Malfoy não encarou Hermione no dia seguinte como costumava fazer. Na verdade, ele não lançou nem mesmo um olhar em sua direção. Era como se ele tivesse finalmente conseguido tirar as reações que queria dela - nervosa e confusa - e agora tivesse superado, indo brincar com a próxima vítima.
Hermione tentou ignorar a sensação de decepção que corroía seu estômago. Isso é ótimo. É melhor assim. A atenção dele não passou de um incômodo durante grande parte de sua vida escolar. Hermione se convenceu de que não sentia falta disso - ela apenas se acostumou a isso.
Também não tinha nada a ver com o fato de ela ter se levantado de madrugada e se esforçado mais do que nunca para correr ao redor do Lago Negro na manhã seguinte. Hermione realmente amava essa hora do dia - as cores pêssego do nascer do sol que pareciam sangrar sobre a superfície do Lago, os unicórnios recém-nascidos que timidamente bebiam água nas margens com suas mães, a paz do silêncio ao seu redor. Correr fazia Hermione conseguia pensar. Era quando ela respirava.
E sim, na extremidade oposta do Lago havia uma árvore velha e confiável com um galho grosso e resistente, perfeito para esticar as pernas.
Hermione tinha 14 anos quando subiu nessa árvore pela primeira vez, com o intuito de admirar a bela paisagem de Hogwarts no pôr do sol. Ela ficou assistindo alguns alunos jogando Snap Explosivo ou até mesmo se banhando no Lago depois do fim das provas do 3° ano. Harry e Rony estavam voando por aí, obcecados com a nova Firebolt de Harry, quando ela decidiu tirar um tempo para si mesma. Ela estava sentada no grosso galho, com uma perna de cada lado dele, se balançando, incrivelmente feliz por estar finalizando mais um ano em Hogwarts. Foi só depois de um minuto de movimentação em cima do galho que as coisas ficaram... estranhas. No fundo de sua barriga, uma sensação começou a se estreitar, fazendo os olhos de Hermione se abrirem e um pequeno suspiro escapar de seus lábios. Bom. Ela tentou cruzar os tornozelos, tentando encontrar uma maneira de aliviar um pouco da pressão sentida entre as coxas, mas não ajudou. Seus braços tremeram e ela se pegou tentando se segurar, mantendo seu corpo em cima da árvore, porque queria que essa sensação durasse. Ela precisava disso. Estava crescendo em algum lugar perto de seu estômago, ela começou a se sentir incrível e de repente explodiu em uma mistura de sensações e tremores.
Hermione teve seu primeiro orgasmo ao ar livre, com vários de seus colegas à sua volta e ninguém se deu conta.
Hermione (e nem qualquer um de seus parceiros sexuais subsequentes) nunca descobriu como gozar de outra maneira. Desde então, sempre que se sentia muito estressada com a rotina, ela se pendurava neste galho de árvore na beira do lago, logo após a sua corrida matinal.
Algumas pessoas se masturbavam no conforto de suas próprias camas - Hermione se excitava ao ar livre. (Embora o aspecto público dificilmente seria uma escolha - onde mais ela poderia fazer isso?) No entanto, perseguir essas sensações vinha se tornando cada vez mais difícil. Quanto mais velha ela ficava, mais difícil se tornava para ela se excitar em cima de uma árvore. Era um verdadeiro dilema.
"Ugh, Harry, você não sabe o quão sortudo você é por ter um pau." Hermione sussurrou enquanto Harry se sentava ao lado dela na aula de Feitiços. Seus sentimentos felizes tinham sido tão difíceis de alcançar esta manhã; ela mal teve tempo de tomar banho antes de correr para a primeira aula. "Achei que meus braços fossem cair antes de conseguir chegar lá hoje." Apesar de dizer a ela que realmente não precisava saber tantos detalhes sobre esse tipo de coisa, Harry era bem versado em todas as suas experiências sexuais e problemas orgásticos.
Pena que não tinha sido Harry quem estava sentado ao lado dela. "Lá aonde?"
Hermione quase pulou de susto quando percebeu que era de fato com Malfoy que ela estava falando. "Que droga é essa!?" Ela sibilou. "O que você está fazendo aqui?" Ela olhou freneticamente ao redor da sala, tentando localizar Harry.
"Não, não. Vamos voltar a essa coisa dos seus braços caírem. O que isso tem a ver com meu pau?" Ele parecia tão divertido. Era irritante.
Hermione estava completamente abalada e envergonhada agora (mas ela teria muito tempo para isso mais tarde - ela passou noites durante anos, incapaz de adormecer, ponderando sobre o porquê de ela ter tanta dificuldade de gozar enquanto olhava para seu dossel).
"Onde está Harry?"
"Se eu te contar, você vai responder à alguma das minhas perguntas?" Malfoy inclinou a cabeça, desafiando-a.
"Não", ela retrucou, pegando na bolsa o frasco de tinta e batendo-o na mesa.
"Bem, isso dificilmente me dá qualquer incentivo para responder às suas, não é?"
Ela mordeu o lábio enquanto eles continuavam se olhando fixamente, ambos não querendo ser o primeiro a ceder. Ela estava perifericamente ciente de que Flitwick havia começado sua aula, mas aparentemente esse concurso de enfrentar Malfoy, de alguma forma, parecia mais importante do que a aula.
Seu olhar caiu por um segundo quando ela notou que seus lábios se curvaram no menor e mais tortuoso dos sorrisos - como se ele tivesse ganhado alguma coisa.
"Tudo bem", ele silenciou; os olhos disparando entre os dela. Nós estivemos tão perto o tempo todo? Por que ele cheira tão bem? "Parece que ele desmaiou ontem no treino de Quadribol. Eu era o Monitor responsável pelas patrulhas e o levei para a ala hospitalar."
A raiva de Hermione se transformou em preocupação. "Ele está bem?" Suas sobrancelhas franziram quando suas narinas dilataram. Parecia que aquela raiva fazia sentido afinal. "O que você fez com ele?"
"Eu acabei de te dizer. Ele desmaiou e eu o levei até Madame Pomfrey."
"Então você está dizendo que não teve nada a ver com o colapso dele?" Ela sussurrou acusatoriamente.
Malfoy zombou. "Não, Granger. Considerando que não sou eu quem tem um elo mental com ele."
Hermione podia sentir a cor sumindo de seu rosto. "O que foi que você disse?"
Malfoy casualmente descansou o braço nas costas da cadeira dela e Hermione se encolheu quando ele se inclinou em seu ouvido, seus olhos caindo no colo dele com a proximidade de seu corpo. Ela poderia resistir o quanto quisesse em circunstâncias normais - infelizmente, Malfoy não parecia inclinado em seguir às regras. Ela sentiu sua voz lenta e baixa atingindo cada parte de seu corpo quando ele sussurrou: "Eu disse que não sou eu quem tem um elo mental com Potter."
Hermione fechou os olhos enquanto respirava trêmula, tentando desesperadamente se acalmar. Ela poderia se concentrar nas perversas tentativas de sedução de Malfoy mais tarde - ela tinha o segredo de seu melhor amigo para se preocupar. "O que você sabe?" Ela murmurou.
Ela sentiu Malfoy se afastar um pouco de seu espaço pessoal, então ela foi capaz de recuperar o fôlego - só um pouco. "Eu sei que ontem o Lorde das Trevas estava bastante contente, então provavelmente Potter está se sentindo uma merda hoje."
Hermione olhou para ele quase sem acreditar. Ele sabe. Ele sabe da conexão entre Harry e Voldemort, e que ela permanece aberta, o maior segredo de Harry e ele pode arruinar completamente a vida dele se quiser. O que ela poderia fazer? Como ela poderia detê-lo?
As sobrancelhas de Malfoy se contraíram. "O quê? Era para ser algum grande segredo?" Ele riu, lançando um olhar para a frente da classe e falando com o canto da boca, "Ele desmaia quase todas as vezes que o Lorde das Trevas tem grandes alterações de humor. Ou eles têm uma conexão mental ou Potter está grávido."
Hermione engoliu em seco, o pânico fazendo todos os seus músculos parecerem congelados e pesados. "Quem mais sabe?"
Ele deu de ombros, um braço ainda atrás dela, agindo indiferentemente, como se a vida de alguém não estivesse em jogo nessa conversa. Se Hermione pudesse se mover, ela iria querer estrangulá-lo.
"Só eu... E Daphne." Ele sacudiu a pena entre os dedos, girando-a graciosamente. "Oh, e acredito que o próprio Lorde das Trevas."
O coração de Hermione disparou. Toda a Ordem sabia o que Malfoy era e a quem ele servia, mas alguém já o tinha ouvido mencionar Voldemort diretamente antes? Não, com certeza não. Hermione nunca fantasiou esse momento, mas se tivesse, não teria sido assim. Ela teria imaginado Malfoy referindo-se a Voldemort com reverência e admiração, não como se ele fosse um cara que ele conhecia, um igual, como se ele não fosse mais importante do que um colega de quarto. Era uma coisa horripilante de se testemunhar.
Também era bizarro ouvir que Draco Malfoy se associou à essas pessoas de sua própria boca. Como se os rumores e as informações que Snape trouxe para a Ordem não fossem prova o suficiente, Malfoy tinha acabado de assumir e admitir que tinha conexões com Voldemort como se não fosse nada. Como se sua lealdade não fosse matéria de pesadelos e ele não estivesse fazendo nada de errado.
Por que você está focando nisso? O idiota sabe que a conexão entre Voldemort e Harry continua aberta! Voldemort!
"O que você quer dele?" A garganta de Hermione estava seca.
Malfoy a olhou confuso. "Dele?" Sua pergunta parecia estranhamente específica. "Por que eu iria querer alguma coisa de Potter?" Malfoy ponderou sobre isso. "Suponho que não temos um bom histórico, dado ele ter me atacado no ano passado e toda a rivalidade entre casas, mas por favor. Eu não estou nem aí para Potter."
Os olhos de Hermione não paravam de se desviar para os dedos longos dele. A forma como ele manipulava a pena era hipnotizante.
"Você e Harry se odeiam desde o 1° ano e você acha que vou comprar essa história de rivalidade entre casas?" Hermione sussurrou furiosa. "Por favor, todos sabem que o principal objetivo de Você-sabe-quem é ver Harry morto".
Malfoy demorou um tempo, a olhando contemplativamente, parecendo pensar no que responderia a seguir, enquanto analisava o rosto dela. Por fim, ele olhou diretamente em seus olhos e disse "Eu não sou o Lorde das Trevas, Granger. Pessoalmente não dou a mínima se Potter sobreviver à guerra."
"Então sobre o que é tudo isso?" Ela estava quase assustada demais para perguntar. Ele não queria Harry morto? Então qual era o sentido de ele ser um Comensal?
Seu rosto se abriu em um grande sorriso que teria parecido muito charmoso em qualquer outra pessoa. "Dominação mundial, princesa."
Hermione rosnou, virando-se de frente para a aula. Isso não era uma maldita piada. Era da vida do seu melhor amigo que eles estavam falando. Ela estava tão furiosa e petrificada por Harry que podia sentir suas mãos começarem a tremer.
Ele deve ter notado.
"Ei, relaxa. Eu realmente não me importo, sabe? Eu não gastaria o meu precioso tempo correndo atrás de Potter. É com o Lorde das Trevas que ele está realmente fodido."
Ela virou a cabeça para ele em descrença. Ele estava falando sério? Ele não poderia estar insinuando que ele, o protegido de Voldemort, não dava a mínima para o maior objetivo do lado das trevas. Claro, dentro de Hogwarts e com a proteção de Dumbledore não existiria um lugar mais seguro para Harry, mas e quando eles saíssem dali? Ele correria perigo até que eles vencessem a guerra.
Voldemort tratava todos os Comensais como vermes, exceto os do ciclo interno, segundo Snape. O que ele faria com Malfoy se o ouvisse falar que matar Harry não era uma prioridade para ele? O seu pupilo. Nada faz sentido.
"Estou falando sério. Ele não teria problemas em encontrar um emprego depois da escola se dependesse de mim." Malfoy continuou. "Minha melhor amiga merece ter uma boa vida, obrigado."
Hermione não estava acreditando, ele estava mesmo falando sobre Greengrass? Hermione gemeu derrotada.
"Eu acho que preferia cumprir pena em Azkaban a ver Harry com Daphne Greengrass"
Contra todas as possibilidades, Malfoy riu. "É fofo você achar que deveríamos manter Azkaban depois do fim da guerra. Aquele lugar é bárbaro." Ele retrucou.
Hermione olhou para Malfoy paralisada. Ele realmente pensa...? Era uma realização tão ridícula, mas ela tinha certeza de que tinha raciocinado certo, no entanto. Ele realmente pensa que é o mocinho?! Claro, ninguém pensava em si mesmo como o cara mau - este não era um filme com um vilão tão comicamente mau que eles não tinham qualidades redentoras. Mas, ainda assim, era dessa forma que Hermione via Voldemort. Ele era um homem que queria acabar, ou escravizar, mais da metade da população mundial só porque considerava que a sua falta de magia os fazia inferiores a ele. Claramente o cara era completamente insano, mas Malfoy...? Ele achava que estava tudo bem escravizar pessoas? Olhar para os dois lados da guerra e realmente achar que ele era justo e verdadeiro? A ideia parecia tão ridícula para Hermione. Ela sempre presumiu, talvez ingenuamente, que no fundo ele sabia que o que estava fazendo era errado. Como ele não consegue enxergar?
Hermione tentou clarear seus pensamentos, balançando a cabeça enquanto se levantava. "Eu deveria ir ver como ele-"
"Não." Malfoy disse agarrando o pulso dela.
"Não me toque—"
Ele ignorou a raiva dela, mas deixou que ela puxasse o braço para trás. "Não seja uma estraga prazeres. Daphne está com ele na ala hospitalar agora, ele está bem."
Hermione nem percebeu que Greengrass não estava em seu lugar habitual, talvez porque Malfoy não estivesse lá com ela.
"Potter sabe que Daphne gosta dele, certo? Ele podia muito bem investir. Tenho certeza de que Daphne gostaria."
Eles eram malucos? Daphne provavelmente também era uma Comensal da Morte, isso não fazia o menor sentido. "Harry nunca faria isso," Hermione defendeu a honra de seu amigo ardentemente. "Ele tem padrões."
Malfoy bufou. "Ah sim, quase me esqueci. Qual é o sentido de toda essa coragem Grifinória se você nunca pode fazer nada que realmente quer por causa dessa falsa nobreza?"
Hermione estava furiosa. "Ah sim." Ela zombou dele. "Como ousamos viver nossas vidas sob um conjunto de princípios?"
Malfoy se recostou nela, e Hermione pôde ver um brilho perigoso atrás dos olhos dele. Isso a lembrou de quem ela estava provocando, mas estranhamente, ela não estava com medo. Na verdade, vê-lo ficar um pouco irritado apenas a incitou a continuar discutindo de igual para igual com ele.
"Eu tenho princípios, Granger." Eles nunca costumavam se enfrentar assim; eles nunca tinham entrado tão profundamente sob a pele um do outro antes. Hermione fez uma anotação mental para ponderar o que exatamente havia mudado, mas suas próximas palavras rapidamente fizeram com que sua pequena missão fosse esquecida. "Mas talvez, ao contrário de você, eu não tenha medo de apoiá-los."
Hermione sentiu como se tivesse levado um soco no estômago. A lembrança do rosto desapontado de Dumbledore quando ela disse a ele que não poderia completar sua missão para a Ordem passou por sua mente como uma avalanche de vergonha. De uma maneira doentia e terrível, Malfoy estava certo. De que adiantava toda a sua convicção e sede justiça se ela não conseguia nem lutar por isso? Ela não podia nem tentar fazer a única coisa que seu lado havia pedido.
É claro que Malfoy não tinha ideia de como sua frase tinha sido certeira, mas ela não tinha planos de deixá-lo saber. "Cala a boca, Malfoy."
Flitwick pigarreou na frente da classe, alertando Hermione para o fato de que talvez a última parte tivesse saído um pouco alta demais. Ser monitora-chefe era provavelmente a única coisa entre ela e perder pontos.
Sua pele se arrepiou com o pensamento de decepcionar o pequeno bruxo. Ela intencionalmente ignorou todas as outras tentativas de Malfoy de falar com ela.
Claro, isso não o impediu. "Então..." ele zombou suavemente perto do final da aula, "Como estão indo seus feitiços não-verbais?"
Hermione continuou rabiscando suas anotações, apenas parcialmente capaz de se concentrar na tarefa.
"Já está praticando, princesa?"
Sua mão estava anotando a pronúncia de um feitiço, mas sua mente estava dizendo a seu corpo para parar de gostar quando ele a chamava de princesa. Ele não quer dizer isso afetuosamente. Provavelmente é assim que ele chama todas as suas garotas, então ele não precisa gravar os nossos nomes. Hermione puxou uma mecha de seu cabelo, tentando suprimir o arrepio que percorreu sua espinha ao pensar em ser sua garota. Isso não era saudável. Isso não era natural. Claro, tudo bem, ele estava em forma, ela podia admitir isso em uma análise puramente visual, mas e daí? Ela tinha olhos. Ele era gostoso. Ela achava muitas pessoas gostosas. Isso não significava que ela tinha que admitir isso em voz alta. Isso não significava que ela tinha que fazer qualquer coisa sobre isso. Isso não mudava o fato de que ele era um monstro, ou que ela o detestava.
A pena dele roçou inocentemente o antebraço dela, quase fazendo-a tremer e corar. Hermione se forçou a não reagir, para não o deixar ganhar mais um de seus jogos estúpidos, fingindo que as cócegas suaves não faziam absolutamente nada com ela. Ela tentou não demonstrar que estava imaginando-o arrastando aquela maldita pena por todo o corpo dela. Seu braço ondulou quando ela apertou o punho com mais força em torno de sua própria pena.
Ela tinha que sair dessa aula.
"Sabe de uma coisa..." Sua voz envolvente estava bem em seu ouvido novamente, misturada com uma satisfação presunçosa. Como ninguém estava vendo isso? Como ele estava se safando disso? O que diabos ela deveria fazer a não ser dar um soco na cara dele de novo? Ela sabia que ele estava brincando com ela, ela sabia disso. Então, por que estava funcionando? Por que quanto mais ele jogava, mais Hermione se envolvia? Ela queria arrancar os cabelos e gritar. Como ele faz isso? Sua ascensão ao poder nunca fez tanto sentido para ela; havia apenas algo inebriantemente e deslumbrante sobre ele. "Para alguém que não consegue fazer magia não-verbal, você se expressa bem claramente de forma não-verbal." Sua mão esquerda caiu abaixo de sua mesa, ainda segurando sua pena. Muito lentamente, ele a arrastou até sua coxa, sua saia subindo quando ela jogou uma perna sobre a outra ao acaso e começou a apertá-las para liberar um pouco da tensão que ele estava construindo dentro dela na última hora.
Hermione sentiu sua pele ganhar vida em todos os lugares que ele a tocava com a pena. "Seu rubor, seu pulso acelerado." Ele sussurrou, fazendo uma pequena pausa para dar um sorriso diabólico ao perfil dela, quando sua pena alcançou a bainha da sua saia. "A maneira como você cruza as pernas e as aperta, só para mim."
Hermione teve muita sorte quando o sinal tocou e engoliu seu suspiro e a libertou de sua alucinante tortura. Ela não achava que já tinha arrumado sua mochila tão rapidamente em toda sua vida.
Malfoy estava rindo, o idiota. "Então, quando vamos nos encontrar de novo?"
Hermione se levantou de um salto, correndo para a porta. "Não vamos. As aulas particulares acabaram." Ela nem se incomodou em jogar suas palavras curtas por cima do ombro. Não que isso importasse. Malfoy já estava ao seu lado no instante seguinte.
"Certo, porque tivemos muito progresso na última vez.", ele rosnou, revirando os olhos. "Eu quis dizer para planejar o baile. Estamos ficando sem tempo."
Droga. Como ela poderia ter esquecido? O Baile de Halloween da escola havia escapado completamente de sua mente.
Malfoy parou de andar no corredor, bloqueando o caminho dela e Hermione quase deu de cara com ele. "Hoje à noite?"
Ela olhou para ele confusa. "Eu pensei que você estivesse ocupado esta noite."
Ele sorriu. "Agora estou livre. Vejo você na Sala dos Monitores." E com isso, ele se foi.
Hermione pensou que sabia exatamente como seria o encontro deles naquela noite. Ela imaginou que poderia adivinhar os tipos de insultos que ele misturaria com as farpas atrevidas que lançaria em sua direção, enquanto seus olhos se demorariam em certas partes de seu corpo. É para onde tudo isso se encaminharia, não é? Algum tipo de exibição alfa de dominância destinada a demonstrar que, embora a achasse atraente, ela ainda não significava absolutamente nada para ele no grande esquema das coisas?
Ela arrastou os pés, fazendo seu caminho para a Sala dos Monitores.
Malfoy acabou não sendo nada do que ela conjecturou naquela noite. Ele estava de volta a apenas observá-la por cima de seus papéis, realmente trabalhando duro e distribuindo as funções e atribuições que eles dariam aos seus monitores para que este maldito Baile de Halloween acontecesse sem maiores problemas.
"Eu sei que a maior parte da música deles é uma merda, mas eles estão muito populares no momento e têm alguns sucessos, então... Acho que o caminho mais fácil, realmente, seria contratá-los."
"Sim. Concordo. Então eu fico responsável em gerenciar o bar para os veteranos. Slughorn já aprovou e disse que supervisionaria a área."
"Sim, porque ele é alcoólatra!" Malfoy disse rindo.
"Não importa, ele é professor, precisamos da sua supervisão." Ela respondeu, tentando esconder a risada.
Ele estava sendo decentemente responsável. Hermione não entendia. Quando ele agia assim, ele era quase simpático. Hermione poderia imaginar um universo alternativo onde eles poderiam se dar bem e ser parceiros. Era uma realidade estranha que ela desejava - mesmo que apenas um pouco. Ela atribuiu essa vontade a querer menos estresse em sua vida - e se Malfoy não fosse tão idiota quanto costumava ser, ela não teria metade de seus problemas. (Ou uma incômoda missão abandonada, pesando em sua consciência).
Ela quase perdeu quando Malfoy começou a arrumar suas coisas. "Bem, acho que terminamos. Por hoje é só."
"Certo, certo." Ela concordou, saindo de seu estado de reflexão e balançando a cabeça.
Ele levantou uma sobrancelha para ela, notando seu estado. "A menos que haja algo mais?"
Não faça isso. Não vale a pena, ela tentou se convencer, mas não conseguiu evitar, sua curiosidade estava quase fervendo e algo na maneira como ele agiu esta noite quase o humanizou, ou pelo menos a desarmou. Ele a lembrou que, por baixo de toda a arrogância, ainda havia um garoto de 17 anos que estava apenas tentando planejar um Baile idiota da escola, assim como ela, para poder ir para a cama logo.
Está ficando tarde... Hermione olhou para o relógio por cima do ombro dele; eram quase onze da noite. Sua curiosidade podia esperar.
"Não há nada. Boa noi-"
"O que você quer me perguntar, Granger?" Ele a cortou suavemente.
Como ele faz isso? Ela se perguntou pela milésima vez. Ele não perdia nada. Hermione percebeu que ela realmente não tinha nada a perder. Dane-se então. Ela se virou na cadeira para encará-lo e ele a imitou.
"Você não me odeia mais?" Era uma pergunta que queimava em sua língua há anos - porque ele não a maltratava mais desde o 4° ano. Ela era nascida trouxa e, se ele acreditasse no que pregava, uma mancha em sua sociedade mágica perfeita. Seu povo queria que ela fosse embora; então por que todos os olhares? Ela entendia o conceito da teoria que dizia que muitas vezes quando você odiava alguém poderia na verdade se sentir atraído por ela, não que eu tenha algum interesse nisso, e ela entendia que você não tem que respeitar alguém para querer transar com ela até a exaustão - a maioria de suas próprias conquistas deixaram isso bem claro na maneira como eles a trataram depois do ato. Mas nas últimas horas, ele tinha sido... civilizado com ela. Não havia nenhuma malícia em suas palavras; ele a tratou gentilmente, quase como uma amiga. Então o que acontecia?
"Não.", ele respondeu simplesmente. "Você me odeia?"
A pergunta a assustou. Sua reação instintiva foi pensar: Sim! Claro que sim! Você representa tudo que eu desprezo! Mas era difícil verbalizar isso olhando em seus olhos assustadoramente bonitos. Na verdade, era muito difícil olhar cara a cara para alguém e dizer que você o odeia. Mas, mais do que isso, ela nem tinha certeza se realmente o odiava mais, como antigamente, ou se era apenas tudo o que ele representava. Era uma percepção profundamente perturbadora.
"Eu não entendo você." Ela deixou escapar honestamente.
Algo brilhou em seu rosto, quebrando sua bolha. O idiota insuportável estava de volta, mostrando-lhe os dentes. "Ah, Granger..." Ele sorriu afetado enquanto se inclinava e puxava o assento dela para mais perto dele, prendendo os joelhos dela entre os dele. "É você quem não se entende." Hermione congelou, sentindo sua respiração saindo pesadamente. Ele atingiu um nervo. Não é verdade, não deixe que ele atinja você, não deixe que ele atinja você. Seu sorriso cresceu enquanto ele estudava seu rosto. "Está tudo bem."
Não, não está. Antes que ele pudesse dizer ou fazer qualquer outra coisa, Hermione o empurrou fazendo com que Malfoy caísse do banquinho, enquanto ela se levantava de uma só vez.
Malfoy ficou aparentemente perplexo por alguns segundos e em seguida riu, massageando o ombro que ela havia empurrado. "Legal. Essa é realmente uma ótima maneira de enfrentar os seus problemas, sabe."
"Você não é um problema meu, Malfoy!" Ela gaguejou. "Fique longe de mim." Ela endireitou o pescoço e tentou parecer imponente. Era a postura que funcionava para aterrorizar todos os alunos valentões.
Claro, Malfoy não era como eles. Ele lentamente se levantou do chão e sorriu para ela, diminuindo-a em altura. Hermione ignorou o pulso acelerado que disparou através dela. "Ou o quê?" Ele perguntou.
Hermione não sabia. E isso a assustava para caralho.
Com um rápido olhar para os lábios dela, ele saiu da sala e Hermione finalmente pôde respirar novamente.
"Meninos!" Hermione comemorou, muito feliz pela distração de ver rostos familiares quando ela voltou para a Sala Comunal, mesmo que eles estivessem meio adormecidos na frente da lareira. Ela ficou na Sala dos Monitores por muito mais tempo do que gostaria de admitir, pensando no que Malfoy havia dito a ela. Porque ela se conhecia, não é mesmo? Claro, algumas partes de si mesma permaneciam um mistério, mas isso era perfeitamente normal, não era? Ela tinha quase certeza de que a maioria das pessoas às vezes fazia coisas que nem elas mesmas conseguiam entender, ou queriam coisas que nem sabiam e - ilogicamente - que realmente não deveriam. Isso não era apenas o que chamávamos de ser humano, não era?
"Aí está você." Rony disse, sorrindo preguiçosamente para ela. "Lilá disse que você não estava no dormitório."
"Estávamos esperando você chegar." Disse Harry bocejando.
"Bem, aqui estou eu." Disse Hermione, sentando-se. "Como você está se sentindo, Harry?"
"Terrível. Você acha que consegue preparar uma poção do sono sem sonhos para amanhã? Os pesadelos estão cada vez piores."
"Claro que sim." Hermione o tranquilizou. Encontrar meios de manter a sanidade de Harry enquanto ele passava por noites de pesadelos terríveis, quase todos os dias, era a menor das preocupações de Harry no que dizia respeito a Hermione. Ele sabia que ela sempre faria qualquer coisa para vê-lo bem e ela, por sua vez, adorava fazer isso por ele. "O que aconteceu ontem?"
"Oh, foi tão embaraçoso. Você sabe como a minha cicatriz tem doído ultimamente. Acho que caí da vassoura no meio do treino. Acordei com Malfoy me encarando na ala hospitalar. Aparentemente, ele me levitou."
Hermione torceu as mãos. "Ele, hum-" ela tentou, estremecendo. "Ele-"
"Sim, ele sabe da conexão. Eu percebi." Harry começou a corar, "E então ele me mandou praticar oclumência e logo depois mandou chamar Daphne para ficar comigo até que eu me sentisse melhor."
As sobrancelhas de Hermione se ergueram. "O quê?"
"Sim." Claramente, isso era tudo o que ele iria dizer sobre esse assunto.
"Você acha que eles vão contar a mais alguém que a conexão ainda está aberta?" Rony perguntou.
Harry se mexeu nitidamente desconfortável. "É ingênuo da minha parte achar que não? Quer dizer, por que outro motivo Malfoy me diria para praticar oclumência? Nada disso faz o menor sentido."
Era verdade. Hermione ainda não sabia o que pensar disso.
"Então, onde você estava até agora?" Rony perguntou.
"Com o Malfoy, na verdade. Nós finalizamos todos os detalhes chatos para o baile da próxima semana. Vocês sabem, decoração, duração, escolha da banda etc." Hermione divagou.
"Ah sim." Rony ficou pensativo enquanto Harry comentou de forma conspiratória. "Como foi?"
Hermione fez uma careta. "Estava indo muito bem. Ele sempre é tão oito ou oitenta, ora interessado, ora indiferente, mas hoje ele estava apenas... não sei. Normal?" Ela deu de ombros. "Até que eu dei um empurrão nele e ele caiu no chão"
Uma gargalhada explodiu de Rony e um sorriso relutante floresceu no rosto de Harry "Você jogou ele no chão?"
Hermione se escondeu atrás de uma de suas mãos. "Talvez? Não tenho certeza."
"Genial!" Rony seguia rindo.
"Por quê?" Perguntou Harry bastante atento.
"Eu não sei. Por que ele não fazia nada?"
"E você queria que ele fizesse?" O que? De onde veio essa pergunta, Harry?
Hermione se assustou, olhando para ele. "O quê? Não!"
"Então por que você empurrou ele?"
"Eu disse a você, eu não sei-"
"Ah, apenas admita, Mione!" Harry suspirou exasperado. O assunto de Malfoy seria muito perigoso de abordar esta noite. A paciência de Harry já era lamentavelmente escassa e depois de um desmaio por causa de Voldemort estava por um fio.
"Admitir o que exatamente Harry?" Hermione respondeu teimosamente.
Harry deu a ela um olhar conhecedor "Ele não estava dando a você o tipo de atenção que você gostaria que ele desse, obcecado como é normalmente, e você a queria de volta. Então você o empurrou."
A mandíbula de Hermione caiu aberta. "Não! Não é nada disso! Eu não quero a atenção de Malfoy-" Harry fez uma careta. "Eu não quero!"
"Então, por que você empurrou ele?" Rony indagou calmamente, como se estivesse falando com uma criança.
Hermione estava ficando mais do que um pouco irritada. "Eu não sei! O cara só me irrita! Ele é um Comensal da Morte, e-"
"Você já deu um tapa em Zabine? Nott? Crabbe? Goy-?"
"Não." Hermione relutantemente concedeu.
O rosto de Harry se suavizou. "Olha. Você sabe que eu não posso te julgar. Vocês sabem disso. Mas você tem que admitir que pelo menos já está atraída por ele." Hermione tentou rebater, então ele continuou. "Eu sei, eu sei, você vai dizer que o odeia e não quer nada com ele, mas se você está tão em negação, eu realmente acho que isso tornará você muito mais propensa a cometer um deslize."
Hermione se endireitou, de repente levando a preocupação dele muito a sério. "O que você quer dizer?"
"Não sei..., mas você não acha que vai manter mais o controle se pelo menos puder admitir com o que está lidando?"
Harry levantou um ponto justo. Mas, honestamente, Hermione não precisava disso. Ela estava bem. Ela tinha tudo sob controle. Malfoy teria que se esforçar muito mais para realmente perturbá-la. Claro, ele estava afetando Hermione um pouco, aqui e ali, mas não era nada que ela não pudesse lidar a longo prazo. Não era como se ele pudesse distrai-la de seus planos e objetivos de vida e de se lembrar de quem ela era e o que ela representava. Ela era Hermione Granger - ela tinha tudo planejado e não precisava de ninguém. Ela iria se formar em Hogwarts, como a primeira da turma, ingressar no programa de cura do St. Mungus e viver uma vida longa, feliz e realizada em algum lar aconchegante, com um gato. Tudo traçado e seguro.
"Estou bem, Harry. Ele está em forma, mas eu não estou a fim dele. Ele pode ir direto para o inferno que eu não estou nem aí."
Harry suspirou, deu um beijo na testa dela levantando-se e se retirou para o dormitório dos meninos.
Rony seguiu o exemplo de Harry, mas antes de subir as escadas, se virou e disse seriamente "Olha Mione, tudo bem. Só não recuse a tarefa de Dumbledore porque você está com medo de ter uma queda pelo Malfoy, certo?"
Rony subiu, deixando Hermione magoada com a acusação. Malfoy é um sociopata. Isso é errado. Definitivamente errado.
