Fic escrita em parceria com Almaro

Explicações e avisos no final do capítulo

Beta: LadyCygnus, nosso carinho, amizade ever and ever! Dear, obrigado por mais uma vez nos ajudar!

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Yurio havia demorado muito para tomar uma iniciativa; sabia que não poderia esperar se quisesse demonstrar que estava interessado, pois mesmo prestando bastante atenção nas atitudes e como o obstetra se portava para consigo, ele ainda sentia aquela pequenina dúvida se de fato ele também estava nutrindo algum tipo de sentimento. Também sabia e tinha consciência de que a vida seguia e por muitas vezes a felicidade almejada poderia ser perdida. Mas o que fazer com aquela pequenina chama de insegurança? Claro, houve uma época da vida do jovem CEO em que ele não pensava muito e agia no impulso. Talvez agora fosse um momento para também fazer algo como sempre fizera, mas com o amadurecimento - e a maior convivência com o primo - Yurio passou a pensar um pouco mais no que fazia e sabia perfeitamente que seus atos sempre teriam uma consequência. Não era um covarde, mas o fato era que deixara a coisa fluir ao seu tempo e num rompante de adrenalina fizera o tão idealizado convite - o qual não dissera nada do que havia planejado, mas que de fato havia funcionado.

Enquanto se arrumava para o encontro e mesmo após ter se desvencilhado do primo - graças a chegada do moreno -, ainda estava um tanto calado e pensativo, não conseguindo evitar esse tipo de situação. Estava um tanto nervoso (e talvez seria motivo de gracinhas vindas de Viktor por conta disso), mas era melhor concentrar-se no momento e desfrutar da companhia de uma pessoa que para ele era agradável e que o fazia sentir-se bem de todas as formas possíveis. Alguém que parecia conhecer há tempos, mas justo naquela noite estava sendo difícil para o russo achar um assunto.

Então até mesmo por isso ali estava ele mais uma vez revendo o que já havia feito. Tinha feito a reserva no restaurante indicado pelo alfa advogado e tudo parecia estar indo bem a priori, mas em nenhum momento parou para ver ou ler algo sobre o falado estabelecimento. Yuri havia confiado cegamente no outro e justamente por isso ficou surpreso quando o carro do médico parou na porta de um lugar que não condizia com o que havia imaginado. O loiro constatou abismado que o lugar estava mais para um templo de orações do que para um badalado restaurante e isso o pegara totalmente desprevenido. Em seus mais loucos pensamentos, Plisetsky jurou que mataria o loiro tingido quando pudesse - e teria de ser com requintes de extrema crueldade afinal não queria se confessar! – "Se Christophe tiver me feito passar um carão, nos enviando para ter com um monge ou padre, aquele cretino não perde por esperar! Ele está totalmente enganado se pensa que quero confessar meus pecados!" – pensou o loiro energicamente. Sem perceber seu rosto havia ficado um tanto rubro já que, na realidade, queria sim cometer uns pecadinhos bem gostosos e não falar sobre eles.

- Chegamos! - Otabek anunciou com um sorriso satisfeito e feliz. O moreno estava alheio à estranheza que fazia seu acompanhante continuar olhando para a edificação de um jeito indecifrável. Tudo bem que não conversaram muito durante o trajeto, mas aquele jeito novo - se assim pudesse dizer - não condizia com a pessoa ali ao seu lado.

Ainda sem conseguir pronunciar-se, Plisetsky tinha em sua cabeça a nítida sensação que a qualquer instante estaria em uma cena de filme de ação, onde vários corpos ficariam espalhados pelo chão quando a tão famosa máfia japonesa aparecesse, ou que seria convertido em monge mesmo sem ter muita vocação para tal. Ninguém nunca poderia dizer que ele não tinha uma mente fértil e voraz, mas aquele não era o momento exato para divagar e sonhar com acontecimentos um tanto quanto absurdos. Soltou um sorriso soprado, só podia ser brincadeira da pior espécie.

- Chegamos onde exatamente? – Yurio finalmente conseguiu perguntar ao volver os olhos para seu acompanhante. - Não me diz que é aqui que a gente vai comer! – rosnou ao voltar a olhar para a construção, parecendo mais indignado. Finalmente parecia que estava voltando de um torpor que o havia deixado paralisado.

A fachada do local realmente lembrava muito a um templo, que talvez em outro momento realmente servira para aquela finalidade, mas que no presente instante não era relevante saber. A arquitetura rica em detalhes, o beiral do telhado todo trabalhado, eram coisas que não havia como deixar de reparar. Apesar da entrada ser um tanto primitiva (para uns como o russo), para os nativos do país era o orgulho passado de geração em geração.

O médico olhou confuso para o loiro sentado no banco do carona - afinal a escolha do lugar fora dele, o convite partira dele, ele fez a reserva e coube ao moreno unicamente dirigir. – "Então, como assim 'é aqui que a gente vai comer?" – pensou, um tanto exacerbado ao finalmente correr os olhos do loiro para a construção imponente.

- Yurio, esse é o restaurante que você me passou o nome e endereço pelo celular. – comentou o obstetra, volvendo os olhos mais uma vez para a construção. - Não estou entendendo, o não é aqui? – arqueou uma das sobrancelhas começando a se preocupar de ter tomado o caminho errado, mas havia pesquisado as possíveis rotas antes de sair de seu apartamento e tinha certeza que ali era o local.

O loiro o encarou por dois segundos mais e depois voltou a olhar para a construção milenar. A priori, lembrava muito a um pequeno palácio, ou o que este foi em algum momento - quem sabe até mesmo fora uma construção de menor importância, algo passado aos descendentes -, mas a verdade era que tinha fantasiado que eles iriam jantar em um restaurante luxuoso e requintado, não em um que estava mais para um museu, com até mesmo na entrada o shoji - a divisão corrediça do saguão em washi, um tipo de papel translúcido.

- Eu não estou vendo o nome do lugar, mas se você diz que é aqui... – arqueou as sobrancelhas antes de completar a frase – Então, é aqui! - Abriu a porta e desceu, dirigindo-se à escadaria que o levaria até um pavimento superior, não esperando pelo médico e nem pelo manobrista - que não compreendia a demora em descerem do automóvel.

O russo só parou quando atingiu uma saleta que tinha ares de ser a recepção do lugar. Encarou o senhor - que devidamente trajava um kimono em cores escuras com leves arabescos em dourado - que estava parado atrás de um pequeno balcão. Devido ao estado em que se encontrava e sem usar as boas maneiras, Yuri informou para este o seu nome completo, mas o homem austero, só o olhava intensamente o fazendo se sentir mais estranho a cada minuto. Quando pensava em usar sua fina educação, acabou por relaxar um pouco, pois o médico chegou enlaçando sua cintura delgada com um braço e levemente o puxando de encontro a lateral de seu corpo, enquanto sustentava o olhar a si direcionado.

Yurio não entendeu, ou não percebeu o que havia acontecido, mas agradeceu mentalmente que o senhor tivesse mudado sua atitude e depois de uma leve reverência aos dois, deslizou suavemente a divisória revelando o interior e os guiando até uma mesa. Odiava ser analisado por um amigo ou por alguém da família, e piorava muito quando era por um desconhecido que não sabia nada da sua vida; o simples fato daquele senhor tê-lo medido dos pés à cabeça não cooperava muito com toda a situação e com o que o russo estava sentindo.

Andaram em silêncio até uma mesa afastada - pensando bem, todas eram afastadas umas das outras e isso passava uma sensação de privacidade, pois não se ouvia as conversas paralelas, não tinha aquele barulho ensurdecedor de talheres que muitos estabelecimentos grandes possuem, nem passos e pessoas falando alto. Tudo era muito silencioso e até certo ponto era como se aquele silêncio fosse um calmante para uma mente que não parava. Sentaram-se e a quentura dos dedos do moreno em torno da cintura do russo logo esfriaram, fazendo Yurio encará-lo enquanto mordia os lábios; sentia-se perdido.

Otabek, por sua vez, mantinha um sorriso maroto nos lábios e parecia se divertir com tudo, o que era uma grande diferença do jeito sisudo e compenetrado com que ele se apresentava no hospital. Uma faceta que, para o loiro, era sempre muito bem vinda, ainda mais se ele apenas sorrisse daquele jeito para si.

- Por que você está sorrindo? – Plisetsky perguntou, sem saber que estava dando a munição que o médico precisava para levá-lo a uma pequena e inocente cilada.

- Porque você está com essa cara de que vai sair correndo daqui a qualquer momento! - O moreno abriu mais o sorriso e, com um olhar de esguelha, resolveu confessar. - Nunca vim aqui, sabia? – mirou o local com interesse, parando de falar, apenas para admirar onde estavam. Não havia pisado naquele lugar anteriormente, mas puxando um pouco pela memória, recordou-se de comentários de alguns médicos, a típica conversa corriqueira na sala de descanso. - É um restaurante exclusivo e mantém algumas tradições que eu acredito que você não conheça, outras já devem ser habituais para você. - O médico baixou mais o tom de voz, mas não deixou de sorrir. - Por exemplo, aqui só se atende casais e, na maioria das vezes, envolve um alfa! - O sorriso do moreno dobrou de tamanho conforme os olhos verdes o fuzilavam. – Não me pergunte como sei, ou como me lembrei! – solicitou ao vê-lo com os olhos estreitos parecendo mesmo um gato pronto para o ataque.

- Vou matar aquele babaca do Chris e, de quebra, aquele senhorzinho da entrada também! – rosnou Plisetsky entredentes.

Otabek começou a rir e cobriu a boca com as mãos.

- Calma, está tudo bem! - disse entre uma puxada e outra de ar. - Se acalme e vamos apreciar o lugar. - Tocou na mão que se fechará em punho e estava em cima da mesa, desarmando o loiro com apenas um toque.

Yurio se calou e olhou para a mão que cobriu a sua com facilidade, gostava do que sentia quando o moreno o tocava e apesar de tudo, a ideia de ter um encontro de casal não estava longe do que queria realmente. Focou nos olhos escuros diretamente e de frente, sem medo de se ver e ser visto.

- Vamos apreciar a companhia um do outro, o restaurante e suas tradições tacanhas são apenas um detalhe. – Yurio volveu os olhos para o pequeno cardápio à frente de ambos. O jeito era relaxar e aproveitar tudo o que lhe era oferecido e não deixar passar nada.

As horas voaram, e se pudessem, o desejo de ambos seria terem mais tempo um ao lado do outro mas eles precisavam deixar a mesa, a qual já estavam há mais de duas horas e meia. Haviam desfrutado da companhia um do outro, regada a um bom saquê e as delícias escolhidas da culinária local e, mesmo assim, pareciam querer adiar ainda mais o retorno. Sem muito que ter como protelar mais tempo juntos, finalmente deixaram a casa tradicional, despedindo-se na porta como se não houvesse acontecido nada.

Na volta para casa, Yurio admirava as luzes da enorme cidade em que vivia agora. Tóquio era moderna, civilizada e à frente do seu tempo, todavia convivia bem com a sua história, com seu passado e guardava segredos em suas construções milenares. Sorriu feito um idiota ao se lembrar da sua primeira impressão quando viu o restaurante e de todos os pensamentos que passaram por sua mente.

- Do que você está rindo? Espero que não seja de mim! - A voz do médico lhe pareceu mais descontraída e deveria estar mesmo, afinal os dois tomaram mais saquê do que deveriam.

- Acho que nós bebemos demais e que você deveria prestar mais atenção na rua. - Yurio disse apontando o dedo para frente sempre sorrindo. - E sobre o porquê de eu estar rindo é particular, mas não é de você. - Concluiu com um quê de superioridade, pois sabia de algo que o moreno não tinha nem ideia do que seria.

Otabek confirmou com a cabeça e voltou sua atenção para a via, mas resolveu puxar assunto, pois como o loiro muito bem havia dito, eles tinham bebido e embora não tivessem extrapolado - não era prudente dirigir assim e até mesmo por isso precisava manter-se com o cérebro em alerta.

- O que seu primo foi fazer na sua casa hoje mais cedo? – fez a pergunta que gostaria de ter feito já há algum tempo. Com o canto dos olhos viu quando o acompanhante se remexeu no banco do carona. - Está tudo bem entre vocês? - o assunto do platinado, de um jeito ou de outro, era do seu interesse também.

- Arrumar as coisas - começou um tanto pensativo -, fazer as pazes, dizer que sou da família, que me ama por quem eu sou, que não sou um pirralho. - suspirou. - Viktor é um cabeçudo, um alfa burro pra caralho, mas a melhor pessoa que conheço. - outro suspiro. - Só ele e meu avô são capazes de lidar comigo; as outras pessoas me suportam e só. - A confissão fugia dos seus lábios sem fazer força e quando parou, sentiu a mão morena apertar sua coxa.

- Eu sei como lidar com você também! - Otabek sorriu no final da frase, mirando-o de soslaio.

Yurio virou a cabeça devagar na direção do médico; o tempo parecia ter parado, o ar parecia estar ficando rarefeito. Piscando algumas vezes, após constatar que realmente o moreno tinha razão, finalmente volveu os olhos pelo para-brisa do veículo. Não havia sentido o carro parar e nem mesmo tinha reparado que estavam na porta do seu prédio - o que mais não tinha reparado? Seus olhos desceram para a mão que continuava na sua perna e não se movia, voltou fazendo o percurso lentamente até a face máscula tentando absorver tudo no processo e não percebeu que seu peito ia de encontro ao do outro, olhos presos às reações e nos lábios do moreno. Viu Otabek fechar os olhos momentos antes das bocas se tocarem e se experimentarem com insegurança, com medo de passarem do limite, mas principalmente, de não agradar.

Nenhum dos dois era mais virgem, mas ainda assim faltava experiência para ambos no quesito relacionamento. Para Yurio, sempre foi difícil criar laços e dar intimidade as pessoas a sua volta e, no fim, acabava espantando todos com seu jeito. Já para Otabek, sexo nunca foi um problema mas não passava disso - era apenas sexo e nada mais, nunca houve um sentimento envolvido, somente uma necessidade. Por isso, o medo de fazer algo que levasse o momento atual à total ruína partia dos dois.

A mão que estava na perna do russo subiu e foi parar na cintura, puxando-o para mais perto, mas o cinto de segurança não permitiu a proximidade que queriam. Tentou soltar, mas seus dedos não se achavam e o beijo, a língua dentro da sua boca, o sabor do loiro, a vontade de apertá-lo loucamente, levava o médico a agir como um atrapalhado, ou em um ser inexperiente que não sabia como proceder.

Levando em consideração que se não fizesse nada, nada aconteceria de verdade, Yurio se afastou bruscamente do moreno e soltou o próprio cinto de segurança, e quando voltou para o beijo foi agarrado, puxado e acabou sentando-se sobre as coxas grossas e de frente para o médico. Sua boca buscou a outra com desejo e os dois se esqueceram onde estavam: no meio da rua, estacionados em frente ao prédio onde Plisetsky vivia. Otabek em puro deleite, puxou o russo mais de encontro ao seu peito, fazendo os corpos se buscarem e praticamente não haver nenhuma distância os separando. As mãos deslizavam afoitas pelas costas, apalpando e apertando lugares com certa precisão. Um beijo, dois e a cada novo contato, ou mesmo recomeço sem dar chances para qualquer outra coisa, o moreno escorregou as mãos para as nádegas arredondadas, apertando-as e deliciando-se ao escutar o gemido estrangulado entre os beijos.

Foi quando uma batida no vidro e uma luz de lanterna apontada para o interior do carro, os interrompeu. O porteiro do prédio não sabia o que fazer ao ver na janela que se abriu o mínimo possível, o ilustre morador estrangeiro que estava acompanhado. Estar atrapalhado, ou mesmo acabrunhado era pouco a se dizer do pobre homem que começava a pensar que realmente o novo morador possuía hábitos um tanto quanto nada convencionais. Mas quem era ela para julgar, não? E aquilo não vinha ao caso, o pobre tinha apenas que realizar o seu trabalho, e bem, aquele era um deles.

- Pois não? - a sobrancelha erguida e a mão tapando a boca do moreno dava um toque mais quente a cena.

- Senhor Pli... me... me desculpe, mas é que aqui não pode estacionar – gaguejava o homem perante ao olhar aniquilador e mortal do loiro -, e o senhor não acha... melhor...

- Abre a merda da garagem, por favor?! - a voz irritada em contraste com o rosto angelical, não combinavam em nada, mas fez o homem sair correndo enquanto apertava o controle do portão sem parar. - Coloca o carro na minha vaga e vamos subir, pois do contrário aqui não teremos paz. - Estava no comando e o moreno apenas obedeceu.

Em outros tempos, talvez Altin não estivesse tão propenso a atender o que o russo estava a lhe pedir. Mas estava interessado naquele homem que o mirava como se fosse uma presa, com olhos fortes, e se o mesmo não tivesse dito que era um beta não acreditaria, pois em tudo ele lembrava um alfa. Talvez, viver em uma família tradicional, como a dele aparentava ser, tinha lá tudo a ver com o modo que seu temperamento fora moldado. Mas no jogo do prazer, ah! No jogo do prazer, Altin também se garantia e bem; naquela hora ele deixaria passar um pouco, pois também gostaria de ditar as regras daquele momento luxurioso. Mas por hora, seria melhor deixar esses pormenores para lá.

Antes mesmo que o loiro saísse de seu colo, o moreno gentilmente com o auxílio de uma das mãos, fez com que ele deitasse a cabeça em seu ombro para que assim pudesse sair com o carro, sem o desalojar de seu colo. Com cuidado, manobrou o veículo o embicando para a descida da garagem assim que localizou a vaga ao lado do carro do loiro, desligando o auto e desejando não precisar desalojar o homem que tinha tão relaxado em seu colo. O coração batendo descompassado no peito; o cheiro gostoso com notas cítricas do perfume usado, talvez almiscarado, enchendo o peito do moreno a cada nova aspiração, o instigando e aumentando seu desejo.

Com um suspiro pesaroso e muito a contragosto, Plisetsky se remexeu ao sentir o leve toque e sua orelha sendo mordiscada quando o cazaquistanês aproximou os lábios de local tão erógeno, murmurando que já haviam chegado. Sem conseguir conter seu desagrado pela pequena mas torturante separação momentânea, o russo desceu do colo do moreno saindo pelo lado deste mesmo. Sustentando-lhe o olhar, seguiu em direção ao elevador em total silêncio. De certa forma, por mais que eles não haviam dito nada, parecia que a pequena interrupção havia feito algo mudar - ou talvez fosse apenas impressão do loiro. E em silêncio, apesar das mãos se roçando, seguiram até o elevador, apertando o andar desejado o russo tentou não encarar muito seu acompanhante. Deixando-se levar pelo momento, sorriu de lado ao sentir sua mão ser envolvida pela do homem ao seu lado. Quando o som característico informou que estavam no andar desejado saíram rapidamente, parando na frente da porta de mogno entalhada.

Soltando rapidamente a mão do médico, Yuri pescou sua chave que se encontrava no bolso de sua calça e tão logo abriu a porta, acabou dando passagem para que o mais alto seguisse porta adentro. Acendendo a luz, o russo mirou com interesse cobiçoso o moreno, que sustentou-lhe o olhar.

Sem repararem na distribuição harmoniosa dos móveis na sala de estar, se aproximaram mais uma vez e Otabek não resistiu em levantar a mão direita, aproveitando para acariciar o rosto de Yurio, e tirar a mecha de fios claros e finos da frente dos olhos verdes que o encaravam à longos minutos no mais completo silêncio. Ainda sustentando as íris esmeraldas, o cazaque sorriu de lado e, sem muito pensar, deixou que a mesma mão fizesse o caminho inverso, roçando levemente as unhas, os dedos ligeiros e a palma das mãos pela pele aveludada do russo. E, ao finalmente chegar ao local desejado, travou a nuca do mais baixo puxando-o para si e o beijando em um beijo exigente e voluptuoso.

Os corpos pareciam se atrair, as respirações ofegantes. Os prazeres da carne sendo compartilhados sem vergonha ou pudor. Tudo o que fora pensado, toda a insegurança tanto de um como de outro parecia ter ido por terra. Até mesmo a indecisão, que fora sentida na troca de olhares poucos segundos antes do que os envolvia, parecia estar dissolvendo como uma nuvem de fumaça. Não fora fácil superar a insegurança e o tesão de se ver à frente do que mais desejou na vida nos últimos anos, mas bastou apenas o roçar da pele na pele, dos lábios e de mais um beijo fervoroso ser trocado para tudo ser esquecido. Queria fazer amor, não queria ir pra cama e transar até se cansar, queria compartilhar de um momento de intimidade e queria que fosse especial para os dois, mas o que fazer com o medo que sentia martelar na sua cabeça? Tudo isso conspirava para que o moreno começasse a travar, com uma insegurança que não possuía, um medo de não satisfazer o homem ao seu lado, algo que ambos mereciam. E se assim tivesse de ser, assim seria!

Se separaram apenas quando o ar se fez necessário. Os lábios se buscaram mais uma vez, como se fossem imãs se atraindo e um novo beijo carregado de primeiras e segunda intenções fora trocado. Quando finalmente tornaram a se encarar, Otabek reparou que o loiro mordiscava levemente a boca e espremia um pouco os olhos fazendo o verde escurecer. Não conseguia imaginar o que passava na cabeça de Yurio, e era quase palpável que este também parecia estar pensativo, talvez, assim como o obstetra, procurando por algum indício do que mudou durante o pequeno trajeto da rua até onde já se encontravam. Não haveria como saber e, até mesmo por isso, o moreno levantou a mão esquerda e pousou no rosto angelical segurando-o com ambas as mãos.

- Não pense que estou em dúvida, só tenho medo que você não goste ou que depois não queira mais nada comigo. - Altin estava paralisado e suas palavras eram apenas um reflexo do que lhe ia pelo seu íntimo.

- Deixa rolar! – pediu Plisetsky. - E depois a gente conversa sobre isso ou... se não quiser, não... - Yurio não conseguiu terminar, pois o médico o puxou mais uma vez pela nuca e juntou os lábios ao dele, calando-o.

O beijo era gentil, carinhoso e diferente do que aconteceu minutos antes, Otabek não tinha pressa em saborear a boca do russo. Por ele, o beijaria o resto da noite e, se bobeasse a vida inteira, pois como comprovara Yurio, era o "seu tamanho" perfeito. Ele tinha de ser! E mesmo se não o fosse, iria lutar para tê-lo sempre ali em seus braços.

Ninguém soube dizer quando novamente a coisa começou a esquentar. Mãos afoitas trilharam caminhos mais ousados e, ao sentir as mãos hábeis no manejo de instrumentos cirúrgicos deslizarem por sua pele por baixo da camisa que fora em algum momento puxada do cós da calça, Plisetsky sorriu entre o beijo, mordendo o lábio inferior de Altin com gosto, mantendo-o seguro por um tempo. A voz baixa e levemente rouca quebrando o silêncio da sala.

- Meu quarto fica no corredor a esquerda! - instruiu e, com o olhar matreiro, rodou entre os braços do moreno caminhando lentamente para que os corpos não se separassem. Gemeu alto ao sentir a mordida entre a base do pescoço e o ombro, parando um pouco o caminhar para roçar o traseiro em um gingado cadenciado de encontro à ereção já em evidência do obstetra.

Otabek sentia-se extasiado. Os gemidos do russo eram como um bálsamo, lavando todas as incertezas para longe e despertando em si um desejo de que já estivessem sobre os lençóis acolhedores da cama do outro. Assim sendo, logo venceram a distância até o quarto. Volveu os olhos rapidamente pelo cômodo, deixando um sorriso satisfeito iluminar-lhe a face. Com um meneio rápido das mãos, ajudou o russo a ficar de frente para si. E antes que o mesmo pudesse dizer ou mesmo fazer alguma coisa, selou-lhe os lábios em um beijo faminto e exigente.

Arfares, mãos deslizando e explorando o corpo alheio, tudo era muito novo e o prazer do idílio amoroso parecia os consumir. Em determinado momento, ambos entraram na mesma sintonia e devagar foram se despindo, revelavam seus segredos e descobriam tantos outros. Pequenas marcas deixadas pelo caminho, beijos espalhados, molhados e observados. A cama macia e confortável os recebeu.

- Você é lindo! - ronronou extasiado o médico enquanto se acomodava por cima do loiro. Mordiscando o lábio inferior do outro, Altin, ao escutar o gemido um tanto mais alto, aprisionou mais uma vez os lábios levemente rosados do russo, iniciando novo ósculo. Movendo lentamente os quadris, deixou que os membros roçassem em uma doce e tortuosa provocação.

Mordiscando o queixo afilado do russo, espalhou beijos, mordidas e lambidas até a base do pescoço, onde cravou mais uma vez os dentes, sugando a pele clara e deixando uma leve marca, a qual tinha certeza ficaria destacada. Como um ferro em brasa, deslizou os lábios deixando beijos esvoaçantes até próximo ao tórax, onde deu uma maior atenção aos rosados mamilos, mordiscando, sugando enquanto apertava o outro entre o indicador e o polegar. Sorriu internamente ao escutar seu nome sair em meio a um gemido mais alto e elevando um pouco os olhos, mirou com certa admiração o rosto afogueado lançado um tanto para trás nos travesseiros fofos e afundando levemente.

Yuri já havia tido outros em sua cama, mas não conseguia lembrar-se de ter tido uma experiência tão prazerosa como estava tendo naquela noite com o obstetra. Sua cabeça, seus pensamentos, tudo estava apagado, como se fosse um borrão, sem qualquer importância. Sentia-se flutuar e queria muito, muito mais. Sua voz saia entrecortada a cada novo toque, mordida ou mesmo pegada mais forte. Ao sentir os lábios do moreno tão próximos de seu baixo ventre, arqueou o corpo em total deleite. A voz morrendo em sua garganta e o corpo serpenteando sobre os lençóis.

Otabek queria fazer o russo chegar ao seu limite. Queria descobrir o quanto teria de provocá-lo com seus toques, beijos, chupões e mordidas; estava adorando ouvir os gemidos agora não mais contidos. Volvendo os olhos em busca dos do loiro, não se fez de rogado e deitando a língua para fora, deslizou-a pelos próprios lábios antes de pincelar o períneo até a base do escroto, alternando seus movimentos entre sugadas e lambidas. Sorria ao escutar os gemidos e arfares quase estrangulados pelos momentos em que a voz não conseguia vencer ao prazer sentido.

Com toques ousados, o cazaque acabou por abocanhar o falo entumecido, oferecendo os dígitos para que Yuri os deixasse molhados, o que o russo começou a fazer de bom grado ao segurar com força a mão do homem que o fodia com a boca. Sugando-o com maestria, Otabek puxou a mão que havia sido liberada e pedia passagem com dígitos experientes que lhe invadiam a cavidade levemente apertada; movendo lentamente, buscando e tentando achar o local que levaria o russo à sua total entrega. Usando o movimento de tesoura enquanto a boca sugava, chupava e engolia como podia o membro latejante; a atenção redobrada nos gestos, no lençol puxado, na contração que o corpo fazia e no fim, sem um aviso sequer, o gosto do loiro explodia no fundo de sua garganta. E o médico não se fez de rogado, engolindo todo o sêmen com gosto.

Cobrindo os olhos com os braços cruzados, Yurio tentava controlar a respiração descompassada. Mordendo o lábio, volveu os olhos ao sentir o moreno o puxar um pouco mais para baixo e novamente unir seus lábios em um beijo voluptuoso, erótico. Deslizando as mãos para as costas do mais alto, deixou as unhas roçarem na pele marcando das omoplatas até a cintura do amante.

Ao quebrar o beijo, Otabek abriu um sorriso sedutor. Sentia em seu peito como se uma corrente elétrica estivesse a percorrer juntamente com o seu sangue. O coração batendo descompassado e um desejo insano de agradar, de fazê-lo seu e de mais ninguém; de possuir e ser possuído com a mesma intensidade, de se entregar e se viciar no corpo do russo, nos movimentos que fazia e nas curvas, de escutar os gemidos sem parar até fazê-lo gritar de prazer, e no auge do êxtase ouvi-lo chamar seu nome diversas e diversas vezes. Era tudo que ele mais queria. Se acomodou sentado na cama e antes de puxar o mais baixo, viu o mesmo se esticar, abrindo a gaveta e de lá tirando um invólucro com camisinha. Ao procurar pelas íris esmeraldas, aproveitou para trazer o corpo do loiro para cima de suas pernas, o segurando pela cintura.

- Posso? - perguntou Plisetsky ao recuperar sua voz. Sem esperar muito, assim que Altin deu seu aval, o russo rasgou o invólucro e com um sorriso de lado, colocou a camisinha entre os lábios. Se ajeitando melhor, baixou o corpo deslizando o látex lentamente enquanto abocanhava o membro pulsante e grosso, deslizando a língua e começando a sugá-lo com força. Parou abruptamente, ao sentir os cabelos sendo puxados e deparar-se com os olhos levemente fechados do médico. Ele não parecia estar bravo, mas era nítido que não queria aquilo. Bem, pelo menos não naquele momento.

– Vem, senta! - ordenou antes de capturar os lábios em um beijo guloso, mas gemeu de frenesi quando sentiu seu membro ser engolido pelo corpo do outro.

Foi apertado; as unhas cravaram-se nas suas costas deixando marcas profundas, os olhos esmeraldas por um momento se nublaram e lacrimejaram, mas foi rápido. No segundo seguinte, apoiava o loiro nos seus braços lhe dando o impulso que este precisava para cavalgar. As bocas se encontraram e se desencontravam, o suor grudava os cabelos loiros e revoltos na testa, nas laterais do rosto e na nuca, o mais jovem impunha-se e comandava o ritmo, fazendo o moreno chegar à beira do orgasmo e depois parava para que não gozasse. Foram incontáveis minutos de prazer prolongado; ao fim, o peito e pescoço do russo estavam todos marcados e Otabek urrou quando seu gozo finalmente inundou o protetor de látex, ainda dentro do corpo do seu Yurio. Sim, seu!

O alívio tomou seu ser e abraçou a criatura loira que ofegava mais forte ainda com a boca entreaberta. Plisetsky também havia chegado ao orgamo mais uma vez, apenas com o roçar de seu membro entre os corpos. Não sorriram, não trocaram nenhuma palavra, apenas se olharam cúmplices, tentavam regularizar as suas respirações. Então, Yurio deitou a cabeça contra o ombro do médico e por ali ficou. Não havia necessidade de trocarem palavras, tudo era dito em seus olhos. Era um entendimento mútuo que parecia que já se conheciam há muito tempo!

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Na manhã seguinte, Yurio acordou com a vibração insistente e irritante do seu celular que deveria estar perdido em algum lugar no criado-mudo. Tateou o móvel e puxou o aparelho encarando o nome do advogado alfa. Revirou os olhos.

- Fala... – bocejou, a voz não mais que um rosnado rouco.

- Onde você está? Você esqueceu a sessão de fotos? Já te liguei várias vezes e você não me atendeu, está tudo bem? Você deveria... - o silêncio calando fundo - Yurio, está me escutando? - Chris perguntou, pois não ouvia nada, nem mesmo uma respiração do outro lado da linha.

- Estou! - O loiro respondeu sem tirar o olhar do peito desnudo de Otabek na sua cama, prestava atenção ao movimento que fazia, subia e descia de forma lenta e ritmada. Então, sorriu de lado. - Resolvi seguir seu conselho idiota - fez uma pausa apenas para passar a língua pelos próprios lábios - e estou vivendo a minha vida! - desligou o celular e atirou ao chão para que repousasse no tapete felpudo. Voltou-se a deitar na cama e aconchegou-se ao corpo do moreno fechando os olhos. Sentiu Otabek o abraçar e deixar um beijo nos seus cabelos loiros.

- Que hora é? – a voz grossa quebrando o silêncio.

- Ainda é cedo! – informou Yuri ao se aconchegar mais de encontro ao obstetra. – Desculpa se te acordei. – sentiu o mesmo negar com um leve movimento de cabeça. – Não diga que já tem de ir? – perguntou ao finalmente se preocupar. Não queria ficar sozinho, não agora.

- Não se preocupe... – murmurou ao beijar-lhe os fios loiros bagunçados. – Estou de folga! – Se Otabek soubesse que uma simples resposta o faria ganhar um belo sorriso, como avistara ao ser encarado pelo homem em seus braços, o faria mais vezes.

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Lembretes e explicações:

Shoji: Na arquitetura tradicional japonesa os shōji (障子?) são painéis ou portas de correr estruturados em madeira e preenchidos com papel translúcido. Originários da China[carece de fontes], os shōji são empregues na transição entre o interior e o exterior da casa.[1] O papel translúcido utilizado, designado de washi (和紙), pelas suas características permite a entrada de luz natural para o interior da casa. Segundo Yagi, a luz difusa que atravessa o papel cria uma atmosfera "macia" que se altera conforme a luz do dia. A estrutura que constitui os postigos em treliça podem ser de bambu ou madeira. Fonte Wikipédia wiki/Sh%C5%8Dji

E quem pensou que havíamos morrido, cá estamos. Gostaríamos de pedir desculpas pela grande demora, mas Julho foi um mês louco. Férias, acontecimentos, mas vencemos e novo capítulo cá está!

Cantinho Rosa e Azul:

E mais uma vez queremos agradecer a paciência de quem chegou até aqui! Obrigado pelo carinho, por não desistir da gente, e sempre nos prestigiar com seu apoio e carinho…

Viktor: Estão atrasadas!

Theka: Hmm… sério isso, Almaro? *arregalando os olhos*

Almaro: Pelo visto é muito sério mesmo! Ultimamente essas pessoas tem perdido a noção do perigo. *olhar de esguelha*

Yuuri: Vitya, eu avisei para deixar as duas em paz!

Viktor: Mas, Yuu…

Theka: Sem mais Yuu… se eu fosse você platinado azedo, ficaria quietinho, pois não viu Almaro e eu perdendo a paciência.

Almaro: Talvez devamos dizer, você, Coelha, perdendo a paciência! *vendo a loira arquear as sobrancelhas* Olha, dois *mirando o casal*, talvez fosse saudável vocês desaparecerem, a Coelha já arqueou a sobrancelha, e o kit fic sabem…

Yuuri: Ah! Conheço essa deixa… *segurando o platinado pelos braços o puxando para longe das ficwriters* Vitya, vamos antes que a Theka fique bravinha e pare a produção de tudo que é fic nossa!

Theka: *vendo os dois irem embora* Isso mesmo, sem reclamar! Vão, vão!

Realmente, muito obrigado de coração pelos carinho e pela gentileza de esperar nosso retorno.

Beijocas e até o próximo capítulo

Almaro e Theka