Um capítulo novinho pra começar bem a semana.


Capítulo 22 – E a vida segue

Da sala ouvia-se o riso das meninas e House insistindo: "papai, papai". Ele apostou com Cuddy que as meninas falariam primeiro "papai" e não "mamãe".

"Mãe". Rachel a chamou.

"Sim querida!".

"House também é o meu papai?".

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"Filha...". Cuddy sabia que um dia essa pergunta viria, Rachel fazia terapia há mais de um ano já e o assunto da adoção era constantemente trabalhado entre a garota, a psicóloga e Cuddy, mas mesmo assim ela não soube o que responder. Não sem antes falar com House. Aliás, ela se culpou imediatamente porque não havia tido essa conversa com o marido antes.

"... Rachel, você gosta de House como se ele fosse o seu papai?".

"SIM!".

"Ele vive aqui conosco, ele é o marido da mamãe, ele te ajuda a se vestir, ele lê pra você dormir, ele cuida de você, ele faz as suas panquecas, ele brinca com você, não é mesmo?".

"SIM!".

"Então isso é ser um papai".

Os olhos da menina se arregalaram. "Então ele é o meu papai?".

"Se você sente assim, ele é o seu papai. Claro que sim!".

"Oba! Eu tenho um papai!".

Cuddy se emocionou e a menina correu feliz em direção à sala.

"Papai! Papai!". Ela gritou para House que estranhou.

"Você é meu papai também".

Ele ficou corado e sem saber o que dizer. Cuddy apareceu na porta e sorriu docemente pra ele, House imaginou que algo havia acontecido entre mãe e filha.

"Ela... Ela me perguntou se você é o pai dela então eu disse que você já é o pai dela...". Cuddy estava muito preocupada com a resposta de House. Eles não tiveram tempo pra conversar, nem nada disso.

"Sim, Rachel. Eu posso ser o seu pai se você quiser".

"É claro que eu quero". Ela correu para abraçá-lo e quase derrubou as irmãs.

"Cuidado Rachel". Cuddy disse, mas a menina a ignorou e agarrou no pescoço de House que estava cada vez mais vermelho.

"Obrigada por ser meu papai".

House sentiu o peito bater acelerado, ele esperava que uma das bebês falassem isso pela primeira vez, não Rachel. Isso o pegou desprevenido e ele só a abraçou.

Cuddy ficou aliviada com a reação do marido, mas ainda assim sentiu-se culpada. Ela devia ter antecipado isso, claro que sim. Tudo podia ter saído incrivelmente errado.

Naquela noite, antes de dormir, Cuddy sentiu que precisavam falar sobre o acontecido.

"House me desculpe, foi tudo imprevisível".

"O que levou Rachel a isso?".

Cuddy contou os detalhes. "É um problema pra você que ela te veja e te chame de pai?".

"Cuddy...".

"Desculpe não termos tido essa conversa antes, eu devia ter mencionado isso. Eu devia imaginar que isso aconteceria mais cedo ou mais tarde".

"Cuddy, eu já estou aqui. Eu tenho duas filhas biológicas, por que não uma terceira? Eu gosto de Rachel e eu sou a figura paterna na vida dela. Odiaria que ela chamasse Wilson de pai, por exemplo".

Cuddy sorriu. "Por que Wilson?".

"Sei lá... Qualquer homem aleatório".

"Você é o papai mais sexy de todos". Ela disse montando nele.

"Eu estou mais para vovô".

"Não, há um longo caminho até isso, baby".

E foi um fim de dia feliz.


"Você fez o que?".

"Nada...".

"Marina disse que você deixou as meninas dormindo a tarde toda com um som de gravador que repetia a palavra 'papai' sem cessar".

"Veja bem... O cérebro aprende quando está dormindo, pois o ouvindo nunca...".

"House!".

"O que foi?".

"Você está levando essa aposta longe demais".

"Eu não fiz nada".

"As meninas não são cobaias, ou gados, ou qualquer objeto que você manipula".

"E quem disse isso?".

"Rachel me falou que você deu cinco dólares pra ela ficar repetindo a palavra 'papai' para as irmãs".

"É um ganha-ganha".

"Você não tem limites!".

"Eu não fiz nada demais, não prejudiquei...".

"Você é inacreditável!".

"E Rachel é boca aberta. Marina também".

"Rachel é uma criança, você não tem como envolvê-la nas suas mentiras e esperar que ela se comporte como você. Marina tem obrigação comigo".

"Oh, só com você?".

"Eu a pago".

"Então é sobre dinheiro? Afinal você é a grande reitora do hospital que ganha muito dinheiro e joga na cara do marido aleijado que só mantém o emprego porque ela assim deseja?".

"De onde vem essa merda?".

"Do mesmo lugar de onde veio as suas".

E ele saiu irritado.

Ela não esperava que a conversa terminasse assim, mas eles ficaram dois dias sem se falarem.

"Você e Cuddy ainda estão brigados?".

"Prefiro que não fale o nome da reitora".

"House, isso é criancice!".

"Dela".

"De vocês dois".

"Ok Wilson, você conseguiu me fazer perder o apetite". E ele saiu deixando o amigo sozinho no restaurante.

Enquanto isso, na sala de Cuddy...

"Você está tensa e não conseguiu se sair bem na reunião de hoje".

"Eu estou com a cabeça cheia, Leonora".

"Você devia conversar com ele".

"Pra quê? Não concordamos , eu já sei".

"Vocês nunca concordaram com tudo e nem vão concordar com tudo. É isso o que os torna especiais um para o outro".

Cuddy respirou fundo. "A coisa ficou pior do que eu pensava".

"Relacionamentos, minha cara".

"Ele não tem limites".

"Ele tem. Vocês são o limite dele. É um novo Gregory House, e você sabe disso. Ele só fez umas coisas de homem idiota, todo homem faz coisas estúpidas".

"Talvez por isso eu nunca tenha tido um relacionamento que durou. Nunca tolerei essas estupidez".

"100% de acordo. Mas você está disposta a tolerar alguma coisa do seu marido, não?".

"Eu sempre tolerei muita coisa dele".

"Essa é só mais uma. Não é como se ele tivesse feito algo realmente grave. Foi até... fofo".

"Fofo?".

"Sim, olhe com outros olhos".

Cuddy respirou fundo e, pela primeira vez, tentou olhar a situação com olhos mais amenos.

Cuddy sorriu. "Ok, eu vou falar com ele".

"Você vai ficar melhor depois de uma noite de sexo quente, você vai ver".

"Agora saia!". Cuddy falou rindo, mas corando ao mesmo tempo.


House apagou a luz e se preparou para dormir.

"Ascenda a luz, por favor".

"Você perdeu algo? Pode usar a lanterna do seu celular".

"Deixa de ser grosseiro e ascenda a luz, por favor".

Ele assim fez.

"Eu estava pensando e precisamos conversar".

"Ok grande reitora".

"Para House! Você sabe que aqui eu sou a sua esposa, mãe de seus filhos".

Ele respirou fundo assustado com a reação dela.

"Eu não concordo com a sua maneira de levar todas as coisas, mas eu nunca concordei mesmo... Sempre achei suas atitudes insanas e... interessante. Essas não deixaram de ser assim".

Ele arregalou os olhos confuso.

"Talvez eu tenha exagerado. Desculpe-me!".

"Sério?".

"Que eu sinto muito?".

"Que você está pedindo desculpas?".

"Sim".

"Wow!".

"Mas você não vai se desculpar também por sua parte?".

"Qual foi exatamente a parte que você se refere?".

Ela fechou a cara.

"Ok, eu sinto muito pela minha parte".

"Você nem sabe o que fez de errado, não é?".

"Interrompi o silêncio absoluto no sono de duas bebês? Tentei incluir Rachel na minha manipulação? Te ofendi com a coisa toda da reitora?".

Agora foi Cuddy quem se surpreendeu.

"Desculpe por isso".

"Ok".

"Ok".

E eles ficaram calados por alguns segundos, então Cuddy começou a rir alto.

"Nós somos dois idiotas".

"Fale por você".

Ela jogou o travesseiro nele. "Eu te amo, seu idiota".

"Eu também estou louco pra transar com você, reitora".

Então, de forma urgente e afobada, eles se despiram e deram espaço para o desejo que os consumia.


Na manhã seguinte House vestia Jordan e Cuddy vestia Joy. De repente Rachel entrou gritando.

"Mamãe, papai, olha o que eu achei". Ela mostrou um urso de pelúcia que havia sumido há alguns dias.

"Mama". Joy resmungou ao mesmo tempo em que Jordan disse algo com som de "Papai".

"EU GANHEI!".

"EU GANHEI!".

Os dois falaram ao mesmo tempo e depois caíram na gargalhada.

"Elas falaram?". Rachel perguntou muito feliz.

"Sim!". O casal respondeu.

"Elas já podem brincar comigo agora?".

"Só de coisas de bebê ainda, filha". Cuddy pegou Jordan no colo enquanto House pegava Joy e tentava fazê-la dizer 'papai'.

"Posso brincar que eu sou a mamãe delas?". Rachel perguntou esperançosa.

Cuddy riu.

"Elas não são bonecas, Rachel". House disse.

"Mas papai, eu cuido bem delas...". A menina não teve nenhum problema em chamá-lo de pai, já House estava com dificuldade para se acostumar ao novo status.

"Eu sei, mas semana passada você derrubou sua irmã do carrinho de bebê".

"Eu queria carregar ela".

"Mas você só pode fazer isso quando um adulto estiver por perto, tudo bem? Você precisa pedir para um adulto". Cuddy disse preocupada com a lembrança, foi assustador entrar na sala e ver Jordan no chão, Joy chorando e Rachel com cara de assustada.

"Ok, mamãe".

"Ótimo. Boa menina!". House disse bagunçando os cabelos da filha.

"Ela é criança e não um cachorro". Cuddy falou.

"Eu ainda estou me acostumando a coisa toda da paternidade".


"Só eu acho muito estranho essas duas meninas serem tão loiras?".

"Mamãe, a cor do cabelo muda com o tempo". Julia respondeu para sua mãe durante a festa de um ano das gêmeas. A festa acontecia no jardim da casa de Cuddy e House.

"Sua mãe está enchendo novamente por conta do cabelo das meninas?". House perguntou pra Cuddy.

"Você a conhece, ela não se conforma com isso e deixa claro para todos os convidados". Cuddy respondeu irritada.

House riu. "Ela devia ficar feliz já que as netas puxaram pra ela. Ela é loira...".

"Tintura".

House riu mais alto. "Bom, minha mãe é loira natural...".

"Não fale isso pra minha mãe porque só vai piorar as coisas".

House riu ainda mais. "Não se incomode com Arlene, ela sempre vai arrumar uma maneira de aparecer e causar".

Cuddy respirou fundo.

"Mamãe, papai, eu quero comer!". Rachel chegou dizendo.

"Tem comida, filha. Você não pegou nada?".

A menina balançou a cabeça indicando que não.

"Vem aqui pequena, vamos encher esse bucho".

Rachel riu alto e Cuddy sorriu. Era lindo ver a interação dos dois.

"Ei".

"Oi Wilson".

"Quero te apresentar Mia".

"Olá, Mia. É um prazer conhecê-la!".

"Oh, o prazer é todo meu. Ouvi falar muito de você e de seu marido".

"Espero que boas coisas".

"Claro que sim!".

Wilson sorria como um colegial apaixonado. "Mia e eu nos conhecemos no curso de cerâmica".

"Oh, eu não sabia que você fazia curso de cerâmica". Cuddy respondeu surpresa.

"Eu tenho feito coisas diferentes para me conhecer".

"Entendi...". Ela respondeu já imaginando a reação de House quando soubesse disso.

Mia tinha descendência japonesa, tinha estatura baixa e era muito esbelta.

"Bom, espero que vocês aproveitem a festa. Fico feliz em tê-los aqui". Cuddy foi simpática.

Logo ela correu para procurar pelo marido. "House!".

"Raio de sol. Eu estou alimentando a pequena Cuddy".

"Venha aqui!".

"O que houve?".

"Por favor prometa se comportar".

"Por quê?". Ele perguntou desconfiado.

"Prometa antes".

"É difícil prometer quando eu não sei...".

"Só prometa!".

"Ok, eu prometo".

"Wilson trouxe a namorada, acho que é namorada. Chama-se Mia".

"Realmente?".

"Sim. Ele a conheceu no curso de cerâmica".

House arregalou os olhos e em seguida riu alto.

"Por isso estou te dizendo, pra que você não tenha essa reação na frente de Mia".

"Curso de cerâmica?".

"Aparentemente Wilson está... estava muito só já que você tomava muito do tempo dele...".

"Ei, não vire isso contra mim".

"Não me faça passar vergonha, por favor. E nem faça isso com Wilson".

"Claro que não".

"Onde estão Joy e Jojo?".

"Com minha mãe e com a sua tia, acho...".

Cuddy foi procurar pelas aniversariantes e House sorriu sozinho.

"Mama". Jojo disse quando viu sua mãe se aproximando e já tentou se desvencilhar de sua avó para ir até ela.

"Ei pequena. Onde está a sua irmã?".

"Joy está com Julia". Blythe respondeu. "Jojo é terrível, ela não para um segundo".

"Ela é bastante agitada". Cuddy falou abraçando sua filha. "Não é Jojo?".

"Joy é mais quieta".

"Joy é mais sossegada. Tanto que Jojo começou a andar com dez meses e Joy ainda não anda sozinha".

"Jojo é terrível e Joy é carinhosa". Rachel chegou dizendo.

Os adultos riram.

"E você Rachel, como você é?". Blythe perguntou.

"Eu sou fofa".

Novas risadas.

Do outro lado do jardim...

"Wilson! Ou devo chamar de Sam?".

"O quê?".

"Sam Wheat".

Continuaram olhando pra ele sem entender.

"Sam de Ghost. O cara que fazia cerâmica e tal".

Wilson corou. "Você é um idiota".

Mia riu. "Você deve ser House".

"Certamente, my lady!".

"Eu sou Mia".

"Mia Molly?".

A mulher riu entendendo a referência ao filme.

"House!".

"O que foi? Eu fiz sua dama rir".

"Foi engraçado". Mia concordou.

"Não, não foi". Wilson discordou.

"Ok, eu não quero ser o motivo da primeira briga do casal". House disse divertido.

"House, essa é Mia!".

"Meio que já nos conhecemos...". Ele respondeu e Mia riu.

Wilson franziu os olhos, por que Mia estava rindo daquelas piadas estúpidas?

"Bom, eu gosto dela. Tem senso de humor, diferente de você Jimmy".

"Eu tenho senso de humor". Wilson respondeu irritado.

"Claro que tem!".

"Relaxa coração, ele é engraçado". Mia respondeu.

House segurou a risada. "Bom... deixa-me ir... tenho uma festa pra cuidar. Até mais, coração!".

Eles cantaram parabéns para as meninas como uma família normal. Pais e filhas em frente ao bolo confeitado. House tentou entrar no clima, colocou um chapéu de aniversário em sua própria cabeça, imitando as crianças. Chase e seu time não podiam acreditar no que viam, aquele era mesmo Gregory House? O que aconteceu ao misantropo homem nos últimos 18 meses. Era como se uma transformação houvesse acontecido. Ok, ele ainda era o mesmo idiota em muitos momentos, ainda era o gênio insano e deixava Cuddy louca com as ideias e conduta nada profissional, eles brigavam como antes, se não mais. Sua perna ainda doía, ele enfrentava dias muito difíceis em que a ideia de tomar um Vicodin e acabar com tudo fazia parte de seus pensamentos, mas ele resistia, ele tinha algo para se apegar e fortalecer o seu desejo de resistir, afinal agora ele era um marido, um pai. Haviam pessoas que contavam com ele, que se importavam.

Aquela festa trouxe a certeza para os convidados de que House, apesar de ser o mesmo em essência, estava mudado. Sim, as pessoas mudam.


"Você tem algum preservativo?".

"O quê? Não. Pra que você quer um preservativo?".

"Pra encher com água e jogar na professora. Pra que eu haveria de querer um preservativo?".

"Você não está com Mia?".

"Sim, e é exatamente por isso. Estou indo vê-la e estou sem nenhum".

"Há farmácias no caminho...".

"Foca na minha pergunta. Você tem preservativo?".

"Não, eu não uso isso".

"Oh claro que não, você engravidou Cuddy, me esqueci".

"Você parece um adolescente hormonal".

"Eu vou passar em uma farmácia, obrigado por nada".

"Pelo menos eu não preciso encapar".

"Sorte sua".

"Eu não preciso de capa de chuva pra sair pra brincar".

Wilson nada respondeu, só fez uma cara de nojo.

"Os benefícios de ter um relacionamento fixo e duradouro: Poder trocar fluidos com a minha esposa".

"Ok, eu não preciso saber disso". Wilson respondeu entrando no carro.

"Você não vai sair com Mia...".

"Ok, tchau House!".

"Depois falam de mim, que eu sou um idiota! Você está tendo um affair".

"Tchau House".

"Você sabe que eu vou descobrir".

Wilson nada respondeu.

"Você tem algum problema sério, Wilson".

"Tchau!".

"Você não consegue ser fiel. Mia é uma boa pessoa".

Wilson saiu sem responder.

House ficou indignado e comentou o ocorrido com Cuddy.

"Por que Wilson teria um affair se está com Mia há pouco mais de seis meses?".

"Porque ele é estúpido o bastante? Porque ele deve ter conhecido alguém no curso de alfaiataria?".

"Ele está fazendo curso de alfaiataria?".

"Não sei, mas é a cara dele...".

"O que você fará?".

"Nada".

"House!".

"Eu não vou falar nada pra Mia".

Cuddy olhou desconfiada.

"Cuddy, eu tenho esposa e três filhas, não tenho tempo pra cuidar da vida alheia".

Ela arregalou os olhos. "Quem é você e o que fez com o meu marido?".

"A pergunta deveria ser: Quem é você que obrigou House a casar-se e a ter filhos?".

Cuddy ficou séria. "Você se arrepende?".

"Oh Cuddy, pelo amor de Deus! Claro que não! Foi uma piada".

"É nas piadas que falamos a verdade".

"Bobagem! É claro que eu não me arrependo. Não na maioria das vezes. Talvez quando as meninas brigam e não me deixam assistir televisão. Ou quando você está muito cansada para sexo".

Ela riu. "Você sabe que nossa vida sexual é muito atípica. Não acho que algum casal com três filhas pequenas e mais de quarenta anos faça tanto sexo".

"Problema deles!".

"Então não reclame de nossa vida sexual".

"E quem disse que eu estou reclamando?". Ele disse a puxando contra ele.

"House!".

"As meninas estão dormindo".

"Eu tenho que fazer...".

"Shhhhhhhhhhhhhh". Ele a calou com um beijo e conseguiu o que queria.


Algum tempo depois...

"As crianças vão acordar, você sabe disso".

"É domingo...".

"Vista-se!".

"Só mais um pouco...".

"House... sério". Cuddy respondeu rindo.

"Precisamos de férias! Só nós dois".

"Faremos isso quando as crianças crescerem".

"Você sempre fala isso. Quanto é crescer? Cinco anos? Dez? Vinte?".

"Suas filhas mais novas só têm três anos".

"Grandes!".

Ela riu. "Deixe que elas criem um pouco mais de autonomia".

"Elas não precisam ficar num hotel sozinhas, elas podem ficar com Julia. Ou com minha mãe, ou com Marina".

"Sua mãe acabou de ter um infarto".

"Ela está bem".

"Não bem pra cuidar de três crianças. E Julia está no processo de divórcio, você sabe...".

"A irmã perfeita de repente não é mais tão perfeita".

"Minha mãe está arrasada por ela".

"Sua mãe está bem, ela nem gostava de John".

"Como você sabe disso?".

"Ela me disse".

Cuddy franziu a testa.

"Nós ficamos muito íntimos na época em que ela fazia quimioterapia".

"Ela te falou sobre mim?". Cuddy perguntou corando.

"Oh, a adolescente carente...".

"Sério House".

"Ela me disse que te admira".

"Realmente?".

"Sim. E que você escolheu o melhor homem".

Cuddy riu.

"Papai! Mamãe!". Jordan veio correndo e se jogou na cama.

"Eu te disse!". Cuddy falou pra ele.

"Eu já estou vestindo minha boxer".

"Vamos ao zoológico?".

"Zoológico?". Cuddy estranhou.

"SIM!".

Logo atrás veio Joy. Ela sempre seguia sua irmã.

"Vamos ao Zoológico!".

"O que deu nessas duas hoje pra quererem ir ao Zoológico?".,

"É porque elas estão pulando como duas macacas". House respondeu fazendo as meninas rirem e pularem ainda mais. Jojo pulou no pescoço do pai, ela era muito ligada a ele, talvez por sentir a afinidade com as atitudes malucas e infantis do pai. Joy já era mais doce e sensível, ela venerava sua mãe e Rachel, mas seguia Jordan nas loucuras, quer dizer, seguia com comedimento enquanto a sua irmã se jogava em tudo sem pensar duas vezes.

"Mãe, Jojo quebrou o abajur". Rachel entrou dizendo.

"Jojo, você quebrou o abajur?".

"Não!".

"Filha, fale a verdade". Cuddy insistiu.

"Deixa ela...". House tentava conciliar a situação, sempre defendendo as filhas. Cuddy ficava irritada as vezes, pois a postura protetora dele não era bom para a educação das meninas.

"Não! Ela tem que falar a verdade. Ninguém vai brigar com você, filha".

"Caiu. Eu bati a mão".

"Mentira! Ela jogou o travesseiro". Rachel disse. "Eu vi!".

"É verdade Jordan?".

A menina abaixou a cabeça.

"Acidentes acontecem". House disse.

"Sim, mas é importante que você sempre fale a verdade para os seus pais". Cuddy falou.

"Tá bom, mamãe".

"E Rachel". House disse. "Filha, você sabe que essa atitude pode não ser tão popular. As pessoas chamam de dedo duro".

"House!". Cuddy chamou a atenção dele.

"Ué, é importante que ela saiba disso, já está com sete anos. Eu não quero minha filha sofrendo bullying na escola por ser correta demais".

Cuddy arregalou os olhos, era um conflito real ali. Não era simples educar os filhos, sobretudo tendo House como parceiro.

"Ok, Rachel, vamos explicar melhor pra você, tudo bem?".

"O que eu fiz de errado, eu só falei a verdade como você sempre diz, mamãe".

House deu o olhar pra ela.

De repente Joy beijou o pai, a mãe e as irmãs. "Tudo bem!".

Os adultos riram. Joy era uma menina diferente, ela realmente odiava o conflito e sua doçura contaminava a todos.

Naquele dia eles foram ao Zoológico com as filhas. As meninas ficarão loucas com os animais, Rachel era apaixonada por girafas desde sempre.

As meninas não tinham mais os cabelos tão loiros, agora estavam com os cabelos em um tom mel. Encaracolados e grande e vibrantes olhos azuis. Eram meninas lindas que faziam sucesso por onde passassem. Rachel também era uma garotinha bonita e que parecia muito seus pais adotivos, ninguém havia de desconfiar que aquela menina fosse adotada. E ela lidava bem com a situação, graças a maneira natural com que Cuddy tratava o assunto. House também ajudou, jamais fez diferença entre as filhas.

"Joy não suporta brigas, acho que ela é uma menina santa". Cuddy falou enquanto ela e House descansavam sentados em um banco e vigiavam as meninas brincando em um playground.

"O quê?". House quase vomitou o refrigerante que bebia.

Cuddy riu. "Julia disse que Joy parece ser uma menina santa".

"Ok, e Julia, que é judia, entende muito sobre santos".

"Ela é tão doce...".

"Cuddy, nós dois não teremos nenhum filho santo. Não combina com nossa genética. É só questão de tempo".

"O que você quer dizer? Isso é uma ofensa?".

"Não, é a realidade. Joy parece minha mãe. Ela sempre odiou conflitos...".

Cuddy fechou a cara. "Joy não puxou a sua mãe, eu gosto de Blythe, mas ela puxou a mim. Eu também nunca gostei de conflitos".

House riu alto.

"O que foi?".

"Você sempre adorou um conflito e eu sou prova disso, caso contrário você não estaria casada comigo".

"Você é um idiota".

"Que você ama!".

Cuddy sorriu e esfregou o sorvete que comia no rosto dele.

"Ei! Eu falei que você adora um conflito".

"Wilson vai mesmo se casar?".

"Que mudança brusca de assunto".

"Responda!". Ela pediu divertida enquanto ajudava House a limpar o sorvete de seu rosto.

"Sim".

"Mas ele tem um affair".

"Ele disse que terminou".

"Wilson é esquisito".

"Ele tem sérios problemas. E depois falam de mim...".

"Ele sempre me pareceu tão correto...".

"Você não sabe nada...".

"Ele trai, eu sei".

"Você escolheu o cara certo, pequena. Se tivesse ido para o lado do amigo politicamente correto, você teria uma galhada na cabeça a essa altura".

Ela sorriu e o beijou. "Uh... gosto de chocolate belga".

"Mais uma vantagem em ser casada comigo". Ele falou sarcástico a fazendo gargalhar.

Ela sempre estava rindo ao lado dele. De repente Cuddy sorriu com o pensamento que lhe surgiu na mente. Ela era feliz.

Continua...