Lembretes e explicações no final do capítulo.
Capítulo ainda sem verificação, assim que possível, faremos a substituição pelo betado.
Qualquer erro, será corrigido depois!
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Voltar para o onsen nunca havia parecido ser tão demorado como estava sendo daquela vez. Talvez fosse por que nenhum dos dois queria aquilo, ou mesmo que talvez quem sabe, ambos ainda não se sentiam aptos para terem que suportar o interrogatório que Mari poderia, e ah! Ela iria se achar no direito de o fazer!
Yuuri acreditava que aquele jeito superprotetor que a irmã assumira, era uma prova mais do que concreta que ele sempre poderia contar com sua proteção, carinho, ajuda e devoção, mas agora mesmo que tudo fosse controverso e por deveras confuso, o nipônico tinha mais alguém que queria o proteger, que gostaria de vê-lo e também fazê-lo feliz!
Katsuki ainda sentia muito, mas muito medo, mas também sabia que deveria dar uma chance ao platinado e a si mesmo. Ele tinha de dar-lhe um voto de confiança, e até aquele momento, tudo o que Nikiforov havia feito, foram coisas para o ajudar, e mesmo tendo um ciclo de calor tão ou mais dolorido que ele, o alfa conseguira se conter, respeitando ao ômega.
Yuuri sabia que isso era muito raro. Ele tinha a prova viva dentro de sua casa, e nem gostava de lembrar disso! Um alfa quando quer pode ser bem cruel desejando apenas saciar-se a si mesmo, não pensando nunca no bem estar de seu parceiro. Fechando os olhos com força, tentou espantar aquele pensamento ruim, e se focar no que de fato era necessário. Não se dera conta que juntamente torcia os lábios em um tique nervoso.
Viktor notara que o japonês estava centrado e até mesmo podendo dizer que ele estava perdido em seus pensamentos. O ômega parecia realmente devanear, e nem notara que o alfa lúpus o mirava com interesse e um pouco de preocupação.
- Você deve estar sentindo muita dor em seu tornozelo, não? – Viktor pergunto mais para ter a certeza do que já desconfiava. – Eu não sei como me desculpar...
- Não é nada muito insuportável, e acho até que fosse melhor me colocar no chão! – Yuuri respondeu ao desviar os olhos dos azuis penetrantes que pareciam querer lhe sondar. – Aprecio sua preocupação para comigo, mas você não precisa ficar se desculpando sempre... alfas não pedem desculpas! – murmurou a última parte sabendo que o lúpus ouviria.
Em seu peito, o lobo voltou a rosnar e a uivar forte. Viktor sabia que se um dia Akira tivesse o azar de cruzar o seu caminho uma outra vez, que ele não saberia se conseguiria se controlar. E ele sabia que tinha de fazer isso, pois não conseguia imaginar o que Yuuri faria, mesmo com ele não dizendo nada anteriormente quando confessou que adoraria fazer coisas nada amigáveis com o outro alfa.
- Creio que não vá ser possível! – Viktor focou seus olhos na fachada do onsen, e depois em Makkachin que os esperava sentado sobre o marco de entrada. – Nós já chegamos, e mesmo que seja uma distância pequena, não seria de bom tom e sensato forçar seu tornozelo e acarretar algo pior! Ainda não sabemos se foi apenas um entorse, e eu não me perdoaria se a situação piorasse mais. – comentou e ao voltar a mirar o rosto bonito do moreno, conteve a vontade de o beijar ali mesmo. – Me deixa cuidar de você? – pediu a voz levemente mais grossa, rouca. – Talvez você não esteja acostumado a ter alguém fora sua irmã que lhe dispense atenção, carinho, amor e preocupação, mas agora eu estou aqui. E devo lhe advertir que não pretendo sumir de sua vida, a não ser que você assim o deseje! – e travou seu olhar nos do ômega.
Mordiscando o lábio inferior, Yuuri reprimiu a vontade de tentar saltar dos braços fortes que o sustentavam, pois o russo tinha razão, ele não podia se dar ao luxo de levar adiante sua vontade, apenas por temer o que poderia acontecer! Também era a primeira vez que alguém que não era de sua família demonstrava genuína preocupação para com sua pessoa. E Viktor soava tão bem quando falava com ele, demonstrando sua preocupação. Seu ômega, o lobo interior, parecia patear em seu peito desejando ser reivindicado por aquele alfa lúpus.
Talvez fosse o certo a se fazer, mas como? Katsuki não sabia se aquilo que o platinado lhe dissera era verdadeiro! Sua honra estava acima até mesmo de seu imprint.
Notando que era observado pelo russo, Yuuri baixou um tanto os olhos, sabia que não era de bom tom deixá-lo sem uma resposta, assim armando-se de coragem respondeu.
- Por favor, cuida bem de mim! – pediu quase em um fio de voz. Algo muito baixo, quase faltando a coragem pretendida, mas que ele tinha certeza que o lúpus com sua boa audição havia escutado.
Se para Yuuri dar-lhe aquela permissão havia sido uma tarefa difícil, e que claro o deixara corado pela audácia e vergonha em dar liberdade para um alfa que não era ainda nada seu. Em contrapartida, para Viktor, parecia que ele tinha ouvido a mais doce melodia. Um primeiro passo dado. Seu lúpus ululava inquieto em seu peito, e o platinado sabia que se deixasse, o lobo tomaria todo seu ser, e aquele não era o momento. Todavia, seu peito havia se aquecido, era uma simples resposta, mas que havia lhe agradado e muito. Quem sabe assim, eles poderiam estreitar mais seus laços.
Com um sorriso, que se Yuuri o conhecesse a mais tempo saberia ser de alguém abobalhado, Nikiforov se preparava para entrar e dizer mais algumas coisas, mas a ação acabara por ser interrompida pela chegada de outra pessoa e a voz estridente da beta que os esperava, com os braços cruzados e olhar mortal.
Ômega e alfa lúpus a miraram surpresos. O mutismo de ambos a deixando ainda mais colérica.
- O que foi que você fez? – Mari perguntou mais uma vez. Ela parecia tão irritada, que em momento algum notara que o irmão não parecia estar desconfortável por estar nos braços de seu destinado.
A priori, o russo e o japonês ficaram sem ação alguma, mesmo quando a beta avançou sobre eles e tentou puxar o irmão dos braços do platinado, o qual não liberou a pegada, tendo o ômega mais junto de si, mesmo que em um ato inconsciente de Yuuri.
- Viktor não fez nada! – respondeu enérgico. – Não aconteceu nada, Mari-nee! – os olhos levemente rubros rebrilhavam quase ganhando um tom mais forte, sustentaram os da Katsuki mais velha.
Aquilo era uma novidade para Mari! Ela nunca tinha visto os olhos de seu irmão ficarem mais escuros e vermelhos como essas últimas vezes. Mirando a ambos com atenção, ela mordiscou o lábio inferior. Alguma coisa havia mudado, ela ainda não conseguia entender, mas com calma iria conseguir chegar a uma resposta para tudo aquilo.
- Se não aconteceu nada, porque ele te carrega? Nikiforov, se fez algo com meu irmão...
- Eu não vi um desnível, caí e torci meu tornozelo! – Yuuri achou melhor por bem ocultar o que de fato havia acontecido, pois não queria que a irmã surtasse mais do que já estava. Ele podia ver como ela parecia lutar para se controlar. – Viktor foi muito gentil de me trazer de volta em seus braços. – ao terminar de dizer isso suas bochechas tornaram a ficar mais coradas.
- Mari, sei que desde que vocês praticamente ficaram sozinhos, que você puxou para si a incumbência de proteger a seu irmão mais novo, isso é compreensível, e eu te entendo plenamente, mas assim como seu irmão, você deve ceder um pouco, pois nem todo mundo que se aproxima de vocês dois será com más intenções! – fez uma pausa e sem dar tempo para que a espirituosa mulher contra-atacasse, continuou. – Compreendo sua posição, mas qualquer outro alfa já teria feito algo contra sua pessoa, pois desde que cheguei aqui está a me ameaçar! – comentou sem querer esconder nada de seu destinado. – E creio que já deixei bem claro o que quero! Aprecio sua valentia, a qual só vi em uma outra única mulher, que eu tenho o orgulho de chamar de mãe! Mas uma hora, nossas patas se fortalecem, e as fortes e valentes "lobas" que zelavam por nós, tem de dar o espaço que merecemos! – ponderou o russo. De todo o coração ele esperava que sua futura cunhada não levasse a mal aquela conversa toda. – Você não irá perder o seu irmão mais uma vez! – murmurou ao voltar os olhos para o moreno ainda em seus braços. – Eu lhe prometo de todo o meu coração! – a voz solene o olhar sério.
Um tanto desconcertada, a beta deixou as mãos caírem ao lado do corpo. Ela não podia agir da forma que estava fazendo. Ambos tinham razão, ela não podia generalizar as coisas, e o russo à sua frente não lembrava em nada os muitos alfas que ela tivera o desprazer de conhecer, e muito menos a Shimizu e aquele projeto de primo que o mesmo tem. Ela poderia ousar dizer, que Viktor lembrava e muito o quanto Katsuki Toshiya fora valoroso quando ainda era senhor de si!
- Eto... passem! – ordenou. – Leve meu irmão até a sala de TV, Nikiforov! – pediu Mari para logo em seguida sair do caminho e lhes dar passagem.
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A princípio, Nikiforov não havia entendido por que a beta sem se pronunciar, os deixara sozinhos por um período de tempo razoável, em que ambos ficaram em um estranho mutismo.
Naquela hora, ele desejara ter tido pulso e firmeza quando ainda jovem para ter batido de frente com seu pai, e poder ter estudado o que gostaria, mas a medicina estava longe de si agora, e ele tinha de se contentar em ser um administrador de empresas, conhecedor de tantas outras especializações, bem como comércio exterior! Queria se recriminar, mas de nada adiantaria fazer tal coisa, pois se não fosse dono de seu próprio negócio, hoje não estaria aqui e talvez o destino nem o ajudasse a encontrar seu soulmate.
Observando melhor o moreno, se preocupou mais ainda ao vê-lo torcer os lábios. Colocando uma almofada sobre o tampo de madeira da pequena mesa de centro, bateu a mão sobre o objeto fofo ao finalmente se pronunciar.
- Coloque o seu pé apoiado aqui! – pediu por fim quebrando aquele silêncio opressor que havia se instaurado entre eles. – É bom deixar o tornozelo ferido apoiado um pouco para cima! – preocupou-se o alfa.
Yuuri mirou-o com surpresa, mas não se sentiu com vontade de ir contra o que o platinado havia lhe sugerido. Assim, com um pouco de cuidado, levantou a perna depositando-a com cautela sobre a almofada fofa.
- Obrigado! – murmurou em agradecimento.
- Você não precisa me agradecer sempre! – Viktor respondeu. – Eu já lhe disse isso antes, não? E sim, eu sei que isso é algo de sua criação, e irei tentar me policiar para não viver lhe falando isso! – sorriu, um sorriso tímido para alguém como ele. – Mas também espero que você se dê conta que não precisa se anular quando estiver comigo! – completou o lúpus ao notar como Yuuri se fechava novamente em seu mutismo.
- Eto (Hmm)... não é questão disso, eu estou pensando... – o japonês fez uma pausa. - Tudo teria sido diferente se eu não tivesse me assustado! – Yuuri mirou-o de soslaio. Temia dizer o que estava pensando, pois não iria aguentar se fosse reprimido, ou mesmo recriminado apenas por ter pensamentos próprios. Mas ao voltar a olhar o lúpus sentado à sua frente, percebera que tinha muito o que aprender. Este o observava com certa adoração, quiçá até mesmo surpresa! – Como disse, se eu não tivesse me assustado, você não teria tido de me carregar, e não estaríamos nessa situação!
Viktor mordiscou o lábio inferior ao notar como o moreno ficava adorável com as bochechas avermelhadas pela vergonha. Quem sabe, ele nunca se cansaria de apreciar vê-lo assim. Todavia, o alfa não poderia nesse momento se dar ao luxo de divagar, pois ele precisava reorganizar seus pensamentos, e tentar acalmar a seu ômega, que começava mesmo que pouco, a liberar seu perfume, mas não como antes, ele podia sentir a preocupação em pequenas notas cítricas levemente mescladas com o olor a cerejeira.
- Se você se refere a tudo isso, por eu ter te carregado, eu o faria de novo! – Viktor pontuou com sinceridade. – Não é vergonha nenhuma ter te carregado até aqui! Eu seria muito ignorante e até mesmo insensível se tivesse agido diferente! – o platinado sustentou-lhe o olhar surpreso. – Você não é um marionete que pode ser manipulado pelos fios que te prendem! Yuuri, você é um ômega lindo, que eu sinto e sei que é honrado e merecedor de ter o domínio pelos fios que regem a sua vida! – o lúpus tinha o coração batendo descompassado no peito. Ele queria poder fazer mais, mas ainda não sabia como isso deveria ser feito.
- Eu não me sinto assim! – Katsuki murmurou cabisbaixo. – E isso tem anos! – confessou por fim.
- Mas você sabe que pode se ver livre dessa opressão toda! – Nikiforov tocou com gentileza o tornozelo que se encontrava apoiado ao seu lado. Ele havia sentado no tampo de madeira polida, e mal conseguia conter a vontade de tocar naquela pele de alabastro. Ao sentir o estremecimento do outro, arregalou os olhos se apressando em tentar acalmar aquela situação. – Me desculpe, eu não queria ser tão inoportuno. Me desculpe! – pediu mais uma vez ao ver o nipônico virar o rosto.
Para Yuuri, era difícil ouvir tudo aquilo, independente se fosse sua irmã, ou agora o alfa lúpus a sua frente. Ele já não acreditava mais em si mesmo, e era complicado para ele entender que a vida estava a lhe dar uma segunda chance. O ômega já havia tentado tantas coisas para se ver livre de Akira, e todas haviam fracassado, que agora o medo parecia suplantar a tudo.
Também era novidade para ele, ter um alfa lúpus a seus pés lhe mostrando que até ali ele estivera enganado com relação a tudo, devido a ter tido uma má experiência com o alfa que se dizia ser o seu marido! Yuuri nunca sonhara em ver mais alguém que era sempre tão gentil e que sabia reconhecer seus erros, a única pessoa assim alfa que ele conhecia era seu pai.
- Não se desculpe por isso, Viktor! – Yuuri falou ao sustentar-lhe o olhar. – Você tem razão no que diz! Na realidade todos vocês! Eu apenas preciso aprender, acostumar que eu já fui um ômega que apreciava viver, e não a ter medo de retaliações e corretivos! Que eu possa voltar a ser quem eu um dia já fui ao estar com a pessoa certa! – e sorriu, um sorriso pequeno, mas que o ômega não fazia ideia de como aquilo aquecia o coração do lúpus. – Sei, e espero que Mari e você, sim os dois – reforçou o que queria insinuar – que vocês dois tenham paciência comigo, e que não desistam de mim! – acanhado, Yuuri suspirou ao sentir o toque gentil da mão que o acarinhava um pouco acima do tornozelo ferido.
Era algo surreal! Até pouco tempo, havia estremecido por ser tocado, mas agora sentia uma vontade enorme de que aquelas mãos o tocassem. De fato muito estranho, pois se fossem outros tempos e outro tipo de situação, Katsuki teria puxado a perna para não ser tocado, e por mais que buscasse uma explicação para essas mudanças, ele não conseguia. O toque de Viktor parecia ser viciante e ser direito sentir o que estava sentindo. O lúpus não lhe dava asco, muito pelo contrário, ele sentia a pele se aquecer, seu coração palpitar em louca desembalada, e o cheiro a pinheiro! Ah! Era maravilhoso!
- Eu já lhe disse que não vou desistir de você! É uma promessa, e eu levo muito a sério quando empenho minha palavra! – mirou-o com seriedade. – E eu espero que acredite em mim, no que eu te digo! E o fato de te querer da forma e do jeitinho que é, não tem a ver só pelo fato de sermos destinados, e muito menos capricho. – Viktor sorriu para tentar suavizar um pouco aquela situação séria em que ambos haviam se metido. – Eu juro a você que a partir do momento que você se sentir seguro com minha presença, que tudo será diferente, eu farei todo o possível para que se sinta bem e confortável, mas acima de tudo, tendo o controle de sua vida para fazer o que quiser e quando quiser! E eu prometo nunca mais esconder nada de você! - o lúpus sem ao menos perceber, levou uma de suas mãos ao coração, como se assim pudesse mostrar suas verdadeiras intenções.
Para aquele ômega quebrado pelas desventuras e loucuras de um alfa sem escrúpulos, escutar tudo aquilo vindo de alguém com uma posição tão respeitosa e acima de todos os viventes, era surreal e até mesmo tocante. E tudo aquilo para si! Não era sonho, Yuuri sabia disso, mas se o fosse, que pelos deuses, ninguém o acordasse!
Suspirando longamente, o moreno deitou um pouco a cabeça de lado, e em um fio de voz, tomou a palavra. Chegado era o momento de não haver mais nenhum segredo entre eles.
- Bem, sobre isso, acho que eu preciso lhe cont... – o japonês parou de falar abruptamente. Sua audição mais apurada, acabou por captar o ruído da porta da frente sendo fechada. Seus sentidos não eram tão apurados como os do lúpus, mas ele conhecia os ruídos provenientes daquela casa. – Já não estamos mais sozinhos! – murmurou.
O russo concordou, pois ele também havia escutado, mas sua curiosidade e seu lobo interior protestaram e muito por aquela intromissão!
Em poucos minutos, Mari seguida do ancião dono da farmácia entraram na sala, e com um cumprimento rápido, o velhote se aproximou esperando que Viktor deixasse seu lugar para este o ocupar.
Muito a contra gosto, Viktor deu espaço para que o tal Yamaguchi pudesse examinar o ômega. E resignado e até mesmo a contra gosto, parou ao lado de Mari.
Makkachin que até então havia ficado deitado aos pés do Katsuki, agora havia sentado, e recostado seu corpo no do ômega, e vez ou outra arreganhava os dentes para o velhote, e ensaiava um rosnado alto. Seus dentes muito brancos à mostra a cada dois segundos poderia colocar qualquer um em estado de alerta.
- Não, Makka! – Yuuri acariciando a cabeça do mascote, buscou acalmá-lo. – Yamaguchi-san cuida de mim desde eu era apenas um filhote! Ele não irá me fazer nada! – completou com um leve sorriso, e deixando que o poodle lambesse a palma de sua mão.
Estendendo uma das mãos com calma na direção do cão, o ancião esperou até que este o farejasse, e voltasse a se aquietar.
- Temos um bom mascote aqui! – gracejou ao passar carinhosamente a mão sobre uma das orelhas de Makkachin. – Um bom menino! Agora, jovem Katsuki, vejamos o que temos aqui! – tomando com delicadeza o pé do moreno, Yamaguchi deslizou as mãos hábeis para sentir a musculatura e se algo estava fora do lugar. – Ainda lhe dói um pouco, não é meu jovem? – perguntou, e ao vê-lo concordar com um aceno de cabeça, prosseguiu. – Conhecendo seu histórico biológico, essa torção não será mais nada amanhã! – sorriu ao trocar olhares entre a beta e seu irmão. – Vou deixar seu tornozelo enfaixado apenas por precaução, mas como sabe, sua recuperação é um pouco melhor que a de um ômega comum. – e ao terminar de falar, voltou seu olhar para onde se encontravam o lúpus e Mari.
Ao se levantar de onde estivera sentado, Yamaguchi se aproximou da beta e do platinado. Um sorriso indecifrável a brincar em seus lábios.
- Não foi nada grave? – Viktor perguntou deixando toda sua preocupação vir à tona.
- Não meu jovem lúpus! Seu companheiro de vida teve apenas uma torção que como dito, amanhã já não terá mais nada. Ele precisa apenas de repouso com a perna para cima! – aconselhou.
- Devo dar-lhe alguma coisa? – Mari perguntou ao mostrar que também continuava preocupada.
- Apenas se doer, ou se ainda estiver doendo, dê-lhe isso. – e entregou a beta um pequeno frasco o qual havia retirado de sua valise. – Bem, agora vou indo, pois não é muito bom deixar Tamaki por muito tempo sozinho! – gracejou, pois os irmãos conheciam o jovem em questão. Além de este ser estabanado, parecia que todo tipo de desventura acontecia ao seu redor. – Bom te ver de novo, Yuuri! – acenou para o moreno, e ao passar ao lado do platinado. – Senhor alfa lúpus, ainda precisa de balas? – e sem mais nada dizer, saiu dando boas gargalhadas ao reparar na carranca feita pelo estrangeiro.
- Eu o acompanho, Yamaguchi-san! – Mari correu atrás do homem, mal conseguindo conter as próprias gargalhadas.
Ao se verem novamente sozinhos, Viktor se aproximou do moreno e se sentou agora ao seu lado.
- Eu ainda não sei como esse senhor sabe das coisas! – exclamou exasperado Nikiforov.
- Nem eu sei direito, mas mamãe e papai gostavam muito dele! Ele é o último descendente de um clã que foi extirpado da face da terra, e papai dizia que os Katsuki`s, Yamaguchi`s e Tsukimiya`s formavam a tríplice lunar, ou como eram conhecidos popularmente Tríplice Honshu! Algo sobre clãs ligados pelo pequeno lobo que um dia habitou as montanhas de Honshu. É algo chato de se explicar! – comentou ao dar de ombros.
- Não é algo chato, Yuuri! – Mari que acabava de voltar e escutar o final da conversa, o interrompeu. – Nossa história familiar não é chata! – fungou chateada.
- Mas também não é algo comum! – Yuuri rebateu deixando o alfa mais curioso do que já estava.
- O que vocês estão querendo dizer? – Viktor perguntou ao não aguentar mais sua curiosidade. – De coisa incomuns eu entendo muito bem, afinal não foi à toa que meu segundo gênero foi escondido se podemos assim dizer, protegido por minha família por anos. Na realidade, minha família fez questão de deixar nosso gene lúpus bem escondido para o restante do mundo! Sendo assim, o último lúpus vivo seria meu falecido bisavô Ilya Nikiforov! – comentou ao acaso, reparando em seguida no olhar surpreso a ele direcionado pela morena.
- Yuuri, já sabe? – Mari perguntou perplexa sem conseguir atinar o que tinha acontecido naquele mísero passeio.
- Sim, eu já sei, Mari-nee! – Yuuri respondeu sem desviar os olhos dos do lúpus.
- E vocês...
- Creio que isso não seja o primordial agora, não é? – Viktor questionou um tanto sem paciência. Ele sabia que o ômega iria lhe contar algo de suma importância antes da chegada do velhote e da beta, e agora as coisas estavam tomando outro rumo devido a morena estar querendo sanar sua curiosidade.
- Sim, não vem ao caso agora, e... – Yuuri fez uma pausa apenas para tomar um pouco de fôlego antes de voltar a falar – Viktor, eu sou um ômega puro! – lançou sem saber que o platinado já havia unido os cabos soltos sozinho devido a suas desconfianças. - Talvez, quiçá, eu seja o último de todo o Japão. – estava feito! Katsuki havia conseguido começar o que gostaria de lhe falar, só esperava que o lúpus não achasse a história de sua família parecia um conto de fadas!
Mari mirava o irmão com incredulidade. Ela nunca poderia imaginar que Yuuri contaria algo que a família fizera de tudo para ocultar do mundo, tão rápido e facilmente. A beta mesma havia conseguido evitar a curiosidade do lúpus, e até por isso estava abismada, tentando entender o que havia feito seu irmão mudar tão drasticamente, e se abrir contando aquele segredo que gerações esconderam. Ela compreendia que havia batalhado para que o ômega fosse mais aberto ao que estava acontecendo ao seu redor, mas o temor ainda existia, e até mesmo ela tinha receios. Fazia pouco que tinham o alfa tão próximo deles, mesmo ele sempre aparentando boas intenções, ainda assim poderiam ser só fachadas... Balançando a cabeça, Mari tentou afastar esses pensamentos conflitantes. Ela não poderia se deixar levar e agir como estava agindo agora. O russo já havia deixado bem claro que estava sendo bem tolerante com ela, e de fato ela tinha de ignorar aquela dorzinha que começava a sentir! Não poderia estar sentindo ciúmes do irmão! Ela havia cuidado como podia do ômega? Sim, havia, mas agora ela tinha de deixar que o mesmo trilhasse seus caminhos ao lado daquele homem ela tinha de aceitar as escolhas do irmão, mesmo que esse ainda não tivesse se pronunciado.
- Yuuri, tem certeza que é isso o que você quer? – Mari ainda tentou persuadi-lo, mas sem sucesso. Estreitando um tanto os olhos, aproveitou para trocar um rápido olhar entre o moreno e o platinado. Ela ainda estava ressabiada, todavia tinha ciência que teria de parar de marcar em cima. Também nunca se perdoaria se estragasse a chance que o Katsuki mais novo estava tendo. Até por isso mesmo, baixou um pouco a cabeça ao ver a reação nada amistosa esboçada no rosto do sempre sereno ômega.
- Viktor merece saber, ele tem esse direito! – Yuuri completou ao se munir de coragem e esperar que a irmã o encarasse mais uma vez. – Ele também tem muito a perder se sairmos por aí desmentindo o que a família dele também fez para proteger sua classe lupina! – e com um suspiro resignado voltou a olhar para o lúpus. – Sou um ômega puro! – repetiu tendo orgulho daquilo e de poder estar dizendo sem medo.
- Um ômega puro! – Viktor mirou a beta com certa seriedade, enquanto esta apenas desviava o olhar pela primeira vez dele. O lúpus lembrava muito bem o que o velhote da farmácia havia lhe dito, e quando este questionara a beta, está desconversara conseguindo o enrolar e não contando nada.
- Creio que seja melhor vocês dois conversarem sozinhos. – Mari apressou-se ao se achegar mais uma vez perto do irmão, dar-lhe um beijo na testa, e antes de se afastar, achou melhor reforçar. – Se já começou a falar de nossa família, lembre-se de contar tudo a Viktor, Yuuri! – e ao vê-lo concordar com um pequeno aceno, se afastou. Ao passar ao lado do platinado, apenas mirou-o severamente e se afastou.
Assim que se viram sozinhos, o silêncio tornou-se opressor. Nenhum deles parecia querer tomar a palavra para si, e ambos sabiam que havia muito a se dizer.
- Yuuri...
- Viktor...
O riso um tanto nervoso de ambos parecera encher a sala de vida.
Coçando a nuca, o jovem ômega mordiscou o lábio inferior. Estava buscando uma forma para não soar fantasioso o que tinha para lhe contar, e quando mais ele queria, sua mente parecia uma parede sem nada, branca!
- Desculpe tudo o que minha irmã vem fazendo! – achou por bem começar por um pedido formal de desculpas. – Creio que ela ainda te ache uma ameaça. – murmurou ao desviar o olhar dos que o pareciam querer desnudar.
- E eu sou uma ameaça? – Viktor achou melhor perguntar, e ouvir de uma vez o que o outro achava dele.
Mordiscando o lábio inferior, Yuuri mirou um tanto pensativo ao lúpus à sua frente. Ele não queria ser indelicado, e muito menos dizer algo que pudesse magoar ao platinado. Sentindo-se um pouco agoniado devido à pressão que sentia em ter de tomar uma decisão rapidamente, o tempo foi passando, e para ambos, parecia ter sido uma eternidade!
Desviando as íris levemente avermelhadas das azuis celestiais, o ômega sentiu no fundo de seu ser que dependendo de como respondesse, poderia colocar tudo a perder. Assim sendo, encheu seus pulmões de ar e tomando a coragem que achava não possuir mais e tomou a palavra para si.
- Talvez no início, quando você chegou, eu tenha pensado isso, que você seria uma ameaça, mas com nossa convivência, mesmo que restrita e pequena, pude perceber o quão honrado você é, Viktor! E eu não me sinto ameaçado com sua presença, na realidade, eu gostaria de ir estreitando mais nossos laços. – o moreno sentia seu coração disparado no peito.
Viktor tinha a sensação de que havia ganhado uma longa batalha, e era quase impossível se controlar para não estreitar o japonês em seus braços, buscando sentir um maior contato.
- Sei que não é muito, e que o caminho, apesar de ser um só, ele é único e longo. – Yuuri sustentou-lhe o olhar com admiração.
- Sim, de fato será! – concordou o platinado.
- E para isso creio que devo lhe explicar sobre meu clã e o que todos os seus descendentes em anos fizeram para proteger um segredo e nossa existência. – A voz solene do nipônico tomava um ar nostálgico.
Viktor se aproximou dele sentando no mesmo sofá, mas um pouco afastado. Queria com isso passar um pouco mais de segurança, e também que nunca faria nada que seu destinado não quisesse.
- Nossa família descende de um dos clãs da antiga dinastia Tokugawa, onde a honra e a lealdade tinham uma importância muito grande. Naquela época os Yamaguchi, Katsuki e Tsukimiya, a Tríplice Lunar era muito respeitada por todos, inclusive pelo grande Xogum e o Imperador. – começou o moreno um tanto pensativo. Não sabia ao certo se deveria contar tudo com uma riqueza de detalhes, ou se contava superficialmente. Talvez se fizesse um aparato, o que o russo ficasse em dúvida, este poderia perguntar. Assim sendo, prosseguiu seu relato. – Devo dizer que um pouco da história se perdeu, mas o essencial os descendentes conseguiram proteger contra o tempo e contra pessoas que poderiam vir a tentar destruir a linhagem que esses três clãs unidos possuíam. – e ao ver o platinado mirá-lo com interesse, prosseguiu. – Naquela época, os clãs tinham as moradias espalhadas rodeando a base do monte Ontake, situado a quinhentos metros mais ou menos ao nordeste do que hoje é Nagoya. Ontake, era considerado antigamente sagrado e o centro da fé, muitos samurais destes clãs protegiam a floresta primitiva e bonita que rodeia toda a extensão do monte, conjuntamente com os lobos de Honshu. – para dar ênfase, apontou para um quadro do outro lado representando um pequeno lobo de cor parda e brilhantes olhos amarelados. - Nossa obaasan (avó) vivia nos contando que os lobos de Honshu eram venerados por vários motivos, e nossas famílias como seus samurais, acreditavam que eram espíritos bons que tomavam a forma dos lobos para ajudarem não só com a proteção dos terrenos sagrados, mas também dos três clãs. – fazendo nova pausa, o ômega repensou se deveria resumir tanto assim a história milenar de sua família. – Os clãs a priori, nunca se importaram muito com os lobos, estes caçavam, mantendo os cervos e outros animais longe das plantações. Mas a partir do momento que um deles se destacou, tudo mudou.
A pausa feita estrategicamente pelo moreno fez com que Viktor se aprumasse um pouco, e ao voltar seu olhar diretamente para o rosto bonito, o que viu o deixou surpreso. Um sorriso astuto brindou o russo, algo que ele nunca imaginaria ver nos lábios carnudos de seu destinado. Deixando aquele por menor um pouco de lado, continuou a prestar atenção ao que este estava a lhe contar.
- Em uma reunião festiva, algumas crianças se aventuraram pelo bosque sagrado e acabaram se perdendo nas muitas trilhas. E por mais que os adultos as chamassem, parecia que haviam desaparecido feito magia. A floresta ao entardecer parecia ganhar vida, e poucos tinham a coragem de se manterem naquele local sagrado. Após uma longa espera, no outro dia ao raiar do sol, uma loba se apresentou com seus filhotes no caramanchão construído para abrigar um pequeno local de descanso para peregrinos. Seus filhotes e ela, haviam protegido os três pequenos do frio noturno! Como agradecimento, desde esse dia, os clãs se unirem para protegerem essa espécime, e o culto ao lobo ganhou mais evidência. E... – Katsuki parou mais uma vez de falar. – Eu sei que a priori parece confuso, mas você vai entender... A união entre esses clãs sempre fora conhecida, e muito respeitada, e o que contam é que da união dessas crianças, sim as da loba, um segundo gênero mais forte surgiu. Ômegas puros, que se destacavam não só por gerarem filhotes saudáveis e mais resistentes, mas também por serem muito bonitos e com peculiares olhos avermelhados. Diziam até que alguns possuíam o dom da premonição, ou clarividência, como você quiser chamar, mas isso nunca se soube ao certo se era verdade! Como eu disse no começo de meu relato, muita coisa se perdeu, e muita coisa pode ter sido acrescentada apenas para romantizar o que quase foi a extinção de nossos antepassados! – Yuuri deu um pequeno sorriso, ao voltar sua atenção ao alfa.
- Agora sei que seus olhos além de terem uma coloração linda, é uma herança tão especial! – comentou Viktor com carinho.
- Viktor, por favor... – murmurou Yuuri ao sentir seu rosto em chamas. Aquele não era o momento para um flerte, mas o pequeno sorriso satisfeito, teve o poder de deixar mais inchado o coração do lúpus.
- Desculpe, não preste atenção ao que eu disse.. – pediu mesmo ao se sentir satisfeito por poder presenciar aquele momento – por favor, continue!
- Está bem! Deixe-me ver... Bem, apesar de serem conhecidos por sua lealdade, os clãs passavam seus dias calmamente com aquilo que era o dever deles a pedido do grande imperador, que também acreditava na floresta sagrada. Todavia, acontecimentos dessa grande magnitude acabam indo parar fora do seio dos clãs. O interesse da casa principal recaiu sobre aquele local calmo e acolhedor. – fazendo uma nova pausa, o ômega se ajeitou um pouco mais no sofá. Com uma careta de dor, Yuuri presenciou o quanto Nikiforov se preocupava com seu bem estar.
- Precisa de alguma coisa? – o lúpus perguntou demonstrando que estava prestando atenção não só no que o moreno estava a lhe contar.
- Não precisa se preocupar, Viktor! Eu agradeço sua preocupação, mas apesar da dor, estou me sentindo bem. E creio que posso terminar meu relato. – deixando que um pequeno sorriso surgisse para abrilhantar o rosto bonito, o ômega baixou um pouco os olhos, ao perceber como era observado pelo lúpus.
- Por favor, continue! – a voz levemente rouca fazendo com que íris chocolates levemente avermelhadas se perdessem por um instante nas cerúleas brilhantes.
- Eto... O xogum, ainda não havia tido um filhote para perpetuar sua descendência. Reza a história que fora uma união arranjada, e que a escolha deste, sempre fora poder ter ao seu lado uma ou um ômega que lhe desse um herdeiro a altura de suas expectativas. Um alfa para poder seguir seus passos e perpetuar mais ainda o xogunato. Mas o que essa união havia lhe trazido, foram vários filhotes que pereceram antes mesmo de completarem um ano. Por mais que a consorte deste tentasse, os bebês não vingavam, e a pobre e seu clã, poderiam cair em desgraça se essa fosse devolvida como uma peça estragada. – Yuuri não pode controlar seu asco em contar essa parte da história e pode ver nos olhos brilhantes de seu destinado, que este também não parecia sentir-se bem ao escutar aquilo. – Prezando o que a união com a família de sua consorte lhe provinha, ele a deixou sob seu jugo, apenas como uma acompanhante, e a retirando da ala destinada a consorte. Seus olhos então, recaíram sobre os clãs da Tríplice Lunar, e todo o mistério e notícias que provinham daqueles clãs. Creio que de certa forma você já chegou a conclusão do que aconteceu, não? – e ao ver o empresário confirmar com um movimento leve de cabeça, o moreno continuou. – Mesmo sobre forte protestos de alguns familiares, o próprio xogum deixou seu palácio Nijo em Edo seguindo com uma comitiva para o monte Ontake. Foram dias de viagem, mas tão logo mensageiros chegaram à região, as famílias se uniram em um único ponto para receberem ilustre visita. Nessa época, apenas um ômega havia se apresentado no clã Tsukimiya. Sua pele alva e olhos como rubis encantaram ao xogum, que não só o transformou em seu consorte, como resolveu que se este lhe desse um filhote alfa, este seria seu herdeiro direto na linha de sucessão, e ele seria eternamente grato a tão fiel clã. – Yuuri fez uma pequena pausa aceitando o copo com água que lhe era oferecido.
- Se o xogum encontrou o par perfeito, o que foi que deu errado? – Viktor perguntou com curiosidade.
- A inveja, o ciúmes e até mesmo a sede de poder por não mais serem o clã destinado a perpetuar uma linhagem tão poderosa desencadeou tudo o que irei relatar a seguir. – Katsuki respondeu com o olhar perdido em um ponto qualquer.
- Você quer dizer que a primeira consorte...
- Sim! – concordou convicto. – Naquela época, se acreditava muito em magia, e logo que se soube que o ômega, o qual minha mãe é descendente de seu clã, estava esperando um filhote, as especulações sobre o sexo do bebê e o que este seria começaram! E uma única bruxa local conseguiu acertar o que o rechonchudo filhote seria; um robusto menino de olhos tão avermelhados como o de seu progenitor Tsukimiya!
- Mas ainda era um filhote, como saber que ele poderia ser um alfa? – o lúpus estava curioso e envolvido no relato.
- O alfa xogum, possuía uma marca de nascença igual a de seu pai, e o pai de seu pai, e bem, o pequeno recém-nascido possuía uma marca idêntica em sua clavícula, bem abaixo de seu coraçãozinho! Uma característica peculiar dos alfas da família Tokugawa, o que fez com que o xogum e até mesmo o império todo se alegrasse, afinal um herdeiro havia sido trazido ao mundo. Conforme o filhote ia se desenvolvendo, mais enchia de orgulho a seus pais, mas como dizem, tudo que é bom dura pouco, e a desgraça se abateu sobre o casal, em forma de intolerância, inveja e ciúmes. Naquela época, muitos acidentes poderiam acontecer, e um plano maléfico havia sido traçado pela ex-consorte destituída. Enciumada, ela invadiu os aposentos por ela antes utilizados, e aproveitando-se do sono do jovem ômega, tentou contra a vida do pequeno ser que dormia ao lado de seu progenitor. O que está não contava, era com a fúria de um ômega ao ter seu ninho invadido e por está estar tentando contra a vida de seu filhote. O que se seguiu, foi uma luta desenfreada, que acabou com o filhote sendo morto na frente de sua mãe. Em descontrole, o jovem Tsukimiya acabou por estrangular a assassina antes mesmo de sua acompanhante conseguir chamar os samurais e o próprio xogum. Sem saber, ele havia assinado sua sentença de morte! – Yuuri cabisbaixo evitou olhar para o platinado.
- Mas ele estava defendendo seu filhote! É uma ação vista como certa e correta. Como isso poderia acontecer? O xogum não o amava? – Viktor estava indignado.
- Mesmo amando muito ao ômega, a lei teve de ser cumprida! Uma vida não se paga com outra, e o que o xogum não contava, era com a revolta dos clãs da Tríplice Lunar. Em represália quebraram os laços com o Xogunato, e com aquelas famílias ele não conseguiria mais nenhum ômega, e muito menos teria a lealdade dos seus. Mas o pior fora não poder reclamar os restos mortais do Tsukimiya. Com isso vários samurais e até mesmo pessoas do clã morreram tentando recuperarem os restos do ômega para poder lhe dar um funeral digno e honrado. Com tudo isso acontecendo, o xogum destituiu todos os clãs de suas terras, e foram caçados como se fossem algum tipo de bichos peçonhentos. Para poderem sobreviver, poucos que ainda restavam dos clãs, conseguiram deixar Honshu para trás em meio a um rastro de sangue, pois não fora fácil escapar dos homens do xogum e até mesmo de pessoas que não compreendiam o que havia se passado realmente. O que era para ser uma dádiva, acabou sendo nossa maldição. Pois ter olhos avermelhados mesmo que sendo um alfa, chamava a atenção, ligando aos traidores do império. Sim, a Tríplice Lunar acabou por ganhar essa alcunha. Assim a proteção sobre nossos descendentes começou!
- Entendo, então por isso seus ancestrais esconderam tão bem sobre os clãs e seus ômegas puros?
- Mais ou menos isso! Eles não fugiram só do império, mas também de uniões que poderiam colocar a vida do que restara da família em perigo. Assim os casamentos entre os clãs continuaram, até chegarmos a minha geração. Minha mãe era a última filha ômega da família Tsukimiya, e meu pai o último Katsuki. Nesse caso, sou o último ômega que carrega a pureza do segundo gênero! Ninguém fora do nosso círculo familiar sabia, agora estou depositando meu bem estar em suas mãos, Viktor! Nem mesmo Akira sabe sobre tudo isso. – suspirando pesaroso segurou com força a barra da camisa que estava usando.
Viktor não pode evitar rosnar ao escutar o nome de seu rival, mas conseguindo se controlar, bufou ao cravar as unhas em suas próprias palmas.
- Desculpe... não foi por querer, é apenas automático! – Viktor se desculpou. – E eu te juro, se depender somente de mim, ninguém irá saber sobre você e o segredo que vocês guardaram tão bem até agora! – Nikiforov jurou ao segurar inconscientemente as mãos do japonês sob o próprio coração. – Eu já guardo o segredo de minha família, creio que serei capaz disso, não? – sorrindo, puxou uma das mãos para si, depositando um beijo rápido nesta.
A princípio, Yuuri se sobressaltou, mas não demorou muito para relaxar com o toque de seu alfa lúpus, e desejar ser estreitado por seus braços fortes mais uma vez. Quase deixou um ronronado escapar por seus lábios, mas sabia que este poderia captar muito bem o que acontecia, com sua boa audição.
- Sendo você o último ômega puro, creio que foi mesmo o melhor que seus pais fizeram ao continuarem a te ocultar, não? – perguntou curioso.
- Sim, assim como os pais deles, e anteriormente seus pais assim fechando o círculo! – Yuuri voltou a olhar para o platinado.
Sem desviar o olhar, o alfa lúpus se prometeu que faria aquele ômega, o seu ômega, um homem feliz! Não importa o que tivesse de fazer. Ele iria até o inferno se necessário fosse para conseguir isso!
- Yuuri, obrigado por confiar em mim! – agradeceu o lúpus com serenidade. – Espero poder estar à altura de sua confiança!
- Eu também espero, Viktor! – e sem perceber, deixou-se acarinhar pelo alfa mais uma vez.
Ah! Como era tão bom sentir-se querido e protegido!
Confiança, uma palavra tão fácil! Uma qualidade tão impossível, mas que Yuuri tinha certeza que agora poderia ter! Ele já havia percebido... não haveria como negar ou mesmo lutar contra. Ele precisava se aferrar a isso, ele precisava de Viktor ao seu lado!
oOoOoOo
Lembretes e explicações:
Sobre os Clãs da Tríade Lunar/Honshu: são inteiramente de nossa criação. Qualquer semelhança é mera coincidência. Plágios não serão aceitos!
Sobre o lobo de Honshu: O lobo-de-honshu ou lobo-japonês (Canis lupus hodophilax) foi um pequeno lobo de cor parda que habitava em zonas montanhosas da ilha japonesa de Honshu.
A sua extinção deve-se a uma combinação da introdução de raiva e irradicação orquestrada. Até a Era Tokugawa, os lobos eram venerados no Japão, já que mantinham animais herbívoros como cervos afastados das colheitas. Porém, a partir da Era Meiji, o governo passou a promover um novo tipo de agricultura, baseada nos ranchos ao estilo estadunidense. Isto levou a muitos conflitos entre lobos e fazendeiros, já que os lobos passaram a atacar o gado. Assim os fazendeiros passaram a matar os lobos, valendo-se de expedientes tais como envenenamento por estricnina e armadilhas de ferro, além de oferecerem recompensas. O último exemplar conhecido morreu em 1905.
Na cultura japonesa os lobos eram animais bastante venerados. Isso nota-se nos fonemas e na forma de escrita usados pelo povo japonês ao se referir a este animal, ookami (grande-deus, 大神). By Wikipédia
Sobre o Xogunato Tokugawa: O Xogunato Tokugawa (徳川幕府 Tokugawa bakufu?), ou Período Tokugawa (徳川時代 Tokugawa-jidai?), ou Xogunato Edo (江戸幕府 Edo bakufu?), foi uma ditadura militar feudal estabelecida no Japão por Tokugawa Ieyasu (primeiro líder desta era), governada pelos xoguns (grande general) da família Tokugawa no período de 1603 a 1868.
O nome do período é também conhecido Período Edo, em homenagem a cidade de Edo (atual Tóquio), que era a capital do Xogunato Tokugawa, até a Restauração Meiji, que acabou definitivamente com o período dos Xogunatos. By Wikipédia
Em relação a isso tomamos o livre arbítrio e licença poética para unirmos o real com a fantasia, até chegarmos onde gostaríamos.
Cantinho Rosa e Azul:
*Sentadas conversando sobre o novo capítulo, a dupla não percebe que não se encontram mais sozinhas*
Theka: Então, assim quem sabe dá pra fazer em seguido o capítulo de...
Almaro: Coelha, acho melhor deixarmos nossa conversa para depois. *fazendo sinal para que esta olhasse na direção sugerida*
Viktor: Ah! Mas porque vocês pararam? Eu quero saber o que vem depois!
Theka: Eu queria saber de quem ele puxou essa coisa de ser curioso, você não?
Almaro: Nossa se gostaria de saber também!
Viktor: Sou curioso por que vocês duas não se emendam e me deixam ficar logo com o meu Yuu-ri!
Almaro: Ah! Que bonitinho... curioso é?
Theka: Hmm... talvez devamos fazer essa curiosidade dele terminar, e escolhermos o destino do Yuuri e...
Yuuri: Viktor... *de olhos arregalados ouvindo tudo* Deixa essas duas quietas, já já vão te ameaçar com o kit fic!
Theka: Isso mesmo... o Kit fic é meu e da Almaro e se você aporrinhar muito... *vendo o platinado sair pisando duro e com cara de poucos amigos* Um dia, minha amiga, ele nos mata com sua curiosidade.
Almaro: Então, que esse dia demore a chegar!
Obrigado por quem chegou até aqui e não desistiu de nós e dessa nossa fic! Dessa vez conseguimos colocar novo capítulo um pouco mais rápido no ar, esperamos continuar assim!
Digam o que acharam, afinal, ficwriters escrevem mais ao receberem comentários!
Agradecemos o carinho, e até nosso próximo capítulo
Almaro e Theka
