Avisos no final do capítulo!

Beta: LadyCygnus, nosso carinho, amizade ever and ever! Dear, obrigado por mais uma vez nos ajudar!

oOoOoOo

Os testes de iluminação, bem como cada item a ser usado naquela que poderia ser considerada uma mega produção, já haviam sido checados várias vezes naquele curto período de tempo.

Emil Nekola, o experiente e exclusivo fotógrafo da empresa, poderia ter em seu nome - ou mesmo como prenome - perfeccionista! Apesar de jovem, no alto de seus vinte e cinco anos, o tcheco já possuía uma infinita bagagem e alguns prêmios por várias de suas fotos, muitas delas de desfiles, ensaios, natureza e desportos radicais, sendo esse último ele adepto da prática, gostando de esquiar, fazer alpinismo e rapel. Isso constantemente leva seu empregador (o qual não gostaria de o perder para certas banalidades) e para seu descobridor e maior incentivador, Michele Crispino - seu marido já há longos quatro anos - à loucura! Além disso, havia o fato que Crispino ainda vivia encrencando não apenas pelos gostos peculiares do fotógrafo, mas também por ele não querer assinar seus trabalhos com o nome que hoje ele ostentava com muito orgulho: Emil Nekola-Crispino.

Bem, aquilo era um caso à parte e, por vezes, o italiano até mesmo entendia o que seu relutante e por vezes amalucado marido preferia continuar com a alcunha que o projetara para o mundo. E, de certo modo, o casal Nekola-Crispino tinha muita coisa em comum. Orgulhosos e competitivos entre si (mesmo que em áreas diferentes), poderiam ser qualificados como meticulosos, exigentes e terem visão de tudo - uma visão de águia, como brincava o tigre russo com seu peculiar jeito azedo de ser. Mas o importante era que ambos não se abatiam facilmente e, mesmo com as divergências - sim estas eram constante nos dias em que ambos idealizavam projetos juntos -, faziam acontecer. E sucessos explodiam, ajudando assim a NKS (Nikiforov Sportswear) a crescer e a galgar novos ares. Marcas novas foram criadas, sucessos aconteceram e aconteciam. E não era novidade que a nova marca, Fast Speedy, idealizada por Nikiforov e a qual Michele comprara a ideia projetando toda uma campanha de marketing e com as fotos feitas pelo marido, iria alavancar mais as vendas no mercado.

Com toda essa pressão sobre os ombros, pois Emil sabia que de nada adiantaria se ele não conseguisse captar a essência do novo contratado, ele temia que a magia falhasse. Não era fadado a se estressar, mas aquele projeto era diferente de todos os que já haviam feito. E ao terminar de revisar tudo o que teria de fazer, suspirou resignado. Sabia que Nikiforov iria querer que tudo corresse bem! O conhecia há muito tempo para saber que o presidente da empresa queria nada além do melhor!

Sendo assim, ao terminar de revisar tudo o que teria de fazer, o castanho do alto de seus um metro e oitenta e três de altura, volveu os olhos azuis expressivos para o relógio de pulso. Controlando sua vontade de praguejar, Emil revirou os olhos e coçou a barbicha muito bem aparada. O jovem patinador artístico estava levemente atrasado e, para o fotógrafo, tempo era dinheiro. E que Michele não soubesse daquele atraso, ou iria praguejar devido à demora e possíveis atrasos, principalmente com relação ao aluguel do rinque de patinação que havia sido feito para o uso exclusivo de quatro horas, logo após o horário de almoço. Sem contar, é claro, que o beta o faria engolir todo o seu orgulho alfa - sim, Nekola fora fisgado por um par de olhos lilases maravilhosos e a essência carismática e nervosinha de um beta - de ser o melhor no que fazia, por ter falhado, quando já havia enfrentado várias estrelas de diversos segmentos. Suspirando resignado, desejou que o tal patinador não fosse uma das estrelas metidas que já passaram pelo foco de suas poderosas lentes.

Tentando relaxar e não chamar atenção de seu "workaholic" intitulado marido, Emil se aproximou do som e o ligou, deixando que sua playlist tomasse conta do lugar que até então estivera mergulhado no mais profundo silêncio.

Deslizando uma das mãos pelas roupas escolhidas para aquele momento da sessão fotográfica, as quais estavam alinhadas em uma arara bem ao lado do aparelho de som, o tcheco desejou que o novo contratado, não agisse como muitas outras estrelas do esporte que ele teve o desprazer em fotografar.

Quando finalmente Nekola começava mentalmente a recriminar o novo garoto propaganda pela falta de responsabilidade e pontualidade, este foi surpreendido por um mini tufão que irrompeu porta adentro seguido por outro um tanto esbaforido rapaz. Seus olhos se encontraram e por alguns poucos minutos, ambos ficaram se estudando. Realmente, que a verdade fosse dita: o jovem patinador era um belo espécime! Cabelos castanhos claros levemente despojados em um corte nada convencional, expressivos olhos verdes e parecia marcar presença sem necessitar fazer muito para conseguir. Já seu acompanhante, parecia uma cópia xérox só que um pouco mais velho e carrancudo. Bem, se ali estava o seu agente e protetor, o fotógrafo não precisaria se preocupar muito, não?

oOoOoOo

A sessão fotográfica estava marcada para iniciar as nove horas da manhã no estúdio. E não haveria necessidade de acordar tão cedo. Bem, fora assim que imaginara o jovem e promissor patinador na noite anterior. Haviam chegado a Tóquio com antecedência, como Gunnar sempre gostava e quem sabe por um capricho do mais novo dos irmãos, algumas benfeitorias vindas da empresa com a qual havia assinado contrato, não foram aceitas. Outro equívoco que após acordar naquela manhã, o Gautier patinador percebeu ter feito. Mas de nada adiantava chorar pelo que já havia acontecido. Na realidade, não estavam tão atrasados. Teriam um tempo razoável para chegar ao bonito edifício que ficava a sede da NKS. Claro, se não fosse o mal estar que o acometera.

Lars havia sido prevenido por seu médico. Sabia que se não deixasse o próximo heat acontecer naquele mês, poderia ter sua saúde prejudicada, não a curto, mas a longo prazo e não era isso que ele queria para si. Muitos atletas colocavam as carreiras à frente de seu bem estar e saúde e ele teria ido por esse mesmo caminho se não tivesse ouvido a voz da razão e ao seu técnico, que fora muito compreensivo. Na realidade, o ômega suíço sabia que não poderia colocar não só sua vida em jogo, mas sua carreira também. E havia planejado todos os detalhes para que nada desse errado, mas quando tudo parecia perfeito, algo poderia mudar toda a situação e a data da sessão de fotos teve de ser trocada. Não seria no epicentro dos acontecimentos de seu heat, mas poderia ser uns míseros dias antes. Fato esse que havia deixado não só Gunnar preocupado, mas também a todas as pessoas diretamente ligadas a Lars como profissional. Todavia, o ciclo poderia demorar a acontecer, o que já era um pouco reconfortante - ou talvez não?

Um tanto incomodado, o patinador levantou antes mesmo de seu despertador tocar. Despiu-se lentamente e ao entrar na ducha, deixou que a água tépida lavasse para longe aquela sensação estranha que parecia o sufocar lentamente. Perdeu a noção das horas pois sabia que o irmão ainda estaria adormecido no quarto ao lado e até mesmo por isso não se preocupou muito ao se dirigir para o banheiro. A porta de comunicação entre um quarto e outro estava apenas encostada, e a qualquer momento Gunnar iria irromper por ela para poder despertá-lo, pois como todos bem o sabiam, Masumi - como os familiares preferiam o chamar - não era adepto de acordar cedo.

Não lembrava quanto tempo estava ali e a agora uma pequena dor de cabeça parecia o atormentar. Ele não lembrava de ter dores de cabeça, apenas da quentura do corpo, seus feromônios mais acentuados e a vontade de estar com um alfa que lhe atasse - não era algo incontrolável, mas sempre passara seus heats sozinhos e só de lembrar do último, sua pele se arrepiou. Fora terrível, e se pudesse evitar… Balançando a cabeça para afastar os pensamentos, assustou-se ao escutar a voz do irmão o chamando. De olhos arregalados, usando um roupão felpudo e com os cabelos enrolados em um toalha, finalmente voltou para o quarto e encontrou já o desjejum o esperando.

Sentou em silêncio a frente de Gunnar a pequena mesa a um canto da grande suíte. Torceu o nariz para quase todas as gostosuras que ali estavam e se contentou com um pouco de chá e alguns biscoitos. O manager, percebendo o que de fato estava acontecendo, até tentou cancelar o compromisso, mas para o mais novo, aquilo era algo muito desrespeitoso e antiético. Era só um mal estar e logo estaria melhor. Já até havia tomado algo para a dor de cabeça.

Sorriu de lado ao escutar o irmão chamá-lo de teimoso! Desde que se conhecia por gente, gostava de fazer tudo por si só. Era curioso, com um sorriso fácil e marcante, mas também um tanto reservado. Quando descobriu-se ômega, começou a luta para conseguir deixar isso fora dos holofotes, pois já era uma promessa na patinação artística. Obstinado, a teimosia em pessoa, gostava de se mostrar suficiente e naquela manhã, tudo isso estava à flor da pele. Decidira por si só, em uma atitude até mesmo um tanto egoísta, que ele iria dirigir e não o irmão, que ainda não havia se recuperado de um forte resfriado.

Usando do GPS, não teria como chegar atrasado. Bem, isso era o esperado, mas não fora bem aquilo que acontecera e após rodarem feito pião em jogo de criança, finalmente após quase uma hora de atraso encontraram seu destino. E, esbaforido, havia finalmente irrompido porta a dentro na sala que a ele fora indicada.

oOoOoOo

- Olá, bom dia! - saudou o recém chegado. Ele tinha o rosto levemente afogueado, como se tivesse galgado todos os degraus da escadaria, apenas para chegar mais rápido. Ou quem sabe, fosse até um pouco de timidez, afinal estava entrando em um local desconhecido e ainda por cima muito atrasado. - Desculpe meu atraso - curvou um pouco a cabeça e o tronco em respeito ao fotógrafo -, mas não foi algo de propósito! - tentou explicar-se. - Meu GPS me mandou para a autoestrada e quase estava voltando para casa em uma longa viagem! - sorriu, um tanto desconcertado, olhando para o outro homem que o acompanhava.

- Nos perdoe, mas eu estava um tanto indisposto para guiar e meu irmão, como bem percebeu, pode se tornar uma pessoa mais teimosa que uma mula empacada quando quer. – sorriu ao ver o jeito que era olhado pelo mais novo.

Aquilo talvez não tivesse acontecido se o mesmo tivesse aceitado que um carro da empresa fosse buscá-los. Mas Emil não era ninguém melhor que ele, pois sendo também senhor de seus desejos e nariz, gostava de fazer tudo sem sentir-se dependente. Havia cometido muitos erros até chegarem os acertos.

- Tudo bem, são coisas que acontecem quando menos esperamos. - comentou ao acaso, o semblante se abrindo em um riso fácil. - Prazer, sou Emil Nekola! - e apertou a mão que lhe era oferecida.

- Lars… - o suíço respondeu ao deixar sua mochila no chão próximo da arara de roupas. – Esse é meu irmão e empresário, Gunnar Gautier... – fez uma leve pausa enquanto eles se cumprimentavam, para logo em seguida prosseguir. - E mais uma vez, me desculpe. Talvez tivesse sido melhor se eu apenas tivesse aceitado que o carro fosse nos buscar. - coçando a nuca, mirou com interesse para o outro e depois para todo o local.

- Sem problemas, o importante é que está aqui! E poderemos então começar - fez uma leve pausa ao sentir um cheiro fraco, mas que não esperava. Mirou o patinador com interesse e uma leve preocupação. Talvez fosse algo de sua cabeça e a priori, deixou passar - Sente-se um pouco. Seria interessante conversarmos sobre o que é esperado e aí sim poderemos apenas focar em nosso ensaio. - pediu com cautela. E com um leve movimento da mão direita, indicou a um canto a área designada para descanso, para assim poderem conversar sobre o que iria começar.

Emil estranhou um pouco o jeito do castanho, ele parecia estar um pouco tenso, mas talvez fosse pelo fato de ter se perdido e causado o transtorno com o atraso; de qualquer forma, com palavras pausadas e jeito compreensivo, o fotógrafo passou a calmaria que necessitaria por hora. Com perguntas básicas e até mesmo descontraídas, conseguiu definir o que lhe faltava. Como um homem experiente em sua área, percebeu que talvez deveria tomar um maior cuidado com Masumi. Se pondo em pé, indicou a arara, mostrando algumas roupas.

- Vamos começar? - e sorriu . - Que tal começarmos com um desses? - Emil mirou-o nos olhos com curiosidade, queria muito saber o que o patinador diria sobre as escolhas da produção. Ao ver Gautier concordar e se munir das peças necessárias, indicou-lhe onde poderia ser maquiado e depois vestir o figurino. Volvendo os olhos na direção do irmão do patinador, proferiu. – Sinta-se à vontade! – e com um leve sorriso, voltou sua atenção para o que acontecia ali próximo.

Observou as jovens que faziam parte da equipe de maquiagem se colocarem a postos, iniciando a parte delas. Experientes, não tardou para que a 'estrela' do dia saísse já usando o primeiro traje e Nekola muniu-se de sua máquina fotográfica, começando a fazer os ajustes para a iluminação. Volvendo os olhos por todo o local, finalmente sentiu a falta de alguém. E até achou um tanto engraçado o primo do presidente não estar presente. No dia anterior, pela manhã, Viktor o havia chamado para terem uma conversa séria e o mesmo havia lhe dito que Yuri estaria presente para recepcionar o patinador em seu lugar. O tcheco já estava acostumado com toda a parte administrativa, sabia que ambos - tanto Nikiforov quanto seu CEO Plisetsky - não compactuavam com atrasos. Nesse quesito, pareciam britânicos! - "Só pode ter acontecido alguma coisa! Onde raios aquele tigre enraivecido poderia estar?" - pensou Emil ao notar pelo canto dos olhos que Lars já se encontrava ao seu lado.

Talvez devesse dar um toque que Yuri não comparecera, mas do que adiantaria a Nekola colocar Nikiforov - ou quem quer que fosse - preocupado apenas por algo que poderia ser revertido, não? Assim, respirando com a tranquilidade profissional que adquirira com os anos, abriu seu sorriso mais cativante ao ver que seu modelo já estava ao seu lado e pronto para assumir seu posto.

- Creio que você já esteja acostumado com tudo isso, não? - perguntou ao acompanhar com os olhos o patinador medalhista de ouro parar onde havia sido instruído. E ao vê-lo concordar com um aceno de cabeça, sorriu. - Então, aja naturalmente... a alma de tudo isso, Lars, é deixar fluir… então, mais uma vez, relaxe e divirta-se. Qualquer coisa, se não estiver se sentindo bem, só me avisar. - frizou bem a frase, pois nada lhe tirava da cabeça que o mesmo não se encontrava em um dia bom. Talvez fosse seu instinto, ou quem sabe apenas uma preocupação boba, mas não poderia deixar o outro sentir-se desconfortável.

Um tanto envergonhado, Lars Masumi Gautier, parecia não conseguir relaxar. Estava um tanto nervoso, talvez tivesse sido pelo fato de ter tentado se virar sozinho, mostrando sua independência, afinal, não queria que seu segundo gênero - até então tão bem preservado - fosse exposto; mas ali estava ele, falhando em algo tão simples. E de nada adiantaria seu irmão mais velho dizer que aquilo fora algo corriqueiro, uma fatalidade do destino. Ele não iria se perdoar por algo tão negligente de sua parte. E até mesmo por isso, tentava relaxar sintonizando seus pensamentos e atos na batida empolgante da música que tocava ao fundo mas, baixando os olhos, conteve um tanto a respiração. Quando voltou a levantar um pouco a cabeça, buscou pelo apoio de seu irmão que o mirava com um misto de preocupação e carinho. Ele era o caçula e sabia que Gunnar faria tudo para lhe acalmar.

- Relaxe… - pediu Emil ao notar o maxilar contraído do suíço. - Você não me parece bem! Quer um minuto? - perguntou ao notar que era observado com certo alívio. Baixando a câmera indicou ao outro o canto onde se encontravam as cadeiras e Gunnar. - Se quiser… - ofereceu. Ele mesmo precisava de algo para molhar a garganta. Se estivesse sozinho, preferiria uma bebida bem gelada, mas em trabalho, chá gelado servia - temos chá gelado!

Com um leve meneio de cabeça, o patinador se aproximou do irmão, que muito baixo, começou a conversar em francês com seu parente. Percebendo que deveria dar um espaço para ambos, o experiente fotógrafo os deixou um pouco, se aproximando da janela grande do fundo do estúdio. Olhava para fora, a paisagem o fazendo viajar. Precisava relaxar também ou não conseguiria passar a calma necessária para seu modelo que, aos seus olhos, parecia estar a lhe esconder algo. Talvez em algum momento aparente, conseguiria descobrir para poder quem sabe ajudar.

oOoOoOo

O rosto frustrado de Emil denotava o clima tenso que a sessão fotográfica havia tomado. A preocupação era palpável e ele sabia que seu modelo, por mais que estivesse tentando dar o seu melhor, parecia ter algo o travando. Já havia tentado descobrir o que poderia ser, mas tanto o irmão mais velho quanto Lars estavam sendo um tanto evasivos. E assim, o trabalho que tinha tudo para ser fácil e uma obra prima, estava se mostrando bem difícil e se transformando em uma tarefa árdua.

Nada parecia sair conforme havia pensado e até mesmo idealizado nas horas passadas, concentrando-se e preparando-se. Tudo acontecia à sua revelia, quando não eram as roupas que não tinham o caimento perfeito, eram as luzes ou a falta dela, e claro que não poderia esquecer-se do patinador que estava incomodado; era visível o desconforto do cidadão... E Emil já não sabia mais o que fazer ou que música da sua playlist tocar para melhorar a situação. E, no auge do seu desgaste bem como do outro, solicitou mais uma pausa - deveria ser a milésima pausa que faziam.

Esfregou as duas mãos sobre a face e conferiu na tela do computador as últimas imagens carregadas. Não estavam ruins, mas estavam longe de serem o seu melhor serviço. Simplesmente não conseguia capturar o melhor ângulo do patinador, não conseguia absorver sua essência e muito menos a aura leve e delicado que o outro ostentava. Olhou mais uma vez atentamente a tela e se questionou onde estava errando: o moço era perfeito para o serviço, estava em um rinque de patinação considerado excelente, tinha todo o aparato necessário, mas mesmo assim não entendia porque tudo estava tão errado. Havia como salvar algum material da parte da manhã feita no estúdio, mas como era um perfeccionista de marca maior, gostaria muito de poder refazer as fotos - e se fosse possível, com outras roupas que não fossem as escolhidas pela alta cúpula da empresa. Talvez o problema nem fossem as roupas em si, mas as cores e tudo mais. Quem sabe, se conversasse com Yuri… Suspirou pesaroso, pois sabia que não teria acompanhamento de quem deveria estar ali e nem se dignara a avisar do não comparecimento. E ainda tinha o fato do patinador não estar se sentindo bem. Sim, aos olhos de Emil, ele parecia estar desconfortável com alguma coisa e quando pensara em ir ter mais uma vez com o moço, além de sentir um leve cheiro floral, outro olor tomou conta do lugar.

Revirando os olhos, escutou passos se aproximando e sua frustração ganhou novos ares. Como o primo russo de Viktor não dera o ar da sua graça, Emil se viu obrigado a avisar a secretária ruiva e essa se comunicou com o advogado de confiança do seu chefe e lá estava ele, em pleno sábado, com a testa franzida e observando tudo ao seu redor.

- Vamos lá... - Suspirou o fotógrafo. - Que bom que você chegou Christophe, preciso da sua preciosa opinião.

O loiro encarou o fotógrafo cismado; Emil não era de pedir opiniões quanto mais de aceitar sugestões sobre seu trabalho, por isso desconfiou que algo ia de mal a pior e ao sentir o clima de funeral entre os presentes que trabalhavam, só veio a confirmar que o caldo havia desandado realmente.

- Boa tarde cher, eu acho... - Parou a frase no meio ao sentir um aroma único e mesmo discreto atingir suas narinas. Virou a cabeça para o lado e focou no patinador que saía do camarim com uma roupa preta modelando todo o corpo perfeito. Admirou a silhueta, as curvas e então lembrou-se da foto que viu na mesa do platinado - era o contratado para ser o garoto propaganda, o rosto da mega campanha publicitária das roupas esportivas e dos patins da empresa.

Masumi, por sua vez, parou de supetão e levou uma mão em direção do coração, apalpando e esfregando o peito naquela região por vários segundos enquanto sentia-se estranho por dentro e foi nesse momento que o irmão, seu empresário e protetor, se aproximou preocupado.

- Você está bem, Lars? Está branco demais, está sentindo alguma coisa? Quer que chame alguém? - Foi somente nesse instante que viu Christophe parado o olhando de uma distância considerável.

Os dois se observaram mudos e ignoraram as pessoas ao redor, o patinador não fazia a mínima ideia de quem seria o desconhecido recém chegado, mas para estar falando com o fotógrafo deveria ser alguém da equipe ou até mesmo da empresa. E à primeira vista, seu olhar parecia querer o escrutinar como se fosse analisar algo ou mesmo tentar descobrir do que era feito. Mas mesmo com toda essa atenção voltada para si - a qual já estava acostumado -, sentiu-se um tanto quente e havia algo em seu estômago, como se o farfalhar de asas de borboletas se agitassem apenas por aquele olhar tão verde quanto os dele próprio.

- Lars… - chamou sem sucesso. - Masumi! - Gunnar tentou mais uma vez. - Você está bem? - a voz preocupado do irmão o trouxe de volta à realidade de onde estava e do que precisava ser feito.

- Estou... - sua resposta fora apenas um sussurro. Seus olhos não conseguiam desgrudar do recém chegado.

- Masumi, você não me parece bem... - Insistiu mais uma vez e com ênfase dessa vez ao chamar o irmão pelo sobrenome materno. - Vou falar com a equipe, explicar que você não está bem e pedir desculpas pelo inconveniente, reagendaremos para outra oportunidade. - era evidente a preocupação no rosto austero de Gunnar. Ele sabia que não deveria ter ouvido o irmão e aceitado a idéia louca de deixar um heat acontecer antes das competições principais e a agenda ter de sofrer alterações de última hora, calhando desse pormenor iniciar quase junto as datas do cronograma da empresa, nova patrocinadora do jovem promissor.

- Não… nem pense em fazer isso! - Lars mirou o irmão atônito. Seus olhos tinham as pupilas levemente dilatadas e seu cheiro floral parecia ter se intensificado. Deixou que o irmão lhe tocasse a testa, mas o afastou tão logo escutou que estava um pouco mais quente que o normal. - Não estou com febre, Gunnar! - retrucou exasperado.

Emil e Chris ouviram as palavras trocadas entre os parentes; o fotógrafo só conseguia pensar no desastre que isso acarretaria. Já para o suíço, este só conseguia pensar se o patinador precisava ser amparado por seus braços ou quem sabe, poderia ajudá-lo a se acomodar em alguma poltrona. Pensando bem, Chris não se importaria em carregá-lo para algum lugar mais confortável. Sorriu, não um sorriso debochado ou mesmo audaz, mas sim um sorriso satisfeito, pois em sua mente conseguia fervilhar as ideias de como tudo aquilo poderia terminar.

- Vamos fazer uma pausa até você se sentir melhor. - O advogado falou ampliando o sorriso. - Precisa de algo específico? Comida, bebida, remédio? - O loiro queria mostrar-se solícito, mas ouviu claramente quando o fotógrafo o retrucou.

- Mas nós estamos no meio de um intervalo e você quer fazer mais um?! - Emil encontrava-se derrotado e Chris sentiu-se um idiota por não ter percebido que eles estavam de "pausa".

- Aaah! Sendo assim... - Andou até os dois homens parados. - Sou Christophe Giacometti, advogado da empresa e você deve ser o famoso patinador Lars Masumi Gautier. - Estendeu a mão na direção do outro. - É um enorme prazer te conhecer pessoalmente.

O ômega encarou a mão estendida em sua direção e não se moveu, pois se já sentia-se mal segundos antes, agora o seu mundo girava ao seu redor. E o cheiro, algo que ainda não tinha conseguido definir a que era, no ar só o fazia desejar coisas, que no momento não deveriam nem ter lhe ocorrido.

- Lars?! - Gunnar chamou buscando conseguir um contato visual com o mais novo, mas o máximo que conseguiu, foi fazê-lo estremecer levemente. O irmão mantinha uma expressão indefinida no rosto, mas as sobrancelhas erguidas e a testa franzida pontuava sua preocupação cada vez mais. Por fim, viu Lars cumprimentar o alfa suíço e conseguir até esboçar um pequeno sorriso quando seus olhos encontraram com os dele.

- Você está tremendo! - A constatação de que o patinador não passava bem se abateu sobre todos, mas principalmente sobre o advogado que em um impulso, pegou-o no colo. - Chamem um médico, sim? - Disse enquanto tomava o caminho do camarim com o ômega nos braços.

Masumi foi surpreendido - raras eram as vezes em que isso acontecia, pois desde muito jovem aprendeu que destino quem faz é a própria pessoa e em sua vida não havia espaço para o acaso ou coincidências. Mas Christophe Giacometti era uma dessas raras exceções.

Sentiu as mãos fortes - porém delicadas - o apararem com cuidado, o cheiro gostoso, algo como castanheira, vindo do alfa o envolveu e permitiu-se fechar os olhos. Sentia-se agraciado por seu destino encontrar-se com "o acaso" na forma de um encontro não programado e mais que isso, deixou-se levar porque sentiu que era o certo a se fazer num dia em que tudo estava dando errado. Recostou a cabeça no ombro do advogado e ficou apenas respirando o mesmo ar que o outro, o aroma de castanheira misturando com o floral das pequenas e belas edelweiss.

Chris não sabia dizer o que estava acontecendo, mas a quentura no seu peito e o formigamento no baixo ventre davam uma vaga ideia do que estava por vir; eram sintomas que ditavam um caminho diferente do que havia pedido na sua oração matinal, mas fez um novo pedido na sua cabeça e para o momento - só queria agir com calma para não parecer um animal selvagem. Sentou o ômega com carinho em uma poltrona e o olhou com atenção. O patinador manteve os olhos fechados, mas ao menos a cor voltara a sua face.

- Como está? - o advogado perguntou. Estava preocupado, havia percebido os olhares tanto do acompanhante do patinador como os de Emil sobre si. Ele conseguia distinguir que ali só poderiam ser todos alfas, pois a preocupação que via no rosto do fotógrafo, era a inversa que via na do irmão de Lars.

- Acho que melhor. - Masumi abriu os olhos devagar e passou as mãos pelos cabelos. - Me desculpe por toda essa cena, eu vou terminar o trabalho de qualquer jeito e por favor, faço questão de ressarcir a empresa por todos os prejuízos causados com os meus atrasos. - Um pigarro se fez presente e os dois voltaram-se para o empresário parado na entrada; o mesmo sorriu e tentou passar tranquilidade para o patinador e confirmou com a cabeça que compartilhava da mesma opinião.

- Não será necessário, a verba destinada para essa campanha é bem razoável, mas preciso que você esteja bem para seduzir... quero dizer... para brilhar! Brilhar como o sol que me ilumina... que nos ilumina! - Uma coloração pintou o rosto do ômega enquanto o alfa se atropelava com suas palavras.

Por fim, Christophe foi salvo quando o médico da pequena enfermaria do rinque de patinação chegou afoito. O senhor entrou e começou a questionar o patinador sobre seu mal estar repentino, mas nada de muito relevante achou durante o exame feito e no final da consulta, abriu sua pasta tirando um pirulito de dentro e estendeu na direção do mais jovem.

- Me prometa, rapazinho, que assim que puder irá fazer um checkup completo. - Lars confirmou com a cabeça e o médico sorrindo lhe entregou o doce. - Agora pode voltar para os seus afazeres e continuar trilhando sua carreira de sucesso, foi apenas um mal estar. - e trocando um olhar com o homem alto, cópia do patinador, indicou discretamente que este o acompanhasse.

Em silêncio Gunnar seguiu o senhor até a porta, onde começaram a conversar em voz baixa, para que nenhum dos dois dentro do camarim improvisado, os ouvisse.

O advogado viu o ômega abrir o pirulito e enfiá-lo na boca - parecia tão normal, sem maldade nenhuma, inocente demais - mas o suíço engoliu em seco e saiu do recinto depressa, pois de uma hora pra outra ficou sufocante lá dentro.

- Giacometti?! - O fotógrafo amigo o encarou com uma sobrancelha erguida.

- Por favor, não fale nada, Nekola. - Aquilo era mais que uma confissão, era uma certeza que sua vida iria mudar e muito. Nunca imaginara que seria alvo de sentimentos tão fortes e logo à primeira vista.

Voltando para o lado do irmão, o empresário volveu os olhos preocupados procurando pelo advogado. Havia sentido o cheiro diferente que não lhe agradara, mas não esperava que justo um outra alfa e sem se preocupar com o uso de supressores, fosse aparecer naquela sessão de fotos. Iria reclamar, exigir que fosse tomado maiores cuidados uma próxima vez, mas deixou a sua vontade de extravasar cair por terra ao perceber que o irmão parecia renovado. Algo como um novo Lars Masumi!

- Lars, tome cuidado… - pediu com a voz grossa de barítono, quebrando o silêncio e chamando a atenção para si. - Sei que fazem uns bons anos que não deixa nada acontecer - fez uma pausa, pois sabia que o irmão iria entender o que queria dizer -, mas esse não é o momento.

- Não é o momento? - perguntou Lars ao encarar o irmão. - Nunca é o momento para mim, Gunnar, mas você sabe o que meu médico me disse. - e mirou o irmão. - Não quero causar problemas, apenas me deixe fazer esse trabalho e depois voltaremos para casa e passarei pelo meu heat sozinho! - murmurou ao procurar não demonstrar seu interesse pelo homem alto e loiro que saíra como um furacão de perto dele.

- Está bem… - concordou um tanto a contragosto. - Mas tenha cuidado, você está exalando mais feromônios e sua pele já começa a ficar com a temperatura elevada. - murmurou ao abraçar carinhosamente o irmão.

- Não irá acontecer nada, meu irmão! Confia em mim? - perguntou ao sustentar os olhos azuis esverdeados do mais velho, que concordou muito contra a sua vontade.

Gunnar era a preocupação em pessoa. Havia prometido aos pais que nunca nada iria acontecer com o caçula da família. E ele sabia que a profissão escolhida por este não ajudava muito, pois o circuito da patinação artística era praticamente dominado pelos alfas. Haviam passado por poucas e boas até o nome Lars Masumi estar entre as estrelas, até ele alcançar seu tricampeonato. E ele entendia os problemas que o patinador teria de enfrentar se não deixasse acontecer: se não deixasse o heat o dominar, estaria fadado a colocar sua saúde em risco e entendia perfeitamente que seu irmão era muito obstinado para aceitar passar esse tempo com um contratado, coisa que nunca conseguiu fazer, pois era um sonhador que havia idealizado para si que só se entregaria quando encontrasse o seu predestinado. Suspirando, o mais velho mirou-o de soslaio; seriam longos dias, mas conhecia a "prata da casa" e de nada adiantaria teimar com ele. Desalinhando os cabelos castanhos, abraçou-o apertado mais uma vez, sem nada dizer, e com um meneio de cabeça abriu a porta deixando por fim que o irmão voltasse para o rinque. Ele poderia proteger o irmão fosse do que fosse, mas de um destino que talvez estivesse sendo traçado, bem, isso não teria como ele fazer objeções. Mas iria observar de longe, como um bom irmão mais velho pode fazer.

Em contrapartida, Lars parecia ter voltado para a sessão de fotos refeito e diferente do que antes, estava à vontade consigo mesmo e ganhou confiança logo nos primeiros cliques. Começou a brincar e a sorrir abertamente, pediu que Nekola colocasse uma música para tocar e quando tornou a pisar no gelo, deslizou como um cisne que pousa em lago com graça. Mas verdade fosse dita, a cada nova pose, a cada exclamação positiva de Emil, a cada acerto, Masumi sorria ao vibrar internamente e procurar com os olhos o advogado suíço que em todas as vezes não o decepcionou e sempre o retribuía com ardor.

Com olhos argutos e observadores, somente Gunnar percebera o que de fato estava se descortinando naquele dia. O coraçãozinho fechado de seu querido irmão, havia eleito o seu alfa. Somente quem conhecia Lars poderia dizer o que estava realmente acontecendo ali. Teria de alertar o irmão, mas sabia que contra o destino e um imprint, não se tinha como lutar!

oOoOoOo

Cantinho Rosa e Azul:

Olá para todos cá estamos nós…

Viktor: *remediando as duas ao fazer caretas como se estivesse ele a falar*

Almaro: Você notou algo diferente, Coelha?

Theka: Olha *voltando os olhos para os lados, e observando o platinado e o moreno que tinha carinha de paisagem*, tem
um senhor careca ali, que creio perdeu todinha a noção do perigo.

Almaro: Sim… nós já o ameaçamos, prometemos altos rolos e interferências, e ele continua querendo testar a nossa pouca paciência…

Viktor: Elas têm essa palavra no dicionário delas?

Yuuri: Vitya, não provoca… *mirando o noivo com olhos pidonhos*

Theka: Isso, ouça o que o Yuu divo tem a lhe dizer, ou escute bem o que estou dizendo: poço enfezar, mas do que a TPM tem me deixado, e finito pra ti, senhor alfa lúpus eu sou o máximo!

Almaro: Ela ainda está boazinha… se eu fosse você, iria ficar lá longe com o japinha lindo! *vendo o moreno guinchar o platinado antes desse falar algo para apenas provocar*

*suspiro*

Ai que benção…

Então, bem, agradecemos a todos as pessoas amigas que aqui chegaram. Agrademos também por não desistirem de nós, e muito menos de nossa fic! Esperamos que tenham gostado do que leram, e contamos sempre com o suporte de vocês.

Beijocas e até nosso próximo encontro
Almaro & Theka