Oi gente! Gostaria de dizer que estou tendo MUITAS visualizações, porém quase ninguém comentando e nem mesmo seguindo. Que tal ajudar uma autora aqui? Isso incentiva muito, principalmente por que eu posto os capítulos bem rápidos. Que tal deixar a menina aqui feliz?


OO café da manhã foi sombrio quando Hermione contou a Harry o que havia acontecido na detenção com Malfoy (Rony estava passando um tempo com Lilá antes da missão). Ela propositalmente escolheu um assento de costas para Malfoy, apenas no caso de ele tentar ler seus lábios. Ela estava começando a suspeitar que havia algo - talvez outro dispositivo ou invenção - que o estava ajudando a escutar suas conversas. Ele parecia saber um pouco demais.

"E então ele fugiu. Fiquei me sentindo uma vagabunda." Hermione obviamente ainda estava muito irritada.

Harry se engasgou rindo, bebendo suco de abóbora, não estando preparado para a conclusão da sua história. "Ok, bem. Agora me diga como você realmente se sente."

"Estou furiosa!" Hermione tinha que admitir, ela estava tentando fazer Harry rir, dando um pouco mais de humor e realmente incrementando a história dramaticamente para tentar manter a mente deles longe do que Rony tinha que fazer esta noite. Ela sabia que ele estava morrendo de medo de se encontrar com um bando de dragões jovens para tentar adestrá-los, no intuito de usá-los a favor da Ordem. "Quem faz isso? Quem excita alguém, mesmo que essa pessoa nunca tenha pedido para ser excitada primeiramente, e veja bem, apenas a abandona quando está começando a ficar bom?"

"Primeiro de tudo: você precisa transar, você está ficando um pouco rabugenta." Harry ergueu as mãos quando Hermione lançou a ele um olhar mortal. "Eu não disse com ele, com qualquer um." Ele encolheu os ombros. "Ou, sei lá, vá correr um pouco mais." Hermione riu, sim, isso provavelmente seria mais benéfico. "Em segundo lugar: parece que isso funciona na gangue dele."

Hermione se inclinou, mortalmente curiosa. "O quê? O que você quer dizer?"

Harry soltou um grande suspiro. "Daphne basicamente fez a mesma coisa comigo no 6º ano."

O queixo de Hermione caiu; ela não podia acreditar que ele finalmente iria contar a ela a história que ele esteve segurando esse tempo todo. "Como assim?" Ela perguntou ansiosamente.

"Bem, você se lembra de quando eu contei que ela me beijou, certo?"

Como eu poderia esquecer? "Sim…"

"Bem, ela meio que me colocou contra parede, em todos os sentidos. Ela me disse que sempre teve uma queda por mim e que quando eu estivesse pronto, ela adoraria namorar comigo."

"Harry, o quê?!" Hermione não podia acreditar. "Isso foi há meses?! Por que você não..."

"Mione-"

"Você gosta dela-" ela sussurrou-gritou.

"Sim, mas isso não muda nada. Ela ainda é uma possível Comensal da Morte." Ele sussurrou.

"Não temos certeza disso, Harry."

"Mas temos certeza de que a família Greengrass apoia Voldemort, assim como apoia seus ideais. Eu não posso sair com ela, por motivos ób -" Suas palavras morreram em sua língua e ele olhou para Hermione sem jeito, percebendo que ela estava, literalmente, fazendo exatamente isso.

"Desculpe. Eu não quis dizer..."

"Não, você está certo. É burrice." Hermione tentou consolá-lo. Ele está certo. O que eu fiz foi idiota.

Harry estremeceu. "O que eu quis dizer - é diferente para você. Você está literalmente em uma missão."

Hermione assentiu, estranhamente envergonhada. "Sim."

"Desculpe."

"Pare, você não disse nada de errado. Ainda estou impressionada que Greengrass disse que queria ser sua namorada e você disse não."

"Eu sei..." Ele choramingou, parecendo aflito.

Hermione deu um tapinha nas costas dele. "Bem, bom para você. Você é mais forte do que eu."

Harry deu a ela um sorriso tímido. "Ou talvez eu só esteja com medo de me decepcionar."

Acontece que Daphne escolheu exatamente esse momento para adentrar pelas portas do Salão Principal. Com sua postura altiva, longos cabelos cor de mel e profundos olhos azuis, a sonserina era, de fato, uma visão.

"Ela é realmente muito linda." Hermione ponderou, enquanto ela e Harry observavam Daphne caminhar até a mesa da Sonserina, como se ninguém ali fosse digno dela.

Ele suspirou sonhador. "Sim."

Olhe para nós. Estamos uma bagunça.

"Eu acho que nós dois gostamos de ser perseguidos, hein?" Harry disse.

Hermione revirou os olhos. "Ou apenas somos peças nos joguinhos bizarros de sonserinos."


O resto do dia passou rapidamente, com Hermione evitando Malfoy enquanto ela e Harry distraíam Rony, até que eles fossem lhe desejar boa sorte no Hall de Entrada. Ele iria se esgueirar pelo Salgueiro Lutador e pegar uma chave de portal clandestina para o País de Gales.

"Você se lembra do plano?"

"Você se lembra de seus feitiços defensivos?"

Harry e Hermione falaram ao mesmo tempo, respectivamente. Rony revirou os olhos para os dois. "Sim! Gente, eu vou ficar bem. Não esperem por mim."

Foi um pedido risível - eles sabiam que Hermione não conseguiria. "Ok. Vejo você na sala comunal." Ela piscou para ele enquanto ele se afastava.

Hermione insistiu para Harry tomar uma poção do sono sem sonhos e descansar.

E então ela esperou.

E esperou.

E esperou.

Quando o relógio marcou 2 da manhã e toda a lenha da lareira se apagou, ela ficou realmente preocupada. Ela já havia tentado ir ao escritório de Dumbledore uma hora antes, mas ninguém estava lá para atender a porta. Que porra estava acontecendo?!

Hermione voltou a andar, certa de que iria abrir um buraco no tapete, quando um lindo e brilhante patrono dragão irrompeu pelo retrato da Mulher Gorda e a voz de Malfoy soou: "Granger, é Weasley. Ele está ferido, venha rápido, nós estamos aqui fora."

Ferido? Fora aonde, porra?! Hermione pegou a varinha de seu coque bagunçado e saiu correndo da Grifinória, nem mesmo processando a rota que estava tomando em seu puro pânico. Por que Malfoy está com ele? De que tipo de ferimentos estamos falando? O que aconteceu? Como o patrono de Malfoy pode ser um dragão, que diabos?! Hermione gritou alto o suficiente para acordar metade do castelo quando seu pé ficou preso em um dos degraus falsos, mas ela o arrancou na adrenalina pura e se aprumou segundos depois, voando o resto do caminho, explodindo pelas portas.

Lá estavam eles, há alguns metros de distância - Malfoy segurando um Rony quase inconsciente, cujo braço estava pendurado ao acaso sobre seus ombros.

"Rony!" Hermione gritou, correndo para eles e imediatamente tentando chamar a atenção de seu amigo. Parecia que ele tinha acabado de perder a consciência. Ela se virou para Malfoy. "O que diabos aconteceu?!"

"Aqui não." Malfoy bufou, arrastando Rony junto com bastante esforço, já que agora ele havia se tornado um peso morto. "Vamos levá-lo para uma sala de aula."

"Ok, me siga." Hermione concordou, liderando o caminho para a sala mais próxima que ela conhecia. Malfoy reajustou todo o corpo de Rony em seus ombros - nada fácil, considerando que Rony era quase tão alto quanto ele. Malfoy o colocou nas mesas que Hermione tinha acabado de juntar. "Onde ele está ferido?"

"Não tenho certeza," Malfoy disse, ajudando Hermione a tirar a camisa dele para que ela pudesse avaliar os danos. "mas a maior parte do sangue parecia estar em suas costas."

Hermione engasgou quando eles o rolaram e ela viu as marcas de garras gigantes que marcavam sua pele. A mão de sua varinha tremeu e ela tentou acalmar seus nervos para que pudesse curá-lo - ele precisava dela. "Merlin, o que foi que deu errado?"

"Errado? Ele teve foi sorte de que o dragão ainda não era adulto." Malfoy falou seriamente.

Hermione clareou sua mente, começando a trabalhar costurando sua pele de volta. Então, convocou uma garrafa de Dittamno que ela tinha visto no armário de suprimentos de Slughorn no dia anterior. Malfoy levantou uma sobrancelha para ela quando a solução cara pousou em sua mão, observando. Ele parecia saber exatamente de onde ela estava roubando.

"Acrescente na minha conta" ela murmurou secamente enquanto abria o frasco e espalhava gotas por toda a pele recém crescida de Rony.

Rony ainda não havia acordado, mas Hermione percebeu que era melhor assim. Sua respiração voltou a um ritmo regular e ele precisava descansar para se curar. Acordá-lo agora só lhe causaria dor indevida.

"Isso foi brilhante!" Malfoy disse a ela, enquanto ela higienizava a área e suas próprias mãos, olhando para ela com admiração.

"Foi uma magia básica de cura, considerando que o Dittamno fez grande parte do trabalho. Então, não é realmente tão impressionante" ela ignorou o comentário.

"Apenas aceite o elogio, Granger."

Ela olhou para ele, pronta para outra discussão, mas parou quando viu o sangue encharcando seu suéter cinza. O sangue de seu amigo. Ele salvou a vida dele. "O que aconteceu?" Ela perguntou suavemente.

Malfoy se mexeu, parecendo preso entre a cruz e a espada. Ele se sentou no canto de uma mesa e passou a mão pelos cabelos. "Ele estava no sul de Gales."

"Sim. Eu sei disso."

Malfoy a olhou bem nos olhos. "Os dragões que ele estava tentando trazer para o seu lado já haviam sido reivindicados pelo Lorde das Trevas. Então, quando eles chegaram, basicamente não tiveram chance. Eu consegui atordoar o outro Weasley e escondê-lo na floresta antes que os outros o vissem." Hermione respirou fundo e levou a mão à boca. Rony deve ter ficado tão assustado. "Mas Ronald foi reconhecido por Bellatrix. Ela o levou até o Lorde das Trevas, mas-" Malfoy desviou o olhar pela primeira vez e Hermione não entendeu o porquê, considerando que ele estava prestes a admitir que fez a melhor coisa que já fez aos olhos dela, "-eu me responsabilizei por ele."

Hermione sentiu as lágrimas enquanto elas brotavam. Ela não podia acreditar o quão perto ela esteve de perder um de seus dois melhores amigos esta noite. "Você o quê?" Ela respirou.

Os olhos de Malfoy se voltaram para os dela. "Eu convenci o Lorde das Trevas de que enviaria uma mensagem muito melhor para Dumbledore se trouxesse ele de volta vivo e o largasse nos jardins. Para que ele pudesse enviar uma mensagem para a Ordem de que somos inevitáveis. Estamos no controle."

Oh. Certo. Ela realmente tinha acabado de assumir que ele tinha feito algo altruísta pela bondade de seu próprio coração? Que idiota você é, Mione.

A cabeça de Hermione doía. Ela enfiou a varinha de volta no coque para poder esfregar as pálpebras doloridas. Por que ela não podia simplesmente gostar de um cara legal? Um cara chato? Um cara que não dizia merdas como essa? Então ele trouxe Rony de volta para salvá-lo, porque ele ainda tinha um pingo de humanidade ou porque machucaria mais Dumbledore? Hermione realmente não queria pensar em seu diretor agora – porque fazer isso estava fazendo seu sangue ferver. Como ele pôde ter colocado Rony naquela situação? E Carlinhos, será que estava bem? Como ele não sabia que os dragões já estavam comprometidos? Seus pequenos soldados de infantaria eram apenas dispensáveis para ele?

"Eu fiz algo errado?" Malfoy questionou.

Hermione realmente não estava com vontade de discutir com ele agora. "Não, Malfoy. Você não fez nada errado."

Ele imediatamente notou sua falta de resposta. "Ei, você está bem?"

Hermione levantou as mãos defensivamente quando ele saiu da mesa e estendeu a mão para ela. "Não, Malfoy, eu não estou bem. Metade dos meus melhores amigos quase foi dilacerada esta noite."

Ele recuou. "Eu sei. É por isso que eu o trouxe de volta para você, mesmo detestando o cara."

Hermione suspirou, olhando para o teto. "Você não entende. Isso é culpa sua."

"O quê?" Malfoy realmente parecia surpreso.

"Sem pessoas como você, Voldemort não teria poder. Vocês pensam que podem fazer o que quiserem," ela apontou para as cicatrizes rosadas de Rony, "olha só para isso!"

"Granger, eu-"

Hermione enterrou o rosto nas mãos, exausta e à beira de um colapso. "Não, não, por favor, apenas pare." Ela respirou fundo pelo nariz. Ela pensou ter sentido a mão dele, demorando-se perto de seu braço mais uma vez, como se decidisse se deveria atender aos seus desejos ou não.

"Obrigado por trazê-lo para mim, mas eu assumo daqui." A sensação de sua proximidade evaporou.

Ela ouviu Malfoy zombar, o baque de seus sapatos dizendo a ela que ele estava indo embora. "De nada", ele disse perto da porta antes de sair.

Hermione afundou na mesa ao lado de Rony assim que ficou sozinha, finalmente sucumbindo à sua fraqueza. "Merda, Ron." Ela soluçou, enquanto empurrava um pouco de seu cabelo cor de cobre para fora de sua testa. "Sinto muito que isso tenha acontecido com você."

Ela se permitiu um minuto para se perder, antes de recuperar a compostura. Então, ela teve que se recompor para levitar ele até a ala hospitalar para que ela pudesse despertar Madame Pomfrey e fazer com que ela assumisse o processo de cura dele.

Hermione foi buscar Harry no dormitório, contando tudo o que havia acontecido a ele durante todo o caminho. Eles não saíram do lado de Rony naquela noite, insistindo em dormir nas camas ao lado dele.


Sexta-feira foi estranho. Eles receberam a visita de Dumbledore na ala hospitalar, informando que Carlinhos estava bem. Rony estava sob ordens restritas de repouso na enfermaria e não lembrava como tinha conseguido fugir. Hermione achou que era melhor que permanecesse assim, por enquanto. Harry imaginava que tinha algo a ver com Malfoy, mas aparentemente preferiu não pressionar Hermione a respeito.

Ao longo do dia, Hermione percebeu que Malfoy estava chateado com ela. Ele estava tendo um pequeno ataque infantil de que seu grande gesto de trazer de volta um cara que quase havia sido mutilado até a morte, por causa dele, não estava sendo bem recompensado. Bem, foda-se você, Malfoy.

Claro, não ajudou muito que eles fossem parceiros na aula de Poções. Hermione realmente pensou que era um momento horrível para trabalharem juntos preparando a poção da paz. Ela não estava se sentindo nem um pouco pacífica hoje. Ela estava mais no clima de 'queimar tudo até parecer um inferno'.

Seu dia só piorou na hora do almoço, quando um de seus monitores veio falar com ela sobre os últimos detalhes do baile daquela noite. O baile de Halloween. Que é esta noite. Merda. Em todo o drama e pânico de sua semana, de alguma forma ela havia se esquecido completamente.

Não era como se ela pudesse pular essa tarefa, não importando o quão exausta ela se sentisse ou o quanto ela desejasse; ela era a monitora-chefe. Ela não só era praticamente obrigada a comparecer, mas também deveria ser pelo menos um pouco responsável por isso.

Durante seu período livre, ela optou por tirar uma longa e feliz soneca ao invés de ir à Hogsmeade comprar um vestido de última hora. Uma decisão que parecia muito boa no momento, mas a deixou em pânico uma hora antes de ela estar lá embaixo para ajudar a banda a se arrumar, ainda de calcinhas, sem nada para vestir. Ela imaginou que também poderia ter ido comprar um vestido logo após o término das aulas, mas pelo menos a decisão de ir visitar Rony na ala hospitalar para lhe dar alguns doces tinha sido menos egoísta do que comprar um vestido. Você nunca aprende, não é?

"Você não tem nada? Nem mesmo algo velho que você tenha usado no ano passado?" Hermione se limitou a implorar a Parvati, visto que Lilá passaria a noite com Rony na enfermaria.

"Desculpe, Mione. Não tenho nada do seu tamanho." A garota respondeu, indo até o banheiro para arrumar o cabelo.

Estou ferrada. Tão incrivelmente ferrada.

Assim como Hermione se resignou ao fato de que ela teria que tentar usar o mesmo vestido do baile de inverno - o que seria loucura já que ela tinha apenas 15 anos na época - rezando para que ainda coubesse, um elfo doméstico aparatou perto de sua cama, fazendo Parvati gritar "Que porra?!"

"Desculpe, desculpe." Hermione se desculpou, cumprimentando a criatura assustada. "Oi, posso ajudá-lo?"

"Sim, senhorita", ele respondeu, curvando-se até o tapete. "Eu vim para te dar um presente."

Hermione recuou. "Um presente? Tem certeza de que é para mim?"

"Sim. Você não é a Srta. Granger?"

Hermione aceitou hesitantemente a bolsa de roupas que o elfo estava dando a ela. Ele desapareceu antes mesmo que ela tivesse a chance de desempacotá-lo. Dentro, havia um vestido brilhante que parecia feito de mercúrio líquido.

"Uau!" Hermione exclamou, as pontas dos dedos alcançando o tecido por conta própria. Era lindo. Embora não houvesse nenhum bilhete, ela tinha um forte palpite de que sabia de quem era. Quem mais tem uma conta bancária ilimitada e uma obsessão mórbida por mim?

Desesperada e sem vontade de pensar muito sobre isso, Hermione rapidamente colocou o vestido, percebendo como ele se ajustava perfeitamente aos contornos de seu corpo e correu para o banheiro para se maquiar.

"Espere, você me perguntou se eu tinha um vestido, quando você tinha um perfeito por aí?" Parvati bufou com raiva. "Tudo bem, então."

"Eu não-"

"Nossa, Hermione, você está linda!" Lilá gritou, aparentemente tendo voltado da enfermaria. "Rony me convenceu a ir ao Baile sem ele. Ele disse que estava bem, apenas muito cansado e que precisava dormir." Ela e Harry haviam dito a Lilá que Rony havia caído da vassoura enquanto jogava Quadribol com Harry. Isso não explicaria os machucados, mas Hermione havia realizado uma magia de cura tão perfeita que Madame Pomfrey tinha quase certeza que não restaria nenhuma cicatriz. "Você parece uma estrela de cinema! Aqui," ela acenou para Hermione ficar na frente dela. "Deixe-me fazer o seu cabelo." Hermione ficou feliz por Rony estar com alguém gentil.

Hermione enviou um Patrono para Rony, dizendo a ele o quanto ela desejava que ele fosse ao baile esta noite, enquanto ela descia cuidadosamente as escadas em seus saltos para encontrar Harry.

"Uau, você está uma visão, Mione!" Disse Harry sorrindo, quando ela o encontrou na Sala Comunal. "Com certeza você vai dar a Malfoy um ataque cardíaco."

Esta noite não seria estranha. Esta noite, ela se divertiria. Rony estava vivo e se recuperando. Ela estava pronta para ter uma noite de diversão e bebedeira com o seu melhor amigo. Esta noite ela relaxaria e soltaria o cabelo (bem, apenas figurativamente, porque Lilá simplesmente o prendeu em um penteado elegante). Esta noite, ela não deixaria Malfoy entrar em sua cabeça.

"Você está atrasada."

Merlin, ela só queria uma noite sem ele. Hermione mordeu a língua, já lutando para manter seu plano despreocupado.

"Desculpe, eu não tinha nada para vestir."

Malfoy não retrucou, passando correndo por ela e Harry para ir falar com os bartenders. Ela mencionou sua roupa tão cedo naquela noite para ver se ele reconheceria que, de fato, foi ele quem lhe enviou o vestido em primeiro lugar. Mas ele basicamente a ignorou e agora Hermione estava se perguntando se realmente tinha sido ele.

"Harry, você me comprou esse vestido?"

Harry olhou para ela interrogativamente, já com um copo de hidromel na mão. "Não. Por quê? Você queria que eu-"

"Não, não. Foi só que eu o ganhei de presente hoje, sem remetente, e pensei que pudesse ter sido você"

"O qu- ah!" Harry bufou uma risada e voltou para seu copo de bebida.

Hermione ainda pensava sobre isso, enquanto levava ao baterista das Esquisitonas uma garrafa de Firewhiskey - por que Malfoy enviaria um vestido para ela? Ele estava bravo com ela e, mesmo que não estivesse, não era como se ele gostasse dela. Por que ele iria ajudá-la em uma hora de necessidade? Era mais provável que ela tivesse um admirador secreto. Hermione sabia que ela chamava a atenção de alguns meninos, então não seria uma ideia tão impensável assim. Talvez o cara estivesse com muito medo de convidá-la para sair, mas ainda quisesse fazer algo bom para ela. Hermione não era ingênua ao fato de que Fred tinha sido bastante questionado sobre namorar uma 'sangue-ruim' quando eles estavam juntos - e isso foi há dois anos. As coisas só pioraram desde então. Ela realmente não poderia culpar um cara por ter algumas reservas em tornar sua paixão por ela pública, mesmo que fosse bastante desanimador.

Por que ela já sentia que precisava de uma bebida? Hermione não disse não quando o baterista pediu a ela para fazer um shot com ele alguns minutos depois.

Logo, parecia que todos os setimanistas apareceram, mais do que prontos para uma noite de diversão e frivolidade, fazendo uma fila enorme no bar que não parecia que iria se dissipar tão cedo. Hermione teve que rir quando viu Slughorn falando animadamente com um dos bartenders que já parecia completamente perturbado por ter que entretê-lo, enquanto também tentava fazer seu trabalho. Hermione e Harry estavam olhando pra ele e rindo quando de repente Malfoy apareceu na frente deles, de braços dados com Daphne.

"Está na hora."

"De quê?" Ela suspirou, girando para eles.

"Que tal trocar de par por um momento, Granger?" Disse Daphne se desvencilhando de Malfoy e já pegando a mão de um Harry atordoado e semi-bêbado, arrastando-o para o outro lado do salão.

O canto de sua boca se contraiu pelo trabalho em equipe feito pelos dois sonserinos, quando Malfoy estendeu a mão. Na verdade, era bom estar mais perto do nível dos olhos dele pela primeira vez. Ela impediu seu olhar de percorrer seu corpo, porque honestamente, ele realmente não merecia a apreciação que ela tinha certeza de que projetaria logo em seguida. Ele sempre parecia bonito; ela não precisava olhar para confirmar. "A dança dos Monitores-chefes. É o que abre a pista de dança."

Ah não. "O quê? Eu não conheço essa tradição."

Malfoy não se mexeu. Ele estava falando sério. "Será a primeira vez esse ano."

"Eu não me lembro de ter aceitado isso." Ela disse inflexivelmente, de repente ciente de que todos já estavam olhando para eles, esperando.

"Provavelmente porque você está sempre divagando nas reuniões da Monitoria. Mas confie em mim, nós conversamos sobre isso."

"Eu não confio em você para merda nenhuma", ela mordeu de volta.

Malfoy revirou os olhos e finalmente agarrou a mão dela, puxando-a para o centro do salão. A única razão pela qual Hermione não brigou com ele foi porque ela não queria fazer uma cena pública. "Já reparei."

Ele se virou para encará-la, segurando uma mão ao lado de sua cabeça enquanto a outra segurava sua cintura. Oh merda, ela não tinha ideia do que estava fazendo. "Malfoy -"

"Aproxime-se, Granger, não estamos no terceiro ano." Ordenou Malfoy.

Hermione cerrou os dentes ao pisar mais próximo a ele, colocando uma mão na dele e a outra em seu ombro. "Eu não sei dançar!" Ela admitiu baixinho.

Ele sorriu, olhando por cima do ombro dela como se estivesse entediado. Hermione tentou não ficar ofendida, mas era muito difícil não ficar. Eles não estavam se agarrando em todos os lugares esta semana? Ele não tinha acabado de fazer uma proposta para ela ainda essa semana? Ele realmente já havia perdido o interesse tão rapidamente? "Eu vou conduzir."

E ele conduziu. Enquanto a banda tocava uma balada suave, Malfoy a levou pelo espaço como se fosse uma segunda natureza para ele. Provavelmente era, considerando sua criação chique e rica. Hermione não queria olhar para ele, se ele não estivesse dando a mínima para ela também, mas ela não tinha certeza se ver todos os seus colegas observando-os enquanto sussurravam entre si por trás de suas mãos era uma boa ideia. "Por que todo mundo está fofocando?" Ela murmurou.

Malfoy soltou uma pequena risada, seus lábios deslizando em um sorriso torto. Por que ele parecia tão gostoso quando estava sendo arrogante? Era irritante. "Talvez porque estejamos vestindo as cores da Sonserina?"

Hermione acidentalmente pisou em seu sapato enquanto ela vacilava, sem entender o que ele queria dizer, mas ele continuou como se nada tivesse acontecido. "O que você quer dizer?"

Malfoy finalmente olhou para ela, os olhos viajando até seu decote enquanto ele se inclinava em seu ouvido. "Belo vestido, Granger."

O vestido era dele! Mas pior do que isso... ele estava certo. Com suas vestes verdes escuras e seu vestido prateado, eles definitivamente pareciam estar fazendo algum tipo de declaração de Orgulho Sonserino. Merda. Como ela não percebeu isso? O vestido era tão hipnotizante que ela esqueceu completamente o fato de que era de uma das cores dele. Quem pensa na Sonserina quando vê prata, afinal? Eles são tão associados ao verde!

Ela estava mortificada. "Eu não posso acreditar que você-"

"Te dei um vestido? De nada."

Ele estava fazendo tudo certo, embora de alguma forma ainda estivesse fazendo tudo errado. "Você sabia o que estava fazendo, Malfoy. Você sabia como isso pareceria." Ela sibilou. O que era isso de qualquer maneira, algum tipo de exibição alfa dele, marcando seu território? Tentando dizer à escola que ela era dele?

Ele nunca quebrou o passo. "Eu apenas enviei um vestido a você, princesa. Foi você quem escolheu usá-lo. Além disso," ele encostou o rosto no dela enquanto puxava as mãos levantadas para o peito, formando uma espécie de expressão retorcida da versão de um olhar amoroso, "combina com você".

Hermione deliberadamente segurou sua raiva com mão de ferro, recusando-se a sucumbir ao frio na barriga que ele estava tentando liberar em seu estômago. Era difícil não se inclinar fisicamente em seu abraço - apenas porque segurar um ao outro com força parecia tornar muito mais fácil seguir sua liderança.

"O baterista pareceu gostar de você", disse Malfoy. Hermione podia ouvir o ciúme infiltrar-se em sua voz tão claramente quanto podia sentir a maneira possessiva como ele apertava seu quadril.

Ele estava sendo ridículo.

"Sim, provavelmente porque ele não sabe o que eu sou", ela retrucou. Ela nem sentia mais pena de si mesma; ela sabia que esta era sua vida agora, tendo sido uma nascida trouxa e uma pária por anos. Cada lembrete de que sua vida estava se tornando desnecessariamente mais difícil do que a de seus colegas por causa do preconceito só serviu para deixá-la mais furiosa.

"Eu sei quem você é." Malfoy respondeu delicadamente.

Que sensível. Sim, eu me refiro a mim mesmo como um 'o quê', porque isso é literalmente ao que o seu lado me reduziu, mas você, Draco Malfoy— extraordinário Comensal da Morte — me vê como um 'quem'. Tããão nobre, tão romântico... Hermione queria gritar. "Merlin, Malfoy. Dá um tempo. Eu entendi. Você me conhece." Ela não tinha certeza se já tinha soado tão atrevida em toda sua vida, mas ela realmente não podia acreditar que já tinha fantasiado sobre transar com esse cara.

Malfoy se afastou e Hermione observou sua mandíbula cerrada enquanto ele olhava ao redor da sala com altivez. Era como se ele não pudesse nem olhar para ela agora; ele estava tão chateado. "Você bebeu?" Ele zombou.

Hermione riu. "Ainda não." Porque honestamente, esse era o plano, encher a cara com Harry. Sem Rony, eles já se sentiam bastante deslocados, mas agora? Agora que todo mundo estava julgando e falando sobre ela? Era infinitamente pior. Ela se sentia como se fosse uma nova espécie estranha, em exibição em um museu - uma do tipo que deveria ser vista, mas nunca interagia - e ela odiava isso. Por apenas uma noite, ela não queria ser Hermione Granger, a bruxa mais brilhante da sua idade e melhor amiga de Harry Potter, apesar de ser nascida-trouxa. Ela não queria ter uma reputação perfeita, ter notas perfeitas e ser uma perfeita intocável. (Essa descrição foi uma das mais recentes que ela ouviu as meninas em seu dormitório dizerem sobre ela, quando pensaram que ela não estava lá.) Ela não queria trabalhar para a Ordem, ela não queria aquela pressão, o dever, ela só queria ser uma garota de 18 anos, que dançava com alguns garotos, bebia e apenas tinha uma boa noite de merda.

Isso era pedir demais?

"Seus pais ficariam muito orgulhosos com essa sua atitude." Malfoy disse sarcasticamente.

Hermione imediatamente parou de dançar, desvencilhando-se de seu aperto. "Não se atreva a falar sobre os meus pais, Malfoy. Preocupe-se com os seus."

Eles não estavam mais se tocando, mas ainda estavam completamente um na cara do outro. "O que isso deveria significar?" A maneira como seu lábio se curvou para trás mostrando os dentes, seus olhos nublados escondendo todo o calor que ela nem sabia que ele tinha até que fosse apagado, finalmente, finalmente, trouxe à tona algo aterrorizante para Hermione: Malfoy era um Comensal da Morte. Ela estava completamente fora de si por se esquecer disso depois de tantos anos ouvindo rumores e sabendo que ele era um - mas isso ainda estava de alguma forma seguindo um fluxo diferente. Ela podia realmente ver isso agora. Era tão fácil olhar para ele e ter dúvidas, porque ele era tão jovem e, às vezes quando ria, parecia tão inocente e despreocupado, e que pessoa com covinhas poderia ser mau? (Parecia quase um crime contra a humanidade.) Mas esse semblante não deixava dúvidas. Este era o rosto de um assassino. Essa expressão pode ter sido a última que várias pessoas já viram.

Hermione engoliu em seco e deu um passo lento para trás, colocando alguma distância entre eles. O que eu fiz? O olhar de Malfoy caiu para os pés dela, observando sua retirada instável. Não se renda, não recue. Mais fácil falar do que fazer. "Eu não sei," ela continuou, parecendo mais corajosa do que se sentia, "seu pai, por exemplo, aprovou mais alguma lei draconiana ultimamente?"

Suas narinas dilataram e ele cuspiu um, "Tenha uma noite divertida, Granger! ", antes de virar as costas e fugir no meio da dança.

Por que isso soou como uma ameaça?

Hermione caminhou até Harry e Daphne na parte de trás do bar — ignorando todos os sussurros renovados em torno dela agora que ficou claro que os dois monitores-chefes estavam brigando — e tentou se enturmar.

Daphne parecia um pouco alheia como sempre. "Está se divertindo, Granger?"

"Super." Ela forçou um sorriso.

Hermione tentou pelo menos aproveitar um pouco as próximas horas com Harry, mas, infelizmente, a maior parte de seu prazer parecia vir de uma garrafa. Toda vez que a banda fazia uma pausa na música ao vivo, o baterista insistia para que ela viesse tomar uma bebida com ele atrás do palco. Ela teve que admitir que ele era muito fofo com seu estilo rock and roll.

"Eu acho que você devia falar com ele, sabe. Talvez dar uma desestressada". Talvez Harry estivesse certo - talvez ela realmente só precisasse seduzir alguém novo para ajudar a tirar qualquer estranheza que estivesse acontecendo com Malfoy para fora de seu sistema. E no que diz respeito a encontros sem culpa, ela não poderia fazer muito melhor do que um cara que provavelmente fazia isso o tempo todo e ela nunca mais teria que ver. Quem sabe? Talvez ela precisasse de um cara mais velho, com um pouco mais de experiência, para induzi-la ao orgasmo. Uma garota pode sonhar.

Agora, se ela pudesse se lembrar do nome dele...

Em algum momento da noite, Daphne aparentemente arrastou Harry para algum lugar, pois ela não conseguia vê-los em nenhum canto do Salão. Percebendo que seu amigo precisava de uma noite de diversão despreocupada tanto quanto ela, ela apenas tropeçou em direção a parte de trás do palco, com o baterista mais uma vez já pegando o Firewhiskey que ela oferecia, quando Malfoy teve que vir e arruinar toda a diversão dela. "Já chega, Granger!"

Hermione tentou afastar o braço que sentia em torno de sua cintura, mas ele permaneceu sólido, puxando-a para ele. "Foda-se, Malfoy, pare de ser um idiota."

"Oh, encantador, Granger," ele suspirou. "verdadeiramente."

"Esse cara está te incomodando?" O baterista perguntou, Hermione pensou estupidamente, porque , obviamente ele estava. Quer dizer, basta olhar para Malfoy. Quem não gostaria de dar um soco naquele rosto quase perfeito, angular, tipo um Adônis e horrível?

"Sim-"

"Afaste-se." Malfoy rosnou para o outro homem do qual ele estava protegendo Hermione. "Encontre alguém da sua idade."

O baterista zombou. "Ah. Alguém com ciúmes por sua namoradinha gostar mais de mim?"

Hermione riu, perdendo completamente o ponto de sua zombaria em seu estado embriagado. "Há! Eu não sou a namorada dele!" Ela teve muita sorte de seus soluços só começarem depois que ela terminou de falar.

Malfoy estendeu a mão ao redor do corpo de Hermione, ele a estava segurando contra seu peito e enrolou sua manga esquerda lenta e deliberadamente na frente dela, inclinando seu antebraço interno para o cara mais velho. Hermione observou o rosto de quem não teria mais uma noite de sexo quando ele percebeu com quem estava lidando. Ele levantou as próprias mãos na frente do peito e deu alguns passos para trás. "Olha cara, eu não quero nenhum problema." Ele parecia prestes a se mijar.

"Bom." Malfoy pronunciou a palavra de forma comedida, perigosamente. Ambos observaram enquanto ele fingia ser chamado por alguém e fugia.

Hermione jogou a cabeça para trás, bêbada, mas ainda acordada o suficiente para perceber o que tinha acabado de acontecer: ela não iria transar esta noite. Ela bambeou, agora completamente desequilibrada por causa de quão rápido ela balançou a cabeça, mas Malfoy a segurou. "Foda-se, Malfoy. Você estragou tudo."

"Tenho certeza de que acabei de salvar você."

"De quê? De fazer sexo? Meu herói!", ela zombou.

"Você está bêbada."

"Que gentileza sua notar. Desde quando você se importa?"

Malfoy a girou para poder nivelá-la com um olhar crítico. "O que deu em você esta noite?"

Hermione teve um pouco de clareza entre todos os pensamentos, cores rodopiantes e ruídos muito altos bombardeando seu cérebro. Era tudo muito - demais. Ela sabia que não deveria ter ficado tão bêbada, mas ela tinha, ela estava e ela nem se sentia mal com isso. Às vezes, ela simplesmente não queria ter que pensar e se preocupar mais. "Vamos para outro lugar?" Ela perguntou fracamente, de repente desejando qualquer forma de intimidade que pudesse obter.

Malfoy pausou, ainda segurando os braços dela, enquanto a observava. Hermione ficou envergonhada com o quanto aquela pequena ação significava para ela. "Eu não vou transar com você hoje à noite", declarou ele, antes de olhar em volta. Tanto quanto Hermione podia dizer, eles estavam atrás do palco, quase escondidos e sozinhos.

"Por que não?" Hermione choramingou.

Malfoy a estudou, os olhos fixos nos dela pelo que pareceu uma eternidade. "Eu não vou perder meu tempo me explicando para você."

Bem, isso foi rude para caralho. "Por que não?" Ela repetiu.

"Porque eu duvido que você se lembre dessa conversa, de qualquer maneira." Ele estava certo. Hermione já nem conseguia se lembrar do que ele disse que não explicaria. "Venha, vamos." Hermione riu quando o sentiu pegá-la pelos joelhos e carregá-la para fora do corredor. Enquanto ela jogava os braços em volta dos ombros dele e se aninhava em seu pescoço, ela não pôde deixar de pensar em como era bom ser abraçada assim.