Capítulo 3: O começo do sonho


Eu estava em pé encostado numa porta de madeira observando Daphne dormindo tristemente. Meu coração doía, pois sabia que ela estava machucada e tentava se recuperar. Entrei para dentro do quarto e observei a garota de perto. Ela tinha alguns arranhões no rosto, e seu ombro esquerdo estava completamente enfaixado. Aquilo me causou muita angústia. Beijei sua testa com uma única frase em minha cabeça: "A culpa é minha"

Eu me afastai a ouvir uma pequena bufada que me fazendo olhar para porta encontrando Astoria. Ela continuava baixinha, mas a semelhança com a que conheço quase acaba aí. Essa agora parecia um pouco mais velha, seu olhar carregava um certo ódio que nunca vi no rosto da garota. A menina que conheci na enfermaria com os olhos cheios de vida parece ter desaparecido com o tempo.

— Obrigado por nos ajudar.

Falei abaixando levemente a cabeça.

— Vocês não me deram muitas opções Potter. — Respondeu ela secamente. — Por que não deixa minha irmãzinha descansar?

Eu franzi levemente a testa antes de concordar com a cabeça e dar um último olhar a Daphne antes seguir lentamente Astoria para fora do quarto. Saindo notei que estava no segundo andar de uma casa bem normal, até parecia um pouco a casa dos Dursleys. Estranhando bastante eu guiei meu caminho para o andar de baixo seguindo a garota. Cheguei num cômodo que parecia muito uma cozinha completamente normal. Nada de magia, nem objetos mágicos, muito pelo contrário, olhando rapidamente já conseguir ver algumas coisas elétricas que geralmente não tem nas casas dos bruxos, como geladeira, micro-ondas e um aparente liquidificador. A garota caminhou lentamente até um fogão e começou a pegar algumas coisas para preparar chá ou algo semelhante a isso.

Eu me aproximei meio receoso e a observava trabalhar enquanto notava que sua mão esquerda tremia bastante.

— É sério Astoria, obrigado.

Ela bufou novamente pegando uma chaleira no armário.

— É, não a de que. — Respondeu ela — Tudo que uma pessoa rejeitada por ser imperfeita precisa e dos dois mais procurados do país em sua casa. Isso nem é toda desculpa que esses malditos comensais precisavam para me matar.

Eu franzi novamente minha testa com o tom, mas tentei ser educado a respondê-la.

— Desculpa por isso, eu não sabia quem procurar.

Ela deu uma pequena risada.

— Me tira dessa lista da próxima vez. — Respondeu ela secamente — Procure a ordem, procure Lupin, procure os patéticos da família Weasley que você tanto confia. Caso nenhuma dessas opções seja viável, vocês podem até procurar os comensais para assim se entregarem, mas não retornem aqui.

Eu suspirei profundamente.

— Sinto muito o que aconteceu com você, mas Daphne é sua irmã!

A garota que estava de costas pra mim riu novamente.

— Minha irmã me abandou por você Potter, mesmo sabendo exatamente qual seria o meu destino sem ela por perto. Então não banque o moralista, pra mim você e Daphne são dois estranhos que tive que ajudar graças a sua varinha em meu pescoço.

Minha tranquilidade começava a diminuir, então meu tom leve vacilou um pouco em minha resposta.

— Você não sabe a história completa! — exclamei meio irritado — Ninguém gostou das decisões que tivemos que tomar, e isso inclui Daphne.

Ela bufou enquanto colocava a chaleira no fogo e se sentava na mesa.

— Acho que temos tempo, me conta a tal história completa.

Desafio ela indicando a cadeira vazia em sua frente. Suspirando profundamente eu me sentei.

— Acho que você sabe que Daphne e eu tivemos um relacionamento no último ano que estive em Hogwarts.

Astoria fez uma cara de surpresa exagerada.

— Não me diga Potter.

— Me deixa terminar — falei bufando e fazendo ela concordar com a cabeça — o que você não sabe é que esse relacionamento se tornou sério demais, Daphne acabou engravidando e por isso tivemos que fugir juntos. Você realmente acha que eu queria torná-la a bruxa mais procurada do país? Não Astoria, eu amo sua irmã! Queria o melhor para ela.

Astoria parecia surpresa com a história, mas não menos zangada.

— Deveria ter pensado nisso antes de engravidá-la. Vocês so se conheceram em seu último ano, a essa altura você já sabia que você-sabe-quem tinha ressurgido, sabia que liga-la a você era condená-la, e mesmo assim o fez.

Eu fechei bastante a cara antes de responder.

— Não era minha intenção causar nada disso, não era minha intenção afastá-la da família... afastá-la de você.

Astoria riu fortemente enquanto se levantava e ia olhar a chaleira.

— Daphne sabia o que estava fazendo Potter, ela já tinha escolhido você bem antes de fugir.

— Para com isso Astoria. — Afirmei negando com a cabeça — Daphne não escolheu somente a mim, escolheu tentar lutar por um mundo sem comensais da morte. Olha o que aconteceu com você, eles te tiraram da sua família porque te consideraram imperfeita, quebraram sua varinha sem motivo nenhum, te proibiram de pisar em vilarejos bruxos se não podem acabar te matando. Claro que Daphne fez o que fez por mim e por Lilian, mas não dá para resumir somente a isso. Estamos lutando Astoria, lutando para que injustiças como as que fizeram com você, não continue acontecendo.

Eu esperava mais uma resposta sarcástica, mas o que aconteceu foi a garota se virando já com duas canecas de chã parecendo um pouco menos na defensiva.

— Lilian? Esse é o nome da minha sobrinha?

Eu concordei com a cabeça pegando a caneca e assoprando seu conteúdo.

— Onde ela está? Minha sobrinha.

Eu franzi levemente o rosto fazendo a garota entender no instante seguinte.

— Deixa pra lá! É melhor não me contar mesmo.

Eu concordei com a cabeça feliz por ela entender sem provocar outra discussão. Eu biquei levemente meu chá notando que a mão esquerda de Astoria continuava tremendo, então tive que perguntar.

— Você tem tomado suas poções Astoria?

Uma carranca apareceu no semblante da garota no mesmo instante.

— É claro que Daphne te contou sobre isso — Resmungou ela — E o que você acha Potter? acha que Stenokardiya se encontra na farmácia da esquina? Estou no lado dos trouxas e proibida de retornar ao lado dos bruxos, então o que você acha?

Eu biquei minha bebida novamente antes de responder.

— Acho o nome dessa poção muito estranho.

Ela rolou os olhos.

— É porque você não viu o gosto e o cheiro.

Respondeu ela mal-humorada.

— No fim você é uma pessoa legal, é uma pena que eu tenha causado tanto mal a sua vida que hoje você me odeia.

Ela bufou.

— Você não me causou tanto mal assim, so engravidou minha irmã e fugiu com ela, fazendo os comensais da morte e você-sabe-quem punir a família traidora usando a garota imperfeita que no caso sou eu. Ainda passei meses odiando minha irmã quando sequer sabia que ela tinha tido uma filha e assim um excelente motivo para fazer o que fez.

Eu suspirei sabendo que a análise dela é quase precisa. Se um dia essa guerra acabar, devo muitas desculpas a essa garota.

— Eu só posso sentir muito Astoria, não imagino o que você teve que passar por minha causa.

Ela suspirou enquanto bebia seu chá e falava a última frase que ouvir antes de acordar.

— Nem teria como imaginar, afinal não é como se nos conhecêssemos. Essa é a primeira vez que conversa com uma Greengrass que não seja minha irmã.

Eu fui acordado bruscamente com o barulho da porta do dormitório batendo e Rony procurando alguma coisa em suas gavetas parecendo irritado. Ele murmurava xingamentos me forçando a perguntar enquanto colocava os óculos.

— Ta tudo bem?

— Esta sim, so Hermione me deixando louco.

Eu olhei em volta a procura de Hermione, quando não a encontrei entendi a porta batendo.

— Ela estava aqui?

Ele confirmou com a cabeça

— E para te atualizar, ela está preocupada com você e não para de me encher por causa dessa coisa de monitor.

Eu me sentei na cama meio mal-humorado. O fato que sinto que não era para eu acordar ainda, tinha mais coisa para ver e se não fosse meus melhores amigos discutindo logo aqui, eu teria terminado a conversa com Astoria.

— Que horas são?

perguntei a Rony que se levantava já vestido o uniforme para as aulas.

— Está tarde, levanta logo que temos poções hoje.

Eu me levantei lentamente enquanto me espreguiçava.

— Se tem razão, afinal não quero que meu amigo me tire pontos.

Ele deu uma pequena risada orgulhosa antes de negar com a cabeça.

— Até parece.

Dito isso ele sai do dormitório me deixando com meus pensamentos novamente. Assim como os outros, devo anotar esse sonho para depois tentar traçar a linha de mais ou menos quando que aconteceu, mas parece obvio que esse novamente é o mais longe que já vi dessa história. E parece nítido pra mim que está faltando capítulos, pois o outro que acredito ser o mais recente se trata do possível momento em que Rony e Hermione vão embora, agora eu estava na casa de Astoria com Daphne extremamente ferida. Ta faltando uma ou duas partes nessa história.

Sobre a história em si não tem como eu disser que estou surpreso com tudo. Na verdade, eu tinha teorizado muitas coisas e uma delas é algo semelhante a isso. Imaginei que com Daphne, a futura herdeira da nobre casa Greengrass simplesmente sumisse e existisse a possibilidade dela ter fugido comigo, deixaria Voldemort desapontado e a família Greengrass que pagaria caindo em completa desgraça. Mas pelo visto não foi exatamente isso que aconteceu, na verdade todas as consequências das nossas ações parecem ter caído sobre Astoria.

Mas tem sim uma coisa que me deixou surpreso, se trata daquela última frase dita por Astoria antes que Hermione batesse a porta do dormitório e me acordasse. "Afinal não é como se nos conhecêssemos. Essa é a primeira vez que conversa com uma Greengrass que não seja minha irmã." Isso prova que essas visões que ando tendo não se tratam do futuro, pois se passaram uma semana dês daquela primeira conversa que tive com Astoria e dês de então, incentivado pelas palavras de madame Pomfrey, tenho ido todas as manhãs para incentivar a garota a tomar a poção horrível com nome medonho, então acabamos formando uma amizade. Cada vez parece mais longe da realidade se tratar do futuro, pois além daquela frase dita por Astoria, eu também não consigo imaginar aquela garotinha tão cheia de vida que encontro todo dia na enfermaria, se tornando aquela garota do sonho que parece que perdeu qualquer esperança a muito tempo.

Tentando tirar todos esses pensamentos da minha cabeça para enfim começar meu dia, eu balancei a cabeça bruscamente e me levantei da cama. Fui até o banheiro meio arrastado e fiz minha higiene padrão. Desci para o salão principal decidindo que tomaria banho so depois das aulas.

As coisas não mudaram muito dês da primeira vez que conversei com Astoria. A escola continua a me odiar, os professores são conviventes com isso, Dolores Umbridge continua um pé no saco e tenho esses sonhos todos os dias. Os que tive essa semana foram normais e retratava momentos fofinhos vividos entre mim e Daphne aqui no castelo, provavelmente antes de toda aquela merda acontecer. Somente hoje que vi novos momentos da guerra. Mas pelo menos a ferida na minha mão anda cicatrizando bem rápido, embora eu tenha certeza de que terei essas palavras gravadas nela pra sempre. Sai do salão comunal sem nem olhar muito quem estava ali, caminhei direito para a enfermaria como me acostumei a fazer.

Inicialmente eu puxei assunto com Astoria porque ouvi o sobrenome Greengrass, mas o tempo passou e hoje verdadeiramente gosto da companhia da garota. Ela é gentil, engraçada e pelo que notei, muito sozinha. Tirando sua irmã, mesma na mesa da Sonserina nunca vi ninguém falando com ela. Mas devo admitir que tem uma coisa que me incentiva ainda mais a ir à enfermaria todas as manhãs: Ela parece neutra sobre todos os meus problemas. Aqui no castelo os únicos que acreditam em mim são meus amigos, os mesmo que decidiram que seria uma boa ideia obedecer Dumbledore e me deixar apodrecer, então por mais que eu tente evitar uma discussão, ainda estou meio chateado com todos eles. Em compensação a maioria dos outros alunos no castelo me tratam como louco, então acabei me afastando de todo mundo na verdade. Astoria nunca sequer tentou puxar um assunto envolvendo Voldemort ou as matérias do profeta diário. Somente mantem uma conversa animada me contando sobre seu dia e coisas do mundo bruxo que nunca ouvir falar. Como uma rosa escocesa com um nome tão estranho quanto sua poção, essas rosas segundo ela, são raríssimas e quando um bruxo encontra pode fazer um pedido que o destino realizara. Me pareceu besteira, mas é interessante ouvir as besteiras do mundo bruxo. No fim ela acabou se tornando uma boa amiga num momento que eu sentia que não tinha ninguém, então não vi problema em aparecer na enfermaria esquecendo completamente que inicialmente minha intenção era conseguir alguma informação sobre Daphne.

Eu estava tão distraído em meus pensamentos enquanto caminhava que quando cheguei na enfermaria so notei que já tinha alguém lá dentro após eu me tornar visível também. Astoria estava lá, mas o problema é que ela não estava sozinha, e quando a outra garota olhou para mim eu congelei ligeiramente.

— Harry.

Notou Astoria abrindo um sorriso simpático. Devolvi o sorriso meio constrangido pela surpresa.

— Bom dia Astoria.

A garota gesticulou para me aproximar já que meio que congelei assim que vi sua companhia. A companhia em questão deu uma pequena risada a notar que ela era a provável responsável por minha reação.

— É, realmente seu novo crush é Harry Potter, devo admitir que duvidei quando ouvir os boatos.

Eu franzi levemente a testa, mas Astoria corou violentamente antes de dar uma pequena cotovelada em sua irmã e responder parecendo levemente irritada também.

— Daphne, para com isso. — Então olhou pra mim meio constrangida. — Não ligue pra ela Harry.

Eu concordei com a cabeça enquanto me aproximava meio receoso.

— Posso voltar amanhã.

Informei notando que minha presença pode ter atrapalhado alguma conversa privada. De qualquer forma esse comentário rendeu uma pequena risada de ambas as garotas.

— Não é necessário Potter, a conversa era sobre você mesmo.

Informou Daphne fazendo eu morder meus lábios enquanto me sentava na maca de frente para ambas as garotas.

— É mesmo? E sobre o que exatamente vocês falavam de mim? falavam bem, eu espero.

Astoria fez uma cara exageradamente misteriosa antes de revelar o assunto anterior.

— Daphne ouviu por aí que você e eu somos amigos e não queria acreditar quando eu confirmei, então eu disse que era so ela vim na enfermaria pela manhã que provavelmente você apareceria. Enquanto esperávamos eu contava algumas coisas que você me contou sobre os trouxas... espero que não tenha problema.

Eu neguei com a cabeça dando uma pequena risada e aliviando um pouco os estresses que tinha tomado conta do meu corpo.

— Não tem problema nenhum, não te contei nenhum segredo.

Astoria parecia levemente aliviada, mas realmente não entendo por quê. Eu contei pra ela algumas coisas aleatórias do mundo trouxa, nada específico como minha criação ou sobre os Dursleys. De qualquer forma Daphne ainda parecia surpresa antes de Astoria olhar para sua irmã, depois pra mim e arregalar os olhos.

— A Merlin, esqueci. — falou ela se levantando bruscamente — Desculpa meus modos. Harry, essa é minha irmã, Daphne Greengrass. Daphne, esse é o último membro vivo e herdeiro da casa Potter, Harry Potter. acredito que você já o conheça.

Daphne riu das apresentações exageradamente formal de Astoria. Eu fiquei na verdade meio perplexo com tudo aquilo, mesmo assim tentei acenar e responder da forma que julguei ser aceitável.

— Hum, é um prazer te conhecer senhorita Greengrass.

Respondi no melhor tom formal que conseguir considerando a situação estranha e o fato que não sou muito bom nessas coisas. Daphne riu novamente da minha tentativa.

— Não precisa disso Potter, se pode me chamar de Daphne e agir normalmente — Eu suspirei realmente aliviado antes da garota se virar para Astoria e acrescentar — E Astoria, por Merlin, nossos pais não estão por perto, não precisava de uma apresentação.

Ela confirmou com a cabeça sorrindo enquanto voltava a se sentar.

— Achei que assim seria mais interessante.

Respondeu ela rindo. Daphne revirou os olhos antes de olhar para mim.

— Mas algo me chamou atenção na apresentação de minha irmã, último sobrevivente da casa Potter? O que houve com seus avos?

A pergunta me pegou completamente de surpresa. Na real eu nunca me perguntei se tinha mais algum parente vivo, sempre assimilei que se fui entregue aos Dursleys, logo significava que não havia sobrado ninguém.

— Você pode me chamar de Harry também, já que posso te chamar pelo primeiro nome — Informei um pouco pensativo — E sobre meus avos... eu não sei se estão vivos, devo presumir que não.

Ela me olhou parecendo bastante intrigada.

— Você não cresceu com eles?

Eu neguei com a cabeça meio confuso.

— Não, sequer os conheci! Creci com outros parentes.

Pelo que conto, acredito que Astoria já saiba que cresci com os trouxas, e eu não teria nenhuma vergonha de falar isso se não fossem os tais trouxas que me criaram.

— Parentes por parte de mãe eu suponho?

Eu confirmei com a cabeça não tendo certeza se ela sabe que minha mãe era nascida trouxa, irrelevante nesse caso eu acho. De qualquer forma a garota recuou um pouco talvez pensando que estava se metendo demais.

— Você deveria verificar isso depois Potter, eu entendo os contos de fadas narrarem sua vida da forma que foi narrada, com você crescendo num castelo cheio de criados e com um dragão de estimação que você ganhou como recompensa por supostamente salvar o mundo, mas o livro "a grande vida de Harry Potter" é um livro amplamente aceito pela sociedade bruxa como uma descrição detalhada de como você viveu após... você sabe... — Ela abaixou a cabeça parecendo bem constrangida de falar sobre isso. — De qualquer forma, o livro se vende como não ficção — Continuou ela — conta que você cresceu com seus avos por parte de pai, a senhora Euphemia Potter e senhor Fleamont Potter se não me falha a memória. O livro conta que você cresceu com eles lá para as ilhas de Malta. O livro até explica que vocês viviam mais isolados graças a tudo que aconteceu e por medo de que exista pessoas possivelmente vingativas e que certamente estariam te procurando.

Eu engoli em seco com a quantidade de informações. Será que os nomes dito por ela são realmente os nomes dos meus avos? Se for o caso, será que existe a possibilidade de eles estarem vivos? E quem escreveria uma história absurda dessa?

— Vou tem que verificar depois o que posso fazer, isso pelo menos explica por que tantas pessoas ficam surpresas por eu não saber as coisas do mundo bruxo. A verdade é que cresci entre trouxas, até meus 11 anos eu sequer sabia da existência da magia, então posso apostar que 99% de qualquer coisa já escrita sobre mim é mentira ou meias verdades.

Daphne parecia bastante surpresa, já Astoria nem tanto.

— É, eu desconfiava pelo que você falava Harry — Informou Astoria — as coisas que você falava sobre os trouxas pareciam especificas demais para se aprender nos livros, então supus que você não tinha parentes da família Potter vivos, já que foi criado pelos trouxas. Desculpa acabar te expondo dessa forma.

Eu neguei com a cabeça expondo um pequeno sorriso para tranquilizá-la.

— Relaxa Astoria, não me importo se as pessoas souberem minha verdadeira origem.

Ela confirmou com a cabeça, mas isso rendeu um questionamento de Daphne que parecia ainda mais constrangida por sua curiosidade.

— Você deve ter algum representante no mundo bruxo, alguém maior de idade que estava responsável pelas questões da casa Potter. Esse alguém deveria estar de olho em injurias publicadas ao seu respeito. Tem literalmente dezenas de livros sobre você, se ninguém nunca autorizou tais publicações, você possivelmente ganhara uma fortuna de indenização.

Eu cocei o queijo a pensar na possibilidade.

— A única pessoa que imagino poder ter cumprido um papel semelhante seria Dumbledore, mas sequer tenho certeza disso.

Ela confirmou com a cabeça.

— Você deveria ir a Gringotes para verificar isso.

Eu ergui levemente as sobrancelhas.

— Porque em Gringotes?

Ela se levantou lentamente.

— Porque é so lá que você conseguira as informações sobre sua família. Se você realmente é o último herdeiro, quem exatamente está cuidado dos negócios e do ouro da casa Potter caso você realmente seja o último vivo, e claro, você também poderá assumir toda essas responsabilidades caso queira. Tudo isso você consegue verificar no Gringotes.

Eu confirmei com a cabeça considerando essa possibilidade.

— Obrigado, irei considerar isso.

Falei realmente agradecido. Ela confirmou com a cabeça e olhou para Astoria.

— Eu vou para as aulas, você deveria vir também Potter, temos poções juntos hoje.

Eu neguei com a cabeça sorrindo.

— Já disse que pode me chamar de Harry — informei mantendo meu sorriso — e Snape pode me esperar, ele não vai ser mais gentil comigo mesmo que eu chegue na hora.

— Bom, definitivamente ele não vai ser caso se você chegue atrasado.

Informou ela rindo.

— Até mais Astoria, te vejo no dormitório.

A garota confirmou com a cabeça.

— Te vejo lá, já vou para minha primeira aula também.

Daphne confirmou com a cabeça e saiu me dando um último sorriso. Eu suspirei aliviado, definitivamente foi muito melhor do que eu imaginei assim que entrei e dei de cara com a garota que ando sonhando a semanas.

— Qual sua primeira aula Astoria?

Astoria olhou para mim parecendo levemente confusa.

— Feitiços com os corvinos.

Eu a vi revirando os olhos e ri.

— Eu te acompanho até lá, você já tomou a poção hoje?

Ela confirmou com a cabeça rindo.

— Tomei antes de você chegar, e não preciso que você me acompanhe até a sala.

Eu confirmei com a cabeça me levantando.

— Eu sei que não, mas vai que um Grifinório vem mexer com você? Como eu serei um herói se estiver longe?

Ela riu do meu falso senso de heroísmo.

— O fato que você é meu amigo já se espalhou por aí Harry, você não ouviu nada sobre mim que te faça questionar a ideia de ser visto comigo em público? Ou questionar ficar perto de mim de qualquer forma.

Eu ergui as sobrancelhas para o questionamento. A real é que não é a primeira vez que Astoria fala algo parecido, o que aparenta é que ela está esperando o momento que simplesmente irei me afastar por algo que ouvi, mas o que exatamente ela tanto teme que eu saiba?

— O que você quer dizer? Tirando você ser da Sonserina e eu da Grifinória, existe alguma outra coisa que eu deveria saber?

— Que seja verdade não, mas mentiras tem aos montes.

Eu dei uma pequena risada.

— Mais mentiras do que estão falando sobre mim? Astoria, eu prometo que caso alguém me fale algo ruim sobre você, eu te perguntarei diretamente antes de tomar qualquer julgamento. Então porque não me deixa acompanhar minha amiga baixinha da Sonserina até a sala de feitiços?

Ela me olhou feio por chamá-la de baixinha, mas confirmou com a cabeça expondo um pequeno sorriso logo na sequência.