Capítulo 17 – A chegada

"Está regredindo? Como assim?".

"Julia, quer dizer que está diminuindo". Cuddy falou.

"Isso é bom, certo?".

House balançou a cabeça. "Deixe-me ver... Não, seria bom se o tumor estivesse aumentando".

"House!".

"É óbvio!".

"Desculpe se eu não tenho o mesmo conhecimento que vocês dois têm". Julia disse dramática e ofendida.

"Desculpe". House falou contrariado, pois era tão óbvio que qualquer criança entenderia. "O tumor do fígado desapareceu e o tumor no intestino diminuiu tanto que será possível realizar a cirurgia e retirá-lo. E sim, isso é bom. Muito bom!".

"Eu disse que um câncer não me mataria". Arlene falou.

"Talvez uma arma de alguém irritado...". House falou.

Cuddy olhou feio pra ele.

"O que foi?".

"Ele está certo. É muito mais chique morrer assassinado do que por conta de um câncer". Arlene concordou e as suas filhas olharam chocadas para ela.

"House irá comigo até o Dr. Greta amanhã". Arlene definiu.

"Não!".

"Sim!". Arlene decidiu.

Cuddy fez carinho no braço dele. "Obrigada!".

"Mas eu...".

E então ela o beijou.

"Oh Deus!". House resmungou. Aquelas mulheres estavam decidindo tudo por ele, e ainda viriam mais duas? Seria a morte!

O fato é que no dia seguinte ele estava entrando no consultório de Dr. Greta com Arlene.

"Ótimas noticias! Vamos fazer os últimos exames e agendaremos a cirurgia para semana que vem".

"Mas já?". Arlene questionou.

"Quanto antes melhor".

"Eu tenho algumas perguntas. Não sei se sabe que meu amigo é James Wilson". House começou.

"Sim, claro que sim". Quem não sabia sobre Gregory House no meio médico?

"Então eu pedi pra ele olhar os exames e trouxe algumas perguntas minhas e outras dele".

"Certo". O médico respondeu esperando pelo pior.

House abriu uma lista enorme.

"Você vai perguntar tudo isso?". Arlene disse chocada.

"Sim, e talvez mais algumas".

"Lembre-me de não trazê-lo mais".

"Ótimo, já valeu a pena".

E House realmente fez vinte e quatro perguntas e comentários. Ao final ele estava satisfeito, aparentemente Dr. Greta cobriu todos os pontos.

...

"O seu noivo é insano". Arlene reclamou.

"Novidade". Cuddy respondeu divertida.

Então Arlene comentou o ocorrido e Cuddy riu.

"Não foi engraçado".

"Ah foi sim. House se importa com você".

"Se é assim que ele demonstra isso, eu prefiro quando ele não se importava".

"Não reclame!". Cuddy disse e já pegou a bolsa. "Preciso ir. Agora sou eu quem tenho ultrassom".

"Você já resolveu mudar o nome dessas meninas?".

"Não mudaremos".

"Então você também tem problema mental".

"Tchau mãe!". Cuddy estava feliz demais para se incomodar.


"Você quer mesmo ir a um restaurante?".

"Por que não?".

"Porque você está com mais de trinta e cinco semanas gestacionais".

"É só um restaurante".

"E uma galeria de arte. Eu te conheço, você vai querer andar e ver cada detalhe de cada quadro".

Ela riu.

"Sim pequena, porque eu te conheço há anos".

"Ok, vamos assim mesmo".

House bufou, mas ela venceu. Como sempre acontecia nos últimos meses.

...

"O que você sente olhando para esse quadro?".

"Enjoo?".

"Sério House".

"Sinto... Dor na perna".

Ela olhou pra ele divertida, mas logo o seu semblante mudou drasticamente.

"O que houve?".

"Não olhe agora...".

Mas inútil dizer isso, é como se você dissesse: olhe imediatamente para trás de você.

"Stacy?".

"Greg?". Ela se aproximou arrastando Mark que andava com dificuldade.

"Olá". Ele respondeu.

"Lisa? O que você faz aqui? Uau, você está...".

"Enorme!". Mark completou.

"Eu ia dizer linda!". Stacy o corrigiu.

"Eu estou grávida de gêmeos".

"Uau!".

"Pois é, eu sei". Cuddy respondeu.

"E o que você faz com esse imbecil?". Mark perguntou.

"Mark!". Stacy estava corando, pois Mark desconfiava que ela e House tiveram algo enquanto ela esteve no hospital, mas Stacy nunca admitiu.

"Esse imbecil te salvou". House respondeu.

Cuddy começou a se sentir desconfortável.

"E esse imbecil é responsável por esses dois fetos". Ele segurou a barriga de Cuddy.

"Como assim?". Stacy perguntou confusa. "Você doou material genético?".

"Sim. Isso. Mas direto da fonte para o destino final, sem intermediários chatos. Quer dizer, não tão final...".

"House, eles entenderam". Cuddy o interrompeu.

"Você quer dizer que vocês dois estão juntos?". Stacy perguntou confusa e nitidamente enciumada.

"Oh sim, estamos noivos". Cuddy mostrou o anel.

"Oh...".

"Como uma mulher tão inteligente e linda iria ficar com ele?". Mark perguntou.

"Pois é... Você lida com isso diariamente, certo?". House o provocou.

"House, não". Cuddy se irritou.

"Oh, foi bom vê-los! Eu desejo muitas felicidades aos gêmeos". Stacy disse querendo se retirar imediatamente de lá.

"Obrigada". Cuddy respondeu simpática.

Ela se afastou arrastando Mark.

"Manco!". House disse.

"Olha quem fala!". Mark respondeu antes de sair.

"Pelo menos não sou manco onde interessa".

"Pare!". Cuddy pediu.

"Ele é um imbecil".

"Você está brigando com ele por conta de sua ex-namorada?".

"Claro que não!".

"Tem certeza? Porque ela me pareceu bastante ciumenta".

"Cuddy, eu não estou nem aí pra Stacy. É uma coisa de macho".

"Então fique com o seu macho que eu vou pra casa".

"Cuddy pare!". Ele a segurou. "Eu quero que Stacy suma, eu não dou a mínima. Eu só quero você e todas as cinquenta mulheres atualmente em minha vida. Já é mais do que suficiente".

Ela riu.

"Eu te amo!".

"Mesmo?".

"Você sabe que sim".

Cuddy sorriu e o beijou.

Do outro lado da exposição Stacy deu uma desculpa e entrou no banheiro para chorar.


Na semana anterior houve um evento raro: Cuddy foi almoçar com Leonora e todas as amigas do hospital. Durante o almoço ela notou que Frank, um ex-namorado, estava presente, mas não disse nada, fingiu que não o notava. O problema é que ele foi até a mesa dela antes de ir embora.

"Lisa Cuddy, grávida?".

"Oi Frank".

"Uau! Pra quem nunca queria ter filho...".

"Isso foi há dez anos".

"Mesmo assim".

"Eu era jovem, as pessoas mudam...".

"Ou será que você não queria ter um filho meu?".

As amigas a encararam aguardando a respostas dela para aquele sujeito petulante.

"Frank, éramos muito jovens, eu tinha que construir uma carreira, estabilidade".

"Início dos trinta anos não é tão jovem assim".

"Não era o momento, eu estou muito feliz agora e espero que você também".

"Oh sim, eu estou feliz".

"Que bom!".

"Eu tenho filhos agora, na verdade dois deles".

"Excelente noticia! Vamos garotas? Preciso voltar ao trabalho".

"Só você mesmo pra pensar em trabalho...".

"Tchau Frank, foi bom vê-lo". Ela mentiu.

Quando saíram as amigas comentarão como aquele sujeito era babaca.

"Não comentem com House, nunca! Eu não quero que ele se preocupe ou se incomode com uma bobagem dessas".


"Ei pequena". House a acordou. "Daqui a pouco começará a cirurgia de sua mãe".

"Sim... Eu não dormi nada, peguei no sono só agora".

"Eu sei".

"Gosto quando você me chama assim".

"De pequena?".

"Aham".

"Mas é o que você é".

"Eu acho fofo".

"Ah é?".

"Sim, baby".

Ele riu. "Ficaremos parecendo um casal comum com apelidos grudentos e cafonas".

"É excitante parecer um casal comum quando não se é comum". Ela respondeu.

"Pensando por esse lado...".

Eles começaram a se beijar e a se esfregar.

"Oh baby, você fica tão gostoso pela manhã. Parece meu ursinho".

"Oh não... Você quebrou o clima. Ursinho? Sério?".

Ela riu. "Cale-se! Nem temos clima pra nada, minha mãe vai fazer uma cirurgia delicada".

"Foi você quem começou a se esfregar em mim".

"Vamos!".

"Você é uma pequena má!".

Cuddy riu e se levantou com dificuldade, não era fácil estar grávida de gêmeos na trigésima sétima semana. Ela nunca imaginou que levaria a gestação tão longe.

No hospital Arlene aproveitou a oportunidade quando ficou a sós com a filha mais velha.

"Como está Greg?".

"Como está Greg? Você não o chamou de bastardo nem nada do tipo?".

"Responda apenas".

"Ele está bem. Preocupado, fingindo que está tranquilo, mas eu o conheço".

"Ele está preocupado com você e as meninas".

"Sim, e com você também".

Arlene não pode deixar de sorrir e Cuddy notou. "Sabe Lisa, você tem que segurar o seu homem. Case-se logo! Mesmo que eu morra nessa cirurgia...".

"Mamãe!".

"Deixe-me falar! Mesmo que eu morra. Ok, admito: quero que vocês chorem muito por alguns dias, talvez um mês. Sofram bastante para que todos vejam como eu sou inesquecível".

"Mãe!".

"Mas depois disso trate de casar-se imediatamente".

"Ok mãe. Agora pare...".

"Eu falo sério, filha. Você é uma mulher de sorte por tê-lo".

Cuddy arregalou os olhos surpresa.

"Eu não falo muito isso, House não é de falar muita coisa também, mas ele se importa. Muito".

"Eu sei". Cuddy respondeu.

"Ótimo. Então se case mesmo que tudo der errado. Prometa!".

"Ok, mamãe. Eu prometo".

"Ótimo! Agora podemos começar logo isso. Quero tirar esse peso do tumor de dentro de mim, logo mais serei mais leve sem isso, esbelta".

Cuddy riu. "Você é louca, mamãe".

"Já chega que não me deixaram usar meus cabelos".

"Você vai para o centro cirúrgico, você não pode usar perucas lá".

"São minhas, eu comprei! Posso usar onde quiser".

"Ok". Cuddy respondeu. Nesse momento os enfermeiros vieram levá-la. "Boa sorte". Cuddy desejou para a mãe e para a equipe medica, sabendo como a mãe não era fácil…

Depois ela voltou para a sala de espera para estar junto dos familiares, inclusive House.

"Ei, tudo bem?".

"Sim. Só... preocupada".

"Eu sei, mas vai dar tudo certo. Sua mãe é uma velha durona".

Ela sorriu e deitou a cabeça nos ombros dele.

"Minha mãe gosta muito de você".

"Ela disse algo?".

"Ela só me fez prometer que se morrer vamos nos casar imediatamente".

"Oh sim, típico de Arlene. Mas fique tranquila que nos casaremos durante a cerimônia do velório".

"Cale-se!". Ela respondeu divertida, mas incomodada.

"Desejo da sua mãe. Tenho certeza de que ela adoraria".

"Não, ela me prometeu que iremos chorar muito por algum tempo e ficar em extremo luto".

"Oh... Também típico de Arlene".

"Sim". Cuddy se ajeitou ali, nos braços do noivo.

"Está tudo certo?". Julia chegou com um café na mão.

"Sim! Tudo certo Julia. Só nos resta esperar".

"Isso é horrível!".

"Você prefere entrar lá e operar a sua mãe?". House a provocou.

Julia nada respondeu, só sentou-se ao lado do marido.

Logo Wilson chegou também. Ficaram todos aguardando por longas horas.

"Vocês são os familiares de Arlene Cuddy?". O médico se aproximou horas depois.

"Sim". Julia correu até ele. Cuddy levantou-se com mais dificuldade por conta da barriga.

"Foi tudo bem, conseguimos tirar tudo aparentemente e ela se recupera bem".

"Aparentemente?". Julia perguntou.

"Sim. Tudo o que pudemos visualizar e uma boa margem de segurança".

"Julia, é assim que funciona". Cuddy informou. "Muito obrigada doutor, nos avise assim que pudermos vê-la?".

"Claro que sim".

"Graças a Deus!". Cuddy praticamente correu para House e o abraçou.

"Te falei que ela é uma velha durona".

Horas depois Cuddy e Julia foram vê-la.

"Eu quero pênis!".

"Mamãe!". Julia disse chocada. "O que fizeram com o cérebro dela?".

Cuddy riu. "Ela está voltando de anestesia, é normal falar algumas coisas... inapropriadas".

"Eu quero um pênis grande".

"Mãe!". Julia estava corada. Cuddy não pode deixar de rir.

"Você ri?".

"É engraçado".

"Temos enfermeiras aqui...".

"Elas sabem de muita coisa que acontece nos hospitais, isso não é novidade".

"O que vocês fazem aqui?".

"Mamãe, você fez uma cirurgia". Julia explicou.

"Eu sei, eu não sou idiota".

"Você está voltando da anestesia, tudo saiu bem".

"Ok". Arlene falou e já voltou a dormir.

"Vamos deixá-la descansar Julia, ela precisa".

"Mas isso é normal?".

"Tudo normal".

"Mamãe não está normal". Julia voltou dizendo.

"Está tudo bem, ela só está sob efeito de anestesia ainda". Cuddy falou impaciente com a atitude da irmã.

"Ela falou alguma besteira?". House perguntou divertido.

Cuddy riu.

"O que ela disse?".

"Se você falar pra ele eu te mato!". Julia a ameaçou.

"Nada demais...".

"Ok, sei... Você me fala depois".

"Não foi nada demais".

"A julgar pela reação da sua irmã, foi sim".

Cuddy riu.

Dez minutos depois House não havia esquecido.

"O que sua mãe disse?". House sussurrou para a noiva.

"Nada".

"Diz!".

"Você nunca pode usar isso contra a minha mãe. Promete?".

"Sim".

"Não acredito em você".

"Eu prometo!". Ele quase gritou.

"Você vai usar isso".

"Não... Não vou! Eu juro por... Joy!".

Cuddy arregalou os olhos. "Não jure as coisas pelas suas filhas. Nunca!".

"Ok. Eu juro por... Wilson".

Ela balançou a cabeça.

"Por favor!". Ele insistiu.

Cuddy respirou fundo e se aproximou da orelha dele. "Minha mãe disse que precisava de certa parte da anatomia masculina".

House arregalou os olhos. "Realmente?".

"Sim".

House gargalhou.

"Você falou pra ele?". Julia, que estava sentada na cadeira a frente do casal, perguntou.

"Não".

"Claro que falou".

"Não falei". Cuddy corou.

"Ela não me disse que sua mãe precisa de um...".

"House!".

"Ops. Me pegou!".

"Você falou!". Julia parecia ferida.

"Relaxa Julia! Não é nada demais".

"Como não é nada demais?".

"Você está exagerando". Cuddy disse.

"O que a sua mãe falou?". John quis saber.

"Nada!".

"Eu quero saber também, afinal, eu sou o único que não sabe agora".

"Não era pra ele saber". Julia falou irritada.

"É claro que era. A sua irmã falou pro noivo e você não quer falar para o seu marido". John se incomodou.

"Oh parem!". Cuddy quase gritou.

House olhou pra ela. "O que houve?".

"Acho que estou em trabalho de parto".

"O quê?". House estava gelado.

"Estou com contrações".

"Mas não é a hora...".

"Diga isso para as suas filhas".

"Ok, não surtem". House disse. Mas a única pessoa que estava surtando era ele mesmo. "Eu vou... Só vou...".

"House calma!". Cuddy disse. "Respire... 1... 2... 3...".

House fez o exercício de respiração.

"Mas não é ela quem está parindo? Ele quem faz a coisa da respiração?". John perguntou confuso.

"Agora você vai chamar um taxi para nos levar até o meu hospital".

"Você está em um hospital". Julia contestou.

"Mas não no hospital certo". Cuddy disse.

"Estamos com o carro no estacionamento". House lembrou.

"Você não tem condições de dirigir". Julia disse.

"É claro que estou em condições".

"House, chame um taxi. Quero você comigo no banco de trás".

"Ok". Ele concordou e saiu como uma barata tonta. Na verdade Cuddy não queria que ele dirigisse naquele estado, mas admitir isso só feriria o ego do noivo e tornaria tudo mais difícil.

House saiu atrás de um taxi, mas não encontrava nenhum. "Táxi! Táxi!". House gritava e um motorista estacionou perto dele.

"Eu vou buscar a minha noiva... grávida… Noiva grávida de gêmeos".

"Ok". O homem falou sem entender.

Quando Cuddy entrou no carro, aí sim o senhor percebeu a situação.

"Você está dando a luz?".

"Eu estou com contrações".

"Oh não, não quero ninguém sujando o banco do meu carro".

"Cala a boca seu idiota e dirija até Princeton Plainsboro". House disse irritado. O homem ficou com medo e decidiu só dirigir.

"Ok, você está bem?".

"Sim. Dói!".

"Logo vai passar. Eles te colocarão na anestesia e cortarão sua barriga para tirar as meninas".

Cuddy sorriu. "Eu não pensei que as veria tão cedo".

"Nem eu, ainda não estou pronto para ser pai".

"Você será um ótimo pai!". Ela acariciou a bochecha dele.

"A sua fé em mim me assusta".

"Eu sei que você será. É uma certeza, não fé". De repente outra contração começou.

"Isso dói mais do que eu imaginava".

"Você nem está perto do final".

"Eu sei... E isso é... Indignante! Você deposita em mim suas sementes e não sofre nenhuma consequência. Eu é quem estou aqui agora em uma condição dolorosa".

"A natureza sabe o que faz".

"Vá se foder!". Ela respondeu divertida.

"Porque se fosse para os homens passarem por isso... A humanidade já teria se extinguido há tempos".

"Totalmente de acordo".

"Ainda assim é insano o desejo das mulheres pela maternidade".

"A natureza tem seus mistérios". Cuddy disse.

"Defintivamente!".

Chegaram relativamente rápido. House pagou o taxista sem olhar para o sujeito. Logo vieram com uma cadeira de rodas para levar Cuddy até a sala de pré-parto. Sua médica foi chamada, ela foi medicada.

Assim que Dra. Patrícia chegou ela aferiu a pressão da mãe. "Sua pressão está boa, mas...".

"Mas o que?". Ela perguntou assustada.

"Os batimentos cardíacos de um dos fetos está muito lento. Vamos precisar entrar em cirurgia agora".

"O quê?". Agora era House quem estava chocado.

"Vai dar tudo certo". Dra. Patrícia falou.

House ficou sem ação. Sem palavras.

"Vamos!".

"Eu vou também!". House entrou na frente.

"Você vai, claro que sim". Dra. Patrícia concordou. "Só faça a higienização e coloque a roupa adequada".

Na sala de cirurgia eles tentaram agilizar os processos, tanto House quanto Cuddy notaram e se preocuparam. No ultimo ultrassom Joy estava com 2.500 quilos e Jordan com 2.800 quilos. Dois bebês bastante pesados para serem gêmeos.

Logo a primeira menina saiu. Joy Ann Cuddy House. Nada de choro, a menina foi entregue para a enfermeira enquanto a segunda era retirada pela médica. House ficou atento em sua primeira filha, o choro não vinha e ele queria ir lá, pegar a bebê e correr com ela. Mas antes disso ele ouviu o som mais lindo e relaxante do mundo: o choro de sua filha. Ele mal teve tempo de sentir-se feliz e logo ouviu outro choro, esse bem alto e estridente: Jordan Iris Cuddy House.

"Está tudo bem com as duas?". Cuddy quis saber.

"Sim, aparentemente duas meninas saudáveis". A enfermeira disse.

"Posso vê-las?".

"Claro". Ela as deixou nos braços da mãe, uma de cada lado. Eram lindas, eram idênticas, apesar de que Jordan era nitidamente maior.

"Ei... Eu sou a mãe de vocês".

House olhava a tudo chocado. Ele não sabia o que sentir, mas sentia tudo ao mesmo tempo.

"Vem cá!". Ela o chamou e ele se aproximou com cuidado.

"Suas filhas".

"Me disseram".

Cuddy sorriu.

House não pensava que se emocionaria tanto com uma cena banal: a mãe com suas bebês. Mas ele se emocionou e tentou conter as lagrimas. "Elas parecem... Bebês".

As enfermeiras riram. Cuddy também.


As meninas foram levadas para exames e Jordan estava muito saudável, já Joy apresentava alguns problemas respiratórios e precisava ficar na UTI neonatal. Cuddy ficou tensa, House ainda mais tenso tentava tranquilizá-la.

"Ela vai ficar bem".

Cuddy chorava sem parar. A única coisa que a aliviava era a presença de Jordan em seus braços. A menina já começou a mamar e tinha muito apetite.

"Essa menina come pelas duas".

"Eu não quero que ela coma por duas, eu quero Joy aqui".

"Eu sei, eu também. E ela virá em breve".

"Quero vê-la!".

"Nós vamos até ela".

De fato Cuddy foi levada de cadeiras de rodas e passou boa parte do tempo com a menina na UTI. Julia e John chegaram, Blythe estava no voo a caminho. Wilson, o time de House, amigos de Cuddy. Todos estavam lá.

"Como ela está?". Wilson perguntou preocupado.

"Feliz e não feliz ao mesmo tempo".

"Entendo".

"Não sei se você entende".

"Como você está?".

"Não sei".

"Entendo".

House bufou.

"As meninas são lindas!". Wilson tentou desanuviar o clima.

"Elas são, iguais a mãe".

...

"Como está mamãe?".

"Bem. E brava".

"Por quê?". Cuddy perguntou para a irmã.

"Eu a cito 'Como eu perdi o meu momento? Fiz uma cirurgia gravíssima e Cuddy tirou toda a minha atenção dando a luz a gêmeos'".

"É a cara de mamãe".

"Pois é". Julia riu. "Lisa, Joy ficará bem".

"Eu estou com medo".

"Eu sei, mas vai dar tudo certo. Elas são lindas!".

"São". Cuddy disse como uma mãe coruja.

"Rachel quer vir aqui, ela me pediu".

"Eu também a quero aqui".

"Amanhã eu a trago, tudo bem?".

"Por favor!".

Naquela noite House dormiu no quarto com Cuddy.

"House".

"Sim?".

"Vem aqui?".

Ele se aproximou.

"Deita comigo".

"Tem certeza?".

"Sim".

Ele se deitou com cuidado e ela se aconchegou nele, como podia.

"Você acha que é maldição?".

"O quê?".

"Você acha que é o nome 'Joy'?".

"Que bobagem!".

"Não é bobagem. Eu perdi uma vez Joy, será que acontecerá de novo?".

"Não Cuddy, não vai acontecer! Uma coisa não tem ligação nenhuma com a outra".

"Será?".

"Sim. Certeza".

Cuddy chorava. House a deixou chorar.


Ele acordou pela manhã e sentiu um desconforto. Estava úmido, molhado. Oh Deus, não! Ele não urinou na cama ao lado de sua noiva que havia feito uma cirurgia recente, não é? Nervoso ele colocou a mão. Sangue?

"Cuddy... Cuddy?". Ele levantou-se tão rápido que sobrecarregou a perna.

"O quê?".

"Você está... sangrando!".

"O quê?". Ela se assustou.

Era muito sangue. House entrou em pânico. "Enfermeira!".

Continua...