Lembretes e explicações no final do capítulo.
Capítulo ainda sem verificação de nossa Beta. Assim que possível, faremos a substituição pelo betado.
Qualquer erro, será corrigido depois!
oOoOoOo
Enquanto observava a janela de sua sala com uma atenção nem um pouco sonhada, Yurio, respirava fundo. No colo, Potya, a gata siberiana de pelagem longa, marrom na cara, pastas e cauda, o corpo meio creme puxando para o branco, e de redondos olhos azuis. Seu temperamento antissocial, poderia ser comparado ao de seu dono. Arisca, e até mesmo arredia, era até um tanto fora do comum tê-la daquela forma, aconchegada ao peito de seu humano. Em momentos como aquele, o russo preferia nem pensar quais eram os motivos que levavam sua mascote a agir daquela forma, preferindo curtir o momento ao qual endiabrado ser, se deixava acariciar. Em sua cabeça – que se encontra em um turbilhão -, Plisetsky entendia que ele era um bom humano para ela.
"Queria eu ser um gato, e que alguém me tivesse assim no colo, acariciando entre minhas orelhas... Ah! Que vida, não, Potya?" - sorrindo com o seu pensamento, Yurio deixou-se levar, e foi nesse exato momento que sentiu braços lhe rodeando a cintura. Um tanto incomodada pela invasão de seu território, a gata calma voltara ser temperamental, chiando esganiçada antes de abandonar o aconchego do colo de seu dono. - Durou pouco! – Yurio comentou ao acaso, ao se aconchegar mais de encontro ao peitoral do mais alto.
- Acho que sua gata me odeia! – constatou Otabek ao falar com seriedade, enquanto via a gata se refugiar na sala o mais distante possível deles. Apoiando o queixo na curva do pescoço do loiro, acariciou lhe a cintura esguia ouvindo uma risada baixa escapar.
- Você fala isso, porque não viu Potya com o idiota do Viktor e aquele demônio peludo. – Plisetsky riu mais alto ao lembrar como eram os encontros entre eles e seus bichos. - Makkachin não tem noção do perigo, pensando bem, Viktor também não! - Yurio continuou falando e rindo, e embora criticasse o primo, era o único que podia fazer isso, pois não admitia ninguém falando de sua família.
O médico soube por esse monólogo que o alfa, finalmente, havia ido atrás do japonês. Otabek contava que tudo se resolvesse da melhor maneira entre os dois. Beijando o pescoço do loiro, que por um segundo parou de falar, o moreno, então, fechou os olhos e continuou onde estava aproveitando para sentir o pulsar forte da veia do russo. Era algo mágico como aquele pequeno pormenor o acalmava, chegando as vias de fato de desligar-se até mesmo de seus problemas e do serviço! Ele podia dizer que tudo que lhe afligia parecia ser transportado para outra dimensão.
Apertando mais os braços na cintura delgada do loiro, regozijou-se ao ouvi-lo rir novamente, com certeza se apaixonaria todos os dias por ele quando o ouvisse rir ou o visse sorrir, e até mesmo quando o beijasse. Sem perder tempo, girou Yurio entre seus braços e passou a distribuir pequenos beijos por todo o rosto até que atingiu os lábios. E deixando-se arrebatar, o loiro se rendeu sem se defender, se entregou de corpo e alma como Otabek havia percebido e sentindo na noite anterior e na outra também.
Os suspiros, a respiração, os toques ousados, os beijos cada vez mais necessitados os impulsionando cada vez mais para um mundo somente deles. Um mundo onde somente os dois tinha importância, e nada mais. Ou talvez, quem sabe, apenas um objeto barulhento pudesse ancorar o mais velho em terra firme, e o privando daquele momento só deles. Tentando ignorar o barulho que parecia distante, mas insistente, a priori, Altin tentou não ligar, mas com a insistência e o barulho incessante do celular tocando sem parar o fizeram deixar aquele mundo novo que descobrira ao lado de tão estonteante ser.
O médico, mesmo a contragosto, instantaneamente abriu os olhos, procurando por seu aparelho, e inconscientemente entoava um mantra para que não fosse um chamado do hospital, mas o eletrônico que até então havia parado de berrar, tocou de novo e depois mais uma vez.
- Me desculpe, Yura! – fez uma pausa tentando não praguejar ao ter seu idílio roubado por aquela chamada. - Mas tenho que atender! – continuou ao desfazer o laço, afrouxando o abraço e correr na direção do aparelho esquecido na mesa da sala de jantar. Como previsto uma emergência havia acontecido, um acidente de trânsito com três vítimas e uma grávida, requisitavam de sua avaliação urgente. Entre os vários comandos que ele indicava, e quais procedimentos deveriam ser executados, a todo momento, pedia um resultado de exame ou algum outro marcador, no fim saiu andando pelo apartamento pegando suas roupas. Quando por fim a ligação terminou em um "estou indo"!
Um tanto frustrado, o loiro teve a indicação que por hora seu fim de semana romântico havia acabado. Não poderia deixar transparecer o que lhe corroía a alma, e até mesmo por isso, quando pode, volveu seus olhos na direção do moreno, como se aquilo fosse algo corriqueiro. Bem, se ele quisesse ficar ao lado do médico por muito tempo, teria de se acostumar com aquelas interferências do acaso.
- Me desculpe, mas eu...
- Eu sei! - Yurio se aproximou do cazaque que acabava de fechar sua camisa abraçando-o. - Vai lá tigrão! – gracejou ao sorrir abertamente.
Otabek parou o que estava fazendo e encarou o loiro com um meio sorriso debochado nos lábios.
- Que foi, não gostou do apelido? – Yuri desferiu a pergunta como se estivesse disparando tiros de uma arma a queima roupa.
Sorrindo, Otabek tascou um beijo na boca do russo e saiu andando, mas antes de fechar a porta, olhou para ele e concluiu.
- Depois a gente discute melhor esse "apelido"! – e abrindo mais o sorriso, balançou a cabeça. Antes, porém, de deixar em definitivo o apartamento, deu-lhe uma piscadela, e assim como um raio, saiu deixando o russo sozinho.
Yurio ficou parado no meio da sala do seu apartamento sem saber o que fazer ao certo, pois de um momento para outro sentia-se incompleto, ou no lugar errado.
- Passarei o domingo sozinho pelo visto! – constatou ao dar uma volta completa no próprio eixo e concluir que sim, seria mais um dia vazio em sua vida. Com o primo fora da cidade, o avô amado em outro país e agora o dono do seu coração, trabalhando, a sensação de vazio se apoderou de seu ser. Olhando para a gata, que lambia as patas, pensou em se aproximar da bichana, mas conhecendo seu adorável bicho de estimação, já sabia de antemão que a relação que tinham era porque "todos" respeitam o tempo e o momento de cada um.
Dando de ombros, resolvera por fim, tomar um banho e não fazer nada o resto do dia. Mas a caminho do seu quarto, a campainha tocou e Yurio voltou para a sala sorridente achando que Otabek havia resolvido tudo rápido e que estava voltando para curtirem o último dia de folga, só que ao abrir a porta dera de cara com o advogado loiro da empresa. Um tanto surpreso, reparou que Christophe estava estranho, principalmente, por estar acordado cedo em um dia de folga, e Yurio percebera de longe que algo estava errado.
- Posso entrar? – o loiro alto perguntou sem tentar uma de suas típicas gracinhas.
- Se eu falar que não, você vai entrar de qualquer jeito, não é? - o beta encarou o outro desconfiado, pois além de sua surpresa pela visita em um momento tão inapropriado, acreditava que se arrependeria com o bendito alfa também. - Entra! - se afastou dando passagem para o suíço que lhe pareceu aliviado. - O que o Viktor aprontou? – disparou antes mesmo de fechar a porta. - Ele mordeu o pobre do japonês, ou matou alguém? – Plisetsky perguntou sem ter papas na língua.
O advogado olhou o mais novo de olhos arregalados. Era incrível como aquele jovem só conseguia pensar em coisas negativas.
- Por que você só pensa o pior? – perguntou ao volver os olhos para todos os lados. Chris sempre gostara do apartamento do menor; bom gosto e utilidade andavam de mãos dadas, mas não fora até lá para falar de decoração. - Podemos conversar? – perguntou como se aquilo fosse a coisa mais normal a ser feita.
- Só me diz, o paspalho do Viktor está bem? – para o loiro mais baixo, tudo girava em torno de fatalidades. Já até havia se acostumado com as agruras e os percalços que aqueles dois alfas se metiam desde tenra idade.
- Está Yurio, eu falei com ele e está tudo bem na medida do possível! – Giacometti parou quando escutou um barulho parecido com uma risada cheia de sacarmos, e viu o loiro se dirigindo pra cozinha. - O que você vai fazer?
Yurio parou e olhou o grande relógio que tinha na parede ao fundo de sua cozinha.
- Vou tomar café, você já comeu? – informou ao começar a se afastar, mas ao notar o mutismo do advogado, voltou-se notando, então, a confusão que parecia se formar no rosto do suíço. Assim sendo, retrocedeu seus passos parando ao lado deste. - Christophe, você está bem? – Yurio sentiu ganas de aferir-lhe a temperatura, mas preferiu não tocar no mais alto. - Você sabe que é cedo, e que é costume fazer o desjejum, não é? – perguntou como se falasse com um bebê que muito pouco consegue entender. Para desgosto do beta, Giacometti parecia mais perdido a cada nova palavra que ele dizia. – Hei, velho... – chamou-o com insistência. - Você está conseguindo me assustar!
Christophe parecia não estar entendendo nada. Balançando a cabeça negou o que quer que ele pensou ter entendido, e virando-se para a janela, abriu os braços para depois deixá-los cair ao lado do próprio corpo.
- Sempre achei que fosse passar em branco nesse vida – começou a falar em um fio de voz -, sempre acreditei que não existia um par certo para mim! – virou a cabeça de lado, como se quisesse focar o loiro mais baixo, mas sem se esforçar para tanto. – Sabe, achar minha outra metade, mas aí... - virou-se de novo para o loiro. – Aí, eu não dormi nada essa noite, e me desculpe o horário! – desculpou-se, e em seu monologo uma pequena faísca o fez cair em si, algo como se a ficha tivesse caído. - Você está sozinho, né? – preocupou-se em perguntar.
Yurio continuou parado olhando o ET que divagava no meio de sua sala. Não conseguia entender o que tão verborrágico advogado tinha, e de verdade, não estava muito a fim de descobrir por si só.
- Céus, Yurio! Você está acompanhado! – Chris se atropelou entre as palavras. - Me desculpe, eu vou embora e...
- Hei, hei... Calma! – Yurio atalhou o mais alto. - Otabek acabou de sair para o hospital, então estava sozinho até você chegar aqui... - fez um gesto com as mãos indicando o loiro. – Bem, se me dá licença, Chris, eu vou tomar um banho, e depois fazer um café bem forte pra gente! – informou sem desviar os olhos dos do outro. – Aí você vai poder me contar tudo que aconteceu para deixá-lo desse jeito, ok? – perguntou com calma, se deixando fazer entender.
O suíço confirmou com a cabeça apressado. Se o alfa platinado estivesse em casa, com certeza, era lá que desabaria com seu provável infortúnio, mas como ele estava atrás do seu destinado e longe, Christophe só podia mentir e disfarçar sobre o que havia acontecido na sessão de fotos, só não sabia pra quem mentia mais, se para si próprio, para Yurio ou para o chefe!
- Sabe, Yurio... – fez uma leve pausa buscando pelas devidas palavras - O seu primo está bem, e ele descobriu algo interessante que pode ajudá-lo no processo com o ômega, mas... - respirou fundo puxando o ar com toda a força que podia - preciso colocar minha cabeça no lugar para poder fazer meu trabalho, e para isso, só preciso que você me escute. Tá bom? Só me ouve! – suplicou Giacometti.
O loiro revirou os olhos e voltou para a cozinha, ligou a cafeteria, fez um café duplo para os dois e retornou para a sala. Entendera que Christophe não tinha tempo para o seu banho, e até mesmo por isso, sentou em sua poltrona favorita bebericando de sua xícara, e sendo bem taxativo ao se pronunciar mais uma vez.
- Manda, estou ouvindo! – o olhar arguto e sério, observando com interesse o loiro a sua frente.
Christophe encarou mais uma vez o beta, e considerou que talvez ele nunca fosse entender a real necessidade de um alfa quando sofre um imprint, e por isso não entenderia o que estava para confessar. Mas precisava colocar pra fora, senão enlouqueceria.
- Conheci uma pessoa ontem, porque você não fez o seu trabalho. - semicerrou os olhos como se finalmente tivesse encontrado um culpado para tudo que estava sentindo. - Viktor me alertou para não me fazer presente na vida do mais novo modelo contratado, o patinador. – Christophe passou as duas mãos pelo rosto e terminou por sentar-se na beirada do sofá. - Só que as coisas não estavam fluindo na sessão e o Nekola, ligou várias vezes e acabei indo até lá para ver o que acontecia... e então...
Yurio odiava suspense, sempre foi direto em tudo e sempre esperava o mesmo dos outros, e quando percebeu as voltas que o advogado loiro começou a dar, segurou a boca para não falar uma besteira, afinal, havia prometido ser um bom ouvinte. Mas onde estava o cara de bem com a vida e sempre disposto a viver o melhor que pudesse? Onde estava o alfa que amava todas as pessoas que passam por sua vida sem se importar em se apaixonar toda semana por alguém diferente?
- Chris? E? – questionou um tanto ansioso. - Você não espera que eu imagine o que aconteceu, né?! – Yurio perguntou já demonstrando seu alto grau de impaciência.
- E então, eu o vi: lindo, corado e desajeitado! – o alfa sorriu feito um bobo e viu o russo revirar os olhos. – Lars Masumi, o patinador, passou até mal quando me viu, acredita nisso?! – perguntou um tanto afogueado.
Yurio enfio o dedo na boca e fingiu passar mal enquanto tirava sarro da cara do outro.
- Não dá pra falar com você! – reclamou ao revirar os olhos e sentir-se a pior das criaturas. - Eu tinha certeza que não me entenderia e estou aqui gastando meu tempo! – rosnou sentindo ainda mais a ardência em suas bochechas, e seu corpo subindo um pouco de temperatura.
O loiro ficou sério com o comentário ácido. Esperou que o suíço se automedicasse com o que o russo sabia ser calmante para alfas, e sem delongas revidou.
- Isso é tudo? – Yurio perguntou ao encará-lo com o semblante fechado. - Você teve seu imprint, e não sei por que está com essa cara! - levantando-se da poltrona, o beta alongou as costas. - Vai me falar o que está te afligindo realmente ou vou ter que deduzir pelo que não me disse e ficou nas entrelinhas? – O tigre russo, como era conhecido, não era bobo, as vezes pescava no ar as coisas, e seu amigo advogado tinha culpa de alguma coisa. Poderia estar equivocado, mas deixar alguém que fora pedir para que o ouvisse no escuro, não era legal. Andando até chegar no sofá de três lugares, sentou-se ao lado do alfa. - Ele tem alguém? É casado? Tem alguma cláusula no contrato que te impede de ir além com ele? Ele te dispensou? Ele morreu? – trágico, mas Yurio era assim.
Christophe virou-se para olhar nos olhos esmeralda.
- Por que você sempre acha que alguém morreu? – Giacometti mediu-o com os olhos muito arregalados. As pupilas dilatadas, delatando seu estado emocional, e o que o imprint poderia fazer, e ter reações diferentes para cada ser por ele afetado.
- Porque vocês, alfas, tem a terrível mania de tornar tudo dramático e drástico quando encontram o amor verdadeiro! - Yurio sustentou o olhar assassino que recebia. - Vocês são tão senhores de si, os dominantes, o topo da cadeia, mas basta achar ou ver o amor refletidos nos olhos de seus pares, que não sabem mais como vão viver! Não sabem mais falar ou agir, afinal, me diz a verdade... como vocês conseguiram chegar no topo da hierarquia? – era uma pergunta plausível, que o beta gostaria muito de obter uma boa resposta, mas sabia que aquilo era irrelevante naquele momento, mas mesmo assim, preferiu esperar para ver se o outro iria dizer alguma coisa.
Chris abriu a boca, mas não conseguiu dizer nada inteligente, entendeu que estava sendo infantil e ridículo. Pela primeira vez em anos, conseguia entender que apenas um sorriso devastador, e seus modos cativantes, não iriam surtir o efeito desejado, e era estranho sentir-se tão desprovido de sua tão falada confiança.
- Chris, você falou com o Masumi? – Plisetsky precisava entender o que, ou o por que o amigo estava sentindo-se tão estranho, e fora de si. Somente o imprint não iria fazer tudo aquilo, ou iria?
O alfa suspirou pesado, não podia chamar de diálogo as merdas que falou e quando a sessão terminou, o irmão/empresário do ômega, praticamente, o arrastou para longe, mas no fundo, sendo sincero, foi o melhor que aconteceu. Balançando a cabeça, tentou deixar para lá as baboseiras que havia feito no outro dia.
- Yurio... Yurio... – Chris mirou o nada. Estava pensativo, e tentando achar as devidas palavras, pois como explicar para o beta o que era óbvio para um alfa? - Eu senti e ele também, talvez conversar não fosse o melhor a acontecer naquele momento, nem pra mim e nem para ele. E eu ainda me pergunto, como ele conseguiu se animar tanto para o final do ensaio fotográfico! – deixou-se levar por suas divagações.
O russo jogou a cabeça para trás e olhou para o teto, estava sem paciência, na verdade nunca teve. Não tinha com Viktor e não tinha com Christophe.
- Chris, me diz o que pretende fazer, pular em cima do pobre coitado e fode-lo até se cansar? - escutou o outro se engasgar e riu. - Você precisa falar com ele, Chris! Conhecê-lo, vencer a barreira que é o irmão, e deixar o seu ômega confortável com você e com sua presença. E não dá pra fazer tudo isso mudo, entendeu? Não dá para você chegar até ele e dizer somente que o ama e levá-lo pra cama, ou sei lá onde você gosta de transar! - voltou a encarar o alfa. – E não, me poupe de seus detalhes sórdidos! O que você gosta de fazer entre quatro paredes ou sei lá o que, é um problema seu! – correu em dizer, pois conhecia muito bem aquele doidivanas. - Você não é um animal, ele também não! – quis deixar isso bem claro para o outro loiro. - Pelo contrário, seu cabeçudo, o ômega em questão é um atleta que venceu em um esporte dominado por alfas arrogantes! Ele se impôs, criou seu espaço e vai por mim, não adianta você fazer juras de amor e chegar com seu pintinho pronto para ação, que não vai colar. - o russo viu o advogado arregalar mais os olhos. - É sério? Você acredita mesmo que seria o primeiro a fazer isso? Você já parou para pensar o que ele não escutou por viver em um mundo totalmente dominado por alfas e vencer deles? - sem esconder a falta de paciência, o loiro se levantou do sofá. - Pegue o contato dele no contrato, e o do irmão também. – parou um tanto pensativo antes de continuar a falar. - Você disse que ele passou mal, não é? – mirou-o com os olhos estreitos feito um felino pronto para o ataque. - Então, ligue, mostre interesse e preocupação! Pergunte como ele está e se está precisando de alguma coisa. - começou a se mover pelo cômodo. - Você me entendeu? – perguntou ao encarar o alfa apático e abobalhado, com um suspiro exasperado, deu-lhe as costas. Não adiantava ficar gastando muita saliva quando o outro parecia estar perdendo a massa pensante que possuía sobre os ombros.
Christophe olhava as costas do moleque loiro, e mais uma vez se perguntou quando ele amadurecera tanto. Era estranho ver aquele garotinho brigão e boca suja sendo tão, ou mais pé no chão que ele e Nikiforov juntos.
- Onde você vai? – o advogado quis saber.
Yurio parou e olhou para o alfa com cara de poucos amigos, mas sorriu no final.
- Vou tomar banho, vou colocar uma roupa legal, e você vai me levar para almoçar em algum lugar bem bacana como convidado! – intimou sem medo de uma reação contrária.
Chris também abriu um sorriso cínico, daqueles que lhe eram tão característicos quando queria azucrinar o loirinho.
- Aaaah! Eu vou, é? – questionou ao arquear uma sobrancelha. - E por que eu faria isso? – gracejou sem medo da resposta contrária.
Yurio havia armado uma armadilha, e regozijando-se por dentro, viu o patinho do alfa cair direto, como havia planejado.
- Se não me fizer esse agrado, ligo agora para o Viktor e conto nosso pequeno segredo. - gargalhou alto. - Quero ver o grande alfa lúpus Viktor Nikiforov, seu chefe por sinal, te castrar ao descobrir onde você quer enfiar o seu brinquedinho! – e para dar maior ênfase ao que dizia, apontou para o baixo ventre do suíço. Sua barriga começou a doer de tanto que ria da cara do advogado.
O bico gigante que o alfa fazia, só aumentava mais à vontade que o russo sentia em rir do pobre. Mas Giacometti tinha de dar créditos ao mais novo, ele soubera articular toda a situação, e até mesmo por isso no fim acabou por acompanha-lo nas gargalhadas.
- Moleque não sei o que faço com você, mas por hora... obrigado por me ouvir e por suas palavras "doces" com a minha pessoa! - levantou-se e fez uma reverência garbosa. - E como prova do meu reconhecimento, me daria a honra de sua companhia em um almoço, hoje? – convidou como se a ideia tivesse partido deste, e não uma imposição como tinha sido anteriormente.
O beta fingiu uma inocência longe de sentir e assentiu com a cabeça, mas não enganava ninguém mais com aquela carinha de anjo.
- Você é um chantagista, mas gosto de você assim mesmo! – Christophe deu-lhe uma piscadela, e com um gesto de mão proferiu. - Agora vai se trocar!
oOoOoOo
Já escurecia quando finalmente ele estava de volta. O domingo estava acabando, mas o médico mesmo cansado, retornara para os braços do loiro. Evitando demonstrar seu entusiasmo, e a saudade que havia sentido, Plisetsky continuou sentado no sofá assistindo um programa qualquer. Quando fora informado pelo porteiro que o doutor Altin estava subindo, Yurio lhe deixara a porta levemente aberta, e voltara para o mesmo local que ficara desde a hora que havia voltado do almoço com o alfa suíço.
Deixando o sorriso de orelha a orelha surgir nos lábios, Yurio quase ronronou ao sentir o toque lento e carinhoso, seguido de um beijo esvoaçante na pele delicada de seu pescoço.
- Seja bem-vindo de volta, doutor! – o beta o saudou tão logo esse se sentou ao seu lado. Deixando-se ser içado para o colo aconchegante do moreno, recebeu o beijo que esse tinha a lhe oferecer, e rendeu-se ao fogo que muito em breve os consumiria.
- Senti sua falta, gatinho! – ronronou próximo do ouvido dele.
- Também senti de você! – Yurio mordiscou o lábio inferior do cazaque em uma muda e descarada provocação. – Cama? – insinuou-se mais para o médico.
- Hmm... tentador, mas que tal um bom e relaxante banho de banheira? – Otabek aproveitou-se para deixar uma marca sob a pele delicada do pescoço dele, regozijando-se com o lânguido gemido com que fora brindado.
- Creio que isso seja muito bom, eu lavo suas costas, você lava a minha... – e sem parar de falar, deslizou o baixo ventre de encontro ao do moreno.
- Fechado! – concordou Altin, colocando-se de pé, e carregando o mais baixo no colo até o banheiro da suíte.
Roupas sendo lançadas para longe, enquanto a banheira ia enchendo com água quente.
oOoOoOo
O cheiro de café inebriava o quarto, que no silêncio permanecia. Um pequeno faixo de luz caprichoso, acabara por cortar a penumbra em que o cômodo se encontrava. Resmungando coisas sem sentido e um tanto frustrado, o russo tentou cobrir a cabeça, ato esse que foi contido por mãos fortes.
- Bom dia, Yura! – desejou o médico ao sapecar-lhe um leve beijo nos lábios. – Sente-se, eu te trouxe o café! – e esperou que o mesmo se ajeitasse para colocar a pequena bandeja com pés sobre o colo do outro.
- Nossa! Bom dia! – murmurou Yuri ao finalmente reparar na bandeja. – Acho que vou querer que você fique aqui comigo para sempre. – gracejou ao roubar-lhe um beijo.
- Hmm, mas só por te trazer o café e te encher de mimos é que você quer que eu fique? – perguntou ao fingir que estava indignado. O olhar sério, quiçá tentado ser um tanto mordaz, mas falhando miseravelmente.
- Não, claro que não! – Yuri falou tão rápido, que quase derruba tudo que estava sobre a bandeja ao tentar se ajeitar melhor, e poder se aproximar do moreno. Segurando as coisas para não virarem, mirou o médico com interesse. – Hmm... você vai tomar café comigo? – perguntou ao notar as roupas que este trajava.
- Posso tomar o café contigo, mas depois, terei que voltar para o hospital! – Otabek mirou o loiro que parecia um tanto chateado.
- Tudo bem, podemos passar muito tempo juntos numa próxima vez, senhor Tigrão! – gracejou Yurio ao sapecar-lhe um rápido beijo na bochecha.
- Ora! Eu pensei que poderia ver meu namorado mais vezes, ou quando assim quisesse! – gracejou ao mirá-lo com carinho. – Eu sei que não o pedi formalmente, mas creio que você percebeu que não quero algo sem compromisso... – parou de falar ao ter os lábios selados por novo beijo.
- Eu aceito, seu bocó! – Yurio respondeu mesmo não tendo sido perguntado. – E eu quero mimar e ser muito mais mimado por meu tigrão! – riu-se ao reparar em como era mirado.
- Tigrão... por que será que toda vez que você me diz isso, eu só consigo lembrar daquele personagem do filme do Pooh? – gracejou, e mirou o loiro com o semblante fechado, mas para logo sorrir divertido. Era bom ter com quem compartilhar momentos, e o médico sentia falta desse tipo de acontecimentos em sua vida um tanto regrada.
- É, talvez eu deva concordar contigo! – Yurio comentou pensativo ao bebericar de sua xícara de café. – Urso, isso urso combina melhor com você... meu urso sério! – e riu divertido, sendo acompanhado por tão sério homem, que se deixava soltar na presença do loiro.
Após um tempo, Otabek e Yurio se despediram na garagem do edifício que o beta mais novo morava. Seguindo cada qual em seu carro até uma parte do caminho, separando-se em seguida, para seus deveres daquele dia, mas com uma promessa de se falarem após o expediente.
oOoOoOo
Acordar nunca fora uma tarefa tão difícil e até mesmo árdua. Quando o alarme do eletrônico do loiro advogado soou, por instinto ele até pensou em desligar aquele aparelho dos infernos, mas como bom profissional que era, sabia que aquele dia prometia, e não podia mesmo deixar passar um minuto que fosse.
Em pouco tempo, mesmo com o corpo protestando, Chris se encontrava na cozinha de seu apartamento, observando o dia claro lá fora. O terno escuro e impecável, os sapatos lustrosos, o olhar perdido com seus pensamentos apenas em uma pessoa. Giacometti sabia que deveria se concentrar naquilo que era necessário fazer, mas como se esquecer daquela beldade que deslizava sobre finas lâminas sobre o gelo, voando em saltos mirabolantes, e precisos com tamanha graça e... sensualidade?
Balançando a cabeça para tentar se ver livre daqueles pensamentos nada castos, tentou se concentrar no que de fato deveria. Havia feito uma lista de tudo o que precisava fazer, mas a priori, teria de seguir para o trabalho, onde aproveitaria para pegar os contatos dos irmãos Gautier. Havia se policiado para não seguir até a empresa no domingo mesmo, pois não queria parecer indelicado, e ligar em um dia de folga para eles. Também precisava ligar para Seung para lhe informar o que Viktor havia lhe solicitado, e lhe enviar toda a documentação necessária para que o sul-coreano o ajudasse a pensar se eles irão chamar o advogado conhecido que era especialista em criminalista. Christophe sentia que mexer com aquele sujeito poderia ser o mesmo que mexer com algo podre. Além disso, precisariam falar com Viktor a esse respeito, e o loiro sabia que não poderiam demorar muito. E o que preocupava mais, era onde estava aquele ser que se dizia o marido do destinado de seu melhor amigo.
Mirando as horas na tela de cristal líquido de seu celular, Chris arregalou os olhos. Desligando tudo, e pegando o que iria precisar, correu para fora de seu apartamento, conseguindo se impacientar com a demora do elevador!
Em pouco tempo estava entrando em sua sala, e antes de se trancar, pediu para sua secretária buscar nos arquivos, o telefone de contato de Gautier, bem como só passar ligações de Viktor e de Seung apenas.
Sentando atrás de sua mesa, abriu o note particular ao lado do aparelho da firma, e começou a buscar pelo número telefônico de uma floricultura das redondezas.
Batidas na porta chamaram sua atenção, e a senhora Shibuya adentrou. Chris adorava aquela beta, que mais parecia uma mãezona para ele, do que sua secretária. Assim sendo, a recebeu com um sorriso genuíno.
- Aqui está o que solicitou, bosu (chefe)! – Shibuya Minato sorriu ao lhe entregar a pasta. – Precisa de mais alguma coisa? – perguntou sendo solicita.
- Eu acho que... – Chris parou de falar, ao massagear as têmporas com avidez. – Por favor, há sim algo que preciso que me ajude! – mirou-a com um olhar decidido. – Preciso que envie um buquê ou arranjo para essa pessoa. Eu creio que ele ainda se encontra hospedado neste local. – e entregou a senhora a sua frente um pedaço de papel com os dados que a ela seriam necessários. – Confio em seu bom gosto... Lars não estava bem, e eu... – parou de falar, pois percebera sua grande indiscrição.
Com um sorriso matreiro, a velha secretária saiu da sala já imaginando o que escolher, apenas pelos gestos e como seu chefe estava se comportando estranhamente.
- Minato-san, por favor, não vá exagerar! – Chris grunhiu alto para que a mesma lhe escutasse.
- Pode deixar, bosu! Irei escolher lindas flores, visto que você não deve saber o gosto de seu pretendente, digo senhor Gautier! – gracejou e antes de fechar a porta. – Eu imagino que vá querer colocar algo no cartão? Ou vai deixar por minha conta? – perguntou ao sustentar as íris verdes brilhantes.
- E deixar que, o que? – Chris grunhiu mais uma vez. – Não, não! Dessa vez, já coloquei o que quero no bilhete que te passei! – e sorriu, um sorriso vitorioso. Escutando o riso divertido da beta, acabou por ser contagiado. Minato o conhecia muito bem, e apesar do pouco tempo de convívio, ele não a trocaria por nada desse mundo. Podia confiar em sua lealdade até de olhos fechados.
Adicionando os números que precisaria em seu eletrônico, Giacometti por fim, acionou pelo celular uma chamada de vídeo conferencia, esperando que seu parceiro de advocacia o contestasse. Demorou um pouco para o mesmo surgir na tela, mas o loiro pode notar as olheiras do alfa moreno, e claro que imaginara que algo talvez não estivesse bem.
- Bom dia, Christophe! – Lee o saudou ao coçar o queixo, e em seguida levar aos lábios uma xícara de tamanho razoável com algo fumegante, que o loiro imaginou ser café.
- Bom dia, Seung! Te chamei em um mal momento? – perguntou o suíço.
- Não, não, está tudo bem! E se você me chamou, é por que aconteceu alguma coisa, certo? – Lee ponderou ao assumir seu ar fechado. Ele não era de falar muito, e quando se referia a sua família, ele se fechava mais ainda.
- Mais ou menos! – Chris começou pensativo. Ele tinha muita coisa para passar para o outro alfa, e até mesmo por isso, se ajeitou melhor na cadeira. Apoiando o celular em um suporte, transferiu a chamada para seu note. Ajeitando o pequeno, mas potente headset, contou de uma vez o que
Viktor havia lhe dito, e quase todo o teor da conversa que havia tido no sábado pela manhã.
- Precisamos ter uma cópia desse documento, Chris, mas creio que seja interessante, e é de suma urgência que o processo seja mesmo suspenso! – Lee comentou ao mirar seus documentos, e reler o último setor das licenças, e atualizações de documentos da prefeitura de Tóquio. – Isso explica muita coisa, Christophe! E como você mesmo insinuou, sei que não temos provas, mas talvez esse Shimizu realmente não seja alguém correto! – ponderou Lee ao voltar seu olhar para a porta do quarto onde seu companheiro, e a filha deles se encontravam ainda adormecidos.
Ao perceber o movimento do moreno, o suíço resolveu perguntar mais uma vez.
- Seung, está acontecendo alguma coisa? Se precisar, sabe que pode contar conosco! – Chris tentou passar para o amigo, uma tranquilidade que estava longe de possuir naquele momento, e claro que o astuto sul-coreano iria perceber.
- Coisas corriqueiras, Chris, algo que você um dia entenderá quando tiver um ômega grávido e um filhote! – Lee sorriu de lado, um meio sorriso até mesmo indecifrável para o suíço. – Mas você também não parece muito bem, não é? – cutucou o moreno ao sustentar o olhar surpreso do loiro.
- Noites mal dormidas – rosnou Christophe ao revirar os olhos -, mas isso não vem ao caso, meu amigo! – fez uma pausa para reordenar seus pensamentos, enquanto o sul coreano sorria ironicamente. – O que realmente nos importa, é que vamos realmente precisar de ajuda, pois creio que nem você ou eu, tenhamos acesso aos documentos que precisaremos.
- Sim, isso é verdade! – concordou Lee um tanto preocupado. – Creio que talvez tenhamos mesmo de procurar com urgência por um detetive particular, nosso problema é onde encontrar um que seja o máximo discreto. – o alfa moreno tornou a olhar para trás, para a porta no final do corredor, o chorinho irritado podia ser ouvido, juntamente com a voz calma e o delicioso aroma dos feromônios de seu homem.
- Como ela está? – Chris perguntou tomando o devido cuidado de não dizer nada que pudesse comprometer a todos se alguém entrasse sem ser anunciado.
- Está bem, cada dia mais esperta, mas tem seus momentos de fazer birra... – Lee respondeu. – E sim, ela já aprendeu muitas coisas!
- Fico feliz que nossa estrelinha esteja bem! – o alfa suíço mirou as horas no digital do relógio do note, e arregalando os olhos, começou a ajeitar seus papéis em sua valise de mão. – Lee, vou ter de seguir para a prefeitura, assim que eu voltar, se necessário for, entro em contato.
- Ok! Boa sorte, e Chris – chamou antes da ligação ser encerrada -, cuidado com o que irá fazer, não se esqueça de seus supressores, e não ignore por muito tempo seu imprint!
- Como você... – o loiro não saberia dizer como seu amigo havia descoberto o que estava escondendo até aquele momento.
Sem nada dizer, o moreno cortou a chamada, deixando o amigo sem conseguir entender mais nada.
"É Christophe Giacometti, talvez você esteja dando muito na cara!" – pensou antes de finalmente sair do local em que estava, para voltar junto aos seus.
oOoOoOo
Sentado em uma das mesas mais afastadas da entrada principal, o alfa suíço, a todo instante voltava suas íris esverdeadas na direção das portas envidraçadas, havia se adiantado um pouco, e agora o tão centrado advogado estava angustiado, não por medo de tomar o fora, mas pelo fato de que o guarda costas, irmão super protetor do outro suíço, teimasse em vir junto com o castanho, como havia cogitado e teimado praticamente a tarde inteira.
Balançando a cabeça, o alfa tentou afastar aquelas recordações de horas atrás, mas sem querer fixou-se em outra situação, apenas por receber uma nova mensagem em seu eletrônico. Sabia de onde e de quem partira aquela missiva, e até mesmo por isso, não teve como deixar de recordar dos acontecimentos de quando voltara da prefeitura.
oOo
Não fora difícil recorrer ao departamento responsável na Prefeitura de Tóquio, para que o processo fosse cancelado. Chris demorara um pouco mais, pois teve de justificar os motivos pelo arquivamento do caso, mas também não conseguira nenhuma informação com respeito ao casamento que nunca existiu no papel, segundo as informações passadas pelo amigo platinado.
Após ter deixado o prédio, o loiro voltara para seu escritório na empresa. Sabendo por Minato, que Lars havia recebido seu presente. Com um sorriso bobo, Giacometti jogou-se sobre a cadeira confortável, e antes de ligar para o patinador, achou melhor enviar uma mensagem para Viktor e Lee, informando que tudo havia corrido perfeitamente bem. O amigo advogado, logo lhe enviou uma resposta, mas o lúpus, não dera sinal de vida. Não era do feitio do russo, mas Chris estava disposto a relatar os fatos, pois o mesmo parecia bem mais perdido que ele próprio. Quando pudesse, Viktor lhe retornaria.
Em seguida, Chris ligara para o telefone de Gunnar, irmão mais velho do patinador, e este não demorara a entender o que o conterrâneo queria com seu irmão. Fora um pequeno dilema conseguir por fim falar com quem ele realmente queria, mas valera a pena, e o melhor de tudo, era que havia conseguido marcar um encontro para aquela mesma noite.
oOoOoOo
E como valera a pena! Se tudo não tivesse dado certo, Giacometti não estaria sentado em uma mesa reservada no melhor restaurante da cidade, apenas aguardando Gautier chegar para o primeiro encontro deles.
"Primeiro encontro!" – pensou Chris ao ajeitar pela enésima vez a gravata que estava usando. Não tivera muito tempo para fazer escolhas, ou mesmo algo apropriado, mas também sabia que deveria manter uma linha para suas vestimentas devido não só ao encontro, mas também pelo local escolhido.
Mexendo mais uma vez na gravata, pois sentia-se incomodado, ao piscar os olhos, parou o que fazia apenas para admirar o homem esbelto que vinha em sua direção. O andar lembrando o de um felino, e Christophe o devorava com os olhos. Ficando em pé, o loiro recebeu o castanho. Íris verdes perdidas em idênticas em cor e brilho.
- Desculpe o atraso! – Lars Masumi Gautier começou a se desculpar, mas se calou ao ter sua mão direita tomada pelo loiro, que a levou até os lábios, depositando em seu dorso um beijo esvoaçante.
- Não, não... – Chris o atalhou. – Não se desculpe! – pediu ao ajudá-lo a se sentar, voltando logo em seguida para o outro lado da mesa. – Posso entender plenamente se aconteceu algo, algum inconveniente para que chegasse aqui com atraso. – ponderou ao imaginar o que poderia ter acontecido, e sorriu complacente ao notar o leve rubor que surgia nas maçãs do rosto do ômega.
- Não foi nada demais – Lars começou um tanto incerto -, o importante é que consegui chegar aqui! – e baixando um tanto os olhos, não deixou de sustentar as íris brilhantes que o fitavam com interesse. – Prefiro não tocar nesse assunto, mesmo por que, dessa forma é melhor! – e com um leve sorriso a lhe iluminar a face, continuou. – Gostaria de agradecer pelas lindas flores que me enviou! – o rosto ganhando um avermelhado maior, intenso que deixava mais as íris esverdeadas em evidência. – Sei que já o fiz por telefone, mas nada como fazê-lo novamente, não? – sorriu mais ao recordar do belo buquê com flores do campo. – Foi de muito bom gosto, e eu simplesmente amei! – o patinador deixou escapar. Se até aquele momento estava tentando não ser tão óbvio, havia deixado tudo ir por terra. Bem, mas que mal haveria? Eles já sabiam que algo muito especial havia lhes acontecido, e de nada valeria negar alguma coisa.
Christophe sentiu seu peito inchar. Queria mesmo agradar ao ômega, e sentia-se muito satisfeito por ter conseguido isso, mesmo que para fazer isso, tivesse de ter recorrido a ajuda de sua queria braço direito e secretária. Precisava lembrar-se de comprar um mimo para a mesma, como forma de agradecimento.
- Como dito antes, creio que você merecia, e merece um regalo por tudo o que fez, mesmo não estando em um de seus melhores dias! E também não posso esquecer que foi um desejo que logo se restabeleça. - fez uma leve pausa apenas para apreciar o rosto bonito de seu conterrâneo. - Tenha sempre em mente, que sua saúde vem em primeiro lugar! – o advogado completou, um tanto pensativo e até mesmo levemente preocupado. Sentimentos conflitantes, e uma gama de emoções parecia que o sufocaria a qualquer momento. Christophe nunca havia se sentido acuado, e até mesmo ansioso como estava, e esperava não atrapalhar o desenrolar daquela noite.
- Agradeço sua preocupação, e gentileza! – Lars murmurou ao sentir mais seu rosto arder. Ele tinha plena consciência de que estava daquele jeito devido ao imprint, e não apenas por sentir-se envergonhado. – Geralmente, não posso me deixar abater por coisas corriqueiras. – e ao reparar que o advogado o mirava com interesse, prosseguiu para se fazer entender. – O que eu quero dizer, é que já patinei com febre, treinei com gripe forte, e até mesmo com pequenos entorses!
- Mas como seu técnico permite isso? – Chris estava genuinamente preocupado. Havia feito uma breve pesquisa naquela noite mal dormida, e entendia que para um medalhista Olímpico, entre outras premiações, Lars havia se arriscado inúmeras vezes, ou não, talvez fosse apenas o fato do suíço loiro querer protege-lo, mesmo ainda não sendo seu companheiro.
- Desde que eu me sinta confortável, e que não aja perigo, meu técnico não vê problemas! – o castanho fez uma leve pausa para desviar os olhos dos do alfa a sua frente, e assim prosseguir. Iria entrar em um terreno que por vezes evitava, mas que não hesitava em entrar quando necessário, mas conteve-se a tempo com a chegada do garçom, que se dirigindo única e exclusivamente ao outro homem, não lhe deu a devida atenção.
- Já sabem o que vão escolher, senhor? – o baixinho atarracado questionou, fixando-se apenas no advogado.
- Acho que... – Chris ponderou, e com um sorriso decidido, solicitou. – Como entrada: camarões, e de acompanhamento um bom espumante Brut, o de melhor de sua carta e... – o alfa estacou ao escutar a leve tossida que o ômega dera. Havia entendido que este lhe chamava a atenção.
- Pardon (Perdão)! – a voz grave e acentuada de Lars Masumi, vinha acompanhada do leve olor um tanto molesto de seus feromônios. O jovem patinador desviou o olhar de seu acompanhante mirando o homem parado ao lado da mesa. – Sou alérgico a frutos do mar, e não como camarões, prefiro algo leve, como uma salada – e olhando para o menu, sorriu satisfeito -, pode ser Harussame e eu gostaria de um Sauvignon Blanc para acompanhar! – ao terminar de falar sustentou o olhar de ambos homens, e sem pestanejar, fixou-se apenas no alfa sentado do outro lado da mesa.
Nesse momento, talvez até antes, Christophe recordou-se do que o jovem beta havia lhe dito, e ali estava a prova, o ômega, seu ômega não se deixaria conduzir, mesmo que isso fosse ser solicito, cavalheirismo, ou apenas um ato de ser cortês.
- E o senhor? – a voz levemente modulada, retirou o advogado de seus pensamentos.
- Por favor, gostaria de experimentar o mesmo que ele escolheu! – solicitou. – E o prato principal, pediremos depois! – e com um olhar sério, esperou até que o homem vestido impecavelmente se fosse, para poder se dirigir ao castanho. – Mil desculpas por minha falta de tato, eu achei que seria cortês e até mesmo galanteador de minha parte escolher por você! Pardon, Cher!
Mirando-o por entre os cílios, Gautier conteve sua vontade de se impor, todavia quando começou a falar não conseguiu esconder que estava descontente.
- Você talvez esteja acostumado com ômegas que lhe sejam submissos, e se procurar isso em mim, então talvez fosse melhor pararmos por aqui! – o castanho mirou-o agora com maior intensidade. – Eu não procuro por companheiros que queiram a todo momento ditar o que devo ou não fazer, vestir, ou até mesmo comer e como me comportar em um rinque de patinação! – a voz baixa mas marcante, prendendo a atenção de Giacometti. – Monsieur, eu não batalhei para chegar onde eu queria, em um local dominado por alfas escrotos, para meu destinado me ter como um ômega sem voz, sem escolhas! – as íris esverdeadas ganhavam uma linda coloração azulada ante o fervor do momento. – Tenho de dar um pequeno desconto, pois você não me conhece, mas talvez em um próximo encontro, estejas mais preparado! – erguendo um tanto o queixo, o patinador aguardou por uma resposta do loiro.
Christophe havia metido a pata, e dessa vez tinha sido muito grave, claro, não que não tivesse uma solução, mas ele fora alertado, e detestava saber da pior forma possível, que seu querido ômega já havia passado por poucas e boas. No entanto, algo estalou em sua cabeça, a palavra destinado brilhou entre todas as outras proferidas, e ali estava sua salvação. Isso se soubesse reverter o que havia feito.
- Lars, desculpe se minha intenção de agradá-lo lhe remeteu a algo tão desgastante, e que te acabou por chatear! – Chris mirava o patinador com um leve rubor nas bochechas. – Nada justifica o que eu fiz, eu deveria tê-lo ouvido, perguntado o que gostaria... bem é uma falta, que eu pretendo não mais cometer com meu destinado! – e ao notar que o ômega parecia se acalmar um tanto, prosseguiu ao roçar levemente seus dedos nos do ômega, esperando não ser rechaçado. – Tentarei sempre o meu melhor, e estarei sempre aberto para você me chamar a atenção quando fizer algo que não lhe agrade. – e ao notar que o homem à sua frente, se agarrava a sua mão, deixou que um sorriso singelo, quiçá levemente sedutor, fosse destinado ao castanho.
- Aceito suas desculpas, monsieur Giacometti, mas evite meter a pata! – gracejou Lars, fazendo assim com que o clima tenso fosse sendo amainado. – Peço desculpas também, por meu rompante! Descontar em você a pilha de nervos que Gunnar me deixou, não foi nada legal.
- Não tem necessidade, cher! – Chris murmurou ao acarinhar lentamente a mão que tinha entre as suas. – Seu irmão só quer o seu bem, entendo seu ponto de vista, e também entendo o dele, mas juro que há momentos que eu me questiono como nós alfas estamos há anos no topo da cadeia e das castas! Mas... c'est la vie, non? (é a vida, não?) – e sorriu, sendo acompanhado pelo castanho. – Estou desculpado? – perguntou mais uma vez, apenas para ter a certeza, e dirigir-lhe um olhar brilhante e pidão, como se fosse um filhotinho a ser adotado.
Ali estava a perdição de Lars... Aquele olhar teria o poder de estilhaçar o coração mais frio e congelado da face da terra, e o ômega desejou que esse mesmo olhar, só fosse a ele destinado.
- Oui, cher, está desculpado, mas – fez uma pausa -, que fique claro, monsieur que se meter a pata novamente, dormiras na casinha do cachorro! – gracejou o patinador, adorando poder ser ele mesmo.
- Hmm... nunca! – Chris sorriu matreiro. – Talvez, quem sabe, na cama do gato... – e riu de si mesmo, ao se imaginar dormindo com Snow, seu gato Angorá branco de lindos olhos âmbar. Ao notar que era observado com certo interesse, resolveu comentar qual o motivo de tanto riso. – Eu tenho um gato Angorá, o Snow está comigo já bem uns quatro anos, o ganhei de presente, e bem, se fosse ter de dormir...
- Seria com ele! – Lars completou e também riu divertido ao imaginar a situação, sendo acompanhado pelo loiro.
Calaram-se um pouco com a chegada dos pedidos. Após ficarem novamente sozinhos, engataram em uma conversa esclarecedora, e de reconhecimento. Falaram de patinação, e até mesmo de como Christophe resolvera seguir uma carreira totalmente inversa a que seu pai, um exímio empresário tinha, e queria que seu único filho assumisse.
- Sou o caçula de três irmãos! – Lars comentou. Ele nunca havia baixado a guarda como fazia naquele exato momento, mas sentia-se confortável para tanto. Ele gostava de agir como a mãe japonesa, que guardava debaixo de sete chaves os detalhes que poderiam chegar até sua família, ou alguma informação que não competia cair na boca pequena da imprensa.
- Achei que fossem somente você e Gunnar! – Chris sorveu um gole de sua taça, e o mirou com interesse.
- Não... – sorriu radiante. – Gunnar e Lori são gêmeos bivitelinos – e para fazer jus ao que dizia, mostrou a foto dos irmãos mais velhos, onde a distinção era clara a começar pela cor de cabelos, que da jovem era ébano com a pele bem clara, e Gunnar com os cabelos castanhos e pele levemente mais escura. – São alfas, e enquanto Gun é meu manager, Lori é estilista, casada com uma ômega francesa, e estão esperando seu primeiro rebento.
- Sempre quis ter mais irmãos! – Chris deixou escapar. – Sempre, até que ganhei na loteria ao conhecer Viktor e Yuri. Estes são meus irmãos do coração, com quem eu posso contar sempre! – e deu-lhe uma piscadela.
- Supõem-se que sejamos destinados... – Lars murmurou ao mirá-lo de soslaio.
- Oui... você também sentiu, non? – perguntou o alfa referindo-se ao imprint, e pelo simples fato de tocar nesse assunto, farejando melhor o ar, agradeceu aos céus por ter solicitado sua reserva de uma mesa mais afastada. Ambos os feromônios se buscavam inconscientemente. Castanheira mesclando perfeitamente com o aroma das deliciosas flores das encostas dos alpes, as Edelweiss. Mirando o patinador com maior interesse, não precisou de resposta verbal, pois aquilo em si já era uma boa demonstração do que realmente seriam um para o outro.
- Vamos pedir o prato principal? – Guatier mordiscou o lábio inferior. Queria tirar a atenção daquilo que estava óbvio para eles. Uma corrente elétrica parecia percorrer por todo o seu corpo. Mordiscando mais uma vez o lábio inferior, sentiu seu ômega agitar-se, desejando outra coisa. Almejando ser aceito pelo alfa a sua frente.
- Eu não gostaria de ir embora ainda! – Chris resolveu ser sincero. E ambos sabiam que ao término daquele jantar, estariam fadados a terem de ir para casa.
- Eu também não, Christophe! Me sinto bem em sua presença... – Lars não pode terminar sua fala, pois um cheiro forte a mirra lhe invadiu as narinas, e uma presença fatigante se fez presente. Ele conhecia aquela sensação de mal estar.
- Eu sabia que havia reconhecido esse delicioso e precioso perfume! – a voz com sotaque espanhol carregado quebrara o encanto em que o casal se encontrava.
- Alban, achei que você estivesse em lua de mel! – Lars mirou-o com certo nojo. Na realidade, ele detestava aquele alfa mirrado que se achava o máximo, e de talento medíocre se comparado com muitos outros patinadores.
- Incompatibilidade de gênios, querido! – Alfonso Alban, um alfa moreno e sem atrativo algum, fincou seus olhos no ômega, desfazendo veemente de quem o acompanhava. – Sinto que talvez meu destino seja mesmo você! – galanteou ao liberar mais de seus feromônios.
- Alban, já lhe disse mais de uma vez, eu não estou interessado! – defendeu-se o castanho.
- Balela! – retrucou o alfa ao mover as mãos para completar o que dizia. – Sabe muito bem que posso te satisfazer melhor que qualquer um! – gabou-se.
- Não é o momento e nem você é meu destinado! – rosnou Lars.
- Puff... destinados, destino! Nós é quem fazemos nosso destino! – tentou argumentar o alfa moreno, que por fim notara o loiro do outro lado da mesa. – E quem é esse aí? – questionou fazendo pouco.
Christophe se controlou para não dar um show maior do que aquele patinador moreno estava dando. Sentia ganas de o virar no avesso, e fazer engolir cada palavra dita, mas não seria sensato.
- Não percebeu que não está agradando? – o loiro por fim questionou, saindo de seu mutismo. Os dentes muito brancos a mostra, como se estivesse pronto para voar no pescoço daquele prepotente.
- Não se intrometa, Lars e eu temos um affair de longa data! – e mirando o ômega que almejava, prosseguiu visto que este se encontrava em choque. – Podemos fazer um contrato! Pelo seu doce cheiro, sinto que logo estará no cio, e podemos resolver no papel coisas tais como: quem ficará com nosso filhote, e se tiver de acordo, se for um alfa tão puro quanto eu, ficará comigo! – sorriu sem escrúpulos nenhum. – Não almejo cometer o mesmo erro e casar novamente, mas quero um descendente a minha altura, e quem melhor para gerar o meu filho, não? – e se aproximou com ar de sedutor um pouco mais do suíço patinador.
Piscando várias vezes, Gautier saiu de seu estado de letargia, mas foi contido pelo agarre forte em sua mão. Quando foi que Giacometti havia se levantado, e dado a volta tão rápido pelo lado contrário da mesa? Bem, isso não importava, o que importava de fato, é que ele estava ali, o ajudando a levantar, e segurando-lhe fortemente a mão.
Ao ver os dois homens a sua frente em pé, o alfa espanhol precisava levantar a cabeça para encará-los diretamente nos olhos, tamanho a diferença de alturas.
- Vamos, cher! O ar aqui ficou muito carregado e inapropriado. – Chris rosnou ao encarar ao espanhol.
- Ei! Eu estou falando com meu pretendente, quem você pensa que é? – Alfonso questionou ao segurar nas vestes do loiro alto.
Fora um erro!
- Tire suas mãos de mim! – ordenou Christophe usando sua voz de mando, e protegendo o ômega com o seu próprio corpo. – Na falta de seu manager, eu respondo por meu cliente, sou advogado de Gautier, e se não se afastar dele, serei obrigado a mover uma ação contra o senhor por assédio moral!
- Ora, mas isso quem tem de dizer se fará é ele e não você! – cuspiu de volta Alfonso, que mesmo sentindo-se acuado, tentou apelar para o que achava ser seu charme, o qual nunca teve.
- Preste atenção, Alban, pois direi apenas mais uma vez! Não irei acordar nada contigo, também não sou parideira para que me use e fique com os frutos! Não sou como os ômegas que conheceu e que leva para cama, e muito menos um dos seus! Entenda de uma vez, e me deixe em paz, ou meu advogado terá carta branca para fazer o que disse! – Lars roncou enraivecido. – Vamos, Chris! Não aguento mais esse fedor! É mirra, não é? – e ao ver o mais alto de todos concordar, balançou a cabeça tentando livrar-se daquele olor.
- Fedor? – rosnou o outro patinador. – Não foi bem isso que você disse naquela noite! – estreitou os olhos ao notar que havia conseguido seu intento.
Soltando-se do agarre de Christophe, o ômega cresceu a frente daquele pequeno projeto de alfa.
- Nunca estive com você, e tenho provas, você não é nada para mim, e se o futuro da Terra dependesse única e exclusivamente de eu me acasalar com você, a espécie nunca continuaria e seria extinta, pois nem em seus sonhos mais loucos eu me deito contigo! Entendeu, cochon? – Masumi cruzou os braços a frente do corpo, e sustentou-lhe o olhar, enquanto o loiro as suas costas ria debochado.
- Não pode, isso é brincadeira sua! Você até está me dando um apelido que deve ser muito carinhoso! – contestou Alfonso.
- Oui, é mesmo uma brincadeira... – riu escrachado. – Mas pena que esteja totalmente enganado, eu te chamei de porco! – Lars riu maldoso, e dando lhe as costas, se sobressaltou ao sentir Chris o empurrar. Ao voltar-se para saber o que estava acontecendo, deparou-se com a cena do loiro, contento o espanhol com eximia facilidade.
oOoOoOo
- Desculpe pelo ocorrido! – Lars murmurou ao se acomodar no banco do passageiro do carro do loiro.
- Shhh... não precisa fazer isso! – pediu Chris ao mirá-lo de soslaio. – Por conta disso, ele vai responder por várias coisas, e tenho certeza que Lee irá adorar acabar com ele nos tribunais! – ao notar que o castanho lhe mirava surpreso, continuou. – Sim, terá de ser Seung-Gil Lee a te representar, pois seria antiético seu destinado assumir o seu caso!
- Entendo! – Lars respondeu. Ao sentir os feromônios de seu alfa mais forte dentro do carro, gemeu baixinho sentindo sua pele afoguear mais e mais.
- Lars, cher... você não está tomando seus inibidores de ciclo? – Chris fez a pergunta que não queria calar.
- Não posso! – respondeu puxando o ar. – São ordens médicas! – respondeu ao começar a arfar. – Muito tempo sem deixar um heat acontecer, eu posso ter complicações, e... – parou ao sentir uma fisgada a lhe percorrer toda a coluna. Um gemido dolorido escapando-lhe pelos lábios entreabertos. - Começou a doer! – se alarmou o patinador. – Me leva para o hotel, por favor! – pediu em um fio de voz enquanto ainda era senhor de si, e dono de sua consciência.
Sem nada dizer, o advogado saiu cantando pneus. Precisava aguentar e não se deixar influenciar pelo delicioso aroma que seu destinado estava liberando. Em um dos muitos semáforos, parou aguardando o sinal abrir, e aproveitou para tomar um calmante para alfas. Algo que só o acalmasse, e que eles conseguissem chegar a salvos no hotel.
Quando finalmente eles chegaram, Chris ajudou o castanho a entrar com dignidade e passar pela recepção. Ao entrar no elevador, e constatar que estavam sozinhos, o alçou em seus braços, carregando o ômega, e deixando que o mesmo enterrasse o rosto próximo a sua glândula de cheiro.
A tentação parecia bater as portas do alfa, o fazendo imaginar muitas coisas inapropriadas. E tentação deveria ser uma palavra inexistente no dicionário do alfa. Os andares pareciam passar lentamente, e cada vez que as portas se abriam, ele suspirava satisfeito por ver as pessoas que queriam embarcar, não entrarem, respeitando o momento complicado que os dois estavam vivendo.
Realmente, se Giacometti não tivesse se medicado, talvez a situação estaria sendo totalmente diferente.
Quando finalmente se aproximaram do quarto do patinador, com muito custo o loiro conseguiu o cartão de acesso para as dependências utilizadas pelo mesmo. Tudo ia bem, até que...
- Masumi, você voltou mais cedo... - o outro alfa suíço parou de falar ao aparecer pela porta de comunicação dos quartos, e os pegar naquela situação adversa. Ao ver seu precioso irmão nos braços do advogado alfa, sentiu o sangue ferver. – O que aconteceu? O que foi que você fez? – rosnou ao se aproximar tentando tirar o castanho dos braços daquele homem que julgava ser o causador de tudo.
- Você não conseguirá soltá-lo de meus braços fazendo isso! – Chris respirou rápido e torcendo o nariz ao sentir o cheiro dos feromônios do outro homem ali com eles.
- Gunnar, que horrível... – choramingou Lars, ao mal se mover no colo do loiro, e tornar a afundar o rosto no mesmo local que até então estivera. A dor sentida devido ao heat, o fazendo gemer mais alto.
- Giacometti, me dê meu irmão! – comandou o alfa mais baixo. – Vamos pequeno, solte-o! – pediu ao se aproximar lentamente, mas parando ao escutar o rosnado involuntário partindo tanto do ômega quanto do alfa loiro. – Masumi, vamos você precisa de seus medicamentos e deixar esse senhor ir embora para que eu possa te ajudar com seu ciclo de calor, você sabe que esse ciclo...
- Sim, eu sei! – Lars o interrompeu ao mirá-lo fixa e diretamente nos olhos.
Gunnar não era bobo, já havia visto aquele tom azulado uma vez, mas não tão matizado com o verde característico das íris de seu irmão, como via agora.
- Se sabe, deixe-me ajudar, o monsieur Giacometti precisa ir embora e...
- Não! – rosnou Lars, tornando a olhar para o irmão. – Você sabe o que ele significa para mim, e sabe também que não suporto os seus feromônios, Gunnar! Não, não mais! – gemendo mais alto o ômega sentiu seu corpo estremecer.
- Sim, eu sempre soube que meus feromônios te deixam enjoado, mas é o que você tem pra hoje, mocinho! – o Gautier mais velho rosnou. – Tudo que faço é para o seu bem, e você sabe muito bem sobre o que me refiro. Você não merece sofrer novamente e eu não vou aguentar isso calado! Independente do que sejam um para o outro, você pode estar enga...
- Não ouse terminar essa frase! – ordenou Lars ao arreganhar os dentes para o irmão. Estava começando a perder a consciência, e se aquilo ocorresse, tudo se tornaria mais complicado.
- Gunnar, agora não é um momento para ficarmos discutindo sobre esses assuntos! – Christophe se pronunciou. – Seu irmão está quase perdendo a consciência, e eu não sei até quando ficarei sob os efeitos do calmante que ingeri! – um tanto pensativo, o advogado tomou sua decisão. – Se isso te deixa mais tranquilo, deixarei seu irmão em segurança, e irei embor...
- Não! – Lars se aferrou mais como podia ao corpo do loiro.
- Você tinha escolhido passar seu ciclo de calor sozinho, Lars, não banque o mimado! – rosnou Gunnar perdendo a paciência. Em sua cabeça, ele não poderia abandonar o irmão. Havia jurado aos pais, mais ao pai alfa, afastar de Lars os interesseiros, e não estava preparado para aquilo.
- Eu mudei, eu posso mudar de ideia! – o ômega respondeu irritado. – Deixe-me seguir minha vida, Christophe não é um pé rapado, não é um qualquer que só quer me usar como escada para o próprio sucesso. Ele é um profissional e um verdadeiro gentleman! E se de fato quisesse me fazer qualquer coisa, teria feito e nem me trazido para cá, para debaixo de suas asas protetoras! Ele não me fez n-nada... – gemeu mais uma vez. O corpo todo tremendo.
- Preste atenção, meu irmão, olhe o que está dizendo...
- Estou dizendo que encontrei meu destinado! Você sabe que tive meu imprint, e se algo tiver de acontecer, será com ele, com ele, Gunnar! – rosnou o castanho ao enfrentar o irmão. – Eu não te quero por perto, eu preciso deste alfa... – as lágrimas de dor e desejo começaram a deslizar pelas maçãs do rosto bonito. – Pr-Preciso só dele!
Cabisbaixo, e antes de deixá-los, Gunnar estreitou os olhos, fuzilando o suíço loiro.
- Não o faço sofrer, Giacometti! Não o faça sofrer, ou eu vou até o inferno pra te caçar! – ameaçou para logo os deixar, fechando a porta de comunicação.
Com um suspiro resignado, o loiro caminhou na direção que considerou ser o quarto, e estava certo. Parando ao lado da cama enorme, murmurou:
- Mon cher, preciso que me solte! – Chris pediu.
- Não! Eu não quero ficar sozinho! – Lars mirou-o com os olhos cristalizados de lágrimas. Detestava quando se sentia assim, mas era o que o heat lhe causava. – Passa comigo... – usando sua voz de ômega, mirou com ainda um pingo de lucidez ao outro, e mau conseguindo completar a frase toda.
- Não tinha de ser assim, mon ange (meu anjo)! – acariciando o rosto do castanho, continuou. - Eu não quero que você se arrependa! – Christophe ao baixar o ômega, sentiu o mesmo se aferrar mais a si. – Vamos, Lars... – deixando que esse firmasse os pés no chão, tentou mais uma vez se separar dele. – Não dificulte mais as coisas! – murmurou quase deixando-se levar.
- Eu ainda consigo pensar coerentemente, Christophe! – Lars respondeu rapidamente, afastando o rosto do pescoço alheio e o mirando nos olhos. – E eu já falei o que quero! – pontuou ao sustentar os olhos do loiro. - Eu preciso! Não me negue isso, não me rechace! – choramingou sem se importar em manter uma postura a que estava acostumado.
Balançando a cabeça, o advogado se viu em um beco sem saída. Ou ele ia embora colocando muita coisa, talvez, quem sabe, a perder, ou ficar de uma vez. Era impossível resistir aos apelos de seu destinado, e Christophe estava tentando ser o mais coerente, e um verdadeiro cavalheiro, mostrando, e demonstrando como conseguia se controlar, quando tudo o que queria era lançar seu ômega naquela cama espaçosa, e deixar que seu lobo interior tomasse todo seu ser, e satisfizesse seu homem.
- Lars... – murmurou um tanto preocupado. Ao mirar o patinador nos olhos, Giacometti sentiu-se fisgado!
Não havia volta!
Aqueles lábios que tanto havia desejado sentir seu sabor, pareciam mais tentadores. E era impossível não tentar imaginar qual seria o gosto e sentir a maciez!
Sem nada dizer, o alfa suíço rendeu-se enfim, unindo as bocas, tomando o ômega com desejo, exigência e ardor.
oOoOoOo
Cantinho Rosa e Azul:
*olhando para os lados, um tanto ressabiada*
Theka: Almaro, vem cá! Estamos sozinhas, vamos aproveitar esse momento!
Almaro: Opa! Isso é muito bom! *sorrindo de lado* Queremos agradecer a todas as pessoas a que aqui chegaram...
Viktor: Não, mas não vão mesmo! Como assim um capítulo assim?
Theka: Ah! Mas tava demorando, não é? Vitya, a história anda, e se você continuar com sua graça, Almaro e eu podemos muito bem guinar essa história toda! Temos um capítulo que...
Almaro: Theka, ele já entendeu. *cortando a Coelha antes dela dar spoiler* Então, vai... vai embora Viktor, ou a Coelha que está no veneno hoje, não responde por ela. Rsrs
Viktor: mas que audácia de vocês duas... Yuu... cadê você?
Merecemos... aff...
Olá para todos que aqui chegaram! Queremos agradecer o apoio, os favoritos e comentários! Não sabem como isso é muito importante para nós.
Esperamos que tenham gostado do novo capítulo, e até nosso próximo.
Bjs
Almaro e Theka
