Feliz Ano Novo! Que 2023 seja cheio de luz (estamos precisando).
Capítulo 19 – Os dias seguintes
Quando estava sozinho House beijou a testa de sua noiva carinhosamente. "Você tem que saber que eu quero me casar com você assim que estiver recuperada. Não me importa se será aqui no hospital, na sua casa, onde for... Eu só quero me casar com você".
Então ele saiu.
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Horas depois Cuddy acordou, mas estava muito fraca. Havia o risco de novo rompimento uterino, de infecção. House estava tenso. Arlene não sabia do problema com a filha, pois ela mesma estava se recuperando de sua cirurgia.
"Dr. House, ela acordou". Uma enfermeira foi avisá-lo.
House levantou-se tão rápido que machucou a perna, mas respirou fundo e continuou em direção ao quarto de sua noiva.
"Ei". Ela disse quando o viu entrar. "Você está péssimo".
Ele sorriu. "Você e Joy só me dão preocupação, o que quer que eu faça?".
"Joy não está bem?". Cuddy teve ímpetos de levantar-se.
"Ela está bem. Acalme-se! Ela está bem agora".
Ela o olhou com desconfiança.
"É verdade".
Ela continuou olhando para ele muito desconfiada.
"Eu juro pela minha... potência sexual".
Cuddy se recostou no travesseiro mais tranquila e apontou para a cama, ele se aproximou.
"Eu estou bem". Cuddy tentava tranquilizá-lo agora.
"Você teve rompimento uterino".
"Sim, eu soube. E Joy? Quero vê-la! Quero ver as duas!".
"Elas estão bem. Joy superou o problema respiratório e Jordan nunca teve de fato um problema, a vida já começa injusta para uma das duas. Uma com tanto e outra...".
Ela riu, mas sentiu dor no corte. "Você é inacreditável!".
"Eu fiquei com muito medo". Ele foi sincero. "Não sei como viveria sem você".
"Eu sei que você seria o melhor pai para as três meninas".
"A sua fé em mim me assusta, eu já te disse isso?".
"Umas dez vezes! No último mês".
Ele riu.
"Eu quero vê-las!".
"Eu vou falar com as enfermeiras".
"Obrigada!".
"Eu volto logo!".
"Ei...". Cuddy o chamou de volta. "Ouvi algo sobre... você querer se casar comigo logo".
House corou.
"Eu também compartilho desse sentimento".
"Ok". Ele respondeu sem graça.
"Você consegue arrumar alguém para nos casar?".
"Aqui?".
"Sim! Hoje!".
"Cuddy... Não precisamos...".
"Eu quero".
"Tem certeza?".
"Absoluta".
"Não é como se você fosse morrer amanhã...".
"Eu quero!".
"Você não sairá tão bem nas fotos, digo... você é linda ainda assim, mas... Você acabou de passar por uma cirurgia".
"Maquiagens existem por uma razão". Ele respondeu resoluta.
House saiu da sala em choque e foi direto falar com a enfermeira. Joy e Jordan estavam bem e haviam saído da UTI-neonatal naquela manhã.
Minutos depois House entrou na sala com a enfermeira e com as duas meninas.
"Oh meu Deus!".
"Você não pode se levantar e nem fazer esforço". House a lembrou.
"Eu quero ver as minhas filhas".
House colocou uma por vez nos braços de Cuddy, tomando muito cuidado.
"Oh meu Deus, Joy! Você parece tão saudável".
"E ela está". House disse.
"Dr. House ajudou muito". A enfermeira disse e Cuddy olhou pra ela curiosa.
"Ele esteve com Joy por algumas horas quando você estava iniciando a cirurgia. Ele conversou com a menina, foi muito carinhoso, depois disso ela começou a se recuperar surpreendentemente".
Cuddy olhou para ele que corou.
"Não sei se foi exatamente por isso...".
"Eu te amo!". Cuddy falou o deixando ainda mais encabulado. "Eu tenho certeza de que o seu amor ajudou Joy naquele momento".
Ele nada respondeu.
"E quanto a você Jordan? Ei Jojo, você é forte. Mamãe e papai te amam tanto!".
House engoliu saliva tentando conter a emoção. O que estava acontecendo com ele? Aquelas mulheres todas já estavam o deixando mole.
"Eu estou tão feliz!".
"Você precisa focar em se recuperar".
"Eu queria amamentá-las".
"Cuddy, você precisa recuperar energia e não gastar".
"É verdade Dra. Cuddy, haverá hora para tudo".
Naquela noite Rachel pode finalmente visitar suas irmãs e sua mãe.
"Ei filha".
"Mamãe!". A menina falou tímida e se escondendo atrás de House.
"Sua mãe quer lhe ver". House disse, mas notou que a menina estava apreensiva.
"Filha, está tudo bem".
"O médico deixou mamãe boa?". Ela perguntou pra House fingindo que sua mãe não estava ali.
"Sim Rachel, sua mãe vai ficar bem. Ela só está se recuperando agora".
A menina olhou desconfiada.
"Filha, se você não quiser me ver aqui na cama do hospital, tudo bem. É mesmo meio assustador, mas mamãe está bem e logo estará em casa".
"Eu quero mamãe em casa, House".
"Eu sei, eu também".
"Leve ela, House. Ela não precisa passar por isso".
House não sabia o que fazer mediante ao dilema inesperado. "Rachel, você não quer dar um beijo em sua mãe?".
A menina fez que não com a cabeça.
"Tudo bem House, leve ela. Rachel não precisa ficar aqui se está desconfortável. Filha, mamãe vai voltar pra casa logo".
A menina pegou na mão de House e o arrastou pra fora.
"O que houve Rachel?".
"Mamãe está estranha".
Ele respirou fundo. "Mamãe está doente e precisa se recuperar, mas ela vai ficar bem".
"Ela vai mesmo ficar boa?".
"Sim, vai sim".
A menina respirou aliviada.
"Você quer conhecer as suas irmãs?".
"SIM!".
House riu com o grito da menina, o animo dela mudou da água para o vinho. E ele a levou até a internação neonatal. As meninas não estavam mais na UTI, mas enquanto Cuddy se recuperava elas ficariam em uma internação com monitoramento constante. Jordan estaria liberada naquele dia, mas Joy ainda precisava ficar em observação alguns dias mais.
"Aquelas duas são suas irmãs, Joy e Jordan".
"Nossa!".
"Quer chegar perto?".
"Sim!".
Eles entraram e a menina pode ficar completamente apaixonada pelas duas bebês.
"Elas são muito pequenas".
"Sim, elas vão crescer".
"Elas não conseguem brincar assim".
"Não, ainda não".
"O que elas fazem?".
"Ela dormem muito, mamam e fazem muito cocô fedido".
A menina riu. "Eca!".
"Você vai ajudar a trocar as fraldas fedidas?".
"Não".
Ele riu. "Mas você troca a fralda das suas bonecas. Como chama aquela? Michelle?".
"Mas é cocô de mentirinha".
"Justo".
A noite ele levaria Jordan pra casa e Blythe o ajudaria nos primeiros dias. Cuddy seguiria no hospital. Ele foi se despedir dela.
"Julia vai dormir aqui essa noite, eu estarei com Jordan, Rachel e minha mãe. Depois Julia ficará com Rachel por alguns dias".
"Obrigada por isso!".
"Logo você e Joy estarão em casa conosco".
"Sim, eu não vejo a hora".
"Boa sorte com Julia".
"Boa sorte com as três mulheres".
"Eu vou precisar".
Cuddy riu.
"Sobre Rachel...".
"Não é um problema. Muitas crianças ficam assustadas com essa situação toda". Cuddy o tranquilizou.
"Sim, eu mesmo estou assustado".
"Eu estou bem". Ela pegou a mão dele. "E não me esqueci da coisa do casamento. Trate de encontrar alguém para nos casar amanhã".
"Cuddy, vamos sair daqui primeiro...".
"Não. Amanhã!".
"Amanhã?".
"Amanhã".
House estava cuidando de Jordan o melhor que podia. Rachel acompanhava tudo atenta e Blythe por perto buscava ajudar.
"Eu farei o jantar".
"Ótimo". House respondeu.
"Você sabe cozinhar?". Rachel perguntou curiosa.
"Oh querida, eu acho que sim. Greg gosta da minha comida".
"Quem é Greg?". A menina perguntou confusa.
"Esse sou eu".
"Não. Você é House!".
Blythe riu. "Ele se chama Gregory House. Eu o chamo de Greg, querida".
"Posso te chamar assim também?".
"Você pode me chamar como quiser".
"Posso te chamar de bobo?".
"Não, disso não!".
Blythe riu. "Ela é uma criança adorável!".
"Ela é esperta". House concordou.
"E eu estou muito feliz por você tê-la. Assim como pelo resto delas todas: Lisa, Jordan e Joy".
"É, eu também". House falou com sinceridade e espontaneamente surpreendendo sua mãe.
No dia seguinte House estava de volta ao hospital. Ele entrou no quarto e Joy estava com Cuddy.
"Ei. Tudo bem? Como está Jordan? Rachel?".
"Todos bem".
Cuddy abriu um sorriso. "E a coisa do casamento?".
"Eu ainda não tive tempo...".
"Chase fará isso por nós. Eu já falei com ele".
"Chase?".
"Sim". Cuddy sorriu. "Eu já consegui um vestido, as enfermeiras me ajudarão com isso e você precisa de um terno".
"Cuddy, eu não acho...".
"House, por favor!".
"Tudo bem". Ele não poderia falar nada diferente, o que ele diria para a noiva hospitalizada?
"E quando faremos isso?".
"Hoje!".
"Sua mãe ainda está hospitalizada, ela não vai gostar".
"Vamos nos casar e está decidido, gostem ou não. Se estiver presente eu, você e uma testemunha, teremos um casamento. Pronto! Depois faremos algum jantar de celebração quando eu estiver bem".
Ele só acenou com a cabeça, Cuddy estava decidida, nada mudaria sua mente.
"Wilson, preciso de um terno".
"Por quê?".
"Vou me casar!".
Wilson riu.
"É sério!".
"Cuddy está hospitalizada, até que ela esteja bem você terá tempo hábil para procurar um terno".
"Eu vou me casar hoje!".
Wilson riu novamente, mas ficou sério quando notou que o amigo ainda o encarava.
"Isso é sério?".
"Sim!".
"Por quê?".
"Cuddy faz questão".
"Por quê?".
"Porque ela passou por uma experiência de quase morte que mudou tudo, ela viu a luz e a luz clamava para que ela se casasse comigo".
"Wow!".
"Quem diria que a luz teria tanto discernimento assim...".
"Não Wow pra isso, Wow porque Cuddy resolveu te colocar na rédea curta".
"Muito engraçado".
"E as bebês?".
"Elas estão bem com isso. Surpreendentemente!".
"Eu digo, como foi com Jordan em casa?".
"Ela está bem. A garota é esperta".
"Em outros tempos você diria que um pai está sendo lunático quando diz isso de sua filha com dias de vida".
"Você vai me ajudar ou não a conseguir um terno?". House o ignorou.
"Sim, desde que eu participe da cerimônia".
"Você será testemunha, ou meu padrinho de casamento, como preferir. Preciso da licença de casamento e do terno".
Wilson estava emocionado.
"Não é hora pra isso...". House falou incomodado com a emoção do amigo.
"Desculpe se eu me emocionei em ser o seu padrinho de casamento".
House revirou os olhos. "Quem mais seria?".
Wilson não conseguia falar. "É lindo ver você e Cuddy...".
House respirou fundo.
"Você vai conseguir isso tudo hoje?". Wilson perguntou tentando voltar a razão.
"Tenho que conseguir, senão Cuddy será uma viúva antes de se casar".
...
House passou o dia atrás das burocracias, infelizmente os papeis só ficariam prontos no dia seguinte. Mas ele conseguiu o terno azul e Wilson até conseguiu alguns arranjos de flores para dar um ar decorativo para o quarto de Cuddy.
"Não acredito!".
"Um dia, Cuddy. O mundo não vai mudar drasticamente em um dia".
"Como você sabe?".
Ele respirou fundo. "Você está impressionada pelo que aconteceu, eu também, mas você está aqui e está bem. Jordan está em casa bem e Joy irá pra casa hoje".
Cuddy começou a chorar.
"O que houve?".
"Eu quero vê-las. Joy está aqui e a vejo, mas agora ela vai embora também...".
"Logo você estará em casa também, conosco".
Mas Cuddy estava emotiva. "Eu estou cheia de leite e nem posso amamentar minhas filhas".
"Isso é temporário. E amanhã eu trarei as meninas".
"Sério?".
"Sim".
"Não é perigoso... Trazê-las ao hospital?".
"Cuddy, elas ficaram aqui até agora... No mais, são filhas de médicos, precisam se acostumar com germes e bactérias".
Cuddy sorriu entre lágrimas. "Agradeça a Blythe por mim, ela está ajudando tanto".
O que Cuddy não sabia é que House estava muito desconfortável em casa com a mãe. Eles foram muito próximos até os doze anos de idade dele, depois disso não. House sempre foi isolado dos pais e havia saído de casa com dezoito anos, era estranho estar compartilhando tanto tempo com a mãe novamente.
Naquela noite...
"Jordan estava esfomeada hoje". Blythe disse assim que House chegou em casa. "Oh meu Deus! Joy!".
"Ela recebeu alta. Agora temos a dupla dinâmica em casa".
Blythe correu para segurar a neta. "Ela está tão magra, precisa se alimentar. Viu como Jordan está saudável? Ela mama como um leão".
"Você mal deixa a menina acordar que já está lá esperando com a mamadeira". House disse.
"Oh, elas precisam se alimentar".
House riu. "Cuddy pediu para te agradecer por estar aqui... ajudando...".
"Oh, ela não precisa. É um prazer para mim".
De repente ouviram o choro estridente de Jordan.
"Ela te ouviu. Está com saudades".
"Ela tem dias de vida...". House respondeu.
"Oh, mas um recém-nascido sempre sabe quem são seus pais, eles reconhecem a voz, o cheiro".
"Você está comparando minha filha a um cachorro?".
Blythe riu.
House tinha muito para argumentar, mas preferiu calar-se e ir até a filha. Ele estava com saudades também.
"Ei Jojo, você passou bem o dia? Fez coisas de bebê? Cocô, xixi, comeu e dormiu?".
A menina parou de chorar imediatamente. "Aposto que sua fralda está suja agora...".
"Sua avó te dá tanta mamadeira que você está o dia todo com a fralda suja...".
A menina o encarava com atenção. House trocou a fralda.
"Você sabia que sua irmã já está em casa? Logo será a vez de sua mãe".
Blythe ouvia a conversa com atenção. Era impressionante a mudança que seu filho sofreu em pouco tempo.
"Lisa está bem?".
"Sim, está muito bem. Inclusive... Amanhã precisamos ir até lá com as meninas".
"Claro, ela quer ver as filhas".
"Também".
Blythe olhou desconfiada.
"Nós iremos nos casar".
"O quê?".
"Cuddy quer se casar".
"No hospital?".
"Sim, é onde ela está".
"Mas por que a pressa? Ela está mal, filho?".
"Não mãe". Ele respondeu um tanto irritado. "Ela quer se casar, é isso. Ou você imagina que pra querer se casar comigo a pessoa tem que estar a beira da morte?".
"Eu não disse isso". Blythe respondeu ofendida.
Ele foi preparar a fórmula para Joy. Blythe deixou as netas bem acomodadas e foi falar com ele.
"Filho, eu não quero te irritar, eu estou feliz por você".
House respirou fundo, mas nada respondeu.
"Casamento é coisa séria, eu sei que você e Lisa estão prontos pra isso, vocês têm uma linda família. Mas haverá dificuldades".
"Sério mãe? Eu pensava que depois que me casasse a vida seria só diversão...". Ele respondeu irônico.
"Eu sei que você não é criança e nem um adolescente bobo, Greg. Mas eu me preocupo com você".
"E acha que eu irei acabar com o meu casamento?".
"Eu não disse isso".
"Oh que bom, porque pareceu".
"Greg...".
"Eu te garanto que não ficarei omisso a minhas filhas como você fez".
Nesse momento Joy começou a chorar e Blythe ficou estática. House foi levar a mamadeira para a filha.
Mais tarde no mesmo dia, quando House se preparava para deitar...
"Greg...".
"Agora não mãe".
"Desculpe".
"Eu sei que você não teve intenção de falar...".
"Não, eu digo... Desculpe-me por minha omissão durante a sua infância".
House arregalou os olhos e sentiu-se extremamente desconfortável.
"Ok".
"Eu realmente quero dizer isso. Eu não sabia como lidar com você, com John... Vocês eram figuras fortes e geniosas, ambos. Eu realmente pensei que era o melhor pra você".
"Ok, nós não precisamos falar sobre isso".
"Obviamente não acertei, mas você verá, não é porque somos pais que sabemos de tudo, somos humanos e imperfeitos. Queremos o melhor para os filhos, mas muitas vezes erramos...".
House ficou calado.
"Tenho certeza de que você e Lisa serão melhores pais do que eu e John fomos, eu realmente sei disso".
"Você não foi uma péssima mãe".
Agora foi Blythe quem se surpreendeu.
"Você fez o que pode em uma situação machista e limitante. Eu não sei como você suportou conviver com ele".
"Naquela época mulheres não se divorciavam, muito menos esposa de militar".
"Você gostava tanto de música, festa, de risadas. Odiava briga e confusões. Deve ter sido frustrante conviver comigo e com ele".
"Eu sempre te amei, Greg!".
"E ele?".
"Eu... Eu aprendi a conviver com John. A respeitá-lo".
"Você o amou em algum momento?".
"Acho que sim... Não como você e Lisa se amam entretanto".
"Você não o amou então".
"Talvez não...".
House balançou a cabeça em sinal de entendimento. "Boa noite, mãe!".
"Boa noite, filho".
Deitaram, mas o sono custou a chegar. E meia hora depois Jordan acordou chorando estridentemente despertando a sua irmã também. Era uma sinfonia desafinada de bebês.
Continua...
