Lembretes e explicações no final do capítulo.
Capítulo ainda sem verificação, assim que possível, faremos a substituição pelo betado.
Qualquer erro, será corrigido depois!
oOoOoOo
Yuuri estava nervoso, e era fácil de perceber isso! Ele torcia as mãos sem parar enquanto olhava para seu reflexo no espelho do toucador, sem saber e conseguir entender se estava certo sobre alguma coisa da sua vida nos últimos tempos.
Havia passado por tantos dissabores, e desventuras desde que saíra da casa paterna, que considerava que já havia sofrido tudo o que poderia sofrer, mas estivera enganado, pois o destino havia reservado a pior das provações quando a morte inesperada de sua filhota a levou para longe de si. E seria cômico se não fosse trágico, pois mais uma vez o destino havia girado a roca da vida, e não mesmo instante em que sofria o baque angustiante, recebia a dádiva de conhecer sua alma gêmea, o seu destinado! O alfa estrangeiro, platinado, de olhos azuis (como ele desejado quando criança), e com cheiro de pinheiros surgia como um bálsamo para sua dor e seu luto.
E por mais que Yuuri tentasse, por mais que pensasse não é correto e temer pelo novo e até mesmo pela ira de Akira, não dava mais para negar uma ligação que ambos possuíam. E a proporção de tudo isso já podia ser considerada grande e o laço que os unia, ficava cada dia mais em evidência. Eles já não conseguiam mais ficarem distantes um do outro por períodos muito longos. Eles se buscavam, e culminando com tudo isso, o destino usando de seus artimanhas, parecia querer colocar a prova o que cada um sentia pelo outro.
O cio do ômega chegara de uma vez, sendo duro e o mais difícil que ele já havia enfrentado. Fora o mais longo, e só não se tornara mais dolorido, pois tivera a ajuda da irmã e principalmente com as opiniões de seu alfa, que mesmo se controlando a base de remédios e calmantes, não se impôs e muito forçou um acasalamento. Katsuki sobrevivera, e se desviar muito como as pessoas que estavam ao seu lado.
Viktor foi um verdadeiro cavalheiro nos sete dias que viveu entre o céu e o inferno dentro do onsen, e mesmo o moreno desconfiando, e até mesmo desejando secretamente que a mente fraquejasse, o estrangeiro foi firme e o japonês podia afirmar que seu alfa era um homem com controle absoluto da situação e senhor de si.
Yuuri sorriu pequeno. Ter seu alfa por perto o mimando com pequenos gestos e carinho, não tinha preço, mas saber que ele não agia como um animal era o melhor. Os olhos castanhos se desviaram automaticamente para as peças de roupas dobradas e empilhadas na beirada da cama, todas blusas ofertadas pelo alfa como forma de aplacar os efeitos do cio que vivenciara. Bem como, Yuuri agora sorria abertamente, quando focou o olhar no cachorro de pelos marrons que se tornou seu maior companheiro nesses dias intermináveis dentro do seu quarto. O bicho não lhe pertencia, mas mesmo assim o verdadeiro dono abriu mão dele para que seu ciclo de calor fosse mais suave.
Batidas firmes na porta fizeram o moreno pular no lugar, não precisava abri-la para saber quem estava do outro lado, pois o cheiro e o cachorro já denunciavam quem chegara. Um tanto incerto, sentia-se nervoso, o ômega levantou lentamente de onde estivera sentado até então, e caminhou não tão resoluto como gostaria. Era seu primeiro convite para um encontro, se é que assim poderia ser chamado aquilo, mas era, e o Katsuki sentia como se seu coração fosse sair pela boca. Respirando pausadamente, esticou a mão e abriu a porta com uma pressa maior que a necessária, e tudo só para dar de cara com os olhos azuis do alfa.
Ele havia aceitado fazer um passeio até à praia, uma caminhada pequena com o intuito de respirar um ar diferente e se afastarem do onsen por algumas horas, embora a ideia principal fossem ficar longe das atitudes protetoras da irmã beta e dessa forma, poderiam se conhecerem melhor sem a constante presença feminina e seus olhares nada discretos na direção do alfa.
Viktor estava encantado pelo japonês, sempre esteve e embora muitas vezes tivesse a plena certeza que só fazia e falava besteiras perto do ômega, não deixava de manter a esperança de que o seu par o aceitaria da maneira que era, com todos os seus defeitos e qualidades.
- Você está pronto? – questionou ao mirá-lo fixamente nos olhos. – Podemos ir? – indagou ao observar o menor morder o lábio inferior e tombar a cabeça para o lado como se questionasse alguma coisa. - Tem algo errado? – Viktor resolveu perguntar, mesmo temendo que o moreno voltasse atrás de sua decisão.
Yuuri pensou por alguns minutos, e achou melhor não comentar que Mari estava espreitando os dois. Podia sentir a presença da irmã de longe e sabia que no fundo tudo era para o seu bem, mas ela estava começando a passar dos limites.
- Sim! Já podemos ir! – respondeu sem titubear, e no impulso, agarrou a mão do alfa platinado, saindo arrastando o coitado escadas abaixo com o cachorro nos seus calcanhares. - Até daqui a pouco, Mari! - Yuuri gritou para o vazio, pois sabia que a japonesa estava escondida em algum lugar do andar superior.
Já na rua foi que percebeu o olhar divertido que o russo ostentava e sem graça Yuuri baixou a cabeça mais envergonhado que anteriormente.
- Me desculpe...
- Por favor, você não precisa me pedir desculpas de nada! – Nikiforov tombou um pouco sua cabeça ao arquear uma sobrancelha deixando que um sorriso cativante surgisse em seus lábios. - Sua irmã é uma mulher interessante... – o lúpus começou escolhendo bem as palavras para não errar e meter a pata. Não havia como fugir de comparações como já tinha feito antes, e ao se lembrar da mãe, mais uma vez tornou a achá-las muito parecidas. - Uma beta que não deve nada para uma alfa, acredite em mim, e sei que por mais que ela tenha me aceitado sob o mesmo teto, ainda terei que conquista-la várias e várias vezes até que finalmente confie em mim, não é verdade? – questionou mais para ter certeza daquilo que já desconfiava.
O moreno sustentou o olhar do russo e sorriu timidamente. Com um aceno de cabeça, Yuuri confirmou o pensamento do platinado. E a partir daí, virou-se e com passos lentos e miúdos começando a andar em direção à praia, logo sentiu Viktor o acompanhar junto com o cachorro. Lembrando-se de que deveria sempre caminhar um pouco atrás, deixou que o alfa passasse a sua frente e o seguindo a seguir, sempre um passo atrás.
Achando um pouco estranho aquele comportamento, Viktor parou de caminhar e aguardou até que Yuuri estivesse ao seu lado. Mais uma vez arqueando as sobrancelhas, tentou entender o que tinha sido tudo aquilo. Ao tentar fixar seu olhar nos do homem ao seu lado, este desviou como se não devesse estar fazendo aquilo.
Viktor sentiu seu lúpus revirar dentro de si, as palavras cruas de Mari contando como Yuuri tinha de se portar e até mesmo caminhar quando estava com aquele ser vil e prepotente, o deixavam a ponto de surtar. Se pudesse, acabaria com a raça daquele projeto de alfa, mas por hora, seria melhor deixar aquilo para lá. O russo tinha de se controlar o melhor possível, não podia se deixar levar, e tinha de agir naturalmente, tentando mostrar apenas ao seu ômega, que ele não teria que fazer essas coisas.
Lembrando-se de como havia sido criado, de como as boas maneiras ditavam várias condições e até mesmo os modos e costumes mais antigos de etiqueta, o platinado deixou que um leve sorriso decidido brincasse em seus lábios. Parando de caminhar e aproveitando que ainda continuavam com as mãos unidas, virou um pouco o corpo de lado, volvendo os olhos na direção do moreno, as íris cerúleas perderam-se nas castanhas avermelhadas. Passando a mão do japonês para sua outra mão, com um movimento simples, mas charmoso, levou-a aos lábios, depositando um beijo gentil que pareceu um raio percorrendo o corpo de ambos, e em seguida a colocando sobre seu antebraço, fazendo assim com que o ômega ficasse de braço dado com ele.
- Me permite a honra de conduzi-lo pelo caminho? – Viktor usando seu charme baixou um pouco a cabeça, mas sem desviar os olhos dos de Yuuri que estava furiosamente corado. – Sei que parece um gesto antiquado, mas fui criado assim... – fez uma pequena pausa apenas para ver o ômega ficar mais envergonhado, o que o deixava extremamente adorável – Se isso lhe incomodar, posso...
- Não! – apressou-se em dizer, ficando mais avermelhado, se é que ainda era possível aquilo. – Eto... Em hipótese alguma, eu apenas não estou acostumado com isso e... – Yuuri parou de falar ao compreender que ali ao seu lado, estava uma pessoa totalmente diferente, com talvez a mesma criação refinada que ele havia tido. Assim sendo, acabou relaxando um pouco e se deixando conduzir. No peito seu coração batendo descompassado.
- Perfeito, pois somos iguais independente de nossas classes de gênero! – Nikiforov sorriu ao constatar que não havia feito nada de errado, e com seu jeito sutil estava conseguindo aos poucos demonstrar como poderia ser e seria a vida ao seu lado.
Caminharam lentamente pelo calçamento que os levaria a praia. O silêncio tomou conta dos dois, as palavras não surgiam, e não necessitavam delas, só sentiam e apreciavam a companhia um do outro. Até que em algum momento perdido entre uma nuvem e outra, os dedos da mão direita do russo resvalaram nos dígitos do japonês em um toque sutil, acarinhando a extensão dos dedos e a palma da mão que repousava sobre seu antebraço o acabou por gerar como se uma faísca elétrica percorresse entre os corpos e ambos se encararam surpresos.
- Me desculpe... – Katsuki pediu ao encolher um pouco o corpo, esperando por um castigo o qual nunca iria acontecer.
- Não precisa se desculpar, Yuuri! - Viktor apressou em dizer, depois ficou sério e com a postura rígida. - Será que sua irmã está seguindo a gente, com certeza ela ficaria brava comigo se... - não chegou a terminar sua frase, pois a risada fresca e feliz do japonês preencheu seus ouvidos e o platinado parou saboreando o som, desejando ardentemente que ele pudesse partilhar de mais momentos como aquele, e quando Yuuri finalmente se recompôs, pediu. - Continue rindo sempre assim, por favor!
O moreno apenas o olhou nos olhos, e sorriu um sorriso pequeno sem mostrar os dentes, entendera o pedido, mas não o poderia fazer mais, não agora.
- Mari não se atreveria a nós espionar dessa maneira, mas não ache que vai escapar de suas xícaras de chá tão fácil, senhor Nikiforov! - e ali estava um Yuuri que não existia, ou melhor, que se escondia do mundo feio em que vivia há muito tempo por ser taxado de errado sempre que podia pelo marido alfa. E se ele parasse para pensar, o que estava vivenciando era algo surreal, pois tudo o que Akira prezava, Viktor parecia desprezar, e querer coisas simples, e o tratar acima de tudo muito bem!
- Viktor, para você é só Viktor, por favor! – e com isso o alfa voltou a andar em direção ao barulho das ondas estourando na praia. Antes de retirar a mão repousada em seu braço, sorriu para o moreno e após baixando ao lado do cão, liberou sua coleira e o viu correr espalhafatoso atrás das gaivotas. - Não corra muito longe, menino! – instruiu ao animal de estimação em sua língua natal.
Quando se voltou para ver onde o japonês estava, encontrou com o mesmo sentado em uma pedra de tamanho considerável. Ele estava retirando os tênis e as meias, e o simples gesto deixara o alfa fascinado.
Viktor ficou observando a maneira como Yuuri enterrava os dedos na areia e depois puxava, no processo, observou melhor o sorriso infantil iluminar a face do ômega e este fechar os olhos quando a brisa marinha bateu mais forte. Tudo à volta dele parecia ganhar um significado novo, pequenas coisas possuíam valores que para muitos passariam despercebidos, mas não para o japonês e muito menos para o russo.
Naquele instante, o alfa desejou muito entrar naquele mundo, pertencer a ele, ver a vida através dos olhos castanhos avermelhados, e ser a razão de vida dele. Por isso foi se aproximando devagar e quando estava perto o suficiente viu Yuuri virar o rosto em sua direção e abrir os olhos calmos.
- Posso me sentar ao seu lado? – Nikiforov perguntou, tomando o devido cuidado de não se impor, ou mesmo invadir o espaço do ômega. Ele não poderia se dar ao luxo de perder o pouco que já havia conseguido conquistar.
Yuuri balançou a cabeça e recolheu os pés encolhendo-se. Fechou-se como sempre fazia perto de Akira e ficou calado esperando que o alfa começasse, mas Viktor não disse mais nada, apenas sentou-se e olhou as ondas quebrando na praia.
- Você disse que queria conversar – Yuuri fez uma pequena pausa apenas para estudar um pouco a fisionomia do homem ao seu lado -, mudou de ideia? – perguntou ao não conter sua curiosidade. Passou a morder os lábios por ansiedade e por não saber como agir perto do estrangeiro.
O russo sorriu antes de responder.
- Não, eu mudei de ideia a respeito de nada que envolva você, mas também não quero força-lo a nada que não queira. - o vento brincou novamente com os cabelos negros que estavam um pouco mais compridos do que se lembrava. - Você gostaria de falar alguma coisa? Saber alguma coisa? Não tenha medo de mim. – os olhos azuis brilhantes o miravam com carinho e até mesmo uma devoção velada.
Yuuri voltou-se para o mar e depois olhou o céu que escurecia. Queria fazer muitas perguntas, algumas indiscretas e que possivelmente nunca proferisse em voz alta, mas precisava saber.
- Por quê? – começou pelo mais simples, mas que sabia que seria necessário para si mesmo. Quem sabe, até mesmo para sua alta estima.
Viktor não era homem de fugir de uma pergunta, pelo contrário adorava embates e discussões saudáveis, só que com o ômega tudo parecia mais complicado, pois sentia medo de desagrada-lo.
- Porque precisava ser você! - a resposta simples era a mais pura verdade e com isso, o alfa levantou a mão e tirou uma mecha dos fios negros da frente dos olhos castanhos.
Yuuri não saberia dizer o que o surpreendeu mais, se fora a resposta ou o gesto em si, pois Viktor ao mesmo tempo em que passava um ar majestoso, demonstrava ser simples, e gostar dessas pequenas coisas. E por mais que o ômega não quisesse comparar os dois alfas, ele não conseguia. Os sentimentos conflitantes o faziam almejar estar ao lado daquele estrangeiro, mas ele sabia que o que ele estava sentindo e desejando ter, não passavam de sonhos, que para ele não se realizariam, pois estava preso a um casamento infeliz. Sentia que morria lentamente ao lembrar-se de sua trágica vida, e a pouca felicidade sentida parecia se esvair pelos vãos de seus dedos.
Sem notar a princípio o choque de realidade que o moreno estava tendo, Viktor prosseguia com o que tinha de dizer. Devia mesmo ser honesto e não deixar seu destinado ficar na escuridão. Também não queria que tudo começasse com novas mentiras, ou mesmo ocultar-lhe mais alguma coisa.
- Eu sei que não é o melhor momento, também sei o que me foi pedido, mas eu sinto Yuuri, que não poderei ficar mais tanto tempo longe de você! – começou Viktor tomando fôlego e iniciando o discurso longo, talvez, em prol de sua... da felicidade deles. Ao ver o ômega mirá-lo espantado, continuou antes que ele dissesse alguma coisa. – Nossa ligação é muito forte, Yuuri, e eu não consigo compreender qual possa ser o motivo. Esses dias que ficamos separados devido nossas condições, foram os piores dias de minha vida, e sei que para você também não deve ter sido fácil. – voltando seus olhos para o japonês, mordiscou o lábio inferior. Não poderia fraquejar e teria de ser tudo ou nada. – Não podemos mais negar nosso imprint, por isso eu gostaria de te ter ao meu lado, onde possamos nos conhecer melhor, e construirmos a família que nós dois merecemos ter! Eu... eu...
- Viktor, desculpe! – soluçou Yuuri ao deixar que as primeiras lágrimas de frustração e tristeza deslizassem por seu rosto bonito e perfeito, o que alarmou o alfa, que não pode fazer nada mais do que escutar o que o moreno tinha a lhe dizer. – Você sabe que nunca teremos um nós! O destino foi muito cruel comigo... conosco, Viktor! Eu sou casado com aquele homem que você viu, e não se preocupe, eu não sou bobo, sei que Mari te contou tudo o que ele me fez e faz. – Yuuri parou de falar tentando se acalmar. Seu cheiro sempre tão delicioso para o platinado, agora estava cítrico e azedo. – Akira nunca me deixara livre, e é quase certo que só conseguirei paz, no dia que Kami-sama me leve com suas asas para o outro mundo. Quando minha existência não for mais que meras recordações, aí estarei livre! – completou transtornado e angustiado.
Arregalando os olhos em choque, Viktor deu um pulo no lugar. Não, não, aquilo não poderia acontecer. Voltando os olhos para ambos os lados, não avistou uma viva alma, ou um lugar que pudesse buscar um pouco de água para oferecer-lhe e tentar acalmá-lo.
A respiração do mesmo parecia estar ficando dificultosa, e lembrando de certo episódio corriqueiro ocorrido em seu lar, quando flagrara sua mãe ajudando ao pequeno sobrinho em situação parecida, sem muito pensar ficou à frente do ômega, e usando também seus instintos de querer proteger o seu destinado, tentou não puxá-lo para seus braços.
Yuuri estava tendo um ataque de ansiedade, e se ele não fosse rápido o bastante, não saberia como ou o que poderia acontecer.
- Yuuri, preste atenção em minha voz! – pediu ao ver o japonês arregalar mais os olhos. As íris dilatadas quase entrando em choque. – Yuuri, eu sei que você pode me ouvir! – mesmo estando preocupado, Viktor tinha de tentar manter a calma para passar tranquilidade ao outro. – Eu vou segurar suas mãos. – avisou lentamente, para não assustar o moreno, e por fim este conseguir ter entre as suas as pequenas mãos do ômega.
Mirando o platinado ainda com os olhos grandes e tendo dificuldade para respirar, Yuuri tentou a priori, ver-se livre daquelas mãos grandes que retinham as suas, mas apesar do toque gentil, a pegada era forte e suas íris translucidas pareciam transmitir-lhe uma paz e tranquilidade que até então nunca havia conseguido sentir, nem mesmo quando tinha a irmã mais próxima a si. A voz forte, mas doce de Viktor que a princípio não parecia estar lhe ajudando, agora havia se tornado mais clara, e os movimentos lentos e circulares que os polegares do alfa desenhavam em sua pele estavam surtindo efeito e o acalmando um pouco.
- Yuuri, por favor, continue prestando atenção em minha voz, não, não feche os olhos, não desmaie. – pediu ao prestar atenção às reações do homem a sua frente. – Fique aqui comigo, Yuuri! – Viktor tornou a pedir ao vê-lo fechar os olhos por mais duas vezes. Podia sentir o desespero do ômega apenas por inalar seus feromônios. Puxando com gentileza as mãos do moreno, colocou-as sob seu peitoral a altura de seu coração, e ainda envolvendo-as continuou. – Yuuri, esqueça o que te aflige, olhe para mim! – exigiu ao ver o nipônico desviar os olhos, mas rapidamente o atender. – Sinta meu coração, sinta minha respiração e tente me acompanhar! Nada de mal irá lhe acontecer, eu te prometo! Eu posso fazer isso... você também pode fazer, vamos lá, vamos comigo, respire, inspire – encorajou -, não se descontrole, eu prometo de todo o coração que sempre estarei aqui por você! – e mais uma vez, como a meses atrás, repetiu o juramento que fizera na sala de parto: o seu juramento solene e secreto de quando era criança. – Vamos, Yuuri, eu sei que você é um ômega especial, lutador e maravilhoso! Ninguém tem o direito de menosprezá-lo, de diminuí-lo ou te ferir pela tirania de palavras e atos, não mais, pois eu não irei deixar! – acarinhando as mãos dele, e respirando lentamente, quase vibrou ao perceber a melhora do moreno. – Isso, moya snezhinka! – preferiu usar o termo carinhoso em russo, apenas para não deixá-lo de alguma forma estarrecido, ou mesmo contrariado, mas sim, um dia explicaria o que vinha a ser aquilo.
Respirando um pouco melhor, Yuuri reparou finalmente no que fazia, e como estava, e por mais que sentisse vontade de se separar do platinado, não conseguia acreditar em como seu ômega reconhecia no russo o seu legítimo par! Até aquele dia, Katsuki imaginava que nunca deixaria um alfa se aproximar tanto e tocá-lo, pois ele evitava até o contato de Akira, mas com o platinado tudo parecia ser tão mais fácil, até mesmo traumas de se ver seguro, como estava agora, pareciam não serem mais a mesma coisa, e o que era mais surpreendente, por mais que relutasse em acreditar no que Viktor lhe dizia, ele sabia bem lá no fundo que sim, o alfa cumpriria.
- Obrigado! – murmurou o moreno desviando um pouco o rosto, que sentia estar em chamas.
- Simplesmente maravilhoso! – divagou Nikiforov em resposta sem conseguir se conter. – Nunca me agradeça, eu faço por que quero, faço por que sei ser o correto! E não me venham dizer que estou assim por que acabamos de sair de nossos ciclos de calor, que posso provar que faria da mesma forma tudo de novo!
- Eu acredito no que diz... – Yuuri voltou a mirá-lo com um pequeno sorriso. – Mas eu continuo atrelado a uma pessoa irracional, que não me deixará partir! – o ômega estava ainda fragilizado, e por mais que acreditasse nas promessas de Viktor, ele sentia medo.
- Talvez as leis não sejam tão claras e acessíveis para os ômegas e betas, mas existe algo que você não deva saber Yuuri. – começou Viktor. – Um casal destinado, se comprovado, não há união que separe. De onde venho, os casamentos arranjados são uma coisa normal, mas sabemos de muitos que foram desfeitos por conta dessa união forte de almas.
- Mas como isso é possível? As marcas de reivindicação... – Yuuri parecia confuso.
- Nesses casos, não há muito o que se fazer, Yuuri, mas em nosso caso, você não foi marcado, o que eu não entendo e não vem o caso querer entender, o fato é que esse pormenor está a nosso favor! – o platinado mirou-o com interesse.
- Mas eu sou um ômega quebrado, um ômega que não é mais puro, e que nem para gerar uma vida saudável prestou! – a voz embargada do nipônico cortou o coração do russo. Virando o rosto para o lado, Yuuri sentia-se a pior das criaturas, e tudo aquilo tinha um por que e um único culpado, que nesse caso, não era ele.
- Yuuri, olhe para mim! – Viktor pediu ao lentamente com o auxílio de uma de suas mãos, segurar o queixo do menor, e fazê-lo voltar a mirá-lo nos olhos. Sustentando-lhe o olhar mais uma vez, deixou que as íris avermelhadas se perdessem no infinito azul celestial. – Não me importo com nada disso, sabe por quê? – perguntou e ao vê-lo negar, continuou. – Por que o que eu vejo a minha frente, é uma flor que se cuidada devidamente com carinho e muito amor, florescera mais linda e atraente do que já é! Eu não me importo que não seja mais virgem, mas se isso o preocupa, sempre o tratarei com o respeito que merece, e todas as vezes que estivermos intimamente, será como sua, nossa primeira vez! E se me deixar, farei esquecer todas as más experiências, tudo... Yuuri, eu não vejo um objeto quando olho para você! Eu vejo um ômega, um homem igual a mim, um ser vivente precioso, e que eu quero um dia poder chamar de meu esposo, de poder te dar todo amor que você merece, e todos os filhotes que você quiser! – fez uma pequena pausa ao ver o ômega com o nariz levemente enrugado, e como queria beijá-lo, mas preferiu continuar o que tinha a ser dito, ele precisava saber tudo isso. Ter um choque de realidade! – Eu sei que o que aconteceu foi um acaso do destino, e não quer dizer que você seja o problema, entendeu? – e ao vê-lo com lágrimas a deslizar mais uma vez pelo rosto bonito, conteve mais uma vez a vontade de abraçá-lo. Ele não saiba se tal gesto seria recebido com bons olhos. – Por favor, não chore mais, Yuuri! – pediu ao começar a secar-lhe as lágrimas com as palmas de suas mãos. – As lágrimas não combinam com você! – completou e ao sentir sua mão ser contida, arqueou a sobrancelha. Mirando-o com interesse, notou as íris chocolates mais avermelhadas.
- Obrigado! E não, não adianta me pedir para parar de te agradecer! Eu também tive uma criação rígida, e minha educação me pede para que sempre agradeça quem me faz algum bem! – e ao dizer isso, Yuuri deixou que um pequeno sorriso lhe surgisse nos lábios.
Balançando a cabeça, Nikiforov acarinhou o rosto bonito, e não pode deixar de notar que o ômega estava se controlando para não afastar-se. O alfa precisava manter a calma, e também terminar de contar tudo o que era necessário que seu par soubesse.
- Está bem, vou me policiar! – Viktor concordou com um sorriso. – Agora, eu não quero começar algo contigo sem lhe contar tudo sobre mim. – e ao notar como o outro o encarava surpreso, continuou. – Eu sei que poderíamos ir nos conhecendo como um casal normal, mas a situação é um tanto adversa e até mesmo surreal. – e ao ver o moreno concordar com o que ele dizia, prosseguiu. – Sou filho único de uma das famílias mais antigas da Rússia, meus pais comandam uma grande empresa que se divide em vários ramos, tanto nas comunicações como cosméticos.
- Niki Cosméticos? – Yuuri somente agora ligava o nome do prometido ao de cosméticos caríssimos que via em revistas, mas que nunca tivera o prazer de usar. Ao ver o platinado concordar, o ômega arregalou os olhos, seu pretendente era mais bem de vida que Akira, mas aquilo não dizia nada a Yuuri, mesmo que Viktor fosse um pé rapado iria estar ali com ele.
- Mas já faz algum tempo que deixei meus pais, e vim para cá, para o Japão para começar meu próprio negócio, o qual está baseado em Tóquio. – comentou ao dar um pequeno sorriso. – Bem, mas não digo isso porque quero te enredar com meus pertences, pois sei que você não vê o empresário quando me olha, não é? – Viktor tinha certeza que o pouco tempo que tiveram juntos, que havia sentido que a índole daquele homem a sua frente era muito diferente de muitos que já tinha tido o desprazer de cruzarem o seu caminho, e ele queria apenas confirmar o que já conseguia sentir no fundo de seu ser.
- E tem toda razão! – Yuuri o atalhou não acreditando que tivera a coragem para tanto, mas também percebendo que o alfa apesar dos pesares, parecia gostar quando isso acontecia, puxando o ar, continuou. – Não me importo se tem milhões ou mesmo se fosse um simples empregado assalariado, se tivermos de ficar juntos, que sejamos pelo o que somos, e não pelo que temos! Não ligo para luxos, nós nunca fomos uma família abastada, e se tem uma coisa que aprendi com meus pais, foi a ser simples e honesto! – mordiscando o lábio sentiu-se mais envergonhado quando percebeu que o platinado o mirava surpreso. – O que aconteceu? Falei algo que não devia, eu... eu vou entender se quiser me castigar de alguma forma... – parou de falar ao notar nos olhos azuis as matizes avermelhadas. – Viktor...
Não, não, não! Aquela não era hora de seu lúpus querer sair! Alarmado, Viktor fechou os olhos por um segundo, pois precisava se controlar. O problema não era Yuuri, o que o irritava era não poder de uma vez por todas livrar o pequeno ômega ao seu lado de tudo o que lhe fora incutido. De todo o pavor, todos os traumas, e tudo o que lhe fizera mal em todos esses anos! Ele não queria ver as marcas do medo em Yuuri, mas mesmo de olhos fechados ainda via refletido na sua mente a imagem do japonês apavorado quando percebera seu lobo interior começando a assumir aos poucos seu ser, como podia ser tão primitivo?
Puxando o ar com força, o lúpus captou o medo partindo do ômega, tudo a sua volta estava impregnado de insegurança e incerteza, e o platinado se sentiu inseguro também, como se fosse um lobinho pisando em um lago congelado pela primeira vez. Aquilo tudo era tão novo, e tentava achar uma razão, ou mesmo algo que lhe pudesse ajudar naquele exato momento, mas o que?
Apertando mais os olhos, Viktor sorriu com amargor quando sentiu o cheiro ir se afastando rápido! Todo seu ser havia se alarmado, incluindo seu lobo interior. Este parecia patear atormentado, o alertando que algo havia saído fora de seu controle. Ao abrir os olhos, o alfa piscou forte várias vezes, notando naquele exato momento que Yuuri fugia de si, ia para longe como se fugisse das ondas bravas do mar revolto.
"Ótimo, Viktor! Você o assustou!" – pensou ao rosnar alto, e mesmo se xingando e culpando por ser um fraco, permitiu que seu lobo interior assumisse o controle total da situação. Levantou-se e a plenos pulmões, gritou:
- Yuuri! - não ordenou que parasse, não faria isso nunca com ele, não usaria sua voz de comando, mas também não pediria, pois era um alfa lúpus, e orgulho poderia ser muito bem o seu nome do meio levando em consideração sua família e criação. Repetiu. - Yuuri... - seu timbre se sobrepondo ao barulho da arrebentação das ondas e dos granidos das gaivotas.
O moreno parecia não querer dar tréguas, e por nem um momento sequer diminuiu a velocidade com que estava correndo. Ele apenas se deu ao luxo de olhar pra trás um único minuto, e imprimir maior velocidade em sua louca desembalada pela areia fofa. Desatento por uma fração de segundos, seus pés tropeçaram em um amontoado de algas e o ômega caiu na areia.
Mesmo estando um pouco distante, Viktor pode captar com sua audição sensível o "aí" praticamente sussurrado que escapara dos lábios de seu destinado, e dois segundo depois, Viktor estava se abaixando ao lado de Yuuri.
Katsuki se debateu nos braços fortes do homem que o segurava. Por mais que este apenas quisesse o ajudar a se levantar e ampará-lo, em sua mente embotada de terror, não conseguia sentir a delicadeza com que estava sendo tratado. Uma delicadeza que até mesmo o lúpus desconhecia ter.
Para Viktor tudo se descortinava de uma forma que ele não queria, e não almejara que tivesse acontecido. Ele percebera que havia ultrapassado uma barreira perigosa.
Yuuri o temia como parceiro.
Com mais delicadeza ainda, soltou muito a contra gosto o corpo menor que até então lutava para se ver livre de seu captor. Recuando, Viktor deu o espaço que o japonês necessitava, e o viu se afastar ainda no chão impondo mais distância entre os dois.
- Yuuri... eu... me pergunte o que você quer saber... por favor! – pediu o russo temendo pelo pior. – Mas não fuja mais assim! Eu não quero o seu mal! – murmurou ao dirigir-lhe um olhar quase suplicante.
Notando que algo estava completamente fora do lugar, o japonês se aquietou um pouco, mas não conseguia organizar seus pensamentos embotados e o medo que o dominava. Mesmo que ali, bem à sua frente o alfa lúpus continuasse sem se mover, ou dar a entender que o subjugaria.
- Não quero saber nada! - o moreno disse baixinho com a plena consciência que se o outro quisesse iria ser subjugado só pela força daquele olhar avermelhado. - Você é, você é um... lúpus! – afirmou mais para si mesmo do que para o outro. - E é por isso que a Mari...- ele parecia pensar em cada palavra a ser dita - é por isso! Ela sabe, não sabe? – perguntou atordoado.
Nikiforov piscou, passou as mãos pelo cabelo e derrotado, se atirou na areia precisando se recompor antes de qualquer coisa. Pela hierarquia humana de castas tinha direitos sobre qualquer criatura, pelo imprint sofrido poderia requerer o que era seu por direito e ter o ômega, mas nunca em hipótese alguma iria se impor ao japonês. Ele não era um monstro, prometera a si mesmo e a irmã beta deste, que com certeza o caparia se soubesse da merda que fez ou estava fazendo, que nunca faria nada que pudesse o deixar mais abalado, ou mesmo sofrer. Puxando o ar com força, inspirou e expirou o ar de seus pulmões algumas vezes antes de finalmente conseguir se proferir.
- Sim! - respondeu ainda respirando fundo. - Sua irmã descobriu no hospital quando atropelei você. – mirou-o de soslaio.
O japonês o encarou e depois deixou que uma lágrima solitária caísse e fizesse o platinado se arrepender mais uma vez de algo nos últimos minutos.
- Yuuri... – tudo o que o alfa menos queria havia acontecido, e logo ele que era um orador versado, agora sentia-se um impotente, buscando as palavras corretas para poder se expressar. - Eu não sou um monstro! - Viktor queria se aproximar novamente, tentar explicar, envolver o moreno no seu cheiro, mas no momento receava fazer qualquer coisa e assustá-lo mais ainda.
Yuuri sentou-se direito na areia, dobrou os joelhos e se fechou em seu mundinho. Com seus olhos, se pudesse, gostaria de invadir o homem estrangeiro a sua frente, queria ver sua alma e descobrir todos os seus segredos! Queria ver suas intenções e o que seria para ele de verdade, mas a única coisa que conseguiu foi sentir o cheiro de pinheiros a sua volta.
- Seus pais são lúpus também? - questionou para sondar e ter o que falar.
- Sim! - Viktor não lhe pareceu muito feliz com a confirmação. - A família praticamente inteira.
Yuuri mordeu o lábio inferior em um tique nervoso.
- Tem ômegas na sua família tradicional de lúpus? - seu questionamento estava sendo mordaz e se fosse sincero, nem sabia o porquê de estar agindo assim. Yuuri acreditava que era medo o que o guiava, e realmente, não era algo fácil de se descobrir depois de tudo.
Viktor balançou a cabeça antes de responder, sentia como se estivesse pisando em areia movediça com o ômega destinado.
- Faz alguma diferença pra você? – Viktor inquiriu um tanto desenxabido, e ao ver Yuuri apenas confirmar com um movimento discreto de cabeça, o platinado puxou o ar com força antes de dar sua resposta. – Sim! Temos ômegas em nossa família! – preferiu não mentir, mas também omitiu que eles eram praticamente banidos ou esquecidos pelo clã de lúpus russo.
O japonês manteve a mesma postura, seus olhos continuavam tentando penetra-lo e quando percebeu, sua boca falava o que se passava em sua mente.
- O que seus pais acham do seu imprint por um ômega usado? – questionou sem dar tempo para uma resposta plausível. – Um ômega sem posses e que possivelmente não vá dar continuidade ao gênero da sua família? - Yuuri não desviou o olhar. - Eles sabem?
Viktor se viu em um beco sem saída! Nunca imaginara que poderia ter essa conversa tão pesada logo agora, em que eles precisavam ter paz de espírito para se conhecerem melhor. Não que ele não fosse contar, sim, iria, mas aquele não era o melhor momento.
Sua relação com a família não era das melhores! E em hipótese alguma contaria para eles, na realidade não contaria para viva alma que fosse um Nikiforov, mas claro com exceção de seu primo desbocado, Christophe e Lee, pessoas que tinha em suma importância em sua vida e que lhe eram fieis. Tinha ciência de que talvez Yura, poderia ter comentado com o avô, mas por ele ter sido desmembrado da família e hoje assumir a alcunha Plisetsky, o assunto não deveria ter chegado a ninguém ou melhor dizer, que Yavok não deveria saber de nada. Do contrário já teria recebido notícias, principalmente, do seu pai.
- Yuuri, não é tão fácil assim! – ponderou com calma. Não queria assustar mais ainda ao seu destinado. - Não mantenho uma relação saudável com meu pai. – fez uma pausa pensando em como lhe explicar a vivencia acirrada que tivera com o alfa lúpus mais velho. - Ele é bem difícil algumas vezes, mas nada e nem ninguém vai mudar o que sinto aqui dentro – e para dar ênfase ao que dizia, tocou lentamente sobre o próprio coração - por você! – suspirando cansado, perdeu-se nas íris castanhas avermelhas. Amava se ver refletido no brilho daquele olhar, e como desejava que tudo se resolvesse da melhor forma. - Nasci lúpus, fui criado para me achar melhor que todos, aprendi desde pequeno que precisava me esconder para as pessoas não me temerem ou não me usarem. E sim, Yuuri, perco o meu controle quando escuto falar do meu rival alfa, seu malfadado marido. – sorriu com ironia ao lembrar do japonês escroto que tivera o desprazer de conhecer no hospital. - Você não gostaria de saber o que eu sinto vontade de fazer com ele!
O rosto do japonês suavizou um pouco, a expressão se tornou mais relaxada, e Viktor pode vislumbrar um pequeno sorriso, ou imaginou ter visto isso. Yuuri cruzou as pernas. Parecia pensar ou ponderar todas as informações que tinha em mãos no momento.
- Por que não ordenou que eu parasse? – quis saber o ômega. - Você poderia ter feito isso, e você sabe que eu não ousaria te desobedecer! – Yuuri tombou um pouco a cabeça de lado. Ainda não conseguia entender por que esse alfa lúpus era tão diferente do que ele escutara sobre eles.
- Porque não é correto! – o lúpus arregalou os olhos surpreso. - Eu quero que você me aceite, quero que você fique porque quer e não porque estou mandando. – o russo sentia ganas de se aproximar mais, segurar-lhe as pequenas mãos entre as suas, mas estava se contendo a duras penas. - Para mim é importante que você me queira por perto sem se sentir obrigado a nada. - Viktor não aguentando mais, acabou por se mover na direção do japonês ressabiado. - Eu queria contar para você sobre meu gênero, mas não sabia como fazer. Eu não tinha ideia de como abordar o assunto, e temos de concordar que não é algo que se possa chegar e ser lançado em meio a uma conversa trivial! – um tanto nervoso, sorriu de lado.
O japonês não se moveu, e mesmo quando o russo lentamente parou a sua frente, continuou imóvel. Viktor entendeu que eles haviam voltado ao ponto que estavam antes de tudo sair do controle. Meio sem graça e com jeito, o alfa puxou o pé do japonês para massagear e liberou mais feromônios para que o mesmo voltasse a se sentir seguro do seu lado.
- Sua vida foi difícil por ser um lúpus, a minha por ser um ômega... - Yuuri ponderou enquanto sentia os dedos finos tocar seu tornozelo. - Realmente mostrar a característica que mais define sua espécie foi bem sutil.
Viktor riu do comentário e o japonês sorriu abertamente, fazendo com que o platinado almejasse vê-lo mais vezes com esse lindo e luminoso sorriso.
- Me desculpe, não queria assustar você e no fim... – parou de falar ao mirar o moreno receoso.
Yuuri havia puxado seu pé de volta, afastando assim do contato com aquelas mãos firmes que o faziam estremecer como nunca havia sentido, e tombou a cabeça um pouco para o lado mais uma vez.
- Nunca conheci um alfa como você, Viktor Nikiforov! - olhou para o horizonte onde viu um raio cortar o céu. - Chame o Makkachin, vai chover! - disse e tentou se levantar do chão, mas ao firmar o pé, esse doeu e acabou fazendo uma careta de dor. - Acho que torci o tornozelo.
Viktor olhou para baixo e depois para o rosto preocupado do ômega, a chuva estava chegando e eles levariam uma eternidade para voltar para casa com ele andando devagar, e não queria que o moreno ficasse doente ou coisa parecida. Sem pensar muito, o lúpus se aproximou.
- Você não vai me bater, né? – Nikiforov perguntou e ao encarar o ômega notou que este ainda tinha um ar de confusão. Sem esperar ou mesmo formular uma nova frase, o pegou no colo e começou a andar. Não seria uma caminhada curta, e precisavam ir o mais rápido possível para evitarem tomar a chuva que se aproximava rapidamente.
Alheio a tudo isso, Makkachin corria feliz ao lado dos dois, e de vez em quando pulava tentando alcançar ao moreno, lhe fazendo a festa, e querendo com isso chamar-lhe a atenção para poder lamber-lhe o rosto avermelhado.
Deixando-se levar um pouco, o japonês apesar de ter ficado tenso com a proximidade do russo, deixou-se relaxar, e vez ou outra sorria em ver a lealdade, felicidade, carinho e devoção que o poodle mirava a seu dono. Aquilo o fazia se lembrar do que sua avó lhe dizia sobre os cães, e se este grande e estabanado animal era tão devoto a seu dono, o platinado só poderia ser alguém muito bom. Era um sentimento controverso, ainda mais para ele que sentia-se em uma confusão enorme de emoções. Todavia o ômega tinha de voltar a confiar nas pessoas, mesmo que Viktor fosse um alfa lúpus!
Yuuri sentia que precisava refletir muito a respeito de tudo que havia ouvido, mas também sabia que devia sérias explicações para o platinado. Ele não poderia cobrar-lhe tantas coisas, se estava fazendo o mesmo ao esconder-lhe o fato de ser um ômega puro, talvez o último de todo o Japão.
oOoOoOo
Cantinho Rosa e Azul:
Viktor: Olá! Hoje serei eu a falar por aquelas duas ali! *apontando para Almaro e Theka que estão as voltas com um novo capítulo e nem perceberam o platinado assumindo o PC*
Yuuri: Vitya, eu acredito que não seja uma atitude muito prudente assumir as vezes das donas do Kit Fic! *arqueando as sobrancelhas e um tanto preocupado*
Viktor: E pq não? *fazendo beicinho ao mirar o moreno com interesse* Creia-me, snezhinka, elas nem vão notar. Espia só como estão tão compenetradas no que estão fazendo! *e apontando para as duas as voltas com um Note e várias anotações*
Yuuri: Eu não sei dizer, mas estou um tanto receoso! Ouvi dizer que a Theka tem enfrentado crises loucas de ansiedade, vai que ela fica brava!
Viktor: Também ouvi o mesmo, mas ela está melhor, veja como está bem compenetrada no que está escrevendo. Se nós dois colocarmos o agradecimento no ar, creio que elas irão até gostar! Olhe isso...
Olá! Obrigado por quem aqui chegou. Almaro e Theka, a Coelha, agradecem muito pelo apoio, por não esquecerem da fic, e por sempre estarem deixando comentários (deixem sim!) fofos! E bem, vocês sabem que ficwriters felizes escrevem mais, sendo assim digam o que acharam desse capítulo!
Yuuri e eu estamos muito curiosos e as duas ali * escolas * também estarão!
Abraços
Viktor: Viu Yuu ... nem doeu!
Yuuri: * revirando os olhos e vendo a Coelha e a Almaro se aproximando * Talvez não doeu até agora ... * e deixando o platinado intrigado o puxou para longe do PC *
Theka e Almaro: Mas ora vejam só!
Tem jeito não! A todos, muito obrigado!
Almaro e Theka
