Bom dia pessoal. Primeiro capítulo de 2023, espero que gostem!


Capítulo 20 – Um novo homem

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Naquela manhã House estava um trapo. Ele não havia dormido praticamente nada, as meninas deram trabalho e quando não era Joy, era Jordan, o fato é que quando uma começava a chorar a outra a seguia quase que imediatamente. Ele e Blythe passaram a noite tentando controlar as meninas. Rachel estava na casa de Julia, seria demais lidar com dois bebês recém-nascidos e uma criança de quatro anos.

House entrou no hospital elegante em seu terno e empurrando o carrinho que levava as gêmeas que dormiam profundamente. Blythe o acompanhava. O hospital todo parou para olhar pra eles.

"Você realmente é famoso aqui".

"Elas são filhas de Cuddy, a reitora".

"Oh, não venha com essa! Eu sei bem que você cria sua própria fama por onde passa". Blythe argumentou enquanto sorria simpática para todos.

Quando entraram no quarto de Cuddy todos estavam lá: Julia, Rachel, John, Wilson e seu time, Leonora e as amigas do hospital de Cuddy. Até Arlene estava em uma cadeira de rodas.

"O que você faz aqui, velha?".

"Essa é a primeira pergunta que você faz?". Arlene falou bem humorada. "Você não acha que eu perderia isso por nada, certo?".

House balançou a cabeça e olhou para Cuddy que vestia um lindo vestido branco, apesar de estar hospitalizada ela estava deslumbrante. A maquiagem ajudou, claro. Mas ela estava radiante.

"Deixe-me ver minhas filhas!".

"Finalmente elas dormiram". House falou. "Eu devo precisar de maquiagem também já que não durmo há dias...".

"Por isso não, eu posso ajudar com isso". Donna se ofereceu.

"É apenas brincadeira". House respondeu incomodado.

House pegou Joy enquanto Blythe pegou Jordan e entregaram ambas para a mãe.

"Oi meninas". Ela as beijou. "Mal vejo a hora de voltar pra casa com vocês".

"Logo você estará lá!". Wilson disse.

"Elas são lindas!". Masters falou.

"Claro que sim, com os pais que elas têm". House falou orgulhoso fazendo Cuddy sorrir.

"House!". Rachel enciumada se agarrou nele.

"Ei pirata, como você está?".

A menina não queria soltá-lo, House começou a ficar sem graça perante os demais. Chase riu. Cuddy riu. Taub riu.

"Filha, eu e House vamos nos casar, lembra o que eu te disse?".

"Sim, mamãe!".

"Depois vamos todos morar juntos e felizes".

"Até elas?". Rachel apontou para as irmãs.

"Sim".

"Eu não sei se gosto de morar com elas".

Risadas.

"Por que não? São suas irmãs".

"Elas não fazem nada".

Mais risadas.

"Elas são pequenas, vão crescer". Cuddy explicou.

"Elas são chatas".

Risadas e mais risadas.

"Você não vai pensar assim depois". Julia explicou.

"Ou vai pensar ainda mais quando elas começarem a pegar suas coisas e a destruir tudo. Além de monopolizar sua mãe".

"Obrigada por isso, House". Cuddy respondeu.

"Por nada".

"Ótimo exemplo de paternidade, vamos logo começar com isso antes que ele desista". Arlerne falou apontando para House.

"Ok, vamos logo acabar com o meu sofrimento e me casar?". House disse e Cuddy olhou feio pra ele.

"Sofrimento?".

"É modo de dizer...".

"É bom que seja mesmo".

Mais risadas.

"Cadê o meu buquê?". Cuddy pediu e recebeu um arranjo de flores de Wilson.

"Você ficou responsável pelo buquê?". House perguntou deixando Wilson corado.

"São só flores...".

"Típico!". House disse balançando a cabeça e os homens riram.

"Ok, deixe de machismo e vamos começar". Cuddy pediu pegando House pela mão e o direcionando para o seu lado.

"Tudo bem". Chase se posicionou a frente deles. "Estamos em um quarto de hospital e vamos realizar o casamento de Gregory House e Lisa Cuddy, não poderia ser diferente disso...".

Risadas.

"Ok, corta a bobagem e vá direto ao ponto". House pediu.

"Deixa ele falar...". Cuddy pediu.

House respirou fundo.

"Eu conheço esses dois já há alguns anos e sempre soube que havia algo mais do que implicância profissional".

"Implicância profissional?". House contestou.

"Shhhh". Os presentes pediram silêncio.

"Esses dois eram apaixonados um pelo outro desde... sempre". Chase continuou. "Não sei detalhes da vida de Lisa Cuddy e Gregory House antes de conhecê-los, não é como se eles fossem as duas pessoas mais abertas do mundo, mas posso atestar que eles se apaixonaram no momento em que se conheceram, pois são realmente feitos um para o outro. Se existe alma gêmea, com certeza esses dois são algo assim".

Cuddy estava emocionada e apertava a mão de House com força. Ele tentava se manter sério com as frases clichês de Chase.

"Agora temos uma família linda: Rachel, Joy e Jordan. O amor deles criou isso, quem diria?".

Risadas.

"Mas antes que House me mate com alguma injeção de insulina, eu tenho que fazer isso... Lisa Cuddy, você aceita se casar com Gregory House e amá-lo e respeitá-lo por todos os dias de suas vidas juntos?".

Cuddy emocionada sorriu. "Sim, claro que sim".

"Gregory House, você aceita se casar com Lisa Cuddy e amá-la e respeitá-la por todos os dias de suas vida juntos?".

"Sim. De outra maneira não estaríamos aqui".

Risadas.

"Que romântico o meu marido!". Cuddy disse.

"Você têm algo a dizer um para o outro?". Chase perguntou.

"Eu tenho!". Cuddy disse. "Eu não tive tempo de escrever meus votos, os últimos dias foram meio conturbados".

Novas risadas.

"Mas eu queria dizer... House... Nós ficamos rodeando atrás do outro por tempo demais, por isso eu quis me casar com você logo, não quero mais perder um minuto de nossas vidas, quero que estejamos juntos sempre. Você me deu dois presentes lindos, você é maravilhoso com Rachel e comigo. Desculpe-me por todas as vezes em que não valorizei isso. Mas eu te amo! Eu te amo muito!".

Alguns choravam emocionados, como Julia, Blythe, Masters e Wilson. Outros aplaudiram. House não esperava por aquilo e corou.

"Imagino que agora vocês esperam algumas palavras minhas?".

"SIM!". Ouviu-se o grito dos presentes.

"Mas isso não acontecerá".

"Você é um ogro mesmo". Arlene respondeu divertida.

"O que eu tenho a dizer não é público".

"Discurso! Discurso!". Algumas exigiram.

"Não!".

"O deixe em paz... Vamos seguir com a cerimônia!". Cuddy falou para Chase.

"Cerimônia?". House perguntou confuso, pois por 'cerimônia' espera-se algo mais profissional e não tão improvisado, certo?

"Você pelo menos tem as alianças?". Wilson perguntou.

"Oh não...". House disse.

Todos olharam para ele o recriminando, mas House rapidamente sacou os anéis do bolso. "Eu não sou tão ogro assim, sogra".

"Então pode colocar o anel no dedo da esposa...". Antes que Chase concluísse eles trocaram as alianças e começaram a se beijar.

"Ei, eu não disse pra se beijarem".

"Aeeeeee!". Os presentes celebraram, alguns até jogaram pedalas de rosa branca no casal.

"Eu vos declaro casados!". Chase disse.

"Graças a Deus!". House falou aliviado por aquilo ter terminado.

"É tão ruim assim se casar comigo?". Cuddy perguntou sentida.

"Não, claro que não. O problema é toda essa 'cerimônia'".

"Você é um chato, mas pelo menos se casou...".

"Obrigado Arlene, lindas palavras, me emocionei".

"Vamos tirar uma foto da família?". Leonora propôs.

Então colocaram as meninas no colo da mãe, Rachel e House ao lado e o momento foi registrado.

"Vamos deixar Lisa descansar agora". Wilson falou. "Ela ainda está se recuperando e merece um minuto a sós com a família".

Todos parabenizaram os recém-casados com beijos e abraços, para o desgosto de House, e saíram.

Cuddy estava quieta, mas encantada com as filhas em seu colo.

"Quer ajuda?".

"Não precisa, eu quero passar algum tempo com elas... Logo elas irão pra casa".

"Você também, está se recuperando bem, deve ir pra casa nos próximos dias".

"Mamãe vai pra casa?".

"Sim Rachel, sua mãe estará conosco em breve".

Rachel havia superado o medo de ver sua mãe naquela situação. House ajudou muito com isso, ele explicou pra menina como seriam as coisas e porque ela estava na cama daquela maneira.

"Mamãe pode te dar um beijo?". Cuddy pediu.

"SIM!". Rachel se aproximou da cama com ajuda de House e beijou a testa da mãe.

"Eu te amo, filha!".

"Eu também, mamãe!".

"Ok, agora eu preciso levar as duas pestinhas pra casa".

Rachel riu.

"Não as chame assim!". Cuddy contestou.

House pegou as meninas e as colocou no carrinho para gêmeos. Depois se aproximou da esposa.

"Eu voltarei em breve!".

"House... Você gostou de se casar comigo?". Ela perguntou insegura.

"É claro que sim, eu não gostei de você não poder se levantar, de não poder te levar pra casa e ter nossa Lua de mel...".

Cuddy riu.

"Mas eu te amo! Você é a única mulher que conseguiria isso de mim, um casamento real".

Cuddy sorriu.

"Eu não disse palavras na frente dos outros, pois eu queria dizer só pra você ouvir. Você mudou minha vida Lisa Cuddy, você mudou completamente minha vida. Algo que nem eu acreditava ser possível, mas você sempre acreditou em mim, você via algo que ninguém mais enxergava e, se eu estou nesse hospital, se eu estou nesse relacionamento, é por você".

Cuddy começou a se emocionar. "Venha aqui!".

Ele se aproximou e a beijou suavemente.

"Vocês dois se beijam muito!". Rachel contestou os fazendo rir.

"Eu volto em breve! E... você me deve uma Lua de mel digna, se é que você sabe o que isso quer dizer...".

Ela sorriu. "Eu farei valer a pena!".

"Oh eu tenho certeza disso".

Depois ele se foi com as filhas. Cuddy ficou algum tempo olhando para o anel, contemplando aquela joia em seu dedo. A vida era mesmo surpreendente.


Pelos próximos dois dias Cuddy continuou no hospital, mas cada vez melhor. House e Blythe corriam em casa para cuidar das duas meninas, Rachel ainda estava com Julia.

"Cuddy está sentindo-se mal porque não está aqui".

"Ela não tem culpa".

"Eu sei, mas... Mulheres são complicadas".

Blythe bateu no braço do filho divertida. "Não coloque a culpa na classe".

"Ela sente que está perdendo os primeiros dias com as meninas e diz que elas vão se esquecer da mãe".

"Isso não vai acontecer".

"Eu sei, você sabe, mas Cuddy está hormonal...".

"Logo ela estará aqui".

De fato, dois dias depois House estava acompanhando a esposa de volta para casa.


Cuddy estava muito feliz por estar em casa, mas frustrada porque precisava repousar devido a cirurgia recente, então ela não poderia cuidar das meninas como gostaria, mas Blythe estava voltando para Nova Iorque e House estava em licença no hospital para ajudá-la. Naquela primeiro dia em casa Cuddy amamentou as meninas, mas foi necessário complementar com fórmula, pois ela ainda estava em recuperação e não podia demandar tanta energia com a amamentação.

Rachel voltou pra casa, ela sentiu muita saudades de sua mãe, de House, de sua casa. Seriam apenas os cinco: House, Cuddy e as três meninas. Ele estava apavorado em pensar nisso, realmente apavorado, mas ele teria que se virar.

A noite Jordan começou a serenata do choro. Em seguida Joy a seguiu. House se levantou.

"O que houve?". Cuddy acordou assustada.

"Nada além do normal. Jordan é escandalosa e adora cantar uma ópera durante a madrugada". Ele foi buscar as meninas e voltou com ambas nos braços. "Você me ajuda?".

"Claro".

"Eu vou buscar as mamadeiras".

"Deixe-me tentar amamentar".

"Ok, você amamenta Joy e eu amamento Jordan".

"Eu não quero fazer diferença...".

"Na próxima você troca. Não podemos amamentar duas crianças ao mesmo tempo".

"Eu tenho dois seios, você sabe bem disso".

"Cuddy... Não vamos exagerar, ok?".

"Por favor!".

Ele concordou a contragosto, mas Cuddy merecia essa felicidade que lhe foi negada no principio, não?

Depois de comer, House e Cuddy trocaram as fraldas das meninas que logo ficaram sujas.

"Elas são muito pequenas, mas fazem um estrago lá embaixo".

Cuddy riu. Ela estava feliz podendo cuidar das filhas.

"Ainda bem que Rachel tem o sono pesado".

"Sim, ainda bem". Cuddy concordou.

"Aquela não acorda nem com uma bomba atômica caindo sobre a casa".

"Bom pra ela".

"Sim, verdade".

Os próximos dias não foram diferentes. House se desdobrando para cuidar das três garotas e de Cuddy. Ele precisava ajudar com o banho da esposa, ajudar com todos os processos das meninas. Por vezes Julia vinha ajudar ou ficava com Rachel por algumas horas, Blythe voltou no final de semana novamente, Leonora, até Wilson ajudaram. Mas House estava muito cansado, ele era capaz de dormir em pé de tão esgotado.

"Você tem sido maravilhoso!". Cuddy disse em uma manhã ensolarada.

"Eu não faço nada demais".

"Sim, você faz! Poucos maridos e pais fariam isso. Você é ótimo com todas nós".

Ele sorriu perturbado em ouvir aquilo. "Eu tento".

Cuddy se aproximou e o beijou suavemente. "Eu te amo! Muito obrigada".

Ele estava acanhado. "Por nada".


"Como estão as coisas?".

"Terríveis".

"Oh não reclame, você tem duas filhas lindas e saudáveis, Cuddy está recuperada".

"Wilson, eu não durmo mais do que uma hora seguida. Eu não transo, minha camisa é marcada por vomito ou baba infantil, minha mãe vem me visitar semanalmente, minha sogra passou a competir com ela sobre quem é a avó do ano e não sai da minha casa".

Wilson riu. "Soube que você criou algumas canções fofas para bebês".

"É meu único hobby atual: cantar para as meninas".

"Você é bom nisso. Cuddy só tem elogios".

"Cuddy ficou sensível depois de tudo".

"Blythe só tem elogios".

"Ela é minha mãe, não conta".

"Arlene só tem elogios".

"Essa velha me ama!".

A cirurgia de Arlene tinha sido um sucesso e a senhora havia iniciado sessões de radioterapia. Para infortúnio dela House não tinha tempo para acompanha-la, então Julia fazia isso.

"Suas filhas são lindas!". Leonora falou quando foi visitar Cuddy.

"Obrigada!". Ela respondeu orgulhosa.

"Eu também sou linda?". Rachel perguntou enciumada.

"Claro que sim! Se suas irmãs forem tão bonitas como você elas ficarão felizes".

A menina sorriu orgulhosa.

"Todas as suas três filhas são realmente lindas!". Donna concordou. "E as bebês estão grandes. Jordan especialmente".

"Ela come tudo o que vê". Cuddy disse divertida. "Joy não tem o apetite tão grande quanto a irmã".

"Joy é mais você e Jordan é mais House". Leonora falou bem humorada fazendo as amigas rirem.

"Eu também estou grande?".

"Sim Rachel, você está enorme!".

A menina estava em uma fase ciumenta com a chegada das irmãs.

"Os olhos delas serão bem claros". Cuddy falou.

"Como você pode dizer isso? Elas são novas ainda".

"Ah Leo, eu simplesmente sei".

"O meu também é claro?".

"Sim Rach!". As três responderam bem humoradas.

House havia voltado ao trabalho recentemente, ele sentia-se estranho. Era esquisito estar lá depois de tudo.

Naquela tarde, enquanto ele tentava se concentrar no diagnóstico depois de uma noite mal dormida...

"Greg!".

Todos olharam para a porta e lá estava a morena. House sentiu que viajou no tempo, de volta para o passado.

"Stacy?".

Continua...