Stiles - 03/07/2022 - Lua Crescente

AVISO FLASHBACK COM PROVÁVEL GATILHO

Flashback on 27/6/2022 quando tudo começou

Estava tranquilo no meu quarto. Lendo minha história em quadrinhos do Batman que ganhei essa semana para minha coleção. Quando sinto um enjoo e meu corpo começa a suar.

Corro para o banheiro e vômito todo meu alimento. Merda. Após isso vou até à pia e lavo meu rosto. Nessa hora fico petrificado. Tinha uma criança atrás de mim. Ela tinha um cabelo loiro comprido, seu vestido era banco e parecia estar um pouco detonado dizemos assim. Ela tinha um pequeno sangue escorrendo entre suas pernas o que não era normal. Como se ela tivesse sofrido alguma violência. Um laço na cabeça do tom rosa em cima da sua cabeça e um pequeno bichinho de pelúcia estava em suas mãos. E o mais assustador, seus olhos eram completamente negros.

Sinto um arrepio correndo em minha espinha e minha respiração fica desacompassado. Escuto ela falar:

- Oi tio Stiles. Você foi o escolhido para cuidar de mim e das duas divindades que vivem comigo, aceite sua tarefa.

Depois disso ela pega na minha mão e tudo se apaga. De repente eu não sou o Stiles e sim a criança. Eu estava no quarto dela brincando com uma tartaruga de bicho de pelúcia enquanto servia um chá para o brinquedo.

Escuto duas batidas da porta e vejo um homem. Ele era alto, gordo e careca. Sinto cheiro de algo que conhecia bem devido ao alcoolismo do meu pai. E escuto o mesmo falar:

- Oi pequena, que tal você vir brincar de casinha com o tio hein?

Sinto minhas mãos suando. E o pequeno corpinho tremia de nervosos. Várias lembranças passavam no fundo da minha mente me deixando apavorado. Começo a correr, tentando afastar do meu tio no meu próprio quarto. E fico atrás de uma cômoda. Coloco a tartaruga na minha frente para a mesma me proteger.

E o vejo retirando da minha mão o bichinho de pelúcia e jogando para longe. Sinto suas mãos em mim e começo a enjoar. Isso não pode estar acontecendo eu tenho que sair daqui. Mas eu era uma criança como sairia daqui?

Sinto ele me enforcar, estou ficando sem ar. Sinto dor entre minhas pernas e sinto ela não entendendo. E de repente. Sinto como se fosse uma energia saindo do corpo. Ela estava morta.

De repente não estou mais naquela casa. Estou na minha. Eu estava na cozinha lavando a louça enquanto via meu pai bebendo uma cerveja. A criança está do meu lado sentada na bancada, mas tenho certeza que meu pai não a está vendo. Acabo derrubando o prato que estava na minha mão no instante que percebo o que está acontecendo. Grito um foi mal para o meu pai após ele perguntar se estava tudo bem, fazendo com que ele volte a assistir TV

- Stiles você tem uma pequena escolha ou aceita seus poderes e ajuda a proteger os divinos. Ou, morra. Infelizmente em qualquer uma das duas escolhas terá sacrifícios.

Viro e pergunto:

- Qual será meu sacrifício para proteger vocês?

A menina dá um pequeno sorriso:

- Você perdera o vínculo da pessoa mais importante da sua vida.

Num impulso acabava aceitando. A criança só esqueceu de explicar uma coisa. Para essa pessoa perder o vínculo comigo, ela teria que estar morta. De repente sinto uma energia vindo para mim. Sinto uma dor intensa e acabo berrando de dor.

Olho para frente e vejo meu pai. Ele pedia desculpa e dizia que não estava conseguindo se controlar. Via uma arma em sua cabeça. Ele mesmo a segurava, mas quem estava controlando era os divinos. Berro um não alto e tento ir até ele, mas já era tarde demais. Sinto toda a sua energia vindo-me enquanto ele se esvaia na minha frente.

Logo depois uma dor intensa passa pelo meu corpo e berro. Sinto meus ossos enfraquecendo e meus músculos se enrijecendo. Enquanto os divinos iam até a mim. Tento fugir subindo as escadas. Mas perco a força e caio. Sentindo toda a minha vida saindo do meu corpo.

Flashback off

Fim do gatilho

Acordo na minha cama suando frio. Eu tenho certeza. Aquilo era uma memória e não um sonho. Meu Deus eu escolhi a morte do meu pai em vez da minha? Como posso ter feito isso? Escuto duas batidas na porta e vejo duas pessoas olhando para mim.

Vejo Marin e Allison me encarando, com os olhos preocupados:

- Você se lembrou de tudo?

Começo a olhar para a parede, não estava preparada para o que vinha a seguir. Escuto elas perguntando se podem entrar e concordo com a cabeça. Vejo elas sentando no chão na minha frente enquanto esperavam eu absorver tudo.

Penso o que eu estaria preparado para descobrir agora. Realmente não era da lembrança que tive agora. Não estava preparado. Como pude? Escolher meu pai em vez de mim? Além disso... O que aquela criança passou? Agora entendi porque Marin falou para nunca perguntar porque tantas crianças viravam divinas e, porque a grande maioria eram meninas... Pelos deuses...

Única coisa que pensava era sobre o Derek. Quando senti ele correndo perigo uma força me puxou para ele. Eu nem sei controlar meus poderes e quando vi eu estava transformado. Passei um dia inteiro refletindo sobre isso e principalmente sobre o carma. O que Marin queria dizer sobre isso:

- Marin... O que é Carma?

Marin e Allison olham uma para outra como se fosse uma conversa preocupada e silenciosa.

- Carma é o presente que recebemos da morte pelo nosso trabalho. Apesar da morte considerar um presente, muitos de nós achamos esse presente um presente de grego. - Responde Marin

- Um presente como assim? - pergunto

- Quando nascemos temos um fio que nos liga a uma pessoa, ela é o amor da nossa vida e quando morremos esse vínculo se solta até reencarnarmos. Porém, quando viramos ceifadores nós dificilmente morremos. E muitos ceifadores acabavam fazendo coisas erradas por conta da depressão de se sentir sozinho.

Quando a morte percebeu isso, ela decidiu criar o Carma. É nossa energia. É como se automaticamente nosso fio ficasse mais forte e podíamos sentir mais a pessoa. Se encostarmos nela o vínculo se fecha e essa pessoa vira nossa. Ela será nossa maior protegida digamos assim e provavelmente o amor de nossa vida e de nossa morte."

Reflito o que Marin falou e pergunto:

- O Derek é meu carma?

Marin concorda com a cabeça e escuto Allison falar:

- A morte nos deu liberdade ainda assim de escolher se vivemos com o nosso Carma ou só o protegemos, normalmente o clã se uni por ter Carmas do mesmo grupo familiar ou nosso caso da matilha. Eu e Marin estávamos até agora protegendo os nossos Carmas, pois não queremos eles se metendo com a morte... Além de outras questões que eles podem acabar sofrendo...

Penso nisso, o Derek é meu Carma. Com toda certeza concordo com Allison e Marin nunca que iria querer ele nesse mundo. Olho para Allison e pergunto:

- O Scott é seu Carma?

Vejo Allison concordar com a cabeça e um rubor se estender nas suas bochechas. E escuto ela falar:

- Normalmente o carma também sente nossa falta e acaba até sonhando com a gente no começo. Mas depois eles conseguem viver a vida normal e podemos continuar trabalhando e os protegendo... A grande maioria dos carmas são sobrenaturais por conta de muitos sobrenaturais serem praticamente imortais ou poderem se transformar quando quisermos.

Absorvo tudo com calma e viro para Marin:

- Se todos nós temos um carma com a matilha... Qual é o seu carma Marin?

Vejo ela olhar com certa tristeza enquanto dizia:

- Não quero falar sobre isso.

E depois disso saio andando. Viro para Allison e pergunto:

- Todas às vezes que Scott foi magicamente protegido foi sua culpa então.

Ela concordou e sorriu. Abraçamo-nos e depois voltamos a dormir.

P.O.V. Allison - 03/07/2022 - Lua Crescente

Deixo Stiles dormir enquanto vou beber água. Pelo menos a morte nos costuma dar uma semana de descanso do nosso trabalho com energia grátis quando vem novos membros pro clã.

Stiles ainda tem muito a absorver, mas ele é um menino esperto é provável que pegue as coisas fáceis. Lembro como fosse ontem eu matando meu pai e me sentindo um lixo. Quando me transformei, todos os dias pedia para Marin para irmos visitar meu tumulo. Foi assim que descobri que Scott era meu Carma.

Eu o vi colocando Lírios no meu túmulo e chorando. Senti-me sendo puxada até ele, mas Marin me impediu. Marin foi treinada em outro clã e foi a primeira ceifadora quando essa matilha nasceu. Por isso todos os conhecimentos foram passados para ela. Ela me explicou e fomos embora. E foi ela que me treinou como nossa líder e nos ajuda a passar por isso do jeito dela. Desde então o protejo as escondidas. Ele e todos da matilha, da mesma forma que Stiles também vai fazer.

Arrumo-me e vou dormir. Amanhã será um longo dia.