Lembretes e explicações no final do capítulo.

Capítulo ainda sem verificação de nossa Beta. Assim que possível, faremos uma substituição pelo betado.

Qualquer erro, será corrigido depois!

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Logo após ter conseguido acalmar Akiko, o quarto havia voltado a ficar em completo silêncio. A pequena havia despertado faminta, e com sua fraldinha carregada. Phichit sabia muito bem que aquilo tinha a ver com a troca das marcas de leite, mas de nada adiantaria reclamar, pois tinha plena noção que aquilo aconteceria cedo ou tarde. Fora avisado pelo pediatra da pequena!

Ela não havia demorado para voltar a dormir, e o ômega a aninhara ao seu lado. Adorava sentir aquele pacotinho ressonando baixinho ali pertinho dele, e naquele exato momento, era tão bom sentir-se rodeado pelos seus tesouros, ainda mais depois de tudo que havia enfrentado! Arrulhando um pouco, depositou um beijo sobre a cabeça da menina, e com um suspiro decidido, deixou para trás as agruras daquele começo de final de semana.

- Quer que a leve para o berço? – Lee perguntou baixinho, tudo para não despertar ao pacotinho ao lado de seu homem.

- Não, por favor! Deixe-a aqui comigo mais um pouco, Seung! – pediu Phichit ao acariciar lentamente os fios ralinhos que enfeitavam parcamente a cabeça da japonesinha. O ômega ainda sentia-se fragilizado após tudo a que fora exposto, e isso poderia ser visto e notado pelo alfa.

Evitando um maior atrito, o sul-coreano, sem nada dizer, voltou a se acomodar, deixando que as costas e nádegas do seu par recostassem em seu corpo, cingindo-lhe a cintura larga e distendida que abrigava o pequeno ser que crescia saudável ali. Sorriu ao sentir leves movimentos, e acarinhou lentamente o local.

- Nosso filhote está um tanto agitado, não? – murmurou bem próximo ao ouvido do tailandês.

- De quem será a culpa, não? – Phichit gracejou. A voz calma, melodiosa e modulada. – Ele ouve a sua voz, e se agita!

- Reconhece o pai, nae salang (meu amor)! – Lee respondeu prontamente ao sapecar-lhe um beijo no pescoço bem próximo a glândula odorífica e usando o termo carinhoso em sua língua natal. Ao sentir novo chute abaixo de sua mão, e o gemido baixinho de Phichit, pediu ao mesmo tempo que voltava a deslizar a mão espalmada sobre a barriga volumosa: - Ei, pequeno! Não judie de sua maman! Seja bonzinho, e volte a dormir, ainda é cedo para tanta algazarra! – ronronou ao sapecar novo beijo no ombro do marido.

Phichit sorriu divertido. Para ele ter seu homem agindo daquela forma, era uma novidade que o fazia sentir-se querido, especial... Seu alfa se preocupava consigo, e com aquele pequeno filhote fruto do amor dos dois! Ver Seung-Gil Lee tão amoroso, não era novidade, mas vê-lo expressar seus sentimentos, ah! Isso sim era uma novidade sem tamanho para aquele alfa sisudo! E naquele final de semana, ele havia demonstrado várias vezes essa nova faceta que estava adquirindo!

Ronronando baixinho devido o carinho a si dedicado, em pouco tempo Phichit voltou a dormir. Velando-lhes o sono, o alfa ficou por longas horas apenas observando com a ajuda da luz noturna a seu esposo, e filhotes. Era tão bom ter sua família toda reunida! Com um suspiro, antes porém de adormecer, levantando com cautela, tomou Akiko nos braços, e a levou para seu bercinho com o cobertor de gatinhos, presente do tio Christophe.

Antes de a deixar, checou a babá eletrônica, e pé ante pé saiu deixando a porta levemente aberta. Ao voltar para o seu próprio quarto, com um sorriso bobo, observou seu homem adormecido. Lee tinha muito a agradecer, e o principal, era por ter aceitado vir para o Japão, onde conhecera seu companheiro para toda a vida!

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Quanto tempo fazia que havia conseguido dormir? O alfa não conseguia dizer com exatidão! Sabia que ao seu lado, Phichit se agitava. Talvez estivesse tendo um pesadelo, pois se debatia muito.

- Phic, acorde! – Lee o chamou com cautela, pois tinha medo de ocasionar algo pior e com isso acometer alguma coisa com relação ao pequeno ser que o ômega estava gerando. – Phichit... por favor! – ao esticar a mão para poder tocar-lhe o ventre, o alfa levou um susto com o grito desesperado. Sentando rapidamente, como já havia feito seu companheiro, Lee puxou o marido para si e o abraçou como podia. Aos seus ouvidos, ele não conseguia entender muito bem o que o tailandês dizia em sua língua natal.

- Akiko... Akiko...

- Phichit, calma meu amor! – pediu ao acariciar as costas do menor, que ao sentir o cheiro de hortelã tomando conta de todo o ambiente, foi se acalmando, mas não totalmente. – Akiko está dormindo em seu bercinho, nae salang!

- Ele não a levou? – Phichit perguntou em meio as lágrimas. – Ela está bem?

- Ninguém entrou em nossa casa, salang! – Lee informou. – Akiko está bem, e talvez seja melhor você tentar se acalmar, poderá fazer mal a você e ao nosso pequeno! – e para enfatizar o que dizia, acariciou o baixo ventre do outro.

- Foi tão real! – Phichit balbuciou ainda um tanto perdido. – Preciso ir vê-la para ter a certeza que tudo está bem! – querendo se levantar, o tailandês não conseguiu se mover. – Seung, por favor! – insistiu com a voz que quase nunca usava, a voz de seu ômega ao suplicar por algo.

- Shhh... Se acalme, sim! – pediu com todo cuidado para não deixar seu par chateado. – Eu vou busca-la, ok? E você fica aqui... – e sem mais nada dizer, antes que o tailandês tivesse a chance, Lee saiu apressado.

Sozinho, o ômega de olhos arregalados, acendeu todas as luzes do quarto. Piscando várias vezes para acostumar-se com a claridade, volveu seu olhar amedrontado para todos os lados. Queria ter a certeza que realmente seu marido estava lhe dizendo a verdade. Tinha o coração batendo acelerado em seu peito, as pupilas dilatadas, e tentava inutilmente acalmar-se. O sonho havia sido tão vivido! E quando pensava em ir atrás de advogado, este surgiu a sua frente com aquele pequeno ser nos braços. A pequena estrelinha continuava adormecida, mesmo após o destempero e os gritos de medo que havia liberado poucos minutos atrás.

- Me dê, Seung! – pediu Phichit ao estender os braços na direção do marido. E assim que a sentiu em seu colo, suspirou aliviado. Seu ômega interior que até então parecia patear incontrolável, enfim se aquietara. – Ah! Minha estrelinha! – ronronou baixinho ao dar-lhe um beijo na testa, e em seguida a farejando como se estivesse buscando por resquícios de cheiros que não fossem os do casal.

Sentando junto ao marido, Lee os abraçou juntando seu tórax as costas do mais baixo, acariciando a pequena e o ventre do marido. Querendo dar ao seu companheiro um pouco de espaço, o alfa aguentou sua profunda vontade de lhe perguntar sobre o pesadelo que o havia desestabilizado tanto. O melhor seria deixa-lo falar, quando estivesse se sentindo confortável.

Ao sentir a pequena se remexer levemente entre os braços de Phichit, e chegar-lhe até os ouvidos apurados a leve fungada, Seung achou melhor sair de seu mutismo. Detestava ver seu homem amuado.

- Phic, o que aconteceu? – perguntou ao lhe acariciar o ventre. – Com o que você sonhou, nae salang? O que te deixou assim? Se não me disser, como poderei lhe ajudar? – deixando a pergunta no ar, o sul-coreano aguardou com paciência até que este resolvesse que falar poderia ser o melhor, mas ele tinha de esperar, não queria que nada de mau acontecesse com seu marido e filho ainda por nascer.

Quando o silêncio começava a se tornar opressor, o ômega suspirou pesaroso, e por fim se ajeitando melhor, mudou um pouco de posição para que pudesse visualizar o alfa que havia escolhido para si.

- Sabe, Seung... – a voz baixa demonstrando uma tristeza que para os olhos do outro soava como surreal, pois o tailandês sempre possuía um ar de felicidade. - Creio que meu passado veio me assombrar mais uma vez!

- Como assim, Phic? – curioso, Lee o mirou com interesse e preocupação.

- Você nunca se perguntou como um tailandês como eu, veio parar no Japão, não é? – Phichit perguntou ao começar a ajeitar Akiko entre dois travesseiros.

- Não, eu nunca pensei sobre! – respondeu com calma. – Nunca pensei sobre ou me questionei, por que sempre acreditei que você tivesse vindo para cá ainda muito pequeno. E... eu não queria invadir sua privacidade, eu esperava que um dia pudéssemos contar mais sobre nós, e sempre achei indelicado querer saber sobre o seu passado, visto que muito pouco você gosta de falar sobre este! – e mordiscando o lábio inferior, sustentou o olhar acinzentado do outro.

- Eu sei disso, e é por isso que eu te amo mais, meu amor! Você nunca me exigiu nada mais do que eu pudesse lhe dar. – Phichit mirou-o com carinho e adoração. Amava aquele homem por demais, mas sabia que chegada era a hora de lhe contar algo que preferia deixar onde estava: em seu passado! – De certa forma, você quase acertou! Eu vim muito pequeno mesmo para o Japão! Minha história não é muito diferente da que nossa estrelinha poderia ter levado se o pai biológico dela soubesse de sua existência. – Chulanont mirou seu homem com seriedade. Ele havia começado a falar, e não seria agora que iria parar. – O que vou lhe contar agora nem mesmo meu falecido pai sabia. – confessou o tailandês. – Minha mãe, Malai Chulanont, foi de família humilde e simples, mas como ela sempre dizia, era um diamante lindo, uma pedra preciosa a ser lapidada e tida como um bem maior, um tesouro. Era assim que até mesmo outros se dirigiam a ela, usando a chamar da mesma forma. Seus olhos acinzentados, minha herança, eram como faróis a brilhar, e isso atraía a cobiça de muitos alfas e betas. Quando ela completou quinze anos, meus avós estavam passando por necessidade, e haviam adquirido uma dívida alta devido a situação em que o filho mais novo se encontrava. Uma doença rara o acometeu, e com o tratamento alto, minha mãe entrou como moeda de barganha. – parou de falar para mirar as próprias mãos que deslizavam sobre o ventre distendido. – Ela nunca me contou o que de fato lhe aconteceu, mas não sou bobo, Seung, dava para imaginar que não foram dias bons, e que ela deve ter sofrido muito. E em pouco tempo, acabou engravidando de seu algoz, que a tinha como apenas um brinquedinho de luxo. Não sei pelo que ela passou, mas ela lutou por seu bebê, pois sim, houveram tentativas de que ela perdesse o que carregava em seu ventre. – os olhos do tailandês voltaram a se cristalizar de lágrimas contidas, e aceitando o copo de água que lhe era oferecido, fez uma pequena pausa.

Seung-Gil conhecia histórias piores, em todo mundo aquele era o meio escuso de obter prazer: tendo ômegas como se fossem um harém! Abominava aquele tipo de situação, e gostaria que o mundo desse uma guinada, ou que as leis realmente fossem revistas, como muitos governantes vinham tentando fazer. Poucos eram os países em que ômegas e betas tinham seus direitos garantidos, principalmente os ômegas. Tornando a prestar atenção em seu marido, beijou-lhe a testa, buscando mirá-lo diretamente nos olhos, e o que viu naquelas íris acinzentadas o fizeram pensar antes de proferir qualquer coisa. Phichit parecia decidido a contar tudo, quem sabe assim se livrando um pouco do peso que carregava.

- Certa vez, minha mãe deixou escapar, achando que eu não estivesse ouvindo, que a mulher verdadeira de seu algoz, não desejava que ela tivesse o filhote que carregava antes dela conseguir gerar um filho. Mas como muitos diziam, a senhora daquela casa parecia ser seca, e não conseguir gerar uma nova vida em seu ventre!

- Puro ciúmes! Inveja... – Seung pronunciou baixinho, mas se calou ao perceber o desconforto de seu marido.

- Quando minha mãe entrou em trabalho de parto, pessoas amigas, que já a conheciam e sabiam de seu tormento, a encaminharam para um grupo revolucionário, que conseguiu retirá-la do hospital, e a seu filhotinho. – fez nova pausa evitando volver seus olhos para os de seu alfa. – Quando ela chegou aqui, foi acolhida por uma família que era ligada ao movimento, e assim com uma vida nova, minha mãe e o pequeno bebê seguiram suas vidas! Creio que já sabe, que esse pequeno sou eu, não? – gracejou para tentar melhorar seu emocional. Um leve riso anasalado e o olhar desconfiado, imaginando o que seu alfa poderia estar sentindo de si. Um filho bastardo, que poderia muito bem ter sido vendido por ser um ômega macho.

Seung não disse nada. Elevando suas mãos para as maçãs do rosto amado, com gentileza fez com que este o mirasse diretamente nos olhos.

- Sim, eu já entendi! E não julgo nada do que aconteceu! Você sabe que foram fatalidades de uma vida que já ficou no passado!

- E que veio me cobrar agora, quando temos nosso pequeno a caminho, e Akiko! – Phichit não deixou que o marido continuasse a falar. Ele sabia onde estava se metendo quando quis ficar com a guarda da pequena menina, e não voltaria atrás, mas estava com muito medo. O sentimento forte daquele sonho, o colocava na defensiva, e tinha medo de falhar! – Tenho medo que alguém tente vir atrás dela, como tentaram comigo! – acabou por contar. – Mesmo minha mãe tendo conhecido seu soulmate e casado com ele, assumindo assim seu nome, Tsubaki precisou remover a família de Nagoya para Okinawa, e ali eu e Kenshin, meu meio irmão, crescemos seguros.

- Você tem um meio irmão? – Seung não parecia bravo, e muito menos irritado. Todavia, estava um tanto chateado, por seu marido não lhe confiar aquele segredo. Bem, ele sabia que muitos segredos de família são para ficarem assim, escondidos e não contados para que não se coloque ninguém em risco. Suavizando um tanto seu olhar, puxou o ômega para um abraço apertado. Sentia o mais baixo tremer e soluçar baixinho. – Phic... não chore! – pediu tentando acalmá-lo.

- M-me d-desculpe se nunca t-te cont-tei a respeito disso, Seung! – soluçou entre as lágrimas, e atrapalhando-se um pouco ao falar. – Não queria lhe omitir algo tão importante!

- Shh... não precisa se desculpar por nada! – o alfa começou a falar baixinho, tentando com isso que seu ômega se acalmasse um pouco. – Phic, são coisas de sua família, são segredos, que não podemos sair por ai comentando ao acaso com quem aparece.

- Mas você é meu marido, é em você que devo confiar e ser leal! E o que eu fiz?

- Phichit, você está me contando agora, e eu não vejo mal nisso! – o moreno o mirou com seriedade. – Eu não vou deixar de te amar por conta disso? Nunca! E nem vou abandonar a você e ao nosso filhote! Vivemos em outros tempos, mas confesso que sim, temos de tomar cuidado, não só com Akiko, mas com você também. – e acariciou a leve protuberância do ômega. Sorrindo de lado ao sentir o chutinho do filhote, e mirando o tailandês, o beijou lentamente. – Eu te amo, Phichit Chulanont-Lee – uniu os nomes de ambos mesmo ainda não sendo oficializado, e sentiu seu coração disparar ao ver aqueles olhos acinzentados brilharem para si. – Você ainda quer terminar de me contar? – perguntou, e ao vê-lo concordar com um maneio de cabeça, aguardou.

- Quando tive a oportunidade de ganhar meu próprio sustento, e ir para uma universidade, deixei Okinawa! Mesmo com Tsubaki me criando como seu filho, eu não me sentia bem ali. Não queria ser uma eterna lembrança do passado de minha mãe, não queria que ela ficasse presa a um looping sem fim, o qual ela sempre iria recordar dos dias terríveis vividos em Surat Thani, onde ômegas como ela, eu e talvez até mesmo nossa pequena, não tem voz própria, e são apenas objetos! – soluçou entre as lágrimas que riscavam levemente o rosto bonito. – Por isso que meu futuro poderia ter sido igual ao de minha mãe! E agora eu entendo por que Yuuri, a mamãe de nossa pequena pediu com tanto fervor que Viktor a salvasse. Quem sabe ele já estava prevendo o futuro para ela, não? E eu nem quero imaginar o que poderia ter acontecido com ela se não estivesse conosco! Até mesmo comigo, se minha mãe não tivesse conseguido escapar. Nós nunca teríamos nos conhecido! – e se abraçou ferrenhamente ao alfa, buscando inalar com maior intensidade aquele olor a hortelã que o acalmava e o fazia entender que estava são e salva. Que eles estavam protegidos!

Sem dizer uma só palavra, Lee puxou mais seu marido para si. Liberando um pouco mais de seus feromônios, tentou acalmar seu par, e acariciando-lhe lentamente as costas, depositou beijos em cada lágrima que deslizava sobre a face marcada e avermelhada. Sentia seu alfa rosnar colérico pelo sofrimento imposto a seu ômega, mas ele sabia que teria de descarregar o que estava sentindo, aquela tensão toda, de outra maneira.

- Phic – chamou-o com uma delicadeza, que até mesmo ele desconhecia possuir -, tenho certeza que sua família sente sua falta!

- Você é muito bondoso, Seung! – o tailandês murmurou ainda sentindo-se impotente. – Eu não quero passar pelo que minha mãe passou! – conseguiu dizer entre as muitas lágrimas, e antes de esconder seu rosto no peito do alfa, mirou a bebê ao lado, que parecia alheia a tudo que acontecia ao seu redor, ainda dormindo o sono dos justos! – Não quero acordar, e me ver longe de Akiko por conta desse mal caráter que é o pai dela! – rosnou por fim.

- Salang (amor), isso não irá acontecer! O que foi que você sonhou, Phic? – quis saber ao realmente se preocupar.

- Em meu sonho vieram atrás de Akiko, e a levaram, Seung-Gil! – a voz esganiçada embargada pelas lágrimas. – Aquele tal, o pai de nossa estrelinha, veio atrás de nós! Assim como tentaram localizar minha mãe e a mim, por várias vezes!

- Phic, minha flor de lótus! – Lee tentou acalmá-lo. – Ninguém além de nós dois, Chris, Yurio e Nikiforov sabem onde estamos. Akiko está morta para os seus pais biológicos, e não tem como alguém vir por ela!

- Mas eu senti aqui! – e para dar maior ênfase, tocou sobre seu coração. – Senti que algo muito ruim, uma aura má parecia nos envolver, e esse desconhecido levando nossa estrelinha embora! – mais lágrimas deslizaram pelo rosto bonito.

- Phic, eu prometo que nada irá acontecer, e eu acredito que devemos nos preocupar, sim! Eu irei proteger aos nossos filhotes – fez uma pausa ao acarinhar o ventre do marido, e após encarar o ômega –, e a você! – sapecou-lhe um beijo nos lábios. – Agora, por nossos pequenos, tente relaxar um pouco, sim! – pediu ao começar a fazer o outro se acomodar na cama mais uma vez.

- Onde você vai? – perguntou Phichit sem conseguir esconder seu temor.

- Vou lhe preparar um chá, quer? – perguntou Lee.

- Não, eu não quero! Quero que fique aqui conosco! – pediu choroso.

Com um sorriso condescendente, o alfa deitou ao lado de seu companheiro, tendo Akiko entre eles. Sem poder abraça-lo, segurou com força a mão que lhe era oferecida, e ficou acordado por um bom tempo velando o sono de seus tesouros.

Na calada da noite, Seung prometeu a si mesmo que faria de tudo para que sua família estivesse sã e salva!

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Lee não conseguiu mais conciliar o seu sono, não depois de ouvir tudo o que seu amado Phichit lhe relatara aos prantos sobre um passado difícil. Por mais que o alfa soubesse da existência desse tipo de maldade, nunca imaginou que estaria tão perto de si, e ainda mais que envolvesse seu bem mais precioso. Nervoso por descobrir o passado do ômega, rolou na cama de um lado e para o outro, no fim levantou-se ruminando sua amargura por tomar consciência de que não poderia fazer absolutamente nada sobre o ocorrido. Só podia amá-lo e garantir que no futuro nunca mais algo assim voltasse a acontecer.

Antes de sair do quarto, parou ao lado da cama e observou o ômega dormindo tranquilo. Seu mundo, sua razão de viver, seu tudo e seu amor residiam unicamente na existência daquele ser miúdo e alegre que o completava em tudo, e justamente por isso não aceitava a maldade infligida, ou melhor, não conseguia acreditar que pessoas que deveriam ser exemplos e pilares de qualquer sociedade, se comportavam de maneira tão primitiva. Rosnou baixinho e resolveu parar de pensar nessa linha, pois temia ter ideias de virar um justiceiro e ir em busca do passado para acertar os ponteiros com as próprias mãos.

Refugiou-se no escritório. Sentado em sua mesa, passou os dedos pelos papéis dispostos e arrumados sobre o tampão de madeira polido, eram contratos e relatórios da empresa, mas nada atraiu sua devida atenção e acabou por se irritar mais ainda jogando tudo no chão. O seu alfa assumirá o controle e por temer seus atos, trancar a porta lhe pareceu o mais certo a se fazer. Precisava se reestabelecer, voltar a se concentrar e não ficar agindo como um animal enfurecido. Pediu aos céus calma e paciência, e suplicou para ocupar sua mente com outro assunto qualquer, pois estava enlouquecendo e nesse momento, tudo que menos queria era demonstrar esse lado ao seu ômega fragilizado.

Por mais que tentasse se distrair, não estava sendo fácil. Vira o dia clarear e sinceramente, ainda continuava ruminando tudo o que havia ouvido pela madrugada. Chorou de raiva por se sentir um incapaz e foi entre as lágrimas que viu uma nova notificação chegar pelo seu e-mail pessoal. Christopher havia enviado alguns documentos sobre o ômega Yuuri Katsuki e o malfadado marido alfa do coitado. Abriu todos, passou os olhos por cima e num impulso fechou com tudo o notebook. Afinal qual era o problema desses alfas? Será que a classe dominante e seus iguais eram tão desprezíveis como estava enxergando nas últimas horas? Massageou as têmporas, sua cabeça doía e seu humor só piorava. Abriu o computador e começou de novo a repassar todos os dados enviados, foi juntando peças aqui e ali. Um pouco depois das nove da manhã, a casa ainda se encontrava em silêncio, preocupado com o bem estar de seu marido, o sul-coreano tornou a abrir a porta, apenas tomando o cuidado para não fazer muito barulho. Queria que seu ômega e filhote descansassem um pouco mais, e fora naquele momento que Lee se inteirara das novidades contadas por Chris pela vídeo chamada. Muita coisa começava a se encaixar, e outras continuavam uma tremenda incógnita, o que o fizera viajar um pouco enquanto conversava com o outro advogado.

- Seung, está acontecendo alguma coisa? Se precisar, sabe que pode contar conosco! – Chris tentou passar para o amigo, uma tranquilidade que estava longe de possuir naquele momento, e claro que o astuto sul-coreano iria perceber.

- Coisas corriqueiras, Chris, algo que você um dia entenderá quando tiver um ômega grávido e um filhote! – Lee sorriu de lado, um meio sorriso até mesmo indecifrável para o suíço. – Mas você também não parece muito bem, não é? – cutucou o moreno ao sustentar o olhar surpreso do loiro.

- Noites mal dormidas – rosnou Christophe ao revirar os olhos -, mas isso não vem ao caso, meu amigo! – fez uma pausa para reordenar seus pensamentos, enquanto o sul coreano sorria ironicamente. – O que realmente nos importa, é que vamos realmente precisar de ajuda, pois creio que nem você ou eu, tenhamos acesso aos documentos que precisaremos.

- Sim, isso é verdade! – concordou Lee um tanto preocupado. – Creio que talvez tenhamos mesmo de procurar com urgência por um detetive particular, nosso problema é onde encontrar um que seja o máximo discreto. – o alfa moreno tornou a olhar para trás, para a porta no final do corredor, o chorinho irritado podia ser ouvido, juntamente com a voz calma e o delicioso aroma dos feromônios de seu homem.

- Como ela está? – Chris perguntou tomando o devido cuidado de não dizer nada que pudesse comprometer a todos se alguém entrasse sem ser anunciado.

- Está bem, cada dia mais esperta, mas tem seus momentos de fazer birra... – Lee respondeu. – E sim, ela já aprendeu muitas coisas!

- Fico feliz que nossa estrelinha esteja bem! – o alfa suíço mirou as horas no digital do relógio do note, e arregalando os olhos, começou a ajeitar seus papéis em sua valise de mão. – Lee, vou ter de seguir para a prefeitura, assim que eu voltar, se necessário for, entro em contato.

- Ok! Boa sorte, e Chris – chamou antes da ligação ser encerrada -, cuidado com o que irá fazer, não se esqueça de seus supressores, e não ignore por muito tempo seu imprint!

- Como você... – o loiro não saberia dizer como seu amigo havia descoberto o que estava escondendo até aquele momento.

Sem nada dizer, o moreno cortou a chamada, deixando o amigo sem conseguir entender mais nada. E Giacometti achava que ele era tonto? Balançando a cabeça, voltou os olhos para trás mais uma vez. Pelo visto, Phichit havia conseguido acalmar Akiko e talvez estivesse agora fazendo um pouco de hora na cama, quem sabe brincando com a pequena.

Suspirando, voltou seus olhos para a porta, melhor seria que seu homem não visse tudo o que havia feito. Por mais que houvesse pego tudo do chão, o escritório fedia a feromônios azedos. Estava preocupado, e assim o fez. Com a porta fechada novamente, voltou a sentar-se atrás do computar.

Seu foco era na documentação ainda, mas precisava entender a cabeça do outro alfa. Ruminando e tentando chegar a um pensamento que justificasse por que alguém não oficializaria uma união, o alfa se viu unindo tudo o que sabia a respeito de Shimizu, com o que Phichit havia lhe contado do sonho. Um sonho, que para muitos não significaria nada, mas algo no que seu marido dissera o deixara mais preocupado, e ouvindo as novidades vinda da boca do suíço, sentia que precisava procurar saber mais sobre aquele alfa em questão.

Algo na história daquele alfa não fazia sentido para Lee. Era um empresário cercado de luxos e pessoas influentes, possuía um belo par, Yuuri, que fazia questão de mostrá-lo e exibi-lo na sociedade, levando em conta as imagens que via na tela do notebook, mas estranhamente não registrou o enlace e por consequência invalidava a união dos dois. Do outro lado, tinha o ômega que quis proteger a própria filha e herdeira direta do pai alfa que é proprietário de uma fortuna considerável. Ou seja, a cria de Yuuri seria a continuação de Akira, só que ele não queria uma menina. E esse fato ficou bem claro para o advogado quando se meteu na loucura do seu chefe russo em roubar e esconder a pequena estrelinha que deveria estar dormindo serena nos braços de Phic, ou mesmo brincando e sorrindo, aquele sorriso que possuía o dom de aquecer os corações do jovem casal.

Lee sabia que o pouco que teria acesso, seria a dados que encontraria na internet, mas para o começo já seria de grande valia, todavia, tinha de dar mão à palmatória, sem a ajuda de um detetive não saberiam com quem estão lidando de verdade. Sabia que tinha de esperar até que Viktor voltasse de Hasetu, mas nada impediria dele já checar o que pudesse considerar o melhor no ramo para quando o platinado liberasse, entrassem em contato.

Em uma primeira busca, o advogado encontrou apenas dados sobre a empresa que o mesmo havia herdado de seu pai. Nada a ver com o ramo hoteleiro e pousadas que no caso, nem apareciam vinculados ao nome do empresário.

Seung respirou fundo chegando a terrível conclusão que o tal de Akira era uma chave de cadeia, e pelo jeito desejava e ansiava por herdeiros, mas somente machos e os queria ter com Yuuri Katsuki, mas então por que não o reconhecia como marido? Por que não registrou o casamento? Por que não passou seu nome para o ômega? Parou com o olhar perdido em algum ponto na parede a sua frente, suas dúvidas só aumentavam, seus questionamentos se sobrepunham e ter uma miserável resposta plausível era o mesmo que entender a dinâmica de um buraco negro. Balançou a cabeça e tentou se concentrar no que tinha em mãos, e nesse instante foi que viu a foto antiga de quatro rapazes perfilados e uniformizados. Estava mais abaixo na mesma página em que estava navegando anteriormente.

Clicou na foto para abri-la, e acabou em uma rede social de uma determinada turma de faculdade voltada somente a alfas. Lee torceu a boca com a informação, pois não gostava desse tipo de segregação. Mas leu e releu a legenda da imagem, e depois anotou em um bloco os nomes e sobrenomes de todos. Na fotografia antiga tinham dois Akiras. Eram os dois rapazes com o mesmo nome, cursando o mesmo curso e ainda por cima amigos. Apesar da foto estar um pouco desfocada, o advogado podia notar uma certa semelhança entre os dois jovens que se encontravam na parte central da foto. Mirou com atenção redobrada a foto preta e branca com baixa qualidade de resolução e na dúvida, procurou por mais, mas não achou nenhuma que tivesse os dois jovens. Somente aquela. Salvou a foto nos seus documentos pessoais e decidiu que compartilharia a descoberta e suas desconfianças com o outro alfa advogado assim que pudesse, para o momento, tentaria fazer o seu trabalho que estava se acumulando e atrasado. Fechou todos os arquivos, pegou os óculos de leitura e puxou o primeiro papel que estava no agora amontoado de folhas depois que recolheu do chão. Mas não teve tempo de começar a ler, pois batidas suaves na porta acompanhado do cheiro de seu ômega o atingiram em cheio e Lee pulou da cadeira em um único movimento.

- Bom dia, Seung vamos...

Sem fazer cerimonias, o alfa não permitiu que o menor continuasse a falar, puxando Phic para os seus braços, o abraçou forte, prendendo-o junto de si.

- Me desculpe por não poder fazer mais por você, por não te proteger quando mais precisou... – murmurou bem próximo a glândula de cheiro do tailandês. - Eu te amo tanto, e por isso te prometo que nunca mais deixarei você chorar!

Pego de surpresa, o ex-motorista executivo se viu sem saber como proceder. Era a primeira vez que o advogado agia daquela maneira ao lhe fazer tão sincera promessa. Phichit podia sentir as batidas descompassadas do coração de seu companheiro fazendo companhia ao seu próprio, que também parecia o soar de um tambor.

Acariciando os fios negros do advogado, Chulanont deixou que um pequeno sorriso lhe iluminasse a face. Depois de enfrentar uma noite de sono agitado, sentir-se tão querido e amado, o deixava em estado de graça! Parecia que tudo seria sobrepujado, e enfrentado de frente pelo valoroso alfa.

- Obrigado, meu amor! – Phichit ronronou baixinho ao depositar um selinho nos lábios de Lee. – Obrigado por tudo! – completou ao sustentar-lhe as íris acinzentadas e profundas. – Agora venha, venha fazer companhia para mim e Akiko! – e sem esperar que o mesmo contestasse, começou a guia-lo para a cozinha onde uma mesa de café da manhã estava posta com tudo o que mais ele gostava.

Independentemente do que viesse, de qual tormenta eles tivessem de enfrentar, Seung seria o porto seguro para sua família. E tendo isso em mente, prometeu a si mesmo que iria desvendar aquele mistério que envolvia o tal Shimizu!

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Lembretes e Explicações:

Surat Thani, é uma cidade no sul da Tailândia. É a capital da província de mesmo nome. A cidade tem uma população de 128.179, e uma área de 68,97 quilômetros quadrados, sendo a densidade populacional de 1.858 habitantes por km². Suran Thani está situada perto da foz do rio Tapi no Golfo da Tailândia

내 사랑 nae salang – Usando a ajuda do Google Tradutor, Nae Salang em coreano significa Meu amor. Não sabemos se está correto, mas assim esperamos! Perdoem se não for bem assim, tentamos o nosso melhor!

Cantinho Rosa e Azul:

Almaro: Olá! Para todos que aqui chegaram!

Theka: Oieee... Almaro e eu pedimos desculpas por essa demora, e bem...

Almaro: Tendo em vista tudo o que vem acontecendo em nosso país e no mundo...

Theka: Acabamos por ter lapsos de memória, falta de inspiração, e eu algumas crises terríveis de ansiedade!

Almaro: Mas cá estamos e...

Viktor: E vocês fazem um capítulo só de Chulanont e Lee?

Theka: Almaro, querida, você ouviu alguma coisa? *ignorando o platinado*

Almaro: Não, eu acho que seja o vento lá fora. *sorriso debochado*

Viktor: Já entendi! Ok! Vocês vão ignorar minha presença, né? Pois bem, eu vou e não volto mais!

Yuuuri: Tem certeza que não irá voltar?

*Arregalando os olhos o platinado nada diz, e aproveita para puxar Yuuri para um abraço apertado.*

Viktor: Se supõe devemos estar do mesmo lado! Vem, vamos conversar longe dessas duas e...

Theka: Hoje foi fácil!

Almaro: Mas uma próxima talvez não seja!

Povo amado, pedimos desculpas pela demora, mas cá estamos.
Esperamos que todos estejam bem, que se protejam, e que gostem desse novo capítulo!

Beijos e até o próximo
Almaro e Theka