Mais um capítulo pra vocês.
"Posso te ajudar?" Malfoy falou lentamente, a pergunta pegando Hermione de surpresa quase tanto quanto sua aparição repentina atrás dela na Sala dos Monitores naquela noite. Ele realmente era extraordinariamente bom em se esgueirar.
A voz de Harry soou entre os seus ouvidos. Seu melhor amigo não ficou nada impressionado quando ela contou como foi a aula de Poções com Malfoy.
Ele apontou a 'oportunidade perdida' que havia sido e como Malfoy 'praticamente se jogou no seu colo' (Hermione tentou esconder seu estremecimento com essas palavras). Harry também havia dito 'Não sei se você percebeu, mas duas semanas não é muito tempo. '
Ninguém poderia elucidar um exemplo de dever como Harry. Ele já havia sofrido tanto por causa de Lord Voldemort e isso fazia Hermione se sentir cheia de culpa. Então, Hermione engoliu seu orgulho e fortaleceu sua determinação em se esforçar mais. 'Tente pelo menos ser um pouco mais receptiva se ele puxar assunto com você novamente.' Disse Harry. 'Diga algo neutro para fazer a conversa fluir.'
Ela se virou para Malfoy enquanto continuava organizando os horários das patrulhas para a chegada iminente dos monitores. "Já finalizei, obrigada."
Hermione tinha certeza de que a receptividade - ou pelo menos a falta de puro veneno - em seu tom apareceria nela, eventualmente.
"Eu não quis dizer com os horários das rondas, Granger." Ele sorriu perversamente enquanto se empoleirou no canto da mesa, parecendo ser o dono do lugar. "Estou falando do que quer que tenha feito você me encarar o dia todo." Ele se curvou e apoiou uma das pernas em uma cadeira, nunca desviando o olhar dela. De repente, Hermione se sentiu absolutamente nua e odiou cada segundo disso.
Hermione havia cultivado cuidadosamente a sua imagem nos últimos seis anos até o ponto da perfeição. Ela sabia que não era via de regra, mas descobrir sobre as suas habilidades mágicas uma década depois de seus colegas a fez sentir como se sempre estivesse em extrema desvantagem. Ela se esforçou mais, estudou mais e na verdade fez mais do que qualquer outra pessoa. Inferno, ela até provavelmente treinou mais fisicamente do que qualquer um que não estava jogando em um time de Quadribol, mas ela sabia que era, principalmente, para se sentir segura e aceita.
Era uma reviravolta cruel do destino descobrir que você pertencia a outro mundo quase ao mesmo tempo em que lhe disseram que naquele mundo, grande parte das pessoas já odiava você.
Hermione notou que no início da sua jornada em Hogwarts - sua primeira escola mista - nenhum dos meninos a olhava. Ela tinha um cabelo que parecia um ninho, dentes da frente grandes demais e era ridiculamente inteligente para alguém da idade dela.
Foi uma surpresa muito bem-vinda, que a partir dos seus 15 anos, ela começou a ser observada pelo sexo oposto com bastante frequência. Ter passado o início da sua adolescência ao lado de Harry e Rony não contribuiu muito para sua autoestima, visto que, na maioria das vezes, os dois melhores amigos nem se lembravam de que ela era de fato uma menina. Ser convidada para o Baile de Inverno por Victor Krum, fez maravilhas para as suas inseguranças de adolescente. Ela passou a ser vista com outros olhos pelos outros desde então, o que foi uma surpresa inesperada, fazendo Hermione perceber que ela havia se tornado uma jovem bem bonita.
Entretanto, com o passar dos anos e o retorno de Lord Voldemort, o sentimento anti-nascidos trouxa se intensificou, os olhares de cobiça diminuíram e foram substituídos por olhares apressados e compassivos - como se ela fosse uma mulher morta andando. Os únicos que não a viam dessa forma eram Rony e Harry, e, ironicamente, Malfoy.
Em algum momento do 4º ano, Malfoy começou a cobiçá-la abertamente - mas durante todo o ano anterior, seus olhares passaram de adoravelmente atordoados para frios e calculados, sempre mantendo à distância. Outra coisa estranha sobre Malfoy, era que quando ele era pego a observando, ele não desviava o olhar como uma pessoa normal faria. Era como se ele pensasse que Merlin havia lhe dado o direito de olhar para ela o quanto quisesse. Então ela simplesmente aprendeu a ignorá-lo. Mas onde quer que ela estivesse, ela ainda sentia um par de olhos acinzentados observando cada movimento seu.
A irritava profundamente que um olhar dele pudesse fazê-la se sentir tão exposta. Era como se ele visse através dela — visse além da fachada da garota perfeita que ela fingia ser. Era uma projeção que ela mantinha porque no fundo ela sabia que como melhor amiga de Harry, ela não estava apenas representando a si mesma, mas também todos os outros nascidos-trouxas que viriam depois dela e que já haviam sido considerados indignos de pessoas como ele! E sim, sua reputação normalmente funcionava como um escudo, mantendo as pessoas afastadas, exceto seus melhores amigos.
O olhar que ele estava dando a ela agora, a deixou absolutamente certa de que ela estaria se esforçando ainda mais em sua corrida habitual às 6 da manhã do dia seguinte.
"Eu não passei o dia olhando para você, Malfoy, não seja ridículo!" Ela retrucou, terminando a distribuição dos horários dos monitores.
"Se você está dizendo…" Malfoy respondeu, já parecendo entediado. Ela odiou ter notado seu tom desdenhoso e, honestamente, que sua rejeição meio que a queimasse de fúria por dentro. Era ridículo que ela podia absolutamente detestar o 'Príncipe da Sonserina' enquanto, ao mesmo tempo, no fundo de sua mente, ainda desejasse um pingo de sua aprovação?
Droga, droga, droga. Ela precisava ficar sozinha com Malfoy por mais do que alguns minutos para fazê-lo falar. Uma das melhores maneiras que ela poderia pensar para isso dar certo seria acariciar seu ego. Seu ego assustadoramente grande. "Na verdade," ela se virou para ele, nem mesmo tendo que fingir sua vergonha, "Eu queria te perguntar uma coisa."
Ele se levantou e caminhou casualmente até ela, seus olhos vivos com diversão. "Sim?"
Ela não podia acreditar que estava sendo reduzida a fazer isso. "Você já deu aulas particulares?" Ela estava olhando para seus sapatos, de forma alguma sendo capaz de suportar ver como ele parecia feliz ao vê-la se humilhando. "Eu tenho tido um pouco de dificuldade com-"
"Magia não-verbal", ele terminou para ela sem um pingo de incerteza.
O quê? Ela estava prestes a dizer Transfiguração, uma mentira descarada, mas notoriamente a melhor matéria dele - para grande desgosto da Professora que a ensinava. Era tão óbvio onde estavam as inclinações políticas de McGonagall (não importava o quão profundamente ela tentasse enterrá-las pelo bem de seu trabalho). Ver o garoto que representava o oposto de tudo o que ela acreditava, ser o melhor de sua classe, claramente a irritava ao limite.
Hermione não tinha ideia de que era de conhecimento geral que ela ainda (embaraçosamente) tinha dificuldades com feitiços não-verbais, muitas vezes tendo que sussurrá-los enquanto os lançava. Isso aparentemente enganou a maioria das pessoas, mas claramente não ele.
Obviamente, não Malfoy.
"S-sim." Ela improvisou na hora, olhando para ele perplexa. Como ele sabia disso?
"Claro", disse ele com indiferença, dando mais um passo para perto dela "Posso ajudá-la com isso."
Arrepios surgiram em toda a sua carne e ela não tinha certeza do porquê. Provavelmente porque ele estava tão malditamente (desnecessariamente) perto agora, que ela podia fisicamente sentir a respiração dele em sua bochecha.
"Ótimo," ela conseguiu dizer antes de desviar os olhos dele. "ótimo."
"E onde deveríamos começar?"
"O quê?" Ela sentiu as pontas das orelhas esquentando.
Ele sorriu enquanto ela se mexia. "As aulas particulares. Onde você gostaria de tê-las?"
"Certo." Hermione mordeu o lábio inferior, perdendo completamente como sua ação chamou a atenção dele diretamente para ela. Ela nunca se sentiria segura na Sala Comunal da Sonserina e preferia morrer a ter sua própria Sala Comunal vendo-o ajudá-la, mas, ao mesmo tempo, ela não tinha certeza se ficar completamente sozinha com ele seria era a melhor ideia. Eles estavam sozinhos agora, mesmo que apenas por um curto período, e até o ar na sala a incomodava. Era espesso e sufocante e, de alguma forma, não descia por seus pulmões rápido o suficiente para fornecer algum alívio verdadeiro para o desespero repentino que a atingiu. Ela deu um passo para trás. Então, novamente, ela não tinha muitas opções. "Serve aqui?"
Ele a estudou um pouco mais, um olhar indecifrável cruzando suas feições até que ele assentiu, recuando e caminhando para o seu lado da mesa, sentando-se como se fosse a cadeira da Sala dos Monitores fosse um trono. "Claro. Para mim está ótimo. Esteja aqui amanhã às dez da noite."
Hermione demorou cerca de dois segundos para responder. "Às dez da noite? Certamente nós podemos nos encontrar mais cedo."
"Ah, me desculpe, o tempo que o Monitor-Chefe e Capitão de Quadribol está reservando para te ajudar com a bondade de seu coração não é bom o suficiente para você?" Suas palavras eram desafiadoras, mas seu rosto não transmitia nada além de uma alegria sombria. Ele sabia que seus argumentos eram bons.
"Que tal quarta-feira?"
"Não posso."
"Quinta-feira?"
"Não."
"O que você vai fazer nesses dias?"
"Isso realmente não é da sua conta." Hermione fez menção de abrir a boca, mas ele a interrompeu, "Olha, se você quer minha ajuda, terá de ser amanhã, senão chame outra pessoa."
Hermione engoliu seu orgulho. "Ok."
Os primeiros monitores começaram a entrar pela porta, falando alto. Ela deu a Malfoy um último olhar antes de começar a reunião, realmente não querendo prolongar o mal-estar que estava se infiltrando em seus ossos. "Obrigada."
Ele atirou-lhe um sorriso.
Ela tentou não pensar na curva daqueles lábios irritantes, mas descobriu que não conseguia parar de olhar. Ela só foi capaz de sair do seu torpor (O que diabos há de errado comigo?), quando ela recebeu algo novo para se estressar - Rony entrando atrasado na reunião. Ela sabia que ele havia tido uma reunião com Dumbledore sobre entrar para a Ordem e agora ela estava morrendo de curiosidade para saber sobre o que eles conversaram. Ela esperava que não tivesse sido óbvia quando apressou o término da reunião, na esperança de poder questionar seu amigo sozinho o mais rápido possível.
"E então?" Hermione perguntou com expectativa no segundo em que fechou a porta para o último dos monitores remanescentes.
"Eu tenho uma tarefa pior do que a sua." Rony anunciou claramente.
"Ah!" Hermione disse frustrada, jogando a cabeça para trás. "Eu duvido seriamente disso."
"Ele quer que eu ajude Carlinhos a adestrar alguns dragões para ajudar o nosso lado."
"Merlin! Rony, isso é muito perigoso." Ela se sentou ao lado dele, na mesa contra a qual ele havia desabado. "O que você vai fazer?"
Ele empurrou seu cabelo cor de cobre para trás, parecendo bem mais velho do que a sua idade. "Eu não sei. Tenho até a próxima semana para decidir se quero mesmo fazer isso." Eles ficaram em silêncio por um tempo, ambos sabendo que ele acabaria fazendo.
Rony sempre seria leal a Harry acima de tudo e Hermione sempre admirou isso nele. Além de ele ser muito determinado. Hermione sempre ser tão determinada quanto ele, e ela realmente tentava, mas ela não tinha certeza se conseguia se sair tão bem quanto Rony.
"Então," Ele disse em voz alta, claramente procurando por uma distração, "como foi com Malfoy?"
Seus problemas de repente pareciam tão patéticos em comparação aos dele. Rony teria que tentar domar uma fera que poderia literalmente rasgá-lo membro a membro. Ela só tinha que fazer amizade com um garoto. "Correu tudo bem. Ele vai me dar aula amanhã."
Rony se virou para ela com ceticismo. "Para que ele vai te dar aula? Você é a melhor aluna da escola." Ele bateu o seu ombro no dela. "A bruxa mais inteligente da sua idade e tudo mais, Srta. sabe-tudo."
Ela deu a ele um pequeno sorriso antes de virar para frente e balançar as pernas sobre a borda da mesa, sentindo-se como uma criança de 11 anos novamente. "Eu não sei. Algo parece errado."
"O que você quer dizer?"
Hermione não sabia como explicar o misto de emoções que tomaram conta dela enquanto ela estava sozinha com Malfoy. "Não tenho certeza, mas tudo pareceu um pouco fácil demais. Tipo, sou eu quem está numa missão, mas senti o tempo todo que era ele quem estava tramando alguma coisa. Na verdade," ela mordeu o lábio inferior, "foi como se ele quem estivesse me levando por um caminho que ainda não descobri onde vai dar. Foi estranho", ela acrescentou rapidamente.
Era um sentimento que acontecia muito com Malfoy – parecia que ele estava sempre secretamente um passo à frente de todos.
Rony a considerou. "Eu aposto que você está apenas pensando demais sobre isso. Você provavelmente se sentiu estranha porque foi seu primeiro dia como espiã." Hermione bufou e ele sorriu, claramente com a intenção de animá-la. "Tenho certeza de que ficará mais fácil com o tempo."
"Uhum." Ela revirou os olhos.
"Em breve você será apenas mais um membro da Ordem, enfrentando Comensais da Morte como se não fosse grande coisa."
"Eu gosto do som disso." Hermione respirou fundo para se acalmar enquanto apoiava a cabeça no ombro de Rony. Ele tinha razão. Não era grande coisa.
Hermione estava inexplicavelmente nervosa esperando por Malfoy na Sala dos Monitores às dez horas da noite seguinte. Ela, Rony e Harry criaram um plano durante o almoço: ainda era muito cedo para bisbilhotar sem deixá-lo desconfiado, então nas primeiras vezes que Hermione encontrasse com o seu alvo, ela deveria apenas seguir o comportamento dele. Tentar fazer Malfoy se sentir confortável em torno dela, para que ele começasse a baixar a guarda.
Sabendo que ele era um egocêntrico egoísta, provavelmente começaria a falar sobre si mesmo, de qualquer maneira, o que funcionaria para Hermione.
Ela olhou para o relógio de pulso - eram exatamente dez horas. Ele está atrasado.
Alguns segundos depois, Malfoy praticamente irrompeu pela porta.
Vários pensamentos atingiram Hermione de uma só vez. Primeiro: ele parecia estupidamente em forma em sua camisa de Quadribol. Claro, ela o tinha visto em campo enquanto a Sonserina e a Grifinória derrotaram uns aos outros por anos, mas ele parecia ainda mais gostoso de perto agora que ela podia ver como o verde de sua camisa destacava o cinza da sua íris. Dois: era uma vassoura bem cara jogada no ombro dele. Ela poderia não ser muito versada em equipamentos de Quadribol, mas ela não era burra - e aquela coisa brilhava. Três... sua mente ficou em branco antes que ela pudesse chegar ao três porque Malfoy tinha acabado de colocar a mão atrás do pescoço, agarrando o colarinho e arrancando a camisa apertada, colada de suor, de uma só vez.
Ela tentou não encarar, ela realmente tentou, mas como ela poderia quando o torso dele estava bem ali em sua linha de visão? Ele tinha um abdômen que parecia que ela poderia lavar roupas nele, emoldurado por um V profundo que afundava abaixo de suas calças de Quadribol confortáveis. Parecia que sua incapacidade de deixar a barba crescer (algo que ela só sabia por que tinha escutado Malfoy dizer alto e claro na Biblioteca o quanto isso o irritava) se estendia até o peito, porque o único cabelo nele era uma pequena linha fina muito clara que se estendia de seu umbigo até sumir abaixo do botão de sua calça. Ela se assustou com onde isso fez sua mente ir.
Ele limpou a garganta com um sorriso malicioso, fazendo Hermione pular sobressaltada, já que ela havia começado a contar inconscientemente quantos quadradinhos brilhando de suor ele tinha na barriga. (Oito. Algo que ela nem sabia que era possível) Ele estranhamente manteve a boca fechada sobre o fato de ela ter ficado olhando para ele com o maxilar relaxado. Talvez o rubor que ela sentiu se espalhando por suas bochechas fosse toda a admissão de ações que ele precisava.
"Seus mamilos estão estranhamente arrepiados", ela disse, odiando demonstrar a vantagem que ele tinha sobre ela por estar seminu.
Ele olhou lentamente para seu peitoral, antes de seus olhos dispararem de volta para ela, sorrindo. "É mesmo?"
Por que diabos eu disse isso? "Sim. Mas tenho certeza de que você já sabia disso."
Ainda sorrindo, ele enfiou a mão na bolsa de ginástica para pegar uma camiseta branca limpa, vestindo-a. Hermione ficou aliviada por não ter mais que olhar para aqueles mamilos horríveis, quase desafiando-a a prestar atenção neles, é claro. "Não posso dizer que alguém já reclamou dos meus mamilos antes, sabe", ele respondeu, sentando-se à esquerda dela. "E você? Alguém já reclamou dos seus?".
Hermione observou o canto de sua boca se contorcer. Ela achava que merecia isso; tinha sido uma coisa ridícula de se dizer. Ela não iria morder a isca dele. "Por que você simplesmente não se trocou nos vestiários?"
Malfoy olhou para o relógio por cima do ombro dela. "Porque eu sei que uma certa monitora-chefe é pontual pra caramba e eu não queria me atrasar e deixá-la louca. Não de raiva, pelo menos." Seus olhos brilharam. "Eu estava errado?"
Esse filho da puta atrevido. Ele se recostou na cadeira casualmente, bagunçando o cabelo. O leve brilho de suor que ela tinha visto cobrir seu corpo deve ter sido a razão pela qual ele parecia estar em uma desordem ainda mais desgrenhada agora. Ela foi atingida por uma lufada de seu cheiro almiscarado e odiou o quanto ela não odiava.
"Agora. O que eu não entendo", continuou ele com indiferença, "é por que estou aqui."
Hermione mordeu o lábio inferior, tentando entender aonde ele queria chegar. "Para me ensinar-"
"Por que eu?" Ele interrompeu.
Oh, merda. Hermione imaginava que ela era uma espiã terrível, mas será que ela seria mesmo tão ruim assim? Ela já teria seu disfarce descoberto no segundo dia da missão? Isso tinha que ser um novo recorde. Ela se fez de desentendia. "Porque você sabe como fazer magia não-verbal."
"A maioria dos estudantes no nível NIEM de Feitiços sabe." Seu olhar desceu por seu corpo. "E é bastante incomum para você não tirar nota máxima nessa matéria em particular." Hermione inesperadamente agarrou sua varinha com mais força quando o cinza encontrou o avelã mais uma vez. Foi constrangedor; ela não deveria estar tendo tanta dificuldade em algo que os outros já dominavam. Ela era melhor do que isso. "Então eu repito: por que eu?"
De repente, ela teve um estalo. Oh! Graças a Merlin. Ela soltou um enorme suspiro interno de alívio. Ele não tinha descoberto a missão dela, ele apenas presumiu arrogantemente que ela havia pedido ajuda para passar um tempo com ele. Porque ele pensou que ela gostasse dele. Hermione não pôde evitar; ela riu. "O que você está insinuando, exatamente? "
Malfoy se inclinou para frente, apoiando seu peso em seus antebraços. "Que você está fingindo." Hermione mal teve tempo de registrar o desafio em sua voz antes que ele continuasse, "Você não precisa fingir, não para mim."
O sangue de Hermione gelou. Por que de repente parecia que eles estavam falando sobre outra coisa? De jeito nenhum, ele não poderia saber... A única outra pessoa no mundo que sabia que nenhum homem havia feito Hermione gozar era Harry e ele nunca trairia o segredo dela, nem mesmo para Rony. Mesmo que os caras ela ficou tivessem dito alguma coisa- por que eles admitiriam ser amantes abaixo da média? - Eles não podiam saber sobre suas outras tentativas. Você está sendo paranoica. Ele não pode saber. Ele está falando apenas sobre fingir não saber fazer magia. "Eu não finjo não ser capaz de fazer coisa alguma, Malfoy. Eu sou muito inteligente para isso."
"Mas não é inteligente o suficiente para não fingir que nenhuma outra pessoa poderia fazer isso por você, senão eu, não é mesmo?"
Ela sentou-se congelada; a única coisa que se movia era seu coração que batia violentamente, tentando escapar de seu peito. Seus olhos correram por todo o rosto dele, tentando ler o ilegível. Como ele sabe disso? Ela podia dizer pelo tom dele exatamente o que ele estava insinuando. Como ele poderia saber que ela estava fingindo orgasmos por anos só para fazer o sexo tedioso acabar logo? Rumores? Ou ele a estava espionando? Ela supôs que ele sabia que durante seu namoro com Fred seus encontros aconteceram nos terrenos do castelo (era muito difícil conseguir privacidade para uma rapidinha espalhafatosa com colegas de quarto por perto), mas... que porra é essa?
Ela engoliu em seco e começou a juntar seus livros, querendo sair da sala imediatamente enquanto todos os alarmes tocavam em sua mente.
"Isso foi um erro. Eu não deveria ter pedido sua ajuda."
"Mas você pediu. " Disse ele provocando. "Está tudo bem. Estou realmente lisonjeado. Mas da próxima vez você poderia apenas me convidar para sair."
Hermione se levantou, balançando violentamente a bolsa no ombro. "Eu nunca sairia com gente como você."
Malfoy se levantou também, habilmente bloqueando a saída dela. "E por que não?"
Os olhos dela instintivamente caíram para o braço esquerdo dele, onde sua Marca Negra provavelmente estava escondida por um feitiço.
"Você sabe o por quê!" Ela rosnou.
Seus olhos se estreitaram um pouquinho, mas se ela tivesse piscado, ela teria perdido, porque sua máscara arrogante voltou uma fração de segundo depois.
"Bem, se você tem tanta certeza sobre o monstro que eu sou…" Ele se inclinou, sua voz abaixando para um sussurro rouco. "Por que você me pediu para encontrá-la aqui sozinha?"
Era um excelente ponto! Dumbledore era um homem louco e ela iria dizer isso a ele amanhã. Se ela ainda vivesse para ver o amanhã. Honestamente que tipo de professor pede a uma nascida-trouxa para se encontrar com um Comensal da Morte? É um absurdo! É praticamente um assassinato premeditado, é...
A mão de Malfoy pousou na lateral de sua cintura e a puxou de sua espiral de delírios. "Mas você sabe que eu nunca te machucaria de verdade, certo Granger?"
Malfoy estava atiçando tantas sensações ao mesmo tempo - o calor que ela começou a sentir se espalhando por seu estômago através de sua camisa, a maneira como seus olhos estavam quase implorando para ela acreditar em suas palavras, o quão perto ele estava dela, tão perto - que ela tinha certeza de que seu cérebro tinha acabado de desligar. Ela não podia fazer isso.
Ela estava fora do alcance dele. Ela não tinha treinamento para esse tipo de situação e estava tentando enfrentar o protegido de Voldemort? Ela sentia como se tivesse acabado de ser jogada aos lobos. Foi estúpido. Era como se Malfoy tivesse transformado suas interações em algum tipo de jogo e, em dez curtos minutos, ela já tivesse perdido. Como ele fazia isso?
Ela empurrou a mão dele de cima da cintura dela e circulou ao redor dele com urgência. "Boa noite, Malfoy!" Ela disparou sem olhar para trás.
Só depois de quase ter subido três lances de escada correndo ela se permitiu um momento para se encostar na parede para apenas respirar. Ela não tinha ideia do que ele fez com ela, mas ela sabia que não poderia lidar com isso.
"Eu disse a ele que não seria mais capaz de fazer isso." Anunciou Hermione, se sentando ao lado de Harry no Salão Principal bem na hora do café da manhã. Rony aparentemente não estava à vista.
"O-o quê?" Harry se engasgou com seu mingau.
Hermione deu um tapinha nas costas dele, explicando toda a estranha conversa com Malfoy e como depois de sair correndo da Sala da Monitoria, ela correu direto para o escritório de Dumbledore e disse a ele que estava cancelando sua missão.
Harry franziu a testa. "Como ele reagiu?"
O coração de Hermione afundou junto com seu orgulho - por todo o caminho até o chão, inferno e fundo do poço. "Ele disse que estava desapontado, mas entendia."
"Ouch." Harry gemeu. Ele sabia o quanto Hermione ansiava pela aprovação de figuras de autoridade.
"Eu sei," Hermione disse, puxando seu cabelo para trás para refazer seu rabo de cavalo em uma trança apertada, "mas... você não estava lá, Harry. As coisas que Malfoy disse..." Seus olhos brilharam. "Era como se tudo tivesse um duplo sentido e ele apenas - eu ainda não entendo como ele sabia aquelas coisas sobre mim. Aquilo me assustou para caramba." Harry passou os braços em volta dela, e ela inconscientemente o abraçou de volta, buscando conforto em seu melhor amigo.
"Você disse isso a Dumbledore?"
Hermione se sentiu ainda mais enjoada. "Bom, não os detalhes do que Malfoy sugeriu, obviamente, mas sim. Malfoy me fez sentir insegura e ele claramente também me espionou." Harry assentiu, mas Hermione sentiu a culpa crescendo, como se estivesse mentindo por omissão se não contasse tudo para seu melhor amigo. "Dumbledore disse que eu já tinha feito um ótimo trabalho." Ela fez uma careta. "Porque agora sabemos que ele provavelmente tem algum meio para espionagem ou algo assim."
Harry deu a ela um olhar de pena. Ela realmente desejava que ele não o tivesse feito. "Você sabe que ele ainda vai querer que você descubra que meios são esses, certo?"
"Sim," Hermione resmungou, "eu sei. Mas honestamente, eu não sou capaz de continuar com isso. Estou falando sério, Harry. A maneira como ele me fez sentir ontem…"
Harry colocou uma mão calmante na de Hermione. "Eu entendo. Você não deveria ter que se colocar em perigo por minha causa."
Hermione sorriu com o afeto dele. "Você também não deveria se colocar em perigo para salvar o mundo mágico e mesmo assim você fez. Diversas vezes."
Ele bufou e a soltou, voltando para seu mingau, enquanto Rony se sentava na frente deles, ainda com as marcas de travesseiro em sua bochecha. Harry sempre foi o melhor entre eles.
