Capítulo 8: O pedido de madame Pomfrey
Eu estava no que parece ser uma pequena e modesta casa trouxa. Eu falo modesta para evitar a palavra destruída, com roupas e moveis espalhados por toda parte.
Eu estava sentado num balcão que parecia ser o único lugar da casa que não era um desastre, com diversas garrafas organizadas uma do lado da outra.
Eu tinha uma em minha mão e de tempos em tempos a levava a boca. Na verdade, embora eu não saiba muito bem o porquê, sei que já estou um pouco alterado, mas isso não é tudo. Inesperadamente eu cacei em minha meia e recolhi um espelho quebrado, mas dava para ver meu reflexo nesse exato momento. Algo minha cara ia além da embriaguez, continha muita coisa além disso em meu semblante.
— Harry?
Assim que ouvir a voz calma e tranquila atras de mim, virei meu rosto para completar uma Daphne que pela cara e o pijama que vestia, acaba de acordar.
— O que se ta fazendo?
Eu neguei com a cabeça enquanto retornava a olhar para frente e erguia a garrafa como resposta à sua pergunta.
— Esquecendo toda essa merda.
Ela lentamente se sentou ao meu lado e pegou uma garrafa.
— É madrugada Harry! Um momento estranho para roubar todo o álcool desses trouxas.
Eu dei uma pequena risada vendo-a abrir uma garrafa do que parece ser uma cerveja.
— Não é somente uma madrugada, não faz muito tempo que era meia noite, ou mais precisamente: Natal.
Ela rio enquanto finalmente levava a garrafa a boca nem se importando com copos.
— Meus natais não foram exatamente agradáveis, então não guardo grande apreso por esse feriado.
Eu suspirei enquanto levava novamente a garrafa de seja lá o que for até minha boca.
— Eu devo admitir que não tive os melhores momentos da minha vida nessa data também, mas ainda assim gosto do que ela tenta representar.
Daphne confirmou com a cabeça lentamente e tristemente.
— Família, união, compaixão e compreensão. Consigo ver o porquê você gosta da data, mas atualmente é difícil encontrar uma pessoa que tenha todas essas coisas funcionando sem que seja um babaca.
Infelizmente ela está certa.
— E isso que eu quero mudar! Não sei quanto tempo mais eu aguento.
Ela negou com a cabeça suspirando.
— Sabe Harry... hoje tivemos mais uma constatação da roubada que estamos envolvidos. Temos que somente invadir o cofre de Bellatrix Lestrange, uma das bruxas mais perigosas do planeta. Isso sem contar que invadir qualquer cofre do Gringotes já é considerado impossível, já que sabemos o tipo de proteção que existe ali, mas sabemos que o banco não é considerável inviolável atoa. Eu sei que amanhã começaremos a planejar a missão mais suicida da história, mas ainda assim não consigo focar nisso. Não consigo realmente fazer isso tirar meus sonhos ou me causar pesadelos, você-sabe-quem não atormenta meus sonhos ou meu subconsciente.
— E o que te fez acorda as — olhei meu relógio de pulso — 01h12?
— Lilian — respondeu ela me fazendo respirar fundo antes de dar mais uma golada — o fato da minha filha está longe de mim me machuca por dentro. E se tia Luíza não estiver cuidando dela? É uma mulher velha, e Lilian sempre foi quietinha, e se minha tia esquecer de alimentá-la? E se Lilian inventar de querer chorar na hora errada? Isso sem contar o tempo que estou perdendo. Sei que não tenho uma vida longa e prospera, provavelmente morremos nos próximos meses. Talvez na invasão, talvez de fome, talvez como consequência de uma captura, as possibilidades são infinitas. Então exatamente pela consciência que não tenho muito tempo a perder, queria poder passar tal tempo com ela. — Daphne soluçou silenciosamente me fazendo a olhar preocupado, mas ela se recuperou no mesmo instante e concluiu — Bom, pelo menos assim podemos ter a certeza de que ela não se lembrara dos últimos momentos lamentáveis da vida de seus pais.
— E se pudéssemos mudar isso? — ela ergueu uma sobrancelha e eu me virei completamente para ela — E se largássemos toda essa merda? Enterramos a horcrux que carregamos, pegamos Lilian com sua tia e fugimos para bem longe?
Eu consigo entender o que a cara que Daphne fez significava, e não é positivo! Ta mais para pena, pois sabe o quanto eu queria que isso fosse possível, mas também sabe os furos da ideia.
— Para onde iriamos?
— Para qualquer lugar. América, asia, ou até mesmo algum país distante aqui na Europa.
Daphne bebeu novamente sua bebida e relaxou seus ombros.
— E ouro? Como viveríamos nesse lugar que fugiríamos?
Eu neguei com a cabeça convicto.
— Não precisamos disso! Podemos viver no estilo trouxa, arrumo um emprego normal e vivemos uma vida normal.
— Sabe que isso não funcionaria.
— Por que não?
Daphne olhou para mim tristemente antes de explicar.
— Harry, tirando a vida entre os trouxas, você ta me sugerindo uma releitura da história dos seus pais — afirmou ela me fazendo abaixar a cabeça — Ele viria atras da gente! Na américa, na asia e até no mais isolado país da Europa. Enquanto ele viver, Lilian não estará segura ao nosso lado, logo não viveremos em paz com nossa filha.
Eu suspirei deixando um pouco a tristeza me preencher.
— Acho que você está certa! Mas saber que estamos fugidos e que não tem soluções para resolver o problema é agonizante. Eu quero ir ver minha filha!
Daphne concordou com a cabeça.
— Temos soluções! Elas aparecerem aos poucos e geralmente são difíceis, mas ainda estamos vivos não estamos? Já encontramos uma horcrux, sabemos onde está a outra, temos um norte! Ele cairá antes que perdemos mais um Natal com nossa filha.
Dito isso eu esperava Daphne me abraçar, como eu imagino que tenha acontecido, mas num momento antes eu despertei num que parece ser um corredor aleatório de Hogwarts.
Eu esfreguei meus olhos para ter certeza se estou realmente acordado, então me levantei segurando nas paredes e me perguntando o porque eu acordei no meio do corredor.
Antes de conseguir pensar numa resposta a essa pergunta, meu celebro detectou uma nova informação que pode ser relevante. Eu não conheço esse corredor. Parece com os dos corredores de Hogwarts, mas não conheço esse.
Estava um pouco escuro, mas dava para enxergar as paredes extremamente bem cuidadas.
Ainda enquanto eu analisava, o som de passos justamente com um soluço de uma garota atingiu meus ouvidos fazendo eu olhar na direção institivamente, mas a única coisa que vi foi um rastro de uma pessoa que passou rapidamente pelo outro corredor.
Sem pensar muito eu seguir o rastro dessa pessoa, e assim que virei na mesma direção dela a vi de longe correr ate uma sala no final e desaparecer por ela.
A pessoa que vi era levemente baixinha, talvez uma criança, mas parecia chorar e querer se esconder.
Eu caminhei lentamente já prevendo quem é a menina. Pela baixa estatura e cor de cabelo que vi de relance, provavelmente é a mesma menina que vi a algumas visões atrás.
Eu bati na porta, mas tinha algo errado...
Olhei para trás a procura de alguém me olhando, mas não encontrei ninguém. Eu me sinto estranho. É como se algo dentro da minha cabeça me alertasse que algo de ruim esta para acontecer. Ou que eu não sou bem-vindo ali, como um invasor.
Tentando ignorar esse sentimento estranho e repentino, bati na porta três vezes. Como esperado, ninguém abriu e nenhum barulho pode ser ouvido.
Girei a maçaneta lentamente e a porta se abriu. Eu imaginava uma sala de aula, um banheiro, um armário de vassouras ou qualquer outra coisa semelhante que encontramos pelos corredores de Hogwarts, mas o que encontrei do outro lado da porta era uma escada de madeira que levava a um andar inferior bem escuro.
Bastante receoso eu ia me encaminhando para descer as escadas que mais pareciam um alçapão, mas tudo desapareceu assim que botei meu primeiro pé num degrau. Eu cai durante alguns segundo tentando gritar, mas nada acontecia, até que simplesmente atingir o gramada de Hogwarts, mas agora o sol brilhava intensamente. Eu olhei ao redor e estava completamente vazio. Era até desconfortante, uma sensação de solidão me aflorava.
Me levantei ainda meio assustado e caminhei enquanto chamava por alguém, mas o silencio era a única coisa que eu ouvia.
Mas isso não duraria muito. Meu plano era subir para o castelo e ver se encontro alguém por lá, mas no caminho a beirada do lago negro se tornou visível, a lá estava a tal garota baixinha que vi a pouco correndo pelos corredores.
Suspirando me aproximei lentamente. Eu não sei porque, mas tenho um certo receio de descobrir o que significa tudo isso.
Quando eu me aproximei o bastante conseguir ouvir os pequenos soluços da garota. Ela segurava o que parece ser um pedaço de jornal contra o peito e também abraçava as próprias pernas enquanto chorava.
— Ei garota.
Chamei assim que me aproximei, mas ela não parecia me ouvir. Então dei mais uns passos adiante e a chamei novamente, mas ela continuou sem me escultar. Então fiquei em pé ao seu lado e toquei gentilmente em seu ombro para chamar sua atenção.
A reação da menina foi inesperada. Eu pensei que ela estava me ignorando, mas pelo visto ela não estava me ouvindo mesmo, pois assim que a toquei ela pulou para o lado alarmada e levantou sua cabeça para ver quem era, assim fazendo eu ver seu rosto também.
Não tem dúvida, é a mesma garota que vi anteriormente, mas agora parece estar um pouco mais velha. Uns 11 ou 12 anos. Ela era literalmente uma cópia miúda de Daphne, isso é inegável, principalmente por conta do cabelo.
Seu susto se tornou espanto assim que me viu, mas após alguns segundos me olhando seu rosto foi se tranquilizando e ela suspirando abrindo um pequeno sorriso.
— É bom te ver papai.
Nisso eu que arregalei os olhos, e talvez notando que eu posso esculta dessa vez, ela pulou do chão e me abraçou pelas pernas desesperadamente.
— Ei, ei, calma.
Mas ela não parecia me ouvir, continuava ali me abraçando, até que ergueu a cabeça ainda apertando minhas pernas e com lagrimas em seus olhos.
— Agora eu que não posso te ouvir pai.
Falou ela apontando para os próprios ouvidos, mas sorrindo.
— Você está no meu sonho, então sua presença aqui é quase hipotética. Você está aqui ao mesmo tempo que não está, então sempre vai ter alguma coisa faltando. Mas já que estou sonhando, é bom poder abraçar meu pai pela primeira vez.
Eu não sei por que, mas embora surpreso não conseguir evitar que engoli em seco e abraçar a garota de volta. Ainda me abraçando ela ergueu novamente a cabeça e disse com a voz chorosa.
— Não se assuste pai, mas esse aqui é meu subconsciente. Algumas visitas suas, algumas visitas da mamãe, o resto do tempo estou sozinha. Tanto aqui quanto no mundo real. — embora a frase seu sorriso era cativante e sincero — Você já deve desaparecer papai, da um abraço na mãe quando você encontrar com ela. E não confie cegamente neles. Você não irá ter tempo de se arrepender, mas a mãe vai ter.
Dito isso eu não ia resistir a tentar perguntar mesmo sabendo que ela não me ouviria, mas assim que ela encerrou a frase um vento me puxou para longe como se esperasse ela terminar de falar. Eu fui arrancado de seus braços numa velocidade mais alta que minha Firebolt.
Enquanto o vento me levava para longe, conseguir observar uma última fez a garota sorrindo pra mim com suas bochechas brilhando por conta das lagrimas. Ela acenava com a mão em despedida, mas eu sinto que de alguma forma irei acabar voltando a vela.
Eu acordei sentindo a cama abaixo de mim girar como numa montanha russa.
Demorou bastante para que eu entendesse que eu finalmente estava acordado e em meu dormitório.
Claro, todo mundo já acordou e provavelmente eu devo ter perdido o café novamente, mas pelo menos estou acordado.
Me sentei ainda com dificuldade. Minha cabeça doía um pouco, mas a sensação de tontura pareceu diminuir consideravelmente enquanto eu ia de fato acordando.
Levei minha mão a testa me fazendo a pergunta que mais estou acostumado a fazer assim que acordo. " O que diabos foi aquilo?" Está nítido pra mim que aquela é Lilian, minha futura filha com Daphne de acordo com todos os sonhos. Mas porque estou tendo visões com ela? por que me parece que ela é a responsável por tudo isso? Nada faz sentido. E o que foi aquele final? "Não confie neles " ela falava de quem exatamente? Rony e Hermione? Em Dumbledore ou na ordem? Em Sirius? Na real a resposta pode ser qualquer uma dessas alternativas, ou pior: todas elas.
Eu finamente me levantei balançando a cabeça em negação. Independentemente de quem a garota seja ou como está fazendo isso, não posso ficar paranoico agora.
eu não demorei muito para ir até o banheiro e fazer minha higiene padrão, então me vestir ainda sem muito animo e desci com intenção de arrumar alguma coisa para comer.
Hoje é sábado, mas não qualquer sábado, e sim o que ficou combinado deu finalmente dar uma resposta a Hermione e Rony sobre o tal grupinho privado deles.
Claro, eles têm muitos pontos sobre a Umbridge e também sobre o método patéticos de ensino dela, mas ainda não consigo ver o sentido de me tornar professor de todo mundo. Sei que tenho um certo talento nessa área, mas sou so um quinto ano. Não seria dezenas de vezes mais inteligente pegar um prodígio na área que está no último ano? Ele terá o conhecimento de muitos conceitos e feitiços que eu sequer ouvir falar.
Mas independentemente da falta de logica da ideia na minha opinião, o prazo acaba hoje. Hoje eu tenho que dar uma resposta final sobre esse assunto.
Acho melhor deixar o Harry do futuro tomar tais decisões. por hora acho que será melhor so comer alguma coisa e depois passar na enfermaria e tentar um remédio para dor de cabeça.
Felizmente tinha poucos alunos no caminho até a cozinha, mas os pouco que encontrei me olharam com sorrisos idiotas na cara. Tenho me mantido afastado de qualquer problema e isso por si so está se tornando um problema.
Muitas pessoas acham que meu silencio é ensurdecedor. É como se eu estivesse confirmando que menti sobre o retorno de Voldemort simplesmente porque não estou reafirmando isso toda vez que Umbridge me provoca.
Para ser sincero eu não sei o irei fazer sobre esse assunto, mas minha mente continua fixa numa ideia que meus amigos consideram absurda. " Eles que se fodam" Eu literalmente estou cagando se alguém acredita em mim ou não, se está com raiva ou não, e o mais questionável: Não me importo se Voldemort irá conseguir pegar o mundo bruxo inteiro desprevenido. "Eles que se fodam"
É, vai ver eu realmente tenho um pouco de Sonserina dentro de mim.
foi com isso em mente que passei pelo quadro que levava a cozinha e encontrei a última pessoa que imaginava encontrar por ali.
— Ast? o que está fazendo aqui?
O rosto da garota se iluminou num sorriso assim que olhou na minha direção e notou minha presença
— Você acha que cobras não comem?
eu retribuir o sorriso enquanto me aproximava lentamente e vi os vários elfos andando pra lá e pra cá.
— Não sabia que você comia aqui.
ela negou com a cabeça.
— Geralmente não como! É que eu meio que estou fugindo da Daphne.
eu dei uma pequena risada enquanto me sentava ao seu lado e a observava comer o que parece ser uma bolacha redondinha.
— Por que está se escondendo de Daphne? O que você fez?
— Você é um dedo duro Harry — comentou ela rindo e negando com a cabeça — Contou para ela ontem que eu te contei sobre os membros da armada seguindo vocês. ela está furiosa que eu não levei essa informação diretamente a ela.
eu neguei com a cabeça rindo enquanto desviava meu olhar para um dos elfos passando.
— Ei. — Chamei por um que se aproximou no mesmo instante — pode me trazer um pouco de suco de abóbora?
Ele confirmou com a cabeça bruscamente e partiu rápido dali. Aproveitando o tempo roubei uma das bolachas no prato a frente de Astoria que me olhou feio.
— Eu tinha que contar uma hora que estávamos sendo seguidos. aliás eu nem te agradeci pela informação.
nisso mordi a pequena bolacha em minha mão e abrir um grande sorriso enquanto pegava mais uma.
— O que é isso aqui que eu estou comendo?
ela bufou enquanto retirava o prato do meu alcance.
— Minhas bolachas escocesas.
exclamou ela me fazendo rir da atitude.
— Pega leve Ast. Tive uma noite difícil.
ela suspirou antes de trazer novamente o prato para perto como um convite para eu pegar mais uma bolacha.
— Como foi a tal noite difícil?
eu peguei uma das tais bolachas escocesas e levei a boca rapidamente.
— Sou uma pessoa complicada. Tenho pesadelos.
ela deu uma pequena risada enquanto também comia.
— Quem diria que o garoto que sobreviveu tem problemas com pesadelos.
— Eu não diria que tenho probl... — nesse momento senti alguma coisa puxando levemente minha capa e quando olhei era o mesmo elfo de antes trazendo o copo de suco que eu pedi — Obrigado.
falei enquanto pegava e o elfo confirmou com a cabeça feliz.
— Como eu dizia... Não tenho problema com pesadelos, mas vou estar mentido se eu falasse que quando eles aparecem são tranquilos.
Ela rio enquanto negava com a cabeça.
— Você acaba de definir o que é ter problema com alguma coisa.
eu neguei com a cabeça também rindo e bebendo o suco lentamente.
— Então a senhora está fugindo de Daphne? Você sabe que ela sabe sobre a passagem secreta para chegar aqui ne?
Astoria confirmou com a cabeça.
— Sabe, mas não vai me procurar agora. Ela pensa que vai me pegar no dormitório.
Eu so pude dar risada ao tom misterioso usado por Astoria.
Astoria e eu passamos mais alguns minutos conversando enquanto comemos as tais bolachas escocesas.
Ela me contou detalhadamente seus dias nas últimas semanas, já que já faz alguns dias que não estou conseguindo ir até a enfermaria pelas manhãs.
Mesmo após terminarmos de comer, ela não queria deixar a cozinha, dizendo que não tinha muito para onde ir e queria evitar o salão comunal da Sonserina. Com muito esforço a convenci a abandonar a cozinha e me acompanhar até a enfermaria para buscar aquele remédio que eu queria anteriormente.
Ela não parecia muito empolgada para ir até a enfermaria, mas aceitou meio que na marra.
O caminho foi tranquilo, comigo mantendo a conversa simplesmente me interessando pelas histórias de Astoria.
Em diversos momentos, sinto que ela parece ansiar por alguém que simplesmente a esculte sobre seu dia. Na real não é a primeira vez que tenho essa impressão com Astoria. aparentemente todo o ciclo de pessoas próximas da garota se resumi a mim e a Daphne. antes de mim, aparentemente so a Daphne.
— Isso é incomum — comentou madame Pomfrey assim que entramos na ala hospitalar — Geralmente é uma briga para você vim aqui uma vez no dia, quem dirá duas.
Astoria rio enquanto negava com a cabeça.
— Vim so acompanhar o Harry. Ele anda com dores na cabeça diariamente.
eu revirei os olhos para Astoria que riu.
— Não exagera Ast. — então olhei para madame Pomfrey— So estou com um pouco de dor na cabeça. Noite mal dormida. teria alguma coisa para me recomendar?
ela suspirou profundamente, mas concordou com a cabeça.
— Tenho uma poção que pode ajudar, mas para resolver mesmo o problema so uma boa noite de sono.
eu apenas concordei com a cabeça e ela foi até uma prateleira no fundo.
— E você Astoria, vai fugir de seus exames até quando?
perguntou madame p Pomfrey ainda de costas para nós. Eu olhei para Astoria erguendo uma sobrancelha e notei o rosto da garota ficar levemente avermelhado.
— Não estou fugindo de nada.
madame Pomfrey bufou enquanto se virava já com um vidrinho.
— Não entendo por que você resiste tanto a isso. Todo ano tenho que mandar uma carta aos seus pais.
eu peguei o frasquinho, mas ainda olhava para Astoria que agora já tinha seu rosto inteiro vermelho.
— Harry está aqui, será que podemos conversar sobre isso depois?
eu não disse nada, mas madame Pomfrey viu essa frase com uma oportunidade.
— Quem sabe ele consegue botar um pouco de juízo na sua cabeça.
— Mande uma carta para meus pais se quiser. Harry não tem a obrigação de lidar com meus problemas.
— Gente, do que vocês estão falando?
perguntei finalmente me metendo. Astoria negou com a cabeça, mas madame Pomfrey foi mais rápida.
— Astoria tem alguns exames para fazer. É rotina, ela tem que fazer todo ano, mas se recusa ano após ano.
O rosto de Astoria já estava da mesma cor que os cabelos dos Weasley quando simplesmente negou com a cabeça e foi embora a passos largos me deixando pra trás.
— Converse com ela! — exclamou madame Pomfrey assim que viu a menina sair da sala — Não sei o quanto você sabe sobre o estado dela, mas basta saber que esses exames mostram a situação atual das coisas. A chance é remota, mas existe sim a possibilidade de não existir mais problema nenhum.
eu confirmei com a cabeça enquanto finalmente bebia o conteúdo do frasquinho e agradecia com um sorriso.
— Até mais madame Pomfrey.
ela confirmou com a cabeça e eu fui embora da enfermaria.
Minha intenção é rapidamente procurar por Astoria. Devo admitir que estou confuso com tudo que foi contato. Se os tais exames vão mostrar seu estado e existe a possibilidade de ela estar curada, porque tanta resistência a fazê-los? será que esses exames a machucam? seja como for acho que Astoria não está evitando Daphne por conta que eu a dedurei ontem.
Como eu não tinha ideia de onde Astoria tinha ido, eu caminhei até o sétimo andar afim de pegar o mapa do maroto que deixei no dormitório, vê aonde ela se escondeu e ir falar com ela.
Eu trago o mapa comigo todos os dias, no único que eu realmente precisei ele não se encontrava no meu bolso. Coisas que parece so acontecer comigo.
caminhei a passos largos até o sétimo andar, e chegando lá no meio de alguns alunos de vermelho, uma com cabelos loiros se destacou com seu uniforme verde. Alguns grifinórios a olhavam estranhando sua presença ali num sábado, mas eu sei exatamente o motivo de sua presença, já que ela está no corredor que é caminho para a sala precisa.
— Você está atrasado.
falou ela com um sorriso sarcástico no rosto.
— Foi mal Daph, eu esqueci completamente, mas dessa vez tenho motivo.
Daphne me olhou meio curiosa após eu dizer isso.
— Que seria?
— Vem comigo.
falei pegando em sua mão gentilmente e logo na sequência a puxando na direção do quadro da mulher gorda. Ela sorriu ao meu toque, mas se espantou a ser quase arrastada na talvez última direção que imaginava.
quando eu disse a senha e o quadro se abriu, ela me puxou de volta e travou o pé no chão me impedindo de continuar a caminhar.
— Harry, ta doido? Não posso entrar aí.
eu a olhei erguendo uma sobrancelha.
— Tem uma regra que proibi alunos de outras casas entrar no salão comunal da Grifinória?
Daphne negou com a cabeça, mas expos novamente um sorriso irônico, deixando claro o porquê ela não quer entrar ali.
— Você pode me esperar aqui se quiser, não vou demorar! Mas você poderia entrar comigo , ninguém iria falar nada por tanto que alguém da Grifinória estiver junto com você.
Daphne deu uma grande risada, mas seu rosto se iluminou de uma forma estranha. Não era exatamente um sorriso, está mais para um meio sorriso ou um sorriso que ela tentou esconder no mesmo instante e falhou.
— Posso entrar, mas você sabe que não vou ser bem recebida.
eu neguei com a cabeça apertando sua mão.
— Praticamente a Grifinória inteira já sabe que somos amigos. Não será exatamente surpreendente você passando cinco segundos pelo salão comunal.
ela concordou com a cabeça, mas recolheu sua mão da minha com um sorriso meio bobo na cara.
— Vou deixar para a próxima Harry, mas obrigado pelo convite.
eu confirmei com a cabeça dando risada e finalmente entrei no dormitório.
"sou um amigo de merda." Por um segundo eu esqueci o que eu tinha vindo buscar por aqui. Assim que me lembrei corri até meu dormitório, peguei o mapa do maroto e o liberei rapidamente. Meus olhos vagaram por todo o mapa, até que eu achei. Ela estava num banheiro aleatório do quarto andar.
Com isso em mente botei o mapa no bolso e sair do dormitório caminhando rapidamente.
na saída do salão comunal estava Daphne me esperando com os braços cruzados.
— Vem me seguindo.
Falei para ela que passou a caminhar ao meu lado.
— Para onde iremos? pensei que íamos sair hoje.
eu confirmei com a cabeça.
— E ainda vamos! Mas tenho que resolver uma coisa.
— Que coisa?
Nisso a gente já saia do sétimo andar e descia as escadas um do lado do outro.
— Bom, digamos que eu encontrei Astoria essa manhã e eu posso ter a chateado. Quero ir falar com ela antes sair.
Daphne me olhou bastante confusa.
— Você chateou Astoria? como isso é possível? Atualmente ela parece gostar mais de você do que de mim.
Eu dei uma pequena risada.
— Quanto exagero — reclamei rindo. — Eu acordei com dor de cabeça hoje e encontrei Astoria tomando café escondido na cozinha. Eu meio que a convenci de ir à enfermaria e...
—...E madame Pomfrey te contou o que não deveria. — Concluiu Daphne suspirando profundamente — ela não está com raiva de você Harry, so provavelmente envergonhada.
— Por que ela teria vergonha?
— Pra ela quanto mais informação você tiver sobre seu estado de saúde, maior a chance de você se afastar ou até fugir dela. No caso madame Pomfrey te contou sobre os exames que estão atrasados certo?
eu confirmei com a cabeça, mas não ignorei o começo.
— Eu não fugiria dela independente do problema que ela tenha.
Daphne me olhou tristemente.
— Tente entendê-la Harry, você não seria o primeiro!
Eu suspirei concordando com a cabeça.
— Ela está no banheiro do quarto andar. Obviamente você a conhece melhor do que eu, acha que ela irá querer conversar agora?
Daphne deu os ombros enquanto suspirava.
— Astoria gosta muito de você Harry. Acho que vai querer te ouvir mesmo que não seja o melhor momento.
eu concordei com a cabeça e seguir caminhando
Não demorou muito para chegarmos no quarto andar e no banheiro que Astoria se escondia.
É um andar muito aleatório, principalmente num final de semana. Então o andar se encontrava quase completamente vazio.
Na porta de entrada do banheiro tirei o mapa e me certifiquei, Astoria ainda estava lá dentro.
— Quer falar com ela sozinho? Acho que tem mais chance dela te ouvir sobre isso sem a minha presença.
Eu neguei com a cabeça.
— Você e Astoria são muito unidas, ela não irá se incomodar com sua presença.
Daphne concordou com a cabeça e eu guardei o mapa novamente no bolso.
suspirando abrir a porta e encontrei o lugar completamente vazio, mas um dos boxes estava fechado e ela deve estar lá dentro.
caminhei até lá e me sentei com as costas encostado na porta, mas sem fazer barulho e denunciar minha presença. Então bati levemente na porta enquanto a chamava.
— Ast, se ta aí?
Ela deu uma pequena risada lá dentro.
— Eu escolhi esse lugar a dedo, como me encontrou?
Daphne se sentou ao meu lado também de costas para a porta.
— Bom, digamos que é difícil se esconder de mim aqui em Hogwarts.
— O que quer dizer?
Daphne que deu uma pequena risada denunciando sua presença.
— Posso mostrar pra ela Harry?
eu apenas confirmei com a cabeça, mas Astoria questionou antes que Daphne possa tirar o mapa do meu bolso.
— Porque ta aqui Daph?
Daphne negou com a cabeça agora sim tirando o mapa do meu bolso e o passando por debaixo da porta do box.
— Minha irmã está se escondendo no banheiro, onde você esperava que eu estivesse?
— Não sei, mandando uma carta para nossos pais?
respondeu Astoria em tom enfurecido, mas acabou deixando escapar um suspiro assim que provavelmente pegou e analisou o mapa que Daphne passou pela porta.
— Esse mapa mostra a localidade de todos no castelo?
eu confirmei com a cabeça embora ela não possa ver.
— Mostra. Por isso eu te achei tão facilmente.
ela bufou lá dentro.
— Quer dizer que terei que usar a Freda toda vez que querer me esconder de vocês?
Eu ri acreditando ser uma piada, mas Daphne a respondeu num tom neutro.
— Se você quiser se esconder e também ser expulsa.
Astoria riu, mas passava longe de ser uma risada alegre. Estava muito mais próximo do sarcasmo do que felicidade.
— Qual é Daphne? que diferença isso faria?
— Que diferença faria? — perguntou Daphne se virando e olhando para a porta fechada — Por que toda hora você agi como se fosse morrer amanhã? Poxa Ast, sua saúde esta estável a anos.
Astoria não emitiu nenhum ruido durante vários segundos antes de responder.
— Você não entenderia! E eu não quero falar sore isso.
Finalmente resolvi intervi, já que sinto que sou o motivo para ela não querer falar sobre isso.
— Ast, que exames são esses que você tem que fazer?
Astoria não respondeu de imediato. Na verdade, ela voltou a não emitir nenhum barulho, mas dessa vez por mais de um minuto inteiro. Eu não a questionei novamente, a deixei pensar em paz e responder no seu tempo.
— Eu não queria que você soubesse Harry...
ela parou novamente, me incentivando a perguntar.
— Por quê?
Astoria lá dentro deixou escapar uma risada triste e rápida que mais pareceu um soluço.
— Qual é Harry, sei que você sabe o porquê. Sua amiga da Grifinória já deve ter contato já que se tornou fofoca. Ou até minha própria irmã maravilhoso pode ter falado.
eu franzi um pouco meus lábios antes de responder.
— Daphne nunca me contou nada que não deveria sobre você, já Hermione... — Eu suspirei — Admito que ela me comentou alguns boatos que estavam correndo por aí, mas que diferença faz? As pessoas mentem sobre mim o tempo inteiro. você não pensou que eu ia dar atenção a esses boatos certo?
— E se não forem boatos?
eu ergui uma sobrancelha, mas Daphne respondeu mais rápido negando com a cabeça.
— Não fala besteira Ast! Você não é contagiosa.
pelo jeito ambas sabem muito bem quais boatos estão sendo espalhados.
— E como exatamente você tem certeza disso Daph?
— Porque convivi com você minha vida inteira e não peguei nada, assim como a mãe e infelizmente o pai. — Eu fiquei impressionado com o tom, mas ela continuou — Não existe sequer uma evidência que você possa ser como nosso bisavô Frederik
— Talvez, mas você não pode me culpar por pensar que o Harry acreditaria nisso.
Eu suspirei profundamente.
— Eu realmente entendo Ast, mas não sou o tipo de pessoa que se deixa levar por boatos. Você tem alguns problemas de saúde, está cuidando dele e pronto, nada demais. Não vou me assustar muito menos me afastar por isso. Agora sobre os exames, por que está os evitando? dói?
Astoria demorou novamente uns instantes até voltar a falar.
— Não dói Harry, mas são inúteis! Eu sei que você sabe que sou amaldiçoada, isso está nos livros, então provavelmente sabe que não existe a possibilidade deu estar melhorando. O máximo que posso fazer é manter minha saúde estável. Esses exames so servem para dar uma falsa esperança nas pessoas.
Daphne negou com a cabeça sinalizando que isso não era completamente verdade, mas não questionou.
— Qual é, você está fazendo o tratamento certinho. Daphne me disse que sua saúde está boa a muito tempo, eu mesmo nunca vi você sequer tossindo. Como uma pessoa que veio de mundo trouxa, eu não tenho total certeza sobre maldiçoes hereditárias ou se são curáveis de alguma forma, mas madame Pomfrey assim como Daphne conhecem melhor o seu caso e acreditam que pode sim existe uma chance de você está melhor e não precisar mais tomar aquela poção horrível.
Astoria não respondeu, mas Daphne acrescentou.
— E sabe por que eu acredito nisso Astoria? — Perguntou ela retoricamente — Porque toda essa história de maldição hereditária não passa de uma superstição contatada como certeza pelos nossos ancestrais. Os mesmos que também acreditavam que as estrelas poderiam cair na terra a qualquer momento. Posso dizer o que eu realmente acho? Você assim como nosso bisavô, nasceram com problemas de saúde diferentes, mas que foram tratados como maldiçoes hereditárias porque sei lá quem em nossa linha biológica também nasceu com a saúde frágil. Sabe por que você toma poções todos os dias? Para diminuir ou dilacera esse problema. Você é a primeira "amaldiçoada" que está sendo tradada como deveria, que é somente uma pessoa que sofre de alguns problemas no coração. Isso se lida com poções, e não superstições e achismos.
Eu suspirei profundamente. Então esse conceito de maldição hereditária espalhado por aí não é uma verdade absoluta.
— Não é somente superstições, Daph. Você não acredita nisso acaba de dizer, você precisa ou quer acreditar.
Daphne bufou, mas respondeu sem levantar seu tom de voz.
— O que eu acredito é irrelevante! Você que precisa se dar ao luxo de ter esperança. Vamos lá Astoria, sua vida já é um milagre! Você estuda em Hogwarts, é saudável e so tem que tomar uma poção para manter isso. Tem ideia que os médicos não te deram 1 mês de vida quando você nasceu? Mesmo que toda essa história de maldição seja verdade, não seria a primeira vez que você faria o impossível. Se você é amaldiçoada, não consigo pensar em ninguém melhor para quebrar uma maldição hereditária pela primeira vez na história.
Astoria novamente demorou a responder, mas o fez de uma forma diferente.
arrastou o mapa de volta por debaixo da porta e disse em voz baixa.
— Me deixem pensar mais um pouco, mesmo que eu não ache que tenho muita escolha.
eu peguei o mapa lentamente antes dela acrescentar.
— Mas obrigado Daph, e obrigado Harry. Por virem aqui.
Eu confirmei com a cabeça e me levantei lentamente junto de Daphne. Tanto eu quanto ela entendemos que esse momento realmente é bom deixá-la pensar melhor em tudo.
— É importante Ast, pensa com carinho.
Eu me ajeitei e caminhei até a porta, mas não antes de acrescentar.
— Até mais tarde a gente te procura de novo, acho que você sabe que sabemos onde procurar.
ela riu fracamente lá dentro, então Daphne e eu saímos do banheiro a deixando sozinha.
Notas finais:
Irei dedicar esse espaço a alguém muito espacial que infelizmente se foi.
Jaqueline, ou Jaque, era minha melhor amiga e uma das melhores pessoa que já conheci na vida.
O dia que fiquei sabendo sobre seu falecimento foi muito difícil pra mim, por isso estou falando ou escrevendo sobre o assunto pela primeira vez agora, em algo que é importante.
Ela era a pessoa mais batalhadora que já conheci. Cansei de dizer pra ela descansar mais, so que dificilmente ela me ouvia. Continuava a trabalhar e ainda arruma tempo para me ouvir reclamando da minha rotina.
No dia que ela descansou, o céu deve ter entrado em festa, pois acabava de receber uma das melhores pessoas que estavam aqui em baixo.
Saudades Jaque.
