Notas iniciais: olá, mundo!
Trago a continuação de IdS para vocês. Essa é a última conversa antes de finalmente conhecermos a Cabana do Gigante.
May Prince, não tem como não amar a iniciativa da nossa querida Insuportável Sabe-Tudo!
Mickky, algo me diz que suas previsões estão deveras... acuradas! Snape não será um paciente nem um pouco fácil.
Bom, sem mais enrolação, espero que se divirtam com esse próximo capítulo!
You wanna hear about the deal I'm making?
(Placebo — Running Up That Hill)
Com quase tudo pronto para transportar Snape para a Cabana do Gigante, Hermione lia atentamente as instruções sobre as poções que o homem teria que tomar, rabiscadas rapidamente por Madame Pomfrey em um pedaço de pergaminho timbrado. Não parecia ser nada muito complicado, mas ela estava pronta para começar a questionar a execução correta de alguns feitiços-diagnósticos, que até então só havia lido em livros, quando a maçaneta da porta da sala foi forçada, e tanto ela quanto a medibruxa levantaram os olhos assustados na direção do barulho.
— Quem será?
Hermione ouviu Madame Pomfrey sussurrar. Com a varinha firmemente empunhada em sua mão esquerda, a medibruxa começou a andar na direção da porta.
— Hermione, se estiver aí,por favor,abra essa maldita porta!— Era a voz de Harry, abafada pelas camadas de madeira antiga, mas totalmente inconfundível aos ouvidos de Hermione.
Madame Pomfrey voltou um olhar inquisitivo por sobre o ombro, questionando-a silenciosamente.
— É Harry, Madame Pomfrey.
E, relaxando de imediato, a medibruxa se virou e voltou a andar na direção da mesa em que estivera segundos atrás, falando em seu familiar tom prático:
— Em cinco minutos, partiremos para a Cabana do Gigante. E, lembre-se:fale pouco, mas seja eficiente.— E voltou a armazenar as poções rotuladas em uma maleta de couro, deixando de prestar a atenção em Hermione.
Com um aceno rápido, a jovem bruxa concordou e andou a passos largos até a porta, abrindo apenas uma fresta pequena para que pudesse se esgueirar até o corredor, dando de cara com um Harry Potter muito vermelho e impaciente.
— Eu sabia que te encontraria aqui!
— Harry, eu posso explicar…
— Explicar o quê? Você não estava no memorial, e se acha queeuestou furioso, espere só até ver Ron!
Hermione sentiu o coração apertar com a menção do nome de seu outro melhor amigo, sabendo que deveria ter sido um momento muito importante para toda a família Weasley. E ela havia perdido.
— Harry, por favor, tente entender que…
— Ele morreu, Hermione! Você ouviu o discurso de Shacklebolt: Snape morreu e, ontem, quando fomos parar naquela casa, ele já estava morto! Nós apenas protelamos o inevitável. Sei que você sempre quis ver o outro lado, o ladodele,e eu tenho que te dizer que você estava certa esse tempo todo: Snape era um espião da Ordem da Fênix e morreu fazendo seu trabalho, assim como Lupin, Tonks e Fred…
À princípio, as palavras de Harry eram frias e cruéis, fazendo com que Hermione se encolhesse inconscientemente no próprio lugar, mas quando ele tocou no nome de Lupin e dos outros que morreram, a voz do amigo vacilou e toda aquela raiva que sentia, deu lugar apenas à tristeza.
— Eu queria que ele tivesse tido um fim digno como os outros, porque eu sei que era o que ele merecia, mas o memorial acabou e a vida precisa seguir.Nossavida precisa recomeçar.
O silêncio que se fez entre eles foi exatamente o que Hermione precisava para pensar racionalmente. Por mais que quisesse concordar com Harry, dar às costas à Sala de Transfiguração e recomeçar sua vida ao lado de seus amigos, a única coisa que ela conseguia ver diante de seus olhos era aquele olhar opaco, sem qualquer brilho, amedrontados e definitivamente confusos.
Movida pela necessidade de cumprir com a promessa implicitamente que fez, de que não deixaria Snape sozinho até que ele estivesse bem e em posse de suas memórias novamente, Hermione usou da oportunidade que Harry lhe deu para falar:
— Tem razão, Harry. Nossa vida realmente precisa continuar. — Ainda que sua voz tivesse um quê de tristeza, seus olhos castanhos estavam determinados, e em resposta, Harry sorriu para ela, aparentemente contente com a facilidade que teve em convencê-la.
— Vamos, os Weasleys já estão a caminho d'A Toca. Eu disse que iria apenas te encontrar antes de irmos também. — Harry tinha alcançado uma das mãos de Hermione e já a puxava na direção das escadas.
A bruxa, por sua vez, desfez gentilmente o contato e disse em um tom firme, porém cuidadoso:
— Eu não vou para A Toca, Harry. Agora que a Guerra acabou, eu preciso ir até meus pais… — Deixou a impressão de que tinha algo a mais para acrescentar, afinal, o assunto de seus pais sempre foi um tópico espinhoso durante a corrida atrás das Horcruxes, e Hermione sabia que Harry tomaria muito cuidado na escolha de suas próximas palavras.
O bruxo arqueou as sobrancelhas e abriu a boca para falar, mas demorou alguns segundos até conseguir produzir algum som:
—Agora?
— Agora. Eu só preciso falar com a Professora McGonagall antes, e então vou partir. — Respondeu, apontando com a cabeça para a porta da Sala de Transfiguração, torcendo para que Harry não insistisse demais no assunto. Apesar de concordar que seria melhor esconder a verdade de seus melhores amigos, Hermione não se sentia nem um pouco confortável em mentir desse modo, tão abertamente.
— Mas… Ron e eu, nós íamos te acompanhar, lembra? — Harry tentou apelar, subindo algumas oitavas do que normalmente costumava falar.
— E eu sempre disse quenão,lembra? Eu preciso vê-los sozinha, Harry. Não será fácil explicar meu sumiço por um ano. Com vocês dois do meu lado será uma-uma...tarefa impossível.
Hermione abaixou a cabeça, na esperança que ele desse o assunto por encerrado, pois sentia uma vergonha terrível crescer em seu peito, mentindo para os seus melhores amigos sobre um assunto tão sério como aquele.
— Mas, Mione…
—Por favor, Harry. Eu preciso que me entenda.— Ao levantar os olhos na direção do amigo, Hermione sabia que estava fazendo beicinho e a apenas alguns segundos de distância de quebrar em um choro angustiado.Precisavaque ele colaborasse.
Harry fixou seus olhos verdes na amiga por muito tempo, claramente indeciso sobre como deveria agir. Foi com um suspiro resignado que ele se aproximou dela para abraçá-la, encerrando aquela agoniante discussão com um aperto forte.
— Promete escrever?E não sumir?— O bruxo perguntou abafadamente, pois apoiava o rosto no ombro da amiga, enquanto a abraçava com muita força.
Hermione precisou engolir várias vezes para evitar que lágrimas escorressem, mas foi uma batalha perdida. Escondendo o rosto no ombro de Harry, a bruxa acenou afirmativamente com a cabeça, não confiando em suas palavras para expressar a gratidão que sentia pela amizade de Harry — com medo que se traísse ao falar qualquer coisa em voz alta, e desse espaço para que o amigo percebesse a mentira em suas palavras, manteve a boca firmemente fechada.
O abraço durou por muito tempo, até Harry se separar para encará-la nos olhos, com um sorriso triste enfeitando seus lábios ressecados.
— Quando você voltar, vamos dar um jeito de limpar o nome de Snape, ok? Isso é uma promessa!
Balançando a cabeça veementemente, Hermione limpou os olhos com as costas da mão.
— Vamos sentir sua falta, Mione…
— E eu, a de vocês… — Ela buscou forças para falar, já virando-se novamente na direção da porta — Harry, diga ao senhor e a senhora Weasley que eu sinto muito, sinto muito mesmo por não ter comparecido ao memorial.
Harry concordou sem demora, parecendo muito abalado para falar qualquer coisa. Então, antes de entrar na sala, a bruxa disse uma última vez:
— E, enquanto eu estiver fora, tente não se meter em confusões. — Foi fácil abrir um sorriso maroto e piscar um olho para Harry, mas ela não se permitiu ficar para ouvir sua resposta.
Entrou rapidamente na Sala de Transfiguração e fechou a porta atrás de si, precisando fechar os olhos para conter as novas lágrimas que queriam verter de seus olhos. Entretanto, Hermione não teve muito tempo para se refazer, pois Madame Pomfrey a questionou em tom zangado:
— E então? Eu já estava partindo sem a senhorita, sabia? Se for administrar as poções com esse tipo de comprometimento, eu talvez precise encontrar outra pessoa para me ajudar…
Hermione poderia ter facilmente se frustrado com a reprimenda, mas acabou sorrindo sem motivo algum, abrindo rapidamente os olhos e sussurrando um"Sinto muito, Madame Pomfrey",antes de se aproximar da medibruxa e segurar a maleta de couro pesada que lhe era oferecida.
Com a lareira aumentada o suficiente para que os três pudessem viajar juntos, as bruxas em pé e o homem ferido deitado sobre uma maca flutuante, o nome"Cabana do Gigante" foi pronunciado em alto e bom som por Madame Pomfrey, levando-os para longe daquela sala e na direção do desconhecido.
Notas finais: todos prontos para conhecer a cabana?
Agradeço demais aos que seguem acompanhando IdS!
Grande beijo, nos vemos na próxima atualização.
