P.O.V. Derek - 01/07 - Lua Crescente
Estava eu e o Stiles na casa dele comendo pizza. Uma novela mexicana passava ao fundo e estamos querendo saber se eles finalmente iam ficar juntos ou se o Ricardito ia ficar com outra mulher. Incrível como novela mexicana é dramática.
Estava o encarando enquanto ele lutava para prestar atenção no pedaço de pizza para não cair uma rodela de pepperoni enquanto via a discussão passar na novela. Seu pijama estava solto no corpo. Hoje íamos passar a noite juntos na sua casa já que o xerife estava de plantão. Deixando a casa só para mim e para ele.
Após comermos escuto ele falar:
- Derek, você consegue quanto ficar longe do seu alfa sem virar um ômega?
Eu olho-lhe e consigo ver seus olhos castanhos brilhando para mim, um leve rubor apresentava-se em suas bochechas. Ele estava envergonhado com o pedido. Sorrio para ele e falo:
- Eu posso ir para longe desde que não fique muito tempo distante da minha matilha.
Eu encaro os mesmos e tirando um pouco da minha sanidade ele morde seus lábios e gagueja:
- É q-que eu tava pensando, poderíamos viajar para o México onde assistimos tanto às novelas ou qualquer o-outro lugar.
Sorrio para ele e digo sim, enquanto o beijo.
Escuto meu despertador e acordo. Mais um sonho com Stiles. Desde que o Stiles faleceu eu tenho um sonho diferente. Pelo menos para me dar uma alegria nem que seja nos sonhos. Lembra que eles sempre brigavam, mas desde o aniversário do Stiles eles estavam mais amigos.
Foi engraçado. Scott decidiu fazer uma surpresa e, por isso, todos fingiram que não lembravam que era aniversário dele. Íamos fazer a festa no meu loft e, por isso, estava todo mundo aqui. Para o desespero do Stiles que não recebeu nenhum feliz aniversário nem mesmo do pai dele que levantou mais cedo para ir trabalhar.
Lembro como se fosse ontem.
Flashback on, aniversário de 17 anos de Stiles:
Por volta das dezesseis horas escutei meu celular tocando e o atendo:
- Hale. - Falo meu nome fingindo que não vi que era o Stiles no telefone.
- Você esqueceu.
- Stiles? Ah! É você. - Um sorriso breve sai da minha boca. - Não lembrei do que? Não importa reunião da matilha em 10 minutos espero por você.
Grito para todo mundo:
- 10 minutos, gente! Rápido!
Todo mundo começou a escolher onde se esconder enquanto ansiosamente ficamos conversando baixinho para ninguém nos escutar.
Escuto Stiles bater na porta e rapidamente estavam todos escondidos. Ele demorou 15 minutos, um pouco mais do que eu esperava. Provavelmente pelo carro dele, aquele Jeep velho, não aguentar rodar muito.
Sorrio enquanto abro a porta.
- Oi Stiles, como você está? Estamos com um problema aqui na matilha precisávamos fazer uma reunião.
- Problema do que? Não acredito que bem no meu aniversário nós vamos ter problema... Caramba! Nem para me darem um "Ei feliz aniversário" e mais...
Ele continuava a fazer a incrível verborragia dele, enquanto entrava em casa e quando escutou "SURPRESA!" e o parabéns começou ele tomou um susto e acabou esbarrando em mim quando pulou para trás.
Naquela hora sinto o seu cheiro. Ele estava diferente, mas um diferente bom. Meu lobo ronrona e me sinto impelido a sentir o seu cheiro no seu pescoço, mas me seguro. Sinto seu calor nos meus braços e o máximo que posso fazer é sussurrar no seu ouvido, vendo Stiles se arrepiar:
- Feliz aniversário Stiles.
E meu coração bateu rápido pelo Stiles, pela primeira vez.
Flashback off
Sinto meu coração feliz com essa memória, ela me fazia me sentir mais próximo com Stiles mesmo ele distante. Levanto para tomar banho e fico refletindo. Antes do falecimento de Stiles eu já pensava muito nele, estava tentando entender o que eu estava sentindo. Hoje em dia tenho certeza que eu tinha uma queda por ele.
Como sempre mais uma pessoa que tenho interesse acabou sendo morta. De um jeito ou de outro. Eu realmente não tenho sorte no amor. Ou em qualquer tipo de relacionamento. Pelo menos a matilha eu consegui manter.
Decido correr um pouco pelas florestas de Beacon Hills, esfriar um pouco a cabeça e tento voltar para minha vida normal. Corro indo em direção a um pequeno lago que sempre gostei de ir. Inclusive foi o lugar que estava rastreando Peter Hale meu tio que naquela época era psicopata quando o Scott acabou se transformando.
Como pode uma transformação fazer tanta mudança em minha vida?
Sinto um frio na espinha e meu lobo se agita no meu corpo. Merda, hoje a tarde ia ser a reunião que a Lydia nos chamou. Beacon Hills como sempre do sobrenatural acaba sempre nos causando problemas.
Começo a tentar retornar para casa. Quando um ser. Com presas enormes e olhos repletos de escuridão chegou até a mim.
- Huuum energia de lobo, são uma delícia. Vejo aqui que você é bem bonito também. Será que sua carne também é gostosa?
Vejo sua língua de lagarto passando pelos seus lábios e começo a correr. Transformo-me em lobo para correr mais rápido. A adrenalina corre pelo meu corpo e eu uivo pedindo ajuda. Escuto uma risada alta passando por mim enquanto aquela coisa falava:
- Então o lobo mal de caçador virou a caça que irônico. Como se sente correndo perigo Derek?
Tento correr mais rápido ainda, mas de repente meu corpo enfraquece. Sinto minha energia sendo sugada e escuto Lydia Martin berrar. Eles já estão sabendo onde estou, mas talvez seja tarde demais.
Fico encurralado e fraco. Olho para a coisa que estava sorrindo para mim. O que era aquilo? Não lembro desse ser no bestiário da minha família.
Porém, de repente ele para. Escuto um estalar de uma madeira e uma criança pequena, com cabelo em Maria Chiquinha e olhos negros como a coisa chegou.
Porém, a energia dessa criança era diferente, era quase confortável. A criança estava pálida como se estivesse morta ou há muito tempo sem tomar sol. Sua pele contrastava com o vestido branco. Parecia uma pequena anjinho. O cheiro dos dois era diferente também. O da coisa parecia carne podre enquanto a criança tinha cheiro de rosas colocadas em túmulos.
Escuto a criança falar:
- Ele é um dos carmas de um dos membros. Apesar de você não ser mais um de nós, sabe qual é o castigo de se alimentar do carma de outra pessoa.
Vejo outras duas crianças chegando. Uma loira e uma ruiva. Todas com olhos negros e pele extremamente pálida, como a morte. Às duas ficaram em minha frente como se me protegesse. Vejo a criatura sorrir e sair de perto. Como se não pudesse fazer mais nada.
Escuto a criança de Maria Chiquinha falar:
- Volte para casa e não faça nada.
E, de repente, às três crianças somem.
