo ao meio fio. Ele parecia estar enjoado, ou algo do tipo, pois tão logo parou o carro, desceu correndo, colocando para fora o que parecia ser tudo o que tinha no estômago.
Controlando o asco sentido, Nikiforov revirou os olhos mais uma vez, precisava se conter mais um pouco. Desceu do carro e se aproximando, colocou uma mão levemente nas costas do tailandês.
- D-Descul-pe, se-senhor Ni-Niki-forov! - pediu um tanto sem graça, gaguejando de nervoso.
- Não se desculpe, você parece não estar bem. Vou chamar ajuda…
- Nã-não! - alarmou-se o moreno. - Eu tenho de levá-lo… - não conseguiu terminar de falar, fora acometido por uma nova onda de náuseas, colocando agora só água para fora.
- Sem chances, você precisa ser medicado, vou ligar para alguém vir buscá-lo e esperar…
- O senhor não pode! - Phichit mirou-o com um lenço, o qual ele havia puxado do bolso interno, a frente dos lábios.
- Não seja teimoso, homem! Estamos no meio do nada! - Viktor praguejou ao correr os olhos para todos os lados.
- E-eu me g-garanto! - murmurou o moreno, que mesmo sem condições, não gostaria de dar o braço a torcer e demonstrar sua fraqueza, não justamente para aquele homem. Não queria ser taxado como um inútil.
- Teimosia deve ser uma qualidade em comum em todos os ômegas, não? - Viktor estava chegando no limite de sua paciência. - Senhor Chulanont, se diz assim, enquanto sigo para meu destino chamarei alguém para vir lhe socorrer. - mirou-o com o altivez e em passos rápidos voltou para o carro, dispensando assim o motorista que Christophe havia escolhido e dito que ele seria o melhor.
- Senhor Nikiforov…
- Amanhã conversamos! - o platinado se pronunciou antes de arrancar com o carro.
Observando seu superior se afastar, Phichit aproximou-se de um banco de madeira e deixou seu corpo cair sobre o assento. Baixando a cabeça, tentou controlar o mal estar e ligou para a única pessoa que poderia e que, naquele momento, queria ter por perto. As lágrimas que até então estavam represadas nos brilhantes olhos escuros, deslizavam livremente pelas bochechas do ômega. Seu estômago estava embrulhado, um gosto ruim na boca, sem contar que a cada vez que levantava a cabeça, sentia tudo girar.
Já no hospital, o tailandês parecia rever tudo o que lhe acontecera desde que fora deixado sozinho naquele local ermo. Sentira-se só e como profissional estava com um sentimento de ter estragado sua carreira que tanto lutara para ter. Só conseguira se acalmar quando finalmente viu os olhos negros de seu alfa e fora recebido por seus braços, sendo rodeado pelo frescor de hortelã. Havia ficado um bom tempo com o nariz enterrado próximo à glândula produtora daquele cheiro, que o acalmava rapidamente. Balançando levemente a cabeça, recostou-se novamente no corpo a seu lado, sentindo as mãos acarinharem seus cabelos.
- Obrigado! - murmurou baixinho. Phichit sabia que não havia necessidade para aquilo, mas ele precisava agradecer. Ele tinha conhecimento que o advogado deveria estar presente na empresa e participar da reunião que o russo presidiria, mas lá estava ele, ao seu lado, fazendo-o sentir-se bem e querido.
- Phic… - Seung começou ao beijar-lhe os cabelos tão negros como a noite mais bela. - Você não tem o que agradecer, eu deveria ter imaginado que Viktor poderia fazer… - parou de falar ao sentir os dedos finos tocarem seus lábios.
- Lee, eu já disse, não foi culpa dele… - começou pensativo, mas ao escutar o rosnado baixo do outro, mirou-o com interesse. Era um tanto divertido ver o seu alfa sentindo ciúmes e preocupação. - Ok! Pode até ser que ele tenha desencadeado minha crise de nervos, mas não podemos culpá-lo por tudo. Devo estar com alguma virose, pois não tem explicação. O último exame periódico de meses atrás não acusou nada. Vamos esperar e, ademais, ele não me pareceu ser tudo o que você achou que ele seria.
- Pode até ser, mas mesmo com você dizendo para ele ir, ele deveria ter ficado, ou te deixado… - Lee novamente foi calado pelo tailandês. O olhar pedinte, preto levemente acinzentado, parecia quebrar toda a vontade que o alfa tinha de protegê-lo. - Ora, está bem, não vou mais teimar com você, mas não prometo nada de não tirar a situação a limpo com Viktor! - prometeu o sul coreano. Conhecia o empresário há alguns anos e sabia perfeitamente como tratar com o mesmo.
Phichit estava pronto para ralhar com o companheiro quando o médico que iniciaria os cuidados com ele finalmente os chamou novamente para o interior de sua sala. Haviam sido feitos alguns exames e o principal fora o de sangue para que as suspeitas de algum problema mais sério fossem descartados.
Acomodados à frente da mesa do homem baixinho e atarracado, aguardaram por alguns minutos até que antes deste começar a falar, o apressado tailandês disparou a perguntar:
- É alguma virose? - perguntou Phichit, os olhos bem arregalados. - Ou algo mais sério? Grave? - falara tudo de um só fôlego.
Antes que o motorista conseguisse perguntar mais coisas, Seung-gil gentilmente apertou-lhe a coxa roliça, fazendo o encarar ainda com os olhos arregalados.
- Calma, Phic! - pediu o advogado. - Deixa o doutor falar. - e, como para completar o que dizia, volveu os olhos na direção do médico.
- Senhores - começou com um leve sorriso nos lábios -, não há nada para se preocuparem. - ajeitando melhor os óculos sobre o nariz, continuou. - Senhor Chulanont, o senhor tem uma saúde de fazer inveja! - mirou o jovem casal à sua frente com certa alegria. Em sua profissão, o obstetra mentor do novo e atual chefe responsável por aquele setor hospitalar, havia aprendido muito, mas principalmente a como tratar com as pessoas. Amava o que fazia e já deveria estar aposentado, mas continuava ali clinicando, atendendo ômegas, betas e alfas ajudando-os a trazerem novas vidas a esse mundo e adorava poder ser ele a revelar que toda a preocupação do momento seria revertida em surpresa e felicidade.
- Então, o que meu marido tem? - Seung-gil perguntou, arqueando as sobrancelhas. - Agora eu estou preocupado!
- Jovens, as preocupações irão sim começar, mas não por motivo de doença - fez uma pausa apenas para deixá-los curiosos -, mas sim por que um serzinho crescendo no ventre de seu companheiro! - abriu mais o sorriso. - Parabéns, senhores, vocês estão grávidos!
Mirando o companheiro, Seung sustentou-lhe o olhar. Seus pensamentos juntando alguns fatos esparços, um pequeno sorriso surgindo em seus lábios. Era muita felicidade para deixar passar devido à sua personalidade mais taciturna. Abrindo os braços, acolheu Phichit em um abraço calmo e amoroso.
- Eu não imaginava… - Phichit murmurou entre as lágrimas de felicidade. - Sempre soubemos que não seria fácil…
- Mas não impossível, Phic! - Seung completou ao acariciar os fios finos de cor ébano.
- Isso mesmo, jovens, nada é impossível! Agora teremos de tomar algumas precauções e o principal: se estava fazendo uso de supressores de cheiro, pare! - ordenou o médico. - De nada irá adiantar usá-los, seu cheiro ficará mais forte e marcante, além do uso poder afetar o bebê. Vou lhe passar tudo o que é necessário, desde vitaminas a cuidados durante a gestação.
- Doutor, de quanto tempo estou? - Phichit perguntou, curioso.
- Treze semanas, três meses! - respondeu e voltou a escrever no prontuário, depois em um receituário médico.
- Três meses… - Phichit deixou que mais lágrimas de felicidade escorressem por seu rosto.
O médico tornou a encarar o casal e lhes perguntou:
- Prontos para ouvirem o coraçãozinho do filhote de vocês? - e, ao receber a confirmação de ambos, deixou que uma enfermeira ajudasse o ômega.
Quando já estavam em casa, deitados lado a lado na espaçosa cama de casal, o sul coreano puxou o seu ômega mais para junto de si, braços cingindo possessivamente a cintura ainda esguia.
- Você não tem noção de como me deixou feliz… - murmurou Lee bem próximo ao ouvido do marido. Phichit havia adormecido logo após ter se alimentado bem. - Agora, querendo você ou não, vou protegê-lo de todo o mal! E Viktor irá ouvir algumas coisinhas! - rosnou baixinho acariciando levemente o ventre liso do companheiro. - "Nosso rebento!" - pensou ao recordar dos batimentos cardíacos fortes do pequeno coraçãozinho. E naquele momento, Seung-gil Lee fizera sua escolha: primeiro, a própria família. Iria conversar com Christophe e Viktor e afastar Phichit dos dois! Ciúmes? Preocupação? Talvez, mas Lee iria mostrar como se deve tratar um ômega!
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Yurio olhava pelo vidro da janela do carro a rua movimentada da cidade onde morava a menos de um mês. Não gostava e nem desgostava, mas veio arrastado para o Japão e relutou muito em deixar o avô na Rússia. Tinha um pai vivo, mas a relação dos dois em muitos pontos sempre foi carregada de culpas e cobranças, o que acabou por afastá-los com os anos e depois veio a sua fase mais rebelde, que serviu para azedar tudo de uma vez. E justamente por isso não sentiu quando teve que o deixar. Mas pai é pai e mesmo com todas as atribulações, sentia um resquício de saudades. Era um tanto contraditório, mas assim era a vida, com seus altos e baixos.
Conferiu mais uma vez o relógio no painel do carro e bufou sabendo que logo mais sentiria uma descarga de adrenalina no organismo, igual quando andava com a gangue de alfas de São Petersburgo e cometia pequenos crimes e atos de vandalismo. Onde estava com a cabeça? Havia deixado aquela vida bandida para trás, mas estava há poucos instantes de sequestrar um bebê. Sabia estar fazendo aquilo tudo por escolha própria para ajudar o primo e sabia que Viktor não pensara duas vezes. Os dados estavam sendo lançados e as escolhas… Ah! Essas tinham de ser tomadas com rapidez e perspicácia.
- O que vai ser do pai dessa criança? - Sussurrou as palavras no interior do veículo onde estava sozinho, não conseguia ter um real entendimento do vínculo que era ter um progenitor na sua vida, mas acreditava que seria perto do que tinha com o seu amado avô. - Merda, o velho pirou e o que estou fazendo? Pirando junto com ele! – socou o volante tentando descontar um pouco de sua frustração. Estava perdido nos acontecimentos do longo dia passado dentro do hospital e no que o havia levado de volta até aquele prédio, que não viu o moreno parado do lado de fora.
Otabek socou a janela sem paciência e viu o loiro pular no assento do motorista assustado. Se controlou para não rir da cara do mais jovem, mas não escondeu o sorriso sacana que brincava nos seus lábios enquanto o observava descer de carro. Queria conhecê-lo melhor; deveria tê-lo conhecido em outro momento de sua vida. O sorriso morreu - na realidade, não deveria estar tendo aqueles tipos de pensamentos.
- Você precisa me acompanhar. – informou quase no automático. A voz ouvida, nem parecendo ser a dele.
Não trocaram mais nenhuma palavra, simplesmente começaram a andar contornando a entrada do prédio principal do hospital e dirigiram-se para outra entrada tomando o elevador para o subsolo. O lugar era silencioso demais, frio e sua atmosfera continha algo fúnebre; Yurio quase não viu pessoas trabalhando naqueles corredores.
- Estamos indo para o necrotério. - Informou o cazaque, o que fez o loiro estancar no lugar, olhando ressabiado as costas do moreno que continuou andando.
O médico não usava mais suas roupas do centro cirúrgico; trajava uma jaqueta preta e calças jeans desbotadas - algo que na opinião do russo não combinava com a figura poderosa do cirurgião, mas o deixava mais bonito assim.
- Está tudo bem? – Otabek parecia preocupado com o loiro e de fato estava, não é todo dia que alguém se dispõe a participar de um plano ousado como esse.
- É uma loucura o que estamos fazendo! - Yurio o encarou sem aviso nenhum, só levantou os olhos do chão e focou no rosto de linhas definidas e acentuadas. - Por que estamos indo para o necrotério? A bebê está lá? – o beta precisava entender a razão de tudo aquilo. Parecia que nada se encaixava e que estava tentando montar um grande e dificultoso quebra cabeças. Tentava entender o primo, mas talvez nunca conseguiria, pois os genes de sua tão honrada família haviam lhe deixado na mão.
- Nunca viu uma pessoa morta? – perguntou um tanto ressabiado. Era claro como cristal para o obstetra que o russo que o acompanhava não teria passado por algo parecido, mas não conseguiu conter sua veia sarcástica, voltando a carga ao mirá-lo nos olhos e saber que havia cometido um equívoco ali. O pouco que havia passado próximo do mais baixo, já notara que este não levava nenhum tipo de desaforo para casa. - Não se preocupe, você não vai ver nada, eu garanto! - O moreno virou a cabeça em outra direção e quando voltou, apenas completou. - Temos que ser rápidos! - Estendeu a mão na direção do russo, que a aceitou e voltaram a caminhar juntos, mas mais rápido dessa vez.
Os dedos do loiro suavam na mão fria do moreno e o faziam pensar em como ele poderia estar tão calmo com a situação em que se encontravam. Pararam em frente à uma porta dupla e Yurio sentiu a mão se fechar mais em torno dos seus dedos, até que recebeu um apertão no mesmo segundo que as portas deslizavam lateralmente.
Yurio foi recebido por uma lufada de ar mais gélida ainda com cheiro de produtos químicos e seus olhos varreram todo o ambiente metálico antes de entrar. Sobre as mesas vazias, só conseguiu ver um capacete, duas mochilas e uma bolsa e do canto mais escuro vinha uma voz melodiosa que cantava alguma canção de forma baixa.
O russo tentava se controlar, assimilar que ainda segurava na mão do moreno e não tinha a mínima vontade de soltar, mas o cheiro peculiarmente ácido de um alfa o pegou desprevenido, o fazendo virar com tudo dando de cara com o médico pediatra sisudo.
- Você veio sozinho? - Não houve apresentações de nenhuma das partes, apenas o questionamento do alfa saído da penumbra. Olhos nos olhos, como se estivesse o desafiando a responder o contrário.
- Sim. - Yurio arrumou a postura, estava acostumado a lidar com alfas todos os dias e levando em conta a sua família de sangue, o médico pediatra era fichinha em comparação a eles. - Não precisamos envolver mais ninguém nessa história, não é mesmo? – um sorriso irônico nos lábios.
- Realmente, nesse quesito concordo com você, mas me esclareça como você vai transportar a recém-nascida? – questionou com ares de sabe tudo ao empertigar-se. - Veio de carro ou de transporte público? Porque se veio de carro, tem que ter um bebê conforto, é o mínimo que se pede para fazer o transporte seguro de uma criança. - Takeshi falava sem tomar fôlego. - Agora se veio de ônibus, não vou permitir que volte com ela. É uma recém-nascida! Ainda está indefesa e seu corpinho é frágil, sem contar que pode ter contato com algum vírus. – parou de falar ao reparar em Yurio; este havia levantado a mão chamando-lhe a atenção. - Sim, alguma dúvida? – mirou-o com uma altivez que não haveria necessidade.
- Todas que possa imaginar, mas a mais importante é: você quer ficar com a menina? Porque, por mim, ok! - O russo gritava dentro da sala e deixou surpresos todos os presentes.
- Hei! Fale baixo, garotão! Aqui não é sua casa e não podemos chamar atenção. – Otabek massageava as têmporas. O amigo pediatra estava começando a passar dos limites e ambos precisavam se controlar.
Plisetsky revirou os olhos e continuou no mesmo tom.
- Não sou pai, escutou? Sou só o caralho do primo do alfa idiota que caiu de quatro pelo pai ômega dessa criança e me meti nessa história até o pescoço só para salvar a pequena e nada mais! Pelo jeito não sou bom o bastante, então fique com a criança. Entendeu? - Respirou fundo, sem perceber que no meio de seu discurso acalorado havia baixado o tom de voz, mas não perdendo a acidez e ouviu a risada do cazaque e da mulher ao lado dele, revirou os olhos sentindo leve fervor em suas bochechas.
- Vocês vão acordá-la desse jeito! - Se aproximou do alfa. - Acalme-se, marido. - E voltou-se para o loiro. - E você também, sim? - Sorriu para a bebê. - Meu nome é Yuko e vou te ajudar a levar a Akiko. – mirando os três homens um de cada vez, proferiu sem dó, a voz doce escondendo a acidez que na realidade estava impregnada em cada palavra dita. - E ela tem um nome, seus cabeçudos e foi o pai que escolheu, então gostaria que vocês a chamassem pelo belo nome que ele deu a filha!
O alfa resmungou qualquer coisa e passou por eles indo até uma das mochilas, tirando um prontuário médico e conferindo todos os dados. Depois, pegou o receituário e começou a escrever sem parar.
- Como você não é pai e não deve entender nada do assunto, vou tentar explicar da melhor forma possível. - A mulher o encarou com uma sobrancelha erguida e ele completou de mau gosto. - Sem me alterar de novo! – mas não era bem aquilo que o seu olhar passava. Takeshi, por vezes, era muito transparente.
A partir daí, Yurio foi bombardeado com uma carga de informações sobre leite, amamentação, fraldas, posições para dormir, para dar banho e para arrotar, horários das mamadas, consultas que deveria fazer, vacinas a aplicar e recomendações de manter perto da pequena roupas com o cheiro do pai ômega. No fim, estava mais aflito de que quando soube que estava se dirigindo ao necrotério do hospital. Era muita coisa para se fazer, eles não tinham se preparado e a casa não estava pronta para receber um bebê. Passou as mãos pelos cabelos claros e amaldiçoou o primo pela centésima vez!
"Como uma pessoa podia ser igual ao Viktor?" – pensou ao remoer o sentimento de indignação. Já a pergunta, não saía de sua cabeça de jeito nenhum e por mais incrível que fosse, o platinado nunca poderia ser de outro jeito, pois se assim fosse, não seria ele.
Plisetsky pegou o celular no bolso interno do paletó e conferiu a hora, não tinha se passado mais de vinte minutos desde que entrou naquela sala, mas então por que sentia que tinha envelhecido uma eternidade? Mirou o pediatra à sua frente e olhou para o lado, precisava ser prático e, sem pestanejar, fuzilou as palavras na direção do médico moreno.
- Vou precisar de ajuda! – ditou, mal esperando que o outro lhe respondesse se poderia ajudar, ou não. - Preciso providenciar tudo que a Akiko necessita para agora e como o distinto cavalheiro aqui na frente já fez questão de explanar e expor tão bem – mirou Takashi, sustentando-lhe o olhar altivo -, não consigo fazer isso sozinho com a bebê. Por isso, preciso de um voluntário.
Yuko se adiantou evitando olhar na direção do marido.
- Eu fico com a bebê e você sai para comprar tudo que precisa, o que acha?
- Tá bom! - Parou, olhando as paredes de ambos os lados com gavetas, todas fechadas. - Mas vou deixá-la em casa! – e, ao reparar nos olhos dilatados do marido alfa, completou. - Na minha casa é mais seguro e melhor do que aqui.
- Eu proíbo você, Yuko! - O alfa rosnou as palavras para a esposa que as ignorou completamente. Eles se amavam, não havia como negar, do mesmo modo que a mulher daria a sua própria vida pelo marido e suas filhas, mas a voz de comando do alfa casado não funcionava na esposa beta e guerreira que tinha. - Yuko?! - Dessa vez estava mais implorando do que ordenando.
- Vai pra casa cuidar das nossas vidas, eu vou com eles e depois Otabek me leva. - Yuko disse firme, mas porém de forma gentil. E os homens na sala viram a mulher se esticar toda e beijar os lábios do marido com carinho e se afastar, pegando a bolsa. Antes de sair, pontuou. - Traga seu carro para a porta do carro funerário, o Altin te mostra onde é e eu espero vocês lá. Pode ser? – sorriu miudinho. A japonesa saiu da sala sem fazer barulhos, não queria incomodar os mortos e nem a pequena em seus braços. Foi andando pelas sombras e desapareceu das vistas dos homens.
Yurio voltou-se para o pediatra e esse tentava controlar a respiração e o cheiro de canela, mas era fato que perdia de lavada para o seu lado mais instintivo.
- Você é casado? - Takeshi perguntou à queima roupa e viu o russo negar com a cabeça. - Sorte sua! - Foi a deixa para pegar a mochila e sair da sala também, mas fez o caminho contrário da esposa.
Agora sozinhos no recinto, Yurio encarava Otabek. Por mais estranho que fosse, não sentia mais a necessidade de sair correndo dali, estava tranquilo e não tinha nada a ver com cheiros ou algo do tipo.
- O que vai ser feito da mãe da bebê que foi trocada? – perguntou curioso.
O médico olhou para o lado e pensou em qual das gavetas a moça estaria antes de responder ao questionamento. Coçou o queixo antes de se pôr a falar.
- Ela não tinha ninguém neste mundo e duvido muito que alguém venha procurar por ela. – fez uma pausa ao lembrar o que os companheiros que ficavam na externa haviam lhe dito. - Os médicos socorristas disseram que ela era ou é uma prostituta, mas não sei se é verdade, o fato é que, muito provavelmente, será enterrada na área de indigentes que o hospital mantém. – proferiu com uma calma que o loiro não conseguiria ter com um assunto tão delicado.
Yurio seguiu os olhos dele e escutou suas palavras amargas. Não era certo uma pessoa morrer assim, sem ninguém.
- Vou providenciar o funeral dela, trato disso amanhã, sim? Hoje vou tratar de quem está vivo. - Ditou e se virou para a porta, mas o cazaque o segurou pelo ombro.
- Me espera, vou pegar minhas coisas. - Por um momento os dedos do moreno resvalaram nos fios longos e dourados; eram sedosos. Que cheiro teriam? Otabek estava se perdendo, mas encontrou com o verde esmeralda do mais jovem e por um mísero segundo pensou em afundar os dígitos naquela maciez e comprovar o que imaginava. - É rápido e tenho algo para lhe entregar.
Estava enlouquecendo ou todo o cansaço do dia estava pregando uma peça em si? Não podia ter sido desejo o que viu refletido em sua direção. Ou podia? Yurio balançou a cabeça afirmativamente e aguardou enquanto o outro pegava seus pertences e trazia um embrulho pequeno; não confiava na própria voz para responder o que fosse e mesmo quando o médico estendeu em sua direção o pacote, ficou parado.
Otabek coçou a cabeça e parecia constrangido quando assumiu o seu ato.
- Roubei do Katsuki! É a blusa que ele usava quando deu entrada no hospital pela manhã, é para a bebê... para a Akiko. - Yurio focou em suas mãos e abriu o pacote captando em seguida um cheiro suave e adocicado do ômega japonês. Sorriu pequeno e agradeceu com sinceridade.
As portas se abriram e o loiro virou-se mais uma vez, mas antes de sair, falou por cima do ombro.
- O senhor é um menino mau! - O médico ficou com cara de bobo e o russo abriu mais o sorriso quando percebeu que conseguia desconcerta-lo também. - Mas não precisa ficar desse jeito e nem com essa cara, pois os meninos bons vão para o céu, mas os maus vão para onde quiserem! - Piscou um olho e finalmente se pôs a andar, refazendo todo o caminho de volta até o próprio carro sendo acompanhado pelo médico, em silêncio. Não estranhou aquela falta de diálogo, não o incomodava apenas caminhar lado a lado, pelo contrário, o fazia apreciar a companhia da pessoa sem uma busca infinita de perguntas e respostas muitas vezes vazias e sem conexão. Simplesmente gostava da presença marcante do moreno e, aparentemente, do silêncio que vinha dele também.
Deu a volta com o carro e menos de cinco minutos depois, Yuko estava dentro do veículo com a menina nos braços.
A médica anestesista era danada e inteligente e conseguiu se manter fora do alcance das câmeras de segurança e longe de olhos curiosos de algum funcionário intrometido. Mas assim que sentou-se no banco traseiro do enorme sedan, Akiko se colocou à chorar a plenos pulmões.
- Ela está com fome, Yurio! - O russo ligou o som e cogitou em colocar no último volume, mas ao invés de fazer isso, apenas segurou com mais força o volante e acelerou o potente motor. Era seguido de perto por uma moto pilotada pelo cazaque.
Sorriu ao olhar pelo espelho retrovisor - outro ponto que não combinava com o médico, mas que o deixava mais interessante a cada segundo. No fundo, estava adorando descobrir a outra faceta daquele homem que mexia tanto com o seu íntimo.
Em questão de pouco mais de vinte minutos, estacionou o carro na garagem do edifício o qual tinha um apartamento. Plisetsky não gostava e nem queria passar muito tempo com o primo - não por não gostar do mesmo, ou algo do gênero, mas apenas para poder ter sua privacidade e a de Nikiforov preservadas quando assim desejassem. Esperou pela companhia dos dois médicos antes de apertar o botão do décimo quinto andar de um total de dezoito andares.
Abrindo a porta do apartamento, deixou que seus acompanhantes entrassem primeiro e em seguida passou pelo portal, fechando a porta. Ao longe escutou o miado de Potya, sorrindo levemente o que causou leve espanto no obstetra que o mirava com interesse.
- Doutora Yuko, espero que não haja problemas de esperar aqui com a pequena até voltarmos?! - mirou-a com interesse. - Potya a deixara em paz… - e dando de ombros, completou - minha gata é um tanto anti-social quando quer!
- Talvez isso seja por ser sua cópia! - gracejou Otabek.
- Engraçadinho! - ralhou o fuzilando com olhos. Ouvindo o bebê fungar e voltar a chorar, Yurio abriu o refrigerador. - Doutora, eu só tenho leite comum.
- Tudo bem, darei meu jeito! - Yuko respondeu. - Apenas vão logo às compras e tentem não demorar muito. Akiko e eu ficaremos bem! - e ao terminar de falar, colocou entre as mãos do loiro uma nova listinha. - Sei que meu marido passou muitas coisas, mas creio que somente uma mãe pode saber um pouco mais de coisas. - e deu uma piscadela enquanto tentava fazer o cisquinho de gente parar de chorar.
Um tempo depois, o médico e o loiro russo, voltaram para buscar Akiko e Yuko, encontrando as duas cochilando sobre a cama de hóspedes. Aproveitando do momento, Yuri sacou rapidamente o celular e tirou uma foto das duas adormecidas. Ele não saberia dizer porque e nem os motivos que o fizeram fazer aquilo. Apenas achou que deveria, e fez.
O carro estava todo tomado por sacolas; o loiro esperou até que a anestesista se ajeitasse no banco traseiro para finalmente rumar para o casarão do primo. Durante o trajeto todo foi ouvindo os conselhos da mulher que parecia ter o sol no olhar. Seus olhos brilhavam ao falar das trigêmeas e de como tudo fora um louco e divertido aprendizado.
Desconfiava que o primo ainda estivesse sobre os efeitos do calmante e até mesmo por isso entrara com a bebê, tão logo despedindo-se de Yuko e Otabek. Solicitou a um dos empregados da casa que fosse buscar e levar as sacolas para o quarto ao lado do platinado e com um suspiro pesaroso, mirou Akiko, que agora dormitava encolhidinha de encontro a seu peitoral. Retirando do bolso o cartão que o médico havia lhe enfiado na mão, sorriu de lado ao imaginar se deveria enviar uma mensagem para o mesmo. Balançando a cabeça, suspirou. Não era a hora e no outro dia poderia muito bem usar a desculpa do sepultamento da jovem mulher, e quem sabe, vê-lo. Bem, mas não adiantava ficar sonhando acordado. Akiko pelo visto ficaria consigo! Seria uma longa noite!
oOoOoOo
Cantinho Rosa e Azul:
Theka: Como sempre temos costume, fizemos uma pesquisa sobre algumas coisas, tais como: aromas, flores, plantas, chás e etc.
Almaro: Descobrimos coisas interessantes: que a Hortelã tem muitos benefícios, dos quais nós tomamos a liberdade de usar em nossa fanfic. Além de ser um ótimo relaxante, sendo ministrado como chá ou até mesmo como banhos aromáticos. Por isso pensamos em deixar Lee com esse cheiro característico. Achamos que combinaria muito com o mesmo. E esse site nós foi muito esclarecedor: . /14-beneficios-da-hortela-para-que-serve-e-propriedades/
Theka: Sobre o chá Earl Grey, isso tudo é minha culpa. Acho algo refinado vermos em Kuroshitsuji o quão preocupado em nos descrever o que cada chá pode proporcionar e como é preparado, daí foi um pulo para deixar Viktor um apreciador desse chá. Earl Grey é o nome dado a qualquer tipo de chá aromatizado com óleo essencial de bergamota. O tipo mais frequente de Earl Grey é à base de chá preto, mas a designação também se aplica a infusões aromatizadas de chá verde e chá branco, aqui nosso platinado terá um gosto mais acentuado para o chá verde e também o preto. Fonte: wiki/Earl_Grey
Viktor: E lá vou eu gostar de chá, e essa loira aguada ir pesquisar no Wikipédia!
Yuuri: Viktor! Deixa elas explicarem as coisas. *revirando os olhos.
Theka: Almaro, ouviu alguma coisa? * e sem esperar continuou * E por fim, sobre a flor de Lótus! O que descrevemos no texto em si, acontece sim na região citada na Tailândia. A imagem do lago tomada é tão lindo, que não tem como não se apaixonar, e imaginar várias situações. E apesar de a flor ser rosa, o nome é mesmo Mar de Lótus Vermelho.
Almaro: E se alguém quiser ler e até mesmo ver sobre esse lindo fenômeno, aqui tem o link de onde buscamos a inspiração para que Phichit tivesse seus feromônios com o cheiro dessas lindas flores. .
Viktor: E elas continuam nos ignorando!
Yuuri: Não, Vitya, elas ignoram você! Deixa de ser birrento, pois essas duas juntas, ganham de seu temperamento! E antes que você piore as coisas, que tal se fossemos logo ali e… * puxando o platinado*
Theka: Almaro, eu já te disse hoje que eu amo o Yuu e seu jeitinho de contornar a situação?
Almaro: *rindo divertida* Não, não disse, mas é bom repetir, e creio que devemos dizer que nós duas o amamos! *risos
Bem, aqui encerramos nossas explicações, esperamos que nos perdoem pela nova demora, mas com essa loucura do tempo com tempestades torrenciais, alagamentos e falta de energia, fez com as coisas não saíssem como todas nós queríamos. Agradecemos ao suporte, e apoio de todos que aqui chegaram, e esperamos pelos comentários… nos digam o que acharam desse capítulo.
Até o próximo
Beijocas da Almaro e Theka
