Lembretes e explicações no final do capítulo.
Capítulo ainda sem verificação de nossa Beta. Assim que possível, faremos a substituição pelo betado.
Qualquer erro, será corrigido depois!
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Conciliar o sono havia sido uma tarefa extremamente difícil. O alfa havia ficado até tarde acordado. Seu encontro com sua quase cunhada também o fizera se preocupar mais, pois ao se colocar a par dos medicamentos, no caso, supressores que o nipônico estava ingerindo, aos seus olhos de leigo, pareciam muito fortes.
Piscando com força algumas vezes, Viktor voltou-se lentamente para o lado das janelas. Seu corpo dolorido começava a lhe cobrar altos preços pela noite mal dormida, mas não podia fraquejar! Havia feito uma promessa, e não iria quebrá-la de jeito nenhum. E para o alfa, sua palavra dada, valia como flecha lançada; não teria volta! Ele não iria recuar, e como havia prometido a Mari, iria comprar os supressores para Yuuri, e assim o faria!
Novamente, foi acometido pelos pensamentos que o atormentaram a noite toda. Afinal, não era preciso ser um expert para saber que a alta dosagem que o moreno tomava, era para evitar seus heats, e assim também evitar que o outro alfa o tomasse. E era impossível não imaginar, ou tentar, imaginar por tudo o que o ômega era obrigado passar e se sujeitar. Com um grunhido alto, Nikiforov lançou os lençóis e cobertores para o lado, e decidido, seguiu para o banheiro. Queria fazer sua higiene matinal, e em seguida já sair antes mesmo do café da manhã. Tendo seu foco mantido nesse pensamento, fez tudo o que era necessário.
Quando deixou seu quarto, usava roupas confortáveis. Jeans escuro, camiseta branca e uma grossa jaqueta de couro avermelhado. Havia deixado para colocar seus tênis no pequeno local onde sabia ter deixado seu outro par de sapatos de couro. Checando se a receita se encontrava em seu bolso, juntamente com sua carteira, voltou-se observando o corredor. Havia parado a frente das escadas, e nunca uma ideia pareceu tão tentadora, e o que não daria para ir até o quarto em que o japonês se encontrava. Nunca o fato de ficar olhando para uma simples porta pareceu ao russo algo tão interessante. Mas seu coração e todo o seu ser sabiam quem ali se encontrava! O leve cheiro adocicado chegando até suas fossas nasais, fazendo com que novamente o alfa desejasse estar com a pessoa que havia virado sua vida de cabeça para baixo.
Com o coração um tanto descompassado, finalmente resolveu descer para o primeiro andar, chegando a sala comum, onde tudo estava vazio, incluindo as mesas dispostas para acomodar aos hóspedes, que Viktor não tinha ideia se haveria mais alguém além dos três naquela vasta e modesta construção. Pensando estar sozinho, visto que ainda era muito cedo, o platinado ao escutar um barulho por ele bem conhecido, se preparou para o impacto, recebendo assim, seu mascote fujão em seus braços, e o alçando no colo - como podia - recebendo as lambidas carinhosas por todo o rosto.
- Calma amigão! - pediu Viktor ao recolocar as patas traseiras do animal ao solo. - Bom dia, bom dia! - sorriu divertido ao reparar na felicidade do cão. - Então, Makka, acabou por sentir minha falta? - perguntou ao afundar o rosto nos pelos espessos e com o cheiro do ômega. Mordiscando o lábio inferior, o lúpus desejou ardentemente mais uma vez que no lugar de seu fiel escudeiro, que o Katsuki estivesse sendo cingido por seus braços. Balançando a cabeça, buscou por sua força de vontade, e afastando lentamente seu rosto e corpo, mirou finalmente a pessoa que se aproximava.
- Bom dia, Viktor! - Mari o saudou. Nas mãos a beta levava uma bandeja com o desjejum do irmão.
- Bom dia! - o russo respondeu ao mesmo tempo em que liberava seu mascote. - Estou indo buscar os medicamentos para Yuuri, você precisa de alguma coisa, eu posso ir por você? - ofereceu solicito.
- Você não gostaria de tomar café antes de ir? - perguntou a morena ao arquear as sobrancelhas. E ao reparar na indecisão do alfa, pediu. - Coma alguma coisa antes de sair, não faz bem pular uma refeição, e eu já deixei tudo arrumado sobre a mesa na cozinha. - sem perceber, Mari agira como se também fosse a irmã mais velha do russo! Nesse momento, a beta acabou por perceber seu ato, e sem mais nada dizer deixou o platinado. Nem ela e nem Yuuri sabiam a respeito da vida do homem ali presente, não queria ser invasiva, mas fora mais forte do que ela, se ele não gostasse da situação, depois ele diria. Sem deixar-se abalar por isso, seguiu em frente, pois tinha um ômega a fazer se alimentar direito.
Viktor ficou parado observando as costas da beta sumir nas escadas enquanto uma sensação boa e de abandono se apoderavam do seu ser ao mesmo tempo. Por um instante, o alfa se sentiu tocado pela atitude de cuidado e atenção que a beta lhe deu, e considerou que a mulher forte, Mari, sua futura cunhada seria um páreo duro para a sua mãe alfa. Sorriu para o pensamento novo onde comparava as duas e ao seu modo de ver, mesmo elas sendo tão diferentes, na verdade eram grandes muralhas, duas grandes mulheres que não se rebaixavam para nada ou ninguém, e mesmo assim, eram capazes de demonstrar momentos singelos de puro carinho como o que viveu há pouco.
Balançou a cabeça numa tentativa de se decidir o que faria, olhou para a porta da cozinha lhe parecendo tentador demais fazer seu desjejum, mas depois virou a cabeça para a porta da saída, e na sequência encarou os olhos negros e cheios de expectativas do seu fiel escudeiro peludo que se encontrava sentado há sua frente.
- Você fez um ótimo trabalho, meu amigo e merece seu prêmio por isso... - moveu-se na direção da porta da rua e foi seguido por um Makkachin que pulava do seu lado muito feliz. Prendeu a coleira no cão e foi andando calmamente apreciando o clima frio da manhã, e sentiu-se revigorar com uma respiração mais profunda que deu.
Seu ômega não o rejeitou, mas mesmo com o cio fora de hora, também não o convocou para aplacar e passar esse período juntos. Por pensar nisso, Viktor apertou o papel no bolso, gostaria muito de falar com algum médico que confiava, mas no momento tinha até medo de ligar para o primo bocudo solicitando o contato do doutor Otabek, porque previa que antes de obter a valorosa informação que queria, perderia a paciência com o loiro com toda a certeza. Viktor rosnou frustrado e o barulho foi tão alto, pois o próprio cachorro parou e procurou o dono ao virar a cabeça para trás para saber o que se passava.
- Não me olhe assim, você pode ficar com o Yuuri! - o animal pareceu entender o conflito de seu humano, mas em nada poderia ajuda-lo, por isso voltou a andar e farejar aqui e ali alguma coisa.
Na farmácia, o alfa foi atendido por um senhor idoso que parecia ser um beta, uma daquelas pessoas que só de olhar, você poderia dizer que tem uma sapiência que somente quem já viveu a vida bem vivida, apenas com um rápido olhar.
- O senhor está hospedado no Onsen dos Katsuki? - os dois se encararam e o senhor olhava Viktor por cima das lentes do óculos um pouco incrédulo.
- Sim! – respondeu um tanto surpreso. - A senhorita Katsuki me pediu que comprasse esse medicamento para o... - Viktor não terminou a frase, pois o senhor fez sinal para que se calasse.
- Não precisa me dizer nada, e... - o velhinho esticou-se para olhar por cima do balcão e tentar ver se tinha mais alguém por perto. - Conheço a família Katsuki há muitos anos, basicamente vi aquelas crianças nascerem e sei para quem é o remédio. - o homem abaixou-se com dificuldade e pegou duas caixas do medicamento. - Se a Mari confiou no senhor, não sou eu que não vou confiar! – mirou o recém chegado com maior interesse.
Encorajado pelo franqueza que o senhor japonês lhe dava, o alfa tentou a sorte.
- O senhor poderia me dizer o porquê de uma medicação tão forte? - o rosto do senhor ficou sério, e Viktor considerou que havia passado dos limites ou falado o maior dos absurdos.
- O senhor é alfa, posso sentir, mas pelo jeito não conhece muito sobre ômegas. - dito isso o idoso sumiu quando foi em busca de um livro, mais velho que o próprio ancião, na opinião do russo, e colocou no balcão polido o virando para o platinado. - Conhece as castas e as suas divisões? - Viktor confirmou com um aceno de cabeça. - No topo da pirâmide, acima dos alfas, existe uma raça rara e mais dominante, os Lúpus.
O russo sorriu abertamente, era um exemplar dessa raridade e já conhecia aquele gráfico, crescera vendo aquilo na escola. Conhecia muito bem sobre as castas, a ele fora bem incutido isso, ainda mais sendo ele um dos últimos descentes de uma linhagem já um tanto diminuta.
- Sim, eles ensinam isso nas escolas do meu país. – explicou para logo perguntar à revelia. - Aqui é diferente? – Viktor não queria destratar o idoso, mas tinha mais o que fazer como tomar seu café da manhã ao invés de ficar de trololó sobre biologia, política e direito de castas.
- Sim... eles ensinam, mas o que não ensinam é que ômegas puros são tão raros como vocês alfas lúpus! - agora o velhinho encarava Viktor de forma triunfante enquanto apontava o dedo para outro gráfico. - Mais raros e considerados os reprodutores mais especiais. - mais uma vez os olhos dos dois se encontraram. - Isso responde sua pergunta, meu filho? - o senhor se atreveu a dar um beliscão na bochecha do russo e sorriu pela primeira vez.
- Como o senhor... – Nikiforov não conseguiu terminar sua pergunta. Estava sim curioso em saber como tal ser poderia sem o conhecer, saber de algo que era ocultado como segredo de estado. Há muitos anos dizia-se que não haviam muitos lúpus na face da terra, e apesar de conhecida, sua família evitava fazer alardes. Para muitos seu pai fora o último da linhagem. Vendo o dono da farmácia dar de ombros, aguardou.
- Não sei do que o senhor está falando! – respondeu prontamente, mas antes porém, deu-lhe um sorriso matreiro. Aquele velho senhor, deveria ter um conhecimento maior do que queria demonstrar. - Deseja mais alguma coisa? – perguntou para desconversar. - Sabe, o jovem irmão Katsuki aprecia balas, na verdade desde bem pequenininho ele atazanava a mãe por conta desses doces. – e apontou para o expositor com várias marcas, sabores e formas.
Viktor aguardou que o idoso terminasse seu discurso e relevasse o sabor das tais balas, mas o mesmo apenas emudeceu e deixou o russo encarando uma prateleira com uma infinidade de cores e sabores diferentes. Na dúvida, Viktor andou resoluto e pegou um pacote de cada. Se Yuuri gostava de balas, ele as teria.
- Quanto devo? – questionou ao finalmente depositar sobre o balcão todos os pacotes de bala que havia pegado.
O idoso riu do estrangeiro, mas não se fez de rogado, somou e empacotou tudo. No fim, quando Viktor estava desamarrando Makkachin na calçada, escutou a voz do senhor.
- Ele gostava muito das de frutas, mas as preferidas de sempre são as leite! – sorrindo o velho farmacêutico ficou na entrada esperando o estrangeiro se afastar.
Viktor acenou para o senhor, não sabia dizer se era em agradecimento, ou se desejando não precisar voltar mais ali. Voltou andando para a casa dos irmãos, havia descoberto mais sobre o seu destinado, e se sentia mais feliz por esses pequenos detalhes que desvendava. Precisava colocar as informações conseguidas em ordem, e nunca havia imaginado que o seu destinado pudesse ser de tão fina e rara casta. Aquilo fez com que o lúpus desejasse que o outro alfa de nada soubesse.
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Mari desceu os degraus segurando uma bandeja quase intacta, o irmão estava indisposto, ranzinza e carente, e quase a tirara do sério por conta da ausência do cachorro do russo. Como, ela poderia imaginar que o bichinho não seguiria seus passos quando voltou com o desjejum, não foi sua culpa e não fez de propósito, mas o Yuuri no cio poderia ser uma criatura muito difícil, difícil até demais.
Quando estava para entrar na cozinha, considerou que deveria melhorar sua cara de desânimo, pois o alfa com certeza perceberia que algo não estava indo muito bem. Mas estranhamente a cozinha estava vazia e a mesa não havia sido mexida.
- Mais essa?! Onde o Viktor se meteu? – agora além de preocupada, Mari começava a divagar sozinha. - Meu irmão precisa dos remédios! – praguejou ao colocar a bandeja utilizada sobre um lado da mesa que não estava ocupada. Bufando, deixou o corpo cair sobre a cadeira a cabeceira. Quando já ia buscar por seu eletrônico para chamar o russo, lembrou-se que não haviam trocado números. Mordiscando o lábio inferior, preocupou-se um pouco mais. Como acharia aquele alfa lúpus?
Quando já estava quase se colocando em pé, pronta para sair a procura do platinado, em um passe de mágica, o grande poodle entrou correndo no recinto, bebeu água como um desesperado e partiu escadaria a cima em uma corrida desenfreada. Na sequência, o platinado adentrou a cozinha segurando pelo menos duas sacolas de tamanhos consideráveis.
- Você foi fazer turismo e aproveitou para comprar "lembrancinhas"? – a Katsuki perguntou um tanto irritada. A preocupação mexendo com seus brios.
O lúpus apenas a encarou e sorriu pequeno balançando a cabeça em uma negativa.
- Se lembrou do remédio? – inquiriu ao sustentar-lhe o olhar, mas para logo desviar sua atenção para a mesa.
- Sim, comprei o que você me pediu. – respondeu ao tirar das sacolas os medicamentos. - Tive uma conversa por demais agradável com o senhor farmacêutico. - Viktor cruzou os braços na altura do peito e se encostou na parede. - Por que não me disse? – perguntou sem rodeios.
Mari congelou no lugar, suas mãos pararam no meio do caminho e devagar levantou os olhos para os azuis que a observavam profundamente.
- Aquele velho fofoqueiro! – rosnou com desgosto. Não queria que o alfa lúpus soubesse do segredo mais bem guardado da família dessa forma, mas não contava com o língua solta Sawamura-san, o dono da farmácia e amigo de longa data da família. Pegando as caixas as colocou na bandeja, e nesse momento percebeu o inevitável, Nikiforov se dera por conta do que estava se passando com seu irmão.
Viktor não conseguia imaginar por que eles haviam lhe escondido aquele pormenor, mas sabia bem lá no fundo, que talvez fosse pelos mesmos motivos que a sua família se resguardava, e não deixavam saber sobre este ser o último lúpus quem sabe de toda a grande Rússia. Bem, aquele não era o momento para se preocupar com aquilo, e sim se focar no que acabara de perceber. Yuuri mal havia tocado no café da manhã que a irmã havia lhe levado, e aquilo o preocupou por deveras fazendo com que o mesmo se remexesse um tanto inquieto.
- Ele... você... o Heat... – a morena tentou continuar a falar. Respirando fundo, tentou mais uma vez ordenar o que gostaria de colocar em palavras. - Yuuri ficou de péssimo humor, seu cheiro ficou fraco no corredor e para piorar, você levou o cachorro pra passear. - Mari revirou os olhos e voltou a encarar a postura do alfa. – Agora, o que foi que o senhor linguarudo da farmácia te falou? – perguntou ao ficar na defensiva.
Viktor mudou a postura novamente, ficara contente em saber que o ômega estava sentindo sua falta, mesmo que fosse somente do seu cheiro por hora, mas voltou a ficar rígido com a informação que obtivera.
- Ele me explicou algo sobre ômegas puros. O engraçado Mari, é que nunca havia escutado nada parecido. – queixou-se Viktor. Realmente na escola, o principal sempre fora o foco nos alfas e nos alfas lúpus, e por mais que o russo platinado tentasse recordar, buscar em sua memória algo que tivesse visto a respeito, não conseguia se lembrar.
A japonesa puxou a cadeira e fez sinal para que o russo se sentasse. Ela podia perceber a preocupação e até mesmo a curiosidade mescladas na fisionomia do homem parado tão próximo a si.
- Estamos vivendo um loop, pois todas as horas que me vejo, estou nesse cômodo tentando esclarecer qualquer coisa com você. – a beta soltou um sorriso nasalado. - Os remédios modernos e mais fracos, não servem para suprir os heats de um ômega como o meu irmão, e ele tem que evitar por não suportar a dor de passa-los sozinho e também... o Akira. – a morena pronunciou o nome do cunhado com desgosto.
- Realmente estamos vivendo um loop, não quero ouvir o nome dele! – E lá estava o lúpus dominante assumindo o controle da situação. - Tenho medo de perguntar, mas o Yuuri só teve a... - não conseguiu dizer o nome de sua estrelinha, pois sentia sua alma doer por saber que mentia e que um dia teria que prestar contas por suas atitudes.
- Só! - Mari suspirou. - Yuuri sempre evitou, mas um dia Akira foi alertado pelo primo sobre os remédios e deu no que deu. - a mulher olhou pela janela e se levantou ao apoiar as duas mãos na mesa. - Vou tentar mais uma vez dar o café para meu irmão, agora que você trouxe os remédios talvez ele esteja um pouco mais disposto. – Mari se levantou da cadeira, trocando um rápido olhar com o lúpus.
Viktor tentava entender tudo que havia acontecido na vida de seu destinado e iria em busca de mais informações para ter êxito nessa tarefa, mas sua cabeça doía e precisava descansar um pouco. E só quando Mari quase havia saído da cozinha, o platinado focou nas sacolas em cima da mesa e estendeu na direção da quase cunhada chamando sua atenção.
- São para o Yuuri! – murmurou um tanto acanhado.
Mari pousou a bandeja na mesa novamente e revirou as sacolas cheias de balas. Surpresa questionou o russo.
- Mas quantos pacotes você comprou? – arqueando uma sobrancelha mirou todos os pacotes antes de voltar sua atenção para Nikiforov.
- Comprei de todos os sabores que tinha lá, o senhor só me disse que o Yuuri gostava de balas, mas não me disse qual, ou se disse, tenho cá minhas dúvidas que a dica seja certa. - Viktor coçou a cabeça se sentindo ridículo com o que estava preste a dizer. - Quero agradá-lo, quero mostrar que sou uma pessoa que ele pode confiar, e quero que ele me aceite também.
A japonesa gargalhou com direito a lágrimas nos olhos.
- Você se deixou ser enrolado por um velhinho?! – questionou sem escrúpulos nenhum. Sawamura-san havia conseguido enrolar o lúpus direitinho. Bem, isso pensava Mari. - Mas tudo bem, foi por uma boa causa, e meu irmão vai adorar se entupir de balas. - colocou as sacolas nos braços e apanhou a bandeja de novo se virando na direção da escada, mas antes de sair disse. - Continue assim, você está indo bem! – e sem mais nada dizer, deixou-o na cozinha.
O alfa tomou o seu café sozinho, remoeu o assunto mais importante para si no momento, afastar Akira do seu Yuuri, mas como faria isso? Uma ideia estava ganhando forma em sua cabeça, mas precisava conversar francamente com o ômega. Só precisava aplacar seus instintos antes, pois do jeito que estava, era quase certo que pularia em cima dele antes de dizer qualquer palavra digna. Ruminou tudo por várias vezes, pensou e repensou em tudo que poderia ser feito, mas sua cabeça, a dor que sentia não era normal. Sabia o que poderia ser, mas não era hora de seu lúpus interior tomar conta de si. Não naquele momento.
Mari já havia voltado, e estava nos afazeres do onsen atendendo alguns clientes esporádicos. Viktor resolveu que descansaria um pouco até perto do horário do almoço, fez um leve sinal para a morena, que havia notado a inquietação do platinado, mas nada poderia fazer. A beta estava decidida a dar um voto de confiança, pois o lúpus já havia lhe mostrado que sua vontade em respeitar o irmão era mais forte que de muitos que ela teve o desprazer em conhecer.
Nikiforov subiu os degraus como se carregasse uma pedra enorme nos ombros, e aos poucos o cheiro adocicado o pegou de jeito ainda no meio da escada, era como um bálsamo de tranquilidade dizendo que tudo ficaria bem, lhe fazendo promessas de um futuro que ansiava com todas as suas forças. E sem perceber, Viktor passou direto pela porta do seu quarto e parou na última porta do corredor. Era apenas uma porta que os separava, seria fácil abrir, entrar e consumar o amor deles. Marcá-lo, fazê-lo seu e dizer juras eternas de uma vida há dois, mas depois voltaria para Tóquio como? Como protegeria Yuuri de longe? Não queria mais que o ômega sofresse nas mãos do seu tirano, mas não podia ser tão inconsequente ao ponto de pensar somente com a cabeça errada, pois sabia que era exatamente isso que ocorreria se por um acaso abrisse aquela porta, um alfa desprezível como Akira não deixaria Yuuri vivo depois de uma marca de união. Viktor sentiu vontade de chorar, fazia tempo que não chorava, mas depois que conheceu Yuuri, essa vontade vez ou outra surgia e embargava sua garganta, e por várias vezes ele deixou que elas deslizassem por sua face. Apoiando a testa na madeira, respirou pausadamente, o cheiro do ômega o envolveu forte e inebriante, mas não continha notas sensuais, apenas transmitia calma e movido pela paz de espírito que sentiu, ficou ali parado incontáveis minutos de olhos fechados se sentindo completo.
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Assim que se viu sozinho, Yuuri afundou o rosto em seu travesseiro o agarrando com as duas mãos como se assim, este fosse sua tábua de salvação. Havia caído em si somente quando a porta se fechou com certa brusquidão, e sabia muito bem, que independente de estar sofrendo com os efeitos colaterais de seu Heat, não poderia descontar suas frustrações e dores na única pessoa que sempre se importara com ele.
Mordiscando o lábio inferior, o ômega puxou o ar para seus pulmões, mas nada sentiu. O cheiro de pinheiros começava a se dissipar, e aquilo o fazia sentir a pior pessoa da face da terra. E como podia, não? Até então, era somente ele com seus problemas, mas desde uns meses atrás, a vida parecia ter ganhado novas cores, mesmo que por um tempo tudo houvesse ficado cinza, mas agora... Ah! Agora ele sabia que havia esperança, e ele tinha de se apegar a essa pequena luz que aparecia no final do túnel.
Precisava não ser tão temeroso, e deixar que a vida seguisse o seu fluxo. Com esses pensamentos a lhe povoar as ideias, tornou a recordar-se de sua irmã, e de como ela havia deixado seu quarto muito contrariada. Fechando os olhos, podia muito bem reviver o que havia acontecido minutos atrás.
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Ao acordar naquela manhã, Yuuri sentia que algo lhe estava fazendo falta. Um tanto desorientado, e ainda na penumbra, buscou pela pequena luminária de cabeceira, e assim que a luz clareou parcamente o quarto, tateou procurando por seu óculos. Após o ajeitou sobre a ponte do nariz, sentiu aquela dor pungente. Volvendo os olhos para todos os cantos, buscou por seu companheiro canino, mas este já não se encontrava ali. Um tanto ressabiado, pensou que talvez Mari o tivesse liberado. Ele tinha de ser um tanto condescendente, afinal o pobre poodle lhe fizera companhia desde que chegara, mas sentir-se sozinho, e ficar desprovido daquele doce cheiro não fazia parte daquela situação.
Suspirando um tanto exasperado, mirou a porta ainda fechada. Escutando passos se acomodou melhor, bem como pode, e assim que está se abriu foi como se um bálsamo recaísse sobre ele. Lá estava, mesmo que muito raro o cheiro daquela floresta de pinheiros. Farejando o ar buscou por sentir mais, queria mais, mas parecia que a essência estava ficando rarefeita, sumindo, e um tanto alarmado mirou a irmã que entrava no quarto carregando a bandeja com seu desjejum.
- Mari-nee, o que está acontecendo? – perguntou sem lembrar-se dos bons costumes e saudar sua irmã como se deveria.
- Um bom dia para você também! – Mari mirou-o arqueando as sobrancelhas.
Mordiscando o lábio inferior, Yuuri mirou com interesse a irmã e a bandeja que ela trazia. Não sentia fome, na realidade estava sem apetite, mas mesmo assim deixou que a morena lhe colocasse no colo o objeto. Torcendo o lábio, observou o que ela havia preparado para aquela manhã. Havia sopa de missô, arroz cozido no vapor, chá verde, tamagoyaki, sunomono, okayu e peixe grelhado, o que parecia ser cavalinha. Piscando fortemente, o ômega sentiu seu estômago protestar, mas não de fome.
- Nee, você me trouxe muita coisa! – choramingou Yuuri. Ele realmente não sentia fome quando estava passando por seu heat. Tudo parecia não ser tão apetitoso, e ver o peixe ali, seu cheiro que sempre lhe agradava, não parecia lhe cair bem.
- Trouxe o normal que você tem costume de comer. – respondeu a beta. Ela sabia que poderia ter exagerado um pouco, e realmente, fazia muito tempo que ela não cuidava do irmão em seus ciclos, e de fato tinha esquecido como ele poderia ficar e se comportar. – Coma o que lhe agradar, mas coma um pouco. – pediu ao encará-lo.
Engolindo em seco, o mais novo dos Katsuki prendeu um pouco a respiração. Realmente estava ficando enjoado com o cheiro do peixe, e bem, não queria ser grosseiro com a irmã. Fazendo um esforço fora do comum, evitou o missô, o peixe, se fixando na xícara de chá verde, e no okayu que parecia estar mais saboroso aos olhos dele.
Observando o irmão, Mari achou estranho ele não querer nem o omelete. Ela sabia que ele precisava repor energias, mesmo não as tendo gasto. Precisava se alimentar direito, mas Yuuri estava se portando feito uma criança birrenta empurrando a comida que não queria com o hachi.
- Yuuri, você precisa comer, só o chá e o okayu não são suficientes...
- Nee-san! – rosnou o ômega ao vê-la se munir com os hachis deixados de lado para tentar o alimentar com a cavalinha como se ele fosse um bebezinho. Virando o rosto de lado, completou. – Não sou mais uma criança que é necessário que me façam comer dando na boca! – grunhiu irritado ao mirá-la assim que percebera que a mesma havia se afastado. – Se continuar com isso, tudo o que conseguirá de mim, será que eu vomite o que quer que eu coma! – e para enfatizar o que dizia, deu um tapa atingindo o objeto de madeira, fazendo o peixe cair sobre o arroz cozido.
- Katsuki Yuuri! – bravejou Mari acidamente. – Não me faça tomar medidas drásticas! – ameaçou.
- Tais como, Mari? Tais como? – perguntou o ômega com a voz mais alta e alterado. – Pior do que estou não posso ficar! Makka me deixou sozinho, não sinto o cheiro de meu alfa estando sofrendo as agruras de meu ciclo e ainda vem você querer me forçar? – os olhos avermelhados ganhando um brilho intenso que não lembrava em nada aquele ser amável que a morena conhecia. – Tira isso daqui, Mari ou não vou responder por meus atos! – grunhiu enraivecido.
- Tenho pena desse alfa que está aqui, se o tratar assim quando finalmente ficarem juntos...
- Mari-nee... onegai! – rosnou ao começar a se mexer e espalhar um pouco das coisas sobre a pequena bandeja.
- Você está insuportável agora cedo, Katsuki Yuuri! Talvez seja bom que fique um bom tempo sozinho para pensar em como está agindo. Seu heat não é desculpa para ser malcriado com quem só te quer o bem! – e sem nada mais dizer, a morena pegou a bandeja e saiu apressada, deixando o irmão com seus próprios fantasmas.
Bufando enraivecido, o ômega tornou a deitar. Procurando pela segunda camisa do alfa, puxou-a para si escondendo o rosto todo no tecido que começava a perder o cheiro de pinheiros.
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Havia passado para um cochilo, enrolado em seu pescoço encontrava-se a camisa do platinado. Quanto tempo fazia, isso o ômega não saberia dizer, pois alguma coisa pesada o fizera despertar assustado. Abrindo os olhos rapidamente, ajeitou os óculos que haviam ficado torto sobre seu rosto. Focou sua visão sobre suas pernas, e ali se encontrava seu mais novo amigo.
- Makka... – murmurou ao esticar um pouco as mãos, querendo com isso abraçar ao mascote que parecendo entender o que o moreno queria se lançou sobre ele. – Não, não faça assim... – riu Yuuri ao tentar conter a euforia do cão que o lambia. – Como você conseguiu abrir a porta, hein? – perguntou ao imaginar como aquele bicho podia ser tão inteligente, e conseguir abrir a maçaneta. – Mas é muito inteligente, não? – perguntou ao afofar os pelos do poodle que agitava a cauda de um lado para o outro, aproveitando da atenção que a ele era dispensada.
Afundando o rosto nos pelos macios, inalou o olor que dali provinha. Uma calmaria começou a invadir o peito do japonês, o fazendo se sentir um pouco melhor. Ao escutar o barulho da porta se abrir, o Katsuki voltou seus olhos curiosos naquela direção. Sem perceber, suspirou pesaroso ao ver a irmã voltando novamente com a bendita bandeja para ele.
- Mari-nee...
- Por favor, antes de qualquer coisa, só peço que tome seu café e o remédio primeiro – pediu ao se aproximar –, e depois se controle para não comer muitas balas e passar mal. – deu um leve sorriso amarelo.
- Mari, você comprou tudo para mim? – perguntando ao não acreditar, pois depois de tudo que ele havia feito, lá estava a irmã a lhe mimar. - Obrigado e me desculpe por mais cedo! – pediu um tanto constrangido. - Não queria ser grosso e desrespeitoso. – baixando um tanto a cabeça, mirou a beta entre os fios rebeldes do cabelo que caiam sobre seus olhos.
A irmã colocou a bandeja no criado mudo e permitiu que o moreno continuasse a se desculpar. Talvez nada daquilo estivesse acontecendo se tivessem ambos se preocupado, ou mesmo que ela não tivesse se esquecido como Yuuri poderia se tornar caprichoso nesses momentos, mas de nada adiantava querer achar culpados, ou desejar não ter passado por aquilo. Mirando com interesse ao ômega que tinha ainda o mascote do russo junto a si.
- Não fui eu quem comprou as balas! - Mari olhou de frente para o irmão. - Foi o Viktor que foi buscar seus remédios, e voltou cheio de balas. - ela riu, um riso baixo mais que o irmão conhecia como de chacota, talvez deboche. - Não me pergunte, mas depois que se sentir melhor, agradeça a ele. – a beta arrumou os fios negros que caiam na frente dos olhos do irmão e sorriu, meia hora atrás, queria se jogar no chão e levar o irmão junto e o encher de boas palmadas, mas agora só queria ver e admirar aquele semblante leve e feliz de quem havia conseguido um bilhete premiado. - Prometa que vai se alimentar direito, se não for por mim, e nem pelo bonitão lá embaixo, mas que seja por você! – pediu com calma e até mesmo com um tom carinhoso. - E por favor, Yuu-chan, prometa que não vai se entupir de balinhas e ter uma crise, ou algo parecido, ok? – a morena só faltou implorar. Não gostaria que o irmão fosse parar em um hospital como certa vez, quando ainda era um filhote, e se empanturra daquelas gostosura e tivera uma reação alérgica muito forte.
O ômega apenas confirmou com um aceno de cabeça enquanto mexia dentro das sacolas lendo os rótulos e conferindo os sabores de tudo, mas como um bom "garoto", deixou as sacolas com as balas de lado, e se forçou a comer um pouco. Mari tinha razão no que havia tentado fazer anteriormente. Ele não poderia ficar sem se alimentar direito, mas ainda não estava com vontade e nem estômago para apreciar a cavalinha.
Comendo um pouco do que mais lhe apetecia naquele momento, com cuidado colocou a bandeja sobre a mesa de cabeceira contrária a que usava sempre, e tornou a se deitar agora um pouco mais satisfeito. Tinha de dar mão à palmatória, estava mesmo com um pouco de fome, mas tinha certeza que se não tivesse sido forçado, não iria fazer aquilo. Em seguida, pegou a última cartela que tinha solta de seus supressores, tomando uma cápsula na palma da mão, engoliu com o auxílio de um pouco de água fresca.
Voltando para a cama, deitou tomando o cuidado de se cobrir e deixar as duas camisas do alfa próximo a si. Deixou que o poodle se ajeitasse ao seu lado e acarinhando a cabeça e as orelhas do mesmo, sorriu ao começar a sentir uma leve sonolência. Talvez fosse bom mesmo que Morpheus o fizesse adormecer mais um pouco, mas antes porém teve um pequeno sobressalto.
Yuuri encarou a porta quando viu Makkachin levantar a cabeça do meio de suas patas e farejar o ar. Na mesma hora, o ômega capturou o cheiro de pinheiros, respirando fundo, puxou todo o ar que seus pulmões permitiam e segurou, aos poucos foi soltando, e sem perceber, levantou-se devagar caminhando em direção a porta. O odor de pinheiros era seu mais novo vício. Sua mão parou quando tocou na porta, queria muito falar com o platinado, queria agradecer sobre as balas, sobre a blusa e até mesmo sobre o cachorro, mas na verdade queria dizer muito mais coisas, queria contar que sempre esperou por ele e que mesmo desacreditando algumas vezes nos seus sonhos, sabia que lá no fundo de sua alma, o alfa platinado existia e que era apenas uma questão de tempo para se acharem.
Yuuri tombou a testa contra a porta e por ali ficou envolvido pelo seu cheiro misturado ao do seu alfa. Era para ser assim, estava escrito no seu destino o nome de Viktor, e não adiantava querer fugir, não adiantava um casamento falido o prender, a lei dizia que destinados, almas que se completavam suplantavam até mesmo um casamento, ainda mais um que não havia uma união feita pelo laço de uma marca.
Alfa e ômega se encontrava separados apenas por uma mísera porta. Podiam se sentir, podiam farejar um ao outro, mas nenhum dos dois tinha a coragem suficiente para quebrar aquele silêncio, que começava querendo ou não, a se tornar opressor.
- Yuuri… - murmurou o lúpus sem fazer ideia de que poderia ser ouvido. Ao perceber que talvez não fosse somente ele que se encontrava apoiado naquela porta, aguçou mais seus instintos, e quase ronronou alto ao escutar um suspiro, ou algo do tipo… algo muito peculiar!
Arregalando os olhos, Viktor deslizou uma de suas mãos pela madeira polida, parando ao fechar os dedos na fria maçaneta. Tinha ímpetos de abrir aquela única barreira que os separavam, mas sabia que não deveria, que não podia! Não queria que fosse daquele jeito, e muito menos que fosse algo imposto. Reconhecia os medos de seu destinado. Agora, a duras penas, se assim pudesse dizer, ele compreendia o que seus amigos e a irmã de seu destinado quiseram dizer com tudo o que lhes pediram, que lhes alertaram. Era frustrante, mas tinha de ser forte por ambos, e o seria!
Mordiscando o lábio inferior, Nikiforov afastou lentamente a cabeça da madeira fria, e tornando a encostar a mesma sobre a superfície lisa, não calculou sua ação e foi surpreendido por um baque surdo e forte, e uma leve ardência no local atingido o fez arquejar levemente. Prendendo a respiração, muitas coisas passaram por sua cabeça com uma rapidez o deixando angustiado. Fechando os olhos com força, desejou que seus atos não fossem vistos com maus olhos.
- Cui… Cuidado! - pediu Yuuri. A voz baixa e melodiosa chegando até os ouvidos aguçados do alfa lúpus. - Por favor, não se machuque! - pediu ao se preocupar, e instintivamente levar a mão até a maçaneta e a outra para a chave, se fosse necessário, fecharia a porta. Claro que não seria necessário, ele sentia isso, mas era melhor se prevenir, e agradecendo por aquele ser um dos poucos quartos a terem aquele aparato.
Com um sorriso bobo nos lábios, o russo fincou seus olhos na porta, desejando que ele pudesse ter a visão de raio "X", ou que aquele objeto inanimado fosse de vidro translúcido, apenas para poder ver o que não podia ser visto naquele momento. E não importava se o ômega se encontrasse em desalinho, pois para ele continuaria sendo tão formoso como já chegara a vê-lo.
- Não se preocupe, Yuuri… - começou ao liberar um pouco mais de seus feromônios. - Meu primo costuma dizer que sou um perfeito cabeça dura, então creio que não irá me acontecer nada! - Viktor sorriu, um sorriso aberto, pois ele não se cabia em si de felicidade apenas por poder ouvir o moreno, e estar entabulando uma conversa, mesmo que sem nenhum parâmetro. Seus lábios se curvaram mais ao escutar o riso cristalino de seu par, e desejou nunca mais se esquecer disso, ou mesmo desse momento único.
- Mesmo que me peças, não consigo deixar de me preocupar… não é uma coisa que eu possa evitar, ou mesmo me desligar. - Yuuri coçou a nuca um tanto acanhado. Não conseguia expressar, e explicar para o platinado como estava se sentindo. Na realidade, sentia que os efeitos de seus medicamentos começavam a fazer efeito, e já sentia todos seus membros relaxarem. Precisava ir para cama, ou iria ao solo em alguns minutos. - Preciso me deitar… - murmurou mais para si mesmo do que para o homem que se encontrava do lado de fora, e em hipótese alguma poderia imaginar que este o ouviria.
- Eu não gostaria que se afastasse - o lúpus começou a deslizar a mão para longe da maçaneta, buscando assim afastar os pensamentos insanos, e a própria tentação -, mas não seria justo com você e muito menos comigo! - Viktor já havia notado o que estava acontecendo, mesmo não estando em seu ciclo também, seus feromônios estavam em harmonia, e bem, ele não sabia quanto tempo aguentaria ficar ali sem deixar que seus mais primitivos instintos lhe tomassem. - Vá deitar, moya snezhinka (meu floco de neve)! Temos muito tempo para podermos conversar e…
- Eu… eu… - Yuuri estava abismado. Nunca havia passado por aquilo. Nâo entendia se seu destinado o estava rechaçando, se não o queria, ou o que? Em sua cabecinha de sentimentos devastados e corrompidos, ele não estava conseguindo ver o óbvio.
Ao sentir o cheiro a cerejeiras oscilar um tanto, e ao seu nariz chegar um tanto cítrico, Viktor percebera de imediato que algo havia acontecido. Pensando rapidamente, e engolindo em seco, pensou em entrar em um rompante de insensatez naquele quarto, mas no último momento se conteve. Respirando forte, e buscando por uma paz fora de sua capacidade naquele exato momento, voltou a recostar-se contra a porta.
- Yuuri, moya snezhinka! - começou pensativo. - Por favor, não me entenda errado, e preste atenção em que vou lhe dizer, sim? - pediu apressado quase engasgando com sua própria saliva. - Creio que ainda não se deu conta de como lhe quero, e não, não é por que você se encontra em seu heat! Veja como nossos cheiros se buscam, e eu desejo conquistá-lo, mas do modo certo, de como os destinados se conhecem… um dia após o outro! Eu sei que começamos de um jeito inusitado, mas não veja minha preocupação com o seu bem estar como um rechaço! - percebendo a nova mudança no olor do japonês, continuou. - Conheço suas limitações, snezhinka, e não quero lhe impor nada, está bem? Quando você se sentir bem, estaremos mais próximos, mas agora, vá deitar, e sejamos paciente. - Viktor almejou que seu ômega se afastasse, pois começava a sentir seu lúpus se rebelar. O suor lhe escorria em bicas, seu cheiro ficando cada vez mais forte.
Um tanto desapontado, o Katsuki escutou e absorveu tudo o que lhe fora dito. Em sua cabeça as vozes de Mari e de sua psicóloga pareciam ressoar.
"Nenhuma pessoa é igual…" - pensou ao finalmente se afastar um pouco da porta.
- Você me escutou, Yuuri? - Viktor perguntou preocupado ao não obter resposta alguma.
- Eu… eu ouvi! - respondeu em um fio de voz. - Você não está, então, me deixando por já não ser puro? - perguntou Yuuri um tanto temeroso.
- Não, não… nunca mais pense ou fale isso! - pediu o alfa quase em desespero. Sentia ganas de matar Akira com requintes de crueldade. - Você é minha luz, meu tudo, e o que aconteceu no passado, é lá que tem de ficar! Eu nunca vou te deixar, é uma promessa, mas agora moya snezhinka, não é muito bom abusarmos da sorte. - fez uma leve pausa antes de continuar. - Me deixe tranquilo, sim? Volte para sua cama, eu prometo que te… - parou pensativo, e com um leve sorriso, começou a tirar a camisa que estava usando. Dobrando-a, deixou no chão a frente da porta. - Antes de ir deitar, espere que eu me vá, e após, abra a porta, estou a lhe deixar um mimo aqui na frente. Fique bem, meu anjo! - ronronou, e antes que seu lúpus agisse, correu para seu quarto, onde mais uma vez se automedicou. Até mesmo tinha esquecido sua dor de cabeça. O alfa esperava de coração que seu destinado houvesse entendido seus motivos.
Mesmo que Yuuri quisesse dizer alguma coisa, este não conseguiria, pois sentia que sua voz não iria sair. Sentia um calor diferente o acometer, e não, não era de seu heat! Era algo novo, avassalador e em nada lembrava ao sufocamento que sentia com Akira. Ao sentir as pernas começarem a fraquejar e tremer, abriu lentamente sua porta, e ao olhar para baixo, abriu um sorriso quase infantil. Pegando a camisa que recendia a feromônios de Viktor, a abraçou como se fosse seu melhor presente. Sem pensar duas vezes, afundou o rosto no tecido, deixando o olor a pinheiros encher suas fossas nasais.
Com passos incertos, voltou para a cama e se enfiou em seu ninho, onde em seguida Makkachin se acostou ao seu lado.
- Ah! Makka, seu dono não existe! - murmurou antes de se encolher na cama, e se render a letargia, mas sem parar de lembrar tudo o que seu destinado havia lhe dito. Era gostoso descobrir que alguém poderia sim o amar!
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Notas FinaisLembretes e explicações:
Placebo: Um placebo (do latim placebo, que significa "agradarei") é um fármaco, terapia ou procedimento inerte, que apresenta, no entanto, efeitos terapêuticos devido aos efeitos psicológicos da crença do paciente de que ele está a ser tratado.
Fonte: Wikipédia
Sobre o café da manhã oriental tradicional: Os japoneses possuem diversas maneiras de tomar café, muitos seguem a maneira ocidental de comer um pãozinho ou algo leve, por ser rápido e barato. Mas tradicionalmente o café da manhã japonês é um grande cardápio nutritivo, parecido com um almoço.
O café da manhã japonês não tem café no nome. A palavra Asagohan( 朝ご飯) significa literalmente "arroz da manhã". Arroz está inclusivo nesse belo café da manhã. Os alimentos que o compõe o café japonês tradicional, são praticamente os mesmos do Hirugohan (昼ご飯 – almoço) e do Bangohan (晩ご飯 – jantar).
Um pequeno café da manhã tradicional consiste em arroz cozido no vapor, sopa de missô, e vários pratos como peixe grelhado, tamagoyaki (omelete), tsukemono (conservas), pickles no estilo japoneses (como takuan ou umeboshi), nori (alga seca), natto e outros. As bebidas costumam ser leite, café, chá verde, chá Inglês, e suco de laranja.
Outros ingredientes que costumam acompanhar um tradicional café da manhã japonês são:
Carne de porco frita com gengibre.
Sopa de vegetais.
Sunomono – Salada agridoce de pepino.
Oyakodon – Frango e os ovos no arroz, com sopa de missô.
Sardinhas.
Okayu – Mingau de arroz.
Bacon, Linguiça e outras carnes.
Algumas torradas.
Frango frito com curry.
Sopa de milho.
Tofu frito e sopa de miso wakame.
Ozoni – sopa com mochi.
Pimentas em conserva.
Repolho cozido na manteiga.
Tanuki udon.
Fonte: Suki Desu - /asagohan-cafe-da-manha-japones/
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Cantinho Rosa e Azul:
Viktor: Yuu, vem cá ver! Vem cá ver, a Coelha e a Almaro finalmente lembraram de nossa existência!
Yuuri: *arqueando as sobrancelhas e arrumando o óculos sobre a ponte do nariz* Vitya, se eu fosse você, não aporrinhava as ideias das duas! Fiquei sabendo que a Theka teve uma falta de inspiração para o novo capítulo de Para Sempre...
Viktor: Mas ela escreveu tantas fics pra um desafio...
Yuuri: Santa paciência... *balançando a cabeça* Viktor, por favor...
Theka: Isso mesmo, faça o favor, platinado chato! Também temos vida fora escrever fanfics, sabia?
Almaro: E não tem sido nada fácil, se é que você nos entende, Viktor! E ainda bem que um de vocês é mais compreensível!
Theka: Sim, assim o Yuu salva um pouquinho a situação! Pq se a gente depender do careca...
Viktor: Eiiii! Não sou careca...
Almaro: Tem gente que não sabe quando sair de fininho e a francesa... *cantarolando com um sorriso divertido nos lábios*
Yuuri: *puxando o noivo a reboque antes que as duas resolvam se estressar de verdade*
Almaro, você está ouvindo o silêncio? *risos de ambas as ficwriters*
Bem, agradecemos de coração por não esquecerem nosso trabalho, e por sempre nos apoiarem! Agrademos muito, muito mesmo o carinho!
Desculpas da Coelha aka, que não conseguia se inspirar para terminar o capítulo que gostamos de deixar adiantado, e ter se metido a fazer várias fics... Esperamos de coração que gostem do que irão ler, e deixem seu comentário.
Obrigado, por tudo!
Almaro e Theka
