Lembretes e explicações no final do capítulo.

Notas da Coelha: Agradeço a parça Almaro por ter aguentado minhas neuras nesse capítulo, pela ajuda e tudo mais. Também não posso me esquecer de minha irmã TaniaTay e da Slplima pela grande ajuda, por terem lido esse capítulo verificado e ajudado muito. Obrigado pela paciência e pelos pitacos!

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Ainda era cedo!

O dia começava a raiar, e o cheiro característico a feromônios e sexo parecia não incomodar o casal aninhado nos braços um do outro. Talvez, quem sabe, ambos continuassem assim se caso a claridade do novo dia não tivesse conseguido se esgueirar sorrateiramente por entre as cortinas pesadas, mas perfeitas para manter a luminosidade para fora do quarto.

Certamente, o caprichoso facho de luz não saberia para quê aquelas grossas cortinas estavam ali, já que por uma pequena fresta fora ganhando espaço até, por fim, percorrer as curvas de um dos delineados corpos. A pele, ficando ligeiramente mais aquecida e, por fim, atingindo o rosto bonito como se fosse um toque sutil, morno!

Um tanto incomodado, abriu lentamente os olhos e piscando várias vezes Christophe tentou focar na luminosidade que adentrava pela janela. Sua mente estava letárgica e nublada, parecia sentir os efeitos de algum medicamento potente ou efeitos de uma noitada sem a terrível resseca do dia seguinte.

Bocejando preguiçosamente, não pôde deixar de ouvir, ao longe, o som de uma porta se fechando delicadamente. Fechou os olhos novamente enquanto sorria feliz, sem ter um motivo real para isso, e espreguiçou-se, ou melhor, tentou, só que seu movimento foi impedido. Tentando mais uma vez, arqueou uma sobrancelha ao ter seu movimento mais uma vez barrado. Um peso lhe impossibilitava de concluir o ato em si, e Chris, se alarmando, abriu os olhos, só que desta vez bem mais rápido.

Algo estava acontecendo.

Ainda um tanto incerto, quiçá confuso, o alfa finalmente conseguira unir as pontas soltas daquele amanhecer. A realidade o atingindo com força, e o sorriso lânguido acabara por sumir de uma vez, dando lugar a outro, e esse sim mais sacana.

Onde estava realmente?

Que dia era?

Era mesmo impossível ter deixado seu destinado para cair nos braços de outrem?

Passando a mão pelo rosto, nervoso, não conseguiu deixar de se questionar o que era realmente mais importante; o que tinha feito?

"Droga!" - praguejou.

Virando a cabeça para os lados, pôde distinguir roupas jogadas, restos de refeições e algumas garrafas de água vazias.

"Estou em um quarto de hotel." - constatou.

E farejando o ar com um pouco mais de atenção, sentiu seu coração acelerar. Levantando lentamente a coberta que ocultava o homem ao seu lado, mordiscou o lábio inferior mal conseguindo esconder seu interesse. A cabeleira castanha desgrenhada, o rosto enterrado em seu peito... lá estava, aquela criatura terrivelmente encantadora enroscado no seu corpo totalmente nu.

Se Christophe havia cogitado ter alguma dúvida, ou mesmo sofrer de algum tipo de esquecimento pós tórridos dias de sexo ao finalmente se deparar com aquela doce visão, suas memórias do cio compartilhado com ômega voltaram como uma desenfreada avalanche.

Tudo estava muito claro agora!

Masumi dormia tranquilamente, sua expressão relaxada bem diferente das imagens nada castas que flutuaram na cabeça do suíço naquele exato segundo. Então, com cautela, acariciou os macios cabelos desalinhados, fazendo com que seus aguçados instintos de alfa começassem a planejar minuciosamente os próximos passos.

Abriu mais o sorriso; pensando em se levantar, tomar um banho e pedir algo para os dois.

"Isso... vou chamar pelo serviço de quarto. Vai ser algo educado e de bom tom. Afinal, tenho de que preocupar com o bem estar de meu destinado!" – Christophe concebeu ao beijar os cabelos do patinador.

Se alguém visse sua calma e a forma delicada de flor que estava tratando o castanho, talvez ninguém o reconheceria. Não que fosse um bruto, ou algo assim, sua natureza extrovertida o fazia um amante em potencial, mas o alfa galanteador sentia que todo o seu ser, seu lobo interior, estava regozijante e lhe exigia ser mais centrado e gentil.

Lars Masumi não era apenas mais uma de suas conquistas. Ele era especial e merecia ser tratado como o ômega que conseguira vencer as barreiras de seu arredio coração. Assim, o loiro, com brandura, levantou o belo adormecido acomodando-o carinhosamente para o lado.

Queria preparar-lhe uma inesquecível surpresa.

Estava pronto para colocar em ação tudo que tinha imaginado, todavia, nesse instante, começou o tormento do loiro alfa.

As íris esverdeadas se dilataram ao repararem que o lençol branco da cama continha várias manchas; algumas o suíço não queria saber ou imaginar o que fossem ou poderiam ser, mas uma específica chamou a atenção.

Não, não podia ter perdido a cabeça, não a esse ponto, ou poderia?

Apavorou-se!

Sentiu-se tremer, da cabeça aos pés.

Merecia ser capado com toda a certeza, se por um acaso fizera a besteira de marcar o patinador durante o cio sem um consentimento "sóbrio". Sabia que a responsabilidade sobre qualquer decisão tomada no frenesi da situação, e se tivesse acontecido o que estava desconfiando, era totalmente sua, afinal, como alfa deveria estar no controle e cuidar do parceiro.

Ampará-lo.

Zelar por ele, por essa pessoa preciosa com quem dividira um momento tão íntimo e que tinha ideias, e principalmente ganas, de repetir várias e várias vezes o sublime ato de amor.

Não podia agir como um completo louco que nunca foi para a cama com ninguém. Sair mordendo não era uma das características do advogado alfa, mas também nunca antes teve nos seus braços o seu destinado.

A delicadeza de flor voou longe! Chris, em seu pavor, puxando Masumi, começou a vasculhar a delicada pele da nuca do castanho, virando para ambos os lados e empurrando o cabelo para cima. Ainda com sua angustia queimando na boca do estômago, o alfa deixou escapar um pormenor: com a brusquidão com que fora movido, o patinador por fim despertara!

Ainda sonolento e combalido pelos dias de seu ciclo de calor, o ômega buscou por compreensão mesmo ainda sendo chacoalhado para os lados, virado e revirado. Podia sentir no cheiro de seu alfa o azedume característico da preocupação e, no fim, entendera o que estava acontecendo.

Não evitou esboçar um gracioso sorriso.

E segurando gentilmente no pulso do outro, e com a voz aplastada de sono, conseguiu murmurar.

- Calma... calma! - levantando as mãos e as deslizando pelos braços do loiro, guiou-as até próximo o pescoço de Christophe buscando fazê-lo entender que nada havia acontecido, bom... pelo menos não o que o alfa estava procurando, mas dessa forma, deixou expostas as várias formas do amor que experimentou com o seu destinado alfa.

As íris verdes, ainda um tanto dilatadas devido ao término do ciclo de calor, focando nas de igual tonalidade que também se encontravam iguais as dele.

Sentindo-se envolvido no brilho daqueles olhos claros, que o remetiam a um magnífico tom da mais bela joia preciosa, Chris sentiu-se perdido por uma pequena fração de segundos. Era maravilhoso perder-se e encontrar-se naquele olhar tão angelical, vívido, mas ao mirá-lo com minuciosa fixação, pôde ver com clareza as marcas nos braços e até mesmo no peito do ômega, e surpreso entendeu que a transa, além de excepcional, fora selvagem também.

A quantidade exacerbada de mordidas, arranhões e chupões que via espalhados até onde seus olhos conseguiam enxergar pela pele acetinada era incontável. Num impulso incondicionado, passou as mãos pelos próprios cabelos procurando por sua educação ou mesmo por sua oratória, todavia, precisava melhorar rápido sua imagem e deixar claro que não era um animal.

Mas infelizmente tudo que vinha a sua cabeça eram as palavras do loiro desbocado o alertando para que não agisse como um animal.

- Eu... chèr (querido)... desculpa... - Christophe buscava as palavras para se expressar, e a duras penas percebera que havia desaprendido a falar. Logo ele, tão prolixo!

Ainda sorrindo, o patinador ômega mirou-o com devoção, algo que talvez, quem sabe, o loiro advogado nunca imaginou ter para si dirigido devido as circunstâncias. Aproximando-se mais do loiro, Lars deixou que seus finos dedos se embrenhassem entre as madeixas curtas e escuras, para em seguida, cobrir com os seus os lábios do alfa em um beijo languido. Ao se afastar um pouco, divertido, o ômega achou engraçado ver seu destinado cada vez mais envolvido com sua gagueira.

- Chris, você foi um lorde e se não me marcou, foi porque se controlou, pois posso garantir... - Masumi piscou enquanto pensava. O semblante propositalmente misterioso. - Até onde me recordo, fiz de tudo para que isso acontecesse, mas você apenas me satisfez e as marcas que está vendo foram todas ao meu pedido. - riu e se ajeitou na cama outra vez frisando. - Todas! E você também tem algumas. – o patinador sorriu mais um pouco se remexendo sob as cobertas mais uma vez, seus olhos se demorando cada vez mais ao piscarem.

Estendeu a mão na direção do alfa e o convidou a voltar para a cama.

Era um advogado, alfa, bem sucedido, sedutor e conquistador, considerado até mesmo um excelente partido, mas Christophe estava descobrindo que não sabia nada sobre o amor, pelo menos não sobre esse amor que estava experimentando.

Antes, seus parceiros eram por necessidade, por desejo, por estarem no lugar certo e na hora certa, mas com Lars Masumi não. Queria estar com ele, porque queria, porque não queria estar em outro lugar, porque simplesmente precisava dele, do seu corpo, do seu sexo e da sua aceitação. Não o marcou, porque se controlou. Mas... queria mesmo se controlar? Deveria ter se contido ou não?

Não tinha muita certeza.

Eram adultos vivendo o encontro de almas que estava escrito nas estrelas, eram almas gêmeas, destinados, e como tais estavam atados um ao destino do outro. Então, o porquê de não tê-lo mordido era somente medo.

Christophe, finalmente acordando de seus devaneios, encarou Masumi; suas incertezas agora ganhavam cores e formas, afinal, o cio havia acabado e o ômega poderia muito bem mandá-lo embora a qualquer momento e ele não estava preparado para isso, não depois de ter e sentir algo novo. E Chris considerou que deveria ter mordido, ter amarrado suas pontas a Masumi. Perdido nessa tempestade de preocupações, o francês mais velho não havia percebido que estava sendo veementemente observado.

- Por que você está com essa cara? Algo te preocupa? – perguntou o patinador.

A voz baixa e hesitante, levemente aflita do outro homem, chamou a atenção do advogado, que tornou a mirá-lo diretamente nos olhos. O patinador estava de olhos bem abertos, mas continuava deitado.

- Você... - engoliu em seco, já tomado de atroz medo. - você, por um acaso, se arrependeu? - o sussurro, condoído, saiu entre dentes e o ômega, constrangido, imediatamente começou a se encolher na cama, sentando rapidamente e puxando suas pernas para poder assim esconder seu rosto corado atrás de seus joelhos. - Se for isso, Chris, quero que saiba que não me deve nada e não tem responsabilidade pelo ocorrido aqui. - a voz foi ficando baixa, fraca. O cheiro do ômega também acabou por sofrer uma mudança radical, para uma que transmitia a comoção que começava a sentir; uma tristeza sem fim.

Ora, Chris não era um parvo, muito menos alguém que sentiria medo por qualquer coisa. Medos todos temos, mas naquele exato momento, ele não saberia dizer o que se passava consigo mesmo.

Talvez o medo de perder a única coisa que poderia ser verdadeira?

O sentimento novo e bonito o estava deixando inapto para tomar uma decisão rápida. Ao tornar a olhar para seu inestimável ômega, o alfa saiu do seu estado letárgico e, finalmente, achou sua voz e atitude.

- Não é nada disso! – disse firme, rapidamente. - Não pense, sequer, cogitar algo como isso. Não sou como esses alpinistas de Wall Street, ou mesmo um déspota que se aproveita da situação. - e suspirando ao ver que o lindo homem, ainda sentado na cama, lhe dirigia o olhar choroso, continuou. - Desculpe! Eu apenas pensava que, passado seu período, talvez você pudesse me dispensar, voltar para sua vida perfeita de patinador e... e... onde um soulmate não faria diferença. - deixando os ombros caírem, Giacometti mostrou uma faceta que poucas pessoas já haviam visto nele; a de um alfa único, bondoso, enamorado e com sentimentos nobres.

Um cara perdidamente apaixonado.

Baixando um pouco a cabeça, o loiro deixou-se abater pelo que havia acabado de dizer. Lars tinha uma carreira promissora pela frente, ainda poderia render muito em seu esporte ganhando mais medalhas e títulos. Um alfa em sua vida não iria lhe ajudar, por isso mesmo Christophe, embora com o coração ferido, fora muito pé no chão.

Mesmo com ganas de ter feito esse ômega só dele, pensou no que Yurio havia lhe dito; do mesmo jeito que o suíço patinador havia trabalhado arduamente para ser reconhecido como o melhor do mundo, assim também deveria ser com Lars.

Com esses pensamentos fervilhando em sua mente brilhante, o alfa havia se controlado, mordido a si mesmo e aos travesseiros, para não sucumbir aos apelos incessantes de seu lindo patinador. Preocupara-se tanto, que até mesmo os anticonceptivos ele havia se preocupado em lhe dar.

Não seria, de modo algum, culpado por uma gestação indesejada.

Achando aquele silêncio aterrador, Christophe voltou seus olhos para o outro no exato momento em que o ômega se punha em pé sobre o colchão e se atirava sobre ele sem cerimônias.

Chris o recebeu entre seus braços, com surpresa. Segurando fortemente o corpo menor, deu um passo para trás a fim de equilibrar a ambos. Não seria de bom tom irem ao chão, não mesmo!

- O quê... - gaguejou, ainda zonzo.

- Shh… imbécile alpha (alfa tonto)! - gracejou Lars ao deixar seus lábios roçarem carinhosamente sobre a glândula odorífera do loiro em uma provocação astuta. - Por mais que meu irmão diga que toda minha vida tenha de ser regrada, e pensada, e repensada, devido a minha posição no ranque da patinação artística, sou eu quem decide minha vida, mon loup intrépide (meu lobo destemido)! – sorriu ao usar outra forma singela de se dirigir ao alfa, e adorou notar este ficara com suas bochechas levemente rosadas. Tomando coragem, e com um olhar decidido, continuou. - Você faz a diferença para mim, e o meu mundo perfeito não é mais tão perfeito sem você! - confessou por fim, ao se afastar um poupo para poder mirá-lo diretamente nos olhos.

Se o advogado precisava ouvir mais alguma coisa para tomar uma atitude, o patinador não saberia dizer. Podia sentir o olor embriagante que se desprendia o envolvendo, fazendo com que seus feromônios se unissem, mesclando entre si em uma combinação delicada e cativante, mais uma vez. Chris se sentia abobalhado! Era fato! E aquele turbilhão de emoções o envolvendo, simplesmente quase não o deixava raciocinar direito. Ele nunca poderia imaginar que aquele homem o abraçando poderia ser tão sensual fora das pistas de gelo, onde interpretava tão bem o que cada coreografia deveria passar!

Realmente, ele começava a se sentir agraciado! E mais ainda por serem soulmates.

Com um sorriso matreiro e satisfeito, o alfa acariciou carinhosamente o rosto bonito, e sustentando-lhe o olhar, sapecou-lhe um beijo luxurioso, conseguindo arrebatar o fôlego do castanho, o que fez com que ambos buscassem separar-se um pouco em busca de ar.

- Café? – perguntou, ao deixar seus narizes roçarem em um movimento lento e sossegado. - Posso pedir algo com morangos, ou mesmo frutas vermelhas, mirtilos, crepes doces, salgados... – a voz rouca de Giacometti quebrando o silêncio, fez com que o ômega brindasse a seu alfa com um sorriso faceiro.

- Na realidade, Chris, agora eu gostaria de algo bem diferente do que está me oferecendo. – Lars mirou o alfa com interesse, e ao arquear as sobrancelhas deixou que seu baixo ventre roçasse no contrário em uma provocação muda.

- Lars... deveríamos descansar um pouco, e... - tentou advertir.

- Você não quer? – perguntou manhoso ao piscar algumas vezes, flertando com o loiro que o tinha ainda em seus braços. Sem esperar resposta, firmou mais suas pernas ao redor da cintura do alfa, unindo-os um pouco mais. – Eu estava pensando que agora não estamos mais em meio ao meu ciclo de calor, e gostaria muito de repetir o que fizemos nesses dias! – e acariciando libidinosamente o peitoral do mais alto, tombou um pouco a cabeça de lado, deixando livre a área rosada, a qual deveria ser marcada por seu soulmate. Aproximando seus lábios do pescoço do advogado, deixou que seus dentes apenas roçassem sobre a glândula onde os feromônios a castanheira eram mais fortes.

- Lars, nós... - ofegou, tomado de um tesão aterrador.

A sanidade por um fio.

- Christophe, sou senhor de meus atos, estou ciente do que quero! – pontuou o ômega, mais do que decidido.

- Mas nos conhecemos a poucos dias... tenho medo de não ser o que você deseja. – foi sincero o advogado. A aflição em cada palavra palpável.

- Isso não quer dizer nada! – respondeu prontamente. - Meus pais são exemplos vivos de que esse pormenor não quer dizer nada! Eles se enlaçaram com pouco mais de um mês de terem se conhecido, e são felizes até hoje! – murmurou Gautier. – Como eu disse, não vou saber levar minha vida sem ter mon loup intrépide (meu lobo destemido), minha felicidade ao meu lado! Podemos deixar acontecer, non (não)? – Lars ronronou baixinho bem próximo a orelha do loiro.

Um tanto pensativo, o alfa mordiscou o próprio lábio inferior. Ele sabia que seu companheiro para todo o sempre tinha razão. Sendo assim, já rendido, Christophe deixou-se acarinhar, para em seguida seguir os toques ousados pelos locais aos quais já sabia... levariam seu ômega aos céus.

Seu lobo interior parecia patear ansioso, querendo, por fim, reivindicar aquele intrépido rapaz.

- Seu desejo é uma ordem, mon chèr (meu querido)! – o advogado respondeu ao se encaminhar, mais uma vez, para cama. Depositando gentilmente o castanho no meio do grande móvel, esperou este se ajeitar para, em seguida, voltar a deitar-se ao seu lado, o abraçando, e o puxando mais para si em um cálido abraço. Beijou-o então, com ardorosa paixão. – Você é simplesmente perfeito! – Chris ronronou, hipnotizado, tão logo libertou os lábios carnudos de seu par, apreciando toda a nudez dele. Deixando a testa sobre a de Lars, sorriu com o pensamento que lhe assolou: Gautier era tudo o que ele sempre buscou em um companheiro. E como sabia disso? Ele apenas podia sentir bem no fundo de seu ser.

E, aliás... sentindo era o que aquele novo casal mais estava fazendo.

Dizem que muito pouco se pode lembrar da rotina de calor. Nesse caso, apenas o alfa loiro tinha total consciência do que havia acontecido. Claro que, tirando alguns poucos momentos em que Lars tivera seus lapsos de lucidez fora da bruma que parecia se formar em suas mentes, o ômega não lembraria totalmente de tudo. E era óbvio que o advogado almejava, de fato, que o patinador agora lúcido, livre do controle de seu lobo interior aproveitasse totalmente aquele momento, o qual ele gostaria de repetir sempre que fosse possível.

E o charmoso Chris se esforçaria para que isso acontecesse!

- Eu quero te amar como você merece! Com calma – começou, tendo a voz levemente rouca. As íris esmeraldas perdidas nas de tonalidades e brilho semelhantes -, sem pressa! Quero dedilhar seu corpo, como se fosse um escultor a apreciar sua obra de arte! – ronronando deixou que suas palmas ávidas deslizassem pelo corpo macio do ômega, que continuava em seus braços. – Tocá-lo com a delicadeza de mãos fortes, será como colher uma linda e deslumbrante Edelweiss. – e ao terminar de falar, Chris mordiscou gentilmente onde muito em breve deixaria sua marca, e aproveitando também para aspirar mais um pouco do olor das pequenas e magnificas flores que apenas nasciam nos saudosos Alpes Suíços!

Regozijou-se ao escutar um gemido mais alto. Ouvir Masumi arfar satisfeito, corresponder tão bem ao seus toques e anseios, era maravilhoso!

O paraíso na Terra!

Seus lábios pareciam imãs, o convidando para serem selados, beijados, sorvidos com uma voracidade sem fim.

Rolando na cama, o ômega sorriu ao ter mais uma vez seus lábios presos em um novo beijo exigente, sendo chupados e até mesmo mordiscados. O prazer sentido tendo o poder de acelerar mais os batimentos de ambos os corações. Arqueando as costas, o patinador se entregou ao ato luxurioso, sentindo seu corpo ser marcado como ferro em brasa no caminho em que dentes, língua e lábios percorriam. Do queixo, ao pescoço e, depois, seu tórax. Era impossível descrever o que estava sentindo, e apenas queria mais, mais daquilo que lhe era oferecido tão prazerosamente.

Novo gemido seguido de muitos arfares quando Lars teve seus mamilos fustigados pelo cedendo alfa. O ômega poderia jurar que nunca fora tão sensível naquela parte de sua anatomia, mas ah! Com Chris, ele tinha certeza que descobriria muito mais do que passando suas rotinas sozinho.

-Oh! Mon loup! – ronronou ao cravar as unhas nas costas largas e deslizá-las lentamente até onde lhe era possível. – S'il vous plaît (Por favor)! – gemeu entre os arfares e ronroneos.

Mirando seu homem ladinamente, Christophe roçou tortuosamente seu baixo ventre de encontro a ereção de Gautier. De uma coisa seu destinado nunca poderia reclamar: da sedução e prazer que estava sendo submetido!

O advogado parecia ter sedução escorrendo pelos poros.

- Diga o que quer, mon amour (meu amor)! – exigiu o alfa, a voz um silvo autoritário e matreiro, ao deslizar as mãos fortes pela lateral do corpo escultural. Lars Masumi seria sua perdição, mas nem em seus sonhos mais loucos o advogado iria reclamar!

- C-Christophe... – suspirou Lars, já fora de si, levando uma das mãos aos lábios e os cobrindo com o dorso desta.

- Diga, mon amour! Se não me disser o que quer, como eu poderei te satisfazer? – insistiu ao deslizar os lábios para mais próximo do baixo ventre chapado do castanho. Soprando maliciosamente o membro teso e palpitante que repousava placidamente sobre o ventre de seu homem.

O patinador se contorceu ao sentir o hálito quente e, em seguida, levemente frio sobre seu desejo, e em uma investida alucinada, tentou erguer um pouco seus quadris. Ele queria um maior contato. Contato este que foi evitado por ter uma mão forte o contendo em seu devido lugar.

Era frustrante, cruel, mas também despertava no ômega uma ganancia enorme.

Ele queria aquele alfa! Ele o queria para todo o sempre!

- Não, mon ange (meu anjo)! Não assim... se não disser o que quer... – Christophe queria ouvir dos lábios inchados pelos muitos beijos o que o outro suíço queria.

- Não judie de mim assim, mon loup! – pediu Masumi ao mirá-lo com desejo. – Me faça seu... – murmurou em um fio de voz ao sentir seu falo ser lambido desde a base até a glande rosada e que já liberava o pré-ejaculatório.

Sem nada responder, Christophe sentiu seu lobo uivar dentro de seu peito, mas ele ainda queria mais. Deitando sua língua mais uma vez para fora da boca, deslizou em sentido contrário alcançando com ânsia o centro de prazer do ômega, e sem se fazer de rogado, ajoelhou-se entre as pernas dele o puxando bruscamente para si, levantando seu quadril e o segurando com força pela cintura esguia, deixando à mostra aquele ponto rosado, o qual atacou com luxuria, saboreando o slick que escorria com abundância entre as nádegas bem feitas e torneadas daquele belo deus da patinação.

- Chris... – ronronou o ômega ao sentir-se mais exposto, mas ao mesmo tempo nas nuvens. Nunca havia sentido algo como o que estava provando naquele momento.

Ao mirá-lo por entre os cílios, o alfa sentiu seu coração quase falhar uma batida. O castanho estava mordiscando e sugando os próprios dedos, para logo deslizá-los por seu tórax e mamilos em uma deliciosa e safada provocação.

Grunhindo em excitação, o loiro sentiu seu pênis já ereto pulsar entre as pernas. Se não o tomasse logo, acabaria agindo feito um filhotinho que teve sua primeira ereção e o orgasmo que se esvai tão rápido como começou. Não, ele não iria deixar seu ômega sem o prazer merecido.

Baixando com certa urgência os quadris do castanho, Giacometti deixou que as pernas torneadas rodeassem seu corpo enquanto se colocava sobre os próprios joelhos.

Sem desviar o olhar um segundo sequer daquele corpo tentador, ladeando a cabeça do amante com as mãos, baixou um pouco o corpo, deixando sua boca abocanhar a que lhe era oferecida.

Quebrando o beijo em busca de ar, trocaram novo olhar intenso. A sedução, a luxúria e o amor incondicional se mesclavam perfeitamente. E era inadmissível que ainda pudessem existir pessoas descrentes e que não acreditavam em destinados e soulmates!

Deixando aquele pensamento tosco para lá, o castanho ajeitou seu corpo ajudando o loiro que o puxava para que se acomodasse sobre as coxas também definidas do advogado. Seus desejos roçando a cada mínimo movimento dos dois.

- Ainda dá tempo de voltar atrás! – Christophe murmurou ao deixar que seus lábios roçassem sobre o local que muito em breve faria sua marca.

- Agradeço a oferta, monsieur, mas devo deixá-la passar! – Masumi respondeu, ao mesmo tempo que gingava os quadris, deixando que seu falo roçasse descaradamente no do alfa.

- Hmm... muito interessante, mon petit loup! Eu também não desejava que fosse o contrário! – sorriu Christophe ao deslizar ambas as mãos para a cintura do ômega, e sem precisar se esforçar muito, ergueu o corpo do patinador, deixando a encargo do castanho que esse, segurando o membro de seu alfa, o alinhasse com seu anel de músculos para ser mais uma vez fustigado.

Ajudando o patinador a deslizar o pênis gordo e grosso do alfa para dentro do ponto doce, ambos arfaram prazerosamente.

Ao se sentir totalmente preenchido, Lars começou a se mover gingando e quicando no mesmo ritmo que seu alfa imprimia com os movimentos de seus quadris.

Jogando a cabeça para trás, grunhiu em deleite, pois o suíço mais alto ao penetrá-lo mais fundo, acertava assim a próstata do ômega a cada investida. Deslizando as mãos pela lateral do corpo do alfa, Lars deixou que vez ou outra suas unhas roçassem a pele de alabastro provocando e deixando-se provocar.

Oferecendo novamente os lábios ao alfa, deixou que este tomasse a frente em novo ósculo ardoroso.

Sendo abraçado e atraído para mais perto do advogado, o patinador se envolveu mais no corpo másculo que o mantinha. Afundando o rosto na curva do pescoço com a junção do ombro de Giacometti, Gautier liberou um pouco mais de seus feromônios, deixando que seus olores se mesclassem mais.

Gemendo mais alto, o ômega arfou quase engasgando ao sentir o roçar dos dentes do alfa sobre sua glândula odorífera. Fora apenas uma simples provocação, pois logo em seguida os lábios do loiro se apossaram do local, deslizando a língua e sugando a pele delicada.

- Chris... – choramingou, desejando ardentemente ser reivindicado por seu parceiro para toda a vida. – Não provoca! – murmurou entredentes. Estava começando a perder a paciência com aquele jogo. Claro, não que não gostasse, pois gostava, mas queria ser dele afinal.

Ao escutar o riso cristalino, tomado pela ânsia de se fazer entender, aproximou seus lábios da glândula que expelia mais o aroma a castanheira, e imitando o amante, sugou o local sensível, mas para logo em seguida cravar os dentes com força sobre a carne macia.

Estava feito!

Surpreso, Christophe arfou, gemendo alto. As finas presas afundando até conseguirem rasgar a pele. O alfa sentia como se estivesse recebendo uma carga de energia que fazia seu corpo inteiro estremecer. Um leve incomodo de suas presas descendo o alertou que seu alfa, o lobo interior, desejava mais do que nunca tomar o ômega como este já havia feito.

Estocando mais uma vez dentro daquele canal acolhedor, o alfa deixou seu nó inchar, atando-se ao corpo menor. Com um movimento rápido, girou um pouco a cabeça de seu homem ao mesmo tempo que mordia sobre a glândula no pescoço dele.

Masumi soltou a voz em um lamento dolorido mas, ao mesmo tempo, prazeroso, e a cada vez que Christophe aprofundava sua mordida, o patinador sentia espasmos como se fossem choquinhos a lhe percorrer todo o corpo.

Assim que o gosto metálico tomou conta do paladar do alfa, este sentiu que acabara por gozar mais uma vez. Liberando com cuidado o pescoço de seu amante, lambeu sua mordida sentindo quando Lars lhe fazia o mesmo.

Apoiando a cabeça na do castanho, Christophe acarinhou as costas suadas, segurando agora o seu ômega com todo cuidado do mundo.

- Me desculpe, Lars! – Chris pediu ao notar seu ômega se encolher um pouco ao ter tentado se mover e, ao mesmo tempo, ter roçado o local da mordida. – Logo poderemos descansar mais um pouco. – murmurou ao tentar com sensatez deitar, fazendo o ômega relaxar em seu peito.

- Você não precisa pedir desculpas! – Lars disse, exausto. – Você não me machucou de propósito, e eu creio que apesar da dor que sinto ainda, logo irá passar! – sorrindo satisfeito, o patinador sapecou um beijo nos lábios do alfa.

- Também sinto o mesmo, mas como você, também acho que logo irá passar e poderemos desfrutar nossos sentimentos, emoções, completando por fim nosso laço! – comentou Chris.

- Como faremos daqui para frente? – Lars questionou, não querendo transparecer sua preocupação.

- Podemos conversar a respeito e tentarmos achar uma saída para podermos estar mais próximos, afinal não posso deixar meu prometido sozinho por muito tempo, não? – gracejou para descontrair o clima que estava começando a se formar ao redor deles. – Por hora, mon amour, creio que devemos descansar um pouco. Tente relaxar, mon ange! – pediu ao acarinhar os fios castanhos, passando para as costas do amante. – Vou velar seu sono! – sorriu ao finalmente notar Masumi passando para um cochilo. Seus lindos olhos se fechando lentamente.

O advogado teria muito no que pensar, mas como dito anteriormente, aquele não era o momento.

O laço estava feito, e nada e nem ninguém poderia separá-los.

Deixaria para depois as consequências de se amar, tão desesperadamente e incondicionalmente, outra pessoa.

Apenas estava escrito.

"Te quero pra mim! Só pra mim!" - foi a última coisa que passou pela sua mente nublada.

E com esse pensamento, Giacometti deixou-se levar para os braços de Morpheus!

oOoOoOo

Lembretes e explicações:

Slick: Buscamos em diversos sites, uma explicação que fosse compreensível para quem nunca caminhou pelo lado pink da força das fanfics ABO, sobre várias coisas e situações. E confesso que quase todos os ficwriters, e mesmo em jogos de RPG's um senso comum parece existir. Claro que como não há uma regra a ser seguida, cada qual tem seu livre arbítrio para escrever sobre esse vasto tema.
Vimos em várias fics, e até mesmo em sites que a lubrificação que os ômegas tem, é chamado de Slick! Eles produzem essa lubrificação naturalmente, alguns dizem que tem maior abundância quando chegam no ciclo de calor expelindo feromônios que podem deixar os alfas excitados, mas já vi que essa lubrificação também pode acontecer quando um ômega está excitado. Novamente entramos naquela coisa de que cada ficwriter pode usar o seu bom senso e seu livre arbítrio para criar o seu texto. E nós esperamos ter achado nosso caminho nesse lado pink, e acerte nos termos. Se algo estiver equivocado, arrumaremos assim que possível.

Cantinho Rosa e Azul

*arrumando o capítulo novo para ir ao ar, Coelha e Almaro nem percebem que já não se encontram mais sozinhas*

Viktor: Ah! Mas para ele pode ter finalmente a mordida, né?

Theka: Hein? Como é que é?

Almaro: Ah! Mas eu sabia que ele iria ficar de ciúminho! *revirando os olhos*

Viktor: Vocês duas só podem ser duas sem coração! Como assim? Chris pode ser feliz com o seu soulmate, e eu e Yuuri ainda nesse chove não molha?!

Theka: Bem, talvez você deveria dar graças a São Yaoi, pois Almaro e eu não fizemos nada que você venha a se arrepender por seus rompantes.

Almaro: Isso mesmo! Acho melhor você ir atrás de Yuu-chan, pois é melhor estar com ele, do que estar nos aporrinhando a dois por quatro.

Theka: Bem isso, platinado... melhor você vazar antes que façamos algo que se arrependa pro resto dessa fanfic!

*vendo Viktor se afastar resmungando alto*

Obrigado por quem nos acompanha, por não nos esquecer e dar um voto de confiança por essa história! E claro, também as pessoas novas que curtiram nosso trabalho!
Se gostarem, por favor deixem seu comentário, pois ficwriter feliz, escreve mais.

Merci
Almaro e Theka