Duas mulheres cap 15
Cassandra dormia, aparentemente a sono alto, quando Severus levantou da cama. Observou a mulher a quem amava, a quem chamava de esposa... Mesmo que não houvesse colocado um anel diante de um pastor ou padre.
Fez a higiene íntima, antes de trocar de roupas. O sol mal havia raiado, mas ele precisava viajar via pó de flu até Hogwarts, nos seus aposentos nas masmorras da Sonserina. Ficaria, como todos os dias, até o horário do café. Tinha esses hábitos e queria também ver quais explicações Potter e Granger iriam dar pelo seu sumiço.
Se uma única palavra, que fosse direcionada a ele, fosse dita... Eles desejariam encontrar o Lorde das Trevas pessoalmente, antes do almoço, sem varinhas.
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Assim que sentiu Severus saindo do quarto, Cassandra abriu os olhos. Ela tinha visto as auras de Tiago... não Tiago, Harry. O filho de Lilian e mais alguém... quem Severus dissera ser Hermione Granger. Pela descrição da garota, tinha o mesmo gosto pelos livros que Lílian. Engraçado, que seu antigo grupo de amigas, Lilian, era a mais viciada em ler... mesmo a corvinal Beatrice não gostava tanto assim. Lilian respirava pelos livros.
Ela teria sido uma excelente auror... ou qualquer outra coisa que exigisse inteligência e persistência. Porém havia começado a namorar Tiago... e o fato deles logo terem ficado noivos após Hogwarts.
Cassandra não vira o noivado da amiga nem o casamento. Dois dias após ter terminado Hogwarts, enfiou-se em uma aeronave e fora para a Espanha, onde tornara-se auror. No período de férias, ela poderia voltar à Inglaterra, ficara no estrangeiro e ficara estudando ainda mais. Tanto a língua, quanto o material que necessitava.
Ela havia ficado sob a supervisão de Antônio Ortega, o atual marido de sua mãe. Cassandra até pensara em desistir de tudo e voltar para debaixo das asas do pai..., porém, depois de uma visita de sua mãe ao seu dormitório que dividia com outra estrangeira, Cassandra decidira terminar no menor tempo possível para afastar-se do padrasto.
O pior..., é que o homem a quem fora o motivo da mãe abandonar a família, aparentemente era tão louco pela mãe de Cassandra, assim como ela por ele. Quando pedira para afastar-se dele, Antonio fora extremamente compreensivo. Porém firme. Negara o seu pedido de transferência para outro departamento... E fizera que a determinação de Cassandra apenas aumentasse em terminar logo o treinamento e voltar para a Inglaterra já formada, com o intercâmbio entre países terminado.
Por fim, ao fim de três anos, ao invés de quatro, ela terminara o treinamento... Antonio fora um treinador exigente. Cassandra fora designada para um ramo de aurores, que exigia habilidades especiais.
Não fora sua capacidade de ver auras, que fora decisiva para isso. Cassandra deixará diversos amigos na Espanha, tão poderosos quanto ela ou até mais. Antonio Ortega fazia parte de uma família tradicional de bruxos, que ela havia recusado o quanto pode conhecer.
Porém, quando transferida de ramo, ela conhecera Regina Ortega, que era pouco mais velha em idade que Cassandra.
A bruxa era tão linda quanto poderosa. Era uma animaga, uma pantera, que tinha os princípios tão rígidos quanto sua família. Cassandra nunca a questionara sobre o fato do irmão ter feito uma antiga namorada abandonar uma vida estável... com filhos... para ficar com ele.
Regina se tornará uma amiga confiável, na medida que elas se conheciam. A jovem espanhola possuía a admiração da inglesa, quando Antonio foi assassinado. Foi no enterro deste, que Cassandra viu a mãe pela última vez antes de voltar para a Inglaterra.
E já formada como auror pelo Ministério Espanhol, que Cassandra voltou a Inglaterra. Não demorou muito, para que se associasse à primeira Ordem da Fênix... mas depois que a fotografia, dos membros oficiais fosse tirada.
Depois que Marlene foi assassinada. Mas ainda não foi suficiente para impedir o que acontecera com Alice e Frank. Cassandra levantou-se devagar, indo até o banheiro. Quando Flor entrou, Cassandra havia voltado para a cama, ficando paralisada, enquanto fitava o teto.
- Mestra? Vamos a...
- Não, Flor, hoje ficaremos em casa...
- Tem certeza, mestra? Ela pode...
Absoluta, Flor. – Cassandra virou-se na cama, ficando de lado. Suspirou, fechando então os olhos. Ela escondia vários segredos de Severus... E um deles em especial, podia leva-la a Azkaban sem chance de volta.
Vou trazer seu café.
Não. Não quero comer. Só quero ficar quietinha aqui, Flor. Dindy está onde?
Dindy, segundo as ordens do mestre, foi para Hogwarts, ficar nas cozinhas, para descobrir o que a senhorita...
Entendi. Pode ir Flor.
Cassandra não escutou a porta sendo aberta. Virou-se e olhou na direção da porta, apenas para ver Flor que havia parado como uma estátua, torcendo os dedos. Conhecendo Flor, ela sabia que lágrimas estavam se formando nos grandes olhos da elfa.
Flor não pode desobedecer o mestre, mestra.
Eu sei que você tem que ficar grudada em mim, mas eu não vou sair. Eu vou ficar no quarto, quietinha.
A mestra está doente? Flor chama o médico de cabelos vermelhos.
Eu sinto dor na alma, Flor. Mas você nesse tempo todo, sempre me deu carinho... Carinho que eu não sei se consegui retribuir. E também tem Severus que...
O mestre ficou triste esse tempo todo, por causa da senhorita Victoria. Por conta que ele não conseguiu colocar ela cedo nos braços da mestra. – Flor começou a falar. – Mas antes da mestra aparecer, ele era mais triste...
Flor, o que...
Mestra, Flor nunca contou para o mestre, que a senhora vai a Hogwarts, nem que...
Flor!- Cassandra a interrompeu. – Você conhece o meu segredo, mas não deve falar isso em voz alta.
Perdão, mestra. – Flor curvou a cabeça, pedindo desculpas também com o corpo. – Mas não acha que deveria contar ao mestre?
Severus nunca contaria para outras pessoas, mas eu tenho medo do que ele pode pensar, Flor.
Ele não pensaria coisa ruim da mestra. – Flor ergueu a cabeça. – Ele diria que a mestra deve tomar mais cautela e...
Justamente para ele não ser prejudicado, eu escondo isso dele. – Cassandra bufou, antes de sentar-se na cama. Afastando as cobertas, que eram de um tom de azul, ela jogou os cabelos para tras. – você vai ficar aí mesmo?
O mestre não quer que a senhora fique sozinha. – Flor falou calmamente. Normalmente, Cassandra levantava-se e ficava horas no quarto que havia sido de Severus bebe, que pertenceria a Victoria... Embalando no berço uma boneca de pano. E falando sozinha, como se os irmãos estivessem ao lado dela.
Sob a vigilância de Flor, Dindy, Rubia e Eros, Cassandra passara praticamente dezesseis anos na mansão Snape. Porem, a cerca de seis anos... O pó de flu começara a a se esgotar mais rapidamente. Severus jamais percebera isso...
Cassandra levantou-se de um salto, indo ate o armário. Escolheu uma das roupas que Severus havia comprado para ela, um vestido de mangas compridas e capa combinando, em um tom de verde claro. Calcou sapatilhas verde escuro, sem meias. Colocou as roupas em cima da cama, antes de tirar a camisola.
Mestra?
A minha escova de cabelos esta no banheiro. – Cassandra falou, antes de começar a colocar o vestido, antes da capa. Quando terminou, ]Flor estava ao lado da cama. Cassandra suspirou, enquanto se sentava. Flor subiu na cama e começou a escovar os cabelos de Cassandra, que mantinha os olhos fechados enquanto a elfa trabalhava em silêncio.
Mestra, o que a senhora quer comer no almoço? Rubia pode cozinhar para a senhora. – pediu quando terminou.
Torta de carne e salada está bom.
Esta zangada mestra?
Nunca vou estar zangada com você, flor. – Cassandra se virou e abracou a elfa. – você tem mais paciência comigo que uma mae tem com um filho fazendo birra.
A senhora fez e faz o mestre sorrir.
So por que sou uma palhaça então você gosta de mim?
Cassandra perguntou como se estivesse ofendida.
Mestra! Não! O que quis dizer é que...
Cassandra começou a rir, abracando flor mais forte.
Bobinha. Eu sei. E Severus me faz ficar feliz... mesmo quando está zangado comigo.
Cassandra largou Flor, antes de suspirar.
Eu posso ajudar Rubia a cozinhar?
Não! – Flor respondeu muito rápido, fazendo que Cassandra sorrisse tristemente. O mesmo apelo que os gêmeos faziam quando ela ia para a cozinha...
Então vamos para o escritório de Severus. – Cassandra levantou-se, sendo seguida por Flor.
Cassandra, racionalmente, não queria aceitar que já tinham se passado dezesseis anos. Ela, assim como severus, provavelmente já tinham uns poucos fios brancos na cabeça.
A preocupação com Voldemort havia envelhecido Severus. O ar "velho" da personalidade dele começava a atingir também o corpo.
Enquanto descia as escadas, Cassandra ia acompanhando o desenho intricado que compunha o papel de parede. Colocou a mao em um pedaço prata do desenho, imaginando que Severus havia redecorado aquela parte, quando ela iria morar com ele, antes que fosse para a cadeia.
Os sofás apesar de macios, continham uma aparência clássica, que deveriam ter sido colocados ali pelo inicio do reinado da rainha Victória. Ao malicia isso, Cassandra teve um estalo.
Victoria Regina.
Regina Ortega. Cassandra apressou o passo e como uma tempestade, entrou no antigo escritório do pai de Severus. Como uma doida, começou a procurar papel e tinta. Ao ver que tinha os dois, ela forçou-se a respirar mais pausadamente.
Sentou-se e começou a escrever.
