Estou postando bem rápido porque como temos um feriado esse final de semana, só voltarei aqui na semana que vem. Tudo parece muito bem na nossa história, mas as coisas vão piorar drasticamente no final do capítulo. Lembrando que desde o início foi dito que era uma Darkfic. Aproveitem!
Gostar de Draco Malfoy era difícil - principalmente porque Hermione sentia como se nunca tivesse ideia do que estava fazendo. Quando ele a esteve perseguindo incessantemente, foi fácil. Ela meio que seguia o fluxo e sua liderança, aceitava seus avanços, deixava ele dar orgasmos a ela, mas e agora? Ele estava se afastando - Hermione podia sentir isso. Ela realmente não deveria ter ficado surpresa, mas, de alguma forma, ela ficou mesmo assim.
A princípio, ela se preocupou em ser apenas uma espécie de troféu para ele, algum prêmio a ser conquistado por ser o primeiro cara a fazê-la gozar. Ele literalmente pediu para ficar com seu sutiã como lembrança Mione, o que você esperava? Mas então, ela percebeu que não era exatamente normal perseguir uma garota apenas para fazê-la gozar. Hermione sabia que Malfoy era peculiar, mas isso dificilmente faria qualquer sentido, especialmente depois que ela viu exatamente o quanto ele gostava de se excitar também. (E como ele parecia glorioso fazendo isso também - se é que isso era uma informação pertinente em toda essa discussão).
Então, ela se lembrou do que Harry havia dito uma vez: Malfoy e Daphne gostavam de ser perseguidos. Fazia sentido que depois de dar a Hermione um gostinho de como seria estar com ele, Malfoy recuasse e desse a ela uma chance de vir até ele. Ele tinha sido bastante agressivo ao cortejá-la, então agora ela supôs que era a sua vez de mostrar que o queria tanto quanto ele a queria. Ele gostava desse tipo de coisa recíproca, se o fato de ele querer que Hermione fosse a primeira a beijá-lo fosse alguma indicação. Era nobre, mas um problema muito grande porque, novamente: Hermione não tinha ideia do que estava fazendo.
Ela nunca tinha ido atrás de um cara antes. Claro, ela dava insinuações e flertava timidamente se quisesse alguém, mas eles geralmente faziam o resto. Ela não se achava preguiçosa em si, mas apenas uma garota que desfrutava dos benefícios de ter se tornado uma jovem atraente. (Ela sabia que não era algo que deveria admitir em voz alta, mesmo que fosse verdade.)
Ela também sabia que Malfoy tinha gostos peculiares em relação a sexo. Ela tinha visto a merda excêntrica em que ele estava envolvido, e mesmo que o tivesse surpreendido por ter reagido de uma forma positiva - na visão dele - ela não tinha ideia de como iniciar algo assim. Ela agiria como uma idiota absoluta. Não era apenas como se ela pudesse aparecer em seu dormitório em nada além de lingerie, e seduzindo-o para uma transa. A logística disso seria um pesadelo completo, desde andar pela sala comunal da Sonserina sem ser detectada, até se livrar de todos os seus colegas de quarto, até... Hermione sentia coceira só de pensar nisso.
Outra coisa que complicava a sua missão? Ela não conseguia parar de sonhar com Malfoy. Todas as noites, sem falta, ele aparecia em várias formas de nudez, sempre dizendo as coisas mais ridículas para ela. Uma vez, enquanto eles estavam em uma floresta densa e ele a segurava perto (eles estavam montando um unicórnio?) Ele sussurrou em seu ouvido: 'Acho que não vejo o objetivo, Granger. Tipo, você está tentando se arruinar? Você quer provar o que é gostoso antes de se contentar com uma vida chata e previsível...? Ela foi salva de ter que responder aquela pergunta rude quando o unicórnio se transformou em um hipogrifo que atacou Malfoy antes de levantar voo. Em outro sonho, eles estavam fazendo sexo no Lago Negro e de repente ele ficou muito solene, 'Por que eu? Por que agora?' Ela adivinhou que estava se sentindo um pouco culpada por enganá-lo, porque ela também sonhou com ele descobrindo como ela o estava usando para a Ordem e Malfoy a entregou para Voldemort como punição. Ela acordou daquele sonho suada e ofegante. (Então, novamente, ela acordava da maioria de seus sonhos com Malfoy dessa forma.)
Ela precisava fazer alguma coisa. Ela só não sabia o quê.
"Você quer assistir ao treino amanhã à noite? Eu realmente estou deixando o time em boa forma este ano. Gina está cada vez melhor, ela com certeza deve receber muitas propostas para jogar profissionalmente ano que vem. E Rony também está mais confiante. Seria divertido ter você lá conosco um pouco." Harry sugeriu.
"Sim, sim, estarei lá amanhã." Hermione respondeu distraidamente, passando a observar Gina Weasley no meio da mesa da Grifinória. Tornou-se um mau hábito dela nas últimas refeições. A garota parecia tão normal - como se você nunca esperasse que ela fosse uma desviante sexual que chupava caras, enquanto outros assistiam e gozavam. Hermione supôs que ela provavelmente deveria ter dito a Harry que agora a irmã caçula do melhor amigo dele era uma pervertida sexual, mas isso exigiria explicar a ele que sua melhor amiga também era uma. Afinal, ela se masturbou enquanto assistia Gina chupar Malfoy. Ela nunca pensou que viveria para ver o dia em que teria algo em comum com Gina (ela não tinha nada contra a garota, elas até foram amigas na adolescência, mas acabaram se afastando quando Gina decidiu que era hora de superar seu amor infantil por Harry e se interessar por outras pessoas).
Rony suspirou. "Qual o problema com vocês dois ultimamente?" Hermione e Harry decidiram manter certos avanços da dupla Sonserina para eles mesmos.
Harry enrijeceu e Hermione deu um pulo, envergonhada, voltando-se para Rony. "Desculpe, desculpe, só estou um pouco distraída, só isso."
"Sim. Percebi." Rony disse secamente. "Ainda não sabe o que fazer com Malfoy?"
"Não." Era uma meia-verdade.
"Eu acho que você está pensando demais. Ele claramente gosta de você." Disse Rony muito à contragosto, enquanto Hermione fez uma careta, insegura.
Harry acenou com a cabeça, concordando com o ruivo. "Rony tem razão, Mione. Apenas o convide para sair. Eu realmente duvido que ele vá dizer não."
Isso soou aterrorizante e Hermione odiou. "Certo."
Levou alguns dias, mas Hermione finalmente reuniu sua coragem Grifinória na aula de Defesa Contra as Artes das Trevas e pediu a Malfoy que fizesse par com ela para a prática de duelo. (Toda vez que Snape tinha que realizar seu trabalho de agente duplo, ele não tinha tempo de planejar uma aula. Então eles acabavam tendo prática de duelo com todos os alunos divididos em pares. Realmente não era o pior uso do tempo de aula, considerando que eles provavelmente aprenderam muita coisa com Snape - o cara era um exímio duelista. Além disso, o fato de haver possíveis Comensais da Morte na classe, tornava o aprendizado da defesa bastante crucial).
"Tem certeza, Granger?" Ele perguntou com um sorriso. "Eu não vou pegar leve com você."
"Não espero nada menos." Ela flertou de volta, prendendo o cabelo em um rabo de cavalo. Ela sabia que ele era um excelente duelista, mas ela também não era tão ruim graças à Armada de Dumbledore no 5° ano.
Eles encontraram um espaço livre longe de seus colegas, no canto da sala de aula, e entraram em formação, curvando-se com seus olhares fixos um no outro o tempo todo. Quando os feitiços começaram a voar, rapidamente ficou claro que Malfoy só havia melhorado, enquanto Hermione estava evidentemente tentando recuperar o atraso, não fazendo nada além de bloquear as azarações como se sua dignidade dependesse disso.
"Algo em sua mente, Granger? Você parece ansiosa para me enfrentar no corpo a corpo", ele provocou, enviando um feitiço amarelo que passou zunindo bem na orelha dela.
Ela não o deixaria entrar em sua cabeça - ela não iria permitir que ele a atingisse com o que quer que ele estivesse insinuando. "Não, absolutamente nada, apenas pronta para chutar o seu traseiro." Ela finalmente lançou uma azaração da perna presa em sua direção, mas ele a desviou para um corvinal que estava à sua esquerda - que caiu com um grito cômico.
"Huh." Ele parecia tão calmo como se estivesse dando um passeio à tarde, enquanto Hermione podia começar a sentir o suor se acumulando em sua testa. "Eu poderia jurar que você queria me perguntar alguma coisa."
Hermione rosnou quando um feitiço atingiu seu tornozelo e ela teve que pular temporariamente sobre um pé só para continuar. Ela se concentrou novamente, desviando de um feitiço azul e enviando um roxo na direção dele. Ela gemeu quando a varinha de Malfoy, de alguma forma, o absorveu. Trapaceiro. Ela não podia evitar que também estava ficando mais do que um pouco distraída, apenas pela visão de sua varinha, ultimamente. Essa varinha basicamente se tornou sua nova melhor amiga nos últimos dias... parecia errado tentar derrotá-la quando ela não tinha sido nada além de incrível para Hermione. Então, muito bem.
"Vamos, Granger. Você pode fazer melhor do que isso."
Ugh, ele é tão irritante! Hermione gritou internamente, literalmente tendo que pular e rolar para fora do caminho de outra de suas maldições.
Ela observou quando ele começou a se aproximar, conduzindo-a para o canto da sala. "Sua vez."
Ele certamente estava zombando dela sobre convidá-lo para sair. Ele tinha que estar. E ele tinha que saber ler lábios, não havia outra explicação! Ela gritou quando outro feitiço atingiu seu estômago, este fazendo-a se sentir estranhamente tonta, seguido por outro em seu braço que pareceu um corte de papel. "Merda!" Hermione sussurrou. Ela brandiu sua varinha descontroladamente, mas estava chegando à infeliz conclusão de que estava em desvantagem. Hermione se perguntou por que ela imaginou que seria boa o suficiente para enfrentar alguém que parecia fazer isso para viver.
"Você está entregando todos os seus movimentos, Granger. Tente ser mais sutil." Ele instruiu enquanto enviava outro feitiço, que Hermione sentiu passar vagamente em seu couro cabeludo.
Hermione tentou jogar outro feitiço nele, apenas para vê-lo entediado, desviando novamente para o mesmo pobre Corvinal, Terry Boot, que acabara de se levantar do chão. Ela estremeceu; tinha sido seu feitiço mais cruel até então.
"Granger..." Malfoy sussurrou, chamando a atenção dela de volta para ele com impaciência.
"Saia comigo, Malfoy!" Ela ofegou, finalmente desistindo e se encostando na parede para recuperar o fôlego em derrota.
Seus lábios se curvaram em um sorriso quando ele parou a um metro dela. "O que foi que você disse?"
"Eu disse," Hermione bufou, passando a mão pelo seu braço, a dor física quase fez seu turbilhão emocional mais fácil de suportar, "saia comigo, Malfoy. Hoje à noite." Ela inclinou a cabeça. "Por favor."
Ele achou adorável, ela podia dizer. "Eu pensei que você nunca fosse me convidar. Mas sim, eu adoraria." Ele apontou a varinha para o braço dela e selou o corte. "Aonde você vai me levar?"
Merda, ela realmente não tinha planejado tão à frente. "Ué, Hogsmeade?" Ela entrou em pânico.
Malfoy riu. "Vou dar um treino de Quadribol curto hoje à noite e vou buscá-la na Mulher Gorda às 9. Vista algo bonito." Seu olhar caiu sobre ela libidinosamente antes de sair, indo ao encontro de Daphne.
Caramba. Então ela tinha um encontro. Com Draco Malfoy. Ok, ok, ela poderia fazer isso.
Hermione passou seu próximo período livre trazendo suas opções de roupas para o quarto de Harry e Rony para que eles pudessem escolher uma roupa e decidir exatamente onde ela deveria levar Malfoy. Eles decidiram pelo Três Vassouras porque os três estavam longe de serem especialistas em namoro - e mesmo que Rony namorasse, ela não achava que ele fosse a melhor pessoa para dar conselhos amorosos - e parecia uma aposta boa e segura, especialmente se algo desse errado. (Hermione tentou não pensar no fato de que eles tinham quartos para alugar no andar de cima se as coisas corressem bem).
Hermione pensou que as horas nunca haviam passado tão devagar quanto naquele momento, sentada na sala comunal com Harry - Rony já havia descido com Lilá para o jantar - esperando que Malfoy a pegasse. Eles escolheram um vestido verde escuro de gola alta combinado com meias calças e botas pretas, tentando aparentar um visual bonito, mas sem muito esforço. Apenas Lilá percebeu que ela estava se maquiando no banheiro mais cedo naquele dia e deu uma piscadela encorajadora. Hermione se perguntou se ela seria tão legal com ela se soubesse exatamente com quem ela iria sair. Provavelmente não tão legal, e sinceramente, ela não a culparia por esse julgamento.
"Marquei de encontrar Daphne na Torre de Astronomia daqui a pouco. Você vai ficar bem?" Disse Harry um pouco nervoso. Ela não sabia se era em solidariedade a ela ou ao eminente encontro com a sonserina.
"Sem problemas, eu vou esperar no corredor então." Disse Hermione olhando para o relógio. Ela estava cansada de brincar com o cabelo, imaginando como ele tinha ficado tão comprido no último ano. "Me deseje sorte."
"Você não precisa disso." Harry respondeu.
Hermione quase pulou de susto quando encontrou Malfoy já fora do retrato, recém-banhado e usando um blazer de um vermelho profundo. Ela o olhou com curiosidade. "Não sabia que você tinha roupas da cor da Grifinória."
"Bem, quando a Princesa da Grifinória convida você para sair, você tem que estar à altura." Esperto, Malfoy. Muito esperto. "E vejo que você está nas minhas cores também."
Desta vez, o tema da Sonserina foi uma escolha mais consciente do que no baile. "Ou eu apenas fico bem nessa cor?"
"Por que não ambos?" Ele brincou. Ela adorava quando ele era brincalhão. Ela meio que estava começando a adorar quando ele fazia qualquer coisa: quando ele se largava na cadeira na sala de aula, balançando-se nas pernas traseiras, quando fazia cócegas no queixo com a pena enquanto lia um livro na biblioteca, quando estudava cada movimento dela enquanto caminhavam um com o outro nos corredores, nunca tentando esconder sua flagrante obsessão por ela. Em uma escola onde os interesses eram inconstantes e as promessas acaloradas geralmente soavam falsas quando paravam de ecoar, ela sabia que a devoção dele era uma raridade. Ter um menino - bem, um homem— como ele mostrando interesse por ela, expressando esse interesse ao longo de dias e semanas (na verdade não foram anos?), deu-lhe um conforto que ela nem sabia que desejava. Ela queria passar as mãos pelo cabelo loiro dele e observar enquanto ele se despia em câmera lenta.
Resumindo, Hermione mal sabia mais quem ela era. Ele sorriu encantadoramente enquanto lhe oferecia sua mão. "Quer que eu mostre a você uma forma de escapar daqui?"
Ela pegou e entrelaçou seus dedos. "Sim, por favor."
Malfoy mostrou a ela a passagem sob a estátua da bruxa corcunda de um olho só (que ela já conhecia, graças ao Mapa do Maroto, mas fingiu surpresa para não revelar os segredos do trio) e a segurou o tempo todo para que ela não batesse com a cabeça em nenhuma pedra irregular mal iluminada. Com a maneira como seu coração batia forte e seus cílios batiam por conta própria toda vez que ele lançava um olhar para ela, isso possivelmente parecia um encontro mais real do que qualquer outro que ela já tivesse tido antes. Sua mente aparentemente se esqueceu de passar a mensagem para seu corpo de que nada disso deveria ser real - porque para ele, era. Seu corpo não se importava com seu passado sórdido ou seus ideais obscuros, ele só podia se concentrar no aqui e no agora, no fluxo de seus hormônios e na maneira como sua respiração ficou presa na garganta quando ele começou a deslizar o polegar para frente e para trás com ternura sobre os nós dos dedos dela. Quando ela riu de alguma piada que ele fez, Malfoy jogou o braço por cima do ombro dela, como se encorajado com o som. Ele não podia fingir esse tipo de reação física.
Malfoy tirou o casaco quando eles entraram no Três Vassouras, pendurando-o em um cabide, enquanto eram calorosamente recebidos por Madame Rosmerta, que anotou os seus pedidos. "Um Firewhiskey e um...?" Malfoy olhou para Hermione com expectativa.
"Traga dois."
"Trazendo, sentem-se onde quiserem", disse a loira com um sorriso, antes de desaparecer atrás do bar.
Malfoy guiou Hermione para uma cabine isolada perto do fundo da sala. "Então, você é uma verdadeira garota Firewhiskey, hein?"
"O que você esperava?"
"Nada menos." Ela ficou secretamente feliz quando ele se sentou do lado oposto dela na mesa, então ela podia cobiçá-lo a noite toda. "Eu tenho que admitir," ele começou arregaçando as mangas - nenhuma marca negra à vista dessa vez— "eu fiquei bastante surpreso quando você me convidou para sair hoje mais cedo."
Eu também. "É mesmo?"
"Sim." Seu olhar continuou passando rapidamente para os lábios dela, e Merlin, ela gostava disso também. "Eu não pensei que eu fosse seu tipo."
Ela soltou uma risadinha, aceitando com gratidão as bebidas quando ela tomou um gole antes de olhar para ele, tomando um pouco de coragem líquida. "Honestamente? Você não é." Ele pegou o copo e levou-o aos lábios — aqueles lábios grossos, perfeitos e macios— seu olhar nunca vacilando, não deixando que ela parasse de responder. Ele tinha que parar de encará-la assim. Ela realmente não queria ser expulsa deste bar tão cedo por indecência pública quando ela inevitavelmente começasse a reagir a ele. Ela continuou, mais calmamente, "Você me surpreendeu este ano."
"Eu surpreendi?"
"Sim." Ela mordeu o lábio inferior por um segundo. "Você... eu não sei. Você se preocupa com as pessoas mais do que eu pensava. Ou... comigo?"
Ele pousou o copo, se apoiando nos cotovelos e ela viu todas as minúsculas sardas muito claras que cobriam seu nariz e se espalhavam pelas maçãs do rosto salientes. Sua estrutura facial era impecável. Era quase injusto que agora ela pudesse apenas sentar aqui e observá-lo tão descaradamente. "Já era hora de você perceber que eu me importo com você."
Merda. Seu pulso estava trovejando alto em seus ouvidos. "Acho que não te dei muitas chances de me mostrar antes, não é?" Ela respirou.
Esconda essa covinha. Esconda essa covinha filho da puta, por favor. "Não, você realmente não deu." Ele recostou-se em seu assento, aparentemente tendo chegado à mesma conclusão de que eles estavam um pouco quentes e intensos demais nos primeiros minutos de um encontro e precisavam respirar se quisessem durar. "Então, conte-me sobre suas esperanças e sonhos, Granger. O que você planejou fazer depois da escola?"
Eles conversaram por horas sobre suas aspirações de se tornar uma curandeira (uma profissão que o impressionou completamente), morar em Londres com um gato - depois que Bichento morreu, ela prometeu que só teria outro depois que saísse de Hogwarts - e o desejo secreto dele de ser um pai que fica em casa, algo que ela jamais esperou, mas floresceu uma sensação quente e brilhante em seu estômago, algo que ela nunca havia experimentado antes.
Ele se abriu e contou a ela como achava que esse sonho vinha do fato de sua mãe ter falecido no ano anterior (algo que não havia sido amplamente divulgado) e de ter tido um pai tão rígido e ausente. Sobre como ele realmente queria preencher esse vazio para outra pessoa. Hermione sabia que a Sra. Malfoy havia morrido, mas ela não sabia muita coisa sobre ela. Malfoy contou histórias sobre como ela adorava jardinagem e era uma mestra em Poções formidável. Isso a fez estender a mão sobre a mesa e pegar a mão dele na dela, oferecendo o mesmo golpe suave que ele havia oferecido e ela antes e a fez sorrir, seu polegar passando sobre as costas de seus dedos. Ela sentiu como se ele tivesse camadas intermináveis para ela descascar e só agora ela estivesse começando a arranhar a superfície.
Hermione imaginou o quão prejudicial foi o papel de Lucius em seu ingresso junto aos Comensais da Morte. Sem mais ninguém em casa, teria sido ainda mais fácil envenenar a mente de seu único filho? Hermione brevemente se perguntou se Malfoy teria tomado uma decisão diferente se tivesse sido influenciado por alguém que não fosse tão cheio de ódio.
Draco parecia quase desconfortável com a sua própria admissão, olhando para longe dela em direção ao bar. "Desculpe, eu não queria jogar tudo isso em cima de você..."
"Não, por favor. Não se desculpe," Hermione respondeu apressadamente, apertando a mão dele. "Eu quero saber." Honestamente, ela queria saber muito mais do que isso - como quando exatamente a mãe dele morreu? Como ela morreu? Mas ela sabia que não era o melhor momento para perguntar.
Ele atirou-lhe um pequeno sorriso. "Ela teria te amado." Mesmo com a expressão cética de Hermione, ele insistiu ainda mais inflexível. "Não, sério. Ela -" Draco se interrompeu, ponderando suas palavras. "Honestamente, tudo com o que ela realmente se importava eram suas poções, suas flores e garantir que sua família fosse feliz."
Hermione sorriu. "Então ela teria gostado que eu fosse uma nerd em Poções?" Ela brincou, abaixando o queixo.
Malfoy soltou um pequeno bufo, olhando-a bem em seus olhos. "Sim. E ela também teria gostado do fato de você me fazer feliz."
Ele a deixou relativamente sem palavras por um longo tempo depois disso.
Ela sabia que deveria, mas ela simplesmente não queria trazer à tona as partes feias dele (como ele ser um Comensal da Morte). Hermione só queria olhar para aquele homem bonito à sua frente e imaginar uma vidinha boba que eles pudessem construir juntos, onde teriam tudo. Como se fosse totalmente possível para ela ir trabalhar todas as manhãs e voltar para casa para encontrar seu marido e pai sexy, cuidando de seu filho pequeno. (Que mundo, que sonho). Pela primeira vez, ela foi realmente capaz de deixar de lado todos os seus pensamentos negativos e intrusivos e apenas se divertir - e rir com ele.
Ele até fez o impossível e começou a humanizar Daphne Greengrass e Blaise Zabine para ela, contando-lhe histórias de como Daphne e ele tentaram voar de vassoura até a França uma vez e como ele e Zabine tentaram libertar todos os pavões da Mansão Malfoy nas férias de Natal do 1° ano, causando uma confusão geral. Ele os fazia soar como pessoas de quem ela queria ser amiga e até mesmo imaginar que provavelmente Daphne era justamente o tipo de garota atrevida que Harry precisava.
Muito cedo, Malfoy olhou para o relógio e anunciou que era hora de levá-la de volta ao castelo. Hermione se assustou, vendo que era quase meia-noite. "O que, você vai se transformar em uma abóbora?" A maneira como ele torceu o nariz adoravelmente confuso a fez Hermione rir. Ela sabia que não devia explicar contos de fadas trouxas para ele, ela não queria estragar o clima. "Não importa, vamos." Ela esperava que sua decepção com o fim da noite não fosse óbvia e fez questão de não olhar para a escada que levava ao segundo andar. Era quase assustador o quanto ela queria levá-lo até lá e colocá-los em uma sala privada.
Ele a levou de volta ao castelo pela mesma passagem e a deixou com um beijo doce que fez até a Mulher Gorda calar a boca, prometendo que a veria no café da manhã. "Temos que fazer isso de novo em breve. Eu me diverti bastante esta noite, princesa. "
Ele estava tendo tanta dificuldade em soltar as mãos deles quanto ela? Hermione ficou na ponta dos pés, roubando outro beijo dos lábios dele, porque ela queria – e ela podia. "Eu também, Draco."
O rosto dele mudou, absorvendo instantaneamente um pouco da vulnerabilidade de Hermione por ter usado o primeiro nome dele, quando ela viu o quanto ele parecia gostar desse novo desenvolvimento. Não importava quantas garantias ele havia dado a ela ou quantas vezes ele a tinha beijado, Hermione estava bastante certa de que a pitada de bad boy que sempre estava logo abaixo da superfície de tudo o que ele fazia, sempre a manteria interessada. Essa pontada de perigo em seus olhos nunca se tornaria monótona ou deixaria de enviar uma corrente através de sua pele. Ele levantou a mão esquerda para traçar levemente sua bochecha. "Não sei o que prefiro: quando você me chama pelo meu nome ou quando me chama de amor."
Hermione sentiu sua pele corar sob seu toque. "Nomes diferentes para situações diferentes, Malfoy", ela respondeu descaradamente.
Ele sorriu. "Certo, certo. Então Draco para ternura, amor para safadeza, entendi."
Ela riu. "Algo assim."
"Bem," ele trouxe seus lábios de volta aos dela, demorando-se torturantemente, "boa noite, Hermione."
Eles tinham que parar de se beijar agora, porque ela estava prestes a arrastá-lo para dentro. "Boa noite, amor."
Ele riu enquanto se afastava, parecendo completamente em conflito sobre se despedir dela. Hermione entrou em sua sala comunal em um estupor embriagado de amor, quase gemendo quando ouviu o retrato fechar atrás dela.
"Terra para Mione." Harry chamou da poltrona pela qual ela quase passou, o Mapa do Maroto no colo.
"Oh, me desculpe, não vi você aí."
"Sim, percebi", disse ele sorrindo.
"Você não precisava esperar por mim", ela respondeu, sentando-se em seu lugar de sempre, com a cabeça ainda nas nuvens, onde Draco a havia deixado.
"Sei que não. Eu estava com Daphne na Torre de Astronomia até agora há pouco, mas assim que voltei abri o Mapa, vi você chegando. Decidi esperar." Ele ergueu uma sobrancelha em expectativa. "E então?"
Hermione estava dividida entre contar a ele todos os detalhes e levar tudo com ela para o túmulo. "Harry - eu estou fodida." Ela jogou o cabelo comprido para trás com as duas mãos. "Eu gosto muito dele."
Harry sorriu para ela, ao mesmo tempo compreensivo e triste, enquanto dava um tapinha no joelho dela. "Eu sei, Mione. Eu sei."
Ele foi para a cama logo depois e Hermione o observou subir pela escada dos meninos. Ela já havia decidido há um tempo sobre o que ela ainda precisava fazer. Não havia como ela esperar até de manhã para se masturbar, não depois do jeito que Malfoy a encarou ansiosamente por horas, incendiando suas entranhas para ele, mas ela não queria que Harry ficasse acordado se preocupando com ela. Agora que a barra estava limpa, ela vestiu o sobretudo e partiu para a margem do Lago.
Hermione estava quase em sua árvore e sua expectativa de fazer seu pequeno ritual eufórico na calada da noite estava colocando um ânimo extra em seus passos. (Afinal, ela tinha tanto material novo para suas fantasias. Não era todo dia que o cara mais gostoso da escola usava um blazer vermelho escuro só para ela e lançava sorrisos fáceis e ligeiramente travessos em sua direção por horas). Já passava da meia-noite, muito depois do horário em que a última das patrulhas terminou e Hermione estava quebrando todas as regras, inclusive as dela. Parecia maravilhoso. Ela sorriu, lembrando de como Rony e Harry sempre metiam os três em encrenca quando eram mais novos.
Ela estava recordando de quando eles encontraram o cão de três cabeças no final do 1º ano, quando ela viu: luzes crepitantes vindas da orla da floresta. Mas o quê…? Ela sabia que provavelmente deveria voltar, a Floresta Proibida era perigosa, mas ela era uma grifinória - cometer atos imprudentes era de sua natureza, não era? Além disso, ela tinha certeza de que os flashes vinham do mesmo local mágico que Malfoy havia mostrado a ela em sua patrulha juntos.
Curiosa, Hermione caminhou cuidadosamente em direção a ele, mas os ruídos que seguiram sua abordagem fizeram todo o seu corpo ficar tenso e congelar. Os sons distintos de maldições sendo lançadas eram seguidos por gritos abafados de gelar o sangue, como se quem os estivesse recebendo estivesse amordaçado, porém com tanta dor que isso quase não importava. Ela tinha que ajudá-los, ela tinha que tentar.
Hermione tirou a varinha do bolso, segurando-a à sua frente enquanto se aproximava, escondendo-se atrás de um arbusto grosso e espiando por trás de uma árvore. A mão livre de Hermione instintivamente veio cobrir o suspiro que escapou de sua boca - porque lá, no meio da clareira (e bem onde Malfoy a fez gozar pela primeira vez), estava um garoto nascido trouxa do 6º ano gritando, cercado por um círculo de Comensais da Morte.
Não, não, por favor, não esteja aqui, por favor, não...
"Muito bom, mas lembre-se, você realmente tem que querer para que funcione bem. O Lorde das Trevas não vai deixar você entrar em campo a menos que você o tenha aperfeiçoado." Hermione caiu de joelhos, seu corpo inteiro tremendo enquanto observava Malfoy corrigir o braço da varinha de um de seus companheiros e instruí-lo a tentar o crucio novamente. Colin, o menino nascido trouxa, soltou novos estrondos de agonia na noite. Sua mente não conseguia parar de imaginar como Malfoy havia ensinado a ela magia não-verbal quase da mesma maneira que ele estava ensinando a esse Comensal da Morte em treinamento como torturar. Sua voz era menos sensual aqui, mas muito calma, como se uma Maldição Imperdoável tivesse a mesma proporção e fosse uma forma de magia tão rotineira quanto a não-verbal.
Hermione não conseguia respirar. Ela mal conseguia pensar. Ele nunca parou, ele nunca parou, era ele esse tempo todo, era ele! Ela sentiu as lágrimas escorrendo pelo rosto, incapaz de desviar o olhar, rezando por tudo em sua vida que esse fosse apenas mais um de seus sonhos vívidos e que ela acordaria a qualquer momento. Ele não podia ter abreviado o encontro deles porque tinha que conduzir uma sessão de treinamento de Comensais da Morte – ele não podia. Não Draco. Não o garoto que conheci este ano. Ela se agarrou à memória do quão sensualmente ele a beijou nem mesmo uma hora atrás, derramando seu coração nela através de seus lábios, como se a única coisa que estivesse no caminho dela fosse um completo colapso mental.
Zabine parecia entediado perto do fundo do círculo, acendendo pequenas chamas azuis com sua varinha e jogando-as para o céu. "Cuidado Blaise," Malfoy alertou, "eu não quero ter que apagar outro de seus incêndios acidentais novamente."
Zabine lançou lhe um sorriso pecaminoso, girando a varinha entre os dedos. "Sim, capitão."
"Seja útil e vá ajudar o Nott ali, ele é um incompetente."
Nott definitivamente o ouviu e não parecia muito satisfeito com essa avaliação, mas aceitou a ajuda de Zabine do mesmo jeito.
Pansy Parkinson, a única mulher ali, suspirou alto, claramente tentando projetar seu desagrado. "Já não fizemos a Cruciatus o suficiente por uma noite, Malfoy?"
Malfoy zombou. "Nunca pensei que você ficaria entediada com isso, Pansy."
Ela sorriu para ele perversamente. "Eu tinha alguns outros feitiços em mente."
"Não!" Malfoy respondeu imediatamente, "Se for um dos antigos feitiços de Snape, eu não quero testar. Eles são sempre muito voláteis."
"Ah, vamos lá!" Pansy choramingou. "Apenas um feitiçozinho?"
"Não, Pansy. Você sabe quanto tempo demorei para costurar aquela garota da última vez?" Hermione abafou outro gemido. Não era de se admirar que ele tivesse ficado tão impressionado com seu conhecimento de cura - ele sabia o quão difícil era a profissão e quantas de suas habilidades ele tinha que empregar para aplicá-la direito. "Tive que usar metade do meu estoque de Dittamno e ainda não consigo olhar para aqueles sapatos. O sangue impregnou em toda parte."
Ele estava falando sobre Maria. Ele disse a Hermione na cara dela que ele não a atacou... e ele mentiu. Claro que ele mentiu. Olha quem ele é!
Hermione já tinha visto o suficiente. Ela não era tão arrogante para pensar que poderia enfrentar quinze Comensais da Morte de uma vez, mesmo que alguns deles parecessem crianças – ela tinha que ir buscar ajuda. O mais silenciosamente que pôde, ela se levantou, tentando escapar de lá para poder correr de volta para o castelo.
O único problema era que ela nunca tinha sido muito boa em se esgueirar. Se ela ao menos tivesse a capa de invisibilidade de Harry. Um galho quebrou sob seu pé assim que Colin parou de gritar e ela congelou, os olhos arregalados, permanecendo imóvel como uma estátua e esperando que ninguém pudesse vê-la. Um feitiço cortante atingiu a parte inferior das suas costas, um segundo depois, dizendo a ela que não era o caso. Ela caiu no chão, gritando e chorando, sentindo o sangue quente jorrando de seu ferimento recente, ouvindo uma confusão de gritos e discussões acaloradas atrás dela, enquanto todos os Comensais da Morte se aproximavam de sua localização.
A voz de Malfoy se destacou. "Sua idiota! Crucio!" Por um momento de parar o coração, Hermione esperou que a dor dobrasse por todo o seu corpo, mas então ela ouviu outra mulher gritar e percebeu que ele havia amaldiçoado Pansy e não ela, provavelmente por ter sido quem lançou a maldição em suas costas. Hermione imaginou que seu cabelo cacheado era bastante reconhecível, mesmo por trás. "Todo mundo para trás, ela é minha." Ele começou a murmurar feitiços e Hermione sentiu o corte gigante em sua espinha se fechar, suas mãos agarrando a terra embaixo dela enquanto a dor ainda queimava, mas se tornava mais administrável.
Enquanto ela estava lá, respirando o cheiro amadeirado da terra, sua cabeça girando e seu estômago ameaçando se esvaziar aqui e agora, ela desejou que o chão a engolisse inteira.
"Não posso ser desmascarado assim! As pessoas não podem saber..."
"Não se estresse, Finnigan. Eu cuido disso. Ninguém mais vai descobrir."
Finnigan? Simas Finnigan, o explosivo grifinório do 7º ano que sempre dava um jeito de tirar Harry do sério, mas na maioria das vezes apenas prejudicava a si mesmo? Hermione não tinha notado o rosto dele agora, mas, novamente, ela estava bem focada em Malfoy. Mas essa era definitivamente a voz nervosa de Simas. Ele também era um Comensal da Morte? Um companheiro da Grifinória?!
Uma mão gentil em seu ombro finalmente desencadeou seu reflexo de vômito. "Hermione?"
"Não me toque, porra!" Ela cuspiu, lutando para se apoiar nas mãos e joelhos, continuando a vomitar. Alguma coisa ia acontecer a qualquer momento, tinha que acontecer.
"Princesa, sou eu…" Malfoy sussurrou, só para ela.
Aquilo era demais - o Firewhiskey que ela tomou com ele, no encontro deles, finalmente queimou sua garganta, fazendo-a cuspir e tossir. Ele a estava chamando de 'princesa'? O que diabos havia de errado com ele?! Ela se recusou a se virar; ela não podia vê-lo, ela não podia, mesmo que tivesse que rastejar através de sua própria poça de vômito para fugir dele.
"Saiam, todos!" Malfoy ordenou, sua voz crescendo atrás dela para os Comensais da Morte. Nenhum deles se atreveu a responder a ele. "Blaise, cuide do menino. Lembre-se, não deixe nenhum rastro. E vamos implantar uma memória feliz desta vez, para que não haja outro deslize. Me avise se precisar de ajuda." Outro deslize, outro deslize. As palavras ecoaram na cavidade vazia do peito de Hermione, onde um dia esteve seu coração. "Eu vou cuidar dela."
Ela quase vomitou de novo de quão perto essas palavras estavam de seus apelos acalorados do passado: 'Deixe-me cuidar de você.' As conotações eram tão vastamente diferentes que a deixaram fisicamente nauseada.
"Você quem manda, irmão."
Todos eles deviam conhecer alguma passagem secreta diretamente para este lugar, porque nem uma única pessoa passou por Hermione em seu caminho de volta ao castelo. Ela continuou rastejando, suas lágrimas distorcendo sua visão, mas ela não se importava. Ela tinha que ficar longe dele; ela tinha que fugir.
"Hermione, deixe-me levá-la de volta." Malfoy disse suavemente quando eles estavam sozinhos.
"Afaste-se de mim, seu- seu-" Hermione tropeçou, incapaz de pensar em algo ruim o suficiente para descrever a maneira como ela se sentia, "- seu filho da puta -" ela desabou, seus braços cedendo, a nova pele nas suas costas doendo e esticada ao máximo para fazer qualquer coisa além de se deitar de bruços na terra.
"Hermione, você precisa parar de se mexer e deixar cicatrizar por um segundo."
Malfoy estava andando em volta dela, tentando entrar em sua linha de visão, então ela fechou os olhos, lágrimas silenciosas ainda escorrendo. "Me. Deixe."
Ele estava agachado na frente dela, ela podia sentir isso. "Não. Eu não vou deixar você aqui." Ela o sentiu banindo seu casaco arruinado e curando suas costas mais uma vez. "É uma pena, eu adorei esse vestido em você."
Hermione sentiu suas mãos se fecharem em punhos no solo mais uma vez, empurrando-o mais fundo sob suas unhas. Quanto menos lembretes ela tivesse de que tinha acabado de sair para um maldito encontro com esse sociopata - um que ela realmente gostava estupidamente— melhor. "Vai se foder."
"Linguajar, princesa." Ele estendeu a mão para colocar um pouco de seu cabelo atrás da orelha, mas ela recuou.
"Não me toque", ela rosnou. "Não se atreva-"
"Granger, por favor. Apenas relaxe, não me faça amarrar você..."
"Não aja como se você se importasse!" Ela gritou, os olhos finalmente se abrindo para olhar para ele com a intensidade de mil sóis. "Você me enganou! Você me enganou, porra!"
"Não, eu não enganei, amor, por favor, se acalme!"
"Você disse que não atacou Maria! Você mentiu na porra da minha cara-!"
"Não", ele raciocinou como se estivessem discutindo o tempo. "Eu disse que não fui eu quem a prendeu ou apagou suas memórias. Era a vez de Goyle."
"Você é um monstro!" Hermione gritou, suas cordas vocais rasgando enquanto catarro escorria de seu nariz. "E o quê? Você torturou John e então me olhou nos olhos e pediu minha ajuda com ele? Sabendo o que você tinha acabado de fazer com ele?! Você é um sádico, um câncer, um maldito-!"
"Princesa, me desculpe." Ela entendeu o seu pedido de desculpas um segundo depois, quando sentiu um feitiço sobre ela, instantaneamente tirando um pouco da dor latejante em seu peito. Ela não tinha certeza do que estava acontecendo, mas tudo parecia mais monótono agora... mais leve. Como se a adaga sendo enfiada em sua carne tivesse se transformado em um elástico, estalando em sua pele, mas nunca penetrando. Irritante, mas ela não morreria disso. "É um feitiço calmante. Não quero que você se machuque."
Sua mente formigou quando ela engoliu um pouco da bile restante em sua garganta dolorida. "Você me enganou", ela repetiu suavemente, a voz embargada, o fluxo constante de lágrimas caindo de seus olhos diminuindo para um fio.
Malfoy estendeu a mão para a bochecha que ela não tinha pressionado na terra e esfregou a umidade com o polegar. "Não, amor. Eu não enganei. Eu mostrei a você um lado meu, mas escondi o resto. Todos nós temos lados. Você tem vários, eu já vi alguns deles." Ele fez isso parecer amoroso. Ele fez parecer normal.
"A maioria de nós não tem um lado homicida, Malfoy", ela murmurou. Ela tinha um palpite de que se sentir dopada e lenta era um efeito colateral desse feitiço. "Nós não somos iguais, porra..." Ela fez uma careta quando sentiu Malfoy curar completamente suas costas mais uma vez e foi dominada pela necessidade de estragar tudo de novo. Se ele queria tanto que seu machucado cicatrizasse, ela continuaria lutando contra isso, porque foda-se ele. Ela se levantou lentamente.
Malfoy rosnou, segurando o braço dela. "Vamos, Hermione. Não me faça lançar uma imperio em você."
Ela não podia acreditar que uma vez ouviu calor naquela voz ou conforto na maneira como ele disse seu nome. Ele a estava ameaçando com uma maldita Maldição Imperdoável, já que agora que o curativo foi arrancado e ela viu quem ele realmente era, ele não precisava mais se preocupar em esconder seu lado das trevas dela. Ela lentamente olhou para o rosto dele desafiadoramente. "Faça isso", ela provocou, sabendo que se ele fizesse, seria muito mais fácil esquecê-lo. Era melhor um corte limpo, porque usar a Imperius nela seria algo do qual ele nunca poderia voltar atrás. Pensando mais sobre isso, ela realmente queria que ele o fizesse. Hermione pegou a varinha dele e a levou até a testa, seus olhos avelã lacrimejantes se fixando nos belos olhos azuis acinzentados que ela havia olhado com tanto amor apenas algumas horas antes. "Faça isso." Ela repetiu. Porque mesmo agora, meio agachada em uma poça de seu próprio vômito, ela ansiava por seu toque. Ela queria que ele explicasse como tudo o que ela tinha visto tinha sido um grande mal-entendido, porque ele realmente estava tentando impedi-los de torturar aquele garoto, ela não tinha visto isso? Ela queria que ele mentisse para ela para que ela pudesse aceitá-lo de volta. Para que pudessem fingir que isso nunca havia acontecido.
Ela se odiava.
Malfoy a observou pelo que pareceram minutos, suas narinas dilatadas, antes de colocar a varinha no bolso e colocar Hermione de pé. "Eu estou levando você para dentro e ponto final."
Hermione não tinha mais resistência. Tomando cuidado para evitar o corte que finalmente parecia ter cicatrizado adequadamente, Draco pegou o corpo trêmulo de Hermione e lançou um feitiço não verbal sobre os dois, que ela logo identificou como um feitiço da desilusão poderoso. Ela nunca tinha visto um que deixasse alguém tão completamente invisível como aquele. Mas ela mal se importava. Como se alguma coisa realmente importasse agora.
