Capítulo 4 Questionamentos importantes
— Sério Harry? — perguntou Daphne num tom sex —
Então por que não me prova isso?
Essa foi a pergunta necessária para que eu a puxe para uma sala aleatória no corredor e a beije de forma apaixonante antes mesmo que conseguíssemos fechar a porta atras de nós. Ela retribuiu no mesmo momento e não parecia nem um pouco surpresa com minha demonstração de afeto muito menos com minha mão subindo de sua cintura para partes mais especificas de seu corpo.
Minhas visualizações posteriores foram curtas, mas suficiente para que eu acordasse corado, sorrido e com uma luxuria enorme. Eu busquei por meus óculos e os coloquei ainda deitado olhando para o teto. Isso está piorando! Definitivamente está piorando! Esse sonho que tive foi extremamente curto, pouca coisa a acrescentar a narrativa que estava sendo contada. So acrescentou que costumávamos nos pegar em salas de aula vazia, e que era bem intenso.
Por mais maravilhoso que esteja sendo alguns desses sonhos incluindo esse, o fato que não sei o que eles são está me incomodando e atualmente começando a me preocupar. Afinal já faz alguns dias que comprovei que essas visões não são fruto da minha imaginação.
Comprovar isso foi mais fácil do que eu imaginava, já faz três semanas dês da primeira vez que conversei com Daphne na enfermaria, dês de então ela tem aparecido todos os dias e assim acabamos nos tornando amigos também, então acabou acontecendo o inevitável, minha mente idiota não conseguiu evitar fazer um pequeno experimento. Mesmo que não seja falado durante minhas visões, em diversos momentos eu simplesmente sei algumas informações que envolve Daphne já que o Harry daquela visão sabia. Então, eu sei coisas extremamente especificas sobre ela que não deveria saber, como o fato que ela tem uma coruja particular chamada Gizmo, que ela tem uma marca de nascença no ombro esquerdo, que embora ela não ligue muito para quadribol, seu time favorito é Tutshill e várias outras informações extremamente especificas. Mas tudo isso era um pouco difícil perguntar numa conversa normal, como eu perguntaria se ela tem uma marca de nascença sem parecer bizarro? Então optei por coisas mais simples, como o fato que a garota assim como Luna, tem o pudim como sua comida favorita, ou que sua cor favorita supreendentemente é o azul, e a última coisa e a que comprovou minha teoria, a garota é simplesmente apaixonada por astronomia embora sequer faça adivinhações. Sabendo essa informação foi fácil puxar esse assunto num dia que eu tinha adivinhações no meu horário.
Em certas visões sempre estamos observando as estrelas com ela me contando detalhes dos astros tão longe de nós, então a informação que essa era a matéria favorita da garota sempre esteve em meu subconsciente como uma certeza absoluta.
De qualquer forma, todas as questões mais simples listadas se mostraram certeiras, aqui sua cor favorita é exatamente a mesma que eu pensava, assim como sua comida favorita e aula favorita. Até daria para considerar tudo isso coincidência se não fosse pela aula de astronomia como favorita dela, afinal acredito que ela seja literalmente a única aluna nesse castelo que tem essa matéria como favorita.
Mas comprovar ou pelo menos chegar extremamente próximo disso não me ajuda muito, pois sei que as visões se tratar do futuro é altamente improvável também.
O que me leva a meu questionamento anterior, o que exatamente são todas essas visões? Futuro é improvável, imaginação acabou sendo improvável também, Possibilidades? Não parece muito o caso, mas é a melhor hipótese que consigo pensar com as informações que tenho atualmente.
Mas é no mínimo interessante pensar em tudo isso como uma possibilidade de futuro ou algo assim, afinal aqui acabei fazendo amizade com as irmãs Greengrass por consequência direta que tenho sonhado com Daphne todos os dias, caso contrário eu acho muito difícil eu ter puxado qualquer assunto com elas, até porque antes das visões minha opinião sobre os Sonserinos era bem limitada, para não dizer preconceituosa. Então não imagino bem como eles se aproximaram sem as visões, acho que em algum momento acabarei vendo como essa história começou, mas sinto que sou vou entender melhor o objetivo de tudo isso quando ver o jeito que terminou, pois do jeito que está se encaminhando consigo prevê um desastre.
Ai que esta minha preocupação, sendo visões do futuro ou não, o fato que são baseadas em fatos me assusta um pouco, pois Voldemort realmente está retornando, e pelo que entendi da última vez, a minha aproximação prejudicou demais as irmãs Greengrass. E se essas visões são um aviso para que eu me mantenha longe para assim não as prejudicar?
Se essa era a intenção não deveria ter me mostrado momentos em que toda a felicidade da minha vida parece vim dela, momentos que me senti vivo pela primeira vez na vida, momento em que mostrava que para ela eu não era o menino que sobreviveu, eu era uma pessoa normal com um passado desastroso... é, em nenhum momento Daphne falou sobre isso explicitamente nas visões, mas sei que ela sabe os detalhes sobre os Dursleys! Sinto que contei pra ela.
O fato que tenho a total certeza que ela sabe sobre meu passado e mesmo assim não me rejeitou, tornou impossível eu não me aproximar dela e ignorar a possibilidade de tudo isso ser um aviso para não as prejudicar, mesmo que isso seja insanamente egoísta.
Eu me sentei enquanto bocejava, uma parte de mim ainda tentava me reconfortar com o fato que ainda não fiz nada demais, so sou amigo delas e so nos vemos na enfermaria, tem algumas pessoas comentando, mas isso não é um grande problema! Não é como se eu as tivesse marcado ou algo parecido com isso. Se por algum momento eu sentir que estou as colocando em perigo igual nas visões, irei me afastar! Afinal estou usando uma frase dita durante uma das visões. "Queria ter te conhecido antes, do jeito que foi feito acabei estragando sua vida" e considerando que o próprio Harry das visões disse a Astoria que teve um relacionamento com sua irmã durante o sexto ano, posso presumir que eles começaram a interagir somente no ano que vem pra mim, posso dizer que comecei um ano mais cedo. Espero que isso seja o suficiente para que eu não torne real todas aquelas visões, por mais que algumas partes seriam maravilhosas, o custo de destruir a vida delas está caro demais para alguém poder pagar.
Meus pensamentos foram completamente interrompidos por uma figura ruiva irritada que entrou no dormitório acompanhado de Hermione que reclamava de alguma coisa.
— Gente, menos barulho de manhã.
Reclamei enquanto me sentava agora com as pernas pra fora da cama. Hermione expos uma pequena carranca para minha reclamão já que era bem tarde para eu estar acordando, já Rony me olhou com algo que irei classificar como inveja, afinal graças a esse distintivo que ele vive usando para expor autoridade contra os mais novos, também serviu para deixar Hermione em seu pé 24 horas por dia, fazendo os dois discutirem o dobro do que discutiam antes.
— Harry, você sabe que horas são?
Eu dei uma pequena risada.
— Eu não ligo, já que é sábado e não temos aulas, até onde sei posso dormir até as 4 da tarde hoje.
Rony deu uma pequena risada apesar de Hermione revirar os olhos.
— É, mas não deveria cara, tem Hogsmeade hoje! Você não vai?
Eu neguei com a cabeça sem ânimo.
— Vou passar dessa vez, tenho trabalho do Snape que está atrasado.
Agora os papeis mudaram, pois Hermione finalmente parecia aprovar algo que disse enquanto Rony revirava os olhos.
— Cara, é o primeiro final de semana em Hogsmeade, vai mesmo ficar aqui no castelo fazendo trabalho de poções?
Eu confirmei com a cabeça mantendo meu desanimo.
— Pessoas demais em Hogsmeade, hoje a biblioteca estará tão silenciosa que poderei até cochilar se quiser.
Agora Hermione revirou os olhos, mas sorriu mostrando que não estava brava.
— Por mais que eu concorde que você sempre deve adiantar seus trabalhos se possível, acho que Hogsmeade ira te fazer bem Harry.
O tom de Hermione parecia quase conflitante com sua frase. Ignorando isso eu neguei com a cabeça.
— Foi minha época que eu considerava Hogsmeade um lugar tão incrível. — Respondi enquanto bocejava e finalmente me levantava — Não estou assinando um contrato que me proibi de ir pra sempre a Hogsmeade, no próximo final de semana que tiver visita eu irei.
Ambos concordaram com a cabeça parecendo bem desconfiados, eu ignorei e guiei meu caminho para o banheiro, tenho que me preparar para o longo dia que me aguarda.
Eu sei que meus amigos estão preocupados comigo, especialmente Hermione, mas agora eu estou bem... quer dizer, mais ou menos... com toda certeza melhor do que eu estava nos Dursleys. Mas a real é que mesmo com minha raiva, não posso culpá-los totalmente, eu também já seguir ordens bem questionáveis de Dumbledore e não é como se eles soubessem exatamente o que eu passo com os Dursleys, so sabem que minha relação com eles é no mínimo complicada, já que Rony foi quem foi me resgatar a alguns anos atras e tinha grades na minha janela. Bom, mesmo que uma parte do meu celebro tente entender o lado dos meus amigos, a outra parte permanece fixa no fato que eles me abandonaram no talvez pior momento da minha vida, e olha que já tive momentos ruins.
Quando sai do banheiro, felizmente meus amigos não estavam mais em meu dormitório, suspirando aliviado me sentei na cama e observei o quarto vazio tristemente. É incrível como as coisas mudaram, a alguns anos eu achava até as cortinas desse lugar algo magnifico. Hoje, depois de tudo que aconteceu, Hogwarts acabou ficando cada vez mais perto de ser uma escola normal cujo já estou ansioso pelo fim. Claro, toda a escola me odiando pelo segundo ano seguido deve ajudar nessa minha insatisfação.
Um pouco entediado eu busquei pelo mapa do maroto e tratei de utilizar o feitiço para mostrar os nomes e as localidades de todos no castelo.
Devo admitir, estou surpreso. Eu sei que acordei tarde, mas não pensei que era tão tarde. O salão principal estava praticamente vazio e a saída do castelo estava lotada de pessoas possivelmente já embarcando para Hogsmeade. Acredito que a maioria já tomou café, o vida. Vagando pelo mapa não tinha muita coisa interessante, so Hermione e Rony no salão comunal provavelmente me esperando. Continuei vagando até encontrar algo realmente relevante, Daphne Greengrass, Tracey Davis e Astoria Greengrass estavam na biblioteca nesse exato momento. Isso era no mínimo incomum, já que geralmente eu so as via juntas após as aulas em seus dormitórios. Tracey, ou a melhor amiga de Daphne também estava lá, eu tive a chance de a conhecer outro dia, ela pareceu meio surpresa ou até mesmo receosa com minha presença, mas foi simpática e educada.
Será que eu deveria ir falar com elas? Não vejo por que não! Mas vou tomar café primeiro, se elas ainda estiverem por lá eu vou. Me parece razoável já que realmente tenho trabalho do Snape que está atrasado e acumulado.
Eu desci para o salão comunal e como esperado encontrei Hermione e Rony que me aguardavam. Eles me acompanharam até o salão principal tentando a todo custo me convencer de ir até Hogsmeade, foram bastante insistentes na verdade, fazendo eu pensar que eles tinham planejado alguma coisa me envolvendo, mas realmente não estou no clima pra isso. Acabei me despedindo deles na entrada do salão principal, já que deixei bem claro que eles não precisavam me fazer companhia enquanto tomo café da manhã, então eles foram paras carruagens do lado de fora e eu comi minha torrada normalmente com os poucos alunos que sobraram no salão me olhando torto.
Eu sinto que desse vez eles estão muito irritados comigo e até entendo, tenho consciência que a existência de Voldemort é um enorme tabu no mundo bruxo, muitos desses alunos que agora me olham feio teve algum parente morto na guerra contra o bastardo, então consigo entender a raiva que eles sentem já que o jornal anda espalhando que estou brincando com um assunto tão sério, mas mesmo com a parte sensata de meu celebro me alertando que eles tem sim motivos para me tratar assim, a parte mais vingativa quer que todos esses argumentos vá a merda e que eles somente me deixem em paz, minha vontade era usar uma capa da invisibilidade o tempo inteiro.
Independente dos meus pensamentos, eu terminei meu café da manhã e subir até o dormitório para pegar meu material e analisar pelo mapa se Daphne e Astoria ainda estão na biblioteca, caso elas não estejam vou fazer meu trabalho no dormitório mesmo.
Para minha alegria as três continuavam no mesmo local que estavam anteriormente. Estranhando um pouco já que todos estavam indo a Hogsmeade, peguei meu material necessário e partir pela escadaria para o primeiro andar onde ficava a biblioteca.
Assim que cheguei já notei as três garotas com grandes pergaminhos cada uma escrevendo no seu, ou elas estão fazendo deveres atrasados ou é um plano maligno sendo arquitetado por três Sonserina. "O pior que até alguns meses atras eu realmente poderia considerar algo parecido" pensei comigo rindo da minha própria piada estupida. Fui até a prateleira com livros a respeito de poções e peguei três que com toda certeza serão uteis na pesquisa que Snape pediu, após coletar os livros simplesmente fui me aproximando cautelosamente das três garotas, nenhuma delas parecia notar minha presença conforme eu me aproximava, todas parecendo bastante concentradas em suas tarefas, mas quando eu estava bem perto Daphne levantou a cabeça de forma meio involuntária e nossos olhares se cruzaram. É besta, mas a sensação que isso me traz nunca fica velha. Logo na sequência ela abriu um sorriso antes de cutucar Astoria e me indicar com a cabeça, a garota em questão também sorriu com minha chegada.
— Harry, senta aqui conosco.
Eu confirmei com a cabeça colocando meu pergaminho na parte vaga da mesa.
— Pensei e vocês estivessem indo para Hogsmeade. — Observei me sentando. — Mas sendo educado, bom dia Daph, bom dia Ast e bom dia Tracey.
Todas as três concordaram com a cabeça, mesmo que Tracey ainda não tenha tirado os olhos de seu pergaminho.
— Eu decidir que queria ficar e minha irmã e Tracey resolveram ficar também — informou Astoria parecendo levemente culpada — E todos estão com trabalho atrasado, eu estou fazendo transfiguração, Daphne o trabalho de Runas e Tracey trato de criaturas magicas.
Eu fiz uma pequena careta antes de responder.
— Bom, espero não atrapalhar, eu so vim aqui fazer o meu de poções já que não vou a Hogsmeade também.
Daphne ergueu uma sobrancelha antes de perguntar.
— Porque não vai a Hogsmeade Harry?
Eu fiquei meio pensativo com a pergunta, o que deveria responder? Elas todas sabem a situação que estou com a escola, então não vejo por que mentir.
— Bom, não estou no melhor momento com todos, então não estou com muito animo para o vilarejo. Quem sabe no futuro.
Daphne e Astoria concordaram com a cabeça, mas Tracey resolveu acrescentar algo finalmente tirando os olhos do pergaminho.
— O castelo ainda está nessa de negar o ressurgimento do lorde das trevas?
Embora ela tenha dito num claro tom de piada, acabei franzindo bastante a testa antes de confirmar com a cabeça.
— É, mais ou menos isso. — Confirmei meio sem jeito pela surpresa do momento. — A escola acha que estou faltando com respeito ou algo parecido, isso sem contar que o profeta continua a publicar notícias atras de notícias sobre mim.
Tracey abaixou levemente a cabeça percebendo que fiquei na defensiva com a piada, mas já que puxamos esse assunto Daphne resolveu perguntar algo também.
— Você tem se mantido calado sobre esse assunto, já pensou em tentar uma entrevista para mostrar seu lado?
Eu neguei com a cabeça expondo um constrangido sorriso.
— Já me ensinaram a ficar calado logo na primeira semana — Respondi levantando minha mão machucada com a frase "não devo contar mentiras" — E também ninguém acreditaria! Estão acreditando no que querem ou o que é mais conveniente! Não tem o que ser dito e para ser sincero, agora quero que eles descubram por conta própria. Eu já avisei, ninguém quis me ouvir.
Astoria deu uma pequena risada.
— Eu sempre digo que no fundo você é um Sonserino Harry.
Eu neguei com a cabeça rindo enquanto finalmente pegava a pena e abria o livro para começar o trabalho.
— Bem que vocês queriam, so assim ganharia no quadribol.
Tracey bufou levemente embora Daphne e Astoria nem parecem ter escultado, acho que encontrei alguém que minimamente acompanha o esporte.
Então comecei a fazer meu trabalho e o tempo começou a passar, não tenho certeza quanto tempo, talvez uma ou duas horas, o importante é que eu terminei meu trabalho e vendo que não tinha muita coisa para fazer e as meninas continuavam na biblioteca, mas agora Astoria lia um livro enquanto Daphne conversava aos sussurros com Tracey, resolvi já que tenho companhia adiantar outro trabalho que também estava atrasado, no caso o da professora Minerva.
— Ok Potter, eu tenho que perguntar — disse Tracey inesperadamente assim que coloquei a pena para começar o trabalho de transfiguração. — Daphne não quer ou não sabe me contar, como exatamente você fez amizade com as irmãs Greengrass?
Astoria tirou os olhos de seu livro e encarou Tracey parecendo desconfortável. Eu retrair um pouco meus lábios antes de responder.
— Hum, por que você pergunta?
Tracey que não pareceu notar o desconforto de Astoria, explicou.
— Estou curiosa, devo admitir que pelo lance das casas e vocês terem pouquíssimos horários juntos, não imaginei que uma amizade poderia aparecer.
Eu confirmei com a cabeça realmente aliviado que ela não disse o principal motivo, embora eu tenha certeza de que pensou.
— Foi bem mais simples do que você pensa, eu tive que ir à enfermaria porque me machuquei, madame Pomfrey teve que ir buscar uma poção pra mim, Astoria estava lá e acabamos conversando para o tempo passar, assim acabamos virando amigos. Por intermédio de Astoria acabei conhecendo Daphne, agora estou aqui.
Tracey supreendentemente ergueu uma sobrancelha e perguntou nitidamente escolhendo as palavras.
— Você conheceu Astoria na enfermaria?
Eu estranhamente bastante seu tom, mas notei Daphne sutilmente a chutando por debaixo da mesa e Tracey quase parecer arrependida. Astoria voltou a olhar para seu livro ignorando ou disfarçando. Eu confirmei com a cabeça.
— Sim, infelizmente é um lugar que acabo frequentando muito... Você sabe, quadribol entre outros probleminhas. No fim sempre acabo fazendo companhia a madame Pomfrey.
Astoria embora estivesse voltado a ler seu livro deu uma pequena risada denunciando que ela estava sim nos ouvindo. Daphne também riu, mas parecia meio em alerta por algum motivo. Tracey sorriu parecendo feliz que descontrair o ambiente que por algum motivo ficou pesado.
Será que sou estupido? será que tem alguma coisa que todos sabem menos eu? Seja lá o que for parece estar esfregado na minha cara. De qualquer forma eu balancei minha cabeça voltando minha atenção ao trabalho de transfiguração.
Então voltei ao meu trabalho lentamente, mas agora ficou um pouco difícil se concentrar. Todos parecem nitidamente me esconder alguma coisa envolvendo Astoria, talvez as visões me mostrem em algum momento ou posso simplesmente perguntar, por mais que essa não parece a melhor ideia. Afinal deve ter algum motivo para tanto mistério, talvez eu devesse somente esperar que elas ou alguém me conte.
— Hum... Harry?
Não tinha se passado nem dez minutos que voltei minha atenção ao trabalho quando ouvir uma voz bastante conhecida, mas bastante inesperadamente também. Levantando a cabeça vi Hermione que parecia num misto de irritação com surpresa
— Oi Hermione.
A cumprimentei gentilmente enquanto gesticulava para ela se aproximar. As garotas ao meu redor pareciam somente esperar para ver como tudo isso iria se desenrolar
— Como foi em Hogsmeade?
Perguntei notando que ela voltou muito rápido para o castelo, algo aconteceu no vilarejo.
— Para resumir Rony é um idiota! — respondeu ela estreitando seu olhar e observando cautelosamente cada pessoa ao redor da mesa — Olá a todos.
Cumprimentou ela dando um pequeno e rápido gesto com a mão. Daphne devolveu o gesto dando um meio sorriso e Tracey franziu levemente a cara para a atitude. O que mais me chamou atenção foi Astoria, que cobriu seu rosto com o livro novamente como se estivesse com vergonha.
— Hum, deixa eu apresentar todo mundo. Essas são Daphne e Astoria Greengrass e Tracey Davis.
Hermione acenou novamente ainda mantendo sua surpresa estampada.
— Depois a gente conversa, eu so vim buscar uns livros e estou voltando ao dormitório.
Eu confirmei com a cabeça e ela deu um último sorriso a todos antes de voltar ir até as prateleiras nos deixando sozinhos novamente. Eu suspirei sabendo que agora terei muita coisa para conversar com Hermione quando tudo que queria era evitar assuntos complicados. Assim que voltei minha pena ao pergaminho Daphne soltou uma pequena risada chamando minha atenção novamente.
— Pronto Ast, já pode parar de usar o livro como esconderijo.
Astoria abaixou o livro enquanto olhava feio para sua irmã. A notar minha cara confusa Daphne deu outra risada e explicou.
— Minha irmãzinha é uma grande Fan da Granger.
Informou ela rindo e tomando uma cotovelada de Astoria fazendo Tracey rir também. Eu fiquei foi mais confuso.
— Ahn?
Perguntei meio confuso fazendo Daphne me explicar ainda sorrindo.
— Minha irmãzinha aqui não gosta quando relatamos isso, mas ela é brilhante assim como sua amiga. Des que entrou aqui ela acompanha as notas da única garota da escola que é melhor em literalmente todas as matérias na sua turma.
Eu dei uma pequena risada ressaltando o quanto isso é aleatório, jamais imaginava.
— Bom, ela não conseguiu ser a melhor em defesa no ano passado e no anterior, você que acabou pegando nessa matéria. — Informou Astoria ainda parecendo constrangida.
Eu cocei a nuca meio sem jeito, é surreal que eu nunca sequer tinha reparado nisso embora soubesse que minhas notas em defesa foram boas recentemente, nunca comparei com a de ninguém.
— É mesmo? — perguntei realmente surpreso — nunca tinha reparado nisso, mas não acho que é muito motivo para me orgulhar considerando os ótimos professores de defesa que tivemos até agora.
Todas concordaram com a cabeça convictas.
— É até mais mérito você ter conseguido se destacar com professores tão terríveis Harry — informou Astoria — mas, embora vocês reclamam muito dos professores de defesa, os que eu conheci foram até que aceitáveis... quer dizer, mais ou menos! O último não era muito bem, digamos... qualificado para dar aulas.
Eu dei uma pequena risada com o jeito dela dizer comensal da morte, mas Tracey foi quem acrescentou.
— Eu até entendo os problemas que o Potter especificamente pode ter com aquele professor, mas nessa matéria foi o melhor que tive disparado. — Informou ela fazendo Daphne supreendentemente olhar pra sua amiga com as sobrancelhas erguidas — vamos listar todos que conhecemos, claro tirando Astoria que so conheceu Lupin e Alastor Moody — continuou ela atraindo ainda mais minha atenção, estou curioso sobre onde ela está querendo chegar — O professor Quirrell parecia ter medo daquilo que ensinava a combater, isso sem contar que o cara fedia a alho. O professor Lockhart dispensa comentários, um aborto seria mais qualificado. O lobisomem Lupin embora não seja tão ruim quanto os outros, era perigoso ele matar um aluno em sala de aula, assim sobrando o velho Alastor, que embora no fim do ano tenha revelado também ser um perigo em sala de aula, conseguiu ser um pouco menos que Lupin. Isso sem contar que ninguém pode dizer que as aulas dele não eram interessantes.
Embora ela tenha dito que o Lupin pode ser mais perigoso que um comensal da morte disfarçado, esse final foi o que mais me irritou, fazendo eu me ajeitar e pensar nas palavras antes de responder enquanto Astoria e Daphne me acompanhava meio tensas.
— É, concordo que ele tinha prioridade no que estava falando e ensinando, mas o perigo em sala de aula não era atentar contra a vida dos alunos. A gente tem defesa separada, então não faço a menor ideia de como ele conduzia as aulas de vocês, mas para o pessoal da Grifinória era bem cruel. Em uma das primeiras aulas ele demonstrou na pratica o uso da maldição Cruciatus para Naville Longbottom, não sei se vocês sabem a história completa do que aconteceu com os Longbottom, acredito que saibam! Então mostrar o uso dessa maldição em específico para ele é bem cruel.
Tracey recuou bastante suas feições confiantes no que falava e expos um pequeno sorriso levemente arrependido. Daphne suspirou parecendo aliviada, a real é que sinto que todas elas temem que vou explodir a qualquer menção de um assunto sensível. Ta, elas têm razão pra pensar assim.
— Desculpa Harry, ela quis dizer isso.
Informou Daphne num baixo tom de voz, mas antes que eu pudesse dizer que não me ofendi a própria Tracey acrescentou.
— Tem razão, sinto muito Potter, foi insensível.
Eu concordei com a cabeça um pouco envergonhado com minha resposta que agora pareceu exagerada embora tenha escolhido as palavras.
— Gente relaxa, não fiquei ofendido nem nada parecido. Todos podemos ter nossos professores favoritos. — falei tentando tranquila a todos — pegando esse gancho, o que você dizia Daph? Astoria é mega Fan de Hermione?
Agora que falei o nome reparei que a garota já desapareceu da biblioteca e eu nem a vi sair, de qualquer forma Daphne abriu um sorriso com o assunto que puxei enquanto Astoria voltava a se esconder atras do livro.
— Astoria tentou aplicar o feito do Granger no ano passado e está tentando novamente nesse ano, mas até agora não conseguido certo Ast? Qual era a matéria mesmo que você não consegue ser a melhor da sua turma?
Ainda olhando para o livro Astoria respondeu.
— Herbologia. — respondeu ela bufando — o que posso fazer se não gosto de terra, plantas ou me sujar?
Eu dei uma risada enquanto concordava.
— É, eu te entendo.
— Todos entendemos — acrescentou Tracey rindo e se levantando — mas eu vou comer alguma coisa, vocês vêm?
Eu neguei com a cabeça indicando com a cabeça o pergaminho aberto a minha frente.
— Não, ainda tenho que terminar essa porcaria.
Tracey concordou com a cabeça e esperou uma resposta de Daphne e Astoria. Agora me ocorreu que Tracey pode não ter perguntado exatamente pra mim, mas agora já foi.
— Hum... Também não estou com fome, vou ler um pouquinho mais e depois te encontro no dormitório.
Informou Daphne e Astoria somente concordou com a cabeça fazendo Tracey sorrir.
— Ok, encontro vocês lá.
Então pegou sua bolsa e saiu lentamente da biblioteca deixando somente Daphne, Astoria e eu. Quando eu coloquei a pena para regressar meu trabalho novamente fui interrompido.
— Harry... Hum...
Eu levantei a cabeça e vi Daphne pensar me fazendo larga a pena convencido que dificilmente eu iria terminar esse trabalho. Afinal já posso considerar hoje como produtivo considerando que já fiz o de poções.
— Daph, pode dizer qualquer coisa.
Astoria olhava para Daphne parecendo levemente curiosa, acho que ela também não sabe seja lá o que Daphne vá dizer.
— Devo admitir que o encontro com sua amiga Granger trouxe um questionamento que já tinha me vindo a cabeça antes.
Eu estranhei bastante o tom usado e observei a garota aparentava pensar no que ia dizer, aproveitei esse tempo para começar a enrolar o pergaminho já que provavelmente não irei mais estudar hoje.
— A Granger provavelmente estranhou bastante nossa presença com você, isso vai de encontro com as pessoas por aí também achando estranho e falando sobre você pelos corredores. Então meu questionamento é bem simples, porque você se mantem conversando conosco mesmo não precisando da gente para nada e ainda podendo enfrentar problemas causados pela nossa recém presença em sua vida.
Eu neguei com a cabeça bastante despreocupado.
— Gosto de vocês, acho que são uma boa companhia e para ser sincero não estou me preocupando muito com a opinião das pessoas por aqui. — Eu suspirei enquanto pensava. — Mas porque você ta perguntando isso? espero não está causando problemas pra vocês!
As duas garotas negaram com a cabeça.
— Não claro que não! — respondeu Daphne — É claro que tem surgido boatos entre os Sonserinos e isso não é um problema pra mim ou Astoria, mas estávamos conversando sobre a possibilidade disso ser um enorme problema para você com o lance do profeta diário e novas matérias caluniosas a seu respeito.
Eu franzi levemente a testa relutante em admitir que sequer pensei nisso. Uma matéria no jornal sobre isso coloca em check os problemas familiares que possivelmente irei trazer pra elas, toda aquela barreira que pelo menos por enquanto não estou afetando em nada, desapareceu.
— Eu tenho que admitir que não pensei nisso e pode acabar acontecendo mesmo, como vocês sabem sai uma matéria sobre mim por semana, acabei me acostumando a elas, mas entendo o qual prejudicial esses jornais podem ser para vocês.
Astoria olhou para Daphne parecendo meio preocupada com o lugar que a garota estava guindo essa conversa, mas ela se manteve firme e respondeu.
— Eu não me importo com os jornais nem nada parecido com isso, afinal não é como se fosse um crime ser amiga de Harry Potter.
Eu dei uma pequena risada enquanto confirmava com a cabeça.
— Não é como se vocês pudessem ser mandadas para Azkaban por isso — respondi rindo — mas também não vejo muitos motivos positivos, na real so vejo dor de cabeça pra vocês em todos os lados. Alguns da sua casa podem estranhar demais estarmos estudando juntos, enquanto o resto da escola pode acabar tirando sarro, afinal eu sou o pirado lembra? Onde estou querendo chegar é que descobri que vocês duas são muito legais, os únicos momentos diferentes da minha rotina, mas a real é que não estou arriscando nada! Vocês que deveriam botar na balança os pros e os contras, afinal não é como se vocês dependessem de mim para alguma coisa.
Daphne confirmou com a cabeça e Astoria finalmente fechou o livro aguardando uma resposta de sua irmã.
— Obrigado pela sinceridade Harry, vejo que você já tinha pensado no assunto.
Eu franzi levemente a testa antes de confirmar com a cabeça.
— So a parte das pequena desavenças que posso acabar gerando entre seus colegas de casa. Pensei que pessoas como Malfoy poderia querer pregar alguma peça em vocês caso saiba que somos amigos. Na real é bem a cara dele e não tenho ideia de quantos iguais a ele existe na Sonserina.
Daphne deu uma pequena risada que serviu para aliviar um pouco o clima sério ao redor da mesa.
— Existe um Malfoy por casa Harry, em cada casa existe alguém insuportável, que vai implicar com todo mundo. Eu não sei sobre Astoria, mas quero que se dane todos que posam se incomodar na Sonserina, também gosto da sua companhia! Porém, você não está considerando que pode acontecer o mesmo com você, afinal nós temos o Malfoy que pode encher um pouco a paciência, mas é so! Já você terá seus amigos próximos que irão cobrar explicações, eu poderia até dizer que o Weasley mais novo que é seu amigo é a versão da Grifinória do Malfoy.
Eu desviei o olhar enquanto ria da afirmação.
— Não deixe ele te ouvir falando isso. — Informei tirando uma pequena risada dela — e isso não será um problema pra mim, não é como se eu devesse uma explicação da minha vida. E também so somos amigos a algumas semanas e as vezes estudamos juntos, não é nada demais e sequer estamos escondendo alguma coisa.
Daphne negou com a cabeça enquanto suspirava.
— Eu sei que evitamos esse assunto por motivos óbvios, mas sabemos exatamente o porquê a escola vera nossa amizade como algo problemático.
Sabendo do que ela está falando suspirei.
— Você ta certa, e por isso que falei para vocês duas considerarem. Tenho mais ou menos ciência do quanto minha presença mesmo que seja somente estudando ou visitando Astoria na enfermaria, pode ser maléfica pra vocês tanto aqui no castelo, quanto familiar. Então verifiquem direitinho, conversem e depois me dar um retorno. Como eu disse, vocês são muito legais, não quero acabar prejudicando vocês de forma alguma.
Ambas pareciam... surpresas com minha fala, so não entendo o porquê.
— Você não precisa se preocupar conosco Harry, mas fico feliz que você tenha pensado no assunto.
Eu confirmei com a cabeça com um pequeno sorriso
— Conversem, como eu disse, gosto da companhia de vocês duas e estou pouco me importando com a opinião de 99% das pessoas nesse castelo.
Daphne confirmou com a cabeça com um pequeno sorriso em seus lábios, mas Astoria foi quem perguntou.
— Quem representaria esse 1% restante?
Eu retrair um pouco meu maxilar enquanto pensava.
— Não sei. — Concluir fazendo a garota rir — Talvez Hermione? Não tenho certeza.
Astoria concordou sorrindo e guardando seu livro, mas Daphne abaixou levemente a cabeça parecendo meio constrangida.
— Você e a Granger...
Eu neguei com a cabeça dando uma pequena risada.
— Somos amigos! Vocês acreditam muito nos jornais!
Concluir rindo e me levantando.
— Existe alguma coisa já publicada sobre você que seja verdade?
Perguntou Daphne levantando a cabeça e expondo um pequeno sorriso em seus lábios.
— Provavelmente não! Mas eu teria que analisar tudo que já foi publicado para confirmar essa informação. — Daphne e Astoria riram — Bom, já que vocês guardaram seus livros assim como eu, vocês querem ir comer alguma coisa, ficar sem fazer nada nos jardins ou retornar aos seus assustadores dormitórios na masmorra.
Ambas deram mais uma risada com minha forma exagerada de descrever seus dormitórios.
— Independente da nossa escolha você será um cavaleiro e nos acompanhara até o destino?
eu concordei com a cabeça botando minhas expressões o mais serias que consigo.
— Claro, miladys. Que tipo de nobre eu seria se não as acompanhasse?
Astoria negou com a cabeça rindo.
— Do tipo grifinório.
Eu olhei feio para ela enquanto ambas se levantavam rindo.
— Então, destino?
As garotas se entreolharam rapidamente antes de Daphne me responder sorrindo.
— Vamos para os jardins.
