Capítulo 6: Vênus e Antares estão visíveis


Eu caminhava lentamente pelos corredores solitários e até melancólicos do castelo, as tochas acessas justamente com o frio sufocante me diziam que vivencio uma noite de inverno em meu castelo favorito.

Eu reconheço bem esse andar, é o sétimo andar, lugar onde fica a entrada para o salão comunal da Grifinória e a entrada para a torre de astronomia que é um dos lugares favoritos de Daphne, mas meu caminho não foi guiado para nenhum desses dois lugares, eu caminhei lentamente até um corredor vazio, mas uma grande porta rapidamente se materializou a minha frente. Como se estivesse esperando por isso, caminhei lentamente até ela e a abrir lentamente dando de cara com um quarto claro com uma lareira grande o suficiente para aquecer todo o local. Também possuía uma cama enorme, um sofá, diversos bufes e uma mesinha. Sentada em um dos bufes me esperando com um sorriso no rosto, estava a pessoa que eu ansiava em encontrar, Daphne, que vestia seu costumeiro uniforme verde da Sonserina e sorria assim que passei pela porta e me aproximei.

— Você trouxe?

Eu confirmei com a cabeça tirando a capa da invisibilidade do bolso.

— So não entendi por que você não veio comigo.

Ela deu uma pequena risada enquanto eu devolvia a capa para meu bolso e parava de frente para a garota.

— Porque da última vez que invadir seu dormitório no meio da noite sua amiga nos achou e me tirou 40 pontos.

Eu dei uma risada observando a garota se levantar do bufe e ficando assustadoramente perto.

— É, acho que ela não gosta muito de você. — comentei virando levemente o rosto para o lado com um meio sorriso — Mas dês de quando você se importa com pontos?

Ela imitou meu gesto antes de me dar um furtivo selinho e responder.

— Não me importo, mas também não gosto da sua amiga.

Eu dei expus uma cara meio divertida.

— Eu gosto das suas amigas.

Ela sorriu maliciosamente fazendo eu prever que um ótimo argumento apareceu em sua cabeça.

— Minhas amigas não têm uma queda por mim.

Eu bufei embora mantive meu sorriso.

— Quase fico corado quando você fica com ciúmes.

Ela me deu um pequeno empurrão no ombro abrindo ainda mais seu sorriso.

— A gente vai ou não?

Perguntou ela fazendo bico, eu concordei com a cabeça e me sentei.

— Como quer fazer isso? passagem secreta até Hogsmeade?

Ela negou com a cabeça.

— É, eu não te contei, mas eu tenho um elfo. É so eu chamar e pedir que ele nos leva a qualquer lugar.

Eu ergui uma sobrancelha meio receoso.

— Daph, nada pode aparatar aqui.

Ela rolou os olhos antes de olhar para um espaço vazio da sala e chamar seu elfo.

— Freda.

Eu realmente imaginei que nada aconteceria, mas no instante seguinte a pequena criatura simplesmente apareceu dentro da sala parecendo levemente perdida, mas assim que viu Daphne sorriu e abraçou a garota pelas pernas.

— Sonhara, que prazer vela. — falou o elfo ainda abraçando as pernas de Daphne — em que posso ser útil a senhora?

Daphne sorriu para o elfo.

— Como esta Frada? Espero não ter te acordado?

A Elfa soltou sua dona negando com a cabeça.

— Não senhora, o senhor e a senhora ainda estão acordados, então Frada ainda trabalhava quando a senhora chamou.

É muito senhor e senhora para eu acompanhar. De qualquer forma Daphne concordou com a cabeça e se abaixou para sussurrar como se temesse que alguém além de mim ouvisse.

— Preciso que você leve a mim e o senhor Potter para casa e depois para um outro lugar, conseguiria fazer isso sem disparar o alarme?

a elfa concordou com a cabeça meio receosa antes de olhar pra mim e me analisar friamente, então voltou a olhar para Daphne e respondeu no mesmo tom de voz baixo da garota.

— Eu conseguiria sim senhora, mas devo alertá-la que se o senhor descobrir que a senhora voltou pra casa e ainda levou visita ficara furioso, tem certeza que o rapaz é confiável?

Eu abrir meu sorriso tentando segurar a risada do elfo falando como se eu não estivesse a ouvindo. Daphne simplesmente confirmou com a cabeça mantendo a firmeza para sua elfa.

— A ideia é meu pai não descobrir, e Harry é confiável sim. Conseguiria guardar esse segredo dele?

A elfa concordou com cabeça.

— Por tanto que o senhor não me pergunte especificamente sobre isso, Freda conseguiria sim guardar o segredo da senhora.

Ela sorriu para elfa enquanto concordava com a cabeça e olhava para mim.

— Está pronto Harry?

Eu franzi levemente a testa sentindo um pouco de dúvida.

— Tem certeza disso Daph? Não poderíamos ir direito para a tal festa no lado trouxa?

Ela negou com a cabeça.

— Já disse, tenho algumas coisas para pegar em casa, isso sem contar que quero que meu namorado conheça meu quarto.

Eu suspirei enquanto concordava com a cabeça.

— Seu pai vai me matar se me encontrar lá.

Ela confirmou com a cabeça convicta.

— Certamente ele irá, mas tenha coragem grifinório, não te deram esse uniforme por nada.

Eu bufei, mas concordei com a cabeça e me aproximei de Daphne.

— Como ela consegue aparatar aqui?

Perguntei analisando a elfa, Daphne revirou os olhos.

— As proteções anti-Aparatação não se aplica aos elfos Harry.

Eu olhei meio desconfiado e indignado para Daphne.

— Então você pode simplesmente ir para sua casa a hora que quiser?

Daphne concordou com a cabeça.

— Assim como todos os alunos que têm um elfo doméstico em sua família.

— Então a maioria pode simplesmente ir para casa? Por que vocês pegam o trem nos feriados?

— Primeiro que nem todo aluno tem um elfo na família, segundo que não era para usarmos aqui em Hogwarts, é proibido pelas regras do castelo. Não podemos usar dos elfos para burlas as regras e proteções do castelo, pode render expulsões ou multa para as famílias em questão.

Eu dei uma risada enquanto a analisava.

— Então estamos quebrando mais uma regra do castelo?

— É o que parece — concordou ela pegando na mão de sua elfa e oferendo a dela pra mim — vamos?

Eu suspirei enquanto relaxava levemente meus ombros e sedia pegando na mão delicada de Daphne.

Assim que segurei firme a mão de Daphne sentir uma sensação horrível de sucção, no instante seguinte eu já me encontrava num quarto grande e todo decorado. Eu sentia um pouco de náuseas graças ao método de viagem, mas me distrair olhando ao redor assim que cheguei.

O quarto era todo pintado de azul, mas o teto era preto com vários pontinhos brancos que imagino sinalizar as estralas, enquanto possuía vários astros que flutuavam sozinhos acima de sua cama, provavelmente representando os planetas. Sua cama era grande e possua uma proteção fina que fazia parecer um quarto de princesa, o que fazia muito sentido na minha opinião.

— Gostou do meu quarto Harry?

Perguntou Daphne parecendo meio surpresa por eu não ter vomitado assim que chegamos.

— É muito bonito, entendi por que você queria me trazer aqui, senhora princesa.

Ela deu um pequeno giro numa demonstração exagerada de dança.

— Eu sou uma princesa Harry, estou até fugindo com meu príncipe.

Eu dei uma risada analisando um pouco mais o quarto.

— Então, o que viemos buscar aqui vossa alteza?

Ela riu e olhou para o elfo que até agora so nos observava parecendo curiosa.

— Me espere lá fora Freda, pode me avisar se meus pais estiverem subindo?

A elfa concordou com a cabeça.

— Freda ficara de olho para a senhora, mas tenha cuidado.

Daphne concordou com a cabeça.

— Não se preocupe com Harry, os deuses nórdicos dos trouxas me oferecem mais perigo que ele.

Eu bufei embora tenha sido quase um elogio, de qualquer forma pareceu funcionar com o elfo que concordou com a cabeça e desapareceu no instante seguinte. Daphne então olhou pra mim sorrindo.

— Já vamos sair Harry, fique à vontade.

Eu concordei com a cabeça e me sentei em sua cama meio sem jeito por estar onde estou, ela no entanto nem pareceu notar, foi até seu armário lentamente e vasculhava suas roupas como se eu não estivesse por lá. Eu me deitei ainda com as pernas pra fora da cama e engarei o teto pintado de preto junto com os diversos astros flutuando, devo admitir que realmente parece que estou olhando o céu a noite, mas era como se os planetas estivessem a 10 metros de mim, bom... acho que é porque eles estão.

Inesperadamente todos os astros começaram a brilhar e o que eu imagino que deveria ser as estrelas começaram a levemente aumentar de tamanho enquanto outras diminuíam, os astros passaram a girar provavelmente simulando a rotação dos planejadas, quando erguer a cabeça pra frente encontrei Daphne com a varinha erguida para os astros sorrindo e com algumas roupas em sua outra mão.

Eu sorri pra ela um pouco maravilhado por sua magia.

— Eles não irão descobrir se usarmos magia?

Daphne negou com a cabeça.

— Eles sabem que um menor está usando magia aqui, mas você realmente acredita que o ministério irá vir incomodar os Greengrass no meio da madrugada? Isso pode literalmente ser qualquer coisa incluindo um erro nos rastreadores, ninguém ira vim aqui verificar.

Eu concordei com a cabeça voltando a olhar pra cima ainda meio maravilhado.

— É lindo Daph,

Ela deu uma pequena risadinha.

— Nunca pensei que ouviria você dizendo isso, senhor odeio astronomia.

Eu dei uma pequena risada enquanto erguia a cabeça novamente e me sentava.

— Não é que eu odeio, é que so é interessante quando você fala disso. Deveria ser nossa professora.

— Você é um fofo Harry.

Eu concordei com a cabeça com um sorriso meio bobo e ia voltar a olhar o teto, mas o acontecimento a seguir me impediu completamente de me deitar novamente.

Daphne caminhou de volta até seu guarda-roupa e pegava mais algumas peças enquanto removia as que estavam em seu corpo, começando pela capa e logo depois a camisa ficando somente de sutiã, depois simplesmente os removeu como se não soubesse que eu a observava. Seus seios completamente expostos eram as coisas mais perfeitas que meus olhos já observaram, mas no momento que a garota tirou a saia, eu tive que abaixar a cabeça e depois voltar e me deitar olhando para o teto. Fico feliz que algum senso se cavaleiremos ainda tenha sobrado embora eu tenha ficado a observando como um pervertido durante vários segundos.

— Poxa Daph, se poderia ter se trocado num banheiro certo?

Ela riu ainda enquanto eu tentava a todo custo manter meus olhos no teto.

— A ideia é meu pai não nos pegar aqui, então sair do quarto poderia não ser uma boa ideia, e a sua cara a me ver sem roupa é sempre impagável.

Eu neguei com a cabeça rindo.

— Muito engraçada. — falei me virando pra ela e a vendo so de calcinha e analisando uma calça jeans que se não fosse por alguns detalhes roxo, eu poderia dizer que foi tirada do mundo trouxa. — Você não tem ideia do quanto eu quero ir até você e te convencer a ficar aqui ao invés dessa festa.

Ela virou pra mim sorrindo embora seus seios ainda estejam expostos aos meus olhos.

— É bom saber que você é tão facilmente provocável Harry, mas guarde essa energia para mais tarde, essa festa não vai durar a noite toda.

Dito isso ela piscou para mim de forma sex antes de se virar e voltar a se trocar.

Eu sorrir a admirando um pouco mais antes de forçar minha visão de volta para o teto que continuava a brilhar intensamente enquanto girava.

Num momento eu vislumbrava o céu que o quarto de Daphne tentava transmitir, no outro eu me encontrava numa escadaria muito estranha, ela era larga como as escadarias de um castelo, mas também continha uma fina camada de poeira em cada degrau demonstrando que se for um castelo não conta com elfos, o que é um pouco estranho. Eu olhei ao redor completamente perdido, atras de mim possuía uma parede de concreto, por que teria uma parede no fim de uma escadaria? Eu levantei minhas mãos e observei minha palma um segundo, respirei fundo e notei que estou no controle, sei que ainda estou sonhando, mas essa é a primeira vez que sou realmente eu que está comandando a visão. Sem muitas opções eu comecei a subir as escadas lentamente observando cada canto. As paredes ao redor eram bem cuidadas, mas as cores escuras me causavam um pequeno arrepio.

Eu subir uns 100 degraus até conseguir ver uma porta dupla branca, eu caminhei agora meio apressado pra ela, estou curioso sobre tudo isso e aparentemente so terei respostas lá dentro. Assim que cheguei até a porta notei que tinha uma cobra esculpida em cada maçaneta, não sei se isso é um bom sinal, acho que não! Já que a última vez que vi algo parecido se tratava da entrada para a câmera secreta. De qualquer forma eu girei a maçaneta e a porta se abriu relevando um quarto claro, claro até demais. As paredes pintadas num branco brilhante somado a luz do sol que entrava pela janela, causavam um efeito que me fez cerrar os olhos e os proteger com a mão, mas me acostumei rápido e olhei ao redor do quarto, logo uma figura se mostrou visível sentada numa poltrona com um livro de desenhos aberto em seu colo e um lápis em sua mão. Ela era baixinha, devia ter uns 6 ou 7 anos no máximo, sua fisionomia estava clara pra mim, ela era uma cópia pequena de Daphne, isso incluindo os cabelos, já que a garota também carregava um cabelo loiro brilhante. Ela parecia distraída olhando seu desenho, eu tentei passar pela porta, mas algo parecia me impedir, talvez um campo de força ou algum feitiço de proteção.

— Ei garota.

A chamei a fazendo levantar a cabeça assustada, assim que me viu arregalou os olhos e pareceu congelar um momento.

— Pode me ajudar? Onde estou?

O espanto da garota se transformou num sorriso, então ela mexeu os lábios tentando dizer algo, mas eu simplesmente não conseguia ouvir sua voz. Eu coloquei minhas mãos na parede invisível que me impedi de passar e tentei forçar meu rosto o máximo possível para dentro. Ela abaixou a cabeça enquanto fechava seu caderno, quando levantou novamente seus olhos estavam cheios de lagrimas, sua boca voltou a se mexer tentando falar, mas novamente nenhum som atingiu meus ouvidos, mas acho que conseguir ler seus lábios. "Me perdoe papai"

Agora acordei em meu dormitório, mas não da forma que eu gostaria, assim que abrir meus olhos o teto a minha frente parecia girar. Eu segurei na cabeceira da minha cama como se estivesse caindo e tentei buscar meus óculos, mas uma onda de ânsia acabou me forçando a desistir dessa ideia e correr aos tropeços até o banheiro. Assim que cheguei vomitei durante uns 10 minutos, botando para fora absolutamente tudo que eu tinha no estomago.

Eu continuava com um sentimento de náuseas, dor de cabeça e tontura, mas me forcei a abandonar o banheiro segurando em cada parede como uma salva vidas. Voltei ao meu dormitório e vi que todo mundo estava dormindo e nem notaram que sai, mas não é para menos, ainda é madrugada pelo que vejo. Eu me sentei em minha cama e peguei na mesinha ao lado minha varinha e meus óculos.

— Lumus.

Sussurrei enquanto finalmente colocava os óculos. Eu ainda estou cansado, mas depois daquilo não acho que irei conseguir dormir mais, e não sei se é uma boa hora para pensar nisso, mas o que diabos foi aquilo?

O começo foi normal, so mais uma visão com um monte de informações que poderão ser uteis caso um dia eu tenha que provar que essas visões não são sonhos, afinal agora eu meio que sei como é o quarto da Daphne, o que é muito estranho, mas tudo bem. Mas o que foi aquele final? Tenho certeza de que foi por consequência daquele final que eu passei mal, aquilo não foi normal, não foi como os outros. Eu controlava, eu realmente de alguma forma estava lá, afinal a garota me viu. Quem era a garota? Isso eu so posso imaginar, principalmente pela frase que conseguir ler que ela sussurrava, mas ninguém pode ter certeza de nada com base em leitura labial.

Eu tenho que contar isso a alguém e pedi ajuda, antes eu tinha o escudo que por mais que essas visões sejam estranhas e eu não saiba bem o que são, ainda eram inofensivas, podendo com muito otimismo se tratar somente dos sonhos de um adolescente idiota, mas esse último não foi assim. Na verdade, se minha cicatriz doesse, o acordar teria sido exatamente igual as vezes que tive visões com Voldemort, e isso é muito preocupante.

Será que aquela garotinha é a responsável por todos esses sonhos? Não vejo como ela poderia fazer isso independente de quem ela seja.

Eu me levantei meio arrastado e fui até meu malão pegar o mapa do maroto, voltei a minha cama e o liberei. A última vez que fiz isso no meio da madrugada dei de cara com o nome Pedro Pettigrew, espero ter uma experiencia um pouco melhor dessa vez.

Vasculhei pelo mapa e encontrei o esperado, os nomes acumulados em seus dormitórios, é tarde o suficiente para nem os monitores estarem andando por aí, estão todos em seus aposentos. Dito isso um ponto isolado me chamou atenção, e quando vi o nome tive que dar uma risada. Daphne Greengrass estava no sétimo andar nesse exato momento, mais precisamente na torre de astronomia. O que diabos ela está fazendo lá? É madrugada, ela não dorme?

Eu me levantei meio que institivamente para ir até lá, mas meu celebro rapidamente me passou uns alertas que me forçou e se sentar na cama novamente e considerar o que eu estava prestes a fazer.

Como exatamente eu irei explicar aparecer lá no meio da madrugada no exato momento que ela está lá? Ela definitivamente não irá acreditar que isso é coincidência, já que declarei outro dia que astronomia é minha sessão de tedio semanal. Bom, isso parece fácil de contornar, posso simplesmente dizer a verdade, ou pelo menos parte dela. Posso dizer que acordei no meio da madrugada e perdi o sono, então verifiquei no mapa do maroto e descobrir que ela estava na torre e fiquei curioso. Nesse cenário envolve eu contar sobre o mapa, mas eu sei um moente de coisas dela que não deveria, acho justo ela saber alguns segredos sobre mim também.

Decidido eu ajeitei meus óculos e vestir meu uniforme normal das aulas, fui até o banheiro e rapidamente joguei água na cara e escovei os dentes, já que não faz 10 minutos que eu vomitava. Então sai do dormitório dando uma última verificada se não tinha ninguém nos corredores e se ela continuava na torre. Como a resposta para ambos questionamos eram positivas, seguir meu caminho para fora do quadro da mulher gorda e guardei o mapa no bolso.

Seguir a passos largos para a entrada da torre, mas notei algo no meio do caminho, obviamente a torre de astronomia deveria estar trancada, como diabos ela tem acesso?

Dando os ombros eu cheguei até a porta em questão, que sem nenhuma surpresa se abriu assim que girei a maçaneta. Subir as escadas estreitas até atingir o topo da torra onde Daphne se sentava da mesma forma que estou acostumado nas minhas visões, no ponto mais alto e com os pês para fora. A professora Aurora ficaria furiosa com a falta de segurança ali.

E é exatamente isso que me fez recuar um pouco, ela está num lugar bem perigoso, e se eu a assustar e ela cair lá embaixo? Balançando a cabeça bruscamente eu tomei coragem para me aproximar. Acho que Daphne em algum momento ouviu meus passos se aproximando, pois se assustou e olhou pra mim meio desesperada, assim que viu que era eu, ela suspirou relaxando.

— Harry, você quase me mata do coração, pensei que fosse Filch.

Eu neguei com a cabeça me sentando ao seu lado.

— Quando eu vi você aí temi que se assustasse e caísse lá embaixo, então acho que o resultado foi melhor.

ela deu uma pequena risada.

— Você tentaria me salvar se eu caísse?

Eu fiz um meio sorriso.

— Nem que eu tivesse que pular atras de você.

Ela negou com a cabeça antes de abaixar escondendo um pequeno sorriso.

— Como me achou aqui meu herói?

— Acordei no meio da madrugada e vim verificar se a sala de astronomia estava trancada.

Ela riu voltando a olhar para o céu enquanto eu me sentava ao seu lado.

— É claro que sim Potter, hoje é a noite dos mentirosos?

Eu neguei com a cabeça rindo também.

— To brincando, eu meio que sabia que você estava aqui.

— Como?

Perguntou ela direcionado seu olhar pra mim meio confusa.

— Eu ganhei a dois anos atras, mostra a localização atualizada de todo mundo no castelo. — Informei tirando o mapa do bolso e o entregando. — Acabei acordando agora a pouco e dei uma olhada no mapa, aí vi você aqui e tive que vim falar um oi.

Ela pegou e analisou o mapa de ponta a ponta.

— Então você pode saber na hora que quiser a localização de todo mundo no castelo?

Eu confirmei com a cabeça olhando o mapa e apontando para a parte da torre.

— Olha nossos nomes aqui, até Filch já está dormindo.

Ela confirmou com a cabeça parecendo perplexa.

— Isso é uma vantagem única Harry, basicamente te dar o meio para espionar qualquer pessoa que você queira.

— É, mas eu jamais usaria pra isso.

Falei disfarçando o fato que vivo usando exatamente pra isso. ela deu uma pequena risada antes de me devolver o mapa.

— Mas estou curiosa Harry, você acorda no meio da madrugada e vê uma maluca na torre de astronomia quebrando provavelmente umas quinze regras do castelo, aí sua decisão é vim quebrá-las junto comigo?

Eu confirmei com a cabeça.

— Não ligo para as regras do castelo, não ligo para a taça das casas nem quantos pontos posso perder, não ligo pra nada dessas merdas.

— Ta, mas e expulsão? Você não liga também?

Eu franzi levemente a testa antes de negar com a cabeça.

— Acredite em mim, não importa o que eu faça não serei expulso. Dumbledore parece que irá precisar de mim ou algo semelhante a isso. Já dei um ou dois motivos para expulsão e sempre o diretor arruma um jeito de me livrar.

Ela bufou fazendo eu rir.

— Em alguns desses momentos até acaba te recompensando com pontos.

Eu mantive minha risada.

— Vocês ainda estão remoendo isso? Já faz 4 anos.

Ela riu desviando seu olhar do céu e voltando a olhar pra mim.

— Verdade, mas aquilo foi uma das coisas mais bizarras que já vi.

— Foi uma das coisas mais bizarras que já vi também.

Concordei bocejando.

— Mas então, o que vossa senhoria estaria fazendo na torre de astronomia as — olhei meu relógio de pulso para verificar — 4,47h?

— Hoje é dia 16 Harry, Vênus e Antares estão visíveis a olho nu. Você presta atenção nas aulas de astronomia?

Eu ri enquanto negava com a cabeça.

— Não presto muita atenção, mas vejo que não sou o único.

Falei indicando ao redor da torre mostrando que estamos completamente sozinhos e ninguém veio ver vênus e Antares. Assim que a garota entendeu bufou e repousou sua cabeça em meu ombro me pegando completamente de surpresa.

— Olha lá em cima Harry — falou ela apontando para o céu — ta vendo a pequena bolinha brilhante onde eu aponto?

Eu olhei e realmente tinha uma um pouco um pouco mais brilhante que as demais, porém não tenho certeza se estou olhando para exatamente a que ela descreve.

— É Vênus diante de seus olhos. Tem anotações aos montes dos meus parentes que se foram a centenas de anos, bruxos da época das caçadas, bem antes de Hogwarts sequer pensar em ser construída. Eles já faziam anotações atras de anotações mapiando e estudando as estrelas. Muito dessas anotações mostram que meus ancestrais sequer sabiam com certeza o que eram todos aqueles pontos no céu que pareciam se mover dependendo do dia que eles as observavam. Hoje graças a astronomia tenho o benefício de poder olhar para o céu sabendo exatamente o que tem nele, sabendo exatamente quais corpos eu observo e qual a sua importância.

Eu sorrir pra ela encantado pela quantidade de emoção que ela estava colocando em cada palavra descrita. Acho que agora entendo por que ela tem essa matéria como favorita.

— Mas deixa pra lá — falou ela suspirando — estou te entediando.

Eu dei uma pequena risada enquanto pegava gentilmente em seu queijo e a forçava a me olhar nos olhos.

— Você não está me entediando Daph. — Respondi tentando uma voz carinhosa — Não é todo dia que alguém consegue me chamar atenção com uma conversa sobre astronomia.

Ela sorriu enquanto aproximava um pouco mais nossos rostos fazendo meu coração disparar ligeiramente.

— Está falando isso so para me agradar.

— Talvez, mas isso não muda o fato que você conseguiu passar o assunto de uma forma 100 vezes mais interessante do que a professora Aurora.

Ela corou ligeiramente, mas manteve seus olhos focados nos meus.

— Me pergunto o porquê você tenta me agradar.

— Porque você tem o dom de tornar especial até mesmo aquilo que é chato como astronomia.

Ela corou ainda mais enquanto abria um sorriso.

— Você é fofo Harry, mas chato é transfiguração.

Eu dei uma risada enquanto finalmente afastava um pouco nossos rostos parecendo uma atitude bastante estupida pra mim.

— McGonagall é legal, mas também não me dou muito bem em sua matéria.

Ela riu enquanto confirmava com a cabeça e voltava a olhar para o céu. Eu passei a roer meus lábios meio inquieto sem saber como disser o que eu planejava sem parecer estupido.

— Hum, Daphne. — Ela olhou pra mim — Pode me falar mais sobre Antares? É que eu nunca tinha ouvido falar disso.

Ela me olhou levemente confusa antes de apontar para o céu.

— Esse é fácil de ver, ta vendo aquele ponto brilhante, o maior disparado no céu? — perguntou ela apontando para o local que falava. — Então, essa é Antares, ela é uma supergigante vermelha na constelação de Scorpius, mas porque você pergunta?

Eu abaixei levemente a cabeça dessa vez tentando manter meu coração no lugar e evitar o contato visual direto.

— Estou descobrindo que gosto da minha nova professora de astronomia.

Ela rio enquanto inesperadamente pegava meu queijo igual eu vis a pouco e me forçava a encará-la.

— É por que sua nova professora é linda ou porque ela explica bem?

Eu respirei fundo reunindo coragem para responder sorrindo.

— As duas coisas com toda certeza.

Ela sorriu enquanto ficava levemente corada, isso era fofo demais pra mim. Nossos rostos ainda estavam pertos um do outro, na verdade nunca esteve tão próximo, no máximo alguns centímetros de distância. A real e que não tenho nenhuma vontade de evitar tal aproximação, o que sinto na verdade é um impulso de coragem junto com algo semelhante a efeito magnetismo, me atraindo para seus lábios. Embora o tempo pareça ter congelado ligeiramente, ele foi retornando e supreendentemente foi Daphne que furtivamente selou nossos lábios causando arrepios em todas as partes do meu corpo. Ela selou nossos lábios um segundo antes de se afastar, mas aí eu que avancei e a beijei apaixonadamente.

Seus lábios eram macios e pareciam me atrair incansavelmente, então so nos separávamos somente quando faltava oxigênio, então voltávamos a nos beijar. O tempo parecia congelar toda vez que nossos lábios se tocavam e a sensação parecia única cada uma das vezes, mas enquanto eu a beijava e ela me puxava para cada vez mais perto, meu celebro acendeu um alerta que foi grande o suficiente para eu me afastar e segurar Daphne que institivamente tentou se aproximar novamente. Ela me olhou confusa fazendo eu abaixar a cabeça.

— Daph, eu tenho que te dizer uma coisa.

Sua confusão pareceu se transformar rapidamente em vergonha.

— Me desculpe Harry, acho que exagerei.

Eu neguei com a cabeça rezando para não ter estragado tudo.

— Não é nada disso Daph, so preciso te contar uma coisa antes de darmos qualquer passo adiante. Na verdade, sinto que já deveria ter contado.

Ela ainda parecia bastante envergonhada.

— Você tem uma namorada ou algo assim?

Eu neguei com a cabeça suspirando.

— Você promete me ouvir até o final e pelo menos considerar o irei contar?

Seu semblante mudou de envergonhada para confusa novamente, mas confirmou com a cabeça meio receosa. Eu respirei fundo tentando trazer as palavras de volta a minha cabeça. Por que eu simplesmente não continuei o que estava fazendo?

— Daph, isso vai parecer um pouco estranho, mas eu menti quando disse que simplesmente acordei agora a pouco. Ta, não era completamente mentira, eu realmente estava dormindo anteriormente, mas isso não é tudo.

Ela inclinou sua cabeça levemente para a esquerda antes de questionar cerrando levemente os olhos.

— Isso está confuso Harry.

Eu suspirei profundamente.

— Você não viu nada. — Respondi respirando fundo novamente. — Mas então, eu acordei agora a pouco após ter mais um sonho que constantemente tenho classificado como visões.

Ela ergueu uma sobrancelha meio desconfiada.

— Visões?

Eu suspirei diante do tom incrédulo dela. Não dá para julgá-la.

— Não sei bem o que são, podem ser so sonhos, mas são muito estranhos.

Ela se ajeitou meio inquieta antes de me olhar concentrada mostrando que ira sim pelo menos ouvir o que eu tenho pra contar.

— Ta, me explica isso direito, do que exatamente se trata essas "visões"?

Embora eu ache fofo ela fazendo as aspas no final da frase, me concentrei em como exatamente irei explicar isso, pois se não escolher as palavras certas isso pode ser um desastre.

— Isso começou a mais ou menos 1 semana antes da gente regressar a Hogwarts. No começo eu pensava que eram sonhos normais, que sumiriam com o tempo, já que eu não estava no melhor estado emocional imaginei que era so minha mente me pregando uma peça, mas isso não parece verdade, pois dês que começou tenho essas visões todas as noites, sem falta e sem exceções.

ela suspirou mordendo levemente os lábios enquanto pensava.

— Ta isso é estranho. Sonhos que são tão recorrentes devem sim ser analisados com calma. Você sempre sonha com a mesma coisa ou isso varia? Sobre o que é exatamente?

— Os sonhos não são iguais, cada noite eu vivencio uma situação diferente — expliquei abaixando levemente a cabeça. — É a pessoa que também está lá que une essas visões e quase narra uma história.

Ela novamente expos sua cara confusa antes de perguntar.

— Pessoa? Não me diga que anda sonhando comigo a meses.

Ela disse num tom divertido, mas eu mantive minha cara seria antes de confirmar com a cabeça meio receoso.

— Sim Daph, todas as visões têm você como protagonista.

Ela engoliu em seco antes de perguntar.

— Mesmo antes de conversarmos? — Eu confirmei com a cabeça — Por isso você se aproximou de Astoria?

Eu neguei com a cabeça apesar do que irei responder.

— Mais ou menos. — Respondi temendo bastante como ela irá interpretar o que irei dizer — Mesmo com os sonhos eu não tinha nenhuma intensão de me aproximar de vocês, afinal so são sonhos eu acho. Mas realmente acabei encontrando concidentemente Astoria na enfermaria e um assunto acabou aparecendo. Mas tenho que admitir que fui estimulado após madame Pomfrey ter a chamado pelo sobrenome Greengrass.

Daphne suspirou e abaixou levemente a cabeça.

— Se minha irmã não gostasse tanto de você eu não ficaria tão furiosa por usá-la para chegar até mim.

Eu neguei com a cabeça rapidamente e até um pouco desesperado.

— Não a usei Daph! Como eu disse, não tinha nenhuma intensão de interagir com você, afinal sonhos são sonhos, isso aqui é a vida real. Astoria se mostrou uma pessoa muito interessante de se conversar sobre o mundo bruxo, então voltei para ouvir mais sobre a tal rosa escocesa ou bruxos russos capazes de fazer super poções.

Ela riu aliviando um pouco de minha tensão.

— Ela te contou sobre as rosas escocesas que realizam desejos e sobre os bruxos capazes de curar qualquer coisa com suas super poções? — Eu confirmei com a cabeça e ela voltou a sorrir agora olhando para o céu de forma meio sonhadora — Minha irmãzinha pode ser um pouco ingênua as vezes, quem dera que existisse tais coisas.

Eu suspirei notando que seu tom era quase meio melancólico, acredito que ela fala dos problemas de saúde de Astoria.

— Mas vamos lá, me conte sobre essas visões e eu vejo se irei te perdoar.

Eu suspirei, pelo menos ela ainda está disposta a me ouvir.

— Bom, as visões são simples. Eu geralmente vivencio alguma situação que nunca aconteceu envolvendo você. No começo era momentos aleatórios, uma aula que enfrentei um professor para te defender, uma vez que supostamente estávamos indo até Hogsmeade juntos, outro conversando pelos corredores ou na biblioteca, coisas desse tipo.

Ela confirmou com a cabeça.

— Ainda são assim?

Eu neguei com a cabeça.

— As vezes são esses sonhos com momentos mais simples, mas atualmente esta um pouco mais complexo.

Ela tirou os olhos do céu e voltou a me olhar sinalizando que está me ouvindo.

— A primeira visão estranha que tive foi você chorando por conta de uma carta que seu pai enviou e eu tentava de consolar, ali eu vi que existia uma tentativa de narrativa. Pensei que minha mente estava tentando contar uma história, e eu estava certo, pois depois disso tive diversas visões envolvendo assuntos extremamente delicados ou extremamente íntimos.

Ela parecia meio surpresa com esse final.

— O que quer dizer?

Eu suspirei profundamente.

— Nesses meus sonhos sempre esteve claro que eu e você tínhamos um relacionamento ou algo semelhante a isso, nunca sonhei com nada demais se isso que você está pensando, mas alguns momentos um pouco mais íntimos já apareceram.

Ela corou enquanto abaixava a cabeça.

— Entendi Harry, você tem sonhos eróticos comigo — eu dei uma pequena risada com a conclusão da garota, mas a deixei terminar a linha de raciocino — Mas onde você quer chegar? Porque ta me contando isso agora?

— Por causa das partes complexas que eu tinha dito. Daph, em algumas visões mostram um "futuro" distante, um aonde você-sabe-quem se tornou poderoso ao ponto de tomar o ministério da magia. Na primeira visão que tive sobre isso nos decidíamos fugir juntos porque você estava...

Ela aguardou passivelmente que eu concluísse, mas não sei se quero fazer isso, parece estranho dizer em voz alta.

— Conclua Harry, decidíamos fugir porque eu estava...

Eu abaixei levemente a cabeça, vai ser estranho! Mas não é como se toda essa conversa seja um grande exemplo de normalidade.

— Você estava gravida, por isso que eu supostamente aceitei que você fugisse comigo, iam acabar te matando se você ficasse.

— Por que me matariam?

Perguntou ela decidindo ignorar a parte da gravidez, acho que foi melhor assim.

— Esse é o motivo que tive que interromper o que estávamos fazendo agora a pouco.

— Não vou engravidar por te beijar Harry.

Interrompeu ela rindo.

— Não era disso que estava falando engraçadinha.

Ela concordou com a cabeça e fez um gesto com a mão sinalizando para que eu continuasse.

— Segundo minhas visões, tínhamos uma espécie de relacionamento secreto, mesmo assim isso meio que se espalhou pelo castelo. Quando você-sabe-quem conseguiu poder suficiente para tomar tudo, essas fofocas iriam acabar te matando, principalmente com você aparecendo gravida. Por isso eu concordei em te levar comigo, mas isso acabou te transformando na bruxa mais procurada da Grã-Bretanha e literalmente destruindo sua vida. Eu não sei o que são todas essas visões. Sonhos, futuro, possibilidades, alucinações, não sei! O que sei é que você-sabe-quem realmente retornou das cinzas ano passado, então existe sim uma chance dele ficar poderoso até essas alucinações se tornarem realidade. Então quando comecei a falar com vocês fiz uma promessa a mim mesmo, irei me afastar caso se torne profundo demais ou caso eu sinta que aquelas visões estão se torando realidade. Jamais eu iria me perdoar caso essas minhas visões realmente se confirmem e eu destruía sua vida somente com minha presença.

Ela franziu levemente o rosto e torceu um pouco os lábios parecendo levemente irritada ou indignada.

— Então seu plano é se afastar porque eu te beijei? Harry são sonhos, você não acha que depois do que aconteceu final do ano passado você não estaria sensitivo a imaginar um mundo apocalítico envolvendo você-sabe-quem?

Eu neguei com a cabeça. A premissa dela é válida, mas o retorno de você-sabe-quem não é meu único argumento para validar que essas visões não são sonhos.

— Daph, tenho tido sonhos com você a mais de um mês, sei de coisas sobre você que não deveria saber.

Ela me olhou desconfiada.

— Tipo o que?

— Eu já sabia que sua aula favorita era astronomia, foi isso que usei como prova na minha cabeça que esses sonhos são reais ou possíveis, mas agora posso ter uma prova mais precisa. Irei te contar detalhadamente o sonho que acabo de ter, aí você me fala as partes que colidem com a realidade, principalmente sobre as coisas que eu não deveria saber.

Ela concordou com a cabeça aceitando meu desafio. Eu limpei a garganta pronto para começar.

— Esse sonho que tive começou comigo saindo do salão comunal da Grifinória no meio da noite e indo para um corredor vazio aqui no sétimo andar mesmo, inesperadamente uma porta se materializou e eu entrei, me lembra de verificar sobre isso depois. — Ela confirmou com a cabeça e eu continuei — Encontrei você que me esperava lá dentro. Estávamos nos preparando para ir a alguma festa no mundo trouxa ou algo semelhante a isso, mas você tinha que buscar algumas coisas na sua casa. Conversamos um pouco e você chamou sua elfa doméstica chamada Freda ou algo semelhante a isso. — Daphne arregou os olhos a menção do nome de seu elfo, mas eu continuei minha história ignorando seu espanto. — Ela nos aparatou até seu quarto para que você buscasse roupas. Seu quarto tem as paredes pintadas de azul enquanto o teto de preto com pontinhos brancos. Flutuando acima de sua cama ficam vários astros que simulam os planetas. Na visão eu me deitei na sua cama para observar tudo isso e você usou um feitiço que fez tudo brilhar intensamente e girar numa velocidade razoavelmente rápida, fazendo eu entender que os pontinhos brancos no teto simulavam as estrelas, então seu quarto após aquele feitiço ficou extremamente parecido com o céu que olhamos agora, so que um pouco mais intenso pela proximidade dos astros. — falei apontando para o céu noturno e continuo lutando para ignorar a cara de espanto de Daphne que cresce a cada frase que digo. — Sua cama era grande e possuía uma fina proteção que me lembrou as camas das princesas das histórias medievais trouxas. Eu poderia falar mais detalhes do seu quarto, mas outra coisa acabou me distraindo logo antes deu acordar.

Decidi meio que de imediato ocultar aquela parte final, afinal aquilo me assustou. Acho que so o que contei foi o suficiente para provar meu ponto, pois depois que terminei ela se ajeitou novamente e suspirou.

— Certo Harry, você tem um ponto aqui. Realmente acho difícil esses sonhos não estarem pelo menos conectados com a realidade, já que tirando a sala que você descreveu no começo, o resto foi com extrema precisão e são informações muito especificas para você saber. Astoria até poderia ter falado o nome do nosso elfo, mas duvido que descreveria meu quarto, mas tenho uma dúvida sobre essas visões. — Eu gesticulei para que ela progredisse e ela respirou fundo antes de fazê-lo. — Você pensa em se afastar porque esses sonhos supostamente estariam ligados com a realidade? Podendo se tratar do futuro ou algo semelhante.

Eu confirmei com a cabeça.

— Algumas visões mostram um futuro desastroso! Minha presença na sua vida prejudicou demais você e Astoria, então seria muito egoísmo eu torná-las realidade.

ela negou com a cabeça.

— Deixa eu perguntar outra coisa — começou ela se encantinhando para perto — Tirando as desastrosas, você gostou das visões onde eu estava com você? Gostou de termos uma espécie de relacionamento secreto? Gostou da sensação de me beijar agora a pouco?

Ela perguntou isso enquanto se aproximava, quando terminou nossos rostos já estava a centímetro de distância.

— Sim para todas as suas perguntas, eu não conseguiria descrever o qual incrível foi cada momento que vivi ou imaginei com você, e isso inclui os momentos onde somente estamos conversando.

Ela sorriu enquanto colava nossas testas me deixando a centímetro de seus lábios.

— Então Harry, desculpa a sinceridade em minhas palavras, mas você é estupido? Porque quer evitar as melhores partes de suas visões.

Eu sorri embora a clara ofensa.

— Porque não quero tornar reais as consequências.

— Então trabalhe para evitar essa parte, mas não nos afastando! — exclamou ela como se fosse obvio — Você está usando a premissa errada, se o crescimento de você-sabe-quem provocou uma catástrofe que me afetou diretamente, você deveria estar se concentrando em meios de evitar o crescimento do bastado. Se você seguir nessa sua linha anterior, qual o próximo passo? Vai afastar todo mundo que poderá se prejudicar com você? Saiu uma matéria falando sobre seu relacionamento com a Granger no ano passado, quando vai se livrar dela?

Eu dei uma risada mantendo a proximidade de nossos rostos. Eu entendi o ponto dela, mas não é a mesma coisa.

— Não tenho meios de impedir o crescimento de você-sabem-quem, mas posso evitar que alguém se der mal por minha causa. Daphne, eu uma das visões você estava ferida e isso simplesmente não sai da minha cabeça.

Ela negou com a cabeça.

— Seja lá o que esses sonhos sejam, duvido que seja um aviso para se afastar de mim, deve conter alguma dica que possa ser útil para evitar que você-sabe-quem retorne ao poder. Procure seus aliados, você já contou tudo isso a Dumbledore?

Eu neguei com a cabeça.

— Tentei, mas Dumbledore está me ignorando. Pelo menos por hora, estou por conta própria.

Ela não esperou nem um segundo antes de responder.

— Então vamos descobrir um jeito por conta própria.

Dito isso ela selou nossos lábios novamente e eu não conseguir afastá-la novamente. A sensação de seus lábios me trouxe somente uma certeza: não irei conseguir me afastar dela! Definitivamente não irei conseguir.