NA: Primeiro de tudo, isso é um novo capítulo, então, comemorem e leiam a minha nota, tentarei ser rápida.

Como vocês sabem, eu estou envolvida na escrita e publicação dos meus livros originais, o segundo livro vem em setembro, o terceiro já está pronto e o quarto quase no fim. Por isso, decidi tirar um pausa para descansar, mas a vontade de voltar a escrever a fanfic veio com força. Ela sempre existiu, mas não era tão simples, o mais complicado era me lembrar dos detalhes, dos arcos e do que estava acontecendo, afinal, eu me afastei desse mundo ao mergulhar no mundo da Saga Tríade. Mas, acredito que durante esses dois anos, eu me tornei uma escritora melhor e hj, consigo escrever mais de um livro ao mesmo tempo.

É por isso que eu reli toda a fanfic do nosso Harry, o Ravenclaw e assim, consegui terminar o capítulo iniciado antes da minha interrupção. Vai ter mais capítulos? Sim. Será bem rápido? Não.

Nesse momento, além da pausa em escrever a Saga Tríade, está frio, então, o trabalho na sorveteria diminui bastante. Não será sempre assim. Mas tentarei fazer capítulos mais curtos, com menos exigências e publicar com maior frequência, sem um pausa tão absurdamente longa.

Talvez vocês estranhem, mas decidi escrever capítulos mais curtos e tb vou dividir os anteriores que são monstros de 30k ou 45k (eu estava meio maluca, acho). Assim, posso tornar o conteúdo mais dinâmico e gostoso, além de ir mais rápido (espero). Tb pretendo dividir a fanfic por livros, farei isso quando terminar a Câmera Secreta.

A Debora continua a revisar os capítulos desde o primeiro, então, espero que um dia, além de terminada, essa história que tanto amamos esteja corrigida.

Beijos, lamento a longa espera, é maravilhoso reencontrar vocês, espero muitas revisões, por favor!

Até mais, Tania

Capítulo 91

Naquela manhã de domingo, Harry acordou em uma cama desconhecida e confortável. Acostumado a despertar alerta, ficou confuso por demorar alguns minutos para afastar a sonolência, mas quando se espreguiçou, sentindo os músculos doloridos, se lembrou de onde estava e o porquê.

Apesar do desconforto, ele se sentou, olhando em volta do grande salão vazio. Pelas janelas, pode ver o sol alto que lhe avisava que dormira mais do que o normal. Suspirando, se levantou da cama ao constatar duas coisas: precisava muito ir ao banheiro e estava com muita fome.

Depois de cuidar do primeiro problema, Harry seguiu para a cozinha onde o barulho e cheiros deliciosos o fizeram acreditar que resolveria os roncos grosseiros do seu estômago. O imenso espaço estava lotado de bruxos, além de três elfos domésticos, que preparavam o almoço para mais de três mil lobisomens. Não foi difícil perceber que a cozinha estava apertada para os mais de 20 cozinheiros, mas imaginou que isso ainda era melhor do que cozinhar em fogueiras na floresta.

— Bom dia! — Ele cumprimentou, animado.

— Sr. Harry! — Dobby se adiantou muito sorridente. — Dobby está ajudando a preparar o almoço da matilha, senhor.

— Oi, Dobby. — Harry sorriu, acenando com a mão para os outros dois elfos, que retribuíram com timidez. — Não sabia que estava trabalhando aqui.

— Sr. Sirius disse que Dobby poderia vir ajudar a preparar algumas refeições aqui desde que Dobby não estivesse ocupado e Dobby não estava ocupado hoje.

— Você não está trabalhando demais, não é? — Harry levantou as sobrancelhas, observando como o pequeno arregalava os olhos, arrastando o tênis verde neon pelo chão de pedra, meio ressabiado.

— Dobby não trabalha demais, Dobby tem muito tempo livre, mas Dobby não sabe o que fazer em seu tempo livre, assim, Dobby vem ajudar os elfos de Strongs e, às vezes, Dobby visita e ajuda os amigos de Dobby do Jardim dos Elfos. — Ele confessou, sincero. — Dobby está errado?

— Não, meu amigo, você não está errado. — Harry apertou o ombro do elfo com carinho, sem perceber como os outros elfos os encaravam espantados. — Se quiser passar o tempo livre com os seus amigos e ajudá-los, está tudo bem. Só se lembre de descansar um pouco, ok?

— Dobby não esquecerá de descansar, Sr. Harry. Dobby promete. — Dobby afirmou, orgulhoso. — Dobby pode ajudá-lo, senhor?

— Sim, estou faminto, Dobby, e não sei por onde anda os meus adultos. — Olhou em volta, mas os membros da matilha presentes, a maioria mulheres, eram todos desconhecidos.

— Dobby servirá o seu café da manhã, Sr. Harry, em apenas um instantinho. — Ele se apressou em conseguir um espaço no fogão. — Dobby viu os seus adultos saírem para encontrar os alfas da matilha, senhor.

— Ok. Obrigado, Dobby. Não quero atrapalhar, mas se importam se tomar o meu café da manhã aqui? — Houve muito acenos negativos, ainda que todos se mantivessem em silêncio. Se adiantando, Harry estendeu a mão para uma moça de olhos azuis que se encolheu com o gesto. — Sou Harry, prazer em te conhecer.

Ela o encarou com desconfiança, mas Harry manteve a mão estendida e um sorriso gentil enquanto esperava. A jovem olhou para a mulher mais velha presente na cozinha, que acenou que sim com a cabeça, só então, a garota o cumprimentou em um toque leve.

— Léia... — Sua voz era quase inaudível, mas ele ouviu, assim como sentiu sua magia saltar como uma corrente elétrica e envolver a mão da moça, que saltou de susto.

Harry se afastou, encarando a mão levemente iluminada e franziu o cenho, confuso.

— Desculpa, não sei o que... Eu te machuquei?

— Não. Era apenas uma eletricidade fria e... gentil, como a do ritual. — Leia respondeu, tímida.

— Acho que a minha magia está agindo meio estranha. Prazer, Leia. — Então, caminhou até a mulher mais velha, estendendo a mão para cumprimentá-la.

— Sou Bernadette, Sr. Potter. — Ela tinha um sorriso bondoso ao apertar a mão do Harry, que voltou a se iluminar quando a magia dele saltou, eletrificando a mão dela.

— O que? — Harry arregalou os olhos, preocupado. — Tudo bem?

— Sim, senhor, apenas umas cócegas elétricas. — Bernadette se mostrou tranquila, apesar de curiosa.

— Apenas, Harry, por favor, muito prazer em te conhecer, Sra. Bernadette. — Ele adiantou até um jovem de 20 anos, que apertou a sua mão ansiosamente.

— Johnny, senhor, meu nome é Johnny.

Harry não se surpreendeu quando a sua magia saltou e iluminou a mão dos dois por alguns segundos com uma eletricidade fria.

— Prazer em te conhecer, Johnny.

E, por mais 17 vezes, sua magia "tocou" os lobisomens quando eles se cumprimentaram, Harry supôs que era apenas uma reação estranha depois do ritual.

— Vocês gostariam de alguma ajuda? — Se ofereceu assim terminou o café da manhã farto que Dobby lhe preparou. — Sou um bom cozinheiro, não me importo de ajudar.

— Obrigada, mas não precisa, Harry. — Bernadette lhe deu um sorriso largo. — Já temos tudo adiantado e bem organizado. Além da cozinha do castelo, montamos uma área no acampamento onde preparamos os assados e sopas, aqui fazemos pães, cozidos, tortas, legumes e grãos. Quando está tudo pronto, os elfos enviam a comida para as 5 mesas de servir e filas são formadas. Nós dividimos as tarefas também, temos um grande grupo que cozinha, outro serve as refeições e outro grupo limpa tudo antes de começarmos a preparação do jantar.

— Nossa! Isso parece muito trabalho. — Harry exclamou, impressionado. — Bem, com organização, tudo fica mais fácil, minha amiga Hermione sempre diz isso. Todos estão ajudando?

— Sim, tem muito o que fazer, sabe. — Ela explicou. — Cozinhar para tantas pessoas exige muitas mãos, também tem a reconstrução da vila, assim, todos acabam fazendo um pouco aqui ou ali. Tem aqueles que já estão trabalhando fora, pela Alliance e outros ajudando nas estufas ou na fazenda.

— Quando cada um estiver em sua casa, será mais fácil. — Johnny falou. — Eu viverei com dois outros bruxos da minha idade e dividiremos as tarefas, como cozinho bem, já combinamos que assumirei essa parte.

— Será bom cozinhar para mim e meus velhinhos. — Contou Mary, uma mulher de 40 anos com cabelos negros ondulados. — Eu viverei com dois bruxos idosos, ajudarei nas estufas e cuidarei deles. Eu disse aos alfas e a moça da GER que não queria trabalhar fora da ilha, me sinto mais segura aqui, e eles concordaram.

— Bom. E você, Léia? — Harry perguntou para a moça tímida.

— Ainda não sei. Hum, acho que gostaria de ajudar com as crianças... — Ela respondeu, hesitante.

— Legal! Bem, você deveria ir estudar para se tornar professora, assim, no futuro, poderia trabalhar aqui em Flidais! — Harry levou a sua louça suja para a pia, onde um dos elfos começou a lavar.

Sua sugestão fez Léia arregalar os olhos, espantada, quando parecia que ela diria algo, um dos ajudantes, Billy, derrubou uma panela de ferro e o estrondo a assustou, fazendo com que saltasse e se encolhesse de pavor

— Está tudo bem, Léia, é apenas o B sendo desastrado como sempre. — Johnny deu um passo na direção dela, como se quisesse confortá-la, mas isso fez a moça se encolher ainda mais antes de sair correndo da cozinha. — Merda. Parabéns, Billy.

— Eu!? Eu não tenho culpa se ela parece um rato assustado! Tenho? — Billy respondeu, irritado.

— Eu irei atrás dela. — Apressada, Mary deixou a cozinha.

Harry se despediu do pessoal da cozinha e correu atrás dela.

— Mary! — Ele chamou, então, acrescentou quando ela se deteve. — O que houve com a Léia?

— Ah. — Mary hesitou. — Bem, Léia fazia parte das Águias do Sino, a matilha da Cora. Você a conheceu, certo?

— Sim. — Harry sabia que aquela era a matilha que tinha apenas mulheres, muitas delas temiam ou não confiavam nos homens. De imediato a reação de Léia o fez compreender que algo ruim tinha lhe acontecido e isso apertou o seu coração. — Léia foi ferida?

— Bem, essa não é minha história para contar, mas... — Mary apertou o seu braço com afeto. — Eu posso sentir a sua bondade e preocupação sinceras, Harry. — Iniciou a história enquanto se encaminhavam para a porta do castelo. — De qualquer forma, não sei os detalhes, apenas que seus pais foram assassinados por Greyback e Egan, que também sequestraram Léia e o seu irmão mais novo. O garoto teve um fim terrível junto a Greyback, mas Léia ficou nas mãos de Egan que... — Mary pareceu envergonhada e enjoada ao mesmo tempo. — Tudo o que sei é que depois que Egan se cansou dela, entregou-a aos seus homens, que não foram tão cuidadosos, assim, a pobre menina conseguiu fugir. Ela só tinha 11 anos quando foi sequestrada, 14 quando fugiu, além de todo o sofrimento que passou, a menina foi transformada em um lobisomem e, quando se viu sozinha, não sabia muito bem o que fazer. Uma das matilhas a encontrou, ao entenderem a sua história, a levaram para a Cora, que foi onde Léia esteve por uns dez anos já.

— Se ela tinha 11 anos, Hogwarts já sabia sobre ela, Léia teria recebido a sua carta, não é? Porque não a procuraram? — Harry lamentou ter comido tanto, pois o estômago se embrulhou.

— Bem, é possível que eles procuraram ou enviaram os aurores, pois um ataque de lobisomens no mundo trouxa traria a necessidade de acobertamento, mas duvido que alguém se preocuparia em procurar duas crianças nascidas trouxas sequestradas por lobisomens. — Mary explicou. — Encontrar Greyback e Egan nunca foi prioridade, afinal.

Harry assentiu, indignado com o descaso do Ministério e Dumbledore, que como diretor tinha que dedicar-se a proteger as crianças. Será que era tão difícil para o maior bruxo do mundo mágico encontrar e matar dois lobisomens?

— Léia ficará bem? — Seu tom era preocupado ao sair para o pátio e localizar a menina perto do penhasco.

— Não acredito que algum dia ela poderá superar o que aconteceu. — Mary respondeu, sincera. — E sei que Léia não tem condições de uma vida normal fora da ilha, na verdade, mesmo aqui, a pobre menina sofre com a proximidade dos homens. Ela se adaptou bem como ajudante de cozinha porque somos mais mulheres, sabe, mas se um dos rapazes é muito brusco ou algo incomum acontece, Léia foge feito um cordeirinho.

— Existe algo que eu possa fazer, Mary?

— Você já fez, irmão. — Ela sorriu com carinho antes de se afastar em direção a garota sofrida.

Inconformado, Harry desceu para o acampamento refletindo sobre como poderia ajudar Léia e as outras mulheres a serem felizes em Stronghold. Quando chegou mais perto do acampamento, encontrou os seus adultos e os alfas acompanhados por vários bruxos lobisomens, incluindo McGregor, que falou com ironia:

— Lá está ele! Finalmente resolveu acordar e dar o ar da sua graça?

Harry percebeu que o grupo de aproximadamente 30 lobisomens estavam divididos, alguns mais próximos a McGregor, outros pareciam seguir um homem alto e jovem, de feições tranquilas. Enquanto isso, grande parte da matilha podia ser encontrada trabalhando na restauração das cabanas.

— Não seja idiota, Douglas! O menino passou por um ritual mágico poderoso e precisava descansar! — Elfort admoestou com voz firme. — Não ouse desrespeitá-lo!

A maioria do grupo acenou em acordo, mas os homens de McGregor continuaram rabugentos como ele.

— Não é desrespeito! O menino não é o nosso grande irmão mágico agora? — O gigante escocês debochou. — Pois então deixe que ele resolva o que é melhor para a matilha!

Harry o ignorou, percebendo que Belle, Fiona, e os Jonas não estavam presentes, provavelmente tinham partido na noite anterior. Sirius, Remus e os Boots se colocavam ao lado dos alfas, que mantinham uma postura forte. Incrivelmente, George Travers também estava ao lado deles, parecendo uma rocha, leal e protetora.

— Bom dia. — Ele sorriu, ainda ignorando a rabugice de McGregor. — BOM DIA, IRMÃOS! — Um coro de "bom dia" veio dos lobisomens que estavam lá embaixo na vila. — As casas parecem bem melhores, quando ficam prontas?

— Em uns 2 meses. — Becky respondeu. — Estamos aproveitando esse tempo para definir quem viverá com quem, quais as funções assumirão na matilha e, ao mesmo tempo, eles são entrevistados pela GER.

— Faltam muitas entrevistas?

— Pelo menos metade da matilha, Harry. — Falc explicou. — A Alliance já tem alguns projetos e, no fim do mês, a Fábrica de Cosméticos será inaugurada, acredito que até lá, 90% da matilha já estará selecionada em seus cargos.

— Claro que nem todos estarão trabalhando, alguns terão que fazer cursos, outros precisarão esperar que inauguremos a fazenda de flores ou as boates durante o verão. — Sirius acrescentou.

— Já é incrível que tanto tenha sido feito em um mês. — Harry elogiou com um sorriso, antes de olhar para Remus. — Será ainda mais incrível quando Flidais iniciar as aulas...

— Ei, garoto! Eu falei com você, é muita falta de educação ignorar as pessoas assim. — McGregor deu um passo à frente tentando intimidá-lo com a sua altura, mas na mesma hora todos os seus adultos, os alfas e Travers se moveram protetoramente a sua frente.

— Melhor se controlar, McGregor, ou me fará perder a paciência. — Sirius ameaçou em tom sombrio.

— Tudo bem. — Ele continuou agindo com tranquilidade. — Agora que somos uma família, Dougie deve querer falar comigo sobre algo importante, mas prefiro que me chame de Harry, por favor, não garoto.

— E, eu prefiro McGregor, garoto. — Ele devolveu, irritado com a expressão excessivamente alegre do menino.

— Ok, Dougie. — Harry respondeu com doçura. — Vocês ouviram, Dougie prefere McGregor. EI, PESSOAL! O DOUGIE DISSE QUE PREFERE SER CHAMADO DE MCGREGOR! — Ele berrou morro abaixo, o vento levando as suas palavras, quando os lobisomens entenderam, riram e acenaram em concordância.

McGregor, ou melhor, Dougie estava vermelho de raiva.

— Moquele atrevido...

— O que queria que eu resolvesse? — Ele interrompeu, indiferente. — Algum problema surgiu?

— Sim! — Dougie contou sobre a punição que os alfas lhe impuseram e aos seus homens depois do incidente dos carneiros perdidos. — Agora a fazenda ficará em mãos incompetentes e nós teremos que assisti-los fazerem besteiras sem poder dizer nada!

— Mãos incompetentes? — O homem alto de expressão tranquila, ergueu as sobrancelhas, irônico. — Eu cresci em uma fazenda em Gales que ainda pertence a minha família, cara, continuo a ajudar os meus pais e irmãos com a administração do lugar. Também comprei a minha própria fazenda há alguns anos, que é onde minha esposa e filhos viviam, e posso lhe garantir que os dois lugares estão indo muito bem.

— Ótimo, então a sua preocupação com a fazenda é desnecessária, Dougie. — Harry estendeu a mão para o novo administrador da fazenda.

— Mael Kendrick.

Assim que se tocaram, a magia dele saltou e envolveu a mão de Mael, que franziu o cenho para a eletricidade fria.

— Desculpe, minha magia está meio estranha. Bem, prazer em te conhecer e boa sorte em sua nova função. — Harry afirmou, gentil. — Esses são seus homens? Sua família viverá aqui também?

— Não, quando os alfas me deram a administração, convoquei todos os que tem experiência em cuidar de uma fazenda, me pareceu errado me cercar dos meus amigos que não sabem nada. — Mael lançou um olhar azedo para Dougie. — Eu vivia com o grupo do Lud, assim minha família tinha segurança quando estava comigo no acampamento e eles viverão aqui comigo, mas manteremos a fazenda, pois é minha herança para os meus filhos. Na verdade, tive que passar a propriedade para o nome deles ou o Ministério tomaria de mim.

— Muito inteligente, Mael. — Harry elogiou. — Eu gostaria de visitar a vila...

— Espera! Você concorda com isso? Que os alfas nos punam por uma bobagem e nos deixem sem trabalho? Nós demos duro durante todo esse mês para reativar a fazenda enquanto todos estavam de moleza, agora teremos que ficar de castigo como crianças! — Dougie protestou, indignado.

— Ninguém está de moleza, Douglas. — Becky argumentou com firmeza. — Nós dividimos muitas das tarefas! A reconstrução, cozinhar, limpar, pescar! O fato é que quando não estão fazendo a sua parte das tarefas, alguns grupos ficam parados ou descansam, mas todos estão motivados a ajudar.

— Desculpe, alfa, se não consigo ver essa harmonia especial que você prega. — Dougie ironizou, depois olhou para o Harry. — O que você fará sobre isso? Como concertará essa bagunça?

— Que bagunça? — Harry gesticulou, confuso. — Vocês desafiaram e desobedeceram aos seus alfas, além dos ensinamentos da Jesse, o que levou a morte de 10 animais. — Dougie fez uma careta de desprezo ao ouvir o nome da tosquiadora. — Ah, tinha me esquecido que você não gosta de mulher. Bem, vocês também recusaram a ajuda de outros membros da matilha, que têm experiência em administrar fazendas. Certo?

— Isso resume o que esses tolos fizeram. — Elfort cruzou os braços, mal humorado.

— Para mim, os alfas dessa matilha já resolveram a questão de maneira inteligente. Particularmente, se dependesse de mim, vocês mereciam fazer umas 100 flexões, correr umas 50 voltas pela ilha e ficarem sem comer carne por um mês, no mínimo, para pagar o prejuízo. Então, Dougie, sugiro que aceite o castigo, porque você não vai gostar se eu resolver interferir. — Harry expressou sua decepção, enquanto o escocês e seus homens pareciam meio assustados. — Na verdade, alfas, tenho algo a sugerir. — Muito sérios, Becky e Elfort anuíram. — Dougie e seus homens devem ser colocados em casas separadas, também oriente a GER para que os selecionem em trabalhos bem distantes uns dos outros. Creio que fará bem a todos se eles perceberem que agora são parte da Matilha dos Lobos Guardiões e que vocês estão no comando. — Ele encerrou em tom firme. — Aliás, quero deixar bem claro que não pretendo interferir, confio nos alfas da matilha e vocês precisam fazer o mesmo. Agora, gostaria de olhar a vila e conversar com Quirke, mas antes quero conhecer os seus nomes, por favor.

Um a um, Harry apertou a mão do grupo de lobisomens presentes. Os homens de McGregor ainda pareciam mal-humorados, mas ele ignorou isso ou o fato de que sua magia saltou e tocou cada um deles. Em seguida, desceu em direção a Vila do Cervo acompanhado por seus adultos e dos alfas.

— Vocês já pensaram em construir uma cozinha comunitária? Sabe, onde todos colaboram e possam fazer uma das refeições do dia em grupo? — Harry sugeriu.

— Não tínhamos pensado nisso. — Becky se surpreendeu com a ideia. — Somos tantos, é difícil construir um lugar que comportaria todos, acho que nem temos espaço para isso. Além disso, estamos realocando cada um em suas cabanas com divisões de tarefas pré-estabelecidas, selecionando aqueles que cuidarão das crianças e dos idosos, assim não precisaremos de um orfanato ou asilo.

— Teremos uma grande área de reuniões para os encontros com as Valkyries e os Anciões, mas não pensamos em uma área de refeição conjunta. — Elfort explicou, sincero. — Por que?

— Estava pensando que esse poderia ser mais um "negócio" da matilha. — Harry explicou sua ideia. — Uma espécie de cozinha comunitária onde um cronograma será feito para que aqueles que trabalharem na ilha colaborarem em algum momento da semana. Se alguém não quiser ou puder cozinhar em sua cabana, é só ir até o refeitório e, por um 1 galeão, fará uma boa refeição.

— Hum, interessante, mas cobrando tão pouco pelo prato, não seria um negócio lucrativo. — Elfort considerou, pensativo.

— Verdade, mas geraria empregos para muitas pessoas que não querem ou podem deixar Stronghold, ou trabalhar com os homens na fazenda e nas estufas. — Harry tentou comunicar com o olhar o que estava querendo dizer.

— Oh! — Becky arregalou os olhos, entendendo muito bem. — Claro, isso é brilhante, mas o melhor seria dizer que queremos possibilitar a união entre os membros da matilha, assim, as mulheres não se sentem mal pela proteção.

— Agora, quem está sendo brilhante? — Ele elogiou com orgulho, o que fez a alfa corar de alegria.

— Mas onde faremos isso? — Elfort passou os olhos pela área. — Acredito que teremos que cortar algumas árvores.

— Por que não conversam com o Ian e o Mac? Afinal, talvez seja possível fazer uma cozinha com um grande refeitório no térreo e, no primeiro andar, a sala de reuniões. — Harry aconselhou, recebendo alguns olhares admirados. — Não é nada demais, só me ocorreu porque é o que eles farão em minha casa ancestral.

— Ainda é uma excelente ideia. — Remus sorriu ao bater no ombro do menino, os dedos resvalaram na pele do pescoço, a magia saltou, eletrificando a mão do lobisomem. — Ei, sua magia ainda está instável.

— Sim, ainda bem que é leve.

Harry sorriu ao se aproximar das primeiras casas, sem hesitar, se adiantou para apertar as mãos dos trabalhadores que retribuíram animados, gratos ou surpresos com o choque. Ele andou em meio a vila com os alfas mostrando as reformas, apresentando os membros pelos nomes, enquanto seus adultos se espalharam buscando informações do que ainda precisava ser feito com a ajuda do Travers. Sirius continuou com o Harry, como uma espécie de guarda-costas.

— Tem certeza? — Ele observou Quirke com desconfiança, quando Harry quis conversar em privado com o homem.

— Sim, você pode acompanhar de longe se quiser, mas não acredito que ele ou qualquer um me atacaria aqui.

— Ok, mas não ficarei muito longe.

Na verdade, Sirius se manteve a uns dez metros de distância, com um olhar atento enquanto eles caminhavam pela praia, onde as ondas do mar quebravam com um barulho rítmico e bonito.

— O que queria falar comigo? — Quirke o olhava curioso, mas sem a desconfiança de antes.

— Primeiro, queria te dizer que tentei falar com o Otto sobre você, mas ele não acreditou em mim porque foi informado que o pai está morto.

— Ah sim, isso é o que as famílias dizem, até porque, na maioria das vezes, é verdade. — Ele tentou disfarçar, olhando para o mar, mas era possível ver sua tristeza.

— Talvez se escrevesse uma carta com alguma informação que só você sabe, Otto acreditaria.

— Uma carta? — Seu suspirou foi derrotado. — Depois de tanto tempo, eu não saberia o que dizer em uma maldita carta.

— Bem, suponho que algo mais direto seja melhor mesmo, aposto que ele terá dezenas de perguntas. — Harry olhou para o mar, onde o reflexo do sol lhe chamou a atenção. — Hum... Acho que já sei o que fazer.

— Espelho de comunicação? — Donaldo arregalou os olhos, emocionado ao ouvir a ideia. — Imagine, vou poder ver o rosto do meu filho, ouvir a sua voz... Bem, isso se ele não me rejeitar.

— Contarei a verdade, no caso de sua condição ser um problema, te avisarei por carta. Ok?

— Sim. Por que está fazendo isso, Harry? Por que se importa?

Ele chutou alguns pedriscos do chão, se desviando do olhar confuso do homem mais velho.

— Se houvesse alguma chance dos meus pais estarem vivos... — Seus ombros caíram de leve. — Eu iria querer saber porque a perda de um pai cria um buraco no peito, tem dias que a saudade é insuportável. Mas o pior é imaginar o que poderia ter sido, todos os cenários ou momentos em que vejo um pai com um filho, em que sei que jamais saberei o que se sente ao receber um abraço assim. — Seus olhos se encheram de lágrimas, o que o irritou. — É uma bobagem porque, pode não ser assim para o Otto, ele tem a mãe e o avô, mas, se o seu filho sentir apenas um pouco da minha tristeza, como eu poderia me tornar mais um dos muitos que mentem para ele?

— Eu o abracei muitas vezes antes da... — Donaldo falou com voz rouca pela emoção. — Mas ele era tão pequeno, talvez não se lembre. Obrigado por isso, jamais me esquecerei, mesmo que Otto não me queira em sua vida.

— Bom que está grato, porque tenho planos de cobrar. — Harry endireitou a postura, expressão séria. — Tem um Quirke no Orfanato do Abortos.

— O que? Quem? — O lobisomem ficou pálido ao pensar em sua filha, Orla.

— Chama-se Hélio Quirke, tem uns 13 anos.

— Minha nossa, Hélio, pobre menino. — Ele fechou os olhos, triste. — É meu sobrinho, filho do meu irmão mais novo. Quando me disse que tinha um Quirke em Hogwarts, não me ocorreu perguntar sobre ele, apenas pensei que estavam em casas diferentes. — Encarou o Harry. — Meu sobrinho está sendo bem tratado?

— Sim, mas dá para ver que está solitário, com saudades de casa, acredito que deve ser ainda pior para ele porque Hélio tem pais vivos que o desprezaram.

— Meu irmão ama muito o filho, deve ter ficado muito abalado quando descobriu que o menino não tinha magia e...

— Não ligo a mínima se o idiota do seu irmão ficou ou não abalado. — Harry o interrompeu com frieza. — É muito cruel abandonar o próprio filho assim, como lixo, apenas porque não tem magia o suficiente para frequentar Hogwarts.

— Você não entende, Harry, para famílias como a minha, ter uma criança aborto é uma vergonha tão grande quanto ter um familiar lobisomem. As tradições obrigam o chefe da família a cortar essas aberrações de sua linha para que o nome da família não seja manchado para sempre. — Ele passou a mão pelos cabelos, confuso. — Isso foi o que sempre acreditei, provavelmente, se não tivesse sido mordido, abandonaria os meus meninos também. Mas entenda que não faria isso por falta de amor, mas porque alguém como meu pai ou seus amigos puristas esperariam essa atitude.

— E se recusasse?

— Ulisses jamais enfrentaria o meu pai, mas se tentasse, Hélio sofreria um acidente, seria enterrado discretamente e ninguém mais tocaria no assunto. — Ao ver a expressão furiosa do Harry, acrescentou. — Mesmo se o meu pai desafiasse as tradições, as outras famílias nos puniriam desfazendo acordos de negócios, não convidando para festas ou eventos sociais, talvez, alguém mais radical poderia até tentar matar o menino.

— Existe uma pressão social, então, que "obriga" os pais a abandonarem seus filhos, alguns fazem de boa vontade, outros apenas para proteger a criança.

— Meu irmão fez isso por proteção, com certeza, pois de nós dois, ele era quem menos acreditava nesses discursos tradicionais, além disso, o pobre Hélio não teria mais como viver com um bruxo e minha família não sabe nada do mundo trouxa. — Donaldo defendeu, convicto. — Apesar de ser cruel, ele tem mais chances no orfanato.

— Sim, mas seu sobrinho não precisa mais viver sem uma família, pois tem você, que também foi rejeitado e abandonado. — Harry levantou as sobrancelhas de maneira incisiva, deixando claro o que esperava do lobisomem. — E aqui, Hélio conviverá com os dois mundos, terá uma educação trouxa que o ajudará no futuro, mas não se afastará de suas origens.

— Mas poderia ser perigoso... — Donaldo franziu o cenho, apesar de estar considerando a possibilidade.

— Os trouxas não deixaram a ilha na última lua cheia?

— Sim, todos foram para a Ilha de Man, onde o Scott tem uma casa grande e segura para hospedar todo mundo. — Ele caminhou meio agitado, pensando, cada vez mais animado com a ideia de dar um lar ao sobrinho, sabia que se fosse o contrário, Ulisses cuidaria de Orla ou Otto. Mas um pensamento fez seus ombros caírem em derrota. — O pessoal do orfanato não me daria sua guarda, Harry, eles saberão o que sou.

— Acho que tem um jeito de você adotar o Hélio, mas precisaríamos de algumas manobras. — Harry sorriu com malícia.

— O que você está pensando? — Donaldo tentou disfarçar a ansiedade.

— Bem, como já foi dito, os lobisomens podem ter empregos e casas no mundo trouxa, desde que a casa esteja no nome de outra pessoa, afinal, o Ministério não tem como acompanhar onde cada um de vocês vivem.

— É por isso que aquela Umbridge criou um registro de lobisomens, para saber quem e quantos nós somos. — Ele explicou. — É crime escondermos nossa condição ou não informar onde vivemos ou acampamos, mas a verdade é que se somos discretos, não tem como eles nos encontrarem no mundo trouxa.

— Então, tudo que o que precisamos é te criar uma vida trouxa, assim, você se apresenta ao orfanato e pede a guarda do Hélio, afinal, o lugar existe oficialmente nos registros trouxas. Certo?

— Sim, claro. — Donaldo concordou, pensativo. — Como as crianças vão para a escola dos trouxas, o orfanato tem registros oficiais e, se eu entrar com um pedido no tribunal trouxa, alegando que sou o tio de Hélio, que estive fora do país por muito tempo, nem sabia da morte do meu irmão e cunhada...

— Você entendeu. — Harry sorriu de sua empolgação. — Teremos que criar uma boa história, meio-irmão é melhor que irmão, assim se justifica você ter perdido contato com o Ulisses. Falc pode conseguir todos os documentos necessários, inclusive o registro de uma casa em seu nome, pois a assistente social irá visitar. E eles não terão porque dizer não...

— Porque não sabem que sou um lobisomem! E os bruxos não ligam a mínima para as crianças sem magia, nem perceberão que ele foi adotado. Harry, isso pode dar certo!

— Fico feliz que queira isso, pensei que teria que usar de um pouco de chantagem. — Ele brincou, o que fez o homem rir.

— Travers me contou sobre isso. — Então, Donaldo ficou sério. — Não, jamais viraria as costas para o menino, antes de Stronghold, não teria nada a lhe oferecer, Hélio ficaria melhor no orfanato, mas agora, posso lhe dar um lar. E quem sabe um dia...

— Você consiga os seus filhos também? — Harry especulou ao vê-lo hesitar.

— Se pudesse, já tinha roubado os dois, amigo, na verdade, nunca teria partido sem eles, mas meu pai disse que se eu desaparecesse para sempre, nunca enviasse nem mesmo uma carta, Otto seria o chefe da família um dia. — Sua expressão era miserável. — Como poderia levar os meus filhos para viverem na pobreza, cercados de perigos terríveis e ainda tirar do meu menino o direito a sua herança?

— Agora não têm mais perigos ou pobreza, mas seu pai ainda deserdaria o neto, passando a sucessão ao Ulisses.

— Pior, o Ministério com certeza se preocupará em saber para onde foram duas crianças mágicas, isso colocaria a Matilha em perigo. Não, se eu puder ter contato com o Otto e com a Orla sem meu pai saber, quem sabe, me encontrar com eles quando forem mais velhos, já estarei contente. Então, um dia, meu filho será o chefe da família e, talvez, poderemos ser parte da vida um do outro.

Harry pode ver sua resignação acompanhada de tristeza e cansaço. Deveria ser difícil para um homem adulto que sempre teve tudo, perder sua vida, família e crenças em uma única mordida.

— Bem, talvez tenha um novo caminho.

— Como assim?

Donaldo aceitou seu convite para se sentarem em um banco de cimento, que ficava na borda da praia, e ouviu a história de Brigite Potter.

— Meu tataravô era seu antepassado também?

— Sim, mas não sei os detalhes, quer dizer, Ralston não teve seus próprios filhos? Por que Charles, que era o nome do bebê, se tornou o herdeiro Potter? — Harry especulou, pensativo. — De qualquer forma, me parece tão absurdo ele culpar o filho pela morte da esposa e dar o pequeno embora.

- Se ele amava sua tataravó, pode não ter suportado a dor, apesar de ainda ter forças para se casar por conveniência e ter um filho antes de beber até morrer. A história é interessante, Harry, mas o que tem a ver com o presente? — Donaldo o encarou, curioso.

— Bem, é só uma ideia que passou pela minha cabeça, talvez não leve a nada, mas me ocorreu que se o seu tataravô não destituiu magicamente o filho como o seu herdeiro, então, eu sou o chefe da família Quirke.

— O que!? — Assombro tomou o lobisomem, que não conseguia entender por completo o significado do que ouviu.

— Olha, não estou tentando roubar do Otto o seu lugar de direito, assim, fique calmo. Ok?

— Não tinha pensado nisso, na verdade, mal consigo formar um pensamento coerente. Me explique o seu raciocínio, por favor.

— Seu tataravô estava tomado pela dor do luto, bebendo inconsolável, deu o pequeno Charles embora, depois soube que ele foi adotado por Ralston. Uma adoção de sangue que fazia o menino filho e herdeiro da família Potter. — Ele falou devagar, o lobisomem acenou em acordo. — Provavelmente, pressionado pelos pais ou parentes, seu antepassado se viu obrigado a um novo casamento, para que tivesse um herdeiro da linha Quirke. Mas estive lendo sobre heranças mágicas, linhas femininas, famílias patriarcais e assim por diante, portanto, sei que a adoção de Charles por Ralston, não o destituiria de ser também o herdeiro da sua família, Donaldo.

— Quer dizer que ele se tornar um Potter por sangue e magia não o faria menos um Quirke.

— Exato. E ele não era qualquer Quirke, Charles era o herdeiro mágico da sua família e para que deixasse de ser, o seu tataravô precisaria fazer uma cerimônia ou um ritual de rejeição e, depois, quando o segundo filho nascesse, um novo ritual de aceitação, onde o garoto seria feito o novo herdeiro mágico.

— Sim, entendo o que quer dizer, não é diferente do que o meu pai fará comigo e com Otto, aliás, aposto que ele já fez esses dois rituais e que meu filho já é oficialmente e magicamente o seu herdeiro. Mas se meu tataravô não fez isso... — Donaldo parecia perdido, chocado, incrédulo. — Harry, se ele não fez as duas cerimonias, então, você é o chefe da família Quirke, pelo menos magicamente.

— Será que tem alguma maneira de descobrirmos?

— Sim, deve haver algum ritual ou encantamento. — Seu olhar passeou pela vila, procurando. — Falc cuida muito de heranças, ele pode saber. Mas no que isso nos ajudaria?

— Suponho que o testamento passou os negócios da família para o segundo herdeiro, então, não poderíamos mudar isso, mas acho que teríamos uma abertura para um processo judicial. Quer dizer, estou especulando ou imaginando, mas como o verdadeiro herdeiro da linha Quirke, eu tenho direito ao que me pertence. Certo?

— Acredito que sim porque, se ao morrer, um pai deixasse para o filho mais novo toda a herança da família, o filho mais velho poderia contestar. Na verdade, o mais novo também teria o direito de exigir uma parte, mas sendo o herdeiro mais velho, você poderia exigir tudo ou a maior parte. — Donaldo acompanhava o raciocínio chocado, absolutamente sem entender aonde o Harry queria chegar.

— Agora, além de assumir os negócios dos Quirke, como o herdeiro mágico, eu poderia escolher o meu sucessor e transferir para essa pessoa a chefia da família. Não preciso ou sou obrigado a deixar para um filho, certo?

— Teria que ser alguém que a magia Quirke aceitasse, você não poderia escolher um estranho qualquer e passar a sucessão, pois essa pessoa seria rejeitada. — Ele explicou, então parou ao ver o sorriso malicioso do menino. — Quer dizer... se isso tudo for verdade, você poderia passar a sucessão para o Otto e eu não ficaria preso a chantagem do meu pai! Merlin!

Donaldo se levantou do banco, andando de um lado para o outro completamente assombrado, mas com alguma esperança de que poderia ter seus filhos de volta. De tudo o que tinha perdido, eles é de quem mais sentia falta.

— Na verdade, estava pensando em passar a sucessão para você, amigo.

— Não, Harry, isso não valeria de nada, o Ministério tomaria tudo em segundos, afinal, não posso ter propriedades, mas se me fosse permitido ser o tutor ou guardião do meu filho. — Ele fechou os olhos, respirou fundo antes de encarar o seu novo irmão de matilha. — Não devemos fazer planos tolos antes de sabermos se isso é possível, mesmo que você for o verdadeiro herdeiro da linha Quirke, ainda haverá um processo legal para que isso seja reconhecido.

— Poderia levar muito tempo, você prefere que eu não faça nada?

— Não! — Donaldo voltou a se sentar no banco. — Se você estiver disposto a isso, a comprar essa guerra com o meu pai...

— Claro que estou ou nem mencionaria, ora.

— Por que, Harry? — Ele gesticulou, confuso. — Por que ter todo esse trabalho?

— Além do fato de que somos família duas vezes? Ou da terrível injusta que você e todos os habitantes dessa ilha sofreram? — Harry suspirou, cansado. — Quando procurei o seu filho para falar sobre você, ele chamou o Wilkes de idiota, o que achei um bom sinal porque esse garoto é mal, Donaldo, de um jeito muito cruel e assustador. Otto o acompanha, mas está sempre atrasado, em uma zombaria ou comentário purista do garoto, seu menino sempre sorri, fala ou concorda com alguns segundos de atraso. Entende?

— Sim. — O lobisomem assentiu, preocupado. — Eles são os únicos puros do seu ano na Ravenclaw?

— Os únicos que seriam considerados adequados. — Pensou em Luna, que sofreu bullying de Wilkes.

— Então, o garoto se juntou ao Otto, que não teve como se afastar porque seria considerado uma desonra recusar a amizade sem um motivo justo. Os Quirke e Wilkes não têm uma longa ou forte amizade, mas fazíamos negócios com eles, frequentamos suas festas, os convidamos para as nossas.

— Mas a família Wilkes apoiou Voldemort, enquanto a sua não. Certo?

— Certo, meu pai não daria nem mesmo alguns galeões para a causa, pois apesar de não aceitar lobisomens ou abortos na família, ele nunca teve interesse em matar ou expulsar os nascidos trouxas. Claro, eu tive um contrato de casamento com uma bruxa pura, mas isso é mais como uma tradição, sabe, é como as coisas são feitas na minha família desde sempre.

— Ou desde o nosso tataravô, porque ele se casou com Brigite por amor.

— Sim, é possível. Então, você faz isso para afastar o Otto do garoto Wilkes?

— Faço isso para que o seu filho não lute contra mim na guerra, Donaldo. — Harry o encarou com tristeza ao pensar em Snape. — Porque, como as coisas estão indo, em alguns anos, Otto poderá ser convencido a servir Voldemort.

— Minha nossa. — O lobisomem empalideceu, escondendo o rosto nas mãos trêmulas. — Meu filho...

— Por isso que acho que vocês precisam ter algum contato, mesmo que ele seja obrigado a fingir ser amigo do Wilkes, talvez, o seu coração não mude.

— Harry, se conseguir ser reconhecido como o chefe da família, poderei pegar meus filhos, afinal, será você, não o meu pai, que passará a sucessão ao Otto. — Ele explicou, ansioso. — E, se não for seguro para a Matilha, deixarei o país...

— Depois do ritual de ligação, acredito que não tem lugar mais seguro que aqui, amigo, além disso, não se esqueça do Hélio.

— Sim, verdade. — Donaldo respirou fundo, tentando se acalmar. — Um passo de cada vez, conseguirei a guarda do meu sobrinho, descobrimos se nosso tataravô nos deixou um coringa e, depois, afastamos o meu filho desse destino terrível.

— Combinado.

Eles se apertaram a mão, dessa vez, Harry nem estranhou o choque que sua magia causou.

Quando voltavam para a vila, foram interceptados por McGregor, que parecia ainda mais mal-humorado.

— Quero falar com você, garoto.

— Pode ir conversar com o Falc. — Harry liberou Donaldo, apontando para o Sirius, que vinha se aproximando, pronto para intervir se fosse necessário. — O que foi, Dougie?

— Já disse que não gosto que me chame assim, deveria ter um mínimo de respeito pelos mais velhos, garoto. — O gigante escocês resmungou.

— Bem, o respeito deve ser recíproco, já lhe disse que não quero ser chamado de garoto, meu nome é Harry ou Potter, o que preferir. Se quer falar sobre a fazenda, para mim a questão está encerrada, os alfas já decidiram, e são eles quem mandam aqui.

— Besteira, aqueles dois podem estar desfilando por aí com o titulo de alfas, mas é você quem dá as ordens e eles te obedecerão, Potter.

— Isso não é verdade, é você quem não consegue respeitar a autoridade de ninguém porque se acha o senhor da perfeição, o único com capacidade de ser alfa ou o administrador da fazenda. — Ele ironizou.

— Ora, porque é verdade! Eu chefiei os meus homens no alto das montanhas escocesas, enfrentamos o frio, as tempestades de neve, mas nunca passamos fome ou roubamos um pedaço de pão. O povo de Elfort e da Becky mal se aguentam em pé de tão desnutridos que estão, isso sem falar que a garota nem era a alfa de verdade.

— Você sabe que o Tenny já tinha deixado tudo nas mãos dela e suas matilhas eram gigantescas, Douglas, mesmo com as intempéries das montanhas, você só tinha 122 homens fortes ao seu lado, não mulheres, crianças ou idosos. — Harry suspirou ao ver sua careta. — Olha, não ficarei defendendo as minhas decisões, vocês são os adultos aqui, precisam resolver seus problemas, pois como gosta de lembrar, sou só um garoto.

— Acha que sou o único problema dessa matilha? — Douglas cruzou os braços, meio debochado. — Vocês ficam vendo tudo com olhos de unicórnios, animadinhos com a união dos lobisomens ou com essa ligação mágica, mas tem muitos aqui com olhos calculistas e maldosos. Como poderia ser diferente se você aceitou bandidos que nunca deveriam se misturar com quem sempre buscou ter uma vida honesta.

— Meus antepassados estão vigiando e se você procura por uma função na matilha, essa poderia ser a sua, Douglas. — Harry fez um gesto amplo com o braço. — Se torne um beta forte e leal, vigie aqueles que não são sinceros, proteja os inocentes, defenda seus alfas.

— Está sendo ingênuo, além disso, não quero nada disso, apenas administrar a fazenda como sei que posso fazer.

— Está com medo?

— Medo? — Ele riu, divertido. — Não tenho medo de nada, Potter, só não sinto que devo nada a todas essas pessoas, sou leal aos meus homens porque eles são leais a mim. Acredita que me dedicarei a ajudar essa cambada para acabar sendo apunhalado pelas costas?

— Acho que primeiro você deveria tentar ter fé no que estamos construindo aqui, por ora, aceite a punição e tente encontrar um novo trabalho. Talvez, com o tempo, as coisas mudem.

Harry tentou se afastar, mas Douglas o segurou pelo braço, sua magia saltou lhe dando um leve choque frio.

— Ei! — O lobisomem arregalou os olhos quando mão se iluminou.

— É só minha magia agindo estranha. O que foi? Eu tenho outros compromissos antes de voltar a Hogwarts.

— Estou lhe pedindo que você reconsidere a decisão, Potter.

— Por que? Você e seus homens fizeram besteira, Mael e a nova equipe são competentes até que se prove o contrário, empregos não faltarão a sua ex-matilha.

— Eu sou a melhor escolha e aposto que quando a magia escolher o novo alfa, meu nome é que se mostrará. Isso porque esse pessoal precisa de um pulso firme, de dureza, não a passividade daqueles dois. — Douglas ergueu o queixo, arrogante. — Mas por hora, se quer eu vigie, proteja e controle os descontentes, me devolva o controle da fazenda.

— Nossa, eu achando que Voldemort era egocêntrico. — Cansado, Harry buscou inspiração. — Você disse que é leal aos seus homens, porque são leais a você, certo? Bem, agora você tem milhares de homens e mulheres aqui, eles são seus também, cara. São parte da sua matilha, seus irmãos, não importa que você não seja o alfa, e se quer a lealdade deles, terá que conquistá-la. — Ele deu um passo à frente e pegou em seu braço. — A minha lealdade você terá quando parar de se preocupar com o próprio umbigo ou se ainda estiver vivo daqui a um ano. Por isso, te aconselho a se conectar de verdade com a Matilha dos Lobos Guardiões ou ir embora, pois meus antepassados e eu não aceitaremos traidores.

Dessa vez, Harry se afastou bem rápido em direção ao Sirius, que estava a três metros, ouvindo a conversa sem o menor constrangimento.

— Que figura, duvido que ele consiga, não dou 2 meses para que caia fora.

— Acho que pode estar certo, infelizmente. — Ele respondeu, chateado.

Ao chegar aos Boots, encontrou o Donaldo explicando tudo em detalhes para o Falc, que fazia anotações e mais anotações.

— Bem que você disse que me arrumaria novos projetos, hein? — Ele sorriu, divertido.

— Acredita que é possível, Sr. Falc?

— A adoção do Hélio, com certeza. Sobre descobrir se você é o chefe da família Quirke, teremos que utilizar um encantamento antigo, nunca precisei dele antes, então, terei que fazer algumas pesquisas e me preparar. Sugiro que deixemos isso para o verão. — Falc explicou enquanto continuava as anotações. — Sobre o espelho, Sirius pode deixar o dele para o Donaldo, você já tem o outro.

— Aqui. — Sirius entregou o espelho, mas lançou uns encantamentos simples. — Agora está o seu nome, Donaldo Quirke, mas se precisar acionar o outro, tem que falar "Harry Potter".

— Obrigado, mas você ficará sem? — O lobisomem os encarou, preocupado.

— Temos muitos pares que utilizamos na missão contra Greyback, fique tranquilo. Bem, acho que é isso, tem algo mais que precise fazer Harry?

— Não, podemos partir. Onde está a Daphne?

— Quando você demorou tanto para acordar, pedimos ao Dobby que a levasse para Hogwarts, afinal, ela precisa aparecer no almoço do Grande Salão hoje ou alguém poderá desconfiar. — Falc explicou.

— A própria Daphne disse que precisava ir, pois os slytherins são muito vigilantes. — Sirius acrescentou com uma careta irônica. — A sala comunal das cobras deve ser diversão pura.

As despedidas foram rápidas, pois a manhã já chegava ao fim. Quando aparataram para Oxford, faltava apenas meia hora para o almoço, Harry só teve tempo de abraçar os irmãos antes de se sentarem a mesa.

— Quer dizer que você poderia ter morrido com o excesso de magia? — Prof. Bunmi, como a esposa, os netos e Denver, ficou chocado ao saberem o que aconteceu no ritual, mas os outros que estiveram na ilha mal podiam acreditar no que o Harry contou sobre sua conversa com a Deusa e seus antepassados. — E ninguém pensou nisso? Considerou essa possibilidade?

— Não, porque a ligação deveria conectar as suas magias, mas quando os alfas decidiram repetir o sacrifício, eles mudaram tudo. — Serafina tentou explicar. — Harry sacrificou parte de si, de sua magia, entregando-a de maneira voluntária a Matilha como um todo, os alfas, tocados por sua atitude, retribuíram o sacrifício dando parte da magia da Matilha a ele, mas essa magia é alimentada por três mil bruxos.

— Como a Matilha é muito poderosa, mesmo uma parte pequena, ainda era muito. — Sirius completou.

— Com certeza era muito. — Harry assentiu, devorando a lasanha feita pela Sra. Madaki.

Hoje, o resto da família não estava visitando, além deles, apenas Denver apareceu para o almoço, na verdade, ela já estava em Oxford quando chegaram, pois se preocupou quando recebeu o recado de Sirius, de que dormiriam em Stronghold na noite anterior.

— Você teve medo, Harry? — Ayama tinha os olhos arregalados de espanto ao imaginar raios saindo do corpo do irmão.

— Não tive nem tempo de ter medo porque, por um momento, só conseguia sentir dor, então, o meu irmão espiritual me aconselhou a entregar a magia para a natureza, eu fiz isso com muito prazer. — Ele brincou de leve, tentando quebrar a tensão dos adultos.

— Por que essas coisas só acontecem com você? — Terry estreitou os olhos, exasperado.

— Não faço ideia. — Os dois riram, Ayana e Adam acompanharam, o que fez os mais velhos relaxarem um pouco.

— Quando nos envolvemos com magia, principalmente uma tão antiga e poderosa, fenômenos podem ocorrer. — Sr. Boot considerou, suave. — E sabemos que com o Harry, isso é ainda mais verdadeiro.

— Você não conseguiu ver que animal era o seu irmão espiritual, Harry? — Adam falou, animado.

— Não, mas ele disse que o momento de nos unirmos está próximo, só preciso aceitar todas as partes de ser um guerreiro. Não posso dizer que entendi, mas o que a vovó Brigite disse também me pareceu estranho. — Pensativo, ele repetiu a mensagem: A escuridão que tem dentro de você também deverá ser extirpada no momento certo e nós estaremos lá para ajudá-lo. Deixe a bondade e o amor inundar a sua vida. Lembre-se.

— Que estranho. — Sirius olhou entre os adultos, para ver se alguém tinha entendido, mas todos estavam confusos como ele.

— Senti que não devia perguntar, não era o momento de saber. — Harry acrescentou. — Entendem?

— Claro, as vezes não estamos prontos, mas quando descobrirmos o significado da mensagem, nós também estaremos ao seu lado. — Serafina lhe deu um sorriso amoroso.

— Provavelmente, ela está falando sobre derrotar Voldemort, algo que está escrito na profecia. — Falc especulou. — Que tem a ver com o que a Deusa lhe falou, Harry.

— Ainda estou assombrada com o fato de a própria Deusa surgir durante o ritual. — Denver comentou, sabendo que se não confiasse no menino, acreditaria ser tudo mentira. — Duvido que alguém possa dizer que vivenciou tal privilégio.

— Fiona também se surpreendeu, ela esperava apenas que a magia aceitasse a convocação, que permitisse ou não que os antepassados do Harry aparecessem, mas então, de repente, um grande poder surgiu. — Serafina contou, as crianças ouviam com atenção. — Nós não entendemos, olhamos para o Harry, que conversava em um sussurro inaudível com alguém, mas Fiona disse que sentiu que especial acontecia.

— Suponho que terei que contar a ela, além do Jonas, mas será difícil explicar o que a Deusa me disse sem falar sobre a profecia.

— Mas essas palavras nos fazem pensar que Voldemort e Dumbledore estão certos, que a profecia é real. — Terry apontou.

— Neville e eu criamos uma teoria sobre isso. — Harry compartilhou. — A Deusa percebeu que Voldemort estava prestes a vencer a guerra, trazendo muita escuridão ao mundo mágico e trouxa. Então, assim como Ela criou a Diona para proteger os animais mágicos, Ela decidiu criar a profecia que tornaria uma criança o seu guerreiro, com o poder de derrotar Voldemort.

— Mas por que escolher você? Por que não qualquer outra criança ou Neville? — Sirius não escondeu a tristeza ao questionar.

— Acredito que ela percebeu a fraqueza de Peter, sabia que meus pais e os Longbottons morreriam como muitos outros na guerra, mas seus filhos seriam poderosos, além de terem caráter e bom coração. A profecia foi enviada para que Voldemort agisse sobre ela, a tornando real, assim, a morte dos meus pais significaria o fim temporário da guerra e a criação da proteção, que acreditamos pode me ajudar a vencer. — Harry olhava para o padrinho, tentando fazê-lo compreender. — O nascimento de Neville foi adiantado, na verdade, ele nasceu quase no dia 29, então, acreditamos que nesse momento, a Deusa já tinha me escolhido.

— Por causa de Peter. — Sirius se recostou na cadeira, refletindo. — Calculamos que ele começou a espionar um ano antes do Halloween, mas poderia ter sido antes ou a Deusa já sabia que ele cederia as ameaças, então, escolheu você, porque seria a criança mais vulnerável.

— Por que? — Denver franziu o cenho, confusa.

— Os Longbottom eram aurores, mesmo ao saberem da profecia, continuaram a trabalhar e lutar na guerra, enquanto Neville ficou com a avó, protegido na mansão da família, sob alas antigas e fortes. — Sirius explicou. — Claro que Voldemort poderia derrubar as alas, mas seria um trabalho de horas, impossível de disfarçar, atrairia os aurores e a Ordem para combatê-lo.

— Meus pais escolheram ficar em casas seguras, confiando nos amigos, mas Peter os entregou algumas vezes, até que decidiram pelo Fidelis.

— E escolhemos justamente o espião para ser o fiel do segredo. Que grande tolice. — Sirius bebeu um gole de vinho, tentando afastar a amargura da boca, enquanto Denver apertava o ombro dele.

— Então, a Deusa já sabia que Voldemort escolheria o Harry, pois ele seria mais fácil de alcançar...

— E também porque ela o conhece, saberia que Tom se identificaria com a criança mestiça, não com a sangue puro. — Harry acrescentou.

— Então, pensando assim, Voldemort caiu em uma armadilha preparada pela própria Deusa. — Terry arregalou os olhos, surpreso com a ideia.

— Faz sentido. — Serafina falou em tom suave, quase triste. — Ela usou a morte inevitável de Lily e James para nos dar uma pausa da guerra ao mesmo tempo em que dotava o seu escolhido do poder de vencer Voldemort de uma vez.

Todos assentiram em acordo e pensando que o plano era brilhante, ainda que fosse triste que Lily e James não pudessem ser salvos.

— Ainda acho estranho que uma criança tenha que vencer um homem adulto em uma guerra. — Sra. Madaki observou ao servir a sobremesa.

— Mas não será assim, afinal, mesmo se no momento final, for a minha varinha que o derrote, ainda não estarei sozinho. Começando pelo sacrifício dos meus pais até a ajuda de vocês e das equipes, no fim, a guerra será vencida por todos nós. — Harry afirmou, convicto.

— Estamos nos preparando, treinando... Aliás, Denver é uma verdadeira carrasca. — Falc contou, brincalhão, o que fez as crianças rirem. — Também estamos buscando os segredos de Voldemort, tirando do caminho os seus principais comensais da morte. Quando ele voltar, estará enfraquecido e seremos muitos lutando contra as suas crueldades.

— Bem, acho que vocês estão sendo bem racionais ao se preparam para a guerra. — Prof. Bunmi disse. — No entanto, o que os ajudará a vencer são suas ações sociais e educacionais, Stronghold, a Associação de Pais, a GER, o Partido das Justos, tudo isso gerará mudanças profundas na sociedade mágica.

Ninguém pode discordar disso, então, Harry perguntou:

— Aliás, já temos o professor de Defesa para Hogwarts? Por que eu tenho uma sugestão, acho que se ele aceitasse, seria mais uma vitória contra Voldemort.

— Quem? — Todos se mostraram curiosos, mas foi Sirius quem falou.

— Moody. — Ele sorriu ao ver a surpresa de todos. — Pensem, ele é um dos melhores aurores que temos, já trabalha no treinamento dos recrutas e com o fim da maldição no cargo de professor, poderá nos dar aulas por anos, nos preparando para a guerra.

— Isso é brilhante! — Sirius sorriu, orgulhoso. — Se ele aceitar, claro.

— Pedirei a Dumbledore que o convide, os dois são bons amigos e Moody não conseguirá dizer não. — Sr. Boot decidiu, todos acenaram em apoio.

— Eu treinarei a Equipe Covil em Defesa Avançada, pois eles poderão estar na linha de frente, mas com o Moody como professor, todos os outros também estarão sendo preparados para se defenderem.

— Nossa, se ele aceitasse, seria um grande alívio, pois estamos sem opções. — Serafina comentou, animada por terem uma boa solução. — Assim, posso me concentrar em encontrar os professores para Flidais.

— Ah, eu conversei com meu amigo, St. Clair, expliquei o projeto e ele se interessou, mas quer conhecer tudo pessoalmente antes de aceitar o cargo. — Denver informou. — A carta dele chegou ontem à noite.

— Sim! — Serafina bateu palmas. — Você tinha razão, Harry, ao sugerir que a nossa causa o atrairia.

— Simon não conseguiria resistir a ajudar um povo perseguido, pois ele descende dos Cheyenne, que foram massacrados pelos trouxas durante a colonização. — Denver compartilhou. — Acredito que só de conhecer Stronghold, ser apresentado aos lobisomens, meu amigo aceitará ser o professor de Herbologia.

— Se é assim, então, só faltará professores para as aulas de Transfiguração, Estudos dos Seres e das Criaturas Mágicas, Artimancia e Ciências.

— Bem, sobre os ESCM, Hagrid seria uma boa opção, mas ele não conseguiria manter o segredo, mesmo que sua própria vida dependesse disso. — Harry comentou, recebendo total apoio de Terry e Sirius.

— Mesmo que ele conheça sobre as criaturas mágicas, não quer dizer que seria um bom professor, pois precisa ser treinado para a profissão. — Serafina contestou.

— Algumas pessoas acham que é só ir na frente de dezenas de jovens que não sabem de nada e explicar o que está escrito no livro. — Prof.º Bunmi fez uma careta, indignado. — Ser professor é mais do que isso, devemos ajudar ensinar, construir conhecimentos com os alunos, compartilhar informações, instruir, corrigir, apresentar caminhos e possibilidades. Para realizar essa tarefa, é necessário aprender a ensinar.

— Bem, se vocês me ensinarem, acredito que poderia ser o professor de Aritmancia, pelo menos até que encontrem alguém em definitivo. — Sirius sugeriu com certa timidez. — Essa era uma das minhas melhores matérias em Hogwarts.

— Ora, parece que treinarei outro professor. — Prof.º sorriu, contente.

— Terei que relembrar as aulas iniciais, mas no treinamento com a Denver, ela me fez estudar um pouco de Aritmancia avançada. — Ele olhou para a namorada, que acenou de acordo. — E foi incrivelmente fácil, nem parecia que eu tinha passado dez anos sem nem pensar no assunto.

— Você deve ser natural na arte. — Terry ficou impressionado.

— Para ser auror, precisa estudar Aritmancia? — Harry se mostrou curioso.

— Não é obrigatório, mas se você tem interesse em se destacar e subir na hierarquia, Aritmancia e Runas Antigas, o ajudarão a ser mais do que uma varinha. — Denver respondeu, muito séria. — A verdade é que qualquer coisa que você estudar além do básico, é fundamental, principalmente para sobreviver.

— Como policiais que estudam psicologia e ciência forense. — Terry acrescentou, comendo a sua torta de morango distraído. — Ainda são ramos novos e não obrigatório, mas aposto que ajudará muito no futuro.

— A verdade é que existem muitas ferramentas que podem auxiliar um auror ou policial, basta ter interesse em aprender. Como os rituais que você fará para aumentar sua magia, por exemplo. — Denver aceitou mais torta quando Sirius lhe ofereceu, pois ela amava doces e ele sabia. — Durante o treinamento auror, somos examinados pelos curandeiros, que nos recomendam alguns rituais de acordo com os resultados. Para sermos aurores fortes e capazes, temos que estar em nosso melhor, seja no físico, na magia ou no espírito, pois um dia, matamos alguém e no outro, podemos não conseguir salvar um inocente.

— A mente não entra na preparação? — Terry franziu o cenho.

— Com meditação, oclumência e rituais de fortalecimento mental, mas também não introduziram a psicologia na MACUSA, Terry.

— Bem, um dia isso mudará, tenho certeza.

— Já que a Denver tocou no assunto, me lembrei que a Fiona nos falou ontem que precisamos encontrar um local para realizar os rituais que seus avós solicitaram. — Serafina mudou de assunto. — Em Hogwarts, poderíamos ser descobertos por Dumbledore e, em Stronghold, a floresta não tem poder suficiente.

— Os locais onde se realizam rituais tão poderosos precisam ser magicamente fortes para ajudar a fornecer poder, proteção e apoio durante o processo. — Sirius explicou ao ver a expressão curiosa do afilhado. — A ilha não serve. Fiona explicou que uma das coisas que fez o ritual de ontem ser tão exaustivo e perigoso para você foi o fato de que a ilha não tem magia forte e antiga para dar suporte ao ritual, pois poucos bruxos viveram por lá, ao contrário da Floresta Proibida Pensei em deixar ela examinar Stone Waterfall ou poderíamos buscar um local público, como Stonehenge.

— Ok. — Harry franziu o cenho, pensativo — Hum, não acredito que Stone Waterfall seja tão poderosa como a Floresta Proibida e não sei se quero usar Stonehenge, parece meio impessoal. Mas Hogwarts é muito arriscado, pois não queremos alertar um certo narigudo bunda magra.

O comentário fez Ayana e Adam rirem, o que levou a Sra. Madaki a pedir aos dois que a ajudasse a tirar a mesa. Denver, Harry e Terry se levantaram para ajudar.

— O nosso bosque também é jovem. — Sr. Boot comentou. — Precisamos encontrar uma floresta antiga que tenha uma magia poderosa.

Oh. — Harry parou no caminho para a pia da cozinha, sentindo um arrepio gelado percorrê-lo ao perceber que conhecia o lugar certo.

— O que? — Terry estranhou a palidez de Harry, que tentou disfarçar, deixando os pratos com a Denver, que já começava a lavá-los.

— Acho que conheço o lugar certo. — Ao ver as expressões curiosas, acrescentou em tom gentil. — Não tem muito tempo, estivemos em uma floresta com magia forte e antiga, onde as árvores são bem velhas.

— A floresta onde estão a senhoras árvores? — Adam parou o que fazia e todos arregalaram os olhos ou ficaram pálidos com a lembrança.

— Sim, Adam. — Harry se aproximou do menino, tocando o ombro dele com carinho. — A floresta é muito poderosa, me ajudou a te encontrar e enviou o Galon, então, acredito que seria o melhor lugar para realizarmos o ritual.

Todos ficaram em silêncio, esperando para ver a reação do menino, que apenas acenou em acordo.

— Acho que está certo, Harry, as senhoras árvores são muito boazinhas, elas vão te ajudar a ficar mais forte.

Houve um suspiro de alívio coletivo com sua reação ou falta de reação negativa.

— Bem, está resolvido, então. — Ele olhou para os seus adultos, percebendo, de repente, o que precisava fazer. — Acredito que devemos comprar aquela floresta, preservar como um parque nacional, além de construir um círculo rúnico poderoso que todos poderemos usar agora e no futuro.

Os adultos o encararam, chocados com a resolução brusca. Serafina chegou a pensar em argumentar que poderiam usar a floresta sem comprá-la, mas logo desistiu quando viu o Falc tirar um caderninho para fazer outra anotação. A verdade é que todos conheciam esse tom firme e determinado do Harry, e sabiam que ele estava decidido.

Logo depois, todos voltaram para a mansão da família Boot em Londres, menos Sirius e Denver que foram para o apartamento dela depois das despedidas.

— Sr. Falc, temos outro lugar para ir antes que eu volte para Hogwarts. — Harry informou.

— Querido, Dumbledore está esperando vocês depois do almoço. — Serafina o alertou.

— Podemos dizer que almoçamos tarde. — Ele sorriu, divertido. — É importante. — Depois de explicar, percebeu o casal um pouco constrangido.

— Nós íamos falar com vocês sobre isso, pois também ficamos surpresos ao encontrar Blue ontem. — Ela pediu que Terry e Harry se sentassem na sala de estar, enquanto o Sr. Boot foi para o escritório continuar suas pesquisas e as crianças foram brincar. — Eu estudei com Letícia Brown, estávamos no mesmo ano, na Ravenclaw. Sempre mantivemos uma boa amizade, ainda que nos encontrássemos mais socialmente, quando vocês não mencionaram a Blue, pensei que a menina era mais discreta que a Lavander, que se mostrou um pouco fofoqueira.

— Então, a família Brown veio ao meu aniversário sem a Blue. — Terry franziu o cenho. — Engraçado, apesar de saber sobre ela, não me ocorreu perguntar nada. Bem, não convivi muito com elas, era mais comum eu brincar com a Tracy ou o Cedric.

— Bem, isso porque Anton e Amos são bons amigos do meu ano em Hogwarts, eu não suporto a Letícia e seu marido, Procópio. — Falc fez uma careta ao ver o olhar da esposa. — Isso sempre foi uma discussão entre nós dois, na verdade.

— Sim, mas o que importa é que nós também não pensamos muito em Blue, perguntei sobre ela na sua festa de aniversário, filho, mas Letícia disse que a menina estava passando uns dias com amigos da escola, que supus serem crianças diferentes dos amigos da Lavander. — Serafina continuou a explicação. — Mas acredito que os Brown lançaram um encantamento sobre Blue, assim, aqueles que a conheciam, não se pensariam nela ou perguntariam sobre ela até o dia que a menina fosse esquecida por completo.

— Isso é possível? — Harry trocou um olhar chocado com Terry.

— Sim, é algo que as famílias fazem quando não querem que outros se lembrem de escândalos envolvendo o seu nome. É um encantamento difícil e caro, pois apenas um especialista poderia fazer, o Ministério oferece esse serviço. E se muitas pessoas sabem sobre o assunto ou pessoa, ele é impossível de ser feito como, por exemplo, se quiséssemos que os lobisomens fossem esquecidos. Entendem? — Falc respondeu em mais detalhes, os meninos assentiram. — Por isso você não se lembrou de perguntar sobre a Blue, Terry, confesso que também não pensei da menina.

— Eu me lembrei, pois convivi mais com ela, mas depois daquele dia, nunca mais pensei nela. E se não tivéssemos encontrando-a no orfanato, em alguns anos, esqueceríamos por completo que Lavander tinha uma gêmea.

— No Covil, Parvati perguntou, muito surpresa, se Lavander tinha irmãos e ela parecia muito chateada ao responder sobre o irmão mais velho. — Harry se lembrou daquele momento.

— Ela deve ter sido proibida ou até encantada para não mencionar a Blue. — Serafina tinha o olhar triste. — Pobre menina.

— Que curioso, eu sabia que ela tinha uma irmã e mesmo quando Lavander mencionou só o Peter, não me lembrei disso.

— Provavelmente, o encantamento foi bem e como Blue não é conhecida por muitas pessoas, ele tem ainda mais poder. — Falc considerou. — E todas as outras famílias fazem o mesmo, por isso você não vê ninguém fofocando ou o jornal mencionando a ausência de uma criança quando elas são enviadas para o Orfanato. Quando Sirius deu aquela entrevista falando sobre os assassinatos ou abandono das crianças sem magias, não houve matérias com nomes de famílias que fizeram isso porque não existem provas, afinal, ninguém se lembra delas.

— Mas Sirius se lembrou dessa criança dos Carrow que foi queimada viva.

— No entanto, ele não se lembra da criança em si, de tê-la visto, do seu nome, só sabe o que ouviu sua família falando sobre o fato.

— E as famílias esquecem também? Lavander esquecerá da irmã um dia?

— Acredito que relações tão próximas assim tornam o ato de esquecer improvável, ainda que não impossível, mas com certeza, ao longo dos anos, Lavander pensará menos na irmã, até porque ela não pode falar sobre isso. — Serafina suspirou, pensativa. — Pode ser que um dia, ela perceba que se passaram meses sem se lembrasse de Blue. E os familiares ou amigos mais próximos podem até lembrar que os Brown tiveram outra filha, mas não pensaremos nela ou sentiremos curiosidade em perguntar ou saber onde ela está, até que um dia, esquecemos.

— Isso é a coisa mais terrivelmente triste que já ouvi. — Harry estava chocado.

— Tente ver pelo outro lado. — Falc falou devagar. — Para uma criança como Kate Lestrange, ser esquecida pela família é algo muito bom, pois seu avô e tia planejavam matar a menina. Aposto que depois que a avó a contrabandeou para o Orfanato, o pai ou a mãe da menina solicitou o encantamento no Ministério. Em compensação, acredito que os Greengrass não fizeram o mesmo, afinal, a Vivi não foi enviada para o Orfanato.

— E isso não é bom? — Terry questionou, confuso.

— Não para a Valéria, a mãe da menina deve sentir muito a falta dela. Com o encantamento, ela não se esqueceria da filha, mas a dor seria amortecida, porque a magia a faria pensar ou se lembrar cada vez menos. — Serafina concluiu. — É possível que foi por isso que o feitiço foi inventado, para amortecer a dor da perda.

— Mas isso seria uma maneira terrível de lidar com a dor, ao invés de superar o luto, você esquece a pessoa ou ao menos, amortiza o amor que tinha por ela, como que não fosse tão importante. É como uma droga que mascara a verdade do que você sente e pensa, o que significa que a pessoa teria uma vida de mentiras. — Harry objetou na mesma hora. — Não importa o quanto doa a perda dos meus pais, prefiro senti-la todos os dias do que me esquecer deles.

— Nem todos são tão fortes como você, Harry. — Terry bateu no ombro do amigo. — Ou corajoso para enfrentar os próprios sentimentos.

— Ok, mas não podemos desfazer o encantamento nas crianças? — Ele decidiu se concentrar no mais importante. — Ou desmascarar esse absurdo?

— Isso seria ilegal, no mínimo, além disso, como eu disse, o feitiço protege algumas das crianças. — Falc o lembrou com suavidade.

— Bem, pensarei sobre isso com cuidado, aliás, todos devemos procurar uma solução possível. Quanto a Blue, nós podemos ajudá-la diretamente como fizemos com o Hélio e o Phillip, talvez, a Anna também possa ter uma família. — Harry passou a mão pelos cabelos, chateado.

— Anna Finley? — Falc franziu o cenho, confuso.

— Tem uma criança de Albert Finley no Orfanato? Enquanto ele prega que pretende ajudar os lobisomens e nascidos trouxas? — Terry empalideceu, furioso. — Como pode ser tão hipócrita!?

— Você está pensando em usar isso politicamente contra ele, Harry? — Falc trocou um olhar com a esposa.

— Se queremos que Finley vença, não é uma boa ideia, mas talvez, como quer tanto ganhar, se o escândalo estourar, ele se comprometa a ajudar as crianças sem magia de maneira mais efetiva. — Harry deu de ombros. — Mas estava pensando que o senhor ou o Sirius, poderiam se aproximar dos irmãos mais velhos da Anna, que nos disse que eles já são adultos. É possível que um deles aceite a menina como filha, principalmente, se prometermos apoio em ensinar a Anna a viver no mundo trouxa.

— Mas se eles deixaram ela ir para o Orfanato, porque a receberiam agora? — Terry ainda estava chocado ao pensar em uma criança sendo abandonada por tanto adultos.

— Sim, mas isso foi há três anos, eles deveriam ser jovens, acostumados a obedecerem ao pai e ao tio, que é um homem poderoso. Se forem puros sangues, podem não saber como criar uma criança que precisará ser educada no mundo trouxa ou ainda, serem dependentes financeiramente do chefe da família. — Ele gesticulou, impaciente. — Tudo isso é só especulações, devemos descobrir a verdade porque, se algum deles se importa ou não concorda com o que aconteceu com a Anna, o encantamento não os deixa agir.

— Claro, é possível que eles já estejam se esquecendo dela, mas com certeza, o feitiço os impede de pensar, perguntar ou se preocupar com a menina. — Falc fez algumas anotações em seu bloco, pensativo. — Você está certo, Harry, esse encantamento é muito cruel.

— Bem, vamos a GER? — Harry se levantou, ansioso por fazer o que era possível.

Logo depois, eles usaram o flu para a empresa no Beco, onde alguns funcionários trabalhavam, provavelmente fazendo horas extras em algum projeto, mas Lucy estava de folga.

— Ela ajudou tanto com Stronghold, foi incansável até que os lobisomens estivessem seguros. — Belle explicou ao escrever a informação pedida em um bloco de notas. — Ontem, logo antes do ritual, eu a liberei. A Fiona disse que só aqueles envolvidos deveriam ficar, fui a única exceção, pois ela temia precisar do meu apoio na liderança da cerimônia. Hum, está tudo bem com a Lucy?

— Sim, Belle, não se preocupe. — Falc se apressou em tranquilizá-la. — É uma questão familiar, por isso vamos até a sua casa, é mais discreto assim.

— Ah, fico aliviada. — A diretora da Divisão Evans sorriu. — E você, Harry? Recuperado?

— Sim, apenas minha magia que ainda parece meio instável, de resto, estou bem.

— Bom, porque o susto que nos deu tirou alguns anos das nossas vidas, sabe. — Eles riram antes de se despedir.

— Ela mora em Birmingham. — Falc leu o endereço entregue por Belle. — É um longo caminho de aparatação, depois, teremos que pegar um táxi.

E foi o que eles fizeram, não mais do que vinte minutos depois, o simpático taxista os deixou em frente a uma casa pequena em um bairro pobre a oeste de Birmingham.

— Porque será que elas ainda vivem aqui, depois de receber a indenização do Ministério? — Harry olhou em volta, antes de se concentrar na casa simples.

— Não tenho ideia. — Falc respondeu ao bater na porta amarela mostarda.

Alguns segundos depois, uma mulher de uns 45 anos atendeu com um sorriso educado.

— Olá, posso ajudá-los? — Então, seu olhar foi para o Harry, que ela reconheceu de imediato. — Harry Potter?

— Sim, senhora. — Ele estendeu a mão, educado. — É um prazer te conhecer, Sra. Brown.

Ela apertou a mão dele sem conseguir articular uma palavra, tamanha a surpresa.

— Sra. Brown, sou Falc Boot, advogado da GER, viemos conversar com a Lucy e a senhora.

— O que? Da GER? — A mulher de cabelos marrons claros e olhos castanhos esverdeados, empalideceu. — Algo aconteceu?

— Nada ruim, a Lucy está? — Falc esperava que sim, pois se não a visita seria mais complicada.

— Sim, por favor, entrem.

A sala era simples, mas bem colorida e limpa, combinava com a mulher de camiseta amarela e shorts jeans.

— Lucy! Querida, você tem visita!

A voz da jovem soou vinda de um corredor que levava aos fundos da casa, provavelmente onde estavam os quartos.

— É a Isa? Deixa-a... — Lucy parou, arregalando os olhos ao vê-los. — Sr. Falc! Harry! O que houve? — Sua aflição era visível. — Algo com Stronghold? Isabella? Ou a GER?

— Calma, Lucy, nada ruim aconteceu, por favor, não se aflija. — Falc falou com sua voz suave. — Desculpem aparecermos sem avisar, mas o tempo é curto.

— Temos um assunto de família para discutir com vocês, se puderem nos dar alguns momentos. — Harry olhou entre as duas, percebendo como eram parecidas, a diferença é que Lucy tinha olhos azuis claros, iguais aos da Lavander e da Blue.

— Assunto de família? — Lucy se aproximou, mostrando curiosidade. — Quer dizer, os Brown?

— Sim. — Falc respondeu. — Não queremos incomodar, mas Harry acredita que vocês devem saber de algo importante que descobrimos.

Lucy olhou para o seu chefe, que apesar de ser mais novo que ela, era uma das pessoas que mais respeitava e confiava no mundo todo.

— Claro, se você diz que é importante. — Ela apontou o sofá. — Sentem-se, por favor. Vou pegar um café ou preferem um suco?

— Um suco seria ótimo. — Harry sorriu, sentando-se.

— Deixa que eu pego, filha, você faz companhia a eles.

Sra. Brown se apressou para a cozinha, não demorando mais do que um minuto para voltar com uma jarra com suco de laranja bem gelado.

— Obrigada, Sra. Brown. — Falc aceitou o corpo flutuado magicamente em sua direção.

— Por favor, me chame de Ofélia, me sinto meio velha sendo chamada de senhora. Lucy, querida, você nunca me disse que conhecia Harry Potter. — Ela olhou para o menino com expressão admirada.

— Ah, achei que tivesse dito que o encontrei porque a GER ajudou na inauguração das Fazendas de Alimentos Potter, além disso, o escritório da empresa do Harry fica no prédio da GER. — Lucy respondeu, meio sem graça, mas em tom convincente.

— E eu sou advogado da GER e do Harry, Ofélia, então, acabamos esbarrando por todos os lados. — Falc concluiu a explicação cheia de meias verdades.

— Bem, é um prazer te conhecer, Sr. Potter, eu visitei a Feira de Sevenoaks ontem e me apaixonei por tudo! As laranjas do suco, comprei lá e por um preço incrível!

— Maravilhoso! — Harry abriu um grande sorriso. — Não me deixa mais feliz do que ouvir isso, Sra. Ofélia, mas me chame de Harry, por favor. — Então, sua expressão se tornou muito séria, o que fez a Lucy, que o conhecia melhor, perceber que algo grave acontecera. — Na verdade, é uma coincidência porque estive nesta mesma feira ontem e encontrei alguém que talvez, vocês conheçam.

— Quem? — Lucy trocou um olhar confuso com a mãe.

— Antes, deixa eu perguntar uma coisa: vocês têm contato com a família Brown? O irmão do seu pai, a esposa dele ou seus filhos? — Ele observou as duas com atenção, mas só viu um certa tristeza, orgulho ou despeito.

— Não, mesmo depois que o meu marido desapareceu, eles não quiseram contato conosco ou atenderam meus pedidos por ajuda financeira. — Ofélia cruzou os braços, irritada com o assunto. — Eu me humilhei, porque minha filha estava com fome, mas eles me disseram apenas que isso não era da conta deles. Só assim.

— Não fique assim, mãe, a senhora trabalhou duro e estamos bem agora, é só isso que importa. — Lucy sorriu para Ofélia com orgulho. — Por que está perguntando isso, Harry?

— Me responda primeiro o que eu perguntei, Lucy. Por favor.

— Ok. Hum, Peter Brown está dois anos atrás de mim, então, quando comecei o meu terceiro ano, decidi me apresentar, acho que pensei que ele seria apenas um menino doce que gostaria de conhecer a prima. — Ela endireitou os ombros. — Mas ele nem apertou minha mão, só sorriu meio debochado, disse que não tinha interesse em conhecer o lado pobre da família e que nem adiantava pedir dinheiro, porque a herança do nosso avô era tudo dele. Também ordenou que não lhe dirigisse a palavra nunca mais, pois não queria que ninguém soubesse que ele tinha caçadoras de galeões na família.

— Que figura. — Harry fez uma careta de nojo.

— Letícia e Procópio distorceram tudo, provavelmente disseram a todos que queríamos montes de dinheiro ou roubar a herança dos Brown, mas não era assim, sabe. — Ofélia apertou as mãos, emocionada. — Só queríamos uma ajuda para sobreviver, assim, Teseu não precisava ficar saindo por aí no meio da guerra, correndo riscos, talvez, ele nunca teria sido assassinado.

— Mãe. — Lucy apertou as mãos da mãe com carinho.

— Vocês viviam juntos apesar das proibições do Ministério? — Falc se mostrou curioso.

— Bem, não tínhamos uma casa em nosso nome para eles tomarem e eu tinha um bom conhecimento do mundo trouxa, o Ministério estava uma bagunça, esse foi o pior momento da guerra, em 81, então, conseguíamos nos esconder. — Ela suspirou, rosto pálido com as lembranças. — Eu trabalhava como garçonete, era o que nos mantinha, Lucy ficava com Teseu e nos mudávamos muito, pois temíamos os comensais da morte. Nunca pensei que deveríamos temer os aurores também.

— Ele foi mordido no início daquele ano, vovô nos expulsou de casa, deserdou o papai e fez o tio Procópio o seu sucessor. Ainda me lembro, um dia, vivíamos em uma grande mansão, no outro, mal tínhamos dinheiro para comer. — Lucy tentou esconder a amargura.

— Como meu sogro era vivo, ele controlava os negócios e dinheiro, Teseu tinha um cofre pessoal, mas o Ministério confiscou quando ele ainda se recuperava da mordida no St. Magnus, porque lobisomens não podem ter bens. — Ofélia fechou os olhos. — Mal nos acostumamos com aquela nova vida dura, quando meu marido foi em busca de um trabalho em Liverpool e nunca mais voltou.

— E sabíamos que ele estava morto, pois papai jamais não nos deixaria. — Lucy baixou os olhos para esconder as lágrimas. — Desculpe, não foi isso que você perguntou.

— Está tudo bem. — Harry falou com gentileza. — Vocês nunca tentaram contratar um advogado para saber se a maneira como foram cortadas da herança era legal?

— Não tínhamos como pagar por algo assim ou confiança que venceríamos uma disputa com uma família puro sangue rica. — Ofélia explicou. — Mas acredito que os temores de Letícia e Procópio sempre foram tão exagerados, que pode ser que tenhamos direitos, sim. Ou pelo menos, Lucy, por ser uma Brown de sangue.

— Se vocês quiserem, posso representá-las no tribunal. — Falc sorriu, meio animado. — Na verdade, farei isso pro bono, pois detesto aqueles dois. — Então, olhou para o Harry. — Não diga a Serafina que eu disse isso.

— Pode deixar.

— O senhor faria isso por nós? — Lucy se agitou, ansiosa. — Recebemos o dinheiro da indenização, pensamos em nos mudar daqui, mas nós queremos viver em Londres, perto da Isa e da GER.

— Só que um apartamento na capital consumiria todo o dinheiro, mal sobraria para a Lucy estudar música em um conservatório de Londres.

— Mãe, já lhe disse que desisti disso, estou focada em ajudar as pessoas e a GER me oferece essa possibilidade. Só não quero gastar todo o dinheiro porque ficaríamos sem nada para emergências, o custo de vida em Londres é mais caro, a senhora precisará conseguir um trabalho. — Lucy parou para respirar, então, corou de constrangimento. — Desculpem, não estamos deixando vocês nos falarem porque vieram, só ficamos tagarelando.

— Está tudo bem, como disse o Harry. E se quiserem, posso descobrir exatamente o que diz o testamento do seu avô, que acredito já faleceu? — Elas assentiram. — Bom, também verificarei algumas leis de herança quando alguém é destituído da família como o Teseu foi, mas tirando isso, tenho certeza que é ilegal um membro da família não ter o mínimo de direitos, mesmo que seja de uma pequena parte da herança.

— Mas se a família é patriarcal, o chefe não deixa tudo para o sucessor masculino, como aconteceu com a minha avó, Euphemia? — Harry apontou, curioso.

— Sim, mas o irmão da sua avó ficou com a casa ancestral da família, aposto que dos outros bens ou galeões no Gringotes, ela teve uma parte, mesmo que pequena, já que os O'Hallahans estavam falidos.

— Nossa, se tivermos um pouco que seja para receber, ficaríamos mais tranquila, certo, mãe? — Lucy sorriu, animada.

— Para mim, não faz diferença ou desejo ser mais humilhada por aqueles dois. — Ofélia afirmou, corajosa. — Mas por você, vale a pena, porque não é justo que não tenha acesso aos seus direitos.

— Concordo. Não tinha dito como sua mãe é inteligente, Lucy. — Harry sorriu quando as duas coraram com o elogio. — E a senhora deveria enviar um currículo para a GER, Sra. Ofélia, assim, consegue um bom trabalho e vocês podem se mudar para Londres.

— Nossa, acho que estou um pouco velha para trabalhar naquela empresa enorme. — Ofélia riu, parecendo mais jovem.

— Eu já disse isso a ela, Harry, e sobre como contratamos muitas pessoas para vários cargos e ajudamos com cursos, mas minha mãe não me escuta.

— Bem, mas a senhora deve me escutar, pois ainda é muito jovem e pode realizar grandes coisas. Talvez, vocês nem precise do dinheiro dos Brown, porque conquistarão tudo por si mesmas. — Harry incentivou. — Mas, eu ainda entraria com o processo, só para atormentar aqueles dois.

Isso provocou riso, as duas parecendo animadas com a ideia.

— Lucy, voltando ao que nos trouxe, você não tentou se aproximar da Lavander no ano passado? — Ele voltou a ficar sério.

— Pensei que ela agiria do mesmo jeito do irmão, não queria receber outro desaforo. — Ela deu de ombros. — E, bem, eu encontrei os meus tios na festa do Partido dos Justos, eles foram muito civilizados, mas depois a Isa os ouviu falando mal da nossa relação. Algo sobre sermos sensatas e guardarmos nossa anormalidade dentro da privacidade do lar.

— Que bom que eles não se filiaram ao partido. — Harry voltou os olhos verdes para a Ofélia, que parecia pensativa. — Sentindo falta de algo, senhora?

— Eu... Parece estranho, mas quando você falou sobre Lavander, senti um incômodo, como se estivesse prestes a dizer ou perguntar algo importante, mas não me lembro o que é. — Sua expressão era confusa.

— O que é isso, Harry? — Lucy apertou a mão da mãe com força.

— Ontem, conheci as crianças do Orfanato dos Bruxos sem Magia, mais conhecido como abortos, e descobri alguns sobrenomes bem interessantes, incluindo uma Brown. — Ele contou, vendo as duas arregalarem os olhos. — Lavander tem uma irmã gêmea, que infelizmente não tem magia e foi abandonada pelos pais, o nome dela é...

— Blue! — Ofélia exclamou, chocada. — Oh! Merlin! Eu me lembrei dela, mas como pude esquecer... Não entendo!

Sr. Falc explicou sobre o encantamento, que deixou as duas mulheres enojadas.

— Você lembrou, Ofélia, porque já era adulta e deve ter convivido mais com a bebê, Blue, mas para Lucy, será mais difícil se lembrar. — Ele encerrou.

— É estranho, me lembro de duas menininhas gêmeas, mas não que uma delas de chama Blue e que é minha prima. Entende?

— Talvez, quanto mais pensarem nela, sem deixar o feitiço voltar a agir, mais vocês se lembrarão e... — Harry hesitou. — Se a verem pessoalmente, ele se quebrará em relação a vocês.

— Ver? — Lucy olhou para a mãe, ansiosa. — Podemos ir vê-la?

— Sei que estou me metendo no que não é da minha conta, mas Blue só tem 12, talvez 13 anos, e foi desprezada pelos Brown como vocês. Em alguns anos, todos que a conheceram, talvez, até os irmãos, a esquecerão por completo e isso é a coisa mais triste do mundo. — Ele sabia como era ser desprezado, ignorado e esquecido por todos. — Como disse, eu os encontrei ontem, são só crianças, e estão tão tristes, magoadas ou perdidas. Blue tentou ser forte, brincou sobre ser a gêmea má, mas dava para ver como...

— Dói. — Lucy sussurrou, lágrimas escorrendo pelo rosto. — Em um instante, eu era a princesinha do vovô e, no outro, ele me mandou não tocar nele nunca mais. Quer dizer, eu nem estava contaminada como o meu pai, mas vovô só nos jogou fora como lixo.

— Sim. — Harry engoliu em seco. — Todas aquelas crianças foram jogadas fora pelos próprios pais como um brinquedo defeituoso, como se fossem insuficientes.

— Não acredito que eles fariam isso com a Blue, aquela doce menininha. — Ofélia usou um lenço para enxugar as lágrimas do rosto.

— Sei que vocês têm uma vida própria, mas Blue precisa de um lar, de uma família e o Sr. Falc disse que a senhora poderia adotá-la sem muita burocracia. — Harry falou bem devagar. — Claro, se vocês não quiserem ou puderem...

— Claro que podemos. — Ofélia acenou com a mão, como se o contrário fosse impensável.

— E queremos. — Lucy trocou um sorriso emocionada com a mãe. — Imagine, Blue é minha prima, meu sangue, não poderíamos agir de maneira diferente ou pior, fazer o mesmo que os meus tios quando nos abandonaram.

— Não somos nada como eles. — Ofélia foi firme. — Sobre a nossa rotina, se fosse um bebê, seria mais difícil, mas criar uma adolescente não é tão complicado, principalmente para quem já educou uma. — Ela endireitou os ombros, decidida. — Lucy, vou aceitar o seu conselho e tentar um emprego na GER, também devemos nos mudar para Londres, assim, Blue poderá continuar a ir para a mesma escola que está indo agora, com as outras crianças do orfanato.

— Claro, seria duro afastá-la dos amigos depois que já perdeu tudo quando foi tirada do convívio com a família. — Lucy tinha um grande sorriso. — Imagine isso, depois de tanto tempo, ganharei uma irmãzinha!

Enquanto as duas faziam planos, Falc e Harry trocaram sorrisos aliviados antes de se despedirem, com o menino explicando que precisava voltar para Hogwarts.

Eles aparataram da sala de estar direto para entrada da mansão Boot e Harry suspirou, contente.

— Acho que essa pode ser uma solução, Sr. Falc, descobrir familiares das crianças que aceitariam adotá-las e tentar impedir esse maldito encantamento.

— Farei desse um projeto pessoal, amigo. — Falc bateu no ombro de Harry com orgulho. — Vamos lá, você tem que se despedir antes de partir, afinal, agora, eles só o verão em junho.

Ele subiu arrumar suas coisas, depois se despediu de Ayana, que ouvia música no quarto e parecia estranhamente mais velha.

— Não crença muito rápido. — Harry falou baixinho quando a abraçou.

Ela riu, inteligente, brincalhona e astuta.

— Quem está crescendo?

Ele sorriu também, lhe dando uma piscadela antes de ir para o quarto do Adam.

— Ei. — Falou em tom suave para não assustar o menino, que desenhava.

— Oi, Harry! Que bom que ainda não foram, queria enviar esses desenhos para o pessoal. — Ele pegou algumas folhas com desenhos. — Em agradecimento pelas cartas legais que me mandaram.

Harry pegou os desenhos, sabendo que Neville, Hermione, Ginny e os gêmeos amariam os presentes de agradecimento. Quando se viram mais cedo, ele não reagira aos seus cabelos raspados, mas ainda era chocante ver o rostinho de Adam sem a moldura dos cachos angelicais.

— Sinto muito não ter passado um tempo com você nesse fim de semana, acabou sendo muito mais ocupado do que eu esperava. — Em seu planejamento, o domingo seria dedicado a estar com os irmãos.

— Tudo bem, sei que você tinha que ajudar os lobisomens e ir as feiras. — Adam sorriu com sinceridade. — Mas no verão, temos que jogar xadrez, pois aprendi algumas jogadas novas e posso te ensinar.

— Eu gostaria disso. — Harry apertou o ombro do menino, aliviado.

— É uma pena que você não viu o seu irmão espiritual, mas é legal o que ele disse sobre o encontro de vocês estar próximo. Galon e eu demoraremos até nos reencontrarmos.

— É difícil ter que esperar quando queremos algo importante, às vezes, desejamos que o tempo passe rápido, para crescermos e sermos mais fortes. — Harry sorriu para o irmão com carinho. — Mas precisamos lembrar que não estamos sozinhos, Adam, temos pessoas que nos amam e que nos protegem. E, você também tem o Galon, pois ele sempre estará ao seu lado. — O menino acenou, pensando em suas palavras. — E os pesadelos? Melhoraram?

— Sim, Emily me deixou conversar com a Rox e me disse que o homem mau não vai voltar. — Adam parecia muito aliviado. — Mamãe me levou na academia do tio Sirius, estou aprendendo artes marciais. Ayana também, assim nós dois aprenderemos a nos defender de outros homens maus.

— "Tio Sirius"? — Harry riu, divertido. — Combina com ele, Sirius deve estar adorando isso — Adam sorriu, depois olhou pela janela, mas o pequeno jardim e as ruas de Londres não pareciam lhe agradar. — Sente falta do bosque?

— Às vezes, sim.

— Você tem meditado antes de dormir?

— Sim, mamãe disse que ajudaria com os pesadelos, mas não é o mesmo de antes. — Deu de ombros. — Acho que não ajudou muito, mas agora que sei que o homem mau está morto, não sinto mais tanto medo.

— Isso é bom. Tem conseguido se conectar com a magia?

— Aqui? — Adam o encarou, surpreso. — Pensei que só poderia fazer isso no bosque.

— A magia está em toda parte, amigo. Quer tentar?

— Sim, você me ajuda, Harry? — Ele se agitou, ansioso.

Harry estendeu as mãos, segurando as do menino com carinho.

— Feche os olhos e se concentre, Adam. — O pedido foi feito com uma voz bem suave, quase hipnótica.

Adam o atendeu sem dizer nada. O mundo real se tomou distante enquanto ele mergulhava em sua mente aos poucos, sentindo sua magia amarela e laranja vir em sua direção. Era como um sentimento cheio de cores, amor proteção, doçura, alegria, bondade. Tudo parte dele, ao mesmo tempo, era ele.

— Deixe a sua magia fluir para fora do seu corpo e alcançar a magia a sua volta, pois ela está em todos os lugares — Harry continuou e, sem dificuldade, conectou a própria magia com o mundo natural.

A sensação era de paz e calor, um bem-vindo amoroso como um abraço forte. Adam ofegou, lágrimas escorrendo por seu rosto enquanto a magia o energizava e erguia, lhe dando mais coragem para enfrentar os medos que apertavam o coração. O sussurro suave era como uma carícia, o lembrando que nunca estava sozinho, ele era um bruxo e um poderoso.

— É bom, não é? Nossa magia vem dos que se foram e a magia natural é a própria Deusa, que sempre nos acolhe, nos protege.

— Nunca estamos sozinhos. — Adam repetiu o pensamento, então, sentiu o toque suave no ombro, um cheiro gostoso de flores. — Vovó...

"Seja corajoso, querido, sempre estaremos ao seu lado."

O sussurro amoroso o fez chorar pra valer, Harry o abraçou contra o peito até que o menino se acalmou.

— Obrigado, Harry. — Ele se afastou, respirando fundo, parecendo mais alto e energizado.

— Eu não fiz nada, irmão. — Pegando os desenhos, lhe deu um sorriso amoroso. — Nos vemos em junho.

Ele desceu as escadas, se despediu do Sr. Boot antes de seguir para a sala, onde Terry já o esperava, parecendo mais alto e forte também.

— Você parece diferente, Harry.

— Eu? Ia dizer o mesmo sobre você.

Os dois riram, enquanto Serafina vinha da cozinha com Dobby a seguindo todo sorridente.

— Fizemos alguns sanduíches, biscoitos, tortinhas, fudges, pastel de Belém e o Dobby insistiu em fazer alguns bombons recheados com framboesa.

— Dobby fez para a Senhorita Bonita. Dobby sabe que ela gosta muito de chocolate e framboesinhas, então, Dobby aprendeu com a Sra. Madakki a fazer bombons com recheio. — O elfo lhe entregou um pote separado dos outros dois que Serafina entregou aos garotos.

— Isso é incrível, Dobby, sei que a Senhorita Bonita amará o seu presente.

O elfo arrastou o tênis no chão, tímido, depois deu um abraço no Harry.

— Tchau, Sr. Harry, Dobby sentirá falta do senhor. Se precisar de Dobby, é só chamar.

— Combinado, também sentirei sua falta, amigo. — Ele bateu com suavidade nos ombros estreito do pequeno.

Então, eles abraçaram Serafina em despedida, enquanto Falc surgia de um dos escritórios da casa. Harry sabia que eles tinham adaptado mais dois espaços de trabalho, pois o Sr. Boot e a Serafina também precisavam de privacidade. E Sirius dividia um escritório com o bruxo mais velho.

— Harry, o que você acha de oferecermos o cargo de assistente da Sra. Madeline para a Ofélia? — Falc sugeriu ao abraçar o filho apertado. — Nos vemos em junho, amigo, nada mais de aparecer de surpresa.

— Ok, pai. — Terry sorriu meio tímido, os pais tinham dado uma bronca bem leve, pois entenderam sua necessidade de estar com o Adam.

— Acho uma ideia incrível. Sr. Falc. — Harry aceitou o abraço carinhoso e curto. — Não sabemos se ela tem alguma qualificação ou cargo específico pretendido, mas se a Sra. Ofélia aceitasse ajudar no orfanato, resolveríamos muitos problemas em um único movimento.

— Bom, farei a proposta. Bons exames, meninos, e boa sorte no jogo final, Harry.

Terry passou pelo flu primeiro, Harry o seguiu, chegando meio desequilibrado ao escritório do diretor Dumbledore, onde estivera a apenas dois dias, mas que parecia ter sido há anos atrás.

mão e tocou seu braço, sentindo a magia que emanava do seu Irmão.