Lembretes e explicações no final do capítulo

Capítulo ainda sem verificação de nossa versão Beta. Assim que possível, faremos uma substituição pelo betado.

Qualquer erro, será corrigido depois!

Parceria com um ficwriter Almaro ^^

oOoOoOo

Observando melhor a sala onde estava - o que parecia ser um hall de entrada -, o platinado mordiscando o lábio inferior, buscou por sua calma, calma esta a qual havia perdido tão logo conseguira chegar a pequena cidade praiana. Não se atentara a nada, e nem ninguém, apenas queria logo chegar às termas da família Katsuki, e finalmente se reencontrar com o ômega que havia se encantado, e pelo qual sofrera o imprint.

Havia sonhado quase que todas as noites que já o tinha em seus braços, ao seu lado, por tantas outras vezes sonhava com o reencontro, e por vezes acordava aos prantos com a incerteza do que o futuro lhes reservava. Tinha consciência de que tudo não se resolveria em um piscar de olhos, mas também nunca lhe passara pela cabeça que teria uma conversa séria com Mari.

Viktor havia sido prevenido. Seus amigos cansaram de o alertar, que teria de ter muita calma, e naquele momento, em sua mente, mesmo prestando atenção em tudo, e até mesmo nos pequenos detalhes, sentia que estava fraquejando, e que seu mantra, repetido mentalmente várias vezes, não estava ajudando.

Mari, o encarava calada há uns minutos, encostada no batente da porta com os braços cruzados, e com o semblante carregado, apenas o regulava como se procurasse as palavras certas para dizer o que gostaria, ou simplesmente calculava onde seria melhor chutá-lo para assim expulsar de vez da casa e da vida do irmão ômega. Sim, chutá-lo, pois mesmo sabendo que o platinado havia feito alguma coisa para ajudar ao irmão, ainda não conseguia deixar de se preocupar. As marcas do outro alfa, não haviam atingido apenas o irmão. A desconfiança para a beta, era uma constante, e não seria agora que deixaria tudo correr como se não houvesse alguém a se preocupar pelo bem estar do Katsuki mais novo.

O silêncio começava a se tornar estarrecedor! Até mesmo Viktor pensou em dar o primeiro passo para iniciar um diálogo no mínimo saudável, e quebrar o gelo, mas se esquecerá como deveria ser feito e conhecendo o mal gênio da irmã japonesa e sua postura protetora em relação ao irmão, sabia que a mesma odiava rodeios e meias palavras, e os únicos assuntos seguros que pipocavam em sua mente eram sobre Yuuri e Akiko. Todavia, continuava na mesma e quando, finalmente, abriu a boca para dizer algo inteligente e fazer um cumprimento decente, foi surpreendido por Mari.

- Você demorou mais do que pensei, mas enfim chegou aqui. - ela se curvou em uma reverência. - Seja bem-vindo senhor Nikiforov!

- Obrigada senhorita Katsuki! - o alfa respondeu no automático e de forma cordial, talvez não expressasse o real alívio de ser bem recebido por ela. Em sua cabeça, era metade do caminho percorrido, a outra metade dependia do ômega o aceitar como par e também sua corte. - Por que acha que demorei? - havia se esquecido como era conversar com ela.

A mulher sorriu pequeno, havia conseguido desconcertar o alfa mais do que já estava. E aquilo era uma façanha, afinal, Mari sendo uma beta, estava começando a se especializar em conter e desconcertar homens de casta maior que a qual ela pertencia.

- Controle seu cheiro - ordenou sem nem pestanejar, e sustentar o olhar a ela destinado pelo platinado -, meu irmão está por perto e precisamos conversar antes de vocês se encontrarem. - o rosto voltando a ficar sério e levemente carregado. A preocupação já era uma constante na vida da morena. - Descobri algo que acho que é importante para você. É apenas uma desconfiança, mas que eu creio que você terá meios de descobrir se o que vou lhe contar tem algum fundamento. - com isso, virou-se de costas e por cima do ombro chamou pelo russo, fazendo com que a acompanhasse até a cozinha. - Sente-se, vamos tomar um chá! - convidou.

Viktor obedeceu, sentou-se na cadeira e ficou observando a mulher mexer no fogão, conseguia captar ao longe o cheiro adocicado de Yuuri e por segundos, fechou os olhos e inspirou profundamente, queria tanto abraçá-lo, sentir seu calor e dizer que "ele" agora seria seu. Balançou a cabeça em uma tentativa de sair do seu devaneio, não poderia se impor ao ômega como o marido dele fazia, pelo menos era isso que deduzia.

- Mari... - chamou suave a beta usando seu primeiro nome. Esta parou de mexer as mãos por um instante, mas não se voltou para olhá-lo nos olhos.

- Ela está bem? - perguntou, e somente nesse momento, sua voz pareceu sair um tanto insegura. - Só me responda, sim ou... não. - Mari não saberia o que fazer se ele, por um acaso, dissesse que a sobrinha não estava mais entre os vivos. Passaram alguns meses e a recém nascida já estaria crescida, mas como o alfa lúpus demorou para entrar em contato, na cabeça da mulher a resposta mais óbvia e a explicação pela ausência, seria por que a criança havia morrido e o russo levou um tempo para se preparar para enfim relatar isso a família.

- Ela está crescendo muito rápido! - Viktor sorria pequeno enquanto falava de sua estrelinha. - Não está comigo, mas está sob meus cuidados constantes e com pessoas boas. - as costas da japonesa balançavam de leve, e ele podia jurar que Mari chorava. - Tenho fotos dela aqui comigo, vídeos que chegaram ainda ontem. Quer ver?! Ela está cada vez mais parecida com Yuuri. - ofereceu.

- Não! - a beta se virou com o rosto riscado pelas lágrimas. - Não, Viktor, eu acredito em você e confio na sua palavra, mas não posso e não quero ver... não agora.

O alfa que desbloqueava o celular, apoiou o aparelho sobre a mesa com a tela virada para baixo. Entendia o conflito que ela vivia e a respeitava muito por justamente entender a força que ela tinha que ter para cuidar do irmão.

Mari dispôs uma xícara fumegante na frente do platinado e finalmente sentou-se segurando um par idêntico da xícara em suas mãos. Antes de começar a falar, mirou-o com intensidade, buscava achar algo, alguma coisa que o delatasse, mas realmente, as íris cerúleas, cristalinas como duas pedras preciosas, ou mesmo como o mais bonito e infinito mar azul, passavam apenas coisas boas. Bem o dizia sua mãe, que os olhos são os espelhos d'alma. E para a Katsuki mais velha, os desse homem em si, não lembravam em nada tudo o que ela via nos do alfa marido do irmão.

- Meu irmão está fazendo tratamento psicológico, foi traumático tudo que aconteceu... - sua voz não passava de um sussurro. - Teve horas que imaginei que ele fosse desistir. Teve momentos que pensei que sozinha eu não iria dar conta de toda a situação, e que meu irmão não iria nunca mais voltar a se animar, voltar a ser o que era antes. - deixou suas palavras carregadas de emoção deslizarem por seus lábios. Gostaria que o russo soubesse de tudo, mas temia não ter o tempo suficiente para o colocar a par de todas as coisas que ela achava relevante para ele.

O russo absorvia o impacto das duras palavras e isso fazia seu lobo interno se debater com violência, nunca poderia permitir que o seu ômega desistisse da vida. A vida que eles teriam juntos, que iriam construir dando um passo de cada vez. Com isso em mente, Viktor apertou o maxilar e a xícara em suas mãos.

- O que posso fazer para ajudá-lo? Posso falar com ele? - pediu um tanto esperançoso, pois não imaginava o que mais a morena poderia querer lhe dizer. Também tinha o fato de que ela ainda não havia lhe dito o que queria, e a angústia de estar tão perto e ao mesmo tempo não poder ir logo ao encontro de Yuuri, começava a calar fundo em sua alma.

Eles se olharam mais uma vez, a incerteza de Mari estampada em sua face, ela temia que o irmão tivesse uma recaída e simplesmente não suportaria vê-lo de novo no chão como esteve. Mas também tinha plena certeza, que não conseguiria manter o russo longe dele, ainda mais com os dois sob o mesmo teto.

- Vamos conversar antes! - pediu a morena, e ao ver Viktor assentir com a cabeça e aguardar, prosseguiu. - Você lembra que meu irmão é casado pela lei, um casamento mal arranjado. - Mari parou de falar assustada com a reação do alfa.

Viktor tentava se controlar, mas seus instintos mesmo com medicação, começavam a dominá-lo devagar, e escutar sobre o casamento do seu ômega com outro não era fácil. Fechou os olhos apertado, mas não conseguiu segurar a ação de suas mãos quando as duas se contraíram em forma de punhos bem fechados sobre a mesa.

- Mari... onde o seu cunhado está? - se por um acaso, o alfa rival estivesse na cidade, poderia se considerar morto. O lúpus em seu peito parecia rosnar a cada segundo, apenas por ouvir falar do outro homem, que não merecia ter o direito e muito menos a licença para tocar em Yuuri.

- Longe daqui, mas não sei mais quanto tempo conseguirei mantê-lo afastado do meu irmão! - a confissão fez o lúpus abrir os olhos alarmados, e lá estava o vermelho que o fazia superior a todos os demais de sua raça. - Se controle, se meu irmão o ver assim, vai se assustar e garanto que você não quer isso, não é mesmo? - ela suspirou. - Preciso falar sobre o Akira, mas só falo se você prometer que não vai fazer nada, muito menos surtar! Não duvide de mim, pois sou capaz de socar você para proteger Yuuri.

Viktor não duvidava disso, mas sabia que Mari sozinha não seria suficiente para detê-lo, afinal um tempo atrás, Christophe não dera conta mesmo sendo um alfa, e temia pelo bem estar dos dois Katsuki's. Claro, não que fosse fazer algo, mas era como os seus haviam lhe avisado, não poderia dar deixa para um ataque desenfreado, como havia sofrido no hospital.

- Prometo que vou tentar. - e para mostrar sua boa vontade colocou sobre a mesa um pequeno estojo. - Calmantes para alfa, não pense, só haja e injete todo o líquido da seringa em mim de uma vez, se precisar. - pediu, pois não estava no direito de ordenar. Não queria assustar a morena, que apenas queria o bem estar de seu irmão.

A mulher assentiu e puxou para perto de si o pequeno estojo preto. Olhou para a janela e observou o jardim do lado de fora, sabia que o irmão estava por lá em algum canto, muito provável, embaixo da "sua" árvore.

- Yuuri sempre foi um menino adorável, mas sozinho também, nunca foi muito de se socializar, e depois que seu segundo gênero se confirmou, viveu seus dias aqui dentro. - ela sorriu, um sorriso triste e até mesmo saudosista, parecendo estar em outro local, com lembranças que aos olhos do lúpus, pareciam ser agradáveis. - Isso não foi um problema, mas aí tudo aconteceu e o Akira apareceu. Ele sempre foi um péssimo marido para o meu irmãozinho e por outro lado, Yuuri sabendo o seu valor e com a criação que teve… - fazendo uma pausa, ela respirou fundo e se levantou, andando até a pia, se encostou. - Akira é um alfa ruim, Viktor! - mirou-o nos olhos e sem esperar reação, continuou. - Ele nunca amou o meu irmão e justamente por isso não o marcou. - comentou ao lembrar de como encontrou o irmão após a noite de núpcias, a qual eles passaram em um dos quartos daquela pousada.

O russo arregalou os olhos, tinha uma vaga lembrança de ter visto uma coleira no hospital, mas não podia dar muitos créditos as suas memórias daquele dia.

- Por que nunca o mordeu? Yuuri é um ômega e…

Ela riu com desgosto quando interrompeu o russo.

- Isso mesmo, é apenas um ômega macho, e Akira um alfa com um ego enorme. - deixou no ar o que aquela informação significava na atual sociedade que eles viviam. - Outro dia, Yuuri me disse que sempre andava um passo atrás dele, nem mais ou menos. - Mari riu de nervoso dessa vez. - Meu irmão não foi educado para isso e nem dessa forma. - fez um gesto com a mão para que ele ficasse quieto. - Viktor, alguns alfas como aquele traste do Akira, se acham melhor que outras pessoas e se você for um "alguém" assim pode ir embora agora! Não vou permitir que mais um abuse dele, nem que o machuque com violência ou…

A mão platinada desceu com força sobre a mesa, a respiração descompassada dizia que o lobo estava vencendo a disputa e dominando-o por completo. Mari mais que depressa foi em busca do estojo.

- Não precisa... não precisa… - Viktor pediu com rapidez antes de que ela fizesse o que ele pediu.

- Mas você me disse que…

Ele levantou a cabeça, dessa vez mirou-a com os olhos completamente vermelhos, e sorriu, um sorriso que se Mari Katsuki o conhecesse a mais tempo, como Christophe e Yurio, poderia afirmar com todas as letras que o mesmo era um sorriso demoníaco.

- Só se preocupe se seu amado cunhado entrar por aquela porta! - apontou na direção da entrada. A cada nova mínima coisa que descobria a respeito daquele ignóbil ser, Viktor sentia que não poderia responder por seus atos se este cruzasse o seu caminho.

Mari olhou para a entrada e depois seus olhos voltaram para o platinado que continuava respirando de forma estranha. Precisava contar o que havia descoberto.

- Depois que Akiko foi embora, e Akira estava de volta, a vida de Yuuri se tornou um inferno, aquele traste só conseguia pensar em cio, acasalar e ter um filho homem. - Mari tomou fôlego e sentou-se novamente. - Não desgrudei do Yuuri, pois lidar com o luto e o marido ao mesmo tempo seria muito para ele. - ela parou e considerou o homem que via a sua frente. - Posso continuar? - perguntou ao notá-lo mais uma vez um tanto agitado.

- Deve, por favor! - o russo pediu, e mentalmente também implorava ao seu lobo interior que se acalmasse, algo lhe dizia que a japonesa possuía uma informação preciosa.

A mulher respirou profundamente antes de continuar.

- Foram dias difíceis, Akira não falava de outra coisa e não dava uma trégua, Yuuri por sua vez, era dominado pela tristeza e apatia, o que resultou em falta de reação despertando a ira do marido que só não o matou porque o enfrentei. - agora era a vez dela de apertar a xícara em suas mãos com as lembranças amargas daqueles dias. - Consegui fazê-lo enxergar que o Yuu precisava de sossego para melhorar e o traste tomou seu caminho para longe. - um meio sorriso se desenhou em seus lábios. - Como ele já havia expulsado o primo tarado, ficamos só eu e meu irmão no apartamento…

- Primo tarado? - rosnou Viktor ao mirá-la com interesse.

- Você talvez não o tenha visto, mas é o primo capacho que Akira tem. Seu nome é Kenjirou Minami, mas por hora, Viktor, creio que seja melhor nos atentarmos ao que tenho a lhe contar. - Mari falou com segurança. - Eu prometo que conto a respeito desse outro traste quando terminarmos, ok? - e sustentou os olhos do empresário que a fitavam com desconfiança.

Meneando a cabeça positivamente, o platinado esperou pelo que viria.

- Como ia dizendo, ficamos sozinhos no apartamento, e procurando pelos documentos de meu irmão, acabei por encontrar o Koseki Tohon da família Shimizu. - Mari conteve um tanto a respiração antes de voltar a falar, pois sabia que talvez teria de explicar, mesmo que por cima, para o gaijin a sua frente o que aquilo queria dizer. - Até então, quero que você entenda, nem mesmo Yuuri tinha acesso a esse documento. - parou novamente observando o homem à sua frente. - Akira, nunca deixou que alguém visse o documento em si.

- Como isso, Mari? - Viktor perguntou um tanto alarmado. - E o que vem a ser esse Koseki Tohon? - questionou. Seu coração batia descompassado no peito. Ele tentava entender o que tudo aquilo tinha a ver com todas as coisas que ela ainda iria lhe dizer. O platinado a olhou de lado, sentia raiva por tudo que ouvira sobre seu predestinado, mas seu lado lógico questionava sobre o que a mulher havia encontrado. Precisava que ela fosse objetiva, mas não poderia atropelar a forma que ela vinha conduzindo as coisas.

- Viktor, o Koseki Tohon é o nome que se dá ao registro familiar aqui no Japão. - informou a morena, pensando em como poderia resumir o que aquele documento tão importante para seu povo, significava. - Diferente dos documentos ocidentais, nós japoneses temos esse registro familiar, onde o responsável pela família registra uniões, filhos, divórcios, adoções e é um documento muito importante por constar e fazer valer todas as situações neles contidas. Sem constar nesse documento, não há a legitimação de uniões, filhos nascidos entre outras coisas. - fez nova pausa, apenas para bebericar um pouco do chá que havia preparado, e tentar acalmar seu coração agitado. A informação que estava prestes a passar para o russo, poderia mudar em muito a vida de seu irmão caçula, e esperava que ele pudesse ajudá-la a afastar o mais novo do jugo a que fora submetido por imposição de um destino cruel.

- Entendi… - comentou Viktor mais pensativo. Ele queria que a mulher a sua frente fosse direto ao ponto, sua ansiedade estava beirando as raias da loucura, e sua mente brilhante, a todo momento lhe fazia pensar e repensar que alguma coisa ali, o ajudaria e imediatamente também deixaria o ômega livre da opressão que sofria. Estava pronto para fazer nova pergunta, quando a japonesa voltou à carga.

- Como o pai de Akira já é falecido, o mesmo, sendo filho único, assumiu o lugar de chefe da família. E quando há um casamento, o ômega masculino, ou feminino, leva o nome que corresponde ao chefe desta, devendo o mesmo constar no Koseki para que a união também tenha validade. - parou de falar e mirou o platinado que parecia a devorar com os olhos. - O que quero dizer, Viktor, é que no Koseki familiar de Akira, após a morte de seu pai, Kaoru-san, não houve mudanças. Pelas tradições, Akira teria sua ascensão ao local mais alto no Koseki, mas o mesmo não aconteceu, e não há registro nenhum de união! O nome de meu adorado irmão, não consta naquele documento. O que impossibilita muitas coisas, e nos explica outras tantas, tais como ele não usar o sobrenome do alfa. E como lhe disse anteriormente, desconfio que nem na prefeitura daqui conste a união deles. - ao ver o alfa ranger os dentes, levantou a mão apressadamente, o impedindo de fazer qualquer coisa inapropriada para o momento. - Por favor, estou a te contar isso, porque sei que irá ajudar muito a vocês dois! - Mari parou e soltou o ar que prendia no peito de uma vez. Não era burra e por isso conhecia a importância do papel que acabou por tirar uma foto e o deixar no escritório do cunhado, no mesmo lugar que havia o achado. Dentro de uma pasta de couro, sobre a mesa do escritório do mesmo. Ela só não entendia o porquê de Akira não ter feito o registro do casamento com o irmão, ou talvez ela até soubesse, e não queria sequer pensar no assunto, mas agora era o momento e tinha com quem compartilhar.

- Você está me dizendo que, tem em suas mãos um documento que de certa forma anula o casamento do seu irmão? Ou que de fato, o casamento nunca foi registrado? - Viktor pulou da cadeira, havia achado uma forma para ter Yuuri só para si. E ao vê-la apenas confirmar com um meneio de cabeça, arregalou os olhos. - Onde está esse papel? Me dê agora! - exigiu quase não se contendo ali naquele local. Muitas coisas agora faziam sentido. Ali estava o porquê a justiça não conseguia mover a ação e ir atrás daquela alfa prepotente. O casamento nunca fora registrado, e ele precisava avisar a Christophe e Seung para que parassem então com a ação, para não despertar suspeitas naquele homem ordinário.

A mão estendida na direção da mulher ficou no ar parada e ignorada. Mari olhou para os dedos do platinado e depois subiu até chegar aos olhos avermelhados que a encaravam.

- Eu não tenho o documento comigo! - respondeu ao voltar os olhos para o próprio celular, que agora jazia à sua frente sobre a mesa. - Apenas tirei uma foto com meu celular, e nem mesmo Yuu-chan sabe dessa minha descoberta. - Mari murmurou pensativa. - Fiquei com medo dele cometer algum deslize, e ter aquele louco atrás de si mais do que já fica. - mirou o platinado que parecia ter se aquietado na cadeira. Ele parecia um tanto desapontado. - Me diga, senhor gaijin… - fez uma pausa ao ter os olhos sobre si mais uma vez. - Como saberei que você não será outro Akira na vida do Yuuri? Como saberei que seu amor não o machucará? Como saberei que ele o aceitará? - eram muitas perguntas, que a morena sabia não ter o dom de poder responder, ela tinha consciência disso, mas depois de anos de sofrimento, não queria mais que seu irmão passasse por novas provações. E para isso deveria ser taxativa, e até mesmo repetitiva com algumas coisas.

- Você acredita que eu possa fazer isso com quem amo? - a voz ofendida do platinado estava carregada de uma raiva mal disfarçada.

- Já vi muitas loucuras e crueldades em nome do amor, Viktor. Meu irmão é a prova viva disso! - ela suspirou e se levantou. - Mas vou permitir que se aproxime de Yuuri, por isso não faça nada de errado, não o magoe, não o force a nada. Dê a ele todo o tempo que precisar e se ele realmente é sua alma gêmea e te aceitar, eu também aceitarei. - estendeu a mão na direção do lúpus. - Chegamos a um acordo?

Viktor era um homem de negócios, considerado um ser audacioso para o mundo do dinheiro, mas o que muitos não sabiam, é que ele raramente entrava numa disputa se não tivesse a certeza do ganho e do lucro. Yuuri estava muito acima de cifras, de bolsa de valores e rendimentos, Yuuri era sua vida e seu amor. Por ele, poderia cometer os crimes mais absurdos, apenas para o ver feliz. E ele não havia envolvido seus melhores amigos e a si próprio naquele rapto, apenas por um capricho.

- Vou respeitá-lo, e vou conquistar seu amor e sua confiança! - o alfa finalmente apertou a mão da mulher, os dois estavam sérios demais para o momento. - Mas quero que saiba, daria o mundo para o seu irmão se ele me pedisse! - comentou solenemente.

Ela, então, sorriu.

- Ele nunca pediria algo assim, senhor Nikiforov! - gracejou ao desfazer o contato, e virou-se para a pia novamente, mas antes de começar a trabalhar, tornou a encará-lo. - O senhor terá muito trabalho para desvendar o Yuuri, mas ele é um homem de gostos simples e tímido. Outra coisa, não ofereça "o seu mundo" a ele, isso não o agradaria, mas se oferecer o seu coração… Ah! Ai sim poderá sonhar com tê-lo ao seu lado!

O russo piscou os olhos tentando entender o que ela queria dizer com aquilo, mas no mesmo instante, seu olfato apurado se encheu com o cheiro do ômega e Viktor girou no próprio eixo a procura de quem mais queria ver. Só que ao invés do japonês, o que viu foi seu cachorro forçando a entrada pela porta da cozinha.

Mari abriu um lindo sorriso, e se abaixou para afagar as orelhas de Makkachin tão logo esse conseguiu acesso ao local. No fim o dono fez o mesmo, e um pouco mais ao afundar o nariz no pelo do animal. Os dois nem haviam percebido quando e como o mascote os havia deixado. Mas talvez, tenha sido em algum momento entre ser recebido pela morena, e seguir até a cozinha, mas já não importava. O danado, havia conseguido, o que seu mestre ainda almejava; estar na presença do moreno.

- Yuuri! - Viktor sussurrou ao continuar acariciando os pelos do magnífico animal.

- Yuu-chan também teve uma mascote quando pequeno - Mari mirou novamente o jardim antes de continuar falando -, Airi era uma Shiba Inu caramelo. - voltando a se aproximar do recém chegado, a morena voltou a tocar Makkachin. Os dedos dos dois se tocaram entre os pelos macios e isso fez com que eles voltassem a se olhar. - Assim como você, meu irmão também ama animais, mas não pode os ter por conta do insuportável que diz ser seu marido. - bufou exasperada antes de voltar a mirar o céu pela pequena janela da cozinha. - Yuuri ainda deve estar no jardim! - e com um leve sorriso mirou o platinado mais uma vez com redobrada atenção. - E Viktor - chamou-o pelo nome antes que este se levantasse da cadeira -, espero que você não conte ao meu irmão o que acabei de lhe contar! Tenho medo do que ele pode tentar fazer, e não quero que ele desafie o marido desnecessariamente!

Amarrando a cara mais uma vez, Nikiforov mirou-a com certa irritação. Bem, mas Mari não sabia que ele não era uma pessoa imprudente. Sabia muito bem que o que ela lhe contou, seria como um estopim para o ômega, e aquele não era o momento para que este ficasse sabendo, ou talvez quem sabe fosse algo bom, mas como ele não o conhecia direito, e tendo uma pessoa que vivera desde sempre com o nipônico solicitando o sigilo, o empresário deveria mesmo guardar segredo daquela conversa por hora.

- Não se preocupe, Mari! - Viktor mirou-a com intensidade. - Nunca irei dizer sobre o que conversamos hoje aqui, a não ser que seja necessário! - afagando os pelos encaracolados do poodle, desviou a atenção para o mascote, que parecia feliz por ter toda atenção para si, alheio as sensações que pairavam pelo local. - Devo dizer que não me agrada em nada esconder as coisas de Yuuri, mas sei que tudo é para o seu bem, e quando chegar o momento certo, creio que ele deva saber toda a verdade, mas como dito, por hora é melhor que ele fique como está! - ponderou o alfa lúpus.

- Agradeço! - murmurou a beta ao lhe fazer uma pequena reverência, levantar e dar-lhe as costas para observar o jardim traseiro do olsen.

- Não me agradeça ainda! - pediu ao mirá-la de soslaio. Viktor não havia feito muito, só se sentiria bem, quando tudo tivesse sido resolvido, e que Yuuri e Akiko estivessem com ele, formando a família que ambos mereciam. Balançando a cabeça, voltou a mirar a futura cunhada. - Agora, e sobre esse tal Minami? - o alfa questionou. Por mais que quisesse ir ter com o ômega, ele sentia que precisava saber de tudo, e todos que poderiam vir a se tornarem estorvos para a união dele com seu destinado.

Um tanto pensativa, a Katsuki volveu o corpo um tanto, e observando com atenção a porta lateral que dava acesso a cozinha, e novamente o quintal, com um leve suspiro tornou a voltar para seu lugar, sentando-se à frente do russo.

- Minami pode ser definido como um capacho, muito atirado, de seu primo Akira! - começou Mari ao mordiscar o canto da boca em um tique nervoso. Ela não sabia qual poderia ser a reação do alfa a sua frente, mas sabia que não deveria esconder nada dele. - Quando mais novo, poderíamos dizer que era um doce, um garotinho muito respeitoso, e um alfa com maneiras impecáveis! Dizia - sorriu ao fazer uma pausa -, que um dia gostaria de encontrar um ômega como Yuuri! - mirou o platinado que parecia rosnar baixinho. - Quando completou dezessete anos, Akira o colocou na empresa, sendo algo como um aprendiz próximo ao alfa mais velho. Desde então, Minami mudou drasticamente, e não sei por que seu interesse sobre meu irmão passou da adoração, para a cobiça. - a voz em um tom baixo e que demonstrava o tanto de repulsa que a beta sentia. - Minami chegou ao desplante de se achar no direito de se candidatar a ser o alfa de Yuuri quando o primo quiser se livrar dele! - disparou desapontada. - Creio que tudo isso pode ter se dado, pelo fato deste cruel jovem, ter entregado as várias e muitas tentativas de fuga que meu irmão já tentou. - Mari ponderou um tanto pensativa. - E eu te juro, até hoje não sabemos como este conhecia os planos. Talvez quem sabe sorte, ou estar no local na hora que não deveria… - o rosnado enfurecido chamou a atenção da beta, que parou de falar rapidamente.

- Viktor, se não se acalmar, serei forçada a fazer o que me pediu! - aclarou ao sustentar os rubros olhos que a miravam com um brilho incontido.

- Continue… por favor! - Viktor solicitou ao respirar pausadamente, tentando aplacar a ira que seu lúpus sentia naquele momento. - E esse tal projeto de alfa? - questionou tão logo se sentiu mais calmo.

- Minami é um sádico, penso eu, e se tornou pior que seu primo! Galanteava, e se insinuava para Yuuri longe dos olhos de Akira, e quando estava com este, tinha outro tipo de atitude. - suspirando a beta rolou os olhos. - Mas com tudo o que nos aconteceu, e a insistência de Akira para que Yuuri lhe desse um filho alfa, não tive escolhas - fez nova pausa apenas para poder aclarar as ideias. Agora que havia começado, Mari sabia que tinha de falar tudo -, sabia que poderia estar prejudicando a meu irmão, mas ainda bem que o parvo que se diz marido dele, não é tão estúpido, e pude usar seu ciúmes ao meu favor! - completou.

Viktor sentia no fundo de seu ser, que deveria ter tentado ser mais presente naquele fatídico dia no hospital, mas também lhe era humanamente impossível. Prestando atenção o que a beta dizia, com seu raciocínio rápido, pode ligar os fatos ao que conseguia se lembrar do dia em questão. Devido ao uso do tranquilizante, muita coisa parecia ter ficado um tanto nublado, mas agora ele poderia confirmar, então, que não havia sonhado. Seus instintos aguçados, diziam que estava certo a respeito do projeto de alfa que vira sair do quarto de seu homem!

- Então, esse abusado está proibido de se aproximar de seu irmão? - perguntou tão logo Mari terminou seu relato de como conseguira afastar o tal Minami.

- Sim, ele não pode se aproximar, e se eu relatar algo a esse respeito, não sei o que Akira possa fazer contra seu parente. - Mari respondeu. - E se ele tentasse nos localizar aqui, não seria possível, pois os registros do nosso hotel de águas termais, não se encontra nem sobre a alcunha de meus pais, como muito menos pelo nome fantasia do estabelecimento. - a morena fez uma pequena pausa. - Meu bisavô, na época fez o registro como M. & M.. - e ao notar o olhar curioso a si direcionado, explicou. - Masashi e Mei, e desde então, o hotel utiliza seu nome fantasia Yu-topia, mas tem como registro M. & M. Hotel Pousada de Águas Termais. - sorriu.

- Entendi! - Viktor abriu um pequeno sorriso. Os bisavós Katsuki's, sem querer haviam ajudado e muito aqueles dois descendentes sem saber. - Sem nenhum sobrenome ligando a família, não há o que se achar! - ponderou o platinado.

- Isso mesmo! - concordou Mari com um leve sorriso.

- E eu creio que vocês não sejam o último hotel aqui, não? - ao ver Mari negar com um leve meneio de cabeça, se preocupou um pouco. - Ele pode… - parou de falar ao perceber novamente a negativa.

- Akira nunca contou aos parentes o que fez, e por qual motivo se associou a meu pai. Então, eu acredito que Minami nunca chegará até nosso paradeiro. - a morena fez nova pausa apenas para mirar a própria xícara, e ao voltar a mirar o homem a sua frente continuou. - E mesmo que ele venha a buscar qualquer informação sobre, nenhuma é passada para pessoas que não sejam autorizadas. - completou Mari.

- O que já ajuda muito! - Viktor murmurou pensativo. - Pelo que estou entendendo, esse tal Minami nunca esteve por aqui? - perguntou apenas para ter certeza do ele já parecia saber.

- Nunca! - baixando a mirada por uns instantes, a japonesa pensou se devia ou não terminar todo seu relato. Respirando fundo, voltou a encarar o alfa com um olhar decidido. Havia tomado sua decisão. - Viktor, eu sempre me perguntei por que nunca o nome da empresa foi alterado, mas hoje me ocorreu que mesmo Akira tendo se associado a meu pai, nada foi alterado, e eu duvido que encontremos algo nos documentos que tenho guardado.

- Se quiser, posso tentar ajudar, tenho excelentes advogados, e garanto que eles conseguirão o que por ventura não conseguirmos. - o alfa sorriu mais uma vez, já com ideias a lhe fervilhar.

- Agradeço, mas vou tentar primeiro como herdeira descobrir algo na prefeitura, se não conseguir nada, aceitarei de bom grado a intervenção dos advogados, mas gostaria de pagar os custos! - orgulhosa… sim, uma característica da família Katsuki.

- Podemos conversar sobre isso mais tarde! - Viktor pediu, e ao vê-la concordar, abriu um pequeno sorriso. Estava voltando a conseguir sorrir sem ao menos reparar, e talvez tudo isso fosse ao fato de estar perto de quem realmente queria. E além do mais, estava disposto a ajudar a família de Yuuri, e não mediria esforços para isso, e aquilo lhe fazia muito, mas muito bem.

- Creio que você já queira ir ter com o Yuu, não? - perguntou a morena apenas para ter certeza de que já havia retido o mesmo por demais.

- Teremos tempo para nos aproximar, Mari, mas não nego que quero vê-lo! - confirmou o platinado ao sentir suas bochechas levemente quentes.

- Então vá! E Viktor… - fez uma pausa ao ver que o homem já de pé voltava para mirá-la nos olhos. - Vá devagar, lembre-se do que eu te disse!

Balançando a cabeça, o lúpus por fim saiu da cozinha, sendo acompanhado por seu fiel escudeiro, que latindo e abanando o rabo, parecia o guiar pelo quintal.

O cheiro adocicado, um tanto mais forte que podia se lembrar, o abalou quando se aproximou da árvore com o banco logo abaixo desta. Observando melhor a neve rala, notou passos em direção contrária a que viera, e em seu ser desejou seguir atrás deles, mas não seria o correto, talvez devesse esperar mais um pouco. Viktor não queria estragar tudo.

Sentando-se no mesmo lugar que minutos antes o ômega estivera, volveu seu olhos para todos os lados, observando, guardando para si lembranças do lugar que seu destinado passara o melhor de sua vida. Nikiforov pode até imaginar como seu Yuuri se divertira correndo por aquele local. Gostaria ele de poder ficar ali com seu ômega, ver seus pequenos filhotes que teriam, correndo e brincando com Makka, ou quais animais de estimação quisessem.

Com um leve suspiro, recostou-se melhor no banco, elevando os olhos para o topo da árvore ressequida de cerejeira, sentiu como se estivesse sendo observado, e tornando a olhar para todos os lados, reparou na janela do segundo andar da construção. O leve balançar da cortina delatava ao alfa que alguém realmente o observara dali. Sorrindo de lado, voltou sua atenção para seu mascote que tinha recostado sua cabeça sobre seu joelho. Sabia o que ele queria, e não se fez de rogado, atendendo a ele e esfregando as mãos nos macios fios encaracolados. Sem perceber, deixou que seus feromônios tomassem o lugar, inconscientemente queria poder acalmar o ômega, que tinha certeza, estivera o mirando a pouco.

Pescando seu eletrônico do bolso do casaco, discou o número do loiro advogado, e só lembrou que este poderia estar dormindo, quando ouvi a voz rouca do outro lado da linha.

- Bom dia, solnechnyy svet (brilho do sol)! - gracejou o lúpus.

- Viktor, eu espero que seja um caso de vida ou morte para me derrubar da cama ainda de madrugada! - rosnou Chris sem ligar para os gracejos do amigo.

- É mais de dez horas, belo adormecido! E essa é minha desforra pelas vezes que faz o mesmo comigo! - riu divertido ao regozijar-se por ter conseguido pegar o advogado com a guarda baixa.

- Ok! Ok! A que devo ilustre ligação em pleno sábado pela manhã? - Christophe questionou, para logo se preocupar. - Você já está em Hasetsu? - a voz subiu uma oitava ao fazer essa pergunta.

- Sim, já estou e… - foi atalhado por novo questionamento.

- Meteu a pata? Estragou tudo? Ah! Mon ami! Eu avisei e…

- Chris…

- Eu te avisei tanto… quer que eu vá…

- Christophe! - chamou pela segunda vez. Ao escutar apenas a respiração agitada do amigo, continuou. - Não precisa vir para cá! - respondeu rapidamente. - Quero que você e Lee suspendam os documentos no cartório!

- Como é? Viktor, o que mudou? - perguntou o suíço um tanto atordoado.

- A história é longa, e terei de ser o mais rápido possível, pois prometi a Mari que não iria contar nada a seu irmão! - Viktor se levantou, caminhando para outro lado daquele quintal. Ele queria com isso se afastar o máximo possível daquela janela.

- Mais uma mentira, Viktor? - Chris perguntou não acreditando em como seu amigo poderia sair dessa situação.

- Não, Chris! - grunhiu o lúpus ao torcer os lábios. - Não será uma mentira, apenas uma omissão dos fatos! - escutando o amigo suspirar do outro lado, prosseguiu contando tudo o que acabara de ouvir, e as suspeitas que isso acarretavam.

- Então, descobrimos por que nossa solicitação nunca ia para frente! - Chris refletiu uns minutos após desabafar. - Segunda pela manhã, eu mesmo vou me encarregar de parar a petição, e também já solicitar uma pesquisa sobre a união deles apenas para desencargo de consciência! E meu amigo, talvez fosse interessante colocar um detetive nessa história. Existe algo de podre, e não é o cheiro horrível que você diz que aquele alfa tem! - o advogado estava enojado, ele não era um especialista em criminalista, mas Seung e ele, conheciam um muito bom, e talvez fossem precisar de seus préstimos!

- Não sei, Chris! Tenho receio do que possamos descobrir! - Viktor queria livrar seu homem daquele ser desprezível. Gostaria de acabar com sua raça, mas temia por Yuuri, e talvez melhor fosse buscar por soluções que não precisassem chegar ao extremo. Mas Nikiforov tinha para si que aquele ser vil e prepotente, não iria aceitar as coisas sem querer dificultar ou mesmo brigar!

Suspirando voltou a caminhar.

- Viktor… apenas pense seriamente nessa possibilidade! - solicitou o amigo de longa data.

- Pensarei, Chris! Até meu retorno, e me mantenham informado! - pediu antes de desligar e ouvindo o gracejo do suíço.

- Até, e não me volte com a notícia de que o mordeu! - e antes de ter resposta para sua brincadeira, Christophe desligou.

Rindo baixinho, chamou por Makkachin, e retornou pelo mesmo caminho que havia feito antes.

Reencontrando-se com Mari, está o convenceu a seguir para os banhos termais, para poder relaxar um pouco da viagem, antes do almoço, e aproveitando também para lhe mostrar o local que iria ficar.

Após deixar suas malas, e organizar algumas poucas coisas, seguiu para o local que havia sido indicado. A água quente o recebeu. Estava sozinho, e para não enlouquecer, pensava em tudo que teria de fazer, e até mesmo pedir aos céus, ao ser supremo, que não fizesse nada que prejudicasse a relação que ele gostaria de construir com o Katsuki.

Fechando os olhos, espreguiçou-se lentamente. Estava na hora de enfrentar o que estava por vir!

oOoOoOo

Lembretes e Explicações:

Quando estava idealizando esse capítulo juntamente a Almaro, tive uma grande ajuda da LadyCygnus (muito obrigado!), que me lembrou sobre as sinetas (carimbos usados para assinar os dodumentos) e com isso, ela acabou por me mostrar vários links com o que eu precisava e até mesmo poder achar sobre o Koseki Tohon!

Foi uma pesquisa por vezes muito esclarecedora, e que por deveras, ajudou e muito em algumas coisas. Tomamos a liberdade, pois não conhecemos as leis do Japão a fundo, de ir moldando este que é um documento muito importante para essa nação. Se quiserem ler o que descobrimos, esse site e até mesmo de nossa embaixada no Japão, nos ajudou muito com termos, e até mesmo a descobrir que realmente, não há uma certidão de casamento, mas sim um registro de casamento, ao qual só tem valor se também registrado no Koseki Tohan. koseki-sistema-de-registro-familiar-japones/

Cantinho Rosa e Azul:

Theka: Então, mais uma vez pedimos desculpas pela demora. Muita coisa acontecendo no mundo, e por mais que eu tente não deixar minha ansiedade influenciar muitas coisas, elas acabam acontecendo, e eu devo agradecer muito a paciência da Almaro, e todos que nos acompanham, deixando seu carinho e nos apoiando.

Viktor: Tudo isso para pedir desculpas?

Yuuri: Ah! Eu não acredito, Viktor!

Almaro: Coelha, melhore nem prestar atenção ao platinado, creio que ele anda muito saídinho, e querendo brincar com fogo! *olhar de esguelha para o casal*

Theka: Sim, ele não sabe que eu ando em um total estado de calamidade… até mesmo por isso, que ele se cale, ou não tem capítulos novos depois desse!

Viktor: *olhos arregalados* Como é que é?

Yuuri: Vem cá, Vitya… *puxando o platinado para longe* Você nunca ouviu a história do Kit Fic que Kardia e Bunny vivem falando? *e ao ver o noivo negar, continua* Pois devia… então…

Almaro: *rindo divertida* Acho que agora nosso platinado vai pensar um pouquinho mais antes de nos aporrinhar!

Theka: Com certeza, amiga! *risos* Ele precisa entender que as donas do Kit fic somos nós, e que se pá, sem capítulos, ou ele vai ficar mais tempo na geladeira sem poder fazer você sabe o que! *mais risos*

Almaro: *gargalhando* Isso é ser muito cruel, mas esse lúpus metido está merecendo!

Deixando os dois para lá, e as agruras da vida, esperamos que nos perdoem pelo novo atraso, e que gostem do que fizemos nesse capítulo. Deixem comentários, o apoio de vocês nós faz muito bem!

Beijos
Almaro e Theka