Capitulo 23
Severo Snape entrou na enfermaria com passos rápidos e firmes, agitando sua capa negra com bastante autoridade, ele não estava preparado para o que ele encontraria ali, a verdade é que desde que aquela garota tinha colocado os pés naquela escola, ele sentia que não estava preparado para mais nada, seus passos apressados ressoavam no chão de pedra, ao mesmo tempo em que ele tentava controlar o ritmo da sua respiração, ele havia feito aquele trajeto da forma mais rápida possível, ele sabia que vindo de Pomfrey aquilo seria uma emergência, seus olhos negros sempre tão intensos e sem sentimento passearam pela sala tentando encontrar qualquer sinal que lhe desse uma pista do que poderia ter acontecido com aquela criança tola dessa vez, porém para sua infeliz surpresa lá estavam também de pé e completamente enxarcados o Sr. Potter e o Sr. Weasley, enrolados cada qual em uma toalha ao lado da cama onde Epson repousava aparentemente inconsciente, enquanto a Srta. Vicente visivelmente abalada se encontrava na outra extremidade, assim que perceberam sua presença, ambos lhe direcionaram olhares apreensivos.
_Madame Pomfrey – Severo disse com um tom cortante, ignorando a presença dos três, como aquilo conseguia ser tão ruim? – O que significa tudo isso? – ele disse enquanto se aproximava da cama, Epson estava ainda mais branca do que de costume e não havia nenhuma cor nos seus lábios, uma sensação estranha invadiu o seu interior, ela estava morta?
_Está estável – ela respondeu – porém precisará de cuidados intensivos, a Srta. Epson sofreu um grave acidente no lago negro essa tarde – ela soava bastante preocupada, havia algo a mais na forma como ela havia dito aquilo – pelo que entendi dos seus colegas ela se aventurou um pouco além dos limites permitidos e acabou sendo atacada por uma criatura das profundezas do lago.
Severo franziu a testa com aquela informação, por que ela estaria lá fora pra início de conversa? E por que para sua infelicidade o Sr. Potter e o Sr. Weasley estariam envolvidos nisso? isso pelo menos explicava as roupas molhadas, Epson não parecia o tipo de criança que entraria no lago sem um motivo aparente, o lago negro era perigoso, o que ela estava fazendo ali? e sem contar que faziam apenas algumas horas que ele a havia visto pela última vez, como ela tinha conseguido se envolver em algo assim em tão pouco espaço de tempo? Ele precisava de mais elementos para compor aquilo.
_E como exatamente isso aconteceu? – ele disse visivelmente irritado.
_Nem sempre podemos controlar tudo o que acontece fora das paredes do castelo Severo - Madame Pomfrey respondeu - a Srta. Epson é uma criança bastante obstinada você sabe e pelo que a Srta. Vicente nos contou, ela queria averiguar algo – sim ela era terrivelmente obstinada, ele sabia, mas o que poderia ser isso agora? – Já o Sr. Potter e o Sr. Weasley foram os responsáveis por tirarem ela da água, ela já estava completamente desacordada quando isso aconteceu e a trouxeram para cá o mais rápido possível – isso não podia ser bom.
_Mas é claro – ele disse com um sorriso de escarnio no rosto – o que seria dos alunos dessa escola sem o santo Potter por perto não é mesmo? – Potter havia fechado a cara ele notou, e serrado os punhos, ele respondia facilmente a qualquer tipo de provocação.
_Ela estava se afogando senhor – ele respondeu secamente – ou o senhor achou que eu pudesse simplesmente agir como um sonserino e deixa-la lá à deriva, ignorando toda situação – o moleque respondeu corajosamente, garoto petulante, Severo queria segura-lo pela gola e colocá-lo no seu devido lugar, ele se parecia tanto com Jhaimes e isso o irritava ainda mais, sempre tão prepotente e cheio de orgulho, mas a situação ali era outra, e ele se conteve pensando na criança a sua frente, tendo que lidar com a realidade que o nocauteou em cheio naquele momento, sim ela havia sido salva pelo maldito garoto Potter e seu fiel escodeiro.
_Sr. Potter talvez você devesse escolher melhor as palavras – ele disse enquanto se aproximava do menino e segurava o seu queixo de forma ríspida – é claro que você não perderia a oportunidade de bancar o herói – ele sorriu friamente – mas isso não lhe dá o direito de ofender a minha casa, na minha frente e sair impune por isso está me ouvindo?
_Sim, senhor – ele disse mantendo o contato visual, piralho insuportável, por que de todos os malditos alunos dessa escola tinha que ter sido justamente ele? O destino estava jogando muito sujo com ele ultimamente.
_Apenas deixe cara – o garoto Weasley interveio segurando o braço de Potter.
_Sabias palavras Sr. Weasley – Severo pontuou com ironia.
_Bem, bem... – Mandame Pomfrey interveio – acredito que podemos manter o teor dessa conversa de maneira mais civilizada aqui – ela disse olhando de cara feia primeiro para as crianças e depois para ele – Sr. Potter e Sr. Weasley poderiam repetir por gentileza como tudo isso aconteceu, acredito que o professor Snape achará bastante útil uma explicação mais apurada dos fatos.
_Certo – o piralho Potter começou – estávamos lá fora treinando algumas táticas de Quadribol, quando notamos que Shara e Beta estavam caminhando até o lago Negro, e bem pensamos que talvez as garotas gostariam de alguma companhia – o garoto havia parado ali, corando, Severo segurou a vontade de revirar os olhos bem como de azara-lo, era só o que lhe faltava além de tudo que já estava ocorrendo ali nesse momento, um Potter interessado em passar tempo com Epson, ele jamais permitiria aquilo.
_Apenas continue Potter não estamos interessados em suas intenções fugasses - ele disse o cortando, o garoto o encarou seriamente, mas não fez menção em revidar aquele comentário.
_Bom ao nos aproximamos um pouco mais, notamos que Shara havia entrado no lago, não fundo na verdade, ela estava apenas molhando os pés, e paarecia divertido mas então alguma coisa muito violenta a puxou – Potter parecia confuso – e corremos até borda quando notamos que Beta já estava tentando defende-la lançando alguns feitiços contra algo que não podíamos ver – Severo lançou seu olhar para a Srta. Vicente que estava encolhida e não tinha dito nenhuma palavra até o momento.
_A água estava muito fria – o garoto Weasley disse – mas ela estava se afogando, foi assustador, mas acabamos entrando para tentar puxa-la, conseguimos segura-la pelos braços, mas estava começando a ficar cada vez mais difícil e fundo, o que quer que fosse que estava a puxando, tinha muita força e francamente nós não teríamos conseguido se não fosse pela ave – Aquilo chamou a atenção de Severo, do que ele estava falando?
_O que disse Weasley? – ele perguntou franzindo a testa.
_Sim havia uma ave, ela era grande e rápida e honestamente até agora eu estou sem entender de onde ela veio afinal, mas ela parecia entender o que estava acontecendo pois ela mergulhou na água lutando contra aquilo, foi épico – ele disse animado, mas mudando de expressão segundos após olhando para Epson imóvel na cama – foi quando realmente conseguimos tira-la da água, eu nunca vi uma ave se comportando daquela maneira antes e foi um sufoco em tanto.
_Rony – o garoto Potter interrompeu – eu disse que já tinha visto esse pássaro antes, apenas não conseguia me lembrar de onde, mas é claro, no dia que viemos para Hogwarts lembra? o pássaro estava voando do lado de fora do carro, eu acho que ele tem algum tipo de ligação com a Shara – Severo conhecia aquela ave muito bem, mas é obvio que ela estaria por perto, ela estava na família de Maeva a tantos anos, ela estava protegendo a criança.
_Ela tem – foi a primeira vez que a Srta. Vicente se manifestou – bom pelo menos Shara acha que ele era da sua mãe, mas a ave nunca mais havia se aproximado dela assim.
_Acho que isso é tudo não é mesmo? – Madame Pomfrey disse cansada enquanto lançava um feitiço de aquecimento nos dois garotos encolhidos de baixo daquelas toalhas velhas.
_Se isso é tudo – Severo tomou a frente passando os olhos por eles - então o que é que vocês estão esperando para darem o fora daqui? – ele soava de forma hostil, ele sabia, mas independente do que tivesse ocorrido ali, ele ainda era Potter, nada mudaria isso, ambos se olharam assustados, mas fizeram o que ele mandou, inclusive a Srta. Vicente.
_Você não Vicente – Severo disse a parando – ainda tenho algumas perguntas – ele notou que ela havia se contorcido com aquelas palavras, obvio que ela sabia de algo a mais e que não seria compartilhado sem alguma intervenção.
_Sim... senhor – e agora ela estava gaguejando, sim de fato ela sabia.
_Srta. Vicente – ele disse lentamente enquanto os meninos fugiam do recinto - vamos direto ao problema que nos trouxe aqui – ele sorriu com escarnio – agora você vai me contar o que exatamente levou a Srta. Epson a entrar no lago Negro daquela forma – ele falou em tom ameaçador – não tente mentir para mim, eu consigo farejar uma mentira com bastante facilidade, então não perca seu tempo inventando uma para mim, eu saberei – ela congelou assustada, era reconfortante saber que ele ainda causava esse tipo de efeito naqueles cabeças ocas – acredito que a Srta. Epson tenha solicitado o máxima de descrição quanto ao que ela tinha em sua mente infantil essa tarde, mas dada a gravidade dos seus atos tolos, aguardo uma explicação adequada.
_Ela... – a garota estava prestes a chorar, e ele não estava com a menor paciência para aquilo – queria testar uma teoria – ela disse com bastante dificuldade.
_Qual teoria? – era evidente que ela estava lutando com aquilo, ela não queria delatar a amiga, ela estava dividida e eles tiveram uma troca de olhares ali, ele sabia o quão intimidante conseguiria ser e Vicente deixou as barreiras caírem.
_Ela teve uma visão – ela disse finalmente - foi hoje de manhã, me parece que ela esteve fora de Hogwarts com o diretor resolvendo algumas papeladas da sua transferência ou algo assim – então foi isso que Epson disse a sua melhor amiga, como ele suspeitava ela era reservada até com os mais próximos, ela havia mentido sobre sua ausência e ele não julgaria aquilo, já que ele mesmo teria feito igual – e ela teve uma visão ao encostar num objeto, uma fonte de água – Vicente suspirou desanimada – Shara vai me matar senhor – ele não se importava, então foi isso que aconteceu naqueles breves segundos, ele havia notado a mudança no semblante dela, ela teve uma visão, ela havia disfarçado bem.
_Prossiga Vicente, eu quero toda a verdade - ela assentiu brevemente agora ela estava disposta a fazer aquilo.
_Shara suspeitava que a água tinha sido o catalisador e ela queria testar a sua teoria, por isso fomos até o lago…
_E deixe-me adivinhar, nada aconteceu - ele disse cruzando os braços, era óbvio.
_Sim… foi o que aconteceu, como o senhor sabe? - ela perguntou espantada.
_Por que um elemento da natureza não pode ser um catalizador, isso funciona apenas para objetos inanimados - ela parecia refletir sobre aquilo - é um assunto bastante avançado para a sua idade Srta Vicente.
_Ela iria voltar, ela estava voltando, quando tudo aconteceu de repente, e eu não consegui ajudar... - agora ela estava soluçando - eu… tentei, mas foi tudo tão rápido, e eu fiquei com tanto medo, ela vai ficar bem, não vai? – ela estava uma bagunça e Severo detestava crianças chorosas na sua frente "mas não é assim com a Epson, não é mesmo?" sua mente parecia quere lhe pregar alguma peça, maldição.
_Oh querida, sim ela vai… - Madame Pomfrey interveio de forma maternal – não se culpe, foi um infortúnio, agora chega de interrogatórios por hoje - ela disse olhando para ele – você precisa se acalmar, vá para seu dormitório e descanse um pouco, amanhã será um novo dia, a garota assentiu recolhendo as lágrimas e lançando um último olhar para a amiga, Severo ainda queria fazer algumas perguntas sobre a visão, mas aquilo poderia esperar.
_Severo – Madame Pomfrey disse assim que a menina saiu – estou preocupada, trabalho aqui todos esses anos e essa é a primeira vez que presencio um ataque no lago Negro, você sabe melhor do que eu que isso não é normal, uma vez lembro que Dumbledore ter comentado que havia alguma espécie de acordo de território com a escola e as criaturas marinhas que habitam lá, um acordo de paz, mas receio que ele deva ser alertado pois pelo que vejo aqui isso foi descumprido – ela dizia enquanto levantava as cobertas na parte inferior da cama, mostrando os calcanhares da criança, haviam marcas roxas de garras onde ela havia sido segurada, ele analisou aquilo mais de perto, não se pareciam em nada com as criaturas que ele conhecia, seja o que fosse queria muito arrasta-la para o fundo, ele suspirou – receio que algo posso estar acontecendo Severo, e o lago não seja mais seguro – ele bufou com esse comentário.
_Eu nunca achei que o lago fosse seguro – ele disse – de qualquer maneira não podemos criar um alarde, por tão pouco...
_Por tão pouco? Escute aqui Severo Snape – ela parecia irritada, e ele suspirou novamente erguendo as mãos para pará-la.
_O que estou tentando dizer aqui, Pomfrey, é que temos apenas um caso isolado, e não que eu não me importe com a situação em si ou com essa criança – aquilo parecia ter parado a sua fúria, mas por que ela o estava olhando daquele jeito?
_ Interessante – ela disse – da última vez que estivemos nessa mesma situação a apenas a alguns dias atrás eu tive a impressão de ouvi-lo dizer que não se importava – claro, era isso, ela não perderia a oportunidade, ele estava prestes a retrucar dizendo que como professor ele se importava com todos os alunos, mas aquilo não era exatamente uma verdade, quando ela simplesmente continuou – Severo, existe algo sobre essa criança que me intriga – sim existem várias, ele pensou, mas definitivamente aquele não era o momento – isso foi grave – ela apontou para ela, que ainda estava sem cor.
_O quão grave? – ele perguntou, ele se sentia tão impotente diante de algo assim, ele queria protegê-la e então havia o colar, ele podia monitorá-la através dele e de certa forma ele havia falhado, ele balançou a cabeça mais para si mesmo, o que ele estava fazendo? Ele não tinha essa responsabilidade, ele não deveria se preocupar assim, isso estava errado.
_Muito – ela respondeu – isso é completamente diferente do último episódio, Severo, ela ficou muito tempo embaixo da água, mais que apenas alguns minutos, nenhuma criança teria sobrevivido a isso, mas ela fez, ela conseguiu sobreviver a algo impossível... E que bom que ela fez, mas como ela fez? – Pomfrey parecia refletir sobre aquilo - isso está me consumindo, é como se ela tivesse algum tipo de poder especial, algo que eu não consigo entender e nem explicar - ela disse baixinho - oh me desculpe eu sei que isso é impossível, estou apenas pensando alto demais.
_Infelizmente eu não tenho uma resposta adequada para a sua pergunta Poppy, mas talvez seja apenas sorte, já que juízo ela não tem - mas ele tinha a resposta, era isso que aquele colar fazia afinal, Alvo tinha dito isso, sim ele tinha, mas Severo não achou que fosse tão literal, era literal. Ele suspirou agradecido, pela primeira vez ele estava agradecendo Maeva por algo nesses últimos tempos, Epson definitivamente dependia daquele colar, era questão de sobrevivência e aquilo também era literal.
_Talvez - Poppy respondeu não muito convencida - Severo antes de você chegar eu apliquei uma alta dosagem da poção para os pulmões, vou precisar repor o estoque, sinto muito eu sei que é uma poção que leva um certo tempo, mas minha preocupação era o reforço pulmonar que foi o órgão mais afetado, ela realmente ingeriu água demais, e isso vai lhe causar uma noite difícil, com algumas alucinações você sabe - Pomfrey passou a mão pelo rosto de Epson de maneira carinhosa - ela é tão pequena para a sua idade não acha? - sim ela era.
_Eu posso ficar até depois do toque de recolher - ele disse convocando uma cadeira e a transfigurando para algo mais confortável - e providenciarei as poções.
_Ah francamente homem, eu posso lidar com isso - ela disse irritada - essa é minha enfermaria.
_ Apenas me deixe fazer isso - ele disse determinado, não querendo começar uma nova discussão com ela ali, até porque estava ficando cada vez mais difícil entender suas reais motivações em estar fazendo aquilo, mas ele faria de qualquer maneira - tenho algumas redações para corrigir, e francamente acho que no momento conseguirei me concentrar melhor aqui do que na minha própria sala de aula - ela assentiu contrariada saindo, talvez ela também não quisesse mais discutir, ele pensou - estava feito ele suspirou enquanto chamava por um elfo doméstico, ele teria bastante material para se distrair nas próximas horas.
Ele havia mesmo feito algum bom trabalho ali, enquanto olhava de tempos em tempos para a criança imóvel que estava deitada a sua frente naquela cama, já havia se passado algum tempo e Pomfrey não havia aparecido mais, e isso foi bom, já que ele detestava interrupções, mas agora Espon estava começando a se agitar, aquele era o efeito esperado daquela poção, ainda mais se a dosagem fosse maior do que a tradicional, o que foi justamente o caso ali, a respiração da criança estava oscilando e ele se sentou de forma mais adequada para assisti-la melhor, ele sabia que ela iria acordar a qualquer momento agora e foram necessários apenas alguns minutos para que ela de fato o fizesse.
Ele estava preparado para aquilo, ou pelo menos foi o que ele pensou, ele já havia visto aquela reação inúmeras vezes antes, Epson despertou lentamente, se sentando na cama e se recolhendo como uma criança pequena, foi então que ela começou a chorar, soluçando em voz alta, não ele não estava preparado para aquilo, ele não sabia o que fazer com naquela situação, ele nunca precisou confortar uma criança antes, graças a Merlin Poppy respondeu imediatamente.
_Começou - ela disse se aproximando.
_Sim - ele apenas respondeu sem conseguir tirar os olhos da criança, novamente tão vulnerável, mas ela estava bem, aquilo iria passar.
_Tudo bem querida, você está bem - Pomfrey abraçou a criança passando a mão pelas suas costas, ele analisou aquele comportamento maternal, se perguntando por um momento se seria assim que Maeva faria numa situação como aquela, ele não tinha dúvidas do quão boa mãe ela poderia ter sido, se tivesse tido oportunidade.
_A senhora é a nova assistente social? - a criança perguntou depois de algum tempo - por favor não conte ao Noah o que eu disse, ele vai ficar furioso.
_Tudo bem criança, você está segura aqui - Poppy olhou para ele mas ela não disse nada, nada precisava ser dito ali.
_Não… ele vai vir… ele sempre vem, por favor não deixe ele vir… - ela soluçava ainda mais.
_Não criança, ninguém vai vir, você tem minha palavra.
_Estou com tanto medo - e Pomfrey a abraçou ainda mais forte.
_Vai passar - e então ela olhou para ele outro vez, ele estava paralisado naquela cena - Severo está tarde, vá descansar, eu faço isso, essa é minha função, e ela vai ficar bem - algo dentro dele não queria ir, mas aquele dia havia sido bastante difícil, era a segunda vez em um único dia que ele ouvia sobre o quão ruim havia sido a vida daquela criança com aquele maldito trouxa, Severo sabia que precisava fazer algo com aquilo, sim ele faria, mas no momento ele queria gritar para Poppy dizendo que ela não poderia obriga-lo a ir, que ele não era um dos seus pacientes… mas ele não fez, ele assentiu se levantando e se preparando para sair.
_Não… não vá, por favor - a criança implorou olhando pra ele, aquele olhar outra vez - por que demorou tanto? - ela perguntou em meio as lágrimas, fazendo com que ele franzisse a testa e Pomfrey sinalizou negativamente com a cabeça, o lembrando de que ela está alucinando ali, sim certamente ela o estava confundindo com qualquer outra pessoa.
_Vai ficar tudo bem Severo pode ir - ela o incentivou percebendo que ele não se movia.
_Eu sei quem você é… - a criança disse soluçando - eu sei… você é o meu pai - o mundo de Severo parou com aquela palavra, ela havia dito pai? Sim ela havia, ele poderia jurar que por alguns segundos sua mente havia saído do próprio corpo e voltado, ela estava chorando e estendendo as mãos para ele agora - pai não vá… por favor - ela disse outra vez, e ele fechou os olhos por um momento, se perguntando se não era ele quem estava tendo alucinações ali.
_Pomfrey - ele disse com certa dificuldade tentando parecer o mais sutil e distante possível - ela se lembrará de algo amanhã? - Ele sabia a resposta, mas ele precisava ter certeza.
_Não, de nada - Poppy respondeu naturalmente, segurando a criança quase que para si, e ele se virou, saindo da enfermaria enquanto ouvia o choro sentido da criança atrás de si, ele precisava de uma bebida forte.
Claro que Shara estava chateada, pela primeira vez ela sabia o que tinha que fazer, aquilo era novo para ela, mas pra isso ela precisava da ajuda de alguém com autoridade suficiente para conseguir sair do terreno da escola, ela não tinha muitas opções e ir direto para o diretor era inviável, então procurar pelo professor Snape foi nesse caso a sua melhor oportunidade mas ela sabia que haviam grandes chances dele repudiar a ideia, coisa que ele fez com muita maestria, ela não tinha como sair da escola e arriscar ser expulsa principalmente agora com mais alguém procurando ao seu respeito, isso estava fora de cogitação, ela teria que esperar, ela detestava esperar, mas ela estava convicta de que não iria desistir… afinal aquela era a sua chance de conhecer melhor algo do seu passado e provar de uma vez por todas que não era apenas uma lenda, Shara caminhou até o pátio central, o tempo ainda estava bom para ficar lá fora, ela se sentia bem com isso, e tinha o lago, ela se sentia em paz, paz que durou poucos minutos.
_Epson - Shara escutou Diaz se aproximando ela estava sozinha e carregava um livro grande e pesado, Shara também estava sozinha, elas não tinham mais se falado depois do acontecido recente, ótimo ver aquela garota era tudo que ela não precisava agora, ela não estava afim de mais um confronto com ela.
_Não estou no clima - Shara respondeu antes de qualquer coisa
_Você é louca garota, não sabe o que vim fazer - Diaz disse caçoando dela.
_E não sei se quero saber - Shara disse de forma vazia
_Bom uma pena, afinal pensei muito e vim propor uma trégua entre nós - ela disse.
_Trégua? Você? - Shara perguntou desconfiada
_Sim, acredite, resolvi que se você provar sua descendência eu posso digamos que abrir uma exceção e aceitá-la no grupo, seria sua oportunidade para resgatar memórias do passado, reconhecer quem são seus pais e provar enfim que merece estar na Sonserina junto conosco - ela disse sorrindo com uma pitada de ironia - claro que você irá precisar provar e bem precisa valer a pena
_Do que está falando? - Shara perguntou, de certa forma aquilo havia despertado seu interesse, não sobre ser aceito na Sonserina e provar sua descendência, isso era algo totalmente insignificante no momento, mas sim sobre conhecer mais do seu passado e reconhecer seus pais, havia outra forma de conseguir aquilo?
_Bom uma poção - ela disse abrindo um livro bastante surrado - é da sessão restrita e não me pergunte como consegui - Diaz disse indo diretamente ao ponto, a experiência de Shara com a sessão restrita não havia sido lá muito agradável, então ela não fez mesmo questão alguma de perguntar como Diaz havia conseguido, não importava.
_E o que essa poção faz? - Shara perguntou enquanto lia os ingredientes
_Bom, justamente isso… você tem memórias de após seu nascimento, elas estão aí, mas você não lembra por que ficaram no seu inconsciente, mas com essa poção você pode se conectar a elas e pode resgatá-las, aquelas que valem a pena, como ver o rosto dos seus pais e saber o que aconteceu - Diaz tinha aquilo na ponta da língua.
_Por que você está me mostrando isso? - Shara perguntou, vindo de Diaz era totalmente fora de cogitação.
_Uma trégua já disse - era evidente que não era só isso, mas a poção era sua melhor alternativa, já que sair para ir até um rio estava por hora fora de previsão.
_Não conheço nem metade desses ingredientes, como vou conseguir isso? - Shara nunca tinha ouvido falar naqueles itens, era uma poção avançada, difícil de fazer.
_Bem, para provar que realmente quero ajudar, eu consigo os ingredientes, quer dizer meus pais bem eles conseguem pra mim se eu pedir - ela disse - só tem um ingrediente que não tenho e esse você terá que buscar por que precisa ser fresco.
_Qual? - ela perguntou, até o momento tudo parecia fácil demais.
_Hynodora dourada - ela disse - é uma flor, bastante rara, porém existem algumas na floresta proibida, elas só desabrocham a noite, a luz da lua - floresta proibida? Shara engoliu em seco, aquilo soava como quebrar regras mais uma vez e uma luz vermelha acendeu na sua cabeça, mas nesse caso, o professor Snape não poderia acusá-la de ter insistindo no assunto da fonte de Medusa já que eram coisas completamente distintas, não era como se ela o estivesse desobedecendo, não diretamente.
_Não podemos entrar na floresta - Shara disse e Diaz fechou o livro.
_Bom nesse caso, sem poção - Diaz disse
_Espere… tenho interesse, darei um jeito - Shara nem acreditou que estava fazendo mesmo isso, mas valeria a pena, esse sim era um risco que ela estaria disposta a correr - consiga os demais ingredientes - Diaz sorriu
_Não esperava menos de você - ela disse - me avise quando for, e não comente com ninguém - ela disse saindo, deixando Shara refletindo sobre o que acabará de acontecer, mas ela não perderia mais tempo, Shara decidiu que iria até a biblioteca pesquisar a respeito da flor, e bolar um plano, para colocar em ação, aquela era no momento sua melhor oportunidade.
