Capítulo 7 Apresentando a sala precisa
Eu me encontrava sentado na grama do que parece ser uma floresta olhando para o nada aparentemente esperando o tempo passar.
Rapidamente eu conseguir sentir um misto de sentimentos, raiva, tristeza, arrependimento, insegurança, mas principalmente: culpa. Esse sentimento em específico parecia me corroer.
Embora eu esteja preocupado com todos esses sentimentos, simplesmente não sair do lugar nem mexi um musculo durante vários segundos. Então inesperadamente eu coloquei a mão no bolso e peguei uma pequena bolinha. Quando a erguer na altura dos meus olhos notei ser um pomo de ouro. De forma lenta eu levei o pomo até meus lábios e ele se abriu inesperadamente, dentro dele havia uma pedrinha pequena que eu rapidamente levei a mão e a apertei fechando os olhos.
O escuro tomou conta da minha visão por vários segundos, até que ouvir um barulho de um galho ou algo parecido e isso me forçou a abrir os olhos novamente.
Então olhei em volta, mas a mesma mata era a única coisa a se observar. Eu ia fechar novamente os olhos, mas uma figura apareceu entre duas arvores me fazendo dar uma pequena risada irônica.
Era uma mulher, alta e com aparência elegante. Ela lembrava um pouco Astoria, mas nem precisava para que eu soubesse que ela se tratava da senhora Greengrass, mãe de Daphne.
Embora meu sorriso inicial assim que a mulher se tornou visível, tive que bufar conforme ela se aproximava até ficar de pé na minha frente.
— De todas as pessoas que poderiam aparecer, Dumbledore, Sirius, Lupin...meus pais. Foi aparecer logo você? Veio comtemplar meus momentos finais?
A mulher negou com a cabeça.
— Talvez eu deveria Potter, você foi a razão da ruína da minha família.
— Seu marido foi a razão para a ruína da sua família. — Respondi bastante desanimado — Daphne tomou a escolha dela! Eu não a sequestrei, eu a resgatei.
A mulher deu os ombros enquanto se sentava ao meu lado.
— Talvez — concordou ela — Ou se meu marido tivesse ficado do seu lado poderíamos estar nessa lista de conhecidos mortos que você acaba de mencionar.
Eu bufei ainda mantendo meu olhar no nada e evitando a mulher.
— Muita ousadia vinda de uma mulher que foi morta pelo próprio marido.
— Eu defendi minha filha!
— Deveria ter feito isso antes.
Concluir ainda sem muita emoção em minha voz. A mulher em questão suspirou antes de voltar a falar.
— Talvez você tenha razão — concordou ela — Talvez eu deveria ter defendido Daphne antes, o pai dela passou do limite em diversos momentos e isso já acontecia muitos anos antes de você aparecer na vida dela. Talvez eu deveria ter ajudado mais Astoria, evitado que ela seja expulsa da família! Ou seja... partir com diversos arrependimentos e pendências para trás. Vejo que com você não será diferente Potter.
Eu finalmente olhei para mulher expressando bastante raiva.
— Você acha? Tem certeza de que não estou deixando tudo resolvido?
Ela sorriu antes de negar com a cabeça.
— Você provavelmente não irá acreditar Potter, mas eu lamento muito que as coisas tenham que acabar dessa forma.
— Tem razão, eu não acredito — respondi um pouco impaciente — Daphne perdoou você, eu a conheço o suficiente para saber disso, embora ela nunca vá admitir em voz alta. Por outro lado, eu acho muito estranho sua mudança radical. Senhora Greengrass com todo respeito, mas a senhora viu seu marido administrando a maldição Cruciatus durante vários minutos em sua filha no aniversário dela. Isso aconteceu diante de seus olhos e não foi o suficiente para te fazer mudar de lado, o que exatamente poderia ter te motivado agora?
A culpa tomou conta do semblante da mulher a minha frente, mas ela respondeu abaixando levemente a cabeça.
— Lilian.
Esse nome congelou cada musculo do meu corpo.
— Fica tranquilo, ninguém mais sabe
Me tranquilizou ela rapidamente, mas não evitou que eu pegasse minha varinha e erguesse pra ela gerando uma grande rizada na mulher.
— Vai atacar uma morta Potter?
Nesse momento eu abaixei levemente a varinha percebendo o que eu estava fazendo.
— Como você sabe da Lilian?
— Astoria.
Eu suspirei um pouco cansado.
— Seu marido sabe?
— Obvio que não. — Respondeu ela negando com a cabeça. — E Astoria não me contou por nada, eu meio que a forcei.
— Como?
Ela abaixou a cabeça novamente.
— Eu levei as poções que ela precisava, mas ameacei so a entregar se ela contasse sobre o paradeiro de sua irmã.
Eu neguei com a cabeça bem pouco supresso.
— Você subornou sua filha com as poções que a mantem viva, entende por que eu questiono sua mudança de opinião?
Ela confirmou com a cabeça.
— Astoria é uma boa menina, so cedeu porque estava muito desesperada e pensou que por não saber a localidade de sua sobrinha, não faria diferença essa informação.
Eu suspirei um pouco cansado sabendo que meu tempo está acabando.
— Então após subornar sua filha você teve um pico de consciência a descobri que tem uma neta? Pode me explicar como essas duas coisas se conectam?
— Eu ia dar as poções para Astoria de qualquer forma, so ameacei não fazer! E Daphne devia ter confiado em mim. Teríamos ajudado ela na época, fugir com você foi um erro incorrigível. Minha filha pra sempre será perseguida.
Eu abaixei levemente a cabeça, mesmo com a quantidade de ironia na frase da mulher, também havia uma ou outra verdade ali.
— Ela deveria ter confiado em você? Você e seu marido no caso? O mesmo homem que tentou matar Daphne forçando você a entrar na frente do feitiço a — olhei meu relógio rapidamente — mais ou menos 50 minutos atras? E nesse homem que Daphne deveria confiar? A senhora realmente acredita que Daphne iria ver o sol nascer na manhã seguinte a contar para seu pai que estava gravida de mim? Por favor senhora Greengrass, assumo minha responsabilidade, sou amplamente culpado pelo destino atual que Daphne e até Astoria tem enfrentado, mas peço que evite ser hipócrita, eu não tenho muito tempo.
Ela concordou com a cabeça com um semblante realmente abatido.
— Você tem razão, não tem muito tempo. — Ela se levantou e caminhou para a mata ficando de costa pra mim. — Daphne me decepcionou quando se envolveu com alguém como você Potter, mas antes deu morrer eu notei o jeito que você a protege como se sua vida dependesse disso. Agora a pouco eu vi o que aconteceu entre vocês dois e sei os seus motivos para fazer o que está prestes a fazer. No fim, acho que mesmo você sendo um bom exemplo de traidor de tudo que pode ser considerado descente, conseguiu me surpreender positivamente. É preciso muita coragem para cogitar o que você cogitou, fazê-lo de fato prova não so sua coragem, mas a enorme vontade de proporcionar um mundo mais seguro a minha filha... e minha neta.
Eu me levantei meio desanimado. Mesmo com a quantidade de ofensas em sua declaração, eu entendi o que ela quis dizer.
— Por que a senhora? A maioria das pessoas que conheço estão mortas! Por que a senhora apareceu?
A mulher virou somente o rosto pra mim num pequeno sorriso.
— Você ta com Daphne na cabeça e pensa que ela não está processando direito minha morte, por isso acabou me trazendo aqui a segurar esse formidável objeto.
Eu sorri notando que alguns detalhes de seu rosto e seus braços começavam a desaparecer sinalizando que essa conversa está acabando.
— Dói? Morrer?
Ela negou com a cabeça sorrindo.
— Me pediram para te dizer que é tão rápido quanto adormecer. — respondeu ela com um furtivo sinal de aprovação em seu rosto — Os Black sempre foram poetas ambulantes.
Dito isso a mulher simplesmente desapareceu. Eu sorri ao claro recado de Sirius. É bom saber que ele junto dos outros estão... em algum lugar.
Eu larguei a pedra no chão e a enterrei com o pé. Não é um objeto legal de alguém ter em sua posse. Então caminhei por alguns segundos mais para dentro da mata até que encontrei meu objetivo, uma horda enorme de comensais da morte, Hagrid também estava lá, amarrado. Eu estava atras de uma arvore e nenhum deles me notaram ainda. Eu olhei novamente o relógio em meu pulso para conferir quantos minutos eu ainda tenho. Gravando que ainda me sobram exatamente 3 minutos, eu procurei pelos meus bolsos até encontrar o maço de cigarros com o isqueiro de Daphne.
Uma pequena lagrima desceu enquanto eu abrir um sorriso a lembra de seu rosto.
Eu tirei um cigarro do maço e usei o isqueiro preso a embalagem para acendê-lo.
Assim que o puxei e joguei a fumaça pra fora, pude constatar duas coisas: Gosto horrível, mas realmente relaxa em momentos de crise.
Eu puxava mais do cigarro enquanto lembrava de cada vez mais momentos ao lado de Daphne. Cada beijo, cada toque, cada conversa por mais boba e sem importância que fosse. Tudo era especial, tudo era memorável.
Eu joguei a bituca do cigarro fora e enjugue meus olhos. Hora de enfrentar meu destino.
Eu me levantei e sair de trás da arvore, os comensais que já começavam a ir embora simplesmente pararam e arregalaram os olhos a me ver, depois vários passaram a cair na gargalhada. Ignorando eu continuei caminhando até avistar bem perto Voldemort, e sobe os berros de lamentações de Hagrid, Voldemort gargalhou a comemorar sua iminente vitória.
Quando acordei estava completamente enxarcado de suor. Embora não tenha visto o final, ele parece obvio pra mim... é ali que essa história acaba! Eu me entreguei por algum motivo. Me sentei na cama pegando os óculos e bochechando.
Já faz uma semana dês que contei tudo para Daphne, ela escultou e me convenceu que eu estava sendo estupido em pensar em me afastar, afinal já era tarde demais, eu já estava muito envolvido.
Então com o passar da semana muita coisa mudou entre Daphne e eu. Bom, para começar, após aquele beijo isso se tornou algo meio reconte toda vez que estávamos sozinhos, então acredito que temos uma espécie de relacionamento secreto.
Passamos muito tempo conversando sobre minhas visões, comigo contando cada vez mais detalhes e ela tentando perceber algo que deixei passar.
Nisso acabamos percebendo duas coisas, primeiro é sobre a sala misteriosa que sonhei outro dia. Quando fomos verificar se ela realmente existia, fiquei preocupado e insatisfeito, pois a entrada que me lembro do sonho não tinha nada na vida real. Mas aí me lembrei que fiquei uns instantes parado naquele corredor antes da porta se materializar. Então o fiz e a porta realmente apareceu, mas quando entramos para conferir era um lugar completamente diferente do sonho. Muito amplo e com muitas coisas acumuladas, tipo um deposito ou algo parecido com isso. So que na manhã seguinte eu fui verificar novamente e a sala tinha um novo formato, agora bem menor e com aparência do salão comunal da Grifinória.
Com a passar da semana descobrir que a sala se transforma naquilo que você estava pensando naquele tempo no corredor, tornando aquele lugar o mais útil de todo castelo.
A segunda coisa que Daphne acabou percebendo enquanto eu narrava alguns dos sonhos reverente a guerra e o suposto período que estávamos fugindo juntos, e a presença inicial de Rony e Hermione sinalizando que não estávamos somente nos escondendo.
Quando ela me falou sobre isso eu fiquei um pouco confuso, mas realmente faz sentido, se Rony e Hermione estavam conosco significa que tínhamos pelo menos um esboço de um plano, caso o contrário Rony e Hermione estariam escondidos com suas famílias, e não com o bruxo mais procurado do país. Com toda certeza estávamos buscando alguma coisa e quando Daphne me chamou atenção pra isso eu lembrei do maldito medalhão que ela tirou do meu pescoço em uma das visões.
Aquilo parecia importante! Importante ao ponto de Daphne perguntar na visão se Hermione tinha levado embora quando fugiu.
Porém, somente isso não é o suficiente, se quero impedir que as visões se tornem realidade, preciso de mais informações que sejam uteis para evitar o crescimento de Voldemort.
Nessa uma semana tive sonhos até que normais, tirando um que foi um desastre. Esse sonho em específico foi uma senhora discussão que tive com Rony naquela cabana que usávamos de esconderijo. Daphne e eu concluímos que Rony e Hermione fugiram por diversos motivos, mas com certeza aquela discussão ajudou muito! Pois Rony disse coisas bem pesadas sobre Daphne e ela mesmo o amaldiçoou. Hermione ficou calado, mas em diversos momento Rony falou por ela e a garota não negou, então ficou claro sua opinião também.
Aquele clima hostil, somado ao fato que estávamos nos escondendo e provavelmente carecendo de utensílios básicos, provavelmente os fez ir embora. Claro, isso sem contar que provavelmente o que estávamos fazendo para tentar derrotar Voldemort, não estava dando muito certo, fazendo eles acreditar que estavam numa guerra perdida.
Todas essas teorias me deixavam levemente emputecido, mas vamos considerar, não posso ficar com raiva deles agora, independente da raiva que a versão de mim ficou de ambos, pois eu senti essa raiva e sei que em sua cabeça foi "imperdoável". Também sei que não posso considerar essas visões verdade absoluta e muito menos culpá-los por algo que não fizeram, ou ainda não fizeram.
Então para resumir, embora meus esforços junto a Daphne, não conseguimos nada que seja realmente útil contra Voldemort, e isso é frustrante e preocupante.
Eu me levantei ainda meio me arrastando e seguir até o banheiro. Meu plano era um banho matinal, para quem sabe assim me despertar, mas depois de lavar o rosto achei meio desnecessário visto que já despertei, então adiei o banho até mais tarde.
Quando desci comemorei mentalmente que não encontrei Rony ou Hermione no salão comunal, já devem estar tomando café.
De qualquer forma desci já pronto, com material e uniforme intacto. Hoje tem poções e até pode ser meio lamentável, mas por algum motivo não acho mais as aulas com os Sonserinos tão insuportável! Não sei por quê.
Assim como todos os dias eu ia até a enfermaria ver Astoria e so depois iria até a cozinha para roubar comida assim evitando o salão principal, mas já faz algumas semanas que tenho feito isso e também não tenho jantado por lá, então posso atrair atenção com minha ausência. Notando esse detalhe, resolvi ir até o salão principal para tomar meu café da manhã.
Cheguei no salão principal e ele se encontrava sem nenhum detalhe diferente aos meus olhos, porém, a carranca de Hermione me fez temer que algo poderia ter acontecido.
— O que houve?
Perguntei e Rony me olhou nitidamente contrariado.
— A gente esperava que você viria falar conosco, mas pelo jeito estava muito ocupado com outras coisas.
Eu suspirei profundamente. Eu conheço esse tom, é o tom que geralmente Rony usa quando vai me dizer algo que irá me tirar profundamente do sério. Eu momentos normais eu estaria até empolgado para ouvir seja lá a crítica que ele irá declarar, mas hoje em específico estou tão sem paciência que se eu pudesse simplesmente aparatava e o deixava falando sozinho.
— Do que se ta falando Rony?
Perguntei pegando uma torrada e deixando claro minha má vontade de conversar.
— Por onde eu começo?
— Por onde você quiser — respondi revirando os olhos — so peço que saiba diferenciar os assuntos que podem ser discutidos no salão principal, e os que definitivamente não podem.
Hermione que bebia suco ou algo parecido me respondeu antes que Rony pudesse.
— Quase nenhum assunto te envolvendo é recomendado ser conversado aqui!
Eu concordei com a cabeça mordendo mais uma vez a torrada.
— Então conversamos depois da aula do Snape.
Hermione concordou com a cabeça, mas Rony negou bruscamente.
— Esquece a aula do ranhoso cara! Vamos matar o primeiro horário.
Hermione olhou indignada para ele me fazendo perceber que eu sequer preciso responder a isso.
— Você é monitor Ronald! De o exemplo.
— Hermione, você sabe que se deixarmos passar ele simplesmente vai sumir depois da aula e so vamos velo novamente na segunda.
Eu dei uma pequena risada.
— Quanto exagero — comentei ainda rindo — A gente literalmente dividi dormitório! eu te encontro por lá todos os dias.
— É, mas em quantos desses dias nos dois estávamos acordados?
Nisso ele tem razão. Geralmente quando eu volto para o dormitório ele já está dormindo a muito tempo e quando eu acordo, ele já se levantou. Olha que ele é monitor, então geralmente dorme mais tarde do que os outros alunos. Definitivamente tenho passado muito tempo na sala precisa.
— Irrelevante gente! Não podemos perder aula do Snape ou ele irá nos dar 3 semanas de detenção. Eu prometo que depois da aula eu levo vocês para um lugar que descobri recentemente e podemos conversar sobre o que vocês quiserem.
Rony ainda parecia meio irredutível, mas acho que acertei a parte logica que opera no ágil celebro de Hermione.
— Ele tem razão Rony! Já temos problemas o suficiente, não precisamos do Snape no nosso pé por mais um ano.
Rony suspirou e nitidamente a contragosto concordou com a cabeça fazendo eu esconder minha satisfação.
— Mas uma coisa vocês estão certos, eu de fato estou meio afastado ultimamente, então quais as novidades? O que estão achando do trabalho de monitor?
Rony abaixou levemente o semblante enquanto Hermione abriu um sorriso que até os professores devem ter conseguido ver.
— É fantástico Harry! Eu adoro que os professores tenham confiado a mim a tarefa de melhorar um pouco esse castelo.
Eu suspirei expondo um sorriso divertido provocado por Rony revirando os olhos sem que Hermione veja.
— É, punindo os malfeitores! — exclamei rindo — Mas responde, você pode dar pontos a si mesmo ou para alguém da Grifinória?
Hermione revirou os olhos.
— Nós não podemos dar pontos Harry! So tiramos.
Eu concordei com a cabeça e olhei para Rony.
— E você Rony? O que está achando até agora?
Ele suspirou meio cansado.
— Em partes é legal, mas é muito cansativo.
Eu concordei com a cabeça bebendo um pouco de suco.
— Imagino que sim! Você irá participar da competição para definir o time de quadribol?
Finalmente Rony expos uma cara positiva dês que cheguei aqui.
— Irei sim Harry — falou ele empolgado — Poxa, que alívio! Você não falou nada sobre isso dês que regressamos a Hogwarts, várias pessoas estavam teorizando que você tinha largado o título de capitão.
Eu neguei com a cabeça.
— Devo admitir que adiei mais do que Olívio Wood aprovaria, mas não vou deixar de jogar mesmo na situação atual.
Hermione franziu levemente seus lábios.
— Harry, você sabe que ninguém irá ficar te perturbando.
Eu concordei com a cabeça.
— Sim, afinal todos que estará lá irá precisar de mim se quiserem se tornar parte do time. — Ambos pareciam bem receosos em concordar com a cabeça, então acrescentei. — E mesmo se falarem, eu não me importo mais.
Eles pareciam surpresos, mas para minha sorte nenhum dos dois tornaram a questionar o assunto, então resolvi terminar meu café da manhã enquanto ouvia as vozes de vários alunos conversando ao mesmo tempo.
Quando terminei de comer Hermione já estava meio inquieta, pois estávamos começando a ficar atrasados para a aula de poções, tanto que metade da nossa turma já havia descido para as masmorras. Bom, pelo menos Rony nem parecia ter notado.
Desci as escadas lentamente enquanto acompanhava a conversa de Rony e Hermione que aparentemente descontaram pontos de um segundo ano da Corvinal por estar no sétimo andar após o toque de recolher, eles teorizavam sobre o que a menina estaria fazendo ali, mas lamentavelmente eu acho que sei a resposta.
— Provavelmente ela vinha da torre de astronomia! — afirmei fazendo ambos olharem pra mim — Ontem as 8 horas mais ou menos teve a Chuva de Meteoros Oriônidas, ou algo semelhante a isso. Imagino que ela foi ver, por isso a torre de astronomia estava aberta ontem.
Hermione franziu a testa meio desconfiada.
— Preciso falar com a professora Aurora! Mesmo com eventos astronômicos, ela não deve deixar a porta aberta para alunos acessarem a torre após o toque de recolher. E como exatamente você sabia que teve chuva de meteoros ontem?
Eu suspirei já vendo de longe os alunos da Grifinória e Sonserina esperando do lado de fora da sala de poções.
— A torre dificilmente fica trancada, até porque quem nesse castelo não sabe o Alohomora? E eu sabia que tinha evento astronômico porque a professora Aurora falou na terça-feira. Ela so não falou a hora me forçando a ir perguntar depois.
Rony erguei as sobrancelhas.
— Des de quando se interessa por astronomia?
Eu neguei com a cabeça enquanto finalmente chegava nos muitos alunos.
— Não me interesso.
Era obvio que tanto Rony quanto Hermione iam me perguntar o porquê eu me informei sobre o assunto já que não me interessa, mas como já estamos muito rodeados de colegas, eles provavelmente adiaram ou esqueceram essa pergunta.
Eu cumprimentei Neville com um aceno de cabeça e guiei meu olhar discretamente para os muitos alunos vestindo capas verdes.
Não demorou nem 5 segundos para encontrar o motivo deu saber que ontem teve chuva de meteoros as 8 ou 9 horas.
Ela sutilmente sorriu pra mim, mas manteve sua conversa com Tracey como se nem tivesse notado minha presença.
As pessoas vivem nos vendo juntos na enfermaria ou na biblioteca, mas por algum motivo Daphne geralmente tenta se manter afastada quando estou na companhia de Rony ou Hermione. Acredito que ela ache que sua presença poderia gerar caos no meu ciclo de social. Os sonhos mostram que ela está parcialmente certa, mas quem se importa? Gosto dela e pelo menos por hora não existe nenhum motivo para Rony ou Hermione não gostarem.
Mas independente dos meus protestos ela se mantem afastada, acho que no fim ela também não vai muito com a cara deles. Espero que essa antipatia passe com o tempo e não se transforme em raiva extremamente mal disfarçada igual é nas minhas visões.
Porém, Tracey não pareceu ter nenhum desses filtros, pois assim que me viu acenou com a cabeça e passou a caminhar em nossa direção ignorando a cara de desaprovação de Daphne.
— Ei Potter.
Me chamou ela chamando atenção de literalmente todos que ali esperavam.
— Me pediram para te passar esse recado.
Dito isso ela tirou um pedaço de pergaminho dobrado e me entregou. Eu peguei e o analisava quando Hermione questionou.
— Quem mandou entregar?
Hermione estava nitidamente desconfiada, fazendo Tracey rolar os olhos.
— Não é da sua conta Granger.
Eu que revirei os olhos assim que desdobrei o pergaminho e automaticamente reconheci a caligrafia sem sequer ler o que estava escrito.
— Relaxa Mione — a tranquilizei guardando o pergaminho no bolso — Valeu Tracey, Daphne.
Ambas concordaram com a cabeça não parecendo dispostas a ir embora.
— Estou curiosa Harry — falou Daphne se aproximando um pouco mais — O que minha irmã escreveu que não deixou nem eu ou Tracey ler?
Eu dei uma pequena risada.
— E vocês não abriram o pergaminho e leram antes de me entregar?
Ambas negaram com a cabeça.
— Ta enfeitiçado! — explicou Tracey — so a pessoa destinada conseguia desdobrar o pergaminho.
Que engenhoso.
— O que poderia ser tão urgente? — Perguntou Rony — Você ta nessa com os Sonserinos mesmo, certo cara?
Eu olhei para Rony meio confuso quando Malfoy lá do fundo gritou.
— Com os Sonserinos não! — afirmou ele — so com os traidores do sangue igual você Weasley.
O rosto de Rony ficou meio avermelhado no mesmo instante, mas a porta de Snape se abrindo acabou interrompendo a resposta provavelmente insultante de Rony.
— Todos para dentro, não quero saber o que estavam falando aqui fora.
Eu aposto que ele ouviu o que Draco falou, mas fazer o que ne?
Daphne me deu uma pequena piscadela antes de se direcionar para dentro da sala juntos dos outros Sonserinos. Eu suspirei enquanto quando finalmente voltei a caminhar junto da multidão em vermelho.
Eu me sentei no meio entre Rony e Hermione que me olhavam nitidamente com dúvidas em seus olhos. Disfarçadamente eu peguei a nota de Astoria do bolso e li por debaixo da mesa.
Bom dia, Harry.
Desculpa te mandar uma mensagem escrita, mas como você não veio aqui hoje e eu acho o envio de notas muito útil para fazer drama, acabei optando por esse meio.
So quero te deixar ciente de algo importante, pode ser so um boato, mas duvido fortemente disso.
A professora Umbridge ordenou que a Brigada Inquisitorial perseguisse você, Daphne ou qualquer outro ligado a você que esteja fora de seu devido salão comunal.
Ela está desconfiada que você tem tramado algo com base no seu estranho comportamento recente, você sabe: Ficar quieto sobre você-sabe-quem, andar com Sonserinos, usar o celebro, todas essas coisas que geralmente um bom grifinório não faz.
Isso deve ser algo extremamente recente, pois poucas pessoas estão comentando, ouvi somente o Draco falando sobre, então pode ser mentira ou exagero, mas notei dois alunos da Brigada Inquisitorial me seguindo até a enfermaria hoje. Claro, eles mantiveram uma distância enorme, mas não eram muito discretos.
Pode se tratar somente de uma paranoia minha já que ouvi o Malfoy falando sobre o assunto, mas ainda assim fica em alerta por favor.
Eu ainda não contei a Daphne, afinal não quero preocupá-la atoa, mas se for verdade logo ela irá notar, então fica ao seu critério avisá-la ou não.
Espero realmente que você esteja bem e que Malfoy tenha mentido so para se engrandecer, mas fica o aviso.
ASS: A garota cujo a ofensa você não tentará pronunciar.
Em alguns momentos eu revirei os olhos, mas no fim conseguir dar uma pequena risada.
— Tem pessoas seguindo você?
Perguntou Hermione aos sussurros. Acho que ela leu minha carta sem eu notar.
— É o que parece! — respondi dobrando o pergaminho e o colocando de volta no bolso. — Depois eu pego mais detalhes sobre isso com Astoria.
— Será que a outra garota, Daphne eu acho, não sabe sobre isso?
Eu dei os ombros.
— Não sei. — Afirmei um pouco pensativo — Acredito que não.
— Porque: A garota cujo a ofensa você não tentará pronunciar?
Eu dei uma pequena risada, mas a forte bufada de Snape me impediu de responder, já que esse barulho geralmente significava que a aula começou.
A aula do Snape até que foi tranquila comparado a algumas outras que já tive com o professor. Tirando alguns comentários maldosos vindo de Draco, nada de ruim aconteceu.
Daphne por estar lá no fundo da sala junto de Tracey, se tornou muito difícil eu ir falar com ela, principalmente com Snape me vigiando como um falcão faminto.
O fato é que como eu disse, enquanto estou na companhia de Hermione ou Rony, ela se mantem bastante afastada, e durante a aula se tornou impossível eu quebrar essa distância.
Quando a aula finalmente acabou eu tive que suspirar com Hermione arrumando suas coisas o mais rápido possível para evitar que eu saia primeiro da sala e desapareça pelo castelo. Esse não era o meu plano de qualquer maneira, então foi meio engraçado de ver embora eu esteja um pouco curioso sobre o desespero de ambos para falarem comigo.
Daphne saiu primeiro e deixou somente uma piscadela pra mim antes de ir embora. Eu suspirei sabendo que ela não tem o segundo horário livre nas sextas-feiras igual o pessoal da Grifinória.
Eu saí da sala de poções com Hermione e Rony quase grudados em mim como se me vigiassem. Acho que definitivamente devo estar meio escorregadio esse ano.
— Vocês vão almoçar?
Hermione negou com a cabeça.
— Vamos conversar primeiro. — respondeu ela — temos o segundo horário livre, podemos ir até a cozinha para almoçar a qualquer hora.
Rony parecia lamentar profundamente a decisão de Hermione, mas concordou com a cabeça fazendo eu dar os ombros e guiar meu caminho para a escadaria.
Anteriormente meu plano era mostrar pra eles a sala precisa, mas agora estou meio receoso. Afinal, é naquele lugar que geralmente ando ficando com Daphne. Será que eu realmente quero que Hermione e Rony saiba onde me procurar quando eu desaparecer?
Agora que pensei direito sobre o assunto a resposta parece meio obvia pra mim, mas eu concordo que realmente estou escondendo coisas demais de Rony ou Hermione e a desculpa que eles me abandonaram na rua dos Alfeneiros está parecendo uma justificativa idiota até mesmo dentro da minha cabeça, então acho que devo ir um pouco contra a logica e confiar um pouco nos meus amigos.
Com todos os pontos do meu cérebro me alertando que irei me arrepender, guia meus amigos até o sétimo andar do castelo, mas diferente do caminho que Rony e Hermione pensavam que eu estava traçando, assim que cheguei no sétimo andar me desviei do corredor da entrada para o salão comunal da Grifinória e caminhei para o corredor que até algumas semanas era completamente inútil pra mim.
Eu parei um momento e olhei para trás observando meus amigos se perguntando o que estavam fazendo naquela parte tão específica do sétimo andar, os ignorei e cacei nos meus bolsos até encontrar o mapa do Marato e já o abrir enquanto o liberava para todos verem.
— O que está fazendo Harry?
Perguntou Hermione nitidamente confusa.
— Verificando o que Astoria disse.
— O que quem disse?
Perguntou Rony fazendo eu revirar os olhos. O ignorei e foquei no mapa. Não existia ninguém por perto nesse momento, isso deve significar que estou seguro certo?
— Aqui Harry.
Falou Hermione apontando para dois nomes caminhando aleatoriamente pelo sétimo andar.
— Vaisey e Urquhart são dois Sonserinos e também membros da Brigada Inquisitorial.
— Acham que estavam me seguindo?
Hermione deu os ombros.
— Não dá para saber! Mas é fato que é muito estranho esses dois estarem no sétimo andar quando este todo mundo está indo almoçar.
Eu concordei com a cabeça notando que eles andavam aleatoriamente pelo sétimo andar. Ou acham que entramos no salão comunal da Grifinória, ou nos perderam de vista e estão nos procurando.
De qualquer forma neguei com a cabeça enquanto fechava o mapa e ouvia as reclamações de Rony.
— Do que vocês estão falando? Tem gente seguindo a gente?
Eu apenas concordei com a cabeça enquanto tirava o pergaminho com o regado de Astoria, desdobrava e entregava a Rony. Continuei caminhando enquanto ele lia, até que cheguei no ponto que considero o ideal para pedir a sala. Pedi por um lugar bom e aconchegante para ter uma conversa difícil, e quando Hermione parecia pronta para questionar o que estávamos fazendo ali, a grande e majestosa porta apareceu a deixando com o queixo levemente caído e gaguejando dúvidas que não conseguir entender. Rony ainda lia a nota e nem notou que estávamos entrando numa sala desconhecida por ele.
Quando entramos e eu notei no que a sala tinha se transformado tive que bufar. O lugar tinha se transformado numa réplica idêntica do salão comunal da Sonserina. Ótimo lugar para ter uma conversa difícil, mas como isso pode ser aconchegante?
De qualquer forma me sentei num pufe com Hermione talvez nem notando a sala que está.
— Que lugar é esse afinal Harry?
Perguntou ela assim que eu me sentei. Indiquei o pufe a minha frente antes de explicar, mas Rony terminou de ler e me devolveu a nota.
— Quem te mandou isso? — perguntou ele ainda sem notar a sala — a assinatura não diz muita coisa.
Somente agora ele olhou em volta e imediatamente me olhou meio desesperado.
— Harry, como viemos parar no salão comunal da Sonserina?
Hermione olhou meio confusa e eu dei uma pequena risada.
— Daphne e eu a chamamos de sala precisa — informei para ambos ainda sorrindo — se transforma exatamente no que você pedir lá no corredor.
— Anh? — perguntou Hermione finalmente se sentando — como isso faz sentido? Como encontraram esse lugar?...
— ... porque pediu pelo salão comunal da Sonserina?
Interrompeu Rony fazendo eu rir novamente da cara furiosa que Hermione o direcionou.
— Eu fiz um pedido vago e a sala entendeu como quis! Pedi um lugar aconchegante para se conversar e esse foi o resultado por algum motivo.
— Como sabe que esse é o dormitório da Sonserina?
Perguntou Hermione e Rony apontou para a enorme serpente que a casa carrega como símbolo pendurada na parede.
— E Harry e eu invadimos o dormitório deles no segundo ano, não se lembra?
Hermione suspirou enquanto Rony se sentava num pufe ao meu lado formando uma pequena rodinha entre nós.
— Eu tento esquecer esse ano em específico.
"É compreensível." Pensei logo antes deles começaram a me encher de perguntas.
— Quem é a pessoa que te escreveu a nota? É confiável? Temos mesmo pessoas nos seguindo?
A pergunta de Rony foi sensata pelo incrível que pareça.
— É extremante confiável sim, mas como você viu, ela não deu certeza de que isso seja verdade. Por hora sem desespero, so vamos ficar espertos principalmente quando estivermos fazendo algo que Dolores desaprovaria.
— Tipo conversar numa sala secreta que se transforma em qualquer coisa que você pedir?
Eu concordei com a cabeça expondo um pequeno sorriso.
— Por isso olhei o mapa antes de chagar no corredor que a porta se materializa. Queria ter certeza de que ninguém além de nos saberá dessa sala.
Hermione negou com a cabeça.
— Pressinto que alguém além de nós já sabe.
Afirmou ela fazendo Rony olhar meio confuso.
— Você ta certa, Daphne também sabe! Descobri esse lugar com ela, então seria impossível ela não saber.
Hermione suspirou profundamente ato que me preocupa um pouco.
— Harry, o que exatamente está rolando entre vocês dois?
Eu franzi levemente a testa não querendo falar muito sobre isso.
— Somos amigos! — afirmei rendendo uma cara de descrença enorme em Hermione — Mas acredito que vocês não grudaram em mim a manhã inteira para perguntar o que rola entre Daphne e eu.
Rony nitidamente queria continuar na conversa sobre Daphne, mas Hermione foi mais rápida confirmando com a cabeça e respondendo.
— Você ta certo! E imagino que você saiba muito bem o que queríamos falar com você.
Eu neguei com a cabeça bruscamente.
— Eu tenho um ou outro palpite de assuntos que acho que vocês iriam querer falar comigo, mas nenhum exige esse imediatismo. Então, não tenho ideia.
Hermione rolou os olhos, mas Rony foi quem respondeu.
— Qual é cara, não se faça de besta! Você sabe que faltou na primeira reunião da armada na quinta passada. Era muito importante e reuniu muitos alunos.
Eu olhei para Hermione meio confuso.
— Achei que tinha dito para você que eu estava fora.
— É, mas eu pensei que você mudaria de ideia a pensar melhor.
Eu bufei levemente irritado.
— Se eu tivesse mudado de ideia teria falado com você.
Rony negou com a cabeça parecendo meio perdido.
— Por que você não quer participar cara?
— Simples, porque não vejo como ou o que eu estaria ensinando para dezenas de alunos. Eu realmente consigo ver que sou um bom aluno em defesa contra as artes das trevas, mas isso acaba ai! Não quero reprisar a conversa que tive com Hermione.
— É, Hermione me contou! Pela aquela conversa que você teve com ela, presumimos que você está meio ressentido com todos no castelo, incluindo a gente.
Eu neguei com a cabeça novamente.
— Não estou ressentido com ninguém, so não me vejo como um professor! Sou um aluno, que a propósito precisa muito de um professor decente nessa matéria, então se encontrarem alguém para dar as aulas eu assino meu nome no pergaminho amaldiçoado.
Rony deu uma discreta risada com meu comentário, mas Hermione expos sua cara zangada fazendo eu me concentrar novamente.
— Precisamos da sua experiencia Harry! Como eu disse, ninguém nesse castelo é mais qualificado que você.
— Minhas experiencias são traumatizantes pela quantidade de perigo que enfrentei em cada uma delas. Não quero preparar ninguém para isso porque não quero que ninguém passe por isso.
Rony bateu levemente em meu ombro como apoio antes de me responder.
— É cara, ninguém aqui quer isso! Mas nos três sabemos que eles podem ser obrigados a enfrentar situados semelhantes, nesse caso é melhor que saibam o que fazer. É muito melhor saber e não usar do que precisar e não saber.
Isso até que é razoável! Me impressiona ter vindo do Rony.
— Vamos fazer assim, quando é a próxima reunião?
Ambos negaram com a cabeça.
— Não marcamos ainda, ficamos de conversar com você novamente sobre o assunto.
— Certo, me dê alguns dias, eu irei pensar sobre o assunto.
— Quando podemos te perseguir novamente para perguntar sobre isso?
Eu rolei os olhos com a insistência.
— Hoje é sexta-feira, me dê o final de semana, a gente volta nesse assunto no início da semana que vem.
Ambos concordaram com a cabeça e Hermione acrescentou.
— So pensa com carinho Harry, realmente estamos precisando.
Eu suspirei concordando com a cabeça, então Rony conseguiu fazer o silencio dramático por exatamente 3 segundo antes de voltar a falar com mil perguntas que estava guardando.
— Harry, como exatamente achou esse lugar? Você disse que você e a garota da Sonserina que encontraram, repetindo a pergunta de Hermione, o que rola entre vocês? Como exatamente isso começou? E quem exatamente te mandou aquela nota? É garota amaldiçoada que Hermione disse?
Eu olhei feio para Hermione que sorriu meio constrangida.
— Eu disse que a escola estava dizendo Ronald — explicou ela antes de voltar a olhar pra mim — não foi isso que eu quis dizer a ele Harry.
Eu rolei os olhos determinado a responder todas aquelas perguntas da forma mais rasa que eu conseguir.
— Como eu disse para Hermione, Daphne e eu somos amigos, encontramos essa sala por acaso enquanto íamos para a torre de astronomia, conheci Daphne por intermédio de Astoria que conheci na enfermaria quando fui enfaixar isso — mostrei meu machucado na mão — e Astoria não é amaldiçoada muito menos contagiosa como sei que Hermione também contou.
Rony pareceu notar que pisou num calo sensível e que pode ter ferrado Hermione, pois resolveu não insistir em Daphne ou Astoria e partiu para a única saída em minha declaração.
— Vocês estavam indo para torre de astronomia? Pra que?
Eu desarmei um pouco minhas defesas visto que ele se esquivou dos assuntos que não quero comentar.
— Daphne gosta muito de astronomia! Por isso eu sabia que teve chuva de meteoros ontem à noite. A garota que vocês pegaram descendo se chama Camilla, ela gosta de astronomia também.
Hermione me olhou meio confusa.
— Quem mais estava na torre ontem após o toque de recolher?
Eu franzi um pouco meus lábios enquanto me recordava.
— Estava Daphne, eu, a Camilla da Corvinal, Annabel Entwhistle da Lufa-lufa e seu amigo Nicola que não vou lembrar o sobrenome, mas ele também era da Lufa-lufa. Acho que eles são os únicos da escola que gostam de astronomia num nível normal.
Embora a surpresa de Hermione por tudo isso não conseguiu evitar questionar esse final.
— O que quer dizer com isso?
— Quero dizer que eles conseguem se arriscar para assistir uma chuva de meteoros uma hora após o toque de recolher, mas somente uma pessoa entre eles sairia do dormitório no meio da madrugada para ver Vênus e Antares que estavam visíveis.
Hermione me analisou pensativa.
— Acredito que estamos falando da garota da Sonserina que você inesperadamente se aproximou?
Eu revirei os olhos antes de responder.
— Sim, Daphne é meio apaixonada por astronomia. Esse exemplo que usei é porque encontrei seu nome no mapa as 4 e meia da manhã na torre de astronomia, e quando a questionei sobre o assunto ela explicou que esses dois astros estavam visíveis.
— Harry, tem certeza de que não está se apegando demais?
Eu olhei meio confuso para Hermione.
— Explica Hermione.
Ela suspirou.
— Harry, acredito que todo mundo saiba seu completo desinteresse por astronomia, você sair do seu dormitório as 4 da manhã não foi por causa das estrelas ou planetas, foi por causa dessa garota. Assim como você não estava na torre de astronomia ontem por causa da chuva de meteoros, você estava lá porque possivelmente ela te convidou. Também acho que agora que descobrimos essa sala, sabemos onde você anda se escondendo quando some a semana inteira, ou melhor... acho que sei com quem você ta se escondendo.
— Onde quer chegar Hermione?
Ignorando minha intromissão ela continuou.
— Eu entendo que você gosta dela e não tenho ideia o tipo de relação que vocês tem, visto que conheço você o suficiente para saber que se for qualquer coisa além de amizade você mentiria. Eu não estou querendo dizer que ela não é confiável, isso eu acredito que você mesmo já tenha julgado. Mas peço que tome cuidado dependendo do tipo de relacionamento que você tem com ela, afinal o lance das maldiçoes não foi a única coisa que li sobre a família dela. Apoiaram abertamente você-sabe-quem durante a primeira guerra e nenhum deles foram punidos. Considerando que nenhum deles pediram ajuda de Dumbledore assim se tornando membros da ordem, nos leva a crer que voltaram a suas ideologias antigas, o que não poderia ser mais contra a sua pessoa em específico. Estou dizendo para você tomar cuidado não so com sua segurança, mas também com a dela. Você já imaginou o estrago que você pode causar se o ministério descobrir que você anda tendo qualquer relação com a herdeira de uma das famílias que você acusa está envolvida na suposta fraude do retorno de você-sabe-quem? Eles publicariam a matéria mais caluniosa e exagerada do mundo, mas talvez os pais dela que provavelmente sabe a verdade sobre você-sabe-quem podem acreditar que sua filha esta envolvida numa relação com ninguém menos que Harry Potter.
Hermione não tem ideia de quantas vezes esse cenário passou por minha cabeça, mas Rony deu uma pequena risada.
— Qual é Hermione, não exagera! Mesmo que saia no jornal algo parecido e a família dessa garota realmente estiver envolvida com você-sabe-quem, não acontecera nada! Pois essa gente sabe que Fudge é uma fraude. Qualquer matéria envolvendo o nome Harry Potter é lixo completo para qualquer pessoa com mais de dois neurônios.
Hermione concordou com a cabeça.
— Os seguidores de você-sabe-quem sabem que toda mentira tem um dedinho de verdade, então podem sim cobrar os Greengrass se algo realmente acontecer.
Eu finalmente rolei os olhos e resolvi interromper.
— Gente, chega. — falei atraindo o olhar de ambos — Daphne e eu so somos amigos Hermione. Não tem com o que se preocupar e eu sei que a família dela pode estar envolvida com coisas estranhas, isso não me incomoda, pois nunca sai para conversar com o pai dela e não vejo nenhum possível cenário que tornaria isso necessário, então acho que estou seguro. E sobre a segurança dela, eu já tive essa mesma conversa com ela ressaltando a maioria desses pontos que você levantou, e a própria me tranquilizou sobre sua família e sua segurança mesmo que um jornal seja publicado ou que Draco Malfoy mande uma carta para seus pais.
Hermione franziu levemente a testa.
— Então realmente são comensais da morte?
Eu dei os ombros.
— É possível, mas não é como se Daphne e eu conversamos muito sobre o pai dela.
Rony riu embora a cara seria de Hermione.
— E sobre o que vocês conversam? Estrelas? Parece romântico!
Eu rolei os olhos embora ele esteja um pouco certo.
— Somos amigos! Temos conversas aleatórias, nada de tema definido.
— Sei — falou Hermione com os olhos meio estreitos — Então logo iremos nos acostumar com a presença de sua nova amiga da Sonserina? E a mais nova? Ainda fala com ela?
Eu confirmei com a cabeça.
— Sim para todas as suas perguntas. Daphne tem um pouco de receio de vocês dois, mas não vejo motivos de deixar de falar com ela quando vocês estiverem por perto ou deixar de falar com você quando ela estiver por perto. E sim, ainda falo todos os dias com Astoria.
— Harry, você tem certeza que...
— Tenho hHermione — respondi ficando irritado novamente — e desencana desse assunto.
Ela confirmou com a cabeça e mesmo que eu esperasse um Rony confuso, ele pareceu entender o que Hermione ia dizer e o porquê eu a cortei.
— Então pessoal, se for so isso eu ficaria feliz em ir almoçar agora.
Rony pareceu receber um presente com minha fala, mas Hermione tinha um último questionamento a fazer.
— Uma última coisa Harry — ela se ajeitou no bufe me fazendo prestar mais atenção no que ela irá falar — Você tem se afastado de nós porque tem se aproximado dessas garotas da Sonserina?
Hermione está com ciúmes? Acho que não! É até justo o questionamento dela, já que realmente estou mais afastado nesse momento e estranhamente próximo de Daphne.
— Relaxa Mione, não estou trocando vocês por ninguém! — respondi tentando meu tom tranquilizador — Vocês são meus primeiros amigos e insubstituíveis! Eu sei que ando meio afastado, mas não é por causa de você, é mais por causa de toda aquela situação do ano passado e mais o lance do castelo inteiro me odiando e tudo mais. No começo eu meio que sentir que deveria me isolar, mas isso está passando cada vez mais. talvez eu so precise ir a Hogsmeade da próxima vez e tomar um pouco de cerveja amanteigada para relaxar.
Pelo incrível que pareça os dois riram.
— Você parece muito bem cara, principalmente quando comparamos com os primeiros dias que chegamos por aqui. Tem certeza essa melhora em seu estado de espírito não tem nada a ver com a garota que você perguntava constantemente no começo do ano?
O tom de Rony era cômico o suficiente para me fazer abrir um sorriso enquanto me levantava.
— Eu perguntei uma vez sobre ela! uma!
Ambos riram e começaram a caminhar na direção da saída.
— Olha para essa sala Harry, acho que existe um motivo para ter se transformado no salão comunal da Sonserina.
Ressaltou Hermione me fazendo revirar os olhos, mas mantive meu sorriso.
— Muito engraçado, os dois já terminaram?
— A gente te avisa quando começarmos a te zoar de verdade.
Brincou ele me fazendo bufar, mas feliz que estamos bem apesar de tudo.
