Exatamente duas horas depois de sentar em um tronco de árvore caído próximo a frente da estalagem e sentir que sua bunda já estava dormente, Gina os viu saindo da casa horrorosa e se aproximaram de onde estava. O mais discreto possível se colocou ao lado de Harry que estava mais para trás no grupo e cutucou sua costa para que soubesse que estava ali. Eles seguiram se embrenhando na floresta seguindo os bruxos, até chegarem a um pequeno galpão no meio de uma clareira.
O interior do galpão era tão horroroso quanto Gina esperava que fosse, seus olhos vagaram pelo lugar mal iluminado e sujo, fedia de um jeito que fazia o estômago dela embrulhar e espalhado em pilhas bagunçadas havia alguns sacos do que parecia ser ração de galinhas como os que já tinha visto os pais comprarem algumas vezes, só que maiores.
Os homens se espalharam pela sala e Gina ficou para trás, sendo escondida por uma das maiores pilhas e com a varinha pronta. Mesmo com a capa, está cercada de caras que pelo menor deslize que desse fariam de tudo para acabar com ela fazia sua pele pinicar e seu sangue esquentar ao mesmo tempo. Malditos idiotas, xingou mentalmente.
Então depois de alguns minutos naquele lugar, um outro homem entrou pela mesma porta que tinham passado ao chegar. Ele era alto, com uma barba cheia e olhos escuros como numa noite sem lua, só de olhá-lo um arrepio cruzou a espinha de Gina. Ao lado esquerdo dele vinham dois homens que ela nunca tinha visto na vida e no esquerdo um casal, que igualmente nunca tinha visto. Os homens abriram espaço para que se aproximasse da pequena mesa no centro do galpão.
Ela olhou para Harry, que parecia tão apreensivo quanto Gina, ele nunca foi muito bom em mentir, constatou enquanto fazia uma careta, a adolescência de Harry infelizmente foi problemática demais para ter espaço para isso. Os dedos dele pareciam correr sozinhos para o bolso onde estava sua varinha e outras vezes para o cabelo. Sorte que ela era muito boa nesse feitiço de ilusão ou eles já teriam ido para o espaço com o quanto ele parecia não se lembrar da cicatriz impossível de não ser reconhecida no mundo bruxo, ainda mais entre aqueles.
- Que bom que estão aqui esta noite - disse o homem no centro da pequena sala - É o início de uma nova vida.
Gina segurou uma risada mordendo a bochecha, a voz do cara simplesmente não combinava com sua fisionomia, era arrastada e fina, fazendo com que cada palavra que disse soasse como uma piada. Ela notou o choque e repúdio da maioria dos rostos na sala, claro que como homens não aceitariam um líder assim. Mas, Gina não se iludia com isso, a sua fisionomia dizia muito mais que sua voz.
- Nessa noite vocês encontrarão a porta para as...
- Quem é você? - cortou o homem que interviu na falsa briga com Harry - Pensei que encontramos um bruxo puro sangue.
O homem no centro da sala estreitou os olhos.
- Crucio - disse ele.
O outro homem caiu no chão em agonia e seu grito cortou a noite, fazendo a sala parecer ainda menor. Gina segurou a respiração quando viu Harry pegar a varinha do bolso, em dúvida do que fazer. Mas, antes que precisasse fazer algo, um dos acompanhantes do homem em agonia também sacou sua varinha.
- Avada Kedavra
O cara da voz engraçada desviou com facilidade e lançou o mesmo feitiço em direção ao homem que não teve a mesma agilidade. Praguejando, Gina perguntou como aquela situação podia ter escalado tão rápido.
- Petrificus Totalus - revidou o homem - Se acalme, estou aqui para que saibam que têm novas pessoas lutando para que tenhamos espaço mais uma vez.
- Ora e quem seria? Você? Harry Potter acabou com o lorde das trevas, quem dirá com você.
- Eu realmente não sou como o Lord das Trevas, talvez por isso tenhamos mais chances - ele ignorou os olhares reativos e continuou - O Lord errou em muitos aspectos, não esperou que quem andasse com ele o trairia.
- É o que se espera de um súdito - disse um homem com cabelos ruivos mais escuros que os de Gina - Que seja leal.
- Mas nós somos humanos - revidou o homem - E além disso, a maioria é Sonserina, o que fazemos de melhor é sobreviver sem pensar duas vezes.
- O que você sugere então?
- Qual seu nome?
Perguntaram duas pessoas ao mesmo tempo, fazendo com que o homem abrisse um sorriso satisfeito.
- Me chamo Fred Weber - disse o homem agitando sua varinha e fazendo com que seu nome brilhasse acima da sua cabeça - E esses são meus fiéis companheiros.
Gina sentiu como se não conseguisse respirar, aquele homem tinha o mesmo nome do seu irmão, até mesmo o sobrenome com a mesma inicial parecia o complemento da zombaria do filho, irmão e jovem que ele foi.
- Eles estão infiltrados dentro do ministério inglês em diversos departamentos, até que Harry Potter e o ministro se deem conta, será impossível nos cortar pela raiz.
- Porque deveríamos confiar em você?- perguntou um dos homens.
- Pois sou sua única opção - sorriu friamente Fred - Todos vocês vão receber uma moeda, é assim que nos comunicamos.
Gina sentiu o estômago revirar, era a mesma forma que a AD se comunicava, até hoje ela andava com a moeda no bolso, talvez como uma lembrança do que aconteceu ou pelo receio da necessidade de usá-la mais uma vez.
Fred e seus fiéis levantaram a mão para realizar a invocação das moedas, mas foram interrompidos por um patrono.
"Recebemos informações de que existem infiltrados do ministério nesta reunião, não deixe ninguém sair. Saia imediatamente daí Weber"
Antes mesmo do patrono ser terminado, diversos bruços aparataram dali mesmo, antes que fossem impedidos, apenas Harry e mais dois homens ficaram ali antes que o feitiço anti-aparatação fosse lançado.
- É com vocês - disse Fred antes de se virar e seguir em direção a saída com a cara ainda mais fechada que no início.
Gina olhou em volta nervosa, se ele saísse por aquela porta seria muito difícil capturar um homem como aquele, talvez levasse anos e levaria o nome do seu irmão na assinatura de todo aquele ódio. Respirando fundo ela lançou sem necessidade de falar em voz alta o feitiço de petrificação.
Mas, o feitiço ricocheteou. Em um segundo ela entendeu, ele estava sob um feitiço de escudo o tempo todo e aquilo foi apenas para revelar se tinha alguém escondido. Lançando um último olhar zombeteiro por cima do ombro, Fred saiu pela porta enquanto uma enxurrada de feitiços vinha na direção de Gina.
Sem pensar bem, puxou alguns sacos para usar como escudo, fazendo com que os feitiços ricocheteassem. Se abaixando para tentar ver melhor, revirou os olhos ao notar os dois homens que sobraram saindo de fininho, restando apenas ela, Harry e os amigos de Walter.
Para desviar a atenção deles, Harry lançou um Petrificus Totalus em direção a eles, que esquivam por pouco, mas foi suficiente para Gina abandonar a capa e lançar um feitiço atordoante no mais próximo para que Harry pudesse se juntar a ela na barricada improvisada.
Gina desviou de um feitiço se escondendo atrás da barricada de sacos que usavam para se esconder. Harry abaixou-se ao lado dela um pouco mais ofegante, as horas de treino lhe davam um preparo a mais. Já fazia pelo menos trinta minutos de lançamento de feitiços ininterruptos, Gina considerava que estavam ganhando, afinal eram dois.
- Eles agora são cinco - disse Harry enquanto Gina lançava mais um feitiço.
- Eles estão chamando reforços - concordou Gina - Eu posso tentar quebrar o feitiço anti-aparatação, sou boa nisso.
- Mas temos que pegá-los - retrucou Harry sem desviar os olhos dos feitiços que os inimigos lançavam tentando quebrar o escudo mágico que colocaram ao redor deles.
- Continue nos protegendo, vou tentar algo - disse Gina depois de mais alguns feitiços lançados.
Harry não respondeu, continuou sem tirar os olhos da frente, mas, pela sua visão periférica, viu o que ela estava fazendo. Ajoelhada no chão, com uma mão e a ponta da varinha encostadas no chão Gina parecia recitar algo. Ele confiava nela, então focou em mantê-la segura para que fizesse o quer que aquilo fosse.
Alguns minutos depois ele ouviu um arquejo e alguém gritou surpreso.
- Danny - gritou outra voz - O que foi?
Mas não houve resposta e sim um outro grito surpreso. Harry olhou para Gina, ela estava ainda mais concentrada, seus cabelos pareciam esboçar com vento, mesmo que ali não tivesse nenhuma corrente de ar assim. Estava na mesma posição e ainda recitando alguma coisa enquanto, a ponta da sua varinha brilhava dourado. Ela parecia ainda mais linda naquele momento.
- Malditos - gritou uma voz seguida de um feitiço.
Harry tinha se distraído, seu escudo vacinou, o de Gina também por estar tão concentrada em outro feitiço. Ele arquejou quando o feitiço ultrapassou os escudos e foi direto para Gina que estava mais vulnerável, a pegando de surpresa. Com o aceno da mão Harry lançou um feitiço para amortecer sua queda, com a varinha ergueu um novo escudo se colocando na frente dela.
- Ora, ora - disse o homem que lançou o feitiço - Harry Potter em pessoa, nunca pensei que usasse um feitiço de ilusão, não se diz tão poderoso?
Harry segurou um suspiro, provavelmente Gina estava inconsciente agora para o feitiço de ilusão ter se desfeito. Ele definitivamente não podia deixar que vissem quem ela era.
- Quem é você? - exigiu Harry, a varinha perigosamente apontada para o homem.
- Liberte meus companheiros e eu decido se te mato rapidamente - disse o homem raivoso.
Harry deu uma rápida olhada ao redor, havia um homem e uma mulher presos pelo que parecia ser galhos de árvores, até mesmo suas bocas estavam tapadas por um galho.
- Os reforços estão chegando, se entregue podemos aliviar um pouco para você - disse Harry depois de avaliar a situação - Não vou libertá-los.
O homem que ainda estava de pé trocou um olhar com os outros dois homens um pouco mais atrás coberto pelas sombras, em segundos ele acenou com a varinha murmurou alguma coisa, Harry lançou um feitiço, mas era tarde demais, eles já tinham sumido em um estalo.
- Típico - murmurou ele.
Harry olhou para Gina e para os outros dois criminosos presos ao chão e suspirou. Seguiu até ela, verificou seu pulso e ergueu um escudo em volta dela enquanto se dirigia aos outros dois, estavam de olhos fechados e os galhos não os esmagavam como ele tinha pensado, suas mãos estavam presas longe de suas varinhas enrolada nas entranhas de alguns galhos. Tirando um objeto do bolso, cortou os galhos da raiz que os prendiam ao chão, os petrificou por segurança e os enviou por segurança para uma cela no ministério.
Apressadamente ele voltou para analisar Gina, ela parecia bem, então lançou um feitiço para acordá-la. Engolindo um gemido de dor, ela abriu os olhos.
- Como está? - perguntou Harry nervoso.
- Nunca estive melhor - murmurou Gina sentando e evitando que seu corpo estremeceu de dor - Onde estão?
- Três fugiram e os outros dois que você prendeu estão em uma cela do ministério nesse momento - contou Harry, a testa franzida tentando avaliar se ela estava bem.
- Precisamos ir para lá - disse Gina se levantando - Temos que descobrir rápido, esses dois devem sumir com tudo e no...
- Gin - interrompeu Harry parecendo pálido de repente - Você está sangrando.
- Eu não estou... Oh - Gina seguiu o olhar dele e percebeu que realmente havia um corte entre sua clavícula e pescoço - Não é profundo nada que um feitiço não cure.
- Vamos cuidar disso - disse Harry rapidamente - Vamos à minha casa.
- Não tem necessidade, é só um cor...
- Vamos - Harry estendeu a mão.
Gina o encarou por alguns segundos antes de estender a mão relutante.
- Como você fez aquilo? - perguntou Harry depois de aplicar uma poção de cura no ferimento de Gina e vê-lo fechar.
- O que? - perguntou de volta, estava distraída nos próprios pensamentos.
- O feitiço.
- Ah, bom, é algo que aprendi com uma bruxa muito ligada à natureza - disse Gina os olhos pareciam brilhar e ao mesmo tempo desfocados - Ela me ensinou que tudo tem magia, principalmente a natureza, você só precisa se conectar a ela.
- Uau, isso parece muito difícil pra mim - murmurou Harry.
Gina lançou a ele um sorriso zombeteiro antes de sentar-se no chão do banheiro, Harry fez menção de protestar, mas era tarde demais.
- Veja só - murmurou Gina colocando a mão no chão frio.
Harry ficou um pouco receoso se um galho sairia do chão e quebraria todo seu piso e dos vizinhos no processo, mas não foi o galho usado dessa vez. Ele observou enquanto um pequeno redemoinho se aproximava deles, deixando uma meia ao seus pés.
- Engraçadinha - Harry revirou os olhos - Isso seria muito útil para achar coisas perdidas.
- Potter - foi a vez de Gina revirar os olhos - É feitiço, tem sua complexidade e você sabe que nossos recursos mágicos não são infinitos, deve ser capaz de fazer algo como o dessa noite apenas daqui a algumas semanas.
- Você disse que era fácil - protestou Harry.
- Nunca disse isso - murmurou Gina se levantando do chão frio.
Eles se encararam por alguns minutos em silêncio, Harry sentiu o coração acelerar. Deu um passo para frente para tirar uma mecha do cabelo ruivo que insistia em cair em seus olhos. Ele se sentiu como se estivesse em um feitiço, os olhos castanhos dilatados pareciam da cor de um whisky muito bom e cheios de desejo, os lábios entreaberto como um convite o fazendo se inclinar para ela...
- Potter - a voz de David Morgan invadiu o banheiro - Onde está você para explicar de onde vieram essas pessoas? Você tem cinco minutos.
Eles não tiraram os olhos um do outro nem por um segundo. Lentamente Harry abaixou a mão que ainda estava no cabelo dela.
- Devemos ir e Rony estará lá.
- Ele não me reconhecerá - disse Gina desviando os olhos.
- Ok - murmurou Harry ainda se sentindo um pouco entorpecido - Vamos?
Gina assentiu acenando com sua varinha e limpando o sangue das vestes. Harry observou pelo espelho quando seus cabelos se tornaram mais curtos e loiros, o nariz arrebitado ainda estava ali, mas sem sardas e os olhos castanhos tão intensos substituídos por olhos azuis e frios. Ele engoliu um suspiro, definitivamente ele preferia a sua Gina.
