Lembretes e explicações no final do capítulo.

Capítulo ainda sem verificação de nossa Beta. Assim que possível, faremos a substituição pelo betado.

Qualquer erro, será corrigido depois!

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A cidade de Roma sempre fora um lugar que Akira gostara de estar. Era moderna na medida do possível, guardava seus encantos dos tempos passados, e sempre seria uma metrópole a ser desbravada, e conhecida minuciosamente. E apesar de sua grande movimentação, tanto pelos moradores locais, como por turistas, ainda assim continuava sendo uma das cidades que ele mais gostava de se hospedar no vasto território europeu.

E naquela manhã em específico, resolvera sair bem cedo do hotel o qual estavam hospedados, apenas para se dirigir a um renomado café, e aproveitar de suas delícias que fazia alguns anos não provava.

O caminho todo, o casal seguiu sem trocar uma só palavra, e o alfa agradecia aos céus por Kimiko estar ainda levemente sobre os efeitos do sono, e com isso permanecendo com a matraca fechada. O ar ameno deixava o caminhar mais gostoso de ser feito, e em pouco tempo estavam chegando ao pequeno, mas charmoso e aconchegante estabelecimento.

Como ainda era um pouco cedo, sentar-se nas mesinhas do lado de fora, acabara se tornando uma boa pedida. As construções carregadas de história eram muito agradáveis aos olhos, mas nada daquilo parecia chamar a atenção do japonês.

Akira suspirou pesado, desgostoso com toda a situação em que se encontrava, não conseguia apreciar o belo café do Sant'Eustachio il Caffè, e tudo que o mesmo podia oferecer quanto aos mais variados tipos daquela bebida forte, e que lhe agradava o paladar. Não via ou percebia nada ao seu redor, só era capaz de remoer a maldita mensagem que receberá daquele ser insignificante.

Suspirando mais uma vez, se arrependeu do dia que teve um lapso de consciência, pois agora tinha nas mãos uma granada com o pino puxado. Seria um desastre enorme se justo nesse momento de sua vida, aquele cidadão resolvesse voltar do nada como se ressurgindo do além e retomasse a vida que lhe pertencia.

Não era justo e nunca seria!

E mais uma vez, Akira se questionou o porquê de não ter cortado o mal pela raiz, o porquê de não ter dado um fim na vida miserável daquele ser mais miserável ainda. Faria um grande favor ao mundo, e a si próprio extirpando uma criatura tão baixa, não mais que o próprio alfa, mas não o fez e se arrependeria disso por muito tempo ainda, como no exato momento.

Elevando o olhar para o céu, o admirou mesmo sem ver a grandeza que possuía a imensidão azul. Tudo havia perdido qualquer significado que fosse ou existisse, e para comprovar tal certeza, mirou sem muito interesse a ômega a sua frente. Era uma mulher bonita, vulgar, mas tinha sua graça. Só que o tempo e as circunstâncias não fizeram bem para Kimiko, pois Akira sabia que em algum momento da vida, ela realmente havia sido uma jovem pura e bela, e talvez inocente. Hoje, não mais! A aturava por conveniência e por falta de opção, pois se pudesse escolher, era óbvio que gostaria de ter a companhia do seu ômega macho e não daquela mulher sem requintes. A diferença chegava a ser gritante, por mais que não pudesse nem sonhar em fazer comparações, era inevitável se pegar notando as diferenças, e os maus costumes que a ômega já chegara às suas mãos.

E foi quando viu um jovem casal se sentando em uma mesa próxima a sua. Dois homens, um sendo um ômega adorável de gestos delicados e pendurado no braço do seu alfa, esse por sua vez olhava o parceiro com adoração enquanto puxava a cadeira.

Yuuri era assim, um ômega mais bonito que aquele que acabara de observar, provavelmente com uma educação muito melhor e possuidor de uma elegância a mesa de fazer inveja, mas nunca foi capaz de demonstrar nenhuma afeição ao seu alfa. E Akira se consumia por dentro por conta desse desprezo, e a única coisa que melhorava seu humor nesses momentos, era saber-se dono daquele ômega orgulhoso.

Sorriu pela primeira vez naquele dia, mas o sorriso morrera em seus lábios quando viu o outro alfa colocar a mão no ventre do parceiro, denunciando a boa nova para o casal. Um filhote estava a caminho, pelo visto, e Akira voltou a devanear sobre seu infortúnio com Yuuri. Ele tinha de perpetuar seu sangue, mostrar que não era um qualquer, uma mancha para os que lhe atiraram na sarjeta. Tinha de mostrar que seus genes eram tão bons como os daquela família, que ficara em seu passado. Mas para o velho alfa, parecia até mesmo que os ancestrais, e até mesmo os deuses estavam conspirando contra ele.

Shimizu precisava de um herdeiro, macho e alfa de preferência, e tinha de ser rápido! Agora mais do que nunca a urgência batia a sua porta com o retorno do seu passado, este não tão distante. Por isso o regresso para o Japão parecia cada vez mais certo.

"Mas e se outra menina vier? E se mais uma vez o destino me der nova rasteira como da última vez?" – pensou ao focar seus olhos em qualquer local, que não o casal, ou mesmo a ômega ao seu lado. – "Talvez, eu deva agradecer pelo fato dessa criança não tenha vingado! Ou quem sabe, pensando bem, se a menina que nasceu tivesse sobrevivido, e se confirmasse ser uma ômega sem valor, como a que tinha a sua frente, poderia vendê-la em algum leilão!" – pensou febrilmente ao abrir um sorriso maléfico. – "Se possuísse os atributos de Yuuri, talvez fosse até lucrativo vender-lhe a virgindade! Eu ganharia um bom dinheiro com isso, afinal quem não gostaria de provar sua linhagem, ou mesmo ter um elo com alguém poderoso como eu?" – riu-se em deleite, mas ao perceber que Kimiko o mirava estranhamente, caiu em si.

O gosto amargo invadindo lhe o paladar ao constatar que por hora, aquilo eram apenas devaneios. Balançando a cabeça, resolveu deixar esse assunto como estava: morto! Nada mudaria ficar remoendo e considerando todas as opções que poderia ter tido com a filha! Agora não fariam mais diferença nenhuma em sua vida!

- O que foi? – sussurrou Kimiko tentado ser, algo que nunca iria ser. 'Alguém' de estirpe, com uma finesse que nunca chegaria a ter.

- Estou pensando em meu prestígio! – preferiu omitir o que de fato estivera ruminando até aquele momento.

- Que prestígio, Akira? – questionou a mulher ao fazer questão de recordá-lo de que nunca tivera aquilo. – Você sempre será um borra botas, um capacho perante outros alfas! Se pensa que se gabando pelo que tem em casa é respeitado, está muito enganado! – Kimiko estava mexendo com fogo, mas não iria retirar o que havia dito. Tinha escutado muitas coisas sobre seu alfa, e muitas delas provinham de seu antigo amante e ex dono, o líder da máfia japonesa.

- Mulher, preste atenção e veja como fala comigo! – rosnou o alfa já armando o bote para dar-lhe um safanão.

- Vai, bate! – instigou Kimiko, a voz mais alta apenas que um sussurro. – Não se esqueça que não estamos mais no Japão, e as leis italianas protegem aos ômegas! – e sustentando lhe o olhar, sorveu seu cappuccino como se nada tivesse acontecido. – Iria ser muito interessante ver você passar algumas noites na prisão!

Rosnando impropérios, Akira quase entrou em combustão! Era difícil ter de admitir, mas aquela rameira tinha razão. Precisava mesmo mudar as coisas. Precisava voltar e tomar o seu ômega, acasalar por dias intermináveis, inundá-lo com seu sêmen, e torcer para que ainda possuísse a força suficiente para atingir o óvulo e fecundá-lo!

- Mude o disco, Kimiko! – alertou com o olhar sério ao sustentar os da amante. – Mude, ou posso muito bem deixa-la sozinha em um país que você mal fala a língua! – sorriu, um sorriso debochado, quiçá até maldoso. E ao ver a ômega se levantar sem lhe dar maior importância, suspirou exasperado. Uns minutos de silêncio seriam muito vem vindos!

Ah! Mas tudo que é bom dura muito, mas muito pouco, e lá estava a espalhafatosa mulher voltando com uma pequena bandeja abarrotada de doces diversos. Se aquela era a desforra dela, ou birra? Ah! Para o alfa era maravilhoso, pois de boca cheia, nada viria daquela mulher que pudesse lhe irritar! Todavia, fora um ledo engano! Revirando os olhos, Akira bebericou mais um pouco do seu já frio café. Torcendo os lábios, deixou que Kimiko ficasse boquejando e rosnando. Já estava cansado daquilo tudo, e tentava não ouvir, ou prestar atenção, o que era até melhor, era um exercício mental não prestar atenção, o que era até melhor, era um exercício mental não prestar atenção nas palavras proferidas pela amante. Desde que a havia comprado naquele leilão anos atrás, havia aprendido a se desligar, e não escutar nada do que ela dizia, e no ensejo, não lhe dava atenção alguma!

Imerso em seu mundo, o alfa novamente considerou que não sabia onde estava com a cabeça quando a adquiriu, e se arrependimento matasse, poderia se considerar morto como a filha! Também não adiantava ficar remoendo o que fizera anos atrás em um momento de frustração, e achar que tendo a então a ex-ômega do chefe da máfia, que poderia usufruir de boa reputação! Novamente seria um ledo engano, pois mesmo ele não querendo concordar, Akira sabia que as palavras duras de Kimiko eram a mais pura verdade!

E duas vezes no mesmo dia não poderia ser coincidência!

- Hoje, realmente está sendo muito difícil! – disse ao se levantar da mesa, e abandonando o café frio em sua xícara. - Não me espere! – rosnou em alerta. - Tenho um compromisso, e vou chegar tarde no hotel!

A ômega voltou a resmungar de forma baixa enquanto Akira tirava algumas notas da carteira, e com um sorriso de satisfação no rosto completou:

- Se comporte, ouviu? Por que vou em um leilão, e de repente, volto com um novo brinquedo e jogo fora o que já está ficando velho! – ameaçou sem escrúpulo nenhum.

Kimiko ficou vermelha de raiva, mas sabia que se abrisse a boca, mais uma vez para atazanar o seu alfa, se daria muito mal. Afinal, sentira inveja quando o viu olhando para o casal nojento que se sentara na mesa ao lado, sabia que Akira deveria estar pensando no japonês sem graça que ele chamava de marido, e pensando nisso, segurou com delicadeza, a mão do alfa, que lhe dirigiu um olhar frio e mortal.

- Akira, não há como você ficar mais um pouco? – pediu Kimiko usando sua voz de ômega para tentar segurar o alfa consigo. – Ontem você também saiu e ficou horas fora! – reclamou ao fazer beicinho.

- Kimiko, eu não lhe devo explicações, e você sabe muito bem que nem tudo é como a gente quer! Então, contente-se com o que estou a te oferecer! – e sem mais nada dizer, saiu rapidamente, deixando uma enraivecida ômega fungar sozinha.

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Deixar Kimiko para trás tinha sido como um livramento. Até mesmo com todas as suas preocupações, os desapontamentos e infortúnios, estar longe dela, parecia que até mesmo o ar, e o dia haviam se transformado. Como gostaria de apresentar aquelas maravilhas que descortinavam perante seus olhos a Yuuri! Tê-lo com seu braço enganchado em um dos dele... Mas de que adiantava querer e não poder, como dizia o dito popular!

O orgulhoso e genioso ômega nunca aceitara sair de viagem com Akira, e aquilo era por demais frustrante. Rosnando enraivecido, seguiu mais um pouco sem destino. Ainda era cedo para chegar ao local que seria utilizado como fachada para aquele leilão. Volvendo os olhos pelo local, aproximou-se de uma vitrina que a loja ainda se encontrava fechada, e ficou observando bem as joias e medalhões. E em seus pensamentos tortos e retorcidos, achou que levar algo rico e chamativo como o medalhão com asas incrustadas em pedras preciosas, faria seu homem o receber de braços abertos. Com um sorriso decidido, esperou um pouco mais, até conseguiu o que queria, e guardando a bonita caixa em veludo negro no bolso interno de seu casaco, deixou a loja para trás. Tinha esperanças de poder agradar a Yuuri, e até mesmo por isso sentiu ganas de ouvir-lhe a voz. Checando as horas em seu relógio, fez um rápido cálculo, e acreditava que em Hasetsu seria perto do meio da tarde.

Pescando seu eletrônico, não pensou duas vezes em discar primeiro para o número do marido. Um tanto frustrado, pois a ligação havia caído direto na caixa postal! Tentou uma, duas e na terceira vez já estava ruminando de raiva. Sem muito pensar, ligou para chata de sua cunhada. A ligação também demorou a ser contestada, e quando ouviu o barulho característico de que o interlocutor iria falar, interrompeu a mulher sem rodeio algum.

- Onde está o meu bem mais precioso? – rosnou encolerizado. – Quero já falar com ele! – ordenou Akira.

Antes de responder, Mari fez um muxoxo e saindo da cozinha, sentou-se nos fundos da casa. Não fez questão nenhuma de esconder seu descontentamento. Tinha de se controlar, e não dizer nada sobre o que estava acontecendo naquele final de semana nas termas.

- Boa tarde, para você também, Akira! – a voz monótona, controlando a vontade de explodir e mandá-lo para o raio que o parta!

- Onde está Yuuri? Quero esse ômega já na linha! – exigiu. Ao escutar a bufada do outro lado da linha, sentiu que poderia enfartar de raiva, mas antes que conseguisse dizer alguma coisa, teve de se segurar, pois a beta tinha coragem.

- Ouça bem o que vou lhe dizer, pois será uma vez só! – Mari estava quase chegando as vias de fato de se pudesse, materializar-se ao lado daquele ser ignóbil, e trucidá-lo. – Meu irmão está dopado por ainda não ter se recuperado. Ele não irá te atender, nem agora e nem mais tarde! – frisou muito bem as palavras ditas.

- Como não se recuperou? Ele precisa gerar meu filhote alfa! Um macho como eu para continuar minha linhagem pura! – quis gabar-se, mas aquele não era bem o momento.

- Mas não irá mais! Não agora e nem por um bom tempo! – Mari esbravejou. – Yuuri está traumatizado, e eu não estou te pedindo, estou mandando ficar longe! Tudo que ele menos precisa, é te ter o acuando e fazendo exigências que ele sabe que não poderá cumprir!

- Ele tem que cumprir com suas obrigações, ele me pertence...

- Yuuri não é um objeto! – falou mais alto a beta, rezando para que nem o irmão, ou muito menos Viktor que estavam no segundo andar, chegassem a escutar alguma coisa. – Se você o quiser morto, seu monstro, faça o que quer! Depois fique com o peso da morte de um ser inocente! E já lhe aviso de antemão, eu não medirei esforços para lhe ver morto!

- Você está me ameaçando? – perguntou o alfa ressabiado.

- Entenda como você quiser! – e antes que ele pudesse retrucar com palavras vagas, ou seus rompantes de ira, Mari cortou a ligação, desligando em seguida seu aparelho celular.

Enraivecido, Akira quase lançou seu celular longe. Sua revolta era tanta que só conseguia pensar nele mesmo, e seu problema. Estava fora de cogitação tentar ter um filho fora do relacionamento que já tinha, mas nunca imaginara que Yuuri pudesse ficar tão mal. Ele sabia que a saúde do ômega não estava muito boa desde o início da gestação, e dentro de seu ser nunca imaginara em se recriminar por não haver se preocupado mais com o bem estar de seu ômega e o filhote que carregava.

Era a primeira vez que tinha uma crise de consciência, mas que partindo de alguém tão soberbo como ele, não duraria mais que vinte minutos, pois sua mente insana logo começaria a idealizar e planejar sua volta e um encontro com sua propriedade, e ah! Nem mesmo a mocreia que se intitulava como sua cunhada iria conseguir o deter!

Com esses pensamentos, Akira seguiu seu caminho, indo para o hotel que serviria de fachada para mais um leilão, o qual ele se imaginava, quem sabe, encontrando algum brinquedo para aqueles dias!

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Ao ser deixada para trás, Kimiko mesmo estando enraivecida, terminou seu café, como se nada tivesse acontecido. Ignorou os olhares de pena que a ela eram direcionados, e ao se levantar para ir embora, dispensou o troco que um dos atendentes do café havia lhe avisado que traria para ela. Não queria esperar e muito menos ficar com mixarias quando tinha em sua bolsa de qualidade medíocre e espalhafatosa, um cartão em seu nome, que o amante havia lhe dado, e onde este depositava uma gorda mesada todo mês, a qual ela praticamente não usava, visto que tudo provinha de Akira.

Suspirando chateada, seguiu pelas ruas de Roma, tomando o devido cuidado para não se perder. Era sua primeira vez na Itália, e gostaria muito de conhecer vários lugares que via apenas na televisão, e nas caras revista que costumava ver nos salões de cabelereiro que frequentava.

Gostaria de ir a Paris, mas tinha certeza que Akira já devia estar cansando de ficar longe do ômega macho dele, e isso dificultava um pouco as coisas. Desde que deixaram Tóquio, já havia conhecido a Catalunha na Espanha, a Suécia, onde o alfa fizera negócios, os quais ela não se interessara em saber, a Áustria, onde ficaram quase um mês em Viena. E ali naquela cidade histórica, berço da valsa e de grandes compositores e musicistas, Kimiko desconfiara que aquela, não era apenas uma viagem a passeio.

Lembrar desses pormenores, colocava a ômega um tanto preocupada, e pensativa, pois Akira vinha comprando muitos medicamentos, todavia não dizia para o que serviam e nem se eram para ele. Certa vez, até mesmo havia lhe questionado a respeito, mas este quase a espancara. O ato em si não havia se consumado, pois ela havia se trancado no banheiro. Nessa mesma noite, descobrira através dos insultos e impropérios desferidos a si, que seu rival usava aquele mesmo subterfugio, mas não conseguiu sentir pena de Yuuri, pois em sua mente mesquinha e maldosa, só conseguia pensar: Antes ele do que eu!

Balançando a cabeça, seguiu seu caminho, se perdendo em seus pensamentos fúteis, e esquecendo até mesmo da ameaça do amante por um tempo. Perdeu-se entre os muitos corredores de um complexo de lojas, todas voltadas para a moda.

Ao parar a frente de uma vitrina, seus olhos se esbugalharam ao reparar nos bonitos conjuntos de lingerie. Um pensamento insano lhe ocorreu, e dando asas aos seus mais sórdidos fetiches, entrou na loja, onde ficou horas até conseguir se decidir por vários conjuntos rendados, ousados e de diversos modelos. Queria ver se Akira não prestaria atenção em seu corpo, e no que vestia! Já estava farta de ser apenas usado como depósito de porra! Iria mostrar aquele velho decrépito que ela poderia ser mil vezes mais sensual, e lhe proporcionar prazeres melhores que aquele infeliz o qual o alfa chamava de marido.

"Quem sabe se o colocar louco, ele finalmente me morda, não? Com uma marca de posse, eu serei muito mais que o maridinho chifrudo!" – pensou Kimiko ao caminhar decidida de volta para o hotel.

Precisava se preparar, mas antes iria guardar o que havia comprado, e em seguida se produzir. Ela poderia contar com a sorte, e quem sabe o leilão não fosse tão proveitoso assim, que o alfa voltasse logo para seus braços! Com um sorriso presunçoso, a ômega seguiu sem olhar para trás.

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O ambiente era escuro, muito pouco poderia ser visto da plateia que acompanhava a tudo com interesse. Todos praticamente usavam máscaras para manterem privadas suas identidades, eram conhecidos por números que eram fixados na lapela de seus caríssimos paletós. O silêncio era apenas quebrado pelo leiloeiro, e Akira preferia ficar em seu lugar, pois não estava com vontade de socializar com ninguém. Até aquele momento, nenhum espécime havia lhe chamado a atenção. Também as primeiras peças eram sempre considerados o refugo de alguém, e em suma, não seriam ômegas virginais. Não era seu intuito adquirir um novo amante, mas gostaria de poder desvirginar outro ômega macho. E isso tinha a ver com o que estava vivenciando.

Estreitando os olhos, e checando novamente o pequeno livreto com a relação dos ômegas a serem vendidos, e os que teriam a virgindade vendida, as intituladas peças da casa. Correndo os olhos pela relação, que era escassa tendo em vista que ômegas machos eram uma raridade, um nome despertou seu interesse.

"Borya... um ômega russo, vinte anos! Interessante! Pele clara, cabelos loiros e olhos amendoados... Vamos esperar!" – pensou Akira ao quase salivar. Iria adorar ser o primeiro daquele ômega. Volvendo os olhos para o palco, fixou sua atenção no leiloeiro, tinha de estar mais atento, pois não gostaria de perder um bom espécime por conta de algum descuido. Pelo que a sequência dizia, o tal ômega russo seria o terceiro daquele segmento. Com um sorriso decidido aguardou com ansiedade.

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Já passava das dez horas da noite, e Kimiko se sentia desapontada. Lembrava-se agora com muita clareza que Akira havia lhe dito pela manhã, e então tudo parecia se encaixar e ela cair na real. Havia idealizado algo, que sabia que poderia não dar certo!

"Há quem eu quero enganar?" – pensou ao caminhar impaciente pela sala luxuosa do quarto do hotel em que estavam. – "Quando Akira faz uma ameaça, tenho de ficar mais atenta. Ele já não é mais tão tolerante, e o que farei se ele realmente fizer o que disse?" – a ômega tornou a dar mais uma volta pelo ambiente, e sem estabilidade emocional alguma, deixou umas quantas lágrimas deslizarem por sua face.

Kimiko não era velha, era mais nova que o ômega macho que o alfa adorava se gabar, mas sabia seu lugar naquela equação, por isso não se conformava por não entender por que nem mesmo Akira queria um filho com ela. Bufando, praguejou em pensamentos.

"Primeiro foi o ômega de Yamada a engravidar, e ele me banir, pois fizera um juramento idiota que não tocaria em mais ninguém, que não fosse aquele ômega português com seus lindos olhos verdes! Humph... ridículo!" – pensou ao ajeitar a calcinha do conjunto que estava usando. – "Bem, o que eu deveria esperar ao ser comprada por outro alfa casado?" – quase rosnou alto, mas controlou-se. Devia de parar de sonhar acordado, a vida não era um sonho encantando, onde tudo terminaria bem. – "Mas... Ah! Se Akira pensa que eu sou uma tonta, uma burra, está muito enganado! Sei de muitas coisas... apenas não deveria ter me apaixonado novamente, pois você não merece!" – Kimiko podia ser fútil, passar por boba, mas de boba ela não tinha nada, e se ela não havia feito alguma coisa até aquele momento, fora por que não tivera uma oportunidade, mas ah! Ela teria... um dia teria, e não estaria sozinha!

Estreitando os olhos, mirou a valise de couro escura que o alfa carregava para cima e para baixo. Mordiscando o lábio inferior, não resistiu e a pegou, levando junto para a cama de casal. Queria saber se poderia lucrar um pouco, visto que imaginava que ali, Akira guardava dinheiro. Sabia que poderia estar fechada, mas mesmo assim, sentia-se ansiosa para saber o que, ou quanto de dinheiro havia ali. Mas tão logo percebeu que o amante havia esquecido seu objeto - o qual nunca perdia de vista -, sem travar as fechaduras de segurança, abriu a valise com rapidez. Para seu desgosto, não havia dinheiro algum ali, e já estava quase fechando a maleta novamente quando avistou um emblema que a fez aguçar a curiosidade da ômega.

- Mas o que vem a ser isso? – murmurou para si mesmo. Puxando com cuidado o envelope, o abriu com cuidado. Arqueando uma sobrancelha, Kimiko sentiu sua curiosidade fervilhar, pois muito mal e porcamente falava umas poucas palavras em inglês, mas quilo estava possivelmente em alemão.

Procurando por seu eletrônico, a japonesa acionara o navegador, e com o auxílio de um tradutor, começou a entender melhor as coisas.

Dizer que Kimiko estava chocada seria muito pouco, mas o que ela não entendia, era como o alfa havia engravidado aquele ômega idiota. Lendo mais um pouco, a japonesa começou a unir os pontos soltos, e até mesmo entendeu outras tantas coisas.

- Maldição! – grunhiu ao tomar o devido cuidado ao guardar aquele resultado de espermograma, e o diagnóstico sobre a varicocele. – Assim nem mesmo eu poderei engravidar! – choramingou a ômega ao finalmente cair em si, que se tentasse o golpe da barriga, não teria como fazer acontecer. Aquilo explicava o desconforto quando o amante a procurava. Talvez fosse relacionado a doença.

Balançando a cabeça, pegou com mãos trêmulas novo envelope relacionado com data do dia anterior, e agora pelo que parecia era de alguma clínica ali em Roma. Ao desdobrar o papel, novos números menores que os do primeiro exame de espermograma, e uma carta do médico, um tal de Gianluca Ferrucio, diagnosticando um avanço razoável no espermograma do alfa, e o mesmo médico especialista descartava uma solicitação de intervenção cirúrgica, devido a idade avançada do alfa, e o grande risco da operação não funcionar da forma desejada.

- Como poderei engravidar agora? – Kimiko ruminou seu dissabor, não acreditando em como o destino lhe estava sendo tão amargo e cruel. Fungando, acabou por guardar tudo como estava anteriormente, e jogando-se na cama, deu vazão ao choro sentido. Sentia-se frustrada como ômega, pois se dependesse do machão e prepotente Akira, ela nunca seria feliz e completa. Talvez a única coisa que lhe deixaria mais feliz, era saber que nem mesmo o maridinho ômega pegaria nova barriga.

O que mais ela não conseguia compreender, era o que um alfa que parecia gozar de boa saúde, e que sempre se cuidava iria padecer de uma doença como aquela. Parecia ser até algo vil... como se um veneno corresse pelas veias do amante e só atacasse aquelas válvulas responsáveis pelas veias espermáticas. Algo muito confuso... deveras confuso!

Kimiko precisava pensar rápido, e quando estivesse mais calma, pesquisar direito sobre o que realmente acontecia com seu alfa. Decidida, engolindo o choro e o desespero, abriu novamente o navegador e foi ler sobre o que realmente causava tudo aquilo. Aproveitou pegando mais uma vez aqueles papéis, para bater fotos daqueles prontuários. Precisava pensar em seu futuro, e por isso mesmo teria uma cópia de segurança com uma pessoa que confiava desde os tempos de meninota.

Voltando sua atenção ao que precisava fazer, lembrou-se um pouco do que havia lido no último diagnóstico, a varicocele, trocando em miúdos, é o mesmo que a ausência congênita das válvulas nas veias espermáticas dilatando os vasos e o espessamento de sua parede muscular. Esse mal congênito pode ser um fator até mesmo hereditário. Pensando bem nisso, Kimiko nunca ouvira nada a respeito do pai de seu alfa ter algo parecido. Ainda confusa, buscou por mais uma informação: o que viria a ser grau três em algarismo romano. Sentindo grossas lágrimas escorrer pelo rosto, percebeu que realmente seu alfa estava com a fertilidade comprometida.

Socando o travesseiro, a ômega sentiu o gosto amargo em seus lábios, e uma vontade sem tamanho de insultar até mesmo o pai celestial por tamanha desgraça em sua vida.

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Akira estava maldizendo ser quem era! Maldizendo ser filho de quem o era, e por ter herdado aquela doença que vinha como um limitador em sua vida sexual! Não que fosse o deixar impotente, mas ele sabia que sua situação era preocupante ainda mais com o avançado de sua idade, já não era mais um jovenzinho feito seu ômega, e sentia-se a pior das criaturas!

E como dizem: desgraça pouca é bobagem!

Estava frustrado! Aquilo definitivamente não poderia ter lhe acontecido! Havia conseguido comprar a primeira vez do ômega desejado. Borya era um exemplar digno de ser fodido, e fodido quantas vezes conseguisse! Todavia, mesmo tomando aquele comprimido que o ajudaria a ficar em riste, nada tinha acontecido. Akira nem ficara com o membro duro, por mais que estivesse excitado. Havia brochado, e sabia muito bem que era devido aquele mal congênito! Tanto que quisera comer aquele belo russo, e tivera de apenas trocar amassos.

Malogrado pelo destino, quase espancara o rapaz por achar que o mesmo estava rindo de seu infortúnio. Fora contido pelos seguranças do lugar quando Borya havia conseguido sair correndo nú pelo corredor, tendo um cambaleante alfa atrás de si.

Fora rudemente advertido pelo dono da beldade loira, que ali não costumavam desforrar suas frustrações em ômegas, e que o japonês estava sendo banido da lista de convidados do clube italiano, e a máfia italiana relataria o acontecido para a Yakuza!

"Droga! Além de não conseguir o que quero, poderei não ter acesso nem aos clubes de orgia de meu próprio país? Eles não sabem com quem estão mexendo!" – grunhiu para si mesmo em japonês. Ao sentir uma pontada no testículo esquerdo, arfou dolorido, e com o auxílio da bengala, coxeou lentamente até o meio fio, onde fez sinal para um táxi.

Voltaria para o hotel, e pensaria o que poderia fazer, ou para onde ir dali, visto que seu único divertimento havia sido lhe tirado. Poderia ir para a Suíça, lá conhecia muitas casas de leilões, fora o tão seleto hall mafioso!

"Sim... Suíça é terreno neutro, e posso aproveitar para ter uma terceira opinião de um outro especialista." – pensou decidido ao sair do carro a frente do hotel. E mentalmente, pediu aos céus para que Kimiko não testasse sua paciência.

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Lembretes e explicações:

Varicocele: A varicocele é a dilatação das veias que drenam o sangue testicular devido à incompetência das válvulas venosas, associada ao refluxo venoso. É a mesma doença que afeta mais frequentemente as pernas das mulheres, que nesse caso é conhecida como varizes dos membros inferiores e provoca dor e inchaço nas pernas. Outra doença gerada pela dilatação das veias é a doença hemorroidária, que são varizes na região anal e que provoca sangramento ao evacuar. Portanto pode-se chamar a varicocele de varizes na bolsa testicular, que pode provocar prejuízo para a produção de espermatozoides e em última consequência infertilidade.

O diagnóstico é feito de uma maneira bastante simples: apenas com o exame físico bem feito. Quando houver dúvidas em relação ao diagnóstico ou na impossibilidade da identificação apropriada das veias, o exame de ultrassom de bolsa testicular com doppler colorido deve ser solicitado. Existem graus diferentes de varicocele: I (leve), II (moderado) e III (importante). Os graus II e III são os que podem comprometer a fertilidade.
No exame físico, o testículo em que incide a varicocele pode ter seu volume diminuído e muitas vezes ficar mais amolecido, mostrando claramente que está ocorrendo a perda de células produtoras de espermatozoides.

Fonte de pesquisa: Portal da Urologia .br/doencas/varicocele-o-que-e-causas-e-tratamento/

Cantinho Rosa e Azul:

Theka: *olhando de um lado para o outro e achando estranho não ver ninguém por perto* Almaro... acho que tá na hora da gente agradecer e...

Viktor: Por que agradecer ainda se vocês não me explicaram o motivo de tanta demorar em colocar no ar esse novo capítulo?

Almaro: Xii amiga, ele já chegou! Nem adiantou a gente tentar fazer essa "reunião" secreta! Viktor, tenha cuidado, pois a Coelha está na TPM, e ela azeda é o bicho!

Viktor: E o que ela pode me fazer?

Theka: Amiga, ele se esqueceu que somos donas do Kit Fic! *olhar enviesado pros lados do platinado* Se você não sumir indo atrás do Yuu em um minuto, eu vou conversar com a parça, e trocamos o final de Para Sempre, o que acha?

Yuuri: *arregalando os olhos ao escutar o final da conversa* Vitya, sabe o Yurio, então... *catando o platinado e o puxando para longe da bancada do note da Coelha*

Almaro: Yuuri ainda parece ser mais sensato que o Viktor! *rindo de lado* Mas você seria capaz de mudar o final... *vendo o olhar sério da Coelha e deixando a coisa quieto*

Theka: Bem... não sei, mas você sabe que florzinha não sou! *rindo divertida*

Olá para todos, obrigado por nos acompanhar sempre. Tivemos muitas coisas nesses meses em que não atualizamos, e eu Theka peço desculpas em nome da dupla por isso. Esse vírus tem me descompensado muito, ainda mais tendo de sair de casa por que meu trabalho faz parte da área essencial, e ainda ver que as pessoas não se conscientizam que a situação não está das melhores! Ai a Coelha aqui trava, e Almaro e eu sempre temos de dois a três capítulos prontos, quando colocamos um novo no ar, e não foi isso que aconteceu esses tempos. De coração, mil desculpas, mas agora tudo parece estar voltando aos trilhos, e vamos conseguir voltar a seguir nosso cronograma.

Agradecemos quem continua aqui conosco, não sabem como um comentário, favorito nos deixa feliz! Obrigado!

Beijos
Almaro e Theka