Pessoal, estou esperando o feedback de vocês. A partir do próximo capítulo as coisas vão começar a avançar de verdade, então vamos ter paciência, hein? Apesar dos capítulos serem muito focados nos dois, eles só começaram a conviver há cerca de um mês. Então não é que eles sejam lentos, a história que está se desenvolvendo lentamente. Aproveitem!
Na manhã seguinte, Hermione estava ainda mais chateada do que quando ela deitou na cama. Depois da atuação lamentável e cruel de Malfoy na noite anterior, Hermione tentou resolver o problema com as próprias mãos, literalmente. Mas, assim como todas as tentativas anteriores, ela não conseguiu gozar. Ela tentou, por quase uma hora, se esforçando para ter a mesma sensação divina que Malfoy havia quase conseguido dela em menos de um quarto desse tempo, seu punho parecendo que estava prestes a cair de seu braço com todo o seu esforço, mas foi tudo por nada. Quanto mais a sensação não aparecia magicamente, mais sua mente se enfurecia, empurrando-a cada vez mais longe de todas as imagens sensuais que ela estava tentando imaginar para chegar lá.
Ela se sentiu tão traída por seu próprio corpo que mal conseguia olhar para si mesma. Por que ela não podia fazer isso da maneira normal? Como é que ela não conseguia entender o que diabos estava acontecendo com seu corpo?
Quão legal seria se ela conseguisse gozar com os próprios dedos? Nada de homens, nada de Malfoy, ela faria tudo sozinha. Ela não queria depender de um homem para ter seu próprio prazer. Ela não queria se sentir como se tivesse que correr para Malfoy, implorando para ele tocá-la de uma forma que só ele parecia ser capaz. Isso certamente não ajudaria a crescente sensação de que o corpo dela estava começando a pertencer a ele, e que ele poderia marcá-lo e tomá-lo quando e como quisesse.
Hermione estremeceu, de alguma forma mais excitada pensando nisso do que quando ela se tocou na noite anterior - por uma hora, sem sucesso.
Ela desceu para o café da manhã em um estupor raivoso, ouvindo as reflexões de Rony sobre Grindylows (ele os achava estranhamente fascinantes). Ela sabia que Malfoy a estava observando assim que ela se sentou; ela podia sentir isso. Hermione sorriu sem humor ao perceber que ela estava mais em sintonia com o corpo dele do que com o dela, como se sua vida fosse apenas um grande 'foda-se' orquestrado pelo universo em geral.
Ela pegou uma maçã e deu uma grande mordida, segurando-a de forma que seu dedo médio apontasse para o teto e virasse a fruta para onde ela sabia que ele estava sentado.
Uma grande gargalhada do outro lado do corredor, um segundo depois, disse a ela que ele havia recebido a sua mensagem alta e clara - mesmo que ele não parecesse respeitar sua severidade.
Hermione franziu a testa para o céu enquanto desabotoava suas vestes, pronta para usá-las como um guarda-chuva improvisado para chegar às estufas.
"Estou tão feliz por ter desistido dessa aula." Rony suspirou melancolicamente, enquanto se afastava rindo de Harry e Hermione que estavam prestes a seguir para a aula de Herbologia.
"Caramba, como você é solidário." Harry gritou, rindo também, dando um olhar sarcástico às costas de seu melhor amigo que caminhava através do seco Hall de Entrada.
"Sabe, às vezes parece que você esquece que é uma bruxa." Daphne surgiu atrás dos dois, assustando Harry e fazendo ele enrijecer completamente. Com certeza tem algo acontecendo e ele não está me contando. Daphne e Malfoy tinham acabado de se juntar ao casal de amigos, a caminho da aula de Herbologia também. As sobrancelhas de Harry franziram, olhando para Daphne. "Bom dia, Potter!" Ela murmurou para Harry de uma forma um pouco cautelosa, usando sua varinha para produzir um escudo repelente de água. Definitivamente, tem algo acontecendo.
"Só porque Hermione é extraordinária em Feitiços, não significa que ela vai se exibir sempre que puder." Harry defendeu Hermione lealmente, antes de usar sua própria varinha como guarda-chuva e seguir em direção às estufas, sem nem mesmo responder ao bom dia da sonserina.
Daphne observou Harry seguir caminho para a aula, completamente perplexa. "Eu não entendo como ele consegue fazer isso. Ele gosta de mim! Achei que as coisas ficariam melhores depois do baile." Ela se virou para Malfoy. "Você acha que ele gosta, não é?"
"Sim, ele gosta." Malfoy respondeu confiante com um encolher de ombros.
"Malditos grifinórios. Hipócritas, todos vocês!" Daphne resmungou para Hermione para logo depois tentar alcançar Harry.
Não posso rebater isso. Hermione agradeceu internamente que ela, a melhor amiga de Harry e verdadeira conhecedora da verdade, não estivesse sendo consultada sobre isso. Ela revirou os olhos e deu um grande passo para fora, pronta para correr para a aula.
"Espere, Granger!" Ela ouviu Malfoy.
"Não posso! Eu tenho que ir!" Ela repetiu exatamente as mesmas palavras da noite anterior para ele.
Malfoy a alcançou, criando um guarda-chuva maior e segurando-o sobre eles. "Eu não queria deixar você ontem à noite, eu juro."
Hermione resmungou enquanto desacelerava, colocando suas vestes de volta, sob o frio cortante. "Que conveniente. Você só tinha que sair naquele exato momento, não é?"
"Sim", ele respondeu solenemente. "Eu tinha. Me dá outra chance."
Hermione olhou para ele incrédula. "Malfoy, não deveria nem ter havido uma primeira chance. Você não tem direito a uma segunda quando você estraga a primeira assim." Ela considerou suas palavras, murmurando, "No seu caso, uma terceira."
Ele bagunçou o cabelo, lançando um sorriso encantador. "Mas foi bom, não foi?"
Seu maldito ego... Ele realmente queria um tapinha nas costas agora? Era isso que ele estava procurando? "Eu não vou responder isso."
Ele riu antes de puxar o cotovelo de Hermione, fazendo-a se virar para ele. Ela evitou o olhar dele. Ao invés disso, ela observou todos os seus colegas de classe, correndo pela chuva torrencial, enviando olhares curiosos para eles no meio do jardim. "Olha. Me desculpe. Eu realmente sinto muito."
Idiota. Idiota. Idiota.
"Apenas me encontre na Sala dos Monitores hoje à noite. Na mesma hora. Vou dar o que você quer desta vez, prometo."
A oferta era tão tentadora. Ela dormiu tão mal com sua raiva acumulada que não acordou a tempo de ir para sua corrida matinal. "Vamos ver." Ela respondeu enigmaticamente, tentando impedir sua mente de voltar para a noite passada, o peitoral de Malfoy em seu rosto e os braços segurando-a com firmeza. Ela tinha uma maldita aula de NIEM para assistir.
"Até mais!" Malfoy disse com uma piscadinha, desviando dela e a deixando na chuva.
Hermione gemeu quando saiu atrás dele, seguindo-o – e ao seu guarda-chuva - pelo restante do caminho até a aula.
Tudo deu errado logo depois. Hermione estava apenas cuidando da própria vida, enquanto observava Harry conversar com Daphne do outro lado da estufa -aparentemente eles estavam se entendendo - quando a professora entrou anunciando que eles teriam que pular para a próxima aula porque as plantas que deveriam ser estudadas hoje haviam sido danificadas.
A mão de Hermione disparou, nem mesmo esperando que Sprout explicasse antes de deixar escapar "O que foi que aconteceu?"
Sprout pareceu um pouco surpresa com seu nível de interesse, mas respondeu de qualquer maneira "O suprimento de Valeriana da escola está infestado de ovos de moscas brancas. Então todas elas foram realocadas para a Estufa 3 até novo aviso. Agora, se vocês abrirem a página 68 dos seus livros didáticos..."
Merda. Valeriana era o principal ingrediente da Poção do Sono sem sonhos. A única coisa que estava evitando os pesadelos de Harry era a poção e agora, de alguma forma, ela tinha que contar para seu melhor amigo que, em breve, ela não seria capaz de preparar a única coisa que ajudava as suas noites de sono a serem menos torturantes.
Era uma ótima coisa Harry ser péssimo em poções. Hermione não podia contar a ele. Ela queria chorar.
Ela estava prestes a fazer exatamente isso quando Malfoy a encontrou na Estufa 3 naquela noite, a chuva ainda batendo ruidosamente nas vidraças, tornando tudo insanamente alto e ecoante. Era difícil pensar com tanto barulho, mas estava tudo bem por Hermione, que não conseguia fazer nada além de pensar em como isso era um desastre, desde que ela descobriu sobre o problema da valeriana na aula de Herbologia.
A infestação de parasitas era muito pior do que ela temeu anteriormente, com cada folha que ela virava tendo pequenas moscas brancas ou centenas de suas larvas em vários estágios de eclosão. A pior folha estava coberta de ovos quase prestes a estourar. O processo de Hermione virá-la fez com que todos os bichos se libertassem e voassem no ar, sendo capazes de procriar e botar ainda mais ovos, arruinando completamente as plantas para sempre.
Ela conversou com Sprout depois da aula e a professora pensou que eles não receberiam um novo lote de plantas até a primavera. "Talvez em cinco meses."
Cinco meses. Como Harry viveria 5 meses de noites agonizantes? Harry não merecia isso - ninguém merecia. Hermione já sentia que fazia muito pouco para ajudá-lo, para aliviar seu sofrimento e agora ela estava assistindo a única coisa que ela efetivamente fazia, escapar dela. Estas folhas serão inúteis.
"O que você está fazendo aqui?" Malfoy perguntou, sua voz mal superando o estrondo de um trovão do lado de fora.
Hermione estava vagamente ciente de que ele queria se encontrar com ela na Sala dos Monitores hoje à noite - dificilmente parecia importante, considerando tudo o que aconteceu desde aquela conversa. "Eu tenho que salvá-las" respondeu Hermione, recusando-se a olhar por cima da folha em sua mão para que outra maldita mosca não escapasse dela.
"Por quê?"
"Isso não é da sua conta, Malfoy!" Ela rebateu, as mãos tremendo, balançando o galho inteiro. "Merda!" Ela estava olhando para os ovinhos brancos há tanto tempo que podia vê-los quando fechava os olhos.
"Calma, Granger, apenas me diga o que está acontecendo." Malfoy estava falando com ela como se ela fosse um animal de zoológico fugitivo que ele tinha que acalmar. "Isso é sobre o que Sprout disse na aula? A infestação?"
Hermione respirou fundo pelo nariz, enxugando a testa com as costas da mão. "Sim."
"Moscas brancas, certo? Você pareceu muito chateada na hora." Ele ponderou. "Isso é um animal trouxa, não é?"
Não, ele não estava tentando seriamente provar um ponto agora. "Sério que você classifica os animais como mágicos ou não?"
"Claro. Dragões são mágicos. Gatos não."
Hermione revirou os olhos, ainda de costas para ele. "Eu não sei, eu diria que são, mesmo que não tenham poderes."
"O meu ponto é-"
"Eu sei qual é o seu ponto, Malfoy," rosnou Hermione, interrompendo-o. Ela finalmente se virou para encará-lo, observando como sua expressão passou de desafiadora para preocupada em um piscar de olhos quando ele viu as lágrimas em seus olhos. "E eu não quero ouvir sobre seus pensamentos supremacistas agora, ok? Eu não posso discutir isso com você. Por favor. Pela primeira vez em sua existência miserável, apenas me deixe em paz."
Ele claramente tinha muito a dizer, mas segurou a língua, pelo menos nesse assunto. "Isso é para a poção de Potter, não é?"
Hermione finalmente deixou uma lágrima cair. Certo. Ele conhece os segredos de todos. "Sim. Sprout disse que receberemos outro lote no próximo semestre, mas..." sua voz falhou, "- ele não pode esperar tanto tempo. Ele precisa disso. Preciso fazer isso por ele, preciso ajudá-lo - ele já sofre tanto, e eu mal estou fazendo o suficiente, ele não pode..."
"Ei, ei!" Malfoy a confortou, finalmente indo do seu lado da estufa para o lado dela, envolvendo Hermione em um abraço. Seus ossos se transformaram em líquido quando ela se derreteu em seus braços. Ele cheirava tão bem. Ele parecia tão quente em torno dela. Depois de alguns segundos, seus próprios braços tremeram e agarraram as costas molhadas de suas vestes. Ela não fazia ideia do quanto precisava ser abraçada até que isso acontecesse. "Eu posso te ajudar. O que precisamos fazer para salvá-las?"
Hermione respirou fundo mais algumas vezes, achando a aura dele estranhamente calmante - tudo o que ele costumava fazer era irritá-la. "As folhas são muito sensíveis para ter uma solução mágica - qualquer feitiço que eu use para me livrar das moscas deixa um rasgo. E mesmo o menor desvio em sua composição genética arruinará a poção."
Ele estava desenhando um círculo reconfortante entre os ombros dela com a palma da mão. Quando foi a última vez que alguém fez isso por ela? Seu pai, há muito tempo? "Tenho que retirá-los, os ovos, todos à mão."
"Granger..." Ele disse ansiosamente. "Isso vai levar dias." Ele olhou ao redor do espaço. "Elas estão todas infectadas e há muitas delas."
Hermione se afastou, decidindo que já estava farta de seu conforto. Ela tinha que voltar ao trabalho. Como ele havia acabado de apontar, ela já estava muito atrasada. Ela enxugou as lágrimas do rosto com a ponta da manga antes de enrolá-las nos antebraços. "Eu sei. Eu tenho que voltar ao trabalho."
Ela esperava ouvir Malfoy sair quando ficou óbvio que ela não iria para uma sala de aula deserta com ele transar, mas ele a surpreendeu ficando. Ainda mais chocantemente, ele arregaçou as mangas também, e Hermione assistiu com o canto do olho a Marca Negra subir e descer, enquanto ele a ajudava a virar cada folha e usava as pontas dos dedos para matar moscas e as unhas para raspar ovos. Por que ele deixa essa droga visível sempre que estou por perto? Eles trabalharam em silêncio até meia-noite, quando Malfoy insistiu em arrastar Hermione de volta ao castelo.
"Vou conseguir alguma ajuda para amanhã."
Ela não acreditou nele a princípio, mas nos dias seguintes, Malfoy deu cinco detenções por noite - por coisas como correr no corredor ou não amarrar a gravata corretamente - e os designou a trabalharem na estufa para serem supervisionados por sua monitora-chefe. Até Daphne e Zabine arregaçaram as mangas. Alguns deles achavam muito nojento sujar as mãos, mas o resto parecia aliviado por não terem que perder tempo lustrando troféus. John King, o primeiranista nascido trouxa da Lufa-lufa, admitiu que esta havia sido a sua primeira detenção, mas na verdade ele meio que adorou, porque era fascinado por plantas. Hermione se divertiu muito conversando com ele enquanto trabalhavam lado a lado. No final da semana, Hermione realmente pensou que eles poderiam ter uma chance de vencer a infestação de uma vez por todas.
Agora ela realmente não sabia mais o que diabos pensar sobre Malfoy.
"Você precisa sair esse fim de semana." Malfoy declarou enquanto se sentava ao lado dela na aula de Poções, a última aula deles na sexta-feira.
"Ah é?" Hermione respondeu, rabiscando as instruções de Slughorn no quadro. Era um pouco alarmante a rapidez com que suas brincadeiras se tornaram comuns.
"Sim. Você merece."
Hermione sorriu para seu pergaminho. "Bem, não é um fim de semana de Hogsmeade, então-"
"Ah, qual é, Granger. Viva um pouco. Você está me dizendo que nunca deixou o castelo a menos que fosse um fim de semana sancionado?"
Não. Bem, apenas para emergências. Isso conta certo? "Como você pretende escapar sem ser detectado?"
Malfoy lambeu o lábio inferior, com a intenção de atrair os olhos de Hermione para lá (funcionou) antes de dizer "Existem tantas maneiras. Deixe-me mostrar algumas."
"Eu-"
"Não pode. Eu sei."
Era exatamente o que ela ia responder, mas ainda estava brava por ele ter dito antes dela. "Você-"
"Não te conheço. Eu sei também."
"Droga, cale a boca."
"Me faça calar."
A inclinação de seu corpo, os cotovelos sobre os joelhos, os primeiros botões de sua camisa desabotoados. Por sua própria vontade, seus olhos caíram para o início do peitoral que ele estava mostrando a ela e de volta, esperançosamente rápido o suficiente para que ele não a chamasse. "Certo." Hermione endireitou os ombros para ele, girando em seu banquinho. "Onde você quer me levar?"
Malfoy sorriu, inclinando-se e arrastando o banquinho dela para mais perto dele. Nunca joga limpo, nunca joga limpo... Ele se inclinou em seu ouvido e sussurrou:
"Aonde você quer ir?"
"Tudo bem, vocês dois!" Slughorn disse um tanto nervoso, uma pequena risadinha em seu tom. "Vocês ainda têm mais um tempo de aula pela frente, então vamos tentar nos concentrar, por favor!"
Hermione se encolheu, fechando os olhos e voltando mortificada para seu pergaminho, enquanto Malfoy apenas ria e Zabine fazia um barulho enorme do fundo da classe. "Janta comigo, vamos conversar sobre os planos." Ele sussurrou enquanto olhava para frente.
Hermione levantou uma sobrancelha cética. "Na mesa da Sonserina? Você ficou maluco?"
"Nem tanto. Que tal nos primeiros assentos da mesa da Grifinória, próximo à mesa dos professores?" Hermione disse para as borboletas de seu estômago se aquietarem. "Vamos lá, o que de pior pode acontecer?" Hermione abriu a boca, então Malfoy continuou "Não responda. Apenas vamos. Potter convidou Daphne mais cedo e ela aceitou. Somos todos adultos agora. Podemos apenas aproveitar a oportunidade e promover a união entre as casas. Imagine como Dumbledore ficará orgulhoso."
Ah, certamente ele vai ficar.
Enquanto Hermione caminhava com Malfoy para o Salão Principal, Daphne e Harry em sua própria conversa à frente deles, Hermione observava os olhares que eles recebiam enquanto caminhavam juntos ao longo do Salão Principal. Era estranho ser visto com Malfoy e Harry no mesmo grupo, e em contrapartida sentir-se como a realeza no processo. As pessoas não estavam olhando para ela como se ela fosse uma desajustada ou uma mulher marcada para uma morte prematura, mas sim como alguém a ser invejada, especialmente depois que Malfoy passou um braço pesado em volta dos ombros dela, caminhando para o início da mesa da Grifinória. Ou talvez eles estejam se perguntando por que diabos eu estou saindo com ele - como um cordeiro ingênuo sendo levado ao matadouro.
O espírito geralmente independente de Hermione se irritou com o movimento de poder de Malfoy. Outra voz, obviamente focada na Ordem, disse a ela para calar a boca. Isso era bom. Talvez pela primeira vez, ela não tivesse que pensar demais nas coisas. No entanto, o momento durou pouco porque, com o estômago embrulhado, ela percebeu exatamente o que acabara de acontecer: ela havia sido recrutada, assim como Dumbledore havia pedido que ela fosse. Ela esperava estar fazendo isso direito.
Foi nessa hora que Hermione avistou Rony no meio da mesa, jantando com Lilá, com a boca tão escancarada que um pouco de comida caiu dela. "Explicamos depois" ela desenhou as palavras com os lábios, fazendo com que Rony fechasse a boca, mas ainda os acompanhasse com os olhos durante o restante do percurso.
Hermione sentou-se desconfortavelmente ao lado de Malfoy e na frente de uma Daphne anormalmente relaxada e um Harry estranhamente sorridente.
"Então. Qual é o plano para esta noite?" Daphne perguntou enquanto puxava o prato de purê de batatas para ela, enchendo-o. "Boate? Bar?"
O estômago de Hermione revirou um pouco — essas opções pareciam divertidas. Quando foi a última vez que ela realmente se divertiu? Ela supôs que o mais próximo tinha sido o baile, mas seria bom sair do castelo e se soltar sem o julgamento de toda a escola.
Malfoy puxou Hermione para seu lado possessivamente, mantendo seu braço ao redor dela. "Vamos perguntar à minha garota?"
As costas de Hermione enrijeceram. "Eu não sou sua garota."
"Você não é? Eu pensei que essa parte estivesse implícita."
"Não, não sou." Hermione ocupou as mãos servindo-se de um copo de suco de abóbora e bebendo.
O gênio dela só o excitava. Ela podia sentir pelo aperto de seus braços nela. "O que há de tão errado em sair comigo?" Malfoy pressionou.
Tudo. Hermione olhou para Harry em busca de ajuda, mas ele estava apenas os observando, finalmente vendo suas interações de perto e pessoalmente. Foi como se de repente tudo se encaixasse e fizesse muito mais sentido para ele. "Eu só não quero!" Hermione finalmente mentiu.
"É uma pena." Malfoy sorriu, um pouco de purê de batata em seus lábios. Hermione não resistiu à vontade de passar o polegar sobre eles para limpar. "Então, aonde você quer ir para o nosso 'encontro de amigos'?"
Os dedos dela demoraram-se na borda da boca dele; ele era sarcástico demais para o bem dele e ela gostava disso demais para o bem dela.
"Boate."
Malfoy abriu um sorriso perigoso. "Está decidido então."
Imagens de Malfoy, vestido e suado, espremido atrás dela passaram por sua mente. Ela sabia como ele dançava formalmente, mas agora ela queria ver como ele realmente se movia - como ele moldaria seu corpo ao dela enquanto eles se tornavam escravos de uma batida. Ela tinha lido que um cara fazia sexo como dançava e algo dizia à Hermione que Malfoy seria bom em ambos. Ela podia vê-lo segurando seus quadris, arrastando sua bunda contra sua virilha enquanto ele sussurrava coisas impertinentes em seu ouvido por cima do ombro. Ela quase podia sentir a maneira como sua própria mão viajaria por trás dela até o cabelo dele, empurrando o rosto dele para mais perto da curva de seu pescoço, implorando pelos beijos resultantes que esse movimento evocaria nele.
Hermione sentiu que estar perto de Malfoy fosse como se superar a cada maldito segundo do dia.
"Senhorita Granger, Sr. Malfoy, preciso que venham comigo." McGonagall arruinou completamente a euforia de tesão de Hermione quando ela apareceu nas costas de Daphne, fazendo a garota pular e xingar, com a mão no coração. McGonagall apenas olhou para ela severamente em desaprovação antes de olhar para os dois monitores chefes "Temos uma emergência estudantil."
Hermione sentiu seu coração começar a bater novamente depois que o pânico temporário de que ela iria ter problemas por ser uma traidora insana por se sentar na mesa da Grifinória com Sonserinos diminuiu. "Claro" ela respondeu, levantando-se de um pulo, empurrando o braço de Malfoy que estava sobre ela.
Malfoy parecia um pouco menos entusiasmado por ser convocado durante a refeição. Ele terminou de mastigar, roubando um pãozinho, enquanto se levantava. "Mostre o caminho, professora." Hermione conhecia sua voz bem o suficiente para saber que ele estava extremamente irritado, mas escondendo sob um fino véu de educação polida.
McGonagall os conduziu até seu escritório, instruindo Malfoy a fechar a porta atrás deles. O pressentimento de Hermione dobrou com o som daquele pequeno clique. "Houve um ataque na noite passada ", afirmou a professora sem perder tempo.
"Na noite passada?" Hermione repetiu, se perguntando por que ela só estava ouvindo sobre isso agora.
"Sim," McGonagall confirmou, adivinhando corretamente o processo de pensamento de Hermione, "nós tivemos dificuldade em contatar os pais da aluna para informá-los, considerando que eles são trouxas."
O coração de Hermione caiu para o estômago. Outro crime de ódio. "Quem?"
"Maria McLaster, quarto ano da Corvinal."
Hermione não a conhecia pessoalmente, mas tinha certeza de que podia imaginar seu rosto. Ela era uma garota feliz, sempre sorridente e alegre. "Ela está bem?"
"Não." McGonagall respondeu sombriamente. "Fisicamente ela está bem, mas passou por um episódio como John King - ela não consegue se lembrar de algumas horas de sua vida, mas diz que voltou à consciência com a sensação avassaladora de que algo terrível havia acabado de acontecer com ela. Obviamente, ela está bem abalada."
Hermione não conseguia nem imaginar. "Isso é horrível. É possível que Crab-" As palavras morreram em sua garganta quando Hermione percebeu que o ataque de Maria não poderia ter o mesmo perpetrador que o de John teve, porque Crabbe estava com ela ontem à noite na estufa. Ele foi de péssima ajuda, mas Hermione mal notou porque ela estava tendo uma ótima conversa com John.
"Eu já falei com o Sr. Crabbe, Srta. Granger, e o álibi dele é que ele estava com você."
A pele de Hermione se arrepiou com a declaração, não perdendo absolutamente nenhuma parte em sua implicação. "Sim, ele estava cumprindo uma detenção comigo."
McGonagall ergueu uma sobrancelha, mas Hermione notou que seu olhar se desviou para Malfoy... Ele me mandou Crabbe de propósito? Ele sabia sobre esse ataque? Ele não poderia estar tentando me incriminar por algo... poderia? A ideia era absurda. Ninguém jamais acreditaria que Hermione Granger tinha algo a ver com um ataque a outro aluno nascido trouxa. "Não tem nenhuma detenção designada para ele nos registros."
Hermione mordeu a língua. Dizer que ela havia aceitado os detidos de Malfoy para seus próprios propósitos de fabricação ilegal de poções parecia ainda pior do que dizer que ela mesma havia dado a ele a detenção. Não tinha absolutamente nada a ver com não querer delatar Malfoy por finalmente fazer algo decente em sua vida. "Eu dei a ele uma detenção, professora. Eu o ouvi falando mal de Herbologia e pensei que algum tempo de jardinagem seria benéfico para ele. Como punição."
McGonagall sabia que ela estava mentindo. Hermione sabia que McGonagall sabia que ela estava mentindo, mas nenhuma das mulheres reconheceu esse fato, esperançosamente por causa da confiança. "Muito bem." Ela moveu seu olhar aguçado para Malfoy. "Você tem alguma ideia de quem pode ter sido o responsável por este ataque, Sr. Malfoy?"
O que aconteceu a seguir poderia ser mais bem descrito como um confronto direto sem nenhuma das partes vacilar. "Não, professora," Malfoy finalmente respondeu, os lábios se abrindo em um sorriso encantador. "Eu não tenho."
Ele sustentou seu olhar por mais alguns segundos até que ela o quebrou. "Muito bem. De efeito imediato, as patrulhas terão o dobro de duração, deverão ser feitas em pares e agora incluirão o perímetro do terreno da escola. Achamos que esses dois ataques aconteceram na orla da Floresta Proibida, então vamos ter que monitorar lá também."
"Professora," Hermione disse timidamente, "é sexta-feira à noite. Não sei se seremos capazes de encontrar o dobro de monitores para concordar em patrulhar em cima da hora."
McGonagall a nivelou com um olhar. "Eu concordo, e é por isso que vocês dois vão começar." Malfoy soltou um rosnado baixo que Hermione tinha certeza que só ela ouviu. Lá se vão nossos planos de diversão. "Vocês podem convocar uma reunião de emergência amanhã à tarde, onde poderão informá-los sobre as mudanças no protocolo." Ela abriu uma lata em sua mesa, oferecendo a cada um deles um biscoito antes de dispensá-los.
"Isso é ridículo!" Malfoy reclamou assim que eles chegaram ao corredor.
Hermione se virou para ele. "Você fez isso?" Ela sussurrou acusadoramente.
Malfoy jogou a cabeça para trás. "Fiz o quê?"
Hermione não tinha paciência para isso. "Atacou Maria?"
Seus olhos se estreitaram. "Você acha que fui eu?" Bem, isso não é uma resposta. Malfoy zombou. "Então você acha que eu arranjei um monte de gente para ajudar com as suas plantas e depois escapei para sequestrar uma aluna do 4º ano? O quê, você acha que eu ataquei John, apenas para encontrá-lo e despistá-lo de resolver o ataque dele também?" Hermione olhou, esperando por uma resposta real. Ele ofendidamente bufou, balançando a cabeça. "Não, Granger. Eu não sequestrei Maria e depois a obliviei. Mas eu realmente aprecio o voto de confiança." Ele bagunçou o cabelo antes de evitá-la, resmungando enquanto avançava. "Agora, se você me der licença, eu tenho que dar a notícia à Daphne de que não podemos festejar esta noite porque temos um maldito turno de patrulha de quatro horas em algumas horas. Ah! E também que você não confia em mim para merda nenhuma."
Hermione soltou um grande suspiro, se sentindo uma grande vadia por tê-lo acusado de algo tão baixo depois de tudo em que ele a tinha ajudado naquela semana, mas ela realmente não tinha certeza. Atormentar nascidos-trouxas era o trabalho dos Comensais da Morte, não era? Ela não queria ser pega de surpresa pensando que ele poderia ser diferente - mesmo que ele não a tratasse mais como se ela fosse inferior por ser uma nascida trouxa. Dito isto, ela não queria esperar por algo que desejasse que fosse verdade.
Mas, novamente, ele realmente não tinha nenhuma razão para estar mentindo para ela, não é?
