Hermione estava ferrada. Totalmente - pateticamente, alegremente - ferrada.

Ela teve um sonho erótico (e um sonho muito, muito bom). Normalmente ela nem conseguiria se lembrar de seus sonhos, mas esse ficaria gravado em seu crânio por toda a eternidade. De alguma forma, ela sabia que seria capaz de imaginá-lo quando fechasse os olhos, mesmo quando estivesse velha e grisalha. Estava um pouco escuro, pele suada e uma confusão de ruídos, gemidos, choramingos e súplicas, mas havia uma constante: prazer. Tanto prazer que entorpecia a mente dela e fazia tremer tanto suas coxas que seus dedos dos pés quase se curvaram só de pensar nele agora. Ela estava vagamente ciente de que estava montando em alguém, tendo uma sensação profunda e a mesma vista que ela tinha do Lago Negro durante suas corridas matinais, mas por algum motivo, não parecia a mesma coisa. Quem estava embaixo dela era muito gostoso, muito bom, mas isso era de se esperar, não era? Sexo foi feito para ser gostoso... certo?

Enquanto ela cavalgava, sentindo os sinais reveladores de seu orgasmo crescendo dentro dela, ela cometeu o erro já esperado de olhar para baixo. Lá, deitado embaixo dela na terra, estava um torso nu que ela infelizmente conhecia muito bem, já que ele se despiu na frente dela, e aquele sorriso, o maldito sorriso malicioso, zombando dela enquanto ele a observava em cima dele.

Era tarde demais para recuar agora, no entanto, porque ela já havia começado a vir. "Está tudo bem", ele respirou enquanto os olhos dela reviravam e ela via estrelas.

Merda.

Isso não estava acontecendo. Ela não estava tendo sonhos molhados com o maldito Draco Malfoy. Nada disso fazia parte do plano. Ela teria que começar a evitá-lo, como a peste que ele era, mesmo que isso significasse que Harry estivesse certo o tempo todo. (Ela mal conseguiu olhar para seu melhor amigo na manhã seguinte no café da manhã, quando ele se desculpou por ter sido tão mal-humorado na noite anterior. Ela estava com muito medo de que ele visse o sonho estampado em seu rosto.)

Ela não deixaria Malfoy arrastá-la para baixo com sua depravação. Ela não podia. Eu sou melhor do que isso.

Hermione, felizmente, tinha alguma experiência em ignorar seus problemas até que não houvesse mais solução. Afinal, tinha funcionado com os pais dela. Quando eles deixaram claro que não permitiriam que Hermione voltasse para Hogwarts com uma guerra iminente, ela decidiu fazer o que achou certo para protegê-los: desaparecer para sempre.

Esperançosamente, isso resolveria as coisas. Hermione às vezes era péssima na resolução de conflitos por ser radical demais, ela sabia disso, mas ignorar Malfoy parecia ser a única solução. Ele era uma doença e ela tinha que eliminá-lo de sua vida antes que ele a infectasse, seus desejos sexuais sobre o assunto não influenciariam em nada. Na verdade, seu tesão era mais uma razão para cortar tudo pela raiz agora. Ela não conseguia mais lidar com as provocações dele, não quando ela já se sentia tão vulnerável. Tudo o que Hermione sabia era que se a sensação no fundo do seu estômago fosse alguma indicação, ela não podia mais confiar em si mesma para permanecer fiel aos seus princípios em torno do Comensal da Morte. Ele era bonito demais e... tinha alguma coisa. Ele era muita coisa para lidar.

Claro, seu plano infalível só funcionaria se Malfoy obedecesse a suas novas regras tácitas.

E no que Malfoy era melhor? Em fazer o que diabos ele quisesse.

"Granger", as costas de Hermione se enrijeceram quando Malfoy se sentou no banquinho ao lado dela na aula de Poções. Ela gritou internamente. Como ela poderia se manter equilibrada se Malfoy tinha se tornado um chiclete ao seu lado? Ela olhou para frente, tentando se manter firme na sua nova resolução. Ele podia falar o quanto quisesse; com certeza, ele entenderia a dica, eventualmente, quando ela não o respondesse.

"Você já soube?" Malfoy continuou depois de não obter nenhuma reação dela. "Slughorn tornou os atuais parceiros de Poções permanentes. Acho que estamos presos um ao outro."

Merlim só pode estar brincando comigo...Hermione ergueu os olhos bem a tempo de ver Slughorn enviar a Malfoy um sorriso encorajador que ele retribuiu com o charme de sempre. Maldito inferno, ele fez isso. Malfoy certamente pediria algo assim a Slughorn, que concordaria, falando sobre como ele se lembrava de como era ser jovem e como adoraria abrir caminho para Malfoy conquistar a garota. O sexismo disso fedia.

Hermione sabia que Slughorn gostava dela - ela era talentosa em Poções e, como ele adorava apontar, 'melhor amiga de Harry Potter' - e ela sabia que ele dizia não se importar com seu status sanguíneo, mas ela realmente não duvidaria que o velho professor apoiaria com fervor a ideia de ela 'se estabelecer com um bom rapaz puro-sangue'.

"O quê? Nenhuma resposta espirituosa? Nem um pouco daquela raiva que eu gosto tanto de assistir?" Ele fez soar como se as emoções dela o divertissem, como se ela só as tivesse para benefício dele. "Seu rosto sempre fica vermelho quando você está mal-humorada."

Ótimo. Ele está de bom humor. Hermione destampou o tinteiro e mergulhou a pena, escrevendo a data no pergaminho, quase rasgando-o ao sublinhar rapidamente.

"Ah não... Não me diga que estou recebendo o tratamento do silêncio, Granger. Você sabe que eu não suporto isso." Ele brincou, segurando a mão sobre o coração. "Espere, por que você está me ignorando? Se alguém tem o direito de ficar chateado, é o cara que foi derrubado da cadeira sem motivo."

Hermione bufou apesar de sua própria vontade. Slughorn começou sua aula. Aparentemente, eles iriam preparar uma poção que entorpecia o cérebro, altamente alucinógena. Como Slughorn achava que isso era uma boa ideia em uma classe cheia de adolescentes, ela não fazia ideia. Algo lhe dizia que Malfoy não seria o único a furtar um frasco hoje.

Malfoy se inclinou, sussurrando, "Então há uma razão? Por que você não me conta?".

Hermione, irritada, soprou uma mecha de cabelo da testa, anotando os ingredientes de que precisariam.

"Eu tenho uma teoria," Malfoy continuou, como se ela estivesse participando. "Eu acho que você me quer." Hermione congelou, de repente muito interessada nas palavras 'pernas de rã' escritas na frente dela. "Eu acho que você me quer muito e isso te apavora, porque você acha que não deveria me querer, mas você não consegue evitar." Os pulmões de Hermione ardiam, implorando para que ela liberasse o dióxido de carbono que ela estava acumulando com tanta avidez, mas ela se viu incapaz de fazê-lo. "Estou certo?"

Suas palavras permaneceram no ar entre eles e, ao contrário de quando Harry disse quase a mesma coisa apenas algumas horas antes, agora ela sabia que eram verdadeiras. Ela o queria. Ela o queria de uma forma que nunca quis ninguém antes. Ela queria as mãos dele, aquelas mãos injustamente elegantes que ela podia ver perifericamente descansando ao seu alcance, agarrando os seus quadris do jeito que haviam feito em seu sonho, seus longos dedos cavando em sua carne enquanto ele a balançava sobre ele, ajudando-a a encontrar o seu ritmo. Ela queria que seu peito, seu peito sólido como uma rocha, se esmagasse contra o dela até que ela não pudesse respirar, enquanto arranhava suas deliciosas costas. E aquela boca, aquela boca perversa, não, realmente pecaminosa, precisava calar a sua boca e encontrar maneiras de fazê-la finalmente sussurrar, não, absolutamente gritar por ele. Ela já quis fazer sexo antes com certeza, mas ela nunca desejou tanto alguém de forma tão intensa antes. A necessidade parecia palpável.

Hermione sentiu o sangue correr para suas bochechas enquanto seu núcleo se apertava, tentando manter o controle.

Malfoy sorriu para ela. "Vou entender isso como um sim."

Hermione quase derrubou sua cadeira quando praticamente correu até o armário de suprimentos de onde todas as outras duplas já estavam saindo. Estar perto dele era uma tortura, realmente não havia outra maneira de dizer isso. Ela não conseguia nem mesmo entender o que diabos havia sobre ele que apenas fazia isso com ela. Como ela poderia tentar acabar com algo quando ela não sabia onde esse algo começava? Era quase como se em alguma vida passada, algum poder superior mítico tivesse decidido que eles estavam destinados a atrair um ao outro de alguma forma, mas algo deu errado, no entanto, e suas personalidades acabaram se desenvolvendo e se opondo completamente. Era assim que Hermione se sentia, impotente ao lidar com seus sentimentos complicados por este homem.

Ela não tinha mais ideia de como deveria se comportar - o que deveria dizer ou fazer. Quem fala coisas assim?! Era como se as quase duas décadas de sua vida a tivessem preparado para interações humanas que simplesmente não se aplicavam ao Malfoy. Sela estava confusa e com tesão para caramba e tão excitada que não parecia nem remotamente saudável. Ela caminhou até o armário e segurou as bordas do balcão ali dentro, tentando ignorar a risada de Malfoy atrás dela e controlar a sua respiração. Ele tinha se infiltrado sob sua pele novamente. Ele ganhou mais uma rodada. Pelo menos você não admitiu. Ele não tem certeza se é realmente verdade.

Hermione endireitou a saia e soltou um grande suspiro tentando recuperar o controle. Ela começou a reunir todos os ingredientes. O único problema era que o último estava na prateleira mais alta e, por mais que ela se esticasse, não conseguia alcançá-lo.

"Você esqueceu a varinha na sua pressa de fugir de mim." Malfoy disse, e ela o observou girar o salgueiro entre os dedos da mesma forma que ela o admirou enquanto ele girava a pena na aula de Feitiços. "Não foi muito inteligente".

Ele estava certo; não foi inteligente. Ela olhou para ele, agora casualmente encostado no batente da porta, segurando a chave da sua magia, com uma leve pontada de medo. Malfoy tinha um jeito estranho de fazê-la esquecer que estavam no meio da aula, supostamente cercados de pessoas. A conversa de seus colegas, os sons das poções borbulhando e o barulho de facas mal foram registrados. Ela deveria pedir sua varinha de volta, então ela poderia apenas levitar o ingrediente sem problemas, mas ela ainda estava brava com ele por lê-la como um livro aberto e por zombar de seu desejo insano por ele. Porque, no final das contas, era isso que ela significava para ele, não era? Ela era a garota sangue-ruim idiota que pensava que ele era muito bonito, apesar de seus princípios. Oh, como ele provavelmente deve ter adorado isso. Ela não conseguia nem imaginar o que essa nova reviravolta estava fazendo ao seu já inflado senso de autoestima. Nada de bom, isso é certo.

Ela se virou e ficou na ponta dos pés, o pote nem perto de estar ao seu alcance, não importava o quanto ela se esforçasse.

"Você sabe que eu seria discreto, certo?" Ele perguntou, sua voz traindo o menor indício de ansiedade.

Por favor, apenas me ajude a alcançar as asas da cigarra, por—

"Não precisa ser uma grande coisa se você não quiser. Nós dois somos adultos aqui, Granger."

Hermione considerou subir na bancada. Claro, ela provavelmente acabaria mostrando a bunda para ele escalando o móvel, mas ela poderia pelo menos escapar deste pequeno cômodo que a estava sufocando com esse monólogo inimaginável. Em sua tentativa fracassada de alcançar as asas de cigarra, ela derrubou uma jarra, jogando tripas de enguia e vidro para todas as direções no chão. "Merda", ela murmurou.

"Oh, pelo amor de Merlin!" Malfoy gritou com raiva, dando um passo em direção à ela e fazendo a bagunça desaparecer. "Basta pedir 'por favor'."

Hermione virou, apoiando-se contra o balcão atrás dela enquanto seu tornozelo doía, pronta para discutir. Isso era estúpido. Tão, tão incrivelmente insano. Mas antes que ela pudesse dizer uma palavra, ele caiu de joelhos e curou a pele que o vidro quebrado havia cortado, sua mão segurando sua panturrilha com uma gentileza medida que ela não sabia que ele possuía enquanto sua varinha fazia sua mágica. Depois que seu polegar limpou o sangue dela, seus dedos arrastaram-se por sua perna nua enquanto ele se endireitava diante dela.

Ele a estava tocando. Ele estava sempre tentando tocá-la. Hermione não deixava muita gente tocar nela, não que muitos tentassem. Para ela, o toque era algo reservado para o sexo, para aqueles momentos desesperados em que duas pessoas tentavam despertar algo dentro de si e para seus dois melhores amigos, em momentos especiais. Seus pais só a viam nas férias e Harry e Rony não tinham muito tato, então a maioria dos abraços afetuosos pareciam muito estranhos para Hermione. Ela podia vê-los e entender que algumas pessoas os apreciavam, mas eles nunca fizeram sentido para ela. Mesmo com uma amizade de anos, Harry raramente gostava de abraços, pensando em si mesmo como amaldiçoado e contagioso por causa de Voldemort.

Então, sim, Hermione não costumava ser tocada. Mas ela adorava isso. E quando os longos dedos de Malfoy fizeram cócegas em sua coxa, ela quis que ele não parasse nunca. Na verdade, ela queria mais.

Ela engoliu em seco quando os olhos dele brilharam, o jeito que ele estava olhando bem nos olhos dela fazia a sua cabeça girar. "Por favor!" Ela finalmente sussurrou, não tendo certeza se ela estava pedindo mais do que apenas ajuda com os ingredientes.

Malfoy se pressionou contra ela, uma mão segurando maliciosamente seu quadril enquanto alcançava com facilidade o frasco na prateleira de cima, acima de sua cabeça. "Isso não foi tão difícil, foi?" Ele sussurrou de volta.

Ela não podia mentir: sentir o corpo dele no dela definitivamente mexia com ela. Era ainda mais fácil imaginar graficamente o seu sonho e considerar jogar tudo para o alto e torná-lo realidade ali mesmo, e que se danasse o decoro. Podemos fechar a porta e silenciar o armário, não podemos? Era quase vertiginoso o quão rápido sua mente corria, seu sangue inundando-a com hormônios que ela já se sentia impotente para lutar contra, muito menos controlar. Ele percebeu também, suas próprias pupilas dilatadas enquanto ele empurrava seus quadris ainda mais contra os dela.

Mas então ele estragou tudo ao derrubar uma jarra. Sua manga deslizou por seu antebraço esquerdo, revelando a feia Marca Negra que marcava sua pele.

Hermione o empurrou para longe dela, arrancando as asas de cigarra dele e passando o resto da aula em silêncio, ignorando o quão quente ela sentia com os olhos dele sobre ela o tempo todo.


Hermione queria falar com Harry e Rony sobre o que quase aconteceu no armário de suprimentos, mas parecia especialmente egoísta, considerando que Rony sairia pela primeira vez com Carlinhos na missão de adestrar dragões e Harry quase não conseguia se concentrar com a dor ininterrupta de sua cicatriz. Em vez disso, ela reprimiu sua confusão, entregou a ele a poção de sono sem sonhos e desejou a Rony boa sorte antes que ele partisse. Ela incentivou Harry a finalmente tentar dormir com a ajuda da poção, mas sabia que ela mesma não conseguiria dormir de preocupação com Rony. Então, em vez disso, ela tentou adiantar o dever de casa da semana seguinte.

Foi muito difícil se concentrar naquela noite. Seus pensamentos continuavam correndo para os olhos azuis acinzentados, cravados nos dela, e na sensação do corpo de Malfoy, esculpido e firme - e ela estava louca, total e completamente insana. Ela não conseguia pensar direito quando ele estava por perto, não como ela conseguia pensar naquele momento, cheia de vergonha de si mesma. Pelo menos quando ela estava sozinha, ela conseguia se lembrar que desejá-lo era errado. Pena que esse reconhecimento tinha pouco peso para moderar o desejo que a estava consumindo.


Hermione acordou em sua poltrona na sala comunal deserta, várias horas depois, com o pescoço dolorido e uma lareira quase apagada. Ah, e Draco Malfoy olhando para ela do lugar habitual de Rony.

"Que porra é essa?!" Hermione gritou, pulando em seu assento e imediatamente gemendo de dor enquanto agarrava seu pescoço. Ela deve ter dormido de mau jeito.

"Olha só, a princesa sabe xingar!" Malfoy declarou, estudando-a.

"O que você está fazendo aqui?" Hermione gemeu. O cara não poderia dar a ela um segundo de descanso? Nenhum lugar era seguro? Ela olhou ao redor cautelosamente. "Como você conseguiu-?"

"Por que ninguém te acordou?", ele a interrompeu com sua própria pergunta.

"O quê?"

"Você estava dormindo em uma posição que é obviamente desconfortável, então por que ninguém te acordou?"

Hermione engoliu em seco. Espera. Ele está zangado? "Não sei... A maioria das pessoas tem medo de mim e meus amigos não estão aqui?"

Malfoy inclinou a cabeça. "Por que você só tem dois amigos?"

Hermione zombou. "O que foi? Você veio aqui para me interrogar ou algo assim? Por que você está aqui?"

"Eu preciso de você."

"Sério?" Ela cuspiu sarcasticamente, esfregando o sono de seus olhos. "À -" ela olhou para o relógio, "-meia-noite? Sem chance, Malfoy."

Um pouco de sua perturbação pareceu diminuir. "Na verdade, preciso da sua ajuda. Podemos falar sobre minha proposta mais tarde, mas eu estava me referindo às obrigações da Monitoria."

Hermione se odiou quando seus olhos caíram sobre o colo dele - positivamente se odiou. Ela não tinha a intenção, mas depois que ele mencionou sua oferta indecente de inimigos com benefícios, e então disse a frase 'preciso de você', foi quase uma reação instintiva. Uma que ele definitivamente percebeu e não iria esquecer nem tão cedo. Seu sorriso tornou-se letal. "Eu quis dizer-"

"Eu sei o que você quis dizer!" Ela interveio, quase histérica, corando no que parecia ser um vermelho profundo. Mude de assunto, mude de assunto...! "Como você sabia que eu estaria aqui?"

"Eu te conto mais tarde, te dou minha palavra," disse ele, levantando-se e oferecendo-lhe a mão, "mas preciso que venha comigo agora."

Ela estreitou os olhos, ignorando a mão dele e se levantando sozinha. Ela olhou para ele com expectativa. "Bem, depois de você, Malfoy."

Hermione seguiu Malfoy descendo vários lances de escada, o silêncio ensurdecedor. Eram momentos como esse que a faziam perceber que ela sabia muito pouco sobre esse garoto com quem ela compartilhou inúmeras aulas ao longo dos anos. Ela não apenas descobriu que mal conseguia prever seu humor ou comportamento - que parecia extremamente errático na melhor das hipóteses e totalmente sociopata na pior das hipóteses - como também não sabia coisas básicas sobre ele. Quais eram seus hobbies? Como era a relação dele com o pai? Por que ele é assim? Ela empurrou tudo para o lado quando chegaram ao Hall de Entrada.

Sentado lá na escada inferior estava um garotinho que ela reconheceu como um nascido trouxa do 1° ano, chamado John, com Pansy Parkinson, a dolorosamente linda ex-namorada de Malfoy e monitora do 7° ano, de pé sobre ele. Foi só quando Hermione viu o vestido verde-oliva bem costurado de Parkinson que ela percebeu que ainda estava com as roupas da escola, só que agora com amassados extras e totalmente desalinhado.

"Você voltou!" Pansy murmurou quando avistou Malfoy, seus lábios carnudos se curvando em um sorriso antes de ver Hermione ao lado dele. "Ah." Seu desgosto e desaprovação não poderiam ser mais aparentes. A garota a encarou furiosamente por anos até o ano anterior, quando ela decidiu que até mesmo gritar insultos para a 'sangue-ruim' estava abaixo dela. Aparentemente, até mesmo essa associação era muito grande.

Hermione afastou o pensamento de como seu beicinho era perfeito e se concentrou em John. "Ei, o que aconteceu?" Ela perguntou, sentando-se no degrau ao lado dele e ignorando a discussão de pseudo-namorados acontecendo atrás dela.

O lábio inferior do menino tremeu, parecendo que ele estava tentando não chorar, mas Hermione ainda podia ver a trilha seca onde as lágrimas devem ter escorrido livremente antes. Seus olhos azuis pálidos estavam arregalados enquanto ele olhava para a porta da frente.

"Ei," Hermione gentilmente falou com ele, "está tudo bem. Você está seguro agora. Seu nome é John, certo?"

O som de seu nome o tirou de seu transe. "S-sim. Como você sabe disso?"

Hermione deu-lhe um pequeno empurrão com o ombro. "Nós, nascidos trouxas, temos que ficar juntos." John parecia impressionado com a atenção de uma linda garota do 7º ano, mas Hermione levou isso com calma, usando isso para alimentar sua coragem. "Você pode me dizer o que aconteceu, John?"

"Eu-"

Pansy soltou um bufo alto e passou por eles, esbarrando nas costas de Hermione ao longo do caminho. Seus saltos faziam barulho enquanto ela se dirigia para as masmorras.

"Ignore ela. É o que eu sempre faço." Brincou Hermione.

John soltou uma pequena risada, olhando para Hermione como se ela fosse sua nova heroína.

Hermione ficou séria. "John, Parkinson não intimidou você, não é?" A ideia da pequena Miss Perfeição, com seu cabelo preto perfeitamente liso e suas unhas bem cuidadas, intimidando um garoto seis anos mais novo que ela parecia risível, mas quem sabe. Hermione não conseguia se imaginar tendo prazer em intimidar ninguém, não importando a idade. Bem, exceto Malfoy.

"Não", disse John apressadamente. "Draco apenas pediu a ela para ficar aqui comigo."

Draco. O estômago de Hermione deu uma reviravolta. "Então, o que aconteceu?" ela insistiu. Ela não precisou olhar para trás para saber que Malfoy estava parado ali.

"Eu..." John gaguejou. "Eu não me lembro. Eu estava testando diferentes feitiços no quadro de frutas perto do Salão Comunal, porque Ben ouviu de Alice, que ouviu de Brittany que é a entrada para as cozinhas, e então... não me lembro mais."

Hermione olhou para ele totalmente preocupada. Quem atacaria uma criança tão doce? "Você acordou aqui?"

"Não. Draco e Parkinson me encontraram perto do quadro. Mas eu..." John se mexeu, claramente desconfortável, "-não sei. Só meio que doí. E foi três horas depois."

Que porra é essa? Alguém havia tirado suas memórias? "E você não se lembra de mais nada?"

"Bem..." John deu um suspiro trêmulo. "Tenho um flash. Mas é impossível, porque eu não saí do castelo", ele imediatamente descartou.

"Que flash?"

John fez uma careta. "Eu só tenho essa impressão de ter visto aquele cara grande e assustador do seu ano que tem dentes ruins, parado em cima de mim enquanto eu estava na terra."

Agora que ele mencionou isso, Hermione podia ver uma folha presa em seu cabelo e um pouco de lama nas costas de seu suéter.

"John, você vai ter que ser mais específico."

O menino corou. "Você sabe, aquele que sempre tem um hálito terrível?"

"Crabbe?" Hermione perguntou, as sobrancelhas voando em sua testa. De repente, fez todo o sentido Malfoy sentir a necessidade de buscá-la. Isso estava se tornando um crime de ódio, cometido por alguém da sua gangue habitual. Não era de se admirar que ele sentisse que não conseguiria falar com John sozinho. O garoto provavelmente estava petrificado com ele.

"Sim."

Hermione se virou, esquecendo completamente como seu pescoço já estava dolorido. "Merda", ela murmurou baixinho, mas ainda assim foi o suficiente para fazer John pular. Ela continuou, porém, totalmente determinada. "Malfoy. Nós vamos falar com esse psicopata."

John empalideceu, então ela se virou para ele. "Não se preocupe, vamos levá-lo para a Ala Hospitalar primeiro." Mas John recusou, só querendo ir para a cama. Então, depois de fazer um pequeno feitiço para se certificar de que ele estava pelo menos fisicamente bem, Hermione e Malfoy o deixaram na Lufa-lufa antes de continuar a caminho do embate.

"Eu já te disse que você fica excepcionalmente sexy quando..."

"Agora não, Malfoy." Hermione não tinha tempo para suas besteiras agora. Eles pararam do lado de fora da entrada do Salão Comunal da Sonserina. "Você vai me dar cobertura?" Ela perguntou a ele secamente, conhecendo todo o peso de sua pergunta. Ela estava prestes a começar uma briga com um dos seus - um Comensal da Morte - e ela realmente preferia não fazer isso completamente sozinha. Ela tinha que saber se, caso ele tivesse que escolher, qual parte da sua identidade iria prevalecer: o monitor-chefe ou ser um deles?

Ele a encarou curiosamente por um momento. "Claro."

"Ótimo" Ela endireitou os ombros e esperou ele dizer a senha. Uma passagem apareceu, convidando-os a entrar ainda mais fundo nas masmorras, em um lugar que Hermione nunca tinha estado antes.

Ela sabia que não devia ser igual Rony achava (que os sonserinos passavam os dias enfiados em um buraco enroscados uns nos outros como serpentes), mas ela também não esperava isso - ela sempre imaginou um lugar assustador e frio (na verdade era mesmo fria, visto que essa parte do castelo estava localizada sob o Lago Negro), com imagens de cobras em todas as direções. Tudo ainda era verde e um pouco úmido, mas era um Salão Comunal bem parecido com o da Grifinória na verdade (apenas não tão caloroso).

Havia muitos estudantes fazendo a lição, conversando com seus amigos ou apenas lendo ou jogando.

Hermione estremeceu, tentando reprimir os pensamentos de que ela poderia ter sido classificada aqui - e ela quase foi. Agora não é a hora, nem o lugar, Mione.

"Draco, Pansy passou por aqui furiosa, você..." As palavras morreram na garganta bonita de Daphne quando seus olhos pousaram em Hermione. "Ah. Entendi."

Acabou que ela não precisou que Malfoy fosse buscar Crabbe no quarto deles, porque ele estava sentado bem ali na sala comunal com todos os seus companheiros.

"Crabbe. Levante-se. Você vem conosco até McGonagall" Ordenou Hermione.

Crabbe parecia estar tendo um derrame quando seu queixo caiu e ele olhou entre Hermione e Malfoy. "Com licença?"

"Você me ouviu, subindo. Sabemos que você atacou um primeiranista. Subindo, agora." Hermione assumiu sua postura imponente. O possível Comensal da Morte apenas piscou estupidamente para Malfoy com a boca ainda aberta; isso fez o sangue de Hermione ferver. Ela também era Monitora-chefe. Ela merecia respeito e podia latir ordens tanto quanto ele.

"Malfoy não vai te salvar, nós dois sabemos o que você fez." Ela rapidamente percebeu que nenhum deles tinha suas varinhas com eles, exceto Zabine, então ela rapidamente o desarmou caso as coisas estivessem prestes a ficar feias.

"Ei!" Zabine rugiu, ficando de pé tentando agarrar a sua varinha.

"Silencio", Hermione o silenciou e o colocou de volta em seu assento. Ela se virou para Crabbe. "Podemos fazer isso da maneira mais fácil ou da maneira mais difícil."

Crabbe rosnou, mostrando todos os seus dentes arruinados. John estava certo - ela deveria saber exatamente a quem ele estava se referindo apenas com a descrição dos dentes. "Escuta aqui, cadela—"

Sem mais preâmbulos, Hermione o atordoou e levitou seu corpo para cima, sobre seus amigos, e girou nos calcanhares, levando-o com ela. Ela ouviu o caos explodir atrás dela, mas felizmente Malfoy deve ter lidado com isso, porque foi ele quem veio correndo atrás dela alguns minutos depois, quando ela começou a subir a primeira escada. O aperto em sua varinha afrouxou um pouco.

Eles caminharam em silêncio por um momento, os únicos sons sendo do corpo de Crabbe enquanto ela o arrastava ao longo dos corredores, batendo em várias molduras de retratos, fazendo seus ocupantes gritarem e vaiarem, enquanto ele flutuava. Malfoy quebrou a paz com algumas risadas.

"O que foi?"

Ele riu completamente. "Nada. Apenas me perguntando: de onde veio isso?"

Hermione não tinha ideia do porquê ela estar corando. "Eu simplesmente odeio covardia, Malfoy."

Ele atirou-lhe um sorriso. "Devidamente anotado." Ela lhe deu um pequeno sorriso de volta. Ok, ela tinha permissão para se orgulhar de si mesma - ela meio que chutou o traseiro do cara lá atrás. "Exceto..." Oh merda, o que ele vai dizer para estragar tudo? "Que isso não é verdade."

Eles chegaram ao corredor onde ficavam os aposentos privados de McGonagall.

"Você só odeia a covardia dos outros."

Antes que ela pudesse realmente processar sua implicação, ele deu uma olhada nela e caminhou para trás em direção à porta. "Mas foi incrivelmente excitante se você quer saber."

Ela não deveria gostar do elogio, mas gostou e Malfoy poderia dizer. Ele sorriu para ela, exibindo seus dentes brancos perolados, antes de se virar e bater na porta para acordar McGonagall.

McGonagall ficou tão indignada, sua rede de cabelo mal se segurando, quanto Hermione esperava que ela ficasse e repreendeu Crabbe incessantemente antes de sentenciá-lo a um mês de detenção pela covardia de atacar uma criança. Crabbe continuou lançando olhares furtivos para seu colega sonserino o tempo todo, mas o foco de Malfoy permaneceu resolutamente em Hermione, como se o que aconteceu nas masmorras tivesse aberto seus olhos para uma parte dela que ele não sabia que existia antes. Não sabia - mas realmente gostava.

Ela desejou que ele parasse. Ela não tinha ideia do que fazer sob a intensidade de seu olhar.

Depois que ela dispensou Crabbe, McGonagall manteve Malfoy e Hermione por um momento para um interrogatório completo. A maneira como a professora olhava entre eles, como se fossem um quebra-cabeça pronto para ser resolvido, fez Hermione perceber que provavelmente ela já havia sido informada da missão de Hermione antes dela jogar a toalha.

Apenas quando Hermione pensou que a vergonha de seu fracasso não poderia piorar, de alguma forma ela encontrou uma maneira.

Quando Hermione descobriu que era uma bruxa, foi McGonagall quem disse aos seus pais o que era magia e que ela iria para Hogwarts durante o ano. Às vezes, Hermione sentia que mesmo que a velha bruxa fosse bastante fria, ela era como sua segunda mãe. Ela sabia que era bobagem, mas quando Minerva mostrou a ela o Beco Diagonal e a ajudou a escolher seus livros e roupas naquele primeiro ano, ela ficou tão maravilhada. Ela era muito mais rigorosa do que sua própria mãe, mas ainda assim muito gentil. Hermione sabia que o sentimento era pelo menos parcialmente recíproco - afinal, quem daria um vira-tempo na mão de uma criança de 13 anos se não confiasse plenamente nela? Além disso, ninguém tinha ficado mais orgulhoso do que McGonagall quando Hermione foi escolhida para ser monitora-chefe.

Hermione duvidava que ela estivesse tão orgulhosa dela agora que ela recusou Dumbledore e a Ordem.

Malfoy insistiu em levar Hermione de volta para a Grifinória, com as mãos enfiadas nos bolsos enquanto Hermione estava sobrecarregada com seus pensamentos. Provavelmente era extremamente estúpido ficar pensando se deveria ou não voltar a espionar alguém estando literalmente na presença dele, mas Hermione estava exausta. Malfoy parecia ter esse efeito sobre ela - drenando-a completamente e ainda assim fazendo com que ela desejasse um pouco mais dele.

Eles só encontraram Filch durante o caminho, mas talvez a companhia de Malfoy fosse uma bênção, porque o zelador rabugento pareceu realmente com medo dele e foi o primeiro a sair correndo, desculpando-se profusamente por incomodá-los.

"Sabe, você é muito boa com crianças" Malfoy disse suavemente assim que eles ficaram sozinhos, fazendo Hermione perceber que ele estava olhando para ela (provavelmente ainda pasmo com sua atitude anterior, vai entender). "Embora eu suspeite que aquele garoto vai ser apaixonado por você de agora até o dia em que você morrer." Ele riu de suas próprias palavras antes de ficar mais sério. "Estou feliz por ter te encontrado."

Ele está feliz por ter vindo até a Grifinória e ter encontrado você para falar com John, Hermione, relaxe. Ela acenou com a cabeça, sem ter certeza se ainda confiava em si mesma para falar perto dele. Ele era tão confuso. Em um segundo, ele estava falando com ela como se ela fosse uma boneca sexual, e no próximo, ele a estava elogiando pelas coisas das quais ela realmente se orgulhava. Ele precisava escolher um maldito caminho.

"Um galeão por seus pensamentos?" Malfoy pressionou enquanto eles subiam as escadas. Ele estava sorrindo para ela, ele não deveria ter um olhar tão lindo, mas bom Merlin, ele tinha. Hermione se viu esperando secretamente que ele direcionasse mais desses olhares lindos e genuínos para ela. Ela quase poderia se acostumar com eles. Hermione mordeu o lábio, segurando a sua imaginação antes que ela voasse para longe dela. O que quer que Malfoy estivesse fazendo, qualquer que fosse o jogo que ele estivesse jogando, não iria durar. Ele tinha mostrado isso a ela uma e outra vez - em um segundo ele podia ser civilizado, até mesmo caloroso e no próximo ele estalava, dando-lhe uma chicotada. Ele era um fio desencapado e Hermione realmente não queria ser eletrocutada até a morte. Era um pouco inebriante demais se agarrar àqueles momentos em que ele era bom - sentir aquele pequeno choque de eletricidade quando ela o deixava entrar, mesmo que fosse um pouco.

Hermione imaginou que poderia dar a ele um pouco de honestidade. "Apenas... obrigada por me chamar para ajudá-lo."

"Claro. Somos parceiros, certo?"

Os cabelos da nuca de Hermione se arrepiaram. Ela não queria trazer isso à tona, mas tinha que fazê-lo. "Por que você o ajudou, na verdade?"

Malfoy parou de andar e virou-se para ela lentamente, os olhos estreitados. Hermione realmente esperava que ela não o tivesse pressionado demais. "O que você quer dizer?"

"John. Ele é um nascido trouxa."

"Granger..." Malfoy suspirou exasperado. "Eu pensei que nós tivéssemos passado dessa fase!"

Hermione ergueu o queixo desafiadoramente. "Na verdade, não passamos não."

Malfoy bagunçou o cabelo, olhando para ela. "Tudo bem. Você realmente quer que eu te explique?"

"Quero." Hermione cruzou os braços sobre o peito para demonstrar sua seriedade, mas isso só pareceu divertir ainda mais Malfoy.

"Quando eu era criança eu realmente não entendia. Mas com o passar dos anos, eu consegui compreender que magia é magia. Não importa de onde ela veio ou porque está ali. Se a magia escolheu você, quer dizer que você é merecedor dela."

Essa era uma questão que atormentou Hermione por anos. "Então por isso você parou de me chamar de sangue-ruim?"

Malfoy a olhou seriamente. "Não me importa onde você nasceu, me importa o que você é agora. Antes, eu não tinha maturidade o suficiente para entender isso, porque passei a infância inteira sendo ensinado que pessoas como você são escória. Mas é só olhar para você, Granger. Você tem mais magia no dedinho do pé do que muitos puros sangues têm no corpo inteiro. Eu não poderia continuar acreditando no que meu pai me ensinou porque eu vejo com os meus próprios olhos, todos os dias, você fazendo magias extraordinárias. Então os nascidos-trouxas não me incomodam mais," Ele apontou para o corpo dela com a mão, "obviamente. São apenas os trouxas."

Uau, então foi ela quem fez com que ele mudasse de opinião? A cabeça de Hermione deu um nó. Quem era esse cara? Isso definitivamente não era o que Voldemort e os Comensais da Morte pregavam. Ela sabia que algo tinha mudado para ele nos últimos anos, mas ela não fazia ideia de que havia realmente um motivo que não fosse apenas baseado em sua aparente atração por ela. "O que? Por quê?"

Malfoy deu de ombros com indiferença. "Eles são primitivos."

Hermione riu. Ele estava falando sobre a maioria das pessoas em todo o maldito planeta, mas com certeza, ele as desprezava completamente. Isso era anormal. "Você está falando sério?" Hermione balançou a cabeça, voltando a andar. "Não importa, eu não vou ter essa conversa com você."

Ele caminhou atrás dela, alcançando-a facilmente com suas longas pernas. "Ah, vamos lá, apenas tente. Como aparentemente eu estou errado? Eles são mais fracos, mais burros, eles não vivem tanto quanto os bruxos..."

Hermione se virou para ele com raiva. "Eles sabem coisas diferentes, Malfoy! Eles usam habilidades diferentes das nossas! Eles nem sabem sobre a nossa existência, então por que você odiaria-"

"Sim, eles não sabem sobre nós, porque a última vez que eles souberam, nos caçaram. Eles nos queimaram vivos em fogueiras, Granger. Você sabe como é bárbaro queimar alguém até a morte?"

Quer dizer, sim, claro, ele tem razão, mas não há como isso ser relevante agora.

"Malfoy, isso foi há uns 300 anos!"

Os olhos dele brilharam de determinação e Hermione tentou não deixar que isso a afetasse. Ele estava gesticulando com as mãos, os movimentos todos ágeis e confiantes, e de alguma forma isso o tornava mais sexy. Este homem não deveria estar ficando mais sexy; ela tinha que prestar atenção para refutar o que quer que ele estivesse prestes a dizer a seguir. "Sim. E isso só não aconteceu mais recentemente porque tomamos precauções para nos proteger. Mas imagine um mundo onde não tivéssemos que nos esconder! Onde pudéssemos ser livres para sermos nós mesmos em todos os lugares, porque nunca teríamos que temer sermos brutalmente assassinados."

Como ele fazia isso? Como ele quase fez seu lado, o lado errado, soar tão atraente? Fazia parecer quase razoável. "E daí por isso você quer caçá-los?"

"É um mundo louco lá fora, Granger. Ou você come ou você é comido." Ali estava: o cerne do problema. No reino do abstrato, ele poderia levantar alguns pontos positivos. (Ela achava... talvez. Era tão difícil dizer, quando ela se sentia tão atraída pelo idiota. Ele poderia estar falando bobagens absolutas, mas estava fazendo soar tão inacreditavelmente certo de que tudo começou a ficar confuso.) Mas daí a transformar esses ideais em realidade? Sair e tentar machucar as pessoas? Era ali que ultrapassava o limite. Era ali que ele a perdia completamente. Hermione deu um pequeno passo para trás, tentando colocar alguma distância entre eles. Ela tinha que se lembrar com quem estava lidando.

Malfoy deu um passo à frente, diminuindo a distância enquanto seus olhos a desafiavam a não desviar o olhar. "Então, Granger. Que tipo de animal você é? O predador ou a presa?"

Seu coração estava batendo muito rápido em seus próprios ouvidos. "Eu não sou nenhum dos dois" ela sussurrou.

"Ah, então você só quer se esconder? Esse é o tipo de pessoa que você é?" Ele pressionou.

Ela continuou a olhar para ele com medo. "Não é assim. Trouxas são boas pessoas." Não que ela tivesse conhecido muitos durante a vida, mas ela sabia que havia muito mais por aí. Tinha que haver. Ela gostava de pensar como exemplo seus pais, que eram ótimas pessoas.

Malfoy deu a ela um sorrisinho triste que beirava demais a pena pelas escolhas dela. "Talvez alguns. Mas garanto que a grande maioria deles nos matariam ou nos enjaulariam se descobrissem o que podemos fazer."

Hermione finalmente desviou o olhar, libertando-se do transe que ele estava tentando colocá-la e continuou pelo corredor, quase na Grifinória agora. "Eu sei quem você é, Malfoy. Não vou deixar você me enganar." Era uma admissão maior do que ela estava deixando transparecer.

Malfoy riu atrás dela. "Eu não sabia que estava tentando."

Hermione revirou os olhos parando na frente da Mulher Gorda, enfiando a mão nas vestes e ignorando o último comentário sobre dele. "Eu sigo daqui. Obrigada." Ela entregou a varinha de Zabine. "Devolva isso, sim?" Ela murmurou baixinho: "Espero que ele não fique com muita raiva por eu ter tomado."

"Blaise? Nah, ele ama uma mulher que consegue colocá-lo em seu lugar. Se servir de consolo, ele provavelmente vai ter uma queda por você agora."

"Oh, ótimo." Hermione respondeu sarcasticamente, realmente precisando ficar sozinha para processar tudo agora. Suas mãos coçavam para encontrar seu pequeno caderno azul para organizar um pouco do que ela aprendeu sobre Malfoy hoje.

Mas assim que ela se virou para dar a senha da Grifinória, Malfoy a parou. "Espere, eu te dei minha palavra." Suas sobrancelhas franziram e ela estava prestes a protestar quando o viu puxar uma espécie de relógio de bolso e abri-lo, batendo sua varinha nele com um sussurro. "Foi assim que eu soube onde você estava esta noite."

Os olhos de Hermione se arregalaram em choque e admiração enquanto ela olhava para uma espécie de bússola, com a seta apontada diretamente para ela. Ele contou brevemente como ele e Zabine haviam construído o item mágico durante o quinto ano deles. Eles eram tão inteligentes, inteligentes demais para seu próprio bem. Hermione não podia imaginar como eles seriam úteis para o lado deles na guerra, mas imediatamente se repreendeu pelo pensamento tolo.

"Uau e como isso funciona? Pode achar qualquer pessoa em qualquer lugar?", foi tudo o que ela conseguiu dizer, completamente perplexa.

Malfoy sorriu, guardando-o de volta. "Sem mais explicações por hoje, Granger. Mas agora você sabe."

"Agora eu sei." Hermione respondeu, perdida em pensamentos. A bússola havia selado sua missão. Embora o olhar de McGonagall já tivesse deixado Hermione à beira de dizer a Dumbledore que ela estava de volta como espiã, ver isso, o método de Malfoy de se esgueirar pelo castelo e poder saber o paradeiro de alguém quando bem quisesse, a empurrou firmemente para o lado do 'você não pode deixar isso assim.' Esta ferramenta era poderosa demais para estar nas mãos de um Comensal da Morte.

"Boa noite, Granger!" Malfoy disse, surpreendendo completamente Hermione, mas não tanto quanto seus lábios, que beijaram brevemente a bochecha dela enquanto ele se inclinava para ela. Ele lançou um novo sorriso para quando ouviu sua respiração engatar, então girou nos calcanhares para caminhar de volta para as masmorras.

Ele a beijou. Bem, não realmente, mas ainda o suficiente para causar um curto-circuito no cérebro dela. Que jogo ele estava jogando? O que ele estava fazendo? Ele não tinha acabado de estar com Parkinson? Sua pele queimou onde ele a incendiou.

"Bem, você vai apenas vê-lo ir embora a noite toda ou você vai entrar?" A Mulher Gorda disse atrevida.

Hermione nunca quis socar um retrato na cara antes. Ela se virou rapidamente e entoou a senha, "Lealdade", até que a maldita mulher a deixou entrar.

Era tarde demais, no entanto. Ela já tinha visto Malfoy se virar para observar toda a comoção e atirar uma piscadinha para ela antes de virar a esquina e sumir de vista.