Explicações e avisos no final do capítulo

Beta: LadyCygnus, nosso carinho, amizade ever and ever! Dear, obrigado por mais uma vez nos ajudar!

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Massageou a têmpora dolorida enquanto perdia completamente o interesse no documento em suas mãos; estava cansado com o rumo que tudo ao seu redor tomou sem o seu consentimento. Apertou as duas laterais da sua testa e fechou os olhos com força e por isso não viu o relâmpago que cortou o céu escuro no meio da manhã.

O mau tempo era apenas um reflexo do seu interior, das noites passadas em claro ao lado do primo, das horas de angústia ao perceber que as decisões mais importantes e difíceis estavam caindo nas suas costas e o medo de não corresponder ou de não estar à altura dos que acreditavam no seu potencial e na sua pessoa, o rondavam a cada momento, mesmo isso não sendo algo comum em sua vida.

Viktor estava pagando um preço alto pelo imprint e não saber o destino do seu ômega o consumia dia após dia. – "Incrível como alguém pode apenas desaparecer tão rapidamente como surgiu!" – pensou o jovem russo. E por mais que este quisesse sanar de alguma forma o que estava acontecendo ao platinado, Yurio via o chefe e primo lutar com seu instinto, sofrer como se passasse por um processo doloroso de abstinência onde, por muitas vezes, o único recurso era recorrer aos remédios tamanha a dor que o platinado sentia - dor essa que o fazia chorar e por vezes urrar como um animal abatido sem chances de sobrevivência. Tamborilou os dedos sobre o tampo de madeira maciço. Sim, estava impaciente, e por mais que tentasse se concentrar, levava uma surra tremenda de sua inquietação.

Outro raio cortou o céu e o loiro tomou a decisão de se aventurar pela rua. Estava decidido, não ficaria mais nenhum minuto dentro daquela sala e iria almoçar mais cedo e sozinho de preferência, pois não estava com ânimo para nenhum dos companheiros de trabalho. Abandonou sua sala sem dar explicações para ninguém, muito menos para a secretária do outro russo que quando o viu na frente do elevador, correu em sua direção, mas Yurio a ignorou deliberadamente e simplesmente entrou na engenhoca socando os botões para que as portas deslizantes se fechassem o mais rápido possível.

Quando passou pela porta giratória, percebeu que havia começado a chover. Um mar de pessoas apressadas com seus guarda-chuvas sem graça tentando se proteger dos pingos de água o receberam. Piscando forte algumas vezes, suspirou estarrecido. A manhã havia passado só no aviso de chuva, as horas se arrastaram e aquele aguaceiro poderia ter desmoronado mais cedo, mas não, não havia escolha. Com um suspiro resignado, mirou as nuvens carregadas e poderia arrepender-se por não ter abandonado o barco mais cedo... – "Certo, certo... se não há remédio, remediado está!" – Yurio pensou amargurado. Pois bem, ele caminharia na chuva. Fechou o terno e puxou a gola para cima, amarrou os fios loiros e finalmente saiu para a rua.

Naquele dia, também choveu. Fazia o que? Um mês? Não, já havia se passado mais do que isso, seu tormento já beirava mais que dois meses que voltara ao hospital e cumprira a promessa que tinha feito ao médico. Providenciou um sepultamento digno à mãe da criança que fora trocada. Fez o melhor que pode, não poupou dinheiro nos arranjos de flores, nos preparativos e nos rituais requeridos, mas mesmo com tudo isso, só o doutor Altin e ele compareceram no enterro.

"Deve ser muito triste não ter ninguém que te ame, um alguém para poder contar, não ter ninguém para estar até o fim com você." - O loiro deixou-se levar por seus pensamentos que povoam sua mente e a única coisa que o deixava com a sensação de dever cumprido era saber que conseguira colocar mãe e filha bem próximas uma da outra.

Seus pés se desviavam das poças de água que se acumulavam no chão aqui e ali; seus olhos se perdiam nos desenhos que os pingos da chuva faziam na água parada. Não via para onde ia, ou quem caminhava na sua frente. Foi assim até que bateu em alguém e precisou se segurar para não cair.

Tentou controlar a irritação e entre dentes começou a pedir desculpas, mas sentiu dedos gentis lhe tocar nos cabelos molhados. Um tanto surpreso, levantou a cabeça com tudo dando de cara com o médico moreno que virava e mexia aparecia em seus sonhos os deixando cada vez mais quentes e interessantes. Talvez nem tudo estava estranho, fora do contexto.

- Por que está andando na chuva? – perguntou o mais alto. Na voz, uma pitada de preocupação. - Por acaso seu guarda-chuva quebrou?

Yurio revirou os olhos verdes em um gesto infantil e tentou controlar a língua, mas...

- Gosto de andar na chuva, adoro ficar molhado! - Sua resposta ácida, fez o médico sorrir. - Sabe, acredito que se existe a chuva é porque precisamos senti-la, igual ao sol e o vento, mas a verdade é que queria andar, esfriar a cabeça e colocar em ordem algumas ideias. - O russo fechou a boca, desde quando falava o queria para um quase completo estranho?

Otabek fitou o loiro que continuava segurando pela cintura, mantendo-o debaixo do seu aparato para conter a água que vinha das nuvens, depois olhou para cima e observou a lona preta do seu enorme guarda-chuva e mais uma vez desviou os olhos para as pessoas que passavam pelos dois. Nenhuma delas queria se molhar ou sentir a chuva na sua essência, queriam apenas chegar aos seus destinos o mais rápido que podiam. Num impulso fechou o próprio guarda-chuva e encarou o menor.

- Ok, vamos caminhar pela chuva então! – deixou que um sorriso jocoso iluminasse os lábios cheios.

Yuri pensou em dizer qualquer merda, falar que o moreno não tinha o direito de interferir na sua vontade, mas no fundo queria a companhia do outro.

- Estou indo almoçar, quer ir comigo? - Informou sem graça, já que os dois continuavam parados no meio da calçada e de uma hora pra outra, o russo se viu torcendo para que o médico topasse.

Otabek voltou abrir o guarda-chuva e cobriu os dois.

- Não dá para ir almoçar encharcado! - um novo sorriso, pequeno, se desenhou nos seus lábios. - Onde você quer ir?

O loiro deu de ombros. Para ele não fazia a mínima diferença o local, só queria curtir mais um pouco o moreno.

- Tem um restaurante pequeno aqui perto, é bem simples mas a comida é divina e depois, se quiser, podemos... - Otabek abaixou um pouco a voz. - Andar pelo parque do outro lado da rua. – Talvez o imponente e sério obstetra finalmente havia achado alguém interessante para ter ao seu lado, mas ainda era muito cedo para se poder afirmar. O jeito era deixar as coisas rolarem e esperar pela resposta do outro.

Era uma proposta fascinante, comer e passear, mas também libertadora, afinal poderia se esquecer de toda aquela chateação do escritório, da responsabilidade de definir um percentual ou avaliar um contrato. Por algumas horas, poderia fingir que era uma pessoa normal, com uma família normal, com um emprego normal e não ter que pensar em nada, apenas gastar o seu tempo com alguém que queria estar ao seu lado pelo que era e não pelo que tinha que fazer ou resolver.

- Para mim está ótimo! - Falou enquanto se sentia relaxar. - Para qual lado vamos? – perguntou mostrando uma leve curiosidade.

O cazaque indicou com a cabeça a direção que deveriam tomar e eles passaram a caminhar lado a lado com passos lentos apreciando o silêncio que reinava debaixo do guarda-chuva.

Assim que entraram no restaurante, Yurio mandou uma mensagem para a secretária do primo, Mila, avisando que não tinha hora para voltar e nem se voltaria para o escritório. Na sequência desligou o aparelho e sorriu perverso.

- Ninguém vai morrer! – ruminou com um leve tom de acidez na voz.

- Está tudo bem? - Otabek perguntou enquanto dividia a atenção entre o cardápio e o loiro à sua frente.

- Sim! - Yurio se perdeu em algum ponto entre os olhos e a boca do moreno, por isso piscou várias vezes. - O que você vai comer? Não sei o que pedir. - Concluiu dessa forma, porque não queria que o outro percebesse a verdade implícita.

- Posso pedir para você? – ofertou o médico e, ao ver Yurio confirmar com a cabeça, chamou o garçom, murmurando algo a este e ostentando um belo sorriso, o que não passou despercebido ao loiro. - Espero que você goste! - Abriu mais o sorriso só que dessa vez nervoso e Otabek se questionou porque a aprovação do outro lhe era tão importante.

Plisetsky não disse nada, apenas sustentou o olhar até que sua atenção se desviou para a porta por onde um casal entrou com um bebê nos braços. Na hora se lembrou da pequena Akiko e de toda a causação dela na mansão do platinado, mas lembrou-se também da tristeza que se abateu sobre a casa depois que a mesma foi embora.

- Como ela está? - A pergunta o tirou do seu devaneio e virou-se para encarar o moreno mais uma vez.

- Ela está bem. - Abaixou a cabeça se questionando se falava ou não, mas precisava saber se o moreno tinha notícias. - E o pai ômega dela? Yuuri, não é? – perguntou ao mirar o outro um tanto de soslaio, observando melhor, como quem quer descobrir algo muito importante.

O questionamento fez o médico fechar o semblante pela primeira vez depois que encontrou com o loiro. Recordou-se com desgosto do marido e da consulta em que ele compareceu com o par, dos gritos na sua sala, mas o que mais o incomodou na ocasião era ver como o japonês ômega era tratado e taxado. Um mero reprodutor... só isso. Nem a suposta perda fazia o coração do marido alfa sentir um mísero sentimento de compaixão com o ser que chacoalhou como um boneco de pano. E pensar que, durante um tempo considerável, o médico quase entregou tudo o que tinha feito junto com os estrangeiros pois via a fragilidade do japonês e se condoía pelo seu estado. Escutou um pigarro e viu que o loiro o analisava, provavelmente, procurando por uma resposta que ele não deu.

- Katsuki está bem na medida do possível e posso afirmar que a decisão de afastar a menina foi a mais acertada. – ponderou ao mirar o outro beta e sustentar-lhe o olhar.

Aquela afirmação calou dentro do loiro; então era verdade que o alfa era um boçal da pior qualidade, mas que preço custou esse acerto? O ômega, pelo jeito, ia de mal a pior e seu primo encontrava-se da mesma maneira.

- Você tem contato com ele? – Plisetsky perguntou à queima roupa. Se dependesse dele unicamente para descobrir o paradeiro do ômega em questão, moveria céus e terras para o achar.

Altin ponderou sobre o que dizer, já havia quebrado vários juramentos por conta desse caso em especial. Mas, sem se dar conta, respondeu e passou todas as informações que tinha em seu poder.

- Ele está nas termas da família em Hasetsu com a irmã. – brincou com o guardanapo de tecido devidamente ajeitado ao lado dos utensílios dispostos. - Desenvolveu depressão pós parto, que foi agravado pelo luto e... – nova pausa e desviou um pouco o olhar antes de terminar o que devia, deixando o objeto quieto ao voltar a encará-lo - pelo imprint.

Yurio arregalou os olhos. Até então, achava que o japonês não tinha sentindo nada, absolutamente nada por seu primo - mas estava enganado. Isso o levava a acreditar que os dois eram sim almas gêmeas.

- Como você sabe disso? Ele falou alguma coisa? – a curiosidade e a vontade de ajudar ao parente próximo, o impulsionando a tomar atitudes quase drásticas. Se o moreno à sua frente não lhe dissesse nada, não saberia de imediato como agir e não queria estragar tudo com seu temperamento nada agradável.

O médico balançou a cabeça sorrindo com descrença.

- Não! Ele não confia em ninguém e duvido muito que falaria disso para qualquer um. – observou quando o outro torceu um pouco os lábios, mas prosseguiu como se não houvesse visto nada. - O marido fez um excelente trabalho nisso e mantém o coitado na rédea curta. – Otabek sabia estar revelando mais do que necessário, mas sabia também que de nada adiantaria esconder algo daquele porte. Arqueou um tanto as sobrancelhas antes de continuar, ao notar que o primo de Nikiforov parecia estar tão ou mais aborrecido que ele próprio. - Mas, na última vez que esteve em consulta comigo, ele estava bem sensível, sua pele quente, seu cheiro acentuado e as pupilas dilatadas. São todos sinais de que o corpo está buscando pelo parceiro predestinado, acentuando e rebelando por estar em um local público onde já se viram, faz o seu instinto reagir e gritar como se dissesse: "estou aqui".

- Entendi, ele tem um letreiro na testa dizendo que está à procura do seu alfa, no caso, o idiota do Viktor, é isso?! – questionou apenas para ter a certeza do que havia deduzido.

O médico gargalhou com o jeito tosco que o loiro descreveu o episódio, mas basicamente, era aquilo mesmo.

- É isso, bem isso! – respondeu, para logo em seguida mirá-lo com maior intensidade. - E seu primo? – Otabek quis saber. Se para Katsuki não estava nada fácil, quem diria para o alfa?

- Lutando uma luta que já perdeu no primeiro segundo. - Yurio era assim, direto. Suspirou. - Queria poder fazer alguma coisa que, realmente, fizesse a diferença na vida daquele cabeçudo.

- Vou te passar o endereço da estância termal Yu-topia e você faz o que achar que tem que fazer. - Otabek pegou um pedaço de papel em branco do bolso do casaco e escreveu um endereço com o auxílio do celular e em outro colocou um número de telefone, passando tudo para o russo. - Esse é o endereço onde Yuuri está e esse é meu telefone. - Se sentiu ridículo e bobo na hora que viu o menor segurar o papel. - Como você nunca mais me ligou, achei que pode ter perdido ou...

- Não é isso! - Apressou-se em dizer e na sequência, Yurio sentiu o rosto esquentar; sabia que estava com as bochechas vermelhas. - Eu não estava doente e nem grávido ou querendo roubar mais um bebê, então... – fez uma leve pausa apenas por fazer, desviou o olhar e só após continuou - fiquei procurando um motivo plausível para te ligar e ainda tinha o Viktor e... - Tapou a boca com ambas as mãos e viu o cazaque sorrir do seu jeito. - Seu idiota, não ria. - Mas só serviu para fazer Otabek gargalhar de novo.

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Seus dias se resumiam a ter paciência e ser prudente, mas não tinha mais paz e nem paixão, quanto mais poder de resolver o que mais queria na vida. E justamente por isso, sentia-se apagar todo dia um pouco mais e não via melhoras; na verdade, não via nenhuma luz no final daquele túnel escuro e tudo piorou quando a pequena Akiko foi embora.

Viktor se pegava olhando as fotos que tinha no celular, da filha de coração, sem parar. Sua pequena, seu raio de luz, sua razão para voltar ao lar mais cedo do trabalho... Sua estrelinha! Admirava os momentos vividos com ela, experiências únicas, instantes imortalizados na tela do celular pelas mãos habilidosas do primo e na maioria das vezes sem o conhecimento ou consentimento do platinado.

Sorriu, ao se ver todo molhado quando deu o primeiro banho na japonesinha. Estava tão atrapalhado! Tinha medo de deixá-la escorregar. Quantas foram as vezes que acabara dormindo com a bebê no colo? As agruras e medos ao lhe dar mamadeira? A primeira troca de fraldas em que havia usado muito talco e Akiko e ele se perderam em meio a nuvem esbranquiçada! Realmente, um marinheiro de primeira viagem. Um pai fresco, como Chris costumava brincar com ele.

- Nossos momentos, minha pequena... - Deslizou o dedo pela imagem que mudou e viu outra com o ômega companheiro de Seung, Phichit. Ver o outro ômega levá-la para longe foi sem sombra de dúvida a pior sensação que experimentou e a angústia de escutar o choro daquele serzinho indefeso indo embora ainda ressoava em seus ouvidos, mas sabia que tudo era por um bem maior - embora muitas vezes não enxergasse esse bem. Lembrou de ter corrido atrás dos dois, apenas para entregar a Phichit o coelhinho branco e uma linda estrela de pelúcia com olhos expressivos e um sorriso encantador, fazendo o ômega prometer que sempre os manteria perto de Akiko. Baixou os olhos úmidos antes de voltar sua atenção para o eletrônico e seguir com as fotos e o que cada uma o fazia sentir.

Phichit cumpria a sua promessa à risca e enviava fotos e vídeos para o russo todo santo dia, não havia falhado nenhuma vez sequer, mas nem com isso a saudade que lhe queimava o peito diminuía, pelo contrário, só fazia crescer e crescer a cada minuto passado.

Chegou na foto feita na maternidade. Torceu seu belo rosto em uma careta com a dor do seu lúpus estraçalhando o seu interior por causa do predestinado perdido, sentia vontade de chorar todas as vezes que seus olhos ardendo paravam na única foto que tinha com o japonês. Necessitava gritar com alguém para poder esquecer e preencher sua mente, precisava fazer algo ou senão enlouqueceria com a dor de não saber o que tinha sido feito do seu ômega.

Yuuri evaporou-se nos dias seguintes ao sequestro e suposta morte da filha dele, mas desconfiava do seu paradeiro e existia uma certeza que se fosse em busca dele, o acharia. Só que nesse ponto, as palavras prudência e paciência se repetiam nas vozes inalteradas dos seus dois amigos alfas e advogados. Pediam para ter controle, dominar seus instintos e esperar que a justiça fizesse sua parte, mas Viktor nunca entendeu o porquê do símbolo da tal justiça ser uma moça cega.

Rosnou com a constatação que se formara em sua cabeça nesse período, a beldade que carregava uma balança não era somente cega, como deveria ser surda e muda também, pois a petição inicial do seu pedido continuava parada e travada no mesmo lugar há no mínimo três semanas, tudo por causa do destino desconhecido do malfadado marido alfa de Yuuri. A criatura estava fora do país e longe de suas mãos.

Mirou o horizonte através das vidraças, o céu escuro denunciando que muito provavelmente uma chuva forte caísse para combinar mais ainda com seu humor - talvez uma trovoada já que assim estava o seu temperamento. Fixando seu olhar em um ponto qualquer, sem muito prestar atenção, piscou várias vezes assim que grossos pingos riscaram a janela de sua sala. Finalmente o que os relâmpagos e trovões anunciaram a manhã inteira, acontecia.

Recostado em sua cadeira e tentando manter sua atenção no que deveria realmente, volveu mais uma vez os olhos na direção das janelas. A chuva torrencial agora se estendia tarde a dentro. Estava intragável, intolerante e sentia que não só os outros o estavam evitando, mas ele também sentia vontade, se pudesse, de evitar a si mesmo.

Até quando teria paciência e seria prudente? Até quando esperaria o cretino aparecer e tomar conhecimento do seu pedido ou melhor, ordem? Até quando teria que ficar afastado do seu ômega?

Batidas na porta o fizeram voltar para sua realidade; estava no escritório e provavelmente, algum desavisado sobre seu estado de espírito atual tinha a ousadia de interromper seus devaneios mais amargos.

- Sim? – rosnou muito a contra gosto.

Christophe abriu a porta e estudou o semblante cada vez mais pálido do amigo querido sentado à imponente mesa. A sala do presidente da empresa de materiais esportivos era uma preciosidade e em um ambiente amplo e luxuoso, Viktor ostentava todo o peso que seu nome tinha e se o russo por si só já era possuidor de uma personalidade marcante, dentro do seu reduto era imbatível.

- Vik, o contrato com o fornecedor canadense está parado. Precisamos decidir de uma vez, senão teremos que parar a produção. - O suíço media suas palavras, mas não tinha muito o que se fazer.

- Fale com o Yurio, ele está com esse contrato o dia inteiro. - Deu sua resposta seca e voltou-se mais uma vez para a tela do celular.

- Temos um problema. - O ponto crucial de toda a questão envolvida, Yurio. – Viktor... – fez uma pausa antes de continuar - o seu primo, pelo jeito deu uma surtada e saiu para almoçar.

O russo conferiu o horário no relógio de pulso e franziu a testa.

- São quatro horas da tarde. Quantas horas ele precisa para comer?

- Mon cher (meu querido), a pressão em cima dele está grande e ele está dando o seu melhor. – fez uma pausa apenas para analisar o semblante carregado do platinado. - Yurio está fazendo e analisando todos os contratos, decidindo e negociando tudo! E você não pode esquecer que ele é jovem e...

A voz do platinado o cortou mais fria que metal.

- Ele é muito bem pago para isso e precisa crescer, deixar de ser um pirralho malcriado. - Viktor estourou e não viu o loiro parado no limiar da porta.

- É isso que sou? Um pirralho?! É isso, seu velho de bosta? Fala? – exigiu. As feições bonitas alteradas devido a careta que o mesmo fazia.

Chris partiu para cima do loiro mais baixo, precisava contê-lo e evitar um estrago maior e, no fundo temia, pelas consequências desse encontro mas Yurio era obstinado e com um drible de corpo, enganou o suíço e avançou sala a dentro, resoluto.

- Quer saber, esse pirralho aqui se demite! - Gargalhou como insano. - Foda-se você e foda-se a sua empresa, ela vai para o buraco junto com você mesmo. - O dedo acusatório apontando sem a mínima cerimônia na cara do chefe completava o quadro incoerente.

Viktor permitiu que seu lado mais instintivo e animal assumisse o controle e desferiu um soco sobre o tampo da mesa, afundando o local. Seus olhos vermelhos demonstravam o perigo da situação, mas Yurio ignorava tudo e do dedo apontado para o tapa na face platinada foi apenas um segundo, pegando todos de surpresa. O russo se levantou em um pulo e avançou em cima do primo.

O suíço tentava segurar o mais alto e liberava seu cheiro aos montes, fazia uma força absurda para Viktor abrir suas mãos e soltar o colarinho do menor, mas nada fazia efeito e para comprovar isso, foi arrastado junto com o loiro até os dois se chocarem contra a parede.

- Viktor para! Viktor! - a voz de Chris chegava até o platinado esganiçada, desesperada.

- Até quando vai ficar sentido pena de si mesmo? Vai ficar parado lambendo suas feridas até não ter mais nada para lamber, é isso que quer? - Yurio puxava o lúpus pela lapela do terno. - Você é Viktor Nikiforov e é um maldito alfa lúpus! Então haja como tal!

As palavras do loiro acertaram o alvo mais que todos os pedidos e promessas de sossego dos dias ruins que vinha vivendo. Viktor abriu as mãos e deu um passo pra trás.

- Yurio... Chris…

Só que o loiro estava cansado desses episódios, de toda histeria "de não fale o que não deve", de saco cheio dos cuidados e palavras pela metade. Conflitos existiam e precisavam ser resolvidos.

- Nunca abandonaria você, mas não consigo mais vê-lo agindo assim, enfurnado nessa sala, enxotando todos ao seu redor, maltratando tudo e todos, mas principalmente você. - Procurou no bolso interno do paletó negro e puxou dois papéis cuidadosamente dobrados. - Não sei como está o seu processo do imprint e sinceramente não quero nem saber, mas… - fez um leve mistério - hoje encontrei com uma pessoa e essa pessoa falou de outra e acho que está na hora de começar a fazer a coisa certa. - Passou um dos papéis para as mãos do platinado. - Yuuri está nesse endereço e precisando de você. - mirou-o com intensidade e depois, Chris.

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Pela manhã, enquanto o tempo permanecia nublado, Seung-Gil havia ficado trabalhando em alguns processos os quais ele resolvera não deixar acumulados para Chris. Meticuloso, o sisudo alfa dissera e tranquilizara a todos que era experiente o bastante para conseguir dar continuidade às suas obrigações e a tudo que a ele fora delegado, mesmo dando suporte a seu ômega que já ostentava uma pequena protuberância levemente arredondada no ventre. Ver a barriga lisinha e chapada de seu companheiro ir se avantajando, não tinha valor no mundo que pudesse pagar e aquilo o enchia de orgulho.

Voltando os olhos para a janela de seu escritório, observou atentamente o pequeno jardim agora não tão belo como ele se lembrava de ter visto nas fotos a que lhes foram apresentadas no dia da compra daquela casa. O tempo havia sido generoso com sua família e até mesmo o mal estar matinal de Phic parecia haver lhes dado uma trégua. Bem, trégua essa que naquela manhã nublada havia sido quebrada, pois o motorista acordara enjoado e fora aos tropeços para o banheiro, regurgitando o pouco que havia conseguido comer na noite passada. Mesmo com o tailandês não gostando que ele o visse daquele jeito, Seung ajoelhara atrás do pequeno ômega o abraçando por trás, buscando dar-lhe o conforto que achava necessário. E até agora, o alfa não conseguia entender como essas coisas funcionavam, apenas sabia que estar próximo e deixar seus feromônios agirem já era o suficiente para que Phichit se sentisse mil vezes melhor. Um barulho alto ao longe chamou-lhe a atenção e seus olhos focaram o céu que ganhava nuances mais escuras, esquecendo um tanto seus pensamentos.

"Uma tempestade!" - pensou o sul coreano ao elevar o óculos de leitura - o qual usava muito raramente - ajeitando o mesmo sobre a cabeça. Mordiscando o lábio, desejou ardentemente que não fosse uma chuva, como na noite em que eles finalmente deixaram Tóquio para trás e avançaram para o novo destino, a casa com uma linda cerejeira nos fundos localizada na prefeitura de Miyagi - Sendai.

Era estranho terem decidido por escolher aquela casa e o que ajudara muito fora saber que a empresa em si estava apostando em alguns desportistas da região ao patrociná-los; seria uma ótima forma de explicar por que ele e sua família estariam partindo da matriz. Gerenciar a parte burocrática entre outras coisas e, claro, teriam a oportunidade de ficar o mais longe possível do tal Akira Shimizu e poder criar a pequena Akiko em segurança. Sim, ele não poderia e nem conseguiria esquecer da pequena, agora Akiko Chulanont-Lee, que a cada dia que se passava ganhava mais peso e despertava seu interesse para todo tipo de objeto brilhante. Uma estrelinha, como o russo vivia a chamando.

Novo ribombar e o moreno voltou seus olhos para trás. A porta entreaberta de seu escritório lhe dava uma boa vista da sala e logo após, a modesta cozinha. Com um leve sorriso, mesmo com toda a preocupação, avistou seu par e a pequena que agora era o centro do mundo de ambos. Podia ouvir os estalidos e balbucios que ela tentava imitar, seus gritinhos e até mesmo o começo do chorinho que muito provavelmente era devido ao forte estalido que parecia ter abalado a construção. Arqueando uma sobrancelha, Seung-Gil pensou em ir em auxílio, mas parou no mesmo lugar com a cena que se seguiu. Dificilmente alguém deixaria de se apaixonar por tal bênção e ele não compreendia como ainda poderiam existir pessoas com a mente tão tacanha. Akiko era um anjinho, um anjinho que Nikiforov havia posto na vida do casal e que apenas viera para somar. Novo trovão, seguido de um raio, e o choro pareceu começar a ganhar proporções fazendo seu coração se afligir. Mas para seu alívio, parecia que mesmo com toda sua preocupação Phichit estava tirando de letra ao acalmar a pequena perante a tempestade que se aproximava ferozmente. E novamente ali estavam suas lembranças a lhe assolarem.

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Não fora difícil explicar tudo o que estava acontecendo para o marido. Seung-Gil sempre soube que Phichit, o homem que escolhera para ter ao seu lado pelo resto da vida, possuía um coração enorme e de ouro. Quando ele resumiu toda a história e o que havia acontecido com o alfa que o largara sozinho em lugar ermo, teve de aguentar o rompante do tailandês, teimando ainda em lhe fazer entender que Viktor Nikiforov, apesar do que muitos diziam e até mesmo ele, tinha sim um bom coração e a prova era tudo o que estava tentando fazer pela pessoa a que lhe era destinada.

Bem, de nada iria adiantar ir contra seu marido, ainda mais esse sendo um tanto teimoso e perspicaz. E apesar de terem tentado, várias foram as vezes que tiveram de adiar a ida até a casa do platinado para poderem tratar de tudo o que seria necessário para que Akiko finalmente ficasse com eles. Talvez tivesse sido tempo demais, pois na tarde que eles realmente puderam se encontrar pela segunda vez, a tarde que a pequena finalmente iria para longe do platinado, o tempo havia fechado: o céu ganhara nuances enegrecidas e os trovões e relâmpagos cortavam os céus quando Nikiforov saíra correndo para lhes entregar os mimos da pequena.

Não havia sido fácil. E eles sabiam que não seria; até mesmo por conta disso, Christophe e Yurio estavam presentes para se necessário fosse, pararem o alfa lúpus.

- Espera, Seung-Gil! – a voz levemente alterada, os cabelos revoltos ao sabor do vento forte, os olhos nublados mesclando azul com nuances levemente avermelhadas, lembrando em muito o princípio de uma tempestade. – Nunca a separe desses brinquedos, por favor! – pediu Nikiforov ao encarar o advogado e em seguida seu marido. – Por favor... – pediu ao encarar Phichit com intensidade.

- Prometo, senh... – sorrindo, Phic engoliu o pronome, pois sabia que não importava mais aquela frescura – Viktor! – e estendeu a mão, pegando os brinquedos esquecidos, os acomodando no banco traseiro e deixando a estrelinha próxima da pequena que parecia entender o que estava se passando. – Ela será bem cuidada, como se fosse minha filha verdadeira. – e com isso apertou a mão do alfa, para logo em seguida soltar e deixar que o carro seguisse para longe.

Os pingos grossos ribombavam ao tocarem a lataria do carro e mesmo sabendo que o choro sentido da pequena não fosse apenas de medo, o advogado, preferiu imaginar que assim o fosse. Ela podia não entender o que estava acontecendo, mas sentia e havia ficado tempo demais na presença do alfa que de coração e alma já era seu pai verdadeiro.

- Phic, quer que eu pare? – perguntou ao ver pelo retrovisor que até mesmo seu marido derramava lágrimas silenciosas. Ao vê-lo negar com um maneio de cabeça, instigou. – Tem certeza?

- Absoluta, Seung! – murmurou Phichit em resposta. – Ela está assustada! Tudo isso é muito estressante e nós sabíamos que ela iria sentir ao se ver longe de seu pai. – falou o final da frase com a voz embargada.

- Phic, agora não podemos mais dizer... – Seung não conseguiu terminar de falar, pois seu marido voluntarioso o cortara.

- Eu sei, meu amor! Mas isso é tão cruel. – Phichit estava mais sensível, os hormônios da maternidade mexiam consigo e ele não era imune ao que acontecia ao seu redor.

Eles sabiam que não seria uma tarefa fácil e que dali por diante Akiko seria o centro do mundo do casal, mas não estavam reclamando, essa não era a questão. E várias foram as vezes que o ômega havia se colocado no lugar do pai daquela criança e, em nenhuma delas, ele saberia dizer o que era ficar sem aquela estrelinha de luz. E todas as vezes que isso acontecia, Seung-Gil estava presente para acalmar seu soulmate.

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Mais um trovão seguido de um relâmpago cortava os céus e a atenção do sul coreano foi novamente exigida. Bem, na realidade a preocupação lhe calou fundo e mesmo sabendo que seu marido estaria bem e conseguiria deixar Akiko tranquila, o alfa levantou lentamente de sua cadeira. Seguindo a passos moderados até aproximar-se do tailandês que segurava a pequena no colo, caminhava de um lado para o outro entoando a canção que no final, havia se tornado o que poderiam dizer ser a preferida de Akiko.

Parando a poucos passos dele, deixou seu cheiro tomar conta do ambiente e com um leve sorriso, viu quando Phichit voltou-se para o encarar. Sua mão direita repousava na cabecinha de Akiko, que ainda fungava chorosa. A voz melodiosa fazendo um leve dueto, com o que agora Seung-Gil pode identificar como a voz do platinado cantarolando a mesma canção. Sem pensar muito, se aproximou do marido e da filha, passando os braços pela cintura e acariciando a barriga do ômega. Depositando um beijo nos cabelos finos da japonesinha, deslizou uma das mãos para as costas dela, juntando a sua com a mão do mais baixo.

Ajeitou-se melhor ao deixar o corpo mais baixo encostar no seu. Apoiando seu queixo no ombro livre, o advogado sorveu a fragrância floral, fechando os olhos, ouvindo a voz melodiosa de seu marido terminar e recomeçar a melodia, agora sem a voz do platinado, pois o vídeo terminara.

Embalado pela melodia da voz baixinha e aconchegante, o alfa não percebeu quando começou a mover os passos em um lento bailado, acompanhando o gingado dos quadris do motorista, puxando-o mais para perto, como a letra da música dizia:

- Vou proteger-te de todo o mal, não há razão pra chorar… - cantarolou Seung-Gil, unindo sua voz a de Phic, que surpreso parou de cantar e sentiu um beijo próximo a sua glândula de cheiro. - Não pare… - pediu ao continuar a mover os pés. - Akiko está quase adormecendo. - murmurou ao observar o rostinho marcado pelas lágrimas que agora já não mais deslizavam por suas bochechas, começar a fechar os olhinhos.

- Vou levá-la para o bercinho. - Phichit respondeu ao dar um passo para frente.

- Não a leve… - pediu o moreno mais alto ao tocar mais uma vez a bebê. - Os trovões…

- Akiko… - murmurou o ômega com um leve sorriso nos lábios. - Papai está preocupado, vamos tranquilizá-lo, não é? - e voltou os olhos para a pequena que já se encontrava com os olhinhos fechados. - Adormeceu… - e acomodou-a melhor nos braços, tomando o devido cuidado para que a mesma não acordasse. - Eu ficarei um pouco com ela. - e ao lembrar de algo, mordiscou o lábio inferior.

- O que foi? - Lee perguntou. Conhecia muito bem seu marido e sabia que ele havia se lembrado de algo muito importante. - O que nós esquecemos desta vez? - perguntou já imaginando que seria algo inevitável.

- Precisamos de algumas coisas do mercado… - Phichit apontou para a mesa, onde uma pequena lista com algumas coisas rascunhadas se encontrava. - Eu queria poder ir junto, levar Akiko, mas com esse tempo, creio que nós dois teremos de ficar, então, será que você poderia ir às compras sozinho? - pediu ao fazer um leve beicinho. Queria com isso fazer com que o alfa não protestasse, pois o mesmo nunca escondera que ir ao mercado não era uma de suas coisas preferidas em fazer. Ao vê-lo franzir a testa, se aproximou tocando em seu rosto, acariciando lentamente. - Por favor, já está tudo na lista, não é difícil e sem minha presença tenho certeza que não irá demorar, já que não terá ninguém para observar tudo o que é novidade. - gracejou, e sapecou um beijo nos lábios finos, saindo em seguida.

- Está bem… só vou esperar um pouco a chuva passar… - parou de falar ao perceber que ao lado da lista havia uma receita de um bolo e se esticando um pouco, pegou a chave do carro onde ficava pendurada. - Acho melhor ir agora, não? Creio que você pretende fazer esse bolo para mais tarde, certo? - perguntou e suspirou ao ver o moreno concordar. - Trarei algo para almoçarmos também, ok? Assim você, Akiko e nosso neném podem ficar descansando.

- Está bem! - Phichit concordou. Parado no pequeno corredor que levaria ao quarto do casal, esperou por seu homem. Sapecou-lhe um beijinho, mas ao sentir-se seguro onde estava, deixou-se beijar, sentindo a língua invadir sua boca em um beijo exigente. - Tenha cuidado! - pediu ao vê-lo se afastar.

- Vou trancar a porta, e bem… - mirou-o com seriedade - você sabe que não deve abri-la, não é? - pediu e só saiu quando o viu concordar. Mesmo sabendo que ninguém, além de poucas pessoas, sabiam que a pequena Akiko não estava morta, Seung-Gil não gostava de brincar quando se tratava da segurança de sua família.

oOoOoOo

Fazia pouco tempo que estava perambulando pelos corredores, fugindo de aglomerados e evitando entrar em locais os quais estivessem apinhados de gente, que aos olhos do advogado, não sabiam ser objetivos. E era exatamente por isso que ele, Seung-Gil, não gostava nem um pouco de ter de enfrentar uma ida ao mercado.

De posse da lista de compras, ia colocando tudo no carrinho e ali estava um item que, ao lado, seu precioso marido havia colocado não um, mas vários pontos de interrogação. O que ele queria dizer com aquilo, o experiente advogado não saberia dizer. Parado a frente da geladeira de gelatos, buscou com olhos atentos o nome de determinado produto. Tão compenetrado estava, quase deu um pulo ao escutar o toque característico dedicado ao tailandês e seu celular vibrar no bolso. Puxando o eletrônico o atendeu, mas antes de conseguir falar, foi atalhado pelo ômega.

- Lee… - a voz baixa e melodiosa de Phichit quebrou o momento tão logo o moreno atendeu seu aparelho - você ainda está no mercado? - perguntou, sendo direto.

- Sim, estou! Aconteceu alguma coisa? - Seung perguntou um tanto preocupado. Era sempre assim, era só ficar longe que parecia que seu instinto protetor iria o sufocar.

- Por favor, Lee! - Phichit revirou os olhos ao imaginar o alfa saindo correndo do mercado e largando tudo para trás por nada, por isso mesmo apressou-se em lhe dizer. - Está tudo bem - tranquilizou-o -, só queria saber em que parte das compras você está? - perguntou.

- Como assim, em qual parte estou? - respondeu Seung-Gil Lee ao arquear as sobrancelhas. - Estou terminando…

- Ah! Isso é bom! Então, não se esqueça do meu sorvete… - e fez uma leve pausa.

- Não, eu não irei esquecer, você quer um Calpis Ice Bar tradicional, não é? - Seung questionou, apenas para ter certeza absoluta. Os gostos de seu marido estavam mais peculiares desde que se descobrira grávido a esse tipo de iguaria adocicada.

- Bem… - Phichit fez uma pausa, a qual seu marido sabia que ele estava pensativo, ou mesmo em dúvida.

- Quer o de pêssego?

- Não, o de pêssego me fez passar mal a última vez. - e só de pensar naquilo, o moreno elevou uma das mãos aos lábios.

- Então, talvez seja melhor parar de tomar esse tipo de sorvete! - repreendeu o sul coreano. - Te levo um doce bem gostoso, e…

- De jeito nenhum, senhor Lee! - o ômega cortou seu marido antes que este conseguisse terminar de falar. - Eu quero sorvete! Se o seu filho nascer com cara de sorvete, iremos conversar! - grunhiu, começando a se irritar. Chulanont detestava quando o marido começava a querer decidir as coisas por ele.

- Ok! Te levo o Calpis…

- Não… eu não quero mais, mudei de ideia! - Phic sorriu divertido ao escutar o rosnado do alfa. - Não rosne, quem sente os desejos sou eu e não o senhor! - gracejou, para logo continuar. - Quero Yukimi Daifuku! E não se atreva a não trazer; quero a caixa com nove, de vários sabores! - exigente, o motorista ouviu seu homem rosnar mais uma vez. - Seung-Gil Lee, eu quero! Olha lá, se nosso bebê nascer manchadinho ou com cara de sorvete nunca vou te perdoar!

Rosnando mais alto, Lee fungou despedindo-se dele. Inacreditável, teria de vasculhar as geladeiras, pois o sorvete que o seu homem queria, ele não havia visto nas geladeiras especializadas.

"Céus! E há quem reclame de pedidos piores que esse! Talvez eu deva agradecer, não?" - pensou o alfa, ao voltar pelo mesmo corredor a procura da delícia gelada.

oOoOoOo

Lembretes, pesquisas e explicações:

Com sempre, fizemos uma pesquisa para sabermos quais sabores de sorvetes, e tipos são mais populares no Japão, sei que podemos ter esquecido muitos e algumas marcas, mas como essa parte ficou meio que ao meu critério, eu acabei escolhendo dois que me chamaram mais a atenção, e como boa apreciadora de gelatos, gostaria muito de experimentar. Por fim, conseguimos achar nesse site: Japão em Foco 15-sorvetes-de-konbini-para-experimentar/ e também no Wikipédia para o Yukimi Daifuku - wiki/Yukimi_Daifuku

Abaixo segue a descrição dos dois sorvetes que citamos na fic:

Calpis Ice Bar, é um sorvete como o nome sugere, feito da bebida da mesma marca Calpis produzido pela marca Lotte. Se você gosta da bebida, poderá também gostar muito desse sorvete. Embora o calpis esteja presente em todos, existe algumas variedades de sabores tais como uva, laranja e melão.

Yukimi Daifuku, é um sorvete de baunilha envolto em uma fina camada de mochi. Ele vem em três tamanhos: uma caixa contendo dois pedaços de sorvete, com uma colher de plástico para comer; uma caixa "mini yukimi daifuku" com nove sorvetes menores que contêm 9 colheres; e "yukimi daifuku petit três caixa de cor" ( Yukimi Daifuku Puchi San-iro ) contendo três tipos, um sorvete de chá verde , um sorvete de chocolate e um sorvete de baunilha. Muitas pessoas preferem a baunilha, conhecida por seu sabor doce.

Cantinho Rosa e Azul:

Theka: Olá para todos! Em nome da dupla gostaria muito de mais uma vez me desculpar! Sim, pois desta vez, fui eu quem ficou mal (novamente) e não conseguia postar e muito menos produzir nada durante o mês que se passou.

Almaro: Mas isso pode acontecer com qualquer pessoa, e visto que não somos mais tão jovenzinhas, e temos as agruras da vida a nos cobrar, isso é humanamente passível de acontecer!

Viktor: Essa Coelha é muito enrolada e...

Yuuri: Vitya, então quer dizer que eu também sou enrolado apenas por sofrer e ter crises horrendas de ansiedade?

Viktor: Yuu... com você é difer...

Theka: Como assim é diferente? Olha ai, Almaro! Vou colocar esse lúpus metido a besta na geladeira, deixar ele com os gelatos do Phic pra ver se ele vai gostar, e deixar o Yuu pra outro alfa...

Almaro: Se eu fosse vocês, ou melhor, você senhor Nikiforov, deixava a Coelha em paz, e *olhando para o moreno japinha* talvez fosse melhor repensar no que diz sem pensar, pois creio que hoje, tu vai dormir no sofá!

*duas ficwriters maléficas rindo da desgraça alheia* kkkkkk

Agora sério, mina! Muito obrigado por tudo, realmente eu, Theka tive um começo novamente de crise, e eu não costumo dizer a ninguém, ou melhor, apenas pessoas mais próximas a mim sabem o que se passa, mas eu sinto que devia esse pedido de desculpas a todos que aguardaram esse novo capítulo. De coração, Almaro e eu esperamos que continuem conosco, nos dando suporte para continuarmos com esse nosso projeto! Até o próximo capítulo!

Beijos

Almaro & Theka