Lembretes e explicações no final do capítulo
Capítulo ainda sem seleção de nossa versão Beta. Assim que possível, faremos uma substituição pelo betado.
Qualquer erro, será corrigido depois!
Parceria com um ficwriter Almaro ^^
oOoOoOo
O silêncio era aterrador! Nada parecia estar em seu lugar, além de sentir uma falta sem tamanho de seu colchão e seus travesseiros. Ao abrir os olhos um tanto desnorteado, o lúpus inspirou com força, enchendo os pulmões com o leve aroma a cerejeiras. Atônito e sem conseguir lembrar como conseguira chegar até seu quarto, volveu os olhos por todas as direções. O escuro não facilitando em nada para si.
Viktor não fazia ideia de quanto tempo havia apagado. Só conseguia se lembrar do lindo sorriso, sorriso? Sim, o lindo sorriso que seu ômega havia lhe presenteado. Sob efeitos do calmante para lúpus havia imaginado que fora apenas coisa de seu subconsciente, mas agora desperto e estando senhor de seus atos, conseguia sentir bem no fundo de seu ser que sim, Yuuri o havia brindado com o mais lindo dos sorrisos.
"Ah! Moya snezhinka (meu floquinho de neve)! Juro que serei o melhor para que sempre possa vê-lo sorrir desse jeito e se sinta bem!" - Nikiforov pensou. Esticando-se um pouco, buscou por seu celular. Passava das duas e vinte da madrugada. Realmente havia literalmente apagado. Um tanto preocupado, levantou deixando a cama desarrumada. Buscando por sua frasqueira, voltou para o leito sentando-se pesadamente. Precisava tomar seus supressores e também os calmantes. Sabia que estes últimos não seriam tão potentes como os injetáveis, mas se tivesse de passar por um afastamento, o faria pois não queria desapontar nem a Mari, e muito menos Yuuri.
Queria poder se controlar, mas era ciente que por serem destinados, e ainda estarem sob os efeitos do imprint e agora com o Heat do ômega, seria uma tarefa hercúlea e muito difícil! Poderia tentar, mas temia por ser suplantado por seu lúpus, e Viktor tinha noção de como desde que seu lobo interior sentira sua outra metade, que não estaria tão seguro de si.
Com um suspiro resignado, tomou de uma vez as pílulas que precisava, agradecendo mentalmente por Mari ter lhe deixado provido com um jarro com água e mais algumas coisas, as quais localizou com o auxílio da lanterna de seu eletrônico. Revisando o celular, sorriu ao ler as mensagens do primo. Pode sentir um peso sair-lhe dos ombros apenas por ler aquelas linhas estressadas, pedindo para que o mesmo não se esquecesse de se controlar. Yurio tinha um jeito peculiar de manifestar sua preocupação, e por mais que o platinado estivesse acostumado, ele ainda não podia deixar de se surpreender com o vocabulário rico em xingamentos do loiro.
Balançando a cabeça um pouco, acendeu a pequena luminária que localizara com o auxílio da luz da tela de cristal líquido, e deixando o aparelho na pequena bancada, tornou a se levantar. Não estava em sua casa, mas por não ter comido nada desde a hora do almoço, sentia seu estômago rosnar em protesto.
"É… Nikiforov! Não tem jeito, não! Se não for assaltar a cozinha de sua futura cunhada, terá de aguentar até o dia clarear!" - o platinado pensou. Coçando levemente a nuca, finalmente decidiu-se por deixar o quarto. O corredor se encontrava parcialmente na penumbra. Volvendo os olhos para a outra direção, a qual sabia se encontrava seu destinado, conteve a vontade de tomar outro rumo. Balançando a cabeça, tentou espantar aqueles pensamentos, e acabou por fim seguindo até o cômodo que precisava.
Estava estranhando encontrar praticamente aquela parte da casa iluminada, e até mesmo por isso surpreendeu-se um pouco ao ver a beta na cozinha. Esta esperava que uma chaleira esquentasse, e até então, não havia notado a presença do lúpus.
- Boa noite! - Viktor a saudou, deixando que um sorriso amarelo lhe iluminasse o rosto.
- Boa noite! - a morena respondeu ao mirá-lo com interesse. - Achei que fosse dormir até amanhã! - comentou Mari ao acaso, como se conversasse algum tipo de trivialidade.
Um tanto surpreso, o russo sustentou-lhe o olhar. Estava um tanto receoso de que a mulher quisesse bronquear com ele pelo ocorrido mais cedo, mas a morena estava agindo como se nada tivesse acontecido.
- Geralmente o efeito dura doze horas, então cá estou! - gracejou. Mirando o relógio de parede, este marcava um pouco mais de duas e meia da madrugada.
- Entendo… - Mari fez uma pausa para poder retirar a chaleira do fogo, e despejar o conteúdo em uma pequena garrafa térmica. - Está com fome? - perguntou, e antes de obter resposta, prosseguiu. - Se quiser posso te preparar algo, mas primeiro preciso levar esse chá para meu irmão. - comentou ao mostrar a pequena bandeja.
- Como ele está? - Viktor respondeu com nova pergunta evitando responder que estava com fome, mas seu estômago acabara pôr o entregar. Um tanto sem graça trocou um rápido olhar com a beta.
- Como disse, farei algo para você assim que voltar do quarto de Yuuri. - Mari sabia que teria de contar como o ômega estava, e assim, sem fazer rodeios, suspirou um pouco aliviada. - Graças ao seu presente, e aos supressores de calor e heat ele está bem, mas ainda tem um pouco de febre. - sustentando o olhar, a japonesa queria ver se o mesmo não iria fazer algo que ela desabonasse.
Viktor mordiscou o lábio inferior tentando conter a vontade de ir ter com o ômega, mas não devia, não podia! Tinha de ser forte! Por mais que se sentisse repetitivo em seu modo de pensar, sabia que aquilo era o correto a se fazer.
- Fico um pouco tranquilo em saber disso! - disse pensativo. - Queria poder fazer muito mais para ele, mas temo não conseguir me controlar, o que é algo constrangedor, pois eu deveria ser mais forte, e prezar pelo bem estar de meu destinado. - Viktor terminou de falar sentindo-se a pior das criaturas sob a face da terra.
A Katsuki mais velha, mirou-o com atenção, e sentia uma vontade sem tamanho de dar um chute naquele traseiro lúpus! O russo não deveria desanimar, e se ele percebesse o que em pouco tempo já havia conseguido fazer por Yuuri, quem sabe não estaria daquele jeito.
- Viktor, você não percebeu o que já conseguiu fazer? - a morena perguntou ao mirá-lo nos olhos. - Pense um pouco, e assim que voltar, te faço algo e conversamos mais um pouco. Mas senhor Lúpus, tenha em mente que meu irmão desde que mamãe morreu, é apenas uma sombra do que um dia já foi, e hoje em míseros segundos, ele ao seu modo, não o deixou levar minhas broncas! - e dando-lhe um leve sorriso enigmático, saiu apressada.
Pensativo, Viktor sorriu bobamente, pois precisara que a beta novamente lhe abrisse os olhos, e ele lembrava muito bem de seu ômega, com seu jeitinho, o protegendo. Sentindo seu peito inflar um pouquinho, o alfa lúpus sentiu muito orgulho de seu destinado.
Nikiforov não era psicólogo, mas se dependesse dele, Yuuri nunca mais iria baixar sua cabeça para aquele homem desprezível, e já tinha uma pequena ideia do que oferecer e fazer.
oOoOoOo
Desde que havia ficado sozinho, apenas tendo seu novo amigo de quatro patas como companhia, Yuuri havia se aferrado a camisa que Viktor lhe presenteara. Sentia que os supressores não estavam mais fazendo o efeito desejado, e as dores iam e voltavam numa constante que quase o fazia almejar pedir a presença do alfa. Mas quando tudo parecia piorar, Makkachin deitado ao seu lado, posicionava a cabeça sobre o ventre deste, exigindo sua atenção, e com isso o dissuadindo de seus intentos.
"Como sinto falta de ter um mascote!" - pensou o Katsuki ao lembrar-se de Airi, e de como ela fazia aquilo com ele também quando seus heats eram mais fortes. Acariciando entre as orelhas do cão, fechou os olhos desejando que tudo aquilo acabasse.
Seu Heat se adiantara… Mari tentara culpar o alfa pelo adiantamento do cio dele, mas Yuuri fora categórico em dizer que aquilo estaria fadado a acontecer, visto que ambos se almejavam, e que o imprint teria de ser consumado, ou ambos sofreriam mais. Lembrar disso, fez com que o ômega se agitasse mais um pouco, mas mais uma vez Makkachin com seu jeito meigo e até mesmo seguro, o ancorara onde estava, trazendo-o novamente para a realidade.
- Sabe, Makkachin, sua tia Mari não tem que culpar ninguém pelo destino! - murmurou o japonês para o cão, que o mirou com interesse. Sorrindo, Yuuri conteve um gemido dolorido. - Como será que está seu papai? - perguntou ao enterrar mais uma vez seu rosto na camisa do alfa e puxar o ar para poder inalar o frescor do perfume de pinheiros. Suspirou aliviado, e ao ver o poodle latir um pouco volveu os olhos na direção da porta, vendo tudo um pouco borrado, pois estava sem seus óculos. - O que foi, Makka? Quer ir ficar com o Vi-Viktor? - proferiu o nome do russo, deliciando-se com o fato de como gostara de ouvir sua própria voz proferindo aquele nome em específico. O cão ladrou mais uma vez, mas apenas se ajeitou mais ao lado do moreno, e aproximou mais seu focinho gelado do peito deste.
Fechando os olhos, Yuuri desejou que sua irmã não demorasse muito para voltar com o chá de camomila, e enquanto esperava, não teve como não recordar o que sua psicóloga havia lhe dito certa vez sobre não deixar que o passado tomasse as rédeas de sua vida. Nem todos os alfas são prepotentes, retrógrados e autoritários como Akira!
Não, não poderia haver comparação entre o russo e aquele projeto de alfa que se dizia ser seu marido. Viktor até aquele momento só o havia tratado com muito respeito, e ele sentia em seu ser que bastava se libertar de seus traumas, que aquele alfa platinado lhe daria os céus e as estrelas. Mas como se livrar dos medos, desconfianças e de sua gaiola de ouro?
Respirando com dificuldade, Katsuki se concentrou na voz calma que Viktor sempre lhe dirigia, e em como ele vinha se portando como um verdadeiro cavalheiro. Ele não poderia ser tão negativo!
Como sempre, tudo era muito controverso. E ao mesmo tempo que o ômega tinha medo, ele sentia em seu ser que o alfa platinado seria diferente. Engolindo a vontade de chorar, Yuuri abraçou o mascote buscando por conforto, mesmo que esse não fosse o que almejasse.
- Makka, por que isso tinha de acontecer? Por que seu papai não podia ter me achado primeiro? - questionou em um murmúrio, sentindo seus olhos se encherem de lágrimas.
Parecendo notar o desespero na voz calma e modulada do ômega, o mascote se soltou do agarre, e aproximando mais seu focinho do rosto marcado pelas tristes lágrimas, deitou a língua rosada para fora, e começou a lamber o moreno no rosto, fazendo este acabar sorrindo, ante o que o cão estava a fazer. Uma pata pesada foi colocada sobre o peito do homem, que chiou em protesto.
Nesse instante a porta se abriu, e o cão rápido como um raio se posicionou entre o moreno e quem estava para entrar. O rosnado alto quebrando o silêncio do quarto, em um aviso explícito de que seu humano seria por ele protegido.
- Makka, o que foi? - perguntou Yuuri ao sentar com dificuldade. Seu corpo estava dolorido de uma forma que nunca havia estado, e talvez mesmo querendo não admitir, tinha que dar crédito ao que havia visto em um vídeo que um médico especialista em verse dizia que: após o imprint e o reconhecimento de alfa e ômega destinados os próximos cios separados seriam os mais dolorosos. E ali estava ele recordando com precisão ao que havia visto, mas o rosnado bravo do mascote a suas pernas, acabou por impulsioná-lo a se ajeitar e tomar uma atitude.
A porta se abria lentamente, mas Makkachin não queria saber o que ou quem era. Seu instinto muito bem apurado e o bom treinamento, o faziam patear e rosnar pondo-se na defensiva e se colocando mais à frente do ômega às suas costas. Yuuri não esperava tal reação do mascote do russo, e aflito, passou seu braço esquerdo pelo peitoral de Makka, enquanto com a mão direita o segurava - como podia - pela coleira azul céu.
- Makka, é a Mari! - o japonês tentou mais uma vez, ainda sem surtir o efeito desejado. - Makkachin! - insistiu ao ver a irmã parar assim que se inteirou do que estava acontecendo.
- Yuu-chan, o que…
- Nee-san, não diga nada! - pediu o Katsuki mais novo. - Makka, por favor! - acariciando o pelo macio do mascote, por bem achou melhor liberar um pouco mais de seus feromônios para tentar acalmá-lo. - É a Mari, Makka… - o cão resfolegou ao patear mais uma vez, mas ao farejar o ar tornou a sentar recostando seu corpo no do ômega, e retornando a sua calma habitual.
- Eu posso me aproximar? - perguntou a beta um tanto receosa.
- Creio que sim! - Yuuri trocou um rápido olhar com a irmã e o cão. - Makka está mais calmo, creio que ele ao não conseguir identificar quem chegava, tomou essa atitude. - o ômega buscava uma explicação para aquela situação. Airi também fazia aquilo com ele, mas nunca imaginou que o poodle que o conhecia a tão poucas horas, iria lhe ser tão leal. O cheiro de sakuras tomava o quarto todo e um pouco mais forte. Inconscientemente, ele havia liberado mais feromônios, e aquilo havia realmente ajudado.
- Ora, veja você… - Mari se aproximou tomando o devido cuidado ao passar ao lado da cama para deixar a bandeja na mesa de cabeceira. - Quem é um bom menino? Quem é? - perguntou ao sentar na beira do colchão, tomando o devido cuidado para não passar para o ninho. Esticando a mão direita, tocou a cabeça de Makkachin, deixando que este se achegasse mais, e aceitasse o agrado. - Ele é muito fofo, e juro que não poderia imaginar que assumiria tal posicionamento. Você sabia? - perguntou ao encarar o irmão.
- Não fazia ideia, Mari-nee! - o moreno respondeu um tanto pensativo. - Mas talvez, se bem treinado qualquer cão pode desenvolver esse tipo de atitude. Lembra-se de Airi? Não era característica da raça ser um cão de guarda, mas várias foram as vezes que ela também agiu assim para me proteger! E, Makka é um menino muito obediente, não é? - Yuuri perguntou ao abraçar o cão e a acarinhar o pelo macio.
Parecendo entender o que o nipônico lhe dizia, o mascote latiu feliz abanando a cauda felpuda constantemente demonstrando toda sua alegria.
- E você? Como está se sentindo? - Mari mirou o irmão com interesse. - Seu cheiro continua ainda muito adocicado. - comentou.
- Os supressores de cheiro e calor não tem ajudado muito, nee! - Yuuri pensou um pouco antes de continuar. - Eles já não agem mais como antes, e talvez isso seja devido a finalmente ter encontrado meu soulmate! - baixou o rosto sentindo-o esquentar. Era a primeira vez que dizia aquilo em alto e bom som, e não conseguia parar de pensar que sua irmã já havia se inteirado disso, e ele fora muito estoico em não querer acreditar.
Sem ter muito o que falar, a beta preferiu por uns instantes ficar em silêncio, tentando ordenar seus pensamentos, e a única coisa que lhe vinha à mente era que aquele alfa lúpus realmente era a salvação para seu adorado irmão.
- Bem, Yuu-chan, tome seu chá, sim? - pediu Mari ao voltar a mirá-lo nos olhos. - Se for o caso posso ir buscar mais supressores, ou mesmo pedir auxílio ao senhor Nikiforov! Não é bom que você fique sozinho, e percebi que estamos com poucas cartelas de seus medicamentos. - a morena se preocupou ao ver a penúltima cartela vazia sobre a mesa de cabeceira.
O ômega mordiscou o lábio inferior em um tique nervoso, e tornou a baixar os olhos. Não gostava de depender dos outros, mas em suas condições teria de aceitar, e toda ajuda era muito bem-vinda. Suspirando resolveu pôr fim perguntar sobre o que realmente queria saber naquele momento.
- Ele já despertou? - parou de chofre ao sentir o leve frescor invadir seu quarto.
O cheiro a pinheiro o fez fechar os olhos, e desejar ardentemente ter aquele homem ao seu lado. Mas não era o momento, e Yuuri sabia que eles podiam estar em cômodos diferentes e até mesmo afastados, mas seus feromônios iriam sempre se buscar. Pareciam se procurar em uma busca que chegava a ser extenuante, os levando a sentirem angústia por não poderem estar próximos.
- Sim, o senhor Nikiforov está me aguardando na cozinha… - Mari fez uma pequena pausa ao escutar um leve rosnado. Achando ser de Makkachin, mirou o cão, que começava a dormitar confortavelmente entre as pernas de seu irmão. Um tanto surpresa, direcionou seu olhar para o rosto querido, e quase deixou uma gargalhada escapar por entre seus lábios. Seria cômico se não fosse algo tão sério. O rosto bonito de Yuuri estava com uma expressão brava, o semblante sempre sereno agora carregado. - Katsuki Yuuri! Tenha modos, não deve sentir ciúmes logo de mim! - a voz tendo implícita uma certa mágoa. - Ele nunca iria ter olhos para mim, pois eles estão direcionados apenas para você! - e dando de ombros completou. - E aquele homem não faz meu tipo, por isso senhor futuro Yuuri Nikiforov, contenha seu ciúmes! - pediu ao se levantar.
- Eu não estou…
- Está sim! - Mari o atalhou energicamente. - Pare de negar que esse homem já se infiltrou em seu coração! Viva a vida, e aceite o que o destino está a lhe oferecer, o resto, otouto (irmãozinho), nós damos um jeito! - e sem dar-lhe tempo para ação, começou a sair do quarto.
- Mari, me responda… - exigiu Yuuri se remexendo na cama e agitando o cão, que jogou o peso de seu corpo sobre uma das pernas do japonês o impossibilitando de levantar.
- O que quer? - Mari perguntou se fazendo de desentendida. Ao ver a bufada carregada do irmão, esta não conseguiu se conter e riu com gosto. Voltando um pouco para perto de onde o irmão se encontrava. - Ele está preocupado com você! É o seu alfa, e isso é mais que natural e normal. - fez uma pequena pausa e aproveitou para sapecar um beijo na testa do parente. - Sei que os maus tratos e tudo o que sofreu, te fazem sentir-se inseguro, mas dê uma chance para ele, sei que tenho sido uma chata com o meu novo cunhado, mas fazer… - riu-se da situação - isso é o que uma boa irmã faria! - sorriu abertamente. - Yuuri, eu só quero o seu bem, e daria minha vida de bom grado desde que você fosse feliz ao lado do ser que está lá embaixo!
- Nee-san… - Yuuri engoliu a vontade de chorar, pois sabia do que a irmã era capaz.
- Apenas tente, está bem? Se dê esse direito, e lembre-se: a felicidade não bate duas vezes em nossa porta! - e sem mais nada dizer, saiu apressada, deixando que o ômega fragilizado por tudo o que já havia passado, ficasse com seus pensamentos e decidisse qual rumo daria a sua vida.
oOoOoOo
- Viktor, não está ao seu agrado? - perguntou Mari ao mirá-lo com curiosidade.
O russo havia parado com os hashis a meio caminho da boca, tinha o olhar vago de quem parecia estar divagando.
- Se preferir posso fazer outra coisa, ou mesmo se quiser, pode fazer você mesmo o que lhe agrade! - completou ao oferecer-lhe mais escolhas.
- Não, não precisa! - mirou-a atônito. - Desculpe, está tudo perfeito, Mari, obrigado! - o lúpus respondeu rapidamente ao agitar a mão livre. - Eu estava apenas pensando no que me falou a respeito de Makkachin. - com um leve sorriso nos lábios, continuou a falar. - Eu tinha dezessete anos quando o ganhei, e desde muito novo, achei que seria bom ele passar por um bom adestramento. Ele é muito inteligente, e por muitas ocasiões, sua lealdade e coragem me ajudaram muito!
- Entendo que ele foi bem treinado, mas como justificar o que ele fez essa noite? - Mari insistiu. Ela queria entender o inexplicável. - Makkachin e Yuuri parecem ter uma afinidade, como Airi, a mascote de meu irmão tinha com ele. - resolveu explicar de quem ela estava falando.
- Os animais, Mari, sentem e conseguem perceber quem realmente gosta deles, e eu só consigo pensar em uma coisa: - Viktor deslizou para longe de si a louça, e coçando o rosto continuou - Makkachin gostou mesmo de Yuuri, e isso o fez agir como um cão de guarda quando necessitou! - e encarou a morena sustentando-lhe o olhar. - Mari, será que Yuuri aceitaria ficar com Makkachin até que tudo isso se resolva? - perguntou de uma vez antes que não tivesse oportunidade.
- Eu não sei, Viktor! - Mari respondeu assumindo uma atitude que o preocupou. - Akira não gosta de animais, e uma vez que meu irmão quis adotar um novo mascote, ele foi categórico em dizer que se ele aparecesse com o que quer que fosse, que o bicho não teria um fim agradável! - proferiu as últimas palavras com pesar.
- Entendo, mas pense comigo, Mari… - pediu Viktor. Ele não queria colocar seu estimado mascote em perigo, mas sabia do potencial do mesmo. - A primeira vista, um cão dócil, com cara de bobão, mas se necessário um ótimo protetor, e muito, mas muito inteligente. E você mesmo me disse, que a psicóloga acha que seria bom que Yuuri tivesse um mascote! Isso pode ser usado contra as vontades desse crápula… - o russo não sabia como se dirigir ao seu rival, e assim sendo tentou se desculpar pelo palavreado. - Desculpe, não consigo ficar sem dar pejorativos nada dignos para esse ser!
Mari lhe fez um sinal para que não se preocupasse, e um tanto pensativa, começou a concordar com o que o platinado havia dito.
- Mas e se Akira resolver fazer algo contra Yuuri ou mesmo ao Makka? - ela não conseguia esconder sua preocupação.
- Makkachin não é bobo, Mari! - Viktor empertigou-se. - Ele não aceita nada de desconhecidos, e não come nada que seja lançado ao chão! Eu entendo sua preocupação, pois é a mesma que a minha, talvez, quem sabe, se você e até mesmo seu irmão exigirem que o mascote fique, não deixando margem para o mesmo querer os separar, o faça desistir, e querendo ou não, é uma solicitação de seu companheiro. - o russo torceu os lábios ao proferir as últimas palavras.
- Viktor, para aquele alfa, meu irmão é apenas um joguete, um capricho muito sórdido. - Mari rosnou entredentes. Sentia uma raiva terrível. - Yuuri nunca foi, e nunca será o que minha mãe foi para meu pai! Estando ao lado daquele ser horrendo, Yuuri será apenas um boneco de luxo! - grunhiu encolerizada.
O alfa lúpus rosnou irritado. Sentia uma vontade fora do comum em terminar com a prepotência dele, dando-lhe uma bela surra. Mas sabia que aquele não era o caminho, ele não conhecia Akira Shimizu, e por isso tinha mesmo que dar a mão à palmatória e concordar com Chris… um detetive seria muito bem-vindo.
- Tenha calma, por favor! - Mari solicitou ao vê-lo parar pensativo, as íris começando a ficarem avermelhadas. - De nada irá adiantar se você perder a sua razão, ou mesmo se descontrolar, lembre-se que Yuuri não faz ideia de que você é um lúpus!
Nikiforov a mirou ainda um tanto contrariado, mas aos poucos foi suavizando sua expressão. Precisava dizer a seu destinado o que era, não podia deixar que ele soubesse por outros, ou mesmo por um deslize que ele viesse a cometer.
- Penso em contar-lhe tão logo consigamos conversar! Não quero mais esconder nada dele. - confessou o platinado. Volvendo os olhos em ambas as direções, Viktor puxou o ar com força. - Mari, seu irmão não tomou os supressores? - o aroma adocicado, estava mesmo que levemente, chegando até ele.
- Sim, ele tomou, mas já não está mais fazendo o resultado desejado. - a morena respondeu.
- Melhor você já deixar a receita comigo, pois assim que o dia clarear, irei comprar o que me pediu. - lembrou-a. Levantando, lavou a louça que havia usado, e sem titubear, as enxugou e deixou sobre a bancada, tudo sobre o olhar atento da beta que observava seu jeito.
- Eu os guardo aqui na cozinha. - Mari comentou ao se levantar, e pegar o que queria. - Aqui está! - entregou o papel dobrado para o russo, que desdobrou e após ler o que estava escrito, arregalou os olhos.
- Mari, esse médico, não é o doutor Altin, não é? - questionou ao ver outro nome no receituário.
- Não, esse é o médico que acompanha meu irmão desde novo, por que? - questionou começando a se preocupar devido a cara que o russo estava fazendo.
- Eu posso ter entendido errado, mas esse supressor é um dos, para não dizer, o mais forte, chega bem próximo aos de lúpus! - Viktor estava horrorizado. Conhecia aquela logomarca, eram os mesmo que vinham marcadas em seus supressores e até mesmo em seus calmantes, ele não conseguia entender o que um ômega normal como o japonês, necessitava de ter algo tão potente. - Ele não sofre com efeitos colaterais? - o lúpus estava muito preocupado. O corpo de um ômega era muito frágil para suportar aquela dose cavalar, mas a não ser que Yuuri fosse um ômega especial. Poderia descobrir isso depois, agora teria de tentar se acalmar.
- Não, você está com a razão. Ele é o mais forte, e Yuuri nunca reclamou de nada, até agora. - Mari mordiscou o lábio inferior um tanto preocupada. - Foram justamente esses supressores que o ajudaram, até ele ter sido logrado e ter tomado medicamentos trocados e ter o seu cio induzido… - a morena parou de chofre, antes que com o que havia acabado de deixar escapar, descontrolasse o russo.
- Criatura vil! - rosnou o lúpus. - Mari, se eu pudesse… - Viktor buscou em seu bolso o pequeno estojo, e dele retirou pílulas brancas. - Calmante para alfa! - informou ao tomá-las de uma só vez. - Não são tão poderosas como o injetável, mas é melhor do que eu apagar!
- Não apague… - sorriu a beta para tentar descontrair um pouco. - Não quero ter de te puxar escadas acima! Já foi um suplício estando no mesmo andar para eu conseguir te levar para seu quarto, por isso não se atreva, Nikiforov!
- Não, não vou apagar! - fazendo beicinho, o lúpus gracejou. - Você nunca vai me deixar esquecer disso, não é?
- Não, não mesmo! - a mulher riu divertida, e se colocando de pé, mirou-o nos olhos. - Preciso ir checar meu irmão! Tenha uma boa noite, Viktor, e obrigado por tudo! - agradeceu, fazendo uma leve reverência.
- Não precisa agradecer, Mari! Vocês querendo, ou não, já são considerados como minha família, e eu vou mover céus e terras por vocês! - proferiu essa frase em tom solene.
A beta lhe sorriu mais uma vez, e sem mais nada dizer, saiu da cozinha. Precisava checar o ômega e talvez, novamente ficar com ele no quarto.
Ao se ver sozinho, Viktor preferiu ficar um pouco mais ali, aproveitando o silêncio que o envolvia. Queria ordenar seus pensamentos, mas também queria poder ligar para os seus, mais em específico chamar a Chris, e solicitar mais algumas coisas, mas aquilo poderia esperar, e a última vez que ligou para o advogado loiro, este quase o matara!
O melhor seria se recolher, e tentar descansar um pouco mais. Apagando as luzes pelo caminho, subiu as escadas lentamente, e tão logo chegou ao corredor dos quartos, quase deixou-se levar, seguindo para o quarto de Yuuri, mas com um rosnado forte, tomou a direção contrária, e se fechou em seu quarto.
oOoOoOo
Assim que viu a irmã sair do quarto, Yuuri como pode, se ajeitou melhor na cama. Seu corpo parecia não querer lhe responder devidamente, e cada músculo doía como se realmente ele tivesse exagerado em algum tipo de exercício. Mordiscando o lábio inferior, focou seus olhos no grande cão que continuava a lhe fazer companhia. Talvez, se ele estivesse sozinho, não estaria sentindo aquela calmaria. O ômega havia se esquecido plenamente como é ter um mascote e a paz que esses "anjos" de quatro patas podem proporcionar.
Deixou-se levar, ao afundar as mãos entre os fios grossos e volumosos dos pelos de Makkachin. Os pensamentos tomando conta de todo seu ser. Yuuri precisava dar ouvidos a psicóloga que lhe fazia o acompanhamento! Precisava aceitar o que ela e Mari lhes diziam, e ele sabia que teria de deixar acontecer. Todavia, tinha ciência que nada seria como num piscar de olhos, e o nipônico precisava se acostumar a seguir no seu compasso, sem querer agilizar as coisas!
Curvando um pouco o corpo, aproximou seu rosto de Makka, buscando sentir aquele cheiro característico a pinheiros. Queria encontrar forças para começar a dar o primeiro passo. Já havia levado nova bronca da irmã, e Yuuri estava farto de saber que ela estava certa! Viktor e ele mereciam uma chance, e não seria justo com nenhum deles se pelo menos não tentassem se entender.
Suspirando pesaroso, o moreno endireitou o corpo. Se esticando todo, buscou pela jarra com água, e servindo um pouco no copo, tomou mais um supressor de calor. Não devia ficar sem!
Fechando os olhos, se acomodou novamente deitando a cabeça sobre o travesseiro. Makka se ajeitou novamente, desta vez deitando ao lado do japonês, e recostando sua cabeça sob o peito dele.
- Você quer carinho, não? - Yuuri perguntou ao afagar entre as orelhas do Poodle, que apenas choramingou, como se estivesse a lhe agradecer, ou mesmo a pedir mais atenção. - Mas é manhoso! Um manhoso muito fofo e querido! - continuou. - Sabe, Makka, eu creio que me falte coragem! - divagou o ômega ao dar-se conta daquilo. - Preciso voltar a ter confiança em mim mesmo! - sentando novamente, pois estava um tanto agitado, empurrou gentilmente o cão para poder servir-se de uma boa xícara de chá de camomila. Precisava se acalmar! Não poderia responder por si só, se ele se descontrola-se, ainda mais com seu destinado ali presente. Não merecia passar por tamanha vergonha! Já tinha de agradecer muito, por ainda não ter se incomodado com suas roupas, e as lançado longe, para ficar nu! Balançando a cabeça, desejou não chegar nesse grau de seu ciclo.
Katsuki Yuuri sabia seu lugar naquela equação, e sentia que o que lhe fazia falta era de como um dia já fora: senhor de seu próprio nariz, um ômega mesmo que acanhado, mas que tinha orgulho de ser quem era. Um ômega inteligente, que não possuía sua alma e auto estima quebrados pelas loucuras de um alfa sem escrúpulos e dominador!
Balançando a cabeça, tentou focar em quem estava ali por e para ele. Um alfa que ele esperava não estar errado em seus julgamentos.
"Eu vou conseguir me livrar de meus traumas!" - pensou decidido antes de voltar a se deitar. Aquilo já passara a ser uma questão de honra para o ômega.
O olor a pinheiro chegou até seu quarto mais uma vez, estava forte e marcante, e Yuuri não poderia deixar de pensar que seria magnífico e prazeroso, poder dormir com o nariz enterrado diretamente sob a glândula de cheiro de Viktor. Com um grunhido desolado, buscou para si mais uma vez a camisa branca, enterrando o rosto nela.
Seria uma longa noite! E que os céus tivessem pena daquele pobre ômega em heat!
oOoOoOo
Lembretes e explicações:
Hoje não temos muito sobre o que falar, apenas queremos pedir desculpas pela demora em postar esse novo capítulo. A culpa foi da internet aqui em minha residência (Theka's house), e com isso foram se dias preciosos, mas cá está!
Ah! Sobre cães, só uma coisinha... já tive vários cães em minha casa, e o que mais me surpreende neles é sua lealdade!
Nesse capítulo, foi mais ou menos o que quisemos passar: como Makka pode ser leal e proteger os seus!
Cantinho Rosa e Azul:
Viktor: Eu achei que elas tinham nos esquecido! *comentou ao reler o que estava escrito nas explicações*
Yuuri: Vitya, o que você faz mexendo no computador da Theka? *olhar preocupado* Ela só foi até a cozinha procurar algo pra comer!
Viktor: Estou lendo o novo capítulo que elas vão colocar no ar! *sorrindo matreiro*
Theka: Ah! Mas é só eu virar as costas! Almaro, espia isso? *apontando para o Vitya* Esse platinado pouca telha está se achando! Kkkk
Almaro: Eu começa a pensar como você! Não podemos nos descuidar, pois se bobear esse pode dar spoiler do que estamos escrevendo!
Theka: Ah! Mas ele não é nem louco! *olhar de esguelha pro platinado* ele que mexa nas nossas coisas que vai ver o que é bom!
Almaro: Tá ouvindo né? Cuidado que a Coelha e eu andamos enfezadas por esses dias! *olhar de esguelha*
Yuuri: Vem, Vitya! Eu acho melhor você parar de ficar fuçando onde não deve!
Viktor: Mas Yuu... *ficando quieto apenas por ver o jeito do noivo* É, talvez seja melhor assim! *saindo de fininho com o moreno*
Ufa... ainda bem! Almaro, definitivamente estamos perdidas com o Vitya! Rsrs
Bem, queremos agradecer quem por aqui chegou, mais uma vez desculpem a Coelha por essa demora, e nos façam felizes! Nos digam o que estão esperando, e o que acharam, ou mesmo aquilo que lhes vai na alma. Se esse capítulo lhe tocou...
Obrigado a todos! Até nosso próximo capítulo!
Beijos
Almaro e Theka
